quinta-feira, 1 de março de 2007

Ombudsman concorda: edição foi "política"

O Ombudsman da Folha de S. Paulo, Marcelo Beraba, concorda com este blog: o jornal pesou na mão na cobertura do resultado do PIB de 2006. Confira abaixo, no comentário de Beraba da Crítica Interna publicada em seu site:

A Folha fez uma edição política com o resultado do PIB divulgado ontem: "PIB de Lula empata com o de FHC". O principal enfoque do jornal foi a comparação entre os desempenhos dos dois governos - "Economia cresce 2,9%; na média, resultado do 1º mandato petista é igual ao da gestão tucana".

O "Estado" e o "Globo" destacaram o desempenho medíocre da economia: "Brasil cresce só 2,9%, bem abaixo da média mundial" ("Estado") e "Brasil cresceu em 2006 metade da média mundial" ("Globo"). O jornal do Rio também chamou a atenção para o "empate" entre Lula e FHC.

A abordagem dos jornais econômicos foi completamente diferente. Naquilo que os grandes jornais só viram aspectos negativos, "Valor" e "Gazeta Mercantil" enxergaram pontos positivos. O "Valor" ignorou, no título da manchete, o resultado do PIB de 2006 para destacar o que avalia que poderá mudar em 2007: "Demanda interna puxa atividade no primeiro bimestre". Segundo o jornal, "indústria e varejo começaram 2007 com um ritmo intenso". O jornal destaca ainda o crescimento de 3,8% do último trimestre de 2006 e avalia que a economia este ano "poderá ser melhor do que esperavam os analistas". Dos grandes, o "Estado" foi o único que também destacou na Primeira Página que "o 4º trimestre aponta para retomada econômica em 2007".

A "Gazeta Mercantil" tem uma abordagem também diferente: "Câmbio pode garantir PIB acima de US$ 1 trilhão". Refere-se a 2007.

A Folha registrou ainda (na Edição Nacional), e apropriadamente, o novo recorde da carga tributária, mas não chamou a atenção para dois outros recordes na economia: a marca de US$ 100 bilhões de reservas e o superávit primário (4,79%). Não deveria ter destacado o superávit, uma vez que vem cobrando (como hoje, no editorial "Fora de esquadro") corte "relevante" nos gastos públicos?

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