quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Se Renan Calheiros se safar na próxima
quarta-feira, terá sido obra da oposição

O título acima pode parecer paradoxal, mas é exatamente isto que circula nos bastidores brasilienses. O PT está desembarcando da canoa furada do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a única chance dele permanecer no cargo é conquistar votos dos tucanos e democratas. Com o voto secreto, não é difícil prever que a sessão deve se transformar em um verdadeiro festival de traições. Vai ter oposicionista jurando que vota pela cassação de Renan, mas ali na urna, na hora da decisão, por um ou muitos motivos, absolverá o presidente do Senado. Também vai ter petista dizendo que "não há provas" contra Renan, mas empurrando o aliado para a forca na hora do voto.

No fundo, Calheiros é uma personagem ímpar na política brasileira. Tem um passado de esquerda e um irmão comunista; apoiou e foi líder do governo Collor; cresceu politicamente durante a gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso, de quem foi nada menos do que ministro da Justiça; e por fim passou à condição de aliado fiel do presidente Lula. Renan tem amigos e inimigos de todo o tipo de coloração partidária e ideológica e até Mônica Veloso entrar no cenário político era tido como um habilíssimo negociador. Mas não teve esta habilidade para lidar com a amante e se mostrou afoito para encerrar um problema menor, qual seja o de provar que tinha recursos para pagar a pensão da ex-namorada.

Renan não será cassado porque deixou um lobista pagar suas contas pessoais, mas simplesmente porque se atrapalhou para mostrar que tinha renda e patrimônio suficientes para pagar as tais contas e acabou revelando negócios escusos ou no mínimo esquisitos. Os demais parlamentares também têm negócios escusos? Podem ter, mas não costumam vir a público apresentá-los de forma tão arrebatadora como fez o presidente do Senado. No fundo, foi o próprio Renan o maior responsável por seu calvário, que pode até não terminar nesta quarta, se ele conseguir a absolvição. Afinal, há mais três processos na fila de votação...

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