O presidente Lula é definitivamente um homem de sorte. Amanhã, dia 6, faz um ano que estourou a crise do mensalão. A julgar pela edição de hoje da primeira página da Folha de S. Paulo, jornal que detonou a crise ao publicar a explosiva entrevista de Roberto Jefferson (PTB-RJ) com a denúncia do esquema, porém, Lula pode ir dormir tranquilo: a maior preocupação nacional no momento é com a condição clínica do atacante Ronaldo ou mais especificamente com o número de bolhas no pé do jogador. A dúvida cruel – Ronaldo joga na estréia da seleção ou não – deve persistir por um bom tempo e deverá ser o grande assunto dos brasileiros ao longo desta semana. A Copa do Mundo veio em ótima hora para Lula e em péssimo momento para o tucano Geraldo Alckmin, cujo programa de televisão vai ao ar justamente após o jogo do Brasil com o Japão, no dia 22.
No dia 23 de novembro do ano passado, o pai de Rodrigo Silva das Neves, cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro, foi ao batalhão da PM de Bangu, na Zona Oeste carioca, fazer um pedido. O homem, um subtenente bombeiro reformado, queria que os policiais do quartel parassem de bater na porta de sua casa à procura do filho — cuja prisão fora decretada na semana anterior, sob a acusação de ser um dos responsáveis pelo assassinato cinematográfico do bicheiro Fernando Iggnácio, executado com tiros de fuzil à luz do dia num heliporto da Barra da Tijuca. Quando soube que estava sendo procurado, o PM fugiu, virou desertor. Como morava numa das maiores favelas da região, a Vila Aliança, o pai de Neves estava preocupado com “ameaças e cobranças” de traficantes que dominam o local por causa da presença frequente de policiais. Antes de sair, no entanto, o bombeiro confidenciou aos agentes do Serviço Reservado do quartel que, “de fato, seu filho trabalhava como segurança do contraventor Rogério And...
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