terça-feira, 3 de abril de 2007

Crise aérea é o batismo de Lula no Poder

É verdade que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já superou crises graves no seu primeiro mandato, mas também é certo que se tratavam de problemas políticos – casos Valdomiro, mensalão e Francenildo –, e política é o ponto forte do presidente. Lula, talvez melhor do que ninguém neste país, como ele mesmo poderia dizer, sabe agir de forma a minimizar os danos à sua imagem e maximizar a postura de líder compreensivo e magnânimo, que pega muito bem na população, especialmente entre os mais pobres.

A crise aérea em curso, porém, deve requerer do presidente algo mais do que o faro de sindicalista treinado para negociações. O problema que Lula está enfrentando exige, além, obviamente, do senso político para estabelecer uma boa negociação, uma postura de comandante supremo da Nação. Para ser mais claro, exige que o presidente saiba mandar – nos ministros militares, por um lado, e nos sargentos que paralisaram os céus do país na sexta-feira. No fundo, o atual episódio é uma espécie de batismo de fogo do presidente Lula no Poder. Se ele se sair bem, terá marcado muitos pontos em uma trajetória que pode até acabar em um terceiro mandato, mais provavelmente em 2014, mas, eventualmente, já em 2010, se o povão assim o exigir. Se fracassar, terá sepultado este mesmo caminho e poderá complicar bastante o planejamento para este mandato em curso.

Apesar da gritaria dos veículos conservadores, porém, é preciso ponderar que do ponto de vista de prejuízos à imagem do presidente Lula esta crise é bem pouco devastadora, porque no Brasil a parcela da população que toma avião é quase ínfima, embora bastante influente. No povão, há até um certo escárnio em relação aos problemas dos que "sofrem" nos aeroportos. Como disse um taxista dia desses, é bom ver ricos pegando fila de vez em quando...

Tudo somado, porém, não deixa de ser o primeiro teste mais complicado para o presidente Lula fora da esfera política. É preciso garantir a segurança de quem voa pelos céus do Brasil e ao mesmo tempo não é possível ceder às chantagens de uma categoria que não tem mais do que 3 mil trabalhadores...

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