Pular para o conteúdo principal

Privatização de Serra fracassa

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), bem que tentou, mas a sua própria ganância acabou impedindo que a Cesp (Companhia Energética de São Paulo) acabou cancelado por falta de interessados. O tucano agora tenta tirar uma casquinha dizendo que não venderia a Cesp "na bacia das almas", mas a verdade é que ele deve estar bem irritado e à procura de outra forma de arrumar uns trocados para a campanha eleitoral de 2010. É dura a vida de um presidenciável...

Abaixo, a íntegra da matéria do portal G1, da Globo, sobre o cancelamento do leilão:

Sem interessados, leilão da Cesp é cancelado

Nenhum dos participantes inscritos respeitou o prazo para depósito de garantias financeiras. Empresas inscritas eram CPFL, Neo Energia, EDP Energia do Brasil, Tractebel e Alcoa.

O leilão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que aconteceria nesta quarta-feira (26), na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), foi cancelado.
Nenhum dos participantes inscritos respeitou o prazo para depósito de garantias financeiras, de R$ 1,74 bilhão. As empresas inscritas eram CPFL, Neoenergia, EDP Energia do Brasil, Tractebel e Alcoa, segundo a Bovespa.

O prazo para entrega de documento e pré-identificação terminou no dia 10 deste mês. O de identificação - que determina os participantes - foi atendido, com as cinco empresas inscritas.
Para participar do leilão, as companhias tinham até as 12h de hoje para apresentar suas garantias na Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Esta seria a terceira tentativa de venda da empresa.

"Bacia das almas"

O governador de São Paulo, José Serra, confirmou no início da tarde desta terça (25) o cancelamento do leilão da Cesp porque os interessados não apresentaram garantias mínimas. O preço ficou abaixo do que o governo esperava.
Em entrevista no Palácio dos Bandeirantes, Serra disse que as empresas queriam um valor menor para a Cesp. "O pessoal queria um valor menor, mas nós não vendemos na bacia das almas", afirmou. Serra argumentou que o governo "não cedeu às empresas e não diminuiu o preço da companhia". E destacou: "Mantivemos o patrimônio da Cesp".

O governador paulista acredita que uma das razões para as cinco empresas que participariam do leilão não terem oferecido um preço adequado foi a dificuldade de obtenção de financiamento junto às instituições de crédito internacionais, em razão da crise dos Estados Unidos.


Com o cancelamento do leilão, o governo de São Paulo vai estudar alternativas para a questão.
As ações da Cesp despencavam após o anúncio. Às 13h, as ações ON perdiam 12,5%, R$ 28, com volume financeiro tímido. Os papéis PNB, os mais líquidos, caíam 16,4%, para R$ 32,40.

Comentários

  1. lamentavel - É pensar que ele quer ser presidente. Talvez venda até a mãe

    ResponderExcluir

Postar um comentário

O Entrelinhas não censura comentaristas, mas não publica ofensas pessoais e comentários com uso de expressões chulas. Os comentários serão moderados, mas são sempre muito bem vindos.

Postagens mais visitadas deste blog

Rogério Andrade, o rei do bicho

No dia 23 de novembro do ano passado, o pai de Rodrigo Silva das Neves, cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro, foi ao batalhão da PM de Bangu, na Zona Oeste carioca, fazer um pedido. O homem, um subtenente bombeiro reformado, queria que os policiais do quartel parassem de bater na porta de sua casa à procura do filho — cuja prisão fora decretada na semana anterior, sob a acusação de ser um dos responsáveis pelo assassinato cinematográfico do bicheiro Fernando Iggnácio, executado com tiros de fuzil à luz do dia num heliporto da Barra da Tijuca. Quando soube que estava sendo procurado, o PM fugiu, virou desertor. Como morava numa das maiores favelas da região, a Vila Aliança, o pai de Neves estava preocupado com “ameaças e cobranças” de traficantes que dominam o local por causa da presença frequente de policiais. Antes de sair, no entanto, o bombeiro confidenciou aos agentes do Serviço Reservado do quartel que, “de fato, seu filho trabalhava como segurança do contraventor Rogério And...

No pior clube

O livro O Crepúsculo da Democracia, da escritora e jornalista norte-americana Anne Applebaum, começa numa festa de Réveillon. O local: Chobielin, na zona rural da Polônia. A data: a virada de 1999 para o ano 2000. O prato principal: ensopado de carne com beterrabas assadas, preparado por Applebaum e sua sogra. A escritora, que já recebeu o maior prêmio do jornalismo nos Estados Unidos, o Pulitzer, é casada com um político polonês, Radosław Sikorski – na época, ele ocupava o cargo de ministro do Interior em seu país. Os convidados: escritores, jornalistas, diplomatas e políticos. Segundo Applebaum, eles se definiam, em sua maioria, como “liberais” – “pró-Europa, pró-estado de direito, pró-mercado” – oscilando entre a centro-direita e a centro-esquerda. Como costuma ocorrer nas festas de Réveillon, todos estavam meio altos e muito otimistas em relação ao futuro. Todos, é claro, eram defensores da democracia – o regime que, no limiar do século XXI, parecia ser o destino inevitável de toda...

Dúvida atroz

A difícil situação em que se encontra hoje o presidente da República, com 51% de avaliação negativa do governo, 54% favoráveis ao impeachment e rejeição eleitoral batendo na casa dos 60%, anima e ao mesmo tempo impõe um dilema aos que articulam candidaturas ditas de centro: bater em quem desde já, Lula ou Bolsonaro?  Há quem já tenha a resposta, como Ciro Gomes (PDT). Há também os que concordam com ele e vejam o ex-presidente como alvo preferencial. Mas há quem prefira investir prioritariamente no derretimento do atual, a ponto de tornar a hipótese de uma desistência — hoje impensável, mas compatível com o apreço presidencial pelo teatro da conturbação — em algo factível. Ao que tudo indica, só o tempo será capaz de construir um consenso. Se for possível chegar a ele, claro. Por ora, cada qual vai seguindo a sua trilha. Os dois personagens posicionados na linha de tiro devido à condição de preferidos nas pesquisas não escondem o desejo de se enfrentar sem os empecilhos de terceira,...