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Obituários revelam o padrão
de "jornalismo" da revista Veja

As duas notas reproduzidas abaixo fazem parte da seção Obituário da revista Veja e foram muito bem pinçadas pelo blog Diário Gauche, que também comentou o assunto. Na verdade, as duas notinhas são auto-explicativas e mostram que quando todo mundo acha que não dá para o semanário da Abril piorar, o pessoal da Veja se supera e revela que não há limites para o rebaixamento do jornalismo à propaganda ideológica de quinta-categoria. Nem se a revista fosse editada pela célebre (e decadente) TFP – Tradição, Família e Propriedade – o obituário de dom Ivo teria sido escrito de forma tão desrespeitosa e preconceituosa. Quanto a Baudrillard, os redatores de Veja parecem ter aderido ao culto da ignorância que adoram apontar no governo Lula. Ou talvez não tenham mesmo entendido o que o filósofo escreveu...

Morreram:
* dom Ivo Lorscheiter, bispo de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Durante o regime militar, à frente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ele denunciou as torturas e os assassinatos de esquerdistas nos porões dos quartéis. Lorscheiter foi um dos principais defensores da Teologia da Libertação, uma excrescência saída da cabeça de padres ideólogos latino-americanos que tentava conciliar cristianismo e marxismo. (...)O bispo também apoiou a criação de bandos armados que, a pretexto de lutar pela reforma agrária, deram origem ao MST. Dia 5, aos 79 anos, de falência de múltiplos órgãos, em Santa Maria.

* o ensaísta francês Jean Baudrillard . Sociólogo de formação, ele ganhou fama escrevendo textos obscuros, muito populares nos cursos de semiologia. Baudrillard fazia arrepiar de entusiasmo o pessoal da pós-graduação, com seu papo-cabeça sobre a "virtualidade" do mundo contemporâneo . Dizia, por exemplo, que a Guerra do Golfo "não existiu". A trilogia cinematográfica Matrix faz menção a suas idéias. Talvez ele tenha sido mesmo um bom autor de ficção científica. Dia 6, aos 77 anos, de câncer, em Paris.

Comentários

  1. Me intriga que a tal revista semanal de difamação ainda não tenha fechado, por duas razões:
    1] Praticando semanalmente o assassinato da honra alheia, seja na política, na economia, nas artes e, sabemos agora, até contra os mortos, é razoável supor que a editora Abril gaste um bom dinheiro com advogados e indenizações;
    2] A tiragem da revista é invejável, mas uma boa parte dos exemplares é distribuída graciosamente [quantos, exatamente?], através das mais variadas promoções, até mesmo a quem não os solicitou, o que deveria dar um prejuízo considerável.
    Pergunto: qual o segredo de Veja?

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