terça-feira, 25 de setembro de 2007

É nóis na fita

Não é pouca coisa: o novo correspondente do The New York Times no Brasil, Alexei Barrionuevo, deve andar lendo as coisas que Jorge Rodini, colaborador destas Entrelinhas e diretor do instituto Engrácia Garcia, escreve. Dia 20 de novembro, saiu neste espaço uma junção de dois textos enviados por Rodini. O segundo deles, que originalmente tinha o título "Lula, o resiliente", apresentava um conceito pouco utilizado para falar do presidente da República.

Resiliência, para quem não sabe, tem as seguintes definições no dicionário Houaiss:
1 Rubrica: física. - propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica
2 Derivação: sentido figurado - capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças

Foi no segundo sentido que Rodini usou o termo, inovando na análise sobre a reeleição de Lula, conforme pode ser observado mais abaixo. Nove meses depois, não é que Barrionuevo resolve colocar o mesmíssimo conceito já no título da matéria (reproduzida abaixo) com a entrevista do presidente Lula ao jornal? Pode ser coincidência, mas, convenhamos, não é lá muito provável, ainda mais considerando que o artigo de Rodini foi publicado com o título original em outro blog.

Abaixo, o início da matéria do NYT e o artigo de Rodini.

A Resilient Leader Trumpets Brazil’s Potential in Agriculture and Biofuels

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By ALEXEI BARRIONUEVO
Published: September 23, 2007

BRASÍLIA, Sept. 21 — In recent months the political climate in Brazil has been a boiling caldron for Luiz Inácio Lula da Silva, the country’s president.

Now serving his second term, President Luiz Inácio Lula da Silva of Brazil said, “What I want is to govern my country well.”

The second deadly airplane crash in 10 months set off a crisis in Brazil’s aviation industry in July, with many critics saying government inaction was at the root of the problem.

Last month, the country’s Supreme Court ordered 40 members of the president’s political party to stand trial on corruption charges in a scandal that has netted some of his closest advisers, including his former chief of staff.

But as Mr. da Silva, now in his second term, sat down for a 75-minute interview here in the presidential palace, those worries hardly seemed to faze him. He was nothing but upbeat, and with good reason.



As razões da vitória de Lula

Jorge Rodini

Com o final da campanha eleitoral e reeleição do Presidente Lula, podemos intuir os motivos da sua vitória incontesti. São cinco características de Lula que, a meu ver, foram absorvidas pelo povo brasileiro.


Lula é carismático A empatia do ex-torneiro mecânico com a população mais carente é quase fenomenal.

Lula é experimentado em eleições. Esta foi a quinta eleição presidencial que disputou.

Lula empolgou a militância. Apesar de todos os problemas que o PT teve, o presidente teve um exército a ajudá-lo.

Lula é o "Messias". Poucas figuras humanas no Brasil foram distinguidas com respeito e consideração dos mais pobres. De Messias Nordestino Lula foi alçado a condição de " Pai dos pobres".

Lula é resiliente. Por mais que sofra crises, ele consegue superá-las. Este conceito em Psicologia mostra como um pessoa pode ser quase imune às crises. Que, aliás, não foram poucas. Esta característica, porém, é diferente de invulnerabilidade ou invencibilidade

O Presidente sabe que tem vulnerabilidades.Tem que ter pressa para desatar o nó das contas públicas, das expectativas de reajustes elevados do salário-mínimo, das contas da previdência e da queda dos juros.
A economia do dia dia e o Bolsa-Família vão passar a ser o calcanhar de Aquiles deste novo mandato. Vai ser muito difícil segurar o preço dos produtos básicos e manter os programas sociais. O Brasil precisa crescer e o governo sabe disso.

Síntese: Lula ganhou porque teve respaldo popular, porque a oposição não conseguiu colar nele todas as trapalhadas de alguns membros do PT. Alckmin fez o que poderia ser feito, mas enfrentou um semi-Deus. Lula só não pode mais errar na questão ética nem impedir o crescimento mais vigoroso do Brasil. Até porque ele é resiliente, mas não invencível.

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