quarta-feira, 12 de março de 2008

Ainda sobre o PIB: a análise da Indústria

O que vai abaixo é o texto divulgado pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), espécie de think tank dos industriais brasileiros, sobre o crescimento do PIB brasileiro. Choramingos à parte, é uma boa análise.

O crescimento de 5,4% do PIB brasileiro em 2007 deve ser comemorado como um índice significativamente superior à média dos quatro anos anteriores, 3,5%. O crescimento econômico do ano passado se acerca mais do que pode ser considerado como a taxa objetivo para um país com a força e a diversidade econômica que o Brasil dispõe. Essa taxa é de 7% ao ano. Na indústria deve ser destacada a grande reativação do setor que é o coração do complexo industrial, ou seja, a indústria de transformação. Seu dinamismo muito baixo em 2006 (+2%) cedeu lugar a um crescimento de 5,1%. Foi essa variação o fator individual mais destacado para que o PIB global do país transitasse da taxa de 3,8% em 2006, para o já observado crescimento de 5,4% no ano seguinte.

Na proporção do crescimento do PIB e do investimento certamente reside a característica mais relevante a sugerir continuidade do crescimento econômico. A variação real do investimento, em 13,4%, correspondente a duas vezes e meia a variação do produto, é a melhor política antiinflacionária que o país pode ter, pois dinamicamente vai resolvendo o problema do abastecimento sem pressões sobre os preços. A taxa de investimento (relação entre formação bruta de capital fixo e PIB) em 2007 foi de 17,7%, com significativa expansão com relação ao ano anterior (15,9%). No entanto permanece muito baixa, sinal que é possível, e altamente desejável, que o aumento do investimento de 2007 se repita em 2008 e anos subseqüentes. Políticas mais amplas e maiores incentivos tributários e financeiros às inversões e para a área de infra-estrutura podem colaborar para esse objetivo.

Dois sérios problemas revelados pelos resultados do PIB devem merecer estudos e atenção: 1) A contribuição negativa do comércio exterior de bens e serviços para o crescimento, que em 2007 chegou a 1,5 pontos percentuais. A valorização cambial, é claro, está na base de explicação desse resultado. Analistas não atribuem problema a esse resultado negativo de curto prazo, alegando que o mercado interno serve de compensação. Isso de fato ocorreu em 2007, podendo se repetir em 2008, mas leva a uma sobreutilização do mercado interno, requerendo um crescimento do consumo e do crédito tão acentuados que pode esbarrar em limites. Em uma hipótese ainda não vislumbrada, mas sempre possível, de menor dinamismo do mercado interno, o Brasil sentirá falta de políticas voltadas para assegurar um balanceamento maior entre fonte externa e interna de crescimento. 2) Em outra conseqüência do câmbio valorizado, pode estar ocorrendo um empobrecendo das cadeias industriais de produção em um silencioso processo que a alta performance do crescimento da produção mormente na indústria parece não confirmar. Para pensar e aprofundar: segundo a pesquisa de produção industrial, a indústria de transformação acusou aumento real de 6% em 2007, mas, segundo os dados do PIB, foi menor o crescimento real do valor adicionado da indústria, 4,9%. Cresce a produção, porém com menor agregação de valor.

Em si, o crescimento de 5,4% do PIB brasileiro em 2007 deve ser comemorado como um índice significativamente superior à média dos quatro anos anteriores, vale dizer de 2002 a 2006, equivalente ao primeiro período do atual governo, quando em média a variação foi de 3,5%. O crescimento econômico do ano passado se acerca mais do que pode ser considerado como a taxa objetivo para um país com a força e a diversidade econômica que o Brasil dispõe. Essa taxa é de 7% ao ano.

Mas, além da magnitude da evolução quantitativa, talvez ainda mais importante seja sublinhar as características da qualidade desse crescimento, as quais, de uma forma geral, são positivas, mas que, em pelo menos dois aspectos, causam grande preocupação. Uma apreciável uniformidade das taxas de evolução dos macro-setores no ano passado constitui um primeiro traço distintivo a ser considerado. A agropecuária teve o maior aumento, 5,3%, mas o desempenho da indústria, 4,9%, e serviços, 4,7%, ficaram muito próximos. Crescimento mais equilibrado entre os setores é sinal de uma expansão mais espalhada pela economia e, sendo assim, com maior capacidade de se reproduzir.

Na indústria alguns temas devem ser abordados. Primeiro, a grande reativação do setor que é o coração do complexo industrial, ou seja, a indústria de transformação. Seu dinamismo muito baixo em 2006 (variação de apenas 2%) cedeu lugar a um crescimento de 5,1%. Foi essa variação o fator individual mais destacado para que o PIB global do país transitasse da taxa de 3,8% em 2006, para o já observado crescimento de 5,4% no ano seguinte. Embora o crescimento da indústria automobilística, dos setores de bens de consumo duráveis de uma forma mais geral e do segmento de bens de capital terem liderado amplamente o desempenho da indústria de transformação, ao longo de 2007 foram sendo incorporados muito outros setores ao processo, de forma que, com algumas raras exceções em geral associadas ao impacto negativo do câmbio valorizado, o ano se encerrou com o setor industrial apresentando crescimento generalizado.

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