sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Um bom artigo sobre a questão da CPMF

O editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo, jornalista Vinicius Torres Freire, escreveu um artigo, publicado nesta sexta-feira, que explica com muita clareza por que a CPMF precisa ser prorrogada. A análise de Vinicius tem o mérito de simplificar as coisas e traduzir em bom português o hermetismo do economês que certas autoridades adoram utilizar. Vale a pena acompanhar seus textos. A seguir, a íntegra do artigo.

Espírito de porco e outras porcarias

NO INÍCIO de 1999, o governo FHC acabara de quebrar a economia do país pela primeira vez. A segunda vez ocorreria em 2001-2002, com o apagão, suas seqüelas monetárias e com a ajuda do programa doidivanas do PT e de Lula que, quase eleito, levou o risco-país a 2.000 e o dólar a R$ 4.

O governo FHC estava às portas do FMI e com a oposição nos calcanhares. PT e cia. espezinhavam o governo, que precisava aprovar a prorrogação e a elevação da alíquota da CPMF, que estava vencida. Pior, a CPMF estava no plano fiscal que o governo negociava com o FMI. Pedro Malan, ministro da Fazenda, e a tropa mais graduada de FHC pedinchavam a parlamentares a aprovação urgente das medidas fiscais, CPMF inclusive.

O país estava com um pé na breca e outro a caminho, quebrado, com déficit fiscal enorme, contas externas estouradas, taxas de juros lunáticas e prestes a perder o controle da inflação. O PT votou contra a prorrogação da CPMF. Queria ver o circo pegar fogo.

Claro que o fogo começara com a política de juros altos, déficits externos e de aumento descontrolado da dívida pública, obra de Pedro Malan, Gustavo Franco e FHC. Mas o PT foi espírito de porco. Antonio Palocci votou contra. Sim, Palocci, o conspirador do caso do caseiro e ora ponta-de-lança da aprovação da CPMF de Lula. Arlindo Chinaglia, Aloizio Mercadante, Ricardo Berzoini, José Genoino, todos quiseram superfaturar a desgraça de FHC e votaram contra. Agora os petistas pedincham a CPMF.

O espírito de porco, a falta de caráter, a revanche vulgar e o oportunismo, entre outras porcarias, ainda contaminam o Congresso. Os parlamentares dessa oposição meia-boca querem acabar com a CPMF. Alguns espertos querem mesmo é arrancar algum para seus Estados, "partilhar" a arrecadação, pontificando hipocritamente sobre a "escorchante carga tributária" (que, por falar nisso, explodiu mesmo foi nos anos FHC).

A CPMF é um imposto ruim. Mas algum desses desclassificados do Congresso, para não falar dos criminosos, ocupou-se de elaborar um plano decente de redução de despesas e impostos? Não. Dedicam-se ao assunto apenas as duas dúzias de congressistas que se salvam da escória, os de sempre. Sim, há a reforma tributária que o governo propôs, se não é coisa para inglês ver, a qual os Estados vão querer sabotar.

A arrecadação da CPMF deve dar uns 1,5% ou 1,6% do PIB. Equivale a duas ou três vezes o dinheiro que o governo federal investe por ano. Se a CPMF acabasse agora, o governo teria de demitir 70% dos servidores públicos civis. Ou teria de cortar dinheiro equivalente ao orçamento do Bolsa Família, do seguro-desemprego e da assistência social a idosos e deficientes despossuídos de tudo.

Na verdade, não há como cortar imposto agora. Sim, é preciso que o governo gaste menos. O excedente de arrecadação poderia abater dívida pública e levar a uma redução diminuta de algum imposto escabroso (sobre folha de salários, por exemplo). Com a contenção fiscal, o BC deveria baixar os juros mais rapidamente (com o que cairiam os gastos com a dívida). O problema do país é conter o gasto, abater a dívida e investir. Por último cortar imposto.

Um comentário:

  1. O aritgo é bom, mas é preciso dizer que o último parágrafo descreve exatamente o que está acontecendo hoje.

    Não é mais uma demanda, mas uma realidade. Talvez não tão de forma tãp rápida quanto gostaríamos, mas ...

    ResponderExcluir

O Entrelinhas não censura comentaristas, mas não publica ofensas pessoais e comentários com uso de expressões chulas. Os comentários serão moderados, mas são sempre muito bem vindos.