quarta-feira, 21 de junho de 2006

Dia D para José Serra e Orestes Quércia

O ex-governador paulista Orestes Quércia (PMDB) disputará pela segunda vez a eleição para o governo do Estado de São Paulo. Isto só não deve acontecer se o candidato do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes, ex-prefeito José Serra, convencer o seu partido a aceitar o nome de Quércia para a vice da chapa. Quércia jamais cogitou aceitar a oferta tucana da vaga para o Senado – um presente de grego, na verdade, uma vez que Eduardo Suplicy (PT) dificilmente deixará de se reeleger – e depois de relutar bastante, aceitou a indicação de seu partido para representar o PMDB em uma eventual aliança com o PSDB.

No final da tarde de terça-feira, Serra foi ao escritório de Quércia e conversou por mais de uma hora com o ex-governador. Ficou de telefonar no dia seguinte, para prosseguir a negociação. Serra ligou, mas a conversa não foi conclusiva, e o ex-prefeito pediu um novo encontro, para falar pessoalmente. Quércia avaliou que o PSDB não está realmente disposto a fechar aliança alguma e, em entrevista a uma rádio de São Paulo, afirmou na quarta-feira que a tendência é cada vez mais pela candidatura própria e admitiu que seu nome é o mais viável no PMDB.

Nesta quinta-feira de jogo do Brasil com o Japão, portanto, Serra tem a última chance de evitar a candidatura de Quércia. O tucano gostaria muito de não precisar enfrentar um segundo turno na eleição deste ano, especialmente porque imagina a dificuldade de enfrentar o candidato apoiado por um presidente Lula já reeleito – cenário hoje bastante provável. Com Quércia no jogo, a chance de a eleição paulista se definir no primeiro turno é muito menor do que sem ele na parada, conforme apontam as pesquisas. Serra não quer dar sopa para o azar, mas seu partido tem enorme resistência ao nome de Quércia. Hoje é o dia D para esta negociação.

Este blog aposta em uma nova candidatura de Quércia ao governo paulista. Nunca é demais lembrar queem 1986 ele saiu como azarão e bateu nas urnas o favorito Antonio Ermírio de Moraes em uma eleição que tinha ainda os competitivos Paulo Maluf e Eduardo Suplicy.

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