segunda-feira, 31 de julho de 2006

Kapaz recebeu empresários para ouvir Alckmin

O ex-deputado federal Emerson Kapaz agora nega o engajamento na campanha de Geraldo Alckmin (PSDB). Os tucanos fazem de conta que não sabem que apito toca o suspeito de envolvimento na máfia das ambulâncias. Até aqui, tudo certo, afinal cada um diz e acredita no que quiser. O que complica as versões, porém, são os fatos. O texto abaixo é a parte final de reportagem publicada na edição 854 da revista Exame, da editora Abril, em outubro do ano passado. Naquela época, pelo que se pode verificar na matéria, Kapaz e os tucanos estavam se entendendo muito bem. De lá para cá, pelo visto, a relação piorou bastante.

"Alckmin foi o ponto de equilíbrio entre os dois extremos. "Ele passa a imagem de alguém que sabe administrar na escassez. Um administrador capaz de dar um choque de gestão no governo", diz Horacio Lafer Piva, membro do conselho de administração da Klabin.

Essa boa impressão pôde ser constatada num jantar que o empresário Emerson Kapaz, presidente do Instituto Etco, entidade que combate a pirataria, organizou em sua casa há pouco menos de um mês. Estavam presentes 12 empresários e presidentes de grandes empresas.


Nomes como Nicandro Duarte, principal executivo da Souza Cruz; João Roberto Marinho, das Organizações Globo; Roberto Setubal, do grupo Itaú; Hugo Marques da Rosa, da construtora Método; Fábio Barbosa, presidente do banco ABN Amro; e Carlos Ribeiro, da HP.

Alckmin chegou às 20h30 e fez uma longa exposição sobre seu trabalho frente ao governo de São Paulo. Também contou que já estava constituindo uma equipe para elaborar um programa econômico para o país.

Cobrado a ter uma postura de candidato mais agressiva, explicou que a cada 15 dias vinha fazendo viagens para outros estados com o objetivo de ganhar projeção no resto do país. "Muitos saíram convencidos de que ele é o melhor candidato", diz Kapaz. "A impressão foi que Alckmin demonstra capacidade de gerenciar a máquina pública com eficiência e transparência."

As eleições presidenciais se realizarão em pouco menos de um ano. Em política, esse período de tempo equivale a uma eternidade e meia. Contar com forte apoio entre empresários é um trunfo significativo para o governador paulista.

O empresariado tem influência nos formadores de opinião, pode ajudar na sustentação financeira da campanha e representa uma parcela ativa da sociedade brasileira. Mas a corrida para a Presidência da República mal começou.
Antes de mirar o Palácio do Planalto, Alckmin precisa se viabilizar dentro do PSDB. E essa é hoje a maior dificuldade. Nas pesquisas de opinião pública, Serra tem o dobro das intenções de voto (30% ante15%), o que não pode ser ignorado.

Seus críticos dizem ainda que o governador de São Paulo é pouco conhecido no resto do Brasil e que também lhe falta uma personalidade mais vibrante para bater Lula num eventual confronto eleitoral.

Na pesquisa entre empresários e executivos, essa ausência de carisma foi -- de certa forma -- dimensionada. Apenas 7% dos que escolheram Alckmin como o melhor candidato apontaram essa característica. Entre todos os nomes apresentados, o governador seria o menos carismático.

Essa limitação não fez diferença num eleitorado formado por presidentes de empresa ou grandes executivos, mas certamente trará mais dificuldades numa eleição nacional. Em relação ao desconhecimento de seu nome no resto do Brasil, a pesquisa lhe é mais favorável.

Apenas 35% dos presidentes consultados têm base em São Paulo. O que significa que, ao menos no meio empresarial, suas qualidades são reconhecidas nacionalmente.

A escolha do candidato do PSDB à Presidência caberá a, no máximo, seis pessoas e deverá acontecer até março de 2006. Serra, Aécio Neves, Alckmin, o senador Tasso Jereissati, e o governador de Goiás, Marconi Perillo, fazem parte do grupo. Ninguém, porém, terá tanta influência na escolha quanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

A amigos, surpreendentemente, FHC tem dito que o candidato natural hoje é Geraldo Alckmin. Ele acha que Serra sofrerá desgaste se sair da prefeitura de São Paulo já que, para chegar ao cargo, prometeu à população que não o faria.

Para que a rejeição fosse menor, seria necessário que os paulistanos em massa pedissem ao prefeito que fosse postulante à Presidência. Além disso, Fernando Henrique tem dito que a diferença nas pesquisas teria de ser ainda maior para garantir a Serra o bilhete presidencial.

Na avaliação do ex-presidente, o horário eleitoral gratuito poderia catapultar a candidatura Alckmin, rapidamente, aos mesmos níveis de popularidade hoje conseguidos por Serra. "Faz sentido. Onde os dois são conhecidos, Alckmin se sai melhor do que Serra", diz Marcos Coimbra.

No que depender do quase sempre discreto Alckmin, ele será o ungido do PSDB. "Estou pronto", disse em entrevista exclusiva a EXAME."

Assessoria de Kapaz nega participação do ex-deputado na campanha de Geraldo Alckmin

A assessoria do ex-deputado federal Emerson Kapaz informou à reportagem do jornal DCI que ele não fazia parte da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB), conforme noticiado pela Folha de S. Paulo no sábado. Fontes tucanas também negaram a participação de Kapaz na campanha e disseram "estranhar" a notícia da Folha.

E se o arrecadador de Lula fosse um sanguessuga?

Os grandes jornais brasileiros estão dando pouca importância para o fato do ex-deputado federal Emerson Kapaz aparecer na lista da máfia das ambulâncias. Até a semana passada, no entanto, Kapaz não era apenas o presidente do instituto Etco e integrante da Transparência Brasil. Era também um dos principais arrecadadores da campanaha presidencial de Geraldo Alckmin (PSDB), segundo informou a Folha de S. Paulo. O jornal, no entanto, não achou que o afastamento de Kapaz da função merecesse mais do que um registro no meio de uma matéria sobre os problemas de Alckmin – a saída de José Aníbal da coordenação era o outro revés sofrido nos últimos dias (leia abaixo a íntegra da matéria da Folha, publicada no sábado, 29/7).

Baixas na tesouraria atrapalham Alckmin

JOSÉ ALBERTO BOMBIG e CATIA SEABRA

A pouco mais de dois meses do primeiro turno da eleição, a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) a presidente enfrenta dificuldades na arrecadação de recursos financeiros e atrasa o cronograma de distribuição de material propagandístico para os diretórios do partido.
O braço responsável pela busca das contribuições sofreu duas baixas nesta semana. Um dos alvos da CPI dos Sanguessugas, o ex-deputado Emerson Kapaz era um dos arrecadadores da campanha de Alckmin, especialmente entre o empresariado paulista.
Após o surgimento do nome de Kapaz no escândalo, o comando da campanha afastou o ex-deputado da função.
José Aníbal, vereador de São Paulo com bom trânsito entre o empresariado nacional, decidiu disputar a eleição para a a Câmara dos Deputados e abandonou o comitê financeiro. "Vou continuar ajudando o Geraldo, mas sem misturar as coisas."
Na próxima segunda-feira, o comitê financeiro da campanha tucana irá se reunir em São Paulo para discutir estratégias que possam acelerar a captação de recursos e para contabilizar o que foi arrecado até agora.
Segundo a Folha apurou, algo em torno de R$ 5 milhões entraram nos cofres da campanha, mas o partido enfrenta dificuldades para fechar a conta, já que, como afirmou um dos arrecadadores, "são muitas pessoas captando recursos em lugares diferentes".
Um dos responsáveis pela área disse que o volume ainda não preocupa e está dentro do cronograma, mas o ritmo de captação precisa aumentar.
Outro problema enfrentado pela campanha diz respeito à relação entre o responsável pelo comitê financeiro de Alckmin, o advogado Miguel Reale Jr., e os chamados "braços operacionais", os responsáveis pela busca dos recursos.
Pela proposta inicial de Reale, toda a prestação de contas da campanha estaria disponível a cada 15 dias na internet. Mas os "operacionais" sustentam que a medida é inviável do ponto de vista logístico e ainda ajuda a afugentar doadores. A Folha tentou falar com Reale ontem, mas sua assessoria afirmou que ele não gostaria de conversar sobre o tema.

Demanda
Com o fluxo de caixa abaixo do esperado, falta material de propaganda. Nesta semana, o escritório de Alckmin em São Paulo recebeu pedidos de adesivos, banners e bandeiras de Santa Catarina, Paraíba, Rio Grande do Sul e Bahia.
"Estamos sentindo que Alckmin pode dar uma grande arrancada em Santa Catarina, mas precisamos de apoio", disse o deputado estadual Djalma Berger (PSDB-SC).
Um dos coordenadores da campanha, João Carlos Meirelles afirmou que o atraso na distribuição de material de propaganda se deve a problemas com o CNPJ dos tucanos.


Ainda não está provado se Kapaz é realmente um sanguessuga – o deputado negou as acusações –, mas o simples fato de um arrecadador de um candidato presidencial estar em suspeição é notícia, e das fortes. Por muito menos, os jornais atazanaram a vida do prefeito de Diadema, José Fillipi, que assumiu a tesouraria da campanha do presidente Lula à reeleição. E se o arrecadador de recursos do PT estivesse na lista dos sanguessugas? Os grandes jornais não se interessariam pela pauta? Dariam apenas um registro no meio das reportagens sobre a máfia das ambulâncias, sem um mísero título vinculando uma coisa à outra?

E será que nenhum jornalista vai perguntar a Geraldo Alckmin se ele acredita na palavra de Kapaz ou na do empresário Luiz Antonio Vedoin, que o acusou? Ou tentar descobrir, se ficar provado que Kapaz é realmente um sanguessuga, que punição Alckmin prevê para este tipo de crime?

domingo, 30 de julho de 2006

Saulo de Castro Abreu Filho responde

Após uma semana de recesso, o Entrelinhas está de volta. E antes de passar aos temas novos, este blog publica abaixo um esclarecimento do secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, sobre a nota Serra não defende Saulo, que ataca a imprensa, do dia 13 de julho. A explicação de Saulo é bem razoável, mas a verdade é que o secretário poderia ter deixado sua versão mais clara já durante a entrevista coletiva concedida logo no início da segunda onda de ataques do PCC, que originou a polêmica. Leia a seguir a íntegra do documento enviado por Saulo:

"Como secretário responsável pela segurança do Estado de São paulo, tenho recebido informações, vindas da área de inteligência da polícia, de que a lista de presos que seriam transferidos para o presidio federal de Catanduvas (PR) foi, mesmo, a razão da nova onda de ataques da facção criminosa. A especulação em torno da existência da lista e de sua composição foi captada em gravações, autorizadas pela Justiça e feitas pela polícia.

Para entender o caso, é preciso lembrar que, muitas vezes, os presos estão mais bem informados que quem está solto, como se viu no episódio da venda da gravação da CPI do Tráfico de Armas. Além disso, a imprensa vinha publicando notas dando conta da inauguração do presídio federal e da oferta de um número de vagas para o Estado de São Paulo.

Nesse contexto, a informação de que a Folha publicaria uma lista de presos que seriam transferidos serviu para atiçar criminosos presos, que tentaram - em vão, é bom que se diga - atacar a sociedade para tentar impedir sua transferência para Catanduvas.

A rigor, não foi uma novidade. Em maio, a primeira onda de ataques coverdes foi, também, uma tentativa de impedir a transferência das lideranças para duas unidades da SAP, que acabou se consumando.

Faço questão de deixar claro: a lista ainda não existe. Aquela que foi publicada é falsa, mera especulação, pois inclui nomes que desejamos manter em São Paulo, por interesse de investigações em andamento. A sociedade deve se perguntar a quem interessa a publicação de listas especulativas.

A população sabe que pode confiar na polícia de São Paulo. Ela prendeu as principais lideranças da organização criminosa, reduziu a menos da metade os homicídios e crimes violentos no Estado. Agora, acaba de prender os que, de fora, cuidavam das finanças e os pombos-correio da facção. E assim vencerá a luta contra o crime organizado.

Saulo de Castro Abreu Filho
secretário de Segurança Pública de São Paulo"

domingo, 23 de julho de 2006

Uma semana sem Entrelinhas e o que vem por aí

Por motivo de força maior – o cumprimento de uma das quatro semanas de férias a que todos os trabalhadores formais ainda têm direito –, este blog não atualizará nos próximos 7 dias. Nesta semana em que o Entrelinhas fica fora do ar, uma nova pesquisa eleitoral deverá agitar o cenário político. O Ibope já está realizando o campo de seu maior levantamento até aqui (os dados estavam programados para serem colhidos entre os dias 21 e 25/7) . Além das eleições presidenciais, o instituto vai pesquisar os cenários em diversos estados, incluindo simulações sobre o pleito para Câmara Federal e Senado. Como a amostra pesquisada deverá ser maior, é provável que os resultados só sejam divulgados mais para o final da semana.

Este blog não consulta videntes, mas conseguiu prever o que aconteceria no último Datafolha. Para a pesquisa Ibope, seguem as previsões: Lula deve cair mais do que nas demais enquetes, porque na pesquisa anterior do Ibope, que foi feita em junho, estava com 48%. Os números deverão mostrar um alinhamento na casa dos 40%, 42%. Alckmin, que tinha 19% no levantamento anterior, deverá aparecer com pelo menos dez pontos a mais, beirando os 30%. E Heloísa Helena deverá ter superado os 10% do Datafolha da semana passada (no Ibope, a senadora teve 6% em junho). Ou seja, deveremos ter Lula e Alckmin estáveis em relação aos números do Datafolha, divulgados na semana passada, mas com curvas opostas em relação aos números do próprio Ibope. Os tucanos poderão até fazer barulho com a "subida" de Alckmin e a "queda" de Lula (em relação ao Ibope de junho, naturalmente), mas as cúpulas das campanhas de Aclkmin e Lula estarão de olho mesmo é no movimento de Heloísa Helena. Se ela superar os 15%, acende o sinal amarelo na campanha tucana, porque neste caso a senadora poderá estar encarnando o "anti-Lula" e, desta maneira, poderia ameaçar com mais seriedade a posição do ex-governador de São Paulo. Se Helena permanecer entre 10% e 15%, o sinal amarelo terá sido acesso na campanha de Lula, pois isto sinaliza a realização de um segundo turno contra Alckmin – o cenário que os petistas a todo custo querem evitar.

Além da pesquisa Ibope, a semana reserva uma decisão importante para as pretensões eleitorais do presidente Lula. Termina dia 28 de julho, sexta-feira, o prazo para que o presidentevete ou sancione o projeto de Lei que regulamenta a profissão de jornalista, apresentado pelo deputado Pastor Amarildo a pedido da Fenaj (Federação Nacional de Jornalismo). Se Lula vetar o monstrengo corporativista (e inconstitucional) elaborado pelos ilustres colegas da Fenaj, não terá feito mais do que a obrigação, de tão ruim que é o projeto. Ganhará alguns aplausos esparsos na mídia, mas nada que mude as suas chances reeleitorais em outubro. Se o presidente sancionar a porcaria proposta pela Fenaj, porém, o quadro se altera. Toda a classe patronal da mídia já se manifestou, alguns com mais contundência, outros menos, contra o projeto aprovado no Congresso. Várias entidades da sociedade civil, incluindo a ABI, já se manifestaram e pediram o veto do monstrengo. A rigor, apenas a Fenaj e alguns sindicatos estaduais apóiam o projeto de Amarildo. Se Lula sancionar a estrovenga, portanto, vai todo mundo, com o perdão da má expressão, cair de pau no presidente. Um novo desgaste na imprensa neste momento é tudo que Lula não precisa. Este blog aposta que Lula vetará, na íntegra, o Projeto da Fenaj.

Dia 31, o Entrelinhas está de volta. Até lá...

Kapaz, Serra e os sanguessugas de Veja

A revista Veja desta semana traz uma nova lista dos parlamentares e ex-parlamentares envolvidos no escândalo da máfia das ambulâncias. Com os novos "sanguessugas", a lista chega a 112, além dos 57 revelados pela CPI que investiga o caso.

É sempre muito complicado confiar em Veja, a mesma revista que publicou, assumindo que a apuração de seus repórteres não conseguiu provar a existência do que estava sendo revelado, a tal conta do presidente Lula no exterior. Segundo a bizarra explicação dos editores de Veja, apesar da conta não ser verdadeira, a publicação de sua "existência não confirmada" era fato jornalístico relevante porque o governo poderia estar sendo "chantageado" com os rumores sobre o dinheiro do presidente no exterior.

Assim, tendo em mente a baixa confiabilidade de Veja, o que se pode dizer agora é que se a CPI dos Sanguessugas confirmar os nomes publicados na revista e os fatos relatados na reportagem, há duas grandes novidades no caso.

Em primeiro lugar, a inclusão do ex-deputado Emerson Kapaz (hoje no PPS e quadro histórico do PSDB) entre os sanguessugas é mais do que uma surpresa, é um verdadeiro escárnio. Kapaz é um homem que se dedica a defender a ética no mundo dos negócios, comanda uma ONG com este propósito e, confirmada a sua atuação no episódio tal como Veja relata, vai se tornar um paradigma do velho ditado: "faça o que eu digo, não o que eu faço". É bom frisar que, ouvido pela reportagem da revista, Kapaz negou participação no esquema. Cabe à CPI confirmar ou desmentir a participação do ex-deputado.

Em segundo lugar, Veja traz um dado do esquema sobre o qual pouco se tem falado: ele teve início muito antes de o PT chegar ao governo federal. O próprio Kapaz, segundo a revista, negociava os 10% de propina por emenda aprovada entre 1999 e 2002, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Como se sabe, o ministro da Saúde de FHC era o hoje candidato ao governo do Estado de São Paulo, José Serra. Se Aloizio Mercadante (PT) e Orestes Quércia (PMDB) quiserem, poderão usar mais este caso para desgastar a candidatura tucana em São Paulo. Serra adora dizer que acha um absurdo o presidente Lula dizer que não sabia de nada sobre o mensalão. Será que ele também não sabia o que se passava debaixo do seu nariz, com centenas de deputados e prefeitos lesando o erário justamente em assuntos de sua pasta?

sexta-feira, 21 de julho de 2006

Perguntar não ofende. Ou ofende?

Nenhum repórter até agora questionou o ex-prefeito José Serra, candidato do PSDB ao governo do Estado de São Paulo, sobre o desempenho de seu sucessor, Gilberto Kassab (PFL), na presquisa do Datafolha acerca da avaliação do governo municipal. Kassab conseguiu a expressiva taxa de 16% de aprovação. Do total de entrevistados, 33% acham que ele faz um governo ruim ou péssimo. Os demais avaliam a gestão como "regular". Serra era o prefeito até anteontem e deixou praticamente toda a sua equipe trabalhando ao lado de Kassab. O pessoal das redações deve achar que a opinião de Serra sobre o desempenho de seu vice não é boa pauta – até agora, ninguém teve a idéia de questionar o candidato.

Wagner Iglécias: O fator Heloísa Helena

Em seu artigo semanal para este blog, o cientista político Wagner Iglécias analisa a subida nas pesquisas da candidata do PSOL à presidência da República. Abaixo, o artigo do professor.

Nestes dias tão fugazes em que vivemos, nos quais tudo vira produto e os produtos são consumidos e descartados uns após os outros, o personagem da semana no cenário político foi a senadora Heloísa Helena, candidata a presidente da república pelo PSOL. Heloísa tem sido motivo de preocupação para a campanha de Lula, e motivo de festa entre tucanos e pefelistas, já que sua ascensão nas pesquisas de intenção de voto indica a possibilidade de que Lula não consiga liquidar a fatura já em primeiro turno, como parecia certo há algumas semanas.

Dados de pesquisas de vários institutos já vinham mostrando uma melhoria do desempenho da senadora alagoana, e a última pesquisa do instituto Datafolha mostra que Heloísa pulou de 6% para 10% das intenções de voto. O crescimento dela se deu em várias faixas do eleitorado, como nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, entre os eleitores mais escolarizados e entre o eleitorado feminino, tirando votos de Lula mas também de Alckmin.

Não se sabe se os 10% que declaram que votariam hoje em Heloísa Helena representam um eleitorado de extrema-esquerda, identificado com o PSOL. Especula-se que parcela significativa dos votos que ela teria hoje seria fruto da decepção de parte do eleitorado com os partidos tradicionais, sobretudo PT e PSDB. Parte das intenções de voto em Heloísa poderia ser, portanto, uma espécie de voto de protesto. Ou ainda uma migração de eleitores que há pouco pensavam em anular o voto em 3 de outubro próximo. Independentemente disso, se Heloísa mantiver seu atual patamar de intenção de votos, insuficiente para ameaçar Alckmin mas suficiente para provocar um segundo turno, será uma ironia do destino se, pelos votos obtidos por ela, Lula deixar de vencer a eleição em primeiro turno e vier a perder a reeleição para Geraldo Alckmin na rodada final.

Mas como diz o ditado que eleição é como mineração, pois o resultado só se sabe depois da apuração, não custa imaginar uma surpresa eleitoral e uma eventual vitória de Heloísa Helena. Motivos para um voto de protesto contra os partidos tradicionais, diga-se de passagem, não faltam ao eleitor. Dá para acreditar que, se eventualmente eleita, Heloísa conseguiria levar a cabo no Brasil dos dias de hoje um governo tradicional de esquerda, nos moldes de mundo com o qual sonham os militantes de seu PSOL e de seus aliados na corrida presidencial, como PSTU e PCB?

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Folha esconde má performance de Kassab

A edição desta quinta-feira da Folha de S. Paulo dificilmente poderia ser mais favorável aos candidatos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin, especialmente o primeiro.

Senão vejamos: o jornal, por meio do instituto Datafolha, realizou uma série de pesquisas sobre as intenções de voto para presidente, governadores de alguns estados e também sobre a avaliação do governador Cláudio Lembo e do prefeito Gilberto Kassab, ambos do PFL e vices de Alckmin e Serra, respectivamente. Pois bem, o jornal destacou na manchete a vitória, em primeiro turno, do candidato Serra. As avaliações de Lembo e Kassab apareceram apenas em pequena chamada de capa – a reprovação a Lembo subiu 9 pontos e o prefeito Kassab é aprovado por apenas 16% dos paulistanos. Nas páginas internas, porém, é que a manipulação aparece com maior nitidez: a Folha jogou para a página C-5, no caderno Cotidiano, a avaliação de Kassab, dissociando completamente a performance do prefeito do desempenho eleitoral do seu antecessor, o candidato Serra. Ora, se a administração Kassab é um desastre, é evidente que Serra tem boa parcela de culpa, pois até hoje a equipe que governa a cidade é a montada pelo tucano. O material sobre Lembo segue o mesmo padrão de manipulação – em nenhum momento Alckmin é associado ao atual governador. Que a Folha defenda em editoriais a candidatura de seu ex-colunista José Serra é perfeitamente legítimo, mas editorializar o noticiário é vender gato por lebre aos leitores.

quarta-feira, 19 de julho de 2006

A personagem da semana


Charge do Agê que estará na edição do DCI desta quinta-feira

Serra é vaiado em velório de Cortez

Nota da Agência Estado informa que o candidato do PSDB ao governo de São Paulo foi vaiado ao chegar no velório do ator Raul Cortez. O tucano também recebeu aplausos, mas causa estranheza que tenha sido vaiado em um ambiente desses. Cortez apoiou Serra na campanha presidencial de 2002 e era um ator politizado, que por diversas vezes se manifestou a favor de políticos do PSDB. Há duas hipóteses para explicar as vaias: ou o mar não está para peixe e a população realmente se irritou com a classe política em geral; ou foi uma reação à notória antipatia do candidato tucano, que muitas vezes consegue passar a imagem de arrogante até quando tenta ser simpático. Os tucanos, é claro, dirão que foi um ato isolado, provavelmente praticado por petistas de plantão, instruídos para provocar Serra justamente em um ambiente repleto de tucano. Como se sabe, teoria conspiratória é uma das especialidades dos quadros do PSDB, que até já conseguiram vincular o PT ao PCC...

Cada um com seus problemas...


Charge do Agê, publicada na edição desta quarta-feira do DCI

Uma boa análise sobre os números do Datafolha

Vale a pena ler o texto abaixo, do colunista Fernando Rodrigues, do jornal Folha de S. Paulo. Ele é um dos bons leitores de pesquisas que há no Brasil e mantém, em seu site, um belo banco de dados com as enquetes dos principais institutos de pesquisa sobre eleições e avaliação de governo. Abaixo, a íntegra do texto de Rodrigues.

2006 repete 1998

Fernando Rodrigues

BRASÍLIA - O Datafolha mostra Lula e Alckmin no mesmo lugar -oscilaram para baixo, mas dentro da margem de erro. O petista saiu de 46% para 44%. O tucano, de 29% para 28%. A novidade ficou com Heloísa Helena (PSOL), a única a registrar crescimento real, de 6% para 10%. Os nanicos não se mexeram e somam, juntos, só 3%.

Duas conclusões iniciais: 1) a pesquisa é boa para Lula, desalentadora para Alckmin e excelente para a senadora Heloísa Helena; e 2) há muita semelhança nos números entre a campanha reeleitoral de Lula e a de FHC em 1998.

No caso de Lula, os números são bons porque o petista se manteve onde estava e continua com chance de levar a eleição no primeiro turno, apesar de ser, de longe, o candidato mais atacado.

Já a situação de Alckmin é delicada. Seu partido, o PSDB, fez incontáveis comerciais em junho. O tucano está em campanha aberta e seu desempenho é sofrível.

Só para comparar, em 2002 o PPS usou estratégia similar para Ciro Gomes -e ele terminou julho com 32%. Alckmin é de uma agremiação muito maior, governou São Paulo, mas não consegue sequer repetir o desempenho do quase nanico Ciro Gomes há quatro anos.

Sobre Heloísa Helena, a dúvida é sobre qual será o seu teto. Com 10%, ela fará bonito. Mas não leva a eleição para o segundo turno.

No mais, a disputa de outubro, por enquanto, repete 1998. Naquele ano, FHC ganhou com 53% dos votos válidos (Lula hoje tem 52%). O petista à época ficou em segundo, com 32% (igual a Alckmin agora). E Ciro Gomes teve 11% (quase como os 12% de Heloísa Helena). Os nanicos marcaram 4,25%.

Resumo da ópera: o quadro sucessório, por óbvio, ainda está aberto, só que Lula continua sem grandes ameaças a seu projeto reeleitoral.


A análise de Fernando foi contestada por Cesar Maia, outro que sempre pontifica quando o assunto é pesquisa eleitoral. No "ex-blog" do prefeito do Rio de Janeiro – uma newsletter distribuída diariamente a quem se cadastrou no extinto blog –, Maia escreveu o seguinte: "Com mil desculpas: é completamente diferente de 1998. O adversário era a chapa Lula/Brizola, que sinalizava riscos para setores médios e conservadores. Esses riscos quanto ao futuro foram a agenda da campanha. Em 2006 -ao contrário: o risco quanto ao futuro é de quem governa."

Gente fina é outra coisa

O jornalista Reinaldo Azevedo foi rápido no gatilho e publicou em seu blog uma nota a respeito do deputado Pastor Amarlido (PSC-TO), que apareceu na lista dos suspeitos de envolvimento no escândalo dos Sanguessugas. É que este mesmo deputado foi quem apresentou, a pedido da Federação Nacional dos Jornalistas o projeto de lei aprovado no Congresso e que regulamenta o exercício da profissão de jornalista. O monstrengo da Fenaj, apresentado pelo sanguessuga Amarildo, inclui diversas funções como privativas dos diplomados em jornalismo. Comentaristas, assessores de imprensa e até chargistas teriam a obrigação de cursar uma faculdade e obter o canudo para trabalhar.

De tão ruim, a proposta da Fenaj conseguiu provocar uma unanimidade: todas as entidades da sociedade civil envolvidas com a questão, com exceção naturalmente da própria Fenaj, se manifestaram contra o projeto. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), por exemplo, já encaminhou um documento ao presidente da República explicando sua posição pelo veto do monstrengo.

O projeto de Lei está na mão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Casa Civil da Presidência está examinando o texto e nesta quarta-feira a Folha de S. Paulo revela que a tendência até agora é realmente pelo veto do projeto. Os defensores da liberdade de expressão poderão respirar aliviados, mas será por pouco tempo. Conforme este blog já antecipou, o próximo passo da Fenaj será relançar o debate sobre o natimorto Conselho Federal de Jornalismo. Essa gente não desiste...

terça-feira, 18 de julho de 2006

33 sanguessugas querem Geraldo Alckmin presidente e 23 preferem reeleger Lula

Saiu a lista dos parlamentares suspeitos de envolvimento com a chamada máfia das ambulâncias, que serão investigados pela CPI dos Sanguessugas. É o assunto do dia em Brasília. O repórter Tiago de Oliveira foi conferir em quem votam os sanguessugas e descobriu que a maior parte prefere que Geraldo Alckmin (PSDB) seja o próximo presidente do Brasil. Dos 57 suspeitos, 33 estão fechados com o tucano e 23 preferem a reeleição de Lula. Apenas um, Wanderval Santos, que não será candidato neste ano, não apóia nenhum dos dois.

Confira abaixo a lista dos sanguessugas e o candidato que cada um deles apóia.


PP

Pedro Henry (MT) - apóia Lula

Benedito Dias (AP) – apóia Lula

Lino Rossi (MT) - apóia Lula

Mario Negromonte (BA) - apóia Lula

João Batista (SP) - apóia Alckmin

Vanderlei Assis (SP) - apóia Alckmin

Marcos Abramo (SP) - apóia Alckmin

Nélio Dias (RN) - apóia Alckmin

Cleonâncio Fonseca (SE) - apóia Alckmin

Benedito de Lira (AL) - apóia Lula

Reginaldo Germano (BA) - apóia Lula

Irapuan Teixeira (SP) - apóia Alckmin

Enivaldo Ribeiro (PB) - apóia Alckmin


PTB

Íris Simões (PR) - apóia Alckmin

Edir de Oliveira (RS) - apóia Alckmin

Fernando Gonçalves (RJ) - apóia Alckmin

Nilton Capixaba (RO) - apóia Lula

José Militão (MG) - apóia Alckmin

Eduardo Seabra (AP) - apóia Alckmin

Osmânio Pereira (MG) - apóia Alckmin

Jéferson Campos (SP) - apóia Alckmin

Alceste Almeida (RR) - apóia Alckmin

Ricarte de Freitas (MT) - apóia Alckmin

Neuton Lima (SP) - apóia Alckmin

Edna Macedo (SP) - apóia Alckmin

Elaine Costa (RJ) - apóia Alckmin


PL

João Caldas (AL) - apóia Lula

Bispo Wanderval (SP) – indefinido

Almeida de Jesus (CE) - apóia Lula
Wellington Fagundes (MT) - apóia Lula

Junior Betão (AC) - apóia Lula

Reinaldo Gripp (RJ) - apóia Lula

Amauri Gasques (SP) - apóia Lula

Maurício Rabelo (TO) - apóia Alckmin

Raimundo Santos (PA) - apóia Alckmin

Reinaldo Betão (RJ) - apóia Lula


PMDB

Senador Ney Suassuna (PB) – apóia Lula

Marcelino Fraga (PB) - apóia Lula

João Correia (AC) - apóia Alckmin

Teté Bezerra (MT) - apóia Alckmin

Cabo Júlio (MG) - apóia Lula


PFL

Laura Carneiro (RJ) - apóia Alckmin

Zelinda Novaes (BA) - apóia Alckmin

Coriolano Sales (BA) - apóia Alckmin

Almir Moura (RJ) - apóia Alckmin


PSB

Paulo Baltazar (RJ) - apóia Lula

Isaias Silvestre (MG) – apóia Lula

Ribamar Alves (MA) - apóia Lula

João Mendes de Jesus (RJ) – apóia Lula


PSDB

Paulo Feijó (RJ) - apóia Alckmin

Eduardo Gomes (TO) - apóia Alckmin

Itamar Serpa (RJ) - apóia Alckmin


PSC

Pastor Amarildo (TO) - apóia Alckmin

Dr. Heleno (RJ) - apóia Alckmin


PRB

Vieira Reis (RJ) - apóia Lula

José Divino (RJ) - apóia Lula


PPS

Ricardo Estima (SP) - apóia Alckmin


Candidaturas de Cristovam, Ana Maria Rangel e Rui Pimenta podem ser impugnadas

Do site do Tribunal Superior Eleitoral:

O Ministério Público Federal, por meio do vice-procurador geral eleitoral, Francisco Xavier Pinheiro Filho, impugnou três chapas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para disputar a sucessão presidencial nas próximas eleições de outubro.

Foram impugnadas as seguintes chapas: Cristovam Buarque, candidato a presidente e Jefferson Peres, candidato a vice-presidente, ambos pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT); Ana Maria Rangel, candidata a presidente e Delma Gama e Narici, candidata a vice-presidente, ambas pelo Partido Republicano Progressista (PRP); e Rui Pimenta, candidato a presidente, e Pedro Paulo Pinheiro, candidato a vice-presidente, ambos pelo Partido da Causa Operária (PCO).

No caso da chapa formada pelos senadores Cristovam Buarque (DF) e Jefferson Peres (AM), o Ministério Público afirma que o pedido de registro de candidatura da chapa não veio instruído com a documentação necessária. "Não há nos autos as certidões criminais fornecidas pela Justiça Federal e Estadual com jurisdição no domicílio eleitoral de cada um dos candidatos", afirma. Segundo o vice-procurador, esses documentos são essenciais à verificação do pleno gozo dos direitos políticos, da existência ou não de condenação transitada em julgado dos candidatos.

Quanto à chapa formada por Rui Pimenta e Pedro Paulo Pinheiro, o Ministério Público também aponta falha na documentação necessária à candidatura. Argumenta que o PCO pediu o registro sem apresentar, em relação aos candidatos, uma série de documentos exigidos pela Resolução 22.156 do TSE. Aduz que a ata da convenção do partido está irregular, "pois não consta que tenha sido lavrada em livro próprio ou conferida pela Secretaria da Corte", nos termos do artigo 8º da Lei 9.504/97.

No pedido de impugnação de candidatura de Ana Maria Rangel, o Ministério Público argumenta que, apesar de filiada ao PRP desde o dia 12 de agosto de 2005, a candidata não foi indicada pelo partido em convenção. "(...) tanto que ao preencher o requerimento de Registro de Candidatura Individual - RRCI, não juntou a ata da convenção exigida pelo artigo 11, § 1º, inciso I da Lei nº 9.504/97". Para pedir a impugnação de Delma Gama, suposta candidata a vice de Ana Maria, o Ministério Público afirma que "nem mesmo existe a notícia de que seja filiada a partido político, não sendo admitida a candidatura avulsa".

Sem remédio

Para todos os casos, o Ministério Público ressalva que o artigo 11 da Lei 9.504/97, no parágrafo 3º, prevê a conversão em diligência para que o candidato sane a irregularidade em 72 horas, a partir de sua intimação. No entanto, observa que a diligência de reparação da falha deve ser efetuada antes da publicação do edital, que abre prazo para as impugnações do Ministério Público.

Ultrapassado esse momento, a falha não pode mais ser regularizada, segundo o vice-procurador eleitoral. O edital de pedido dos registros de candidatura foi publicado no Diário da Justiça do dia 13 de julho de 2006. O Ministério Público tem prazo para oferecer impugnação aos pedidos de cinco dias, a partir da publicação.

Em julgamento

Em todas as situações impugnadas, o Ministério Público pede ao TSE que indefira os registros das candidaturas.

O TSE tem prazo até o dia 23 de agosto para julgar todos os pedidos de registros. O ministro Cezar Peluso é o relator dos pedidos de registro de Cristovam Buarque (RCPr 120) e Ana Maria Rangel (RCPr 137). O ministro Caputo Bastos é o relator do requerimento de registro de Rui Pimenta (RCPr 125).

Só para comparar

Manchete da Folha de S. Paulo desta terça-feira: "Conflito no Líbano já tem mais de 200 mortos". Muita gente morta? Sem dúvida, muita gente. Em São Paulo, na semana do fatídico 15 de maio, a Polícia Militar apresentou uma lista de 110 suspeitos de pertencerem ao PCC que foram mortos, supostamente em confrontos com os policiais (é bom lembrar que 26% dos suspeitos não tinham ficha na polícia). Este número depois aumentou, mas vamos considerar os relatórios oficiais da secretaria de Segurança. É preciso ainda somar os 110 supostos criminosos aos 21 policiais e civis mortos pelo PCC entre os dias 12 e 15: a conta está em 131 mortos na pacífica São Paulo. Isto tudo em apenas uma semana. No resto do mês, mantida a taxa trimestral de homicídios de 2005, devem ter sido assassinados mais 500 brasileiros no Estado de São Paulo. Já seriam então mais de 630 mortos em um mês. Se os ataques continuarem na mesma intensidade, talvez no Líbano se consiga chegar ao número de mortos em maio no Estado de São Paulo. Talvez.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Sobre as teorias das pesquisas

O jornalista Reinaldo Azevedo escreveu em seu blog uma interessante teoria sobre as pesquisas eleitorais. Ele acredita que um terço do eleitorado (33%, portanto) vota em Lula mesmo que o candidato chute a padroeira do Brasil, ao vivo, em rede nacional, como fez aquele bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. "Vão dizer que a santa provocou", brinca Azevedo. Outro terço foge de Lula como o diabo da cruz, para seguir na analogia religiosa. E o terço restante seria pendular - pode votar em Lula, como ocorreu em 2002, e pode não votar. Tudo dependeria do cenário político e, é claro, do desempenho dos demais candidatos.

A teoria de Reinaldo é respeitável e será colocada à prova nessas eleições. Este blog, humildemente, vê as coisas de outra forma. De fato, as votações do PT até a eleição de Lula estariam a dar razão ao jornalista. Desde então, porém, o quadro parece ter mudado um pouco. O presidente parece ter ampliado um pouco o seu cacife inicial. Hoje, em todas as pesquisas, ele aparece acima dos 40% do total. É lícito supor que tenha perdido parte daqueles 33% de eleitores cativos em função de sua política econômica conservadora. Os mais radicais já foram embora do PT e hoje votam em Heloísa Helena (PSOL), que já chega a 7% na enquete mais recente, do Vox Populi. Vamos supor que a senadora alagoana consiga chegar a outubro com 10%. Restariam a Lula 23% de eleitores convictos, do tipo de que votam em função do carisma do presidente. Faltam quase 20% para a conta fechar. São os convertidos ao lulismo, em geral gente das classes mais pobres, que antes desconfiava de Lula pelo seu passado operário, "sem diploma e sem experiência", argumentos que agora não serão mais utilizados, uma vez que Lula não é mais operário e já tem um diploma importante: o de presidente da República.

Sendo assim, o que este blog consegue enxergar é um terço de eleitores que votará contra Lula, qualquer que seja a opção colocada na urna eletrônica para derrotá-lo. Hoje, são os eleitores de Alckmin, que tem justamente 32% nas últimas enquetes. A conta agora está assim: 40% de Lula, 32% de Alckmin e uns 10% de Heloísa (com a ajuda, talvez, do pedetista Cristovam Buarque). São 82% dos eleitores. Os 18% restantes vão se dividir entre nulos, brancos e os candidatos nanicos. Mas a taxa histórica de brancos e nulos beira 20%. Portanto, para haver segundo turno, Alckmin tem que torcer para uma das três hipóteses a seguir: que Heloísa e Cristovam superem 10% sem roubar um único voto da aliança PSDB-PFL, mas apenas de Lula; que os nanicos tenham um desempenho espetacular; ou que a taxa de brancos e nulos caia consideravelmente. Fora daí, Alckmin teria que tirar votos na seara do presidente Lula, especialmente nas classes D e E, porque nas demais faixas, o jogo está jogado e dificilmente haverá grandes mudanças, salvo, evidentemente, alguma bomba de efeitos ainda não conhecidos durante a campanha eleitoral. É possível? Sim, é possível, mas é uma tarefa difícil.

Ademais, pela teoria dos terços de Reinaldo, pode-se dizer que, hoje, a esquerda tem mais votos do que a direita (Lula e Heloísa têm mais adeptos do que Alckmin e os nanicos direitosos). Se a senadora estivesse fora do páreo, aumentaria um pouco a taxa de votos nulos e brancos, mas Lula dificilmente deixaria de ganhar a eleição no primeiro turno.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Wagner Iglécias: Lula entre GV e FHC

O sociólogo Wagner Iglecias, professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, passará a abrilhantar este blog com as suas sempre lúcidas análises sobre a conjuntura política brasileira. Doutor em Sociologia pela USP, Iglecias formou-se também em Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas, onde este blogueiro também teve a honra (e um pouco de falta de paciência) de frequentar. Em seu artigo de estréia no Entrelinhas, Wagner Iglécias faz uma instigante reflexão sobre as possibilidades de um eventual segundo mandato do presidente Lula, partindo de um passado não muito distante – a herança do varguismo para o País –, mas incompreensivelmente ignorado, especialmente pela imprensa. A seguir, o artigo na íntegra:

Lula: entre Getúlio e FHC

Wagner Iglecias

Certa vez Fernando Henrique Cardoso afirmou que sua missão à frente do governo brasileiro seria romper com o legado da Era Vargas. Corria o ano de 1994. Ele acabara de ser eleito presidente da República e se despedia do Senado com um discurso segundo o qual a herança da Era Vargas estaria retardando o avanço da sociedade brasileira. Admitamos que o conjunto de reformas que promoveu ou aprofundou (abertura comercial, privatizações de empresas estatais, desregulamentação da economia, enfraquecimento da legislação trabalhista etc.) foi relativamente bem sucedido naquele objetivo. No entanto, não foi suficiente para pôr por terra a concepção de que países fortes são construídos não apenas com mercado forte, mas também com Estado atuante.

Não há registro de que Luiz Inácio Lula da Silva tenha declarado como sua missão o desmonte da Era Vargas. Isso não apaga o fato de que Lula comandou uma ruptura fundamental no legado do varguismo quando despontou como líder sindical nos anos 70 e combateu a legislação trabalhista criada pelo Estado Novo. A tentativa de construção de um sindicalismo independente, aliás, sempre foi um dos obstáculos que separaram o petismo e velhas lideranças trabalhistas como Leonel Brizola.

Curiosamente, uma vez presidente, após tantas tentativas, Lula parece ir retomando, sob novas bases, um dos traços históricos do varguismo. Por meio de um Estado atuante e interventor, Getúlio trouxe para o mercado de trabalho e para o consumo milhões de brasileiros. Guardadas as devidas proporções, e em meio a um contexto histórico bastante distinto, Lula e seu governo, por intermédio de programas de transferência de renda, vão incorporando novos brasileiros ao mercado consumidor. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, o aumento da renda dos brasileiros mais pobres fez com que, desde 2003, cerca de 6 milhões de eleitores deixassem as classes D e E e rumassem para o andar imediatamente superior do edifício social, a classe C.

Assim como Fernando Henrique, porém, Lula segue amarrado ao círculo vicioso do financiamento da dívida pública. A renda financeira das classes A e B, que aplicam seus recursos em fundos lastreados em títulos da dívida do governo, aumentou muito mais nos últimos anos do que a renda das camadas mais pobres da população. As taxas de juros altas inibem os investimentos privados e os compromissos financeiros do governo achatam os recursos destinados às políticas públicas. Este, sem dúvida, é o nó a ser desatado pelo próximo presidente da República, seja ele Lula ou outro. Resta saber se, na eventualidade de um segundo mandato, Lula chegará a 31 de dezembro de 2010 mais parecido com Vargas ou com Fernando Henrique Cardoso.

Emoção à vista


Charge do Agê, que estará na
edição de segunda-feira do DCI

Noblat: "quem pariu o PCC que o embale"

Este blog recomenda a leitura da nota "Quem pariu o PCC ou o viu nascer que o embale", reproduzida abaixo. O autor é o jornalista Ricardo Noblat, que publicou o texto em seu blog. Confirmadas as informações, mais uma vez fica provado que Saulo de Castro Abreu Filho não está à altura do cargo que ocupa na secretaria de Segurança Pública de São Paulo. E o desespero tucano-pefelista, revelado pelo presidente do PFL, Jorge Bornhausen (foto), parece ser bem maior do que se poderia imaginar. Na semana que vem, com as novas pesquisas, será possível saber o tamanho do estrago causado pela onda de violência nas candidaturas presidenciais. Leia abaixo a íntegra da nota de Noblat.

Circula nos altos escalões do governo de São Paulo cópia da degravação de uma conversa telefônica travada entre dois integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Um sugere ao outro que devem ser mortos "todos esses políticos". O outro pergunta: "Mas quais"? O autor da sugestão esclarece que se refere a políticos do PSDB e do PFL, poupando-se os do PT.

O governador Cláudio Lembo resiste à pressão para que divulgue a conversa grampeada com autorização da Justiça. O secretário de Segurança Pública é a favor da divulgação.

É com base em tal diálogo que cabeças coroadas do PFL e do PSDB tentam vender a história de que o PT estaria por trás dos ataques promovidos pelo crime organizado em São Paulo.

O senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL, saiu na frente no início desta semana:

- O PT pode estar manuseando, manipulando essas ações [atentados].

O ex-governador Geraldo Alckmin e o ex-prefeito José Serra seguiram as pegadas de Bornhausen. Disse Alckmin:

- Tem muita coisa estranha por trás de tudo isso. Mas não vou fazer nenhuma observação de natureza política. Estranho a forma como a coisa ocorre, a época em que ocorre, a maneira como os atos são desencadeados.

Serra foi mais explícito:

- Basta você olhar os manifestos do crime organizado, o que eles dizem sobre a política, coisas que se diz que eles [criminosos] dizem, inclusive nas gravações.

Bateu o desespero na coligação PSDB-PFL. Muita gente ali teme que a onda de violência em São Paulo detenha o crescimento de Alckmin nas pesquisas eleitorais e subtraia a Serra as chances de se eleger governador ainda no primeiro turno.

Líderes políticos com o peso de Bornhausen, Alckmin e Serra não podem bancar acusações sem que elas antes tenham sido provadas. Dizer que o PT "pode estar manipulando essas ações" é igual a dizer que ele também pode não estar.

Falar em "coisa estranha" dada à época em que ocorre serve apenas para confundir e desviar o foco das discussões. É pura leviandade.

O PCC nasceu em 1993 na penitenciária de Taubaté, interior de São Paulo, depois que mais de 100 presos foram mortos um ano antes naquele que se tornaria conhecido como "o massacre do Carandiru".

Criado, de início, para defender os interesses dos presos, o PCC cresceu e passou a mandar nas 40 penitenciárias paulistas. Logo entrou em choque com o PSDB que assumiu o governo de São Paulo em 1995 com a eleição de Mário Covas.

Em 2001, o PCC liderou a maior rebelião da história penitenciária de São Paulo. Ela atingiu 29 presídios e terminou com um saldo de 16 mortos.

O troco veio um ano depois: 12 líderes do PCC foram mortos pela polícia na rodovia Castelo Branco. Deu-se ao episódio o nome de "Emboscada da Castelinho".

O governo paulista anunciou o fim do PCC em novembro daquele mesmo ano. Na época, o diretor da Delegacia Especializada no Crime Organizado, Godofredo Bittencourt, garantiu que a organização criminosa falira.

- O PCC não morde mais ninguém -, comemorou.

Era história para boi dormir. O PCC não só se manteve forte nos presídios como passou a comandar os crimes praticados fora deles. Aliou-se, por exemplo, ao Comando Vermelho do Rio de Janeiro.

Em 13 anos de existência, o PCC gastou onze em guerra contra governos do PSDB e agora do PFL.

É natural que tenha como principal inimigo quem o combate há tanto tempo. Em hora de enfrentamento, também é natural que pense em retaliar seu principal inimigo.

O PSDB e o PFL ultrapassam o limite da irresponsabilidade quando insinuam sem provas e de maneira criminosa que o PCC atua como braço armado do PT.

Quem pariu o PCC ou o viu nascer que o embale.

Datafolha vai dar o tom do início da campanha

Os tucanos se animaram com a pesquisa Vox Populi, que mostra uma diferença de 10 pontos entre o presidente Lula e Geraldo Alckmin, mas no meio político todos estão à espera dos resultados da pesquisa Datafolha que será divulgada na próxima semana. O instituto já registrou o levantamento no TSE e adiantou que ouvirá 6 mil pessoas entre segunda e terça-feira. Só então serão conhecidos os efeitos eleitorais dos ataques do PCC em São Paulo e dos ataques dos tucanos e liberais ao PT, tentando vincular o partido ao crime organizado. Também será possível confirmar se a candidata o PSOL, Heloísa Helena, está mesmo em uma curva ascendente. Este blog não consultou videntes, mas tem o palpite de que Lula e Alckmin oscilarão negativamente na próxima pesquisa. Cristóvam Buarque e a senadora alagoana têm boas chances de subir alguns pontinhos percentuais com a exposição que receberam nas últimas semanas, especialmente no Jornal Nacional da Rede Globo. Quem viver, verá...

quinta-feira, 13 de julho de 2006

Lula terá neste ano mais tempo de propaganda no rádio e televisão do que teve em 2002

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu o tempo no horário eleitoral gratuito na televisão reservado aos candidatos à Presidência da República. O candidato que terá maior tempo na propaganda é o tucano Geraldo Alckmin: 10 minutos e 22 segundos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá 7 minutos e 21 segundos. Lula terá 2 minutos a mais do que teve em 2002, quando tinha 5 minutos e 19 segundos contra os 10 minutos e 22 segundos do candidato do PSDB, José Serra.

Cristovam Buarque terá 2 minutos e 23 segundos. Heloísa Helena contará com 1 minuto e 11 segundos, pouco menos do que Luciano Bivar, Emayel e Rui Pimenta, que terão 1 minuto e 15 segundos cada um.

Serra não defende Saulo, que ataca a imprensa

A edição desta quinta-feira da Folha de S. Paulo não deve ter sido bem digerida no ninho tucano. O jornal perguntou de forma bastante direta aos principais candidatos ao governo paulista se eles demitiriam o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, em função do agravamento da crise no Estado. Aloizio Mercadante e Orestes Quércia responderam que sim – o petista fez graça e disse que jamais teria nomeado Saulo para o cargo.

O candidato do PSDB ao governo paulista, ex-prefeito José Serra, não respondeu o que faria. Em política, há evasivas que acabam ganhando mais poder destrutivo do que uma resposta franca. No caso de Serra, corre nos bastidores tucanos a versão de que também ele jamais teria nomeado Saulo para tomar conta da segurança paulista. O candidato, no entanto, não tem coragem suficiente para expor suas divergências com o atual comando da secretaria de Segurança Pública (e com muitos outros secretários nomeados por Geraldo Alckmin) e fica nas evasivas. Não consegue dizer com clareza o que mudaria porque, em tese, defende a continuidade da gestão tucana, agora momentaneamente pefelista, com a substituição de Alckmin por Cláudio Lembo. E também não consegue defender com entusiasmo a postura adotada por Saulo, da qual diverge.

O secretário de Segurança, de sua parte, partiu para a ofensiva e colocou uma parcela da culpa dos acontecimentos na imprensa, mais especificamente na Folha de S. Paulo. Segundo Saulo, a divulgação de uma suposta lista de 40 presos que seriam transferidos para um presídio de segurança máxima foi o estopim da nova onda de ataques. O secretário, no entanto, teve dificuldades para sustentar a versão, pois o jornal foi para a gráfica com a tal lista depois que os ataques já tinham começado. A menos que o PCC tivesse algum jornalista infiltrado na Folha, portanto, a lista não seria de conhecimento das lideranças da organização.

De toda maneira, não deixa de ser interessante notar que a Folha deu um abre de página com título defendendo a demissão de Saulo, o secretário que horas antes havia culpado o jornal pelo início dos ataques criminosos.

Leia abaixo a matéria da Folha em que Saulo acusa o jornal e, depois, a reportagem em que os candidatos pedem a demissão do secretário.

Saulo atribui ataques a divulgação de lista

LUÍSA BRITO
ANDRÉ CARAMANTE
DA REPORTAGEM LOCAL

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, disse, em entrevista coletiva ontem, que a nova onda de ataques do PCC ocorreu em razão da publicação de uma "falsa lista" com o nome de 40 presos que seriam transferidos para o presídio federal de Catanduvas (PR).
"A publicação de uma lista de nomes gerou, vamos dizer, inspirou esse movimento. Como se fosse uma forma de [o preso] dizer "ou isso pára ou não se remove ou vai ter um recrudescimento'", afirmou o secretário. "Eu, de pronto, tenho a dizer que essa lista não existe. Ela é falsa, ela é mentirosa."
A lista foi publicada pela Folha na edição de ontem, após o início dos ataques do PCC. Sem citar nominalmente o jornal, Saulo afirmou que a publicação foi "um desserviço à segurança pública e à sociedade".
Questionado sobre o fato de a lista ter sido publicada na manhã de ontem, enquanto os ataques começaram às 22h30 da noite anterior, o secretário disse que o "jornal deve ter rodado ontem [anteontem], não hoje [ontem] de manhã".
Minutos depois, outro jornalista repetiu a pergunta. Ele respondeu, então, que os presos já estavam na expectativa de uma remoção, pois sabiam da inauguração do presídio federal. "Esse assunto ficou no ar. Então, os presos estavam nervosos ou com uma falsa expectativa. Se vamos [para Catanduvas] ou não vamos."
E continuou: "Não estou dizendo que a imprensa ou alguém chegou para os presos e telefonou dizendo: "Olha, você vai ser removido", mas criou uma expectativa e concretude [com a publicação da lista]. Mas tem telefonemas, inclusive, de órgãos de imprensa para dentro do presídio, conversa com bandido, "olha, parece que tem aí uma lista que tá rolando".
A reportagem da Folha não ouviu presidiários sobre a lista ou sobre a possível transferência. A veracidade dela foi confirmada por três autoridades. O próprio governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), disse, durante um evento anteontem em Campinas, que o governo estava elaborando uma relação de presos que seriam levados para a prisão federal de Catanduvas (PR).
De acordo com Saulo, conversas telefônicas grampeadas pela polícia mostram que os presos falaram sobre a lista durante a madrugada de ontem.
Ontem à tarde, a Folha pediu à assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública, por e-mail, cópia do grampo telefônico que Saulo disse existir com a conversa de presos ligados ao PCC sobre a lista.
De acordo com o assessor de imprensa Ênio Lucciola Lopes Gonçalves, o secretário não pode divulgar o grampo porque não teve acesso ainda ao seu teor e porque isso dependeria de uma autorização judicial.
Em três dos ataques, os responsáveis deixaram cartazes com mensagens contra "a opressão carcerária".
Na entrevista, Saulo admitiu a possibilidade de que a situação pela qual passam os presos nas unidades de Araraquara e de Itirapina -destruídas por rebeliões- pode também ter motivado os ataques.
O secretário da Administração Penitenciária, Antonio Ferreira Pinto, que também participou da entrevista, afirmou que não havia feito nenhuma lista e que a relação poderia ser "futurologia de quem estava na secretaria".
Ferreira Pinto afirmou ainda que chegou a pedir 40 vagas no presídio de Catanduvas, mas disse que o governo federal ainda não respondeu se o Estado terá direito a todas essas transferências. O secretário afirmou que os advogados dos detentos serão avisados caso o Estado solicite a remoção à Justiça.
O ex-secretário da Administração Penitenciária Nagashi Furukawa rebateu a declaração de Ferreira Pinto, seu sucessor. "Saí no dia 26 de maio e a penitenciária foi inaugurada no dia 20 de junho. Não faz sentido imaginar que eu tenha feito uma lista sem a penitenciária sequer ter sido inaugurada."
Questionado sobre a afirmação do governador -que declarou anteontem que o PCC não exercia mais comando nas prisões-, Saulo disse que Lembo não havia feito a afirmação no contexto publicado na imprensa. "Não ouvi essa declaração do governador. Na minha leitura ele está contestando a questão. Evidente que o governador não daria uma declaração dessa sem meditar a respeito."
O secretário tentou ainda minimizar os ataques dizendo que, dessa vez, morreram menos pessoas e que as ações foram mais direcionadas a prédios privados. "Se você comparar [a situação de maio] com o que está acontecendo, houve regresso. Há uma continuidade, mas não em intensidade. Isso simboliza que as pessoas não estão obedecendo cegamente, que a tal liderança começou a ser questionada, e, na hora em que começa a ser questionada, a liderança perde a força. Perdendo a força, acabou."
Ele admitiu ainda que, como o governo não consegue evitar a entrada de celulares nas unidades prisionais, a estratégia policial é tentar reverter isso com escutas. "Uma boa parte delas [conversas] nos interessa ouvir. Quando você recebe informação de investigação, percebe que isso serviu."
O secretário também disse que o Estado conta com outra fonte importante de dados sobre o PCC, os delatores, a quem se referiu como "os traidores da facção". "Boa parte da massa carcerária começa a entender que entrou em uma fria [ao seguir ordens do PCC]."
Sobre o combate à facção, Saulo disse que, "uma vez declarada a guerra, você precisa pensar como sair dessa guerra. Só tem uma saída: é vencer. Não tem bandeira branca", em referência à acusação de que o Estado fez acordo, em 14 de maio, para parar os atentados. "À medida que você [Estado] estanca, começa a colocar rigidez, eles têm que dar demonstrações de força, porque os associados começam a falar "puxa vida, não foi um bom negócio"."
Indagado se a situação estava sob controle, Saulo afirmou: "Na visão técnica policial, está". Também voltou a dizer que bandido que enfrentar a polícia pode ser morto ou preso. "Centenas já foram presos, alguns mortos em confronto. Vai ter confronto e eles vão se dar mal, não há hipótese de ganhar", afirmou. "Nós não vamos ficar reféns dessa situação."

E abaixo, a segunda matéria:
Mercadante e Quércia defendem saída de Saulo

Serra se omite sobre questão e culpa governo federal por corte de verba para a segurança

ROGÉRIO PAGNAN
DA REPORTAGEM LOCAL

LEANDRO BEGUOCI
DA REDAÇÃO

Dois dos principais candidatos ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante (PT) e Orestes Quércia (PMDB), defendem a demissão do secretário da Segurança de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho.
Os dois responderam a um questionário enviado por escrito pela Folha sobre a crise na segurança e a demissão de Saulo era tema de uma das cinco perguntas. O candidato do PSDB, José Serra, não se pronunciou sobre Saulo. Ele enviou uma declaração por escrito ao jornal, desconsiderando a estrutura de perguntas e respostas. Seu texto abordava apenas três das questões.
Questionado se demitiria o secretário, Mercadante foi irônico e disse que não. "Eu jamais o teria nomeado."
Quércia, por sua vez, para justificar a demissão, lembrou as divergências entre Saulo e o ex-secretário da Administração Penitenciária Nagashi Furukawa. "[Saulo] é o responsável maior pela desmoralização da autoridade pública", disse.
Os dois candidatos também criticaram a política de segurança e a forma como os presos de Araraquara foram tratados. Com as celas destruídas pelas rebeliões, os detentos foram confinados num pátio.
Já Serra, dizendo considerar "lamentável sob todos os pontos de vista" a situação em Araraquara, afirmou que, "se o governo federal tivesse feito os presídios que prometeu, teria havido lugar para enviar os presos".
Sobre uma eventual ajuda do governo federal, Mercadante disse que a aceitaria. "Em momentos como esse, é preciso parceria, uma atitude republicana." Quércia disse admitir que, "em casos especiais", o governador aceite a oferta de ajuda do governo federal.
Serra disse que, "se fosse para valer", a ajuda seria bem-vinda. Mas alfinetou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Cheira mais a oportunismo e demagogia eleitoral do Lula. Quer ajudar? Libere o dinheiro cortado."
O petista e o peemedebista também cobraram maior transparência do governo na divulgação de dados sobre os mortos pela polícia após os primeiros ataques do PCC (leia respostas no quadro ao lado).

Demagogia
Serra disse, em evento em Osasco, que o governo do presidente Lula se vale da "demagogia" e do "trololó" para não resolver o problema da segurança. O tucano também afirmou que o governo Lula corta "sistematicamente" verbas da área.
Serra delimitou o que seriam as responsabilidades do governo federal. Elencou o combate ao contrabando de armas e de drogas e a construção de mais presídios como prioridades.
"Esse combate ao contrabando de drogas e de armas atacaria a base do crime organizado. Mas a atual gestão não faz isso. Prefere a demagogia e o trololó."
Serra procurou não responsabilizar o governo do Estado pela crise na segurança. Questionado sobre o que faltaria na segurança estadual, disse que ainda é preciso integrar os serviços de investigação. "Acho que esse trabalho todo [da polícia] pode render mais ao longo do tempo se nós nos aprofundarmos na área da inteligência", afirmou o tucano.


quarta-feira, 12 de julho de 2006

Será que esse pessoal não aprende?

Bastou uma cochilada. Com a aprovação, no Congresso Nacional, de projeto de Lei elaborado pela Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas) e apresentado por um deputado inexpressivo, cujo texto consegue a proeza de tornar a função de assessor de imprensa exclusiva dos diplomados em jornalismo, aquele pessoal que estava na moita se animou. Pode parecer incrível, mas a Fenaj não desiste nunca e anunciou que tentará reviver o natimorto Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). A nota abaixo está no site da entidade.

FENAJ e Sindicatos ampliarão movimento pelo CFJ
A luta pelo Conselho Federal dos Jornalistas (CFJ) é uma prioridade dos jornalistas brasileiros para o próximo período. A proposta foi aprovada por unanimidade na plenária final do 32º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizada dia 8 de julho, em Ouro Preto (MG). A deliberação foi precedida de debate com representantes da FENAJ, do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, do deputado federal Celso Russomanno (PP/SP) do representante da Associação de Imprensa Italiana no Brasil, Venceslau Soligo, do presidente do Confea, Marco Túlio de Melo e do ex-presidente da OAB, Hermann Baeta.

Na busca da aprovação do projeto do CFJ, a FENAJ e os Sindicatos de Jornalistas desenvolverão um processo de ampliação de debates, com a retomada de seminários nacionais e regionais sobre o tema. A expectativa é que destes debates, com envolvimento de outros setores da sociedade, hajam contribuições no sentido de melhorar o anteprojeto a ser reapresentado na Câmara dos Deputados.

Para quem já esqueceu o assunto, o CFJ é aquele monstrengo de inspiração stalinista que estabelece as "regras éticas" que os jornalistas deverão cumprir tão logo o tal conselho entre em vigor. Tamanha foi a onda de protestos contra o CJF que o presidente Lula teve o bom senso de jogar o texto na lata do lixo (espera-se que seja coerente e também não sancione o projeto recém-aprovado, de caráter obviamente corporativista), não sem antes deixar claro que o governo só enviara tamanho despautério para o Congresso a pedidos dos companheiros sindicalistas.

O grande problema da Fenaj é justamente a coerência de seus dirigentes. Como eles são os mesmos e não mudaram de idéia, vão continuar defendendo propostas corporativistas, autoritárias ou antiquadas. Ou a soma das três, como ocorre no caso do CFJ.

Ombudsman Marcelo Beraba volta a criticar a cobertura eleitoral da Folha de S. Paulo

A cobertura da campanha eleitoral que vem sendo realizada pela Folha de S. Paulo está repleta de problemas. É o que pensa o ombudsman do jornal, Marcelo Beraba. Em sua crítica interna – já não tão interna assim, visto que disponível na internet – desta quarta-feira, Beraba volta a criticar bastante o comportamento do jornal no noticiário das eleições. Este blog já registrou pelo menos duas outras críticas duras de Beraba ao jornal por causa da cobertura eleitoral.

Desta vez, a crítica começa com um elogio – à coluna de Elio Gaspari, por sinal reproduzida aqui, na nota anterior –, mas parte logo para os reparos. E não são poucos, como se pode observar abaixo, na íntegra do comentário de Beraba:
"A cobertura da Folha continua focada em detalhes da organização das campanhas e na formação de alianças. É uma cobertura voltada para o micro, para o varejo. Assim, algumas informações irrelevantes ganham espaço desmesurado. Qual a importância para o (e)leitor de que a concessão de CNPJ por parte da Receita Federal para as campanhas eleitorais atrase alguns dias? Nenhuma. É uma informação que merecia no máximo um registro, e não o abre da página mais nobre de política, a página A5 - "Burocracia retarda arrecadação de verba para as campanhas".

O acompanhamento do candidato Geraldo Alckmin à Europa se limita ao registro das visitas e a declarações. Qual o objetivo da viagem e da agenda? Que avaliação pode ser feita da viagem e dos contatos? Todos os candidatos programam viagens internacionais. Elas acabam tendo alguma importância de fato? As fotos posadas já indicam a irrelevância destas iniciativas? Não há um bastidor (ou uma análise) desta viagem que mereça ser dividido com o leitor?

A reportagem principal de política é a reunião de Lula com os seus ministros. O título já diz tudo da irrelevância do foco da cobertura: "Lula exige dos ministros defesa coletiva do governo". Seria notícia se Lula não exigisse a defesa do seu governo.

E a disputa pelo governo de São Paulo, Estado sede da Folha? Pelo que foi possível deduzir da leitura do jornal, apenas um candidato fez campanha ontem, José Serra ("Serra defende mais presídios e o fim das cadeias em delegacias", pág. A8). E os outros? A cobertura ficará restrita ao acompanhamento da agenda de candidatos e a declarações?"

Gaspari manda recado ao presidenciável tucano

O jornalista Elio Gaspari estava inspirado no artigo que publicou nesta quarta-feira na Folha de S. Paulo, no Globo e demais jornais que reproduzem a coluna. É um exemplo de texto que começa tão bem como acaba. Abaixo, a íntegra da coluna de Gaspari.

Geraldo Alckmin precisa ouvir o Bussunda

Você sabia que o Pão de Açúcar tem 396 metros de altura e o índice de fuga de presos em São Paulo é 0,13?

Por ELIO GASPARI

GERALDO Alckmin dá a impressão de reencarnar do sujeito que decorou a letra R da enciclopédia. Com uma diferença: memoriza números. O Estado que governou por cinco anos teve cerca de 50 agentes da ordem assassinados em menos de 90 dias, 1.500 presos foram confinados como bichos num espaço onde caberiam 150 e ele tem o seguinte a dizer:
"A fuga no Estado de São Paulo no ano passado foi 0,13. Isso é número europeu".
Se o doutor estivesse no mundo do futebol, poderia anunciar que formará um time que faça muitas faltas, dê poucos passes e recue a bola sempre que possível. Um levantamento de 1.500 partidas feitos pelo Datafolha, mostra que essas são as características de 53% a 67% dos vencedores. E daí?
Quando os bandidos soltos matam policiais e agentes penitenciários na porta de suas casas, o índice de fugas é uma irrelevância. Quando os presos são tratados como bichos, transformando o poder coercitivo do Estado em selvageria, degrada-se o governo. Um cidadão disposto a apoiar medidas repressivas contra o crime organizado pode defender a pena de morte, a prisão perpétua ou os cárceres de segurança máxima.
São pontos de vista legítimos. Esse mesmo cidadão nada tem a ver com as práticas do presídio de Araraquara. Um homem de bem não se associa ao que se fez lá. Pena que o advogado Cláudio Lembo tenha deixado sua biografia escorregar numa administração na qual bandidos exterminam policiais e presos são vilipendiados.
As platitudes do candidato Alckmin fazem do conselheiro Acácio um James Joyce. Coisa assim, dita na convenção de Belo Horizonte: "Tenho uma visão de Estado que não comporta amadorismos". Ou assim, dita em Lisboa: "Nós estamos dando grande destaque à maior inserção internacional do Brasil. Queremos a busca de mercado internacional, acordos comerciais importantes". Fora disso, recita meia dúzia de números e supõe ter mostrado preparo para discutir a questão.
O índice europeu de fugas dos presídios paulistas tem pouco a ver com o que acontece no Brasil. Muito mais relevante é a indicação de que aqui morrem mais policiais do que em qualquer outro país. Isso numa cultura de segurança que mata mais cidadãos que todas as polícias da Europa somadas. Alckmin sabe que o eixo da discussão é esse. Seu secretário de Segurança, Saulo de Castro Abreu, a quem chamou de "servidor público número um", também sabe. A patuléia não está aí para ser ludibriada com números europeus em conserva.
O candidato do PSDB recitou o "0,13" antes de embarcar para Bruxelas e Lisboa. Na volta, poderá dizer se notou outra semelhança entre a segurança européia e a de São Paulo.
Alckmin cultiva um mantra de campanha. Seja qual for o tema, diz que Lula é omisso e que no seu governo haverá estudo, firmeza e determinação. No caso da segurança, por mais omisso que seja o Nosso Guia, o pudim paulista é de Geraldo Alckmin. A ruína não começou com ele, mas foi com ele quem cevou um modelo truculento e espalhafatoso que acabou em fracasso. Conseguiu o impossível: tornou-se páreo para Anthony Garotinho.
Alckmin deve uma caridade às platéias. Enquanto houver policiais espingardeados nas ruas de São Paulo, ao tratar de segurança, poderia atender ao pedido do Bussunda:
"Fala sério".

Alckmin é favorável aos reajustes eleitoreiros?

Está na edição desta quarta-feira da Folha de S. Paulo: o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) criticou o veto presidencial o aumento de quase 17% para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo, mas evitou dizer o que teria feito se estivesse sentado na cadeira do presidente Lula. Tendo criticado o veto ao aumento, Alckmin tem duas alternativas: ou pára de falar mal da "farra fiscal" do governo e dos aumentos concedidos ao funcionalismo público, que tem qualificado de "eleitoreiros", ou explica direito qual a diferença entre os 17% dos velhinhos e os demais reajustes concedidos por Lula.

Alckmin não vai fazer nem uma coisa nem outra. A crítica do ex-governador sobre o tal aumento dos gastos públicos na gestão Lula é, na verdade, oportunista. Os tucanos não conseguiram ainda apresentar dados consistentes sobre o tal aumento nos gastos e fazem críticas subjetivas, como a do caráter eleitoral dos reajustes.

Ademais, se Lula tivesse sancionado o aumento dos aposentados, certamente Alckmin teria sido o primeiro a criticar o presidente pela "farra fiscal" e "desperdício de recursos com fins eleitorais". O ex-governador faria melhor se tivesse um discurso ao menos coerente sobre os temas relevantes da campanha eleitoral.

Leia abaixo a matéria da Folha:

Tucano critica veto de Lula a reajuste de aposentados, mas não explica o que faria

FÁBIO VICTOR
- ENVIADO ESPECIAL A BRUXELAS

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, criticou ontem o veto do governo ao reajuste de 16,67% a aposentados que ganham mais de um salário mínimo, mas não explicou o que faria se estivesse no lugar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Lamento muito o veto, e é difícil dizer qual a medida que tomaria. Eu procuraria ter trabalhado para criar condições para melhorar a situação dos aposentados."
O governo concedeu reajuste de 16,67% para os aposentados que ganham até um salário mínimo e de 5% para os demais, mas os partidos que apóiam a candidatura Alckmin no Congresso votaram a extensão do percentual maior para todas as faixas de renda. Lula vetou o reajuste maior com o argumento de que é preciso preservar o equilíbrio das contas públicas.
Alckmin esteve ontem em Bruxelas, em visita ao presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.
No dia em que o presidente do PMDB, Michel Temer, declarou apoio à sua candidatura, o tucano atacou o governo pelo modo com que investe sobre os peemedebistas.
"Acho que vamos ter a maioria dos eleitores do PMDB. Agora, não posso disputar com cargos, e nem faria isso se fosse presidente. O que o governo tem feito é algo totalmente atrasado, é loteamento de cargo público sem critério adequado, reincidente no caso dos Correios", declarou.
O PSDB sempre almejou ter em sua campanha a ala não-governista do PMDB, mas, nos últimos dias, assistiu à expansão do apoio peemedebista à reeleição do presidente. O movimento foi paralelo à decisão de Lula de dar o controle dos Correios ao PMDB.
Segundo Alckmin, o fato de as nomeações envolverem um órgão estatal atingido há pouco por um esquema de corrupção "mostra que o governo não aprendeu com a crise".
Indagado se acreditava de fato haver um eleitor fiel do PMDB, evocou seu passado no MDB, a sigla que originou a atual legenda. "Ainda há um eleitor peemedebista, eu diria até emedebista, do "manda-brasa"."
O candidato listou os ex-governadores peemedebistas que o apóiam como um trunfo no partido. "As lideranças mais expressivas do PMDB estão conosco, como Jarbas Vasconcelos [PE], Joaquim Roriz [DF], Luiz Henrique [SC]. E isso vai crescer todo dia."
O presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que acompanhou Alckmin em Bruxelas, disse que espera para breve o apoio do ex-presidente Itamar Franco, que deixou o PMDB. Também presente, o presidente do PPS, Roberto Freire, tratou de desqualificar a parcela do PMDB que está com Lula. "É o PMDB adesista, é Ney Sanguessuga", disse, em referência ao senador Ney Suassuna (PB), líder do partido no Senado.