segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Carro parcelado em 99 vezes, o preconceito
das elites e o 3° mandato do presidente Lula

A reportagem reproduzida abaixo, do Estadão desta segunda-feira, é ilustrativa não apenas para explicar o sucesso do presidente Lula com os pobres mas também para revelar o preconceito dos ricos com o chamado "andar debaixo", como gosta de escrever Elio Gaspari.

Quem tiver interesse de ler a matéria completa, cujo link está abaixo, vai ficar sabendo que a uma taxa de juros menor do que a Selic, os pobres estão comprando carros novos, os chamados zero quilômetro. Vai descobrir também que 46% desses compradores o fazem pela primeira vez na vida. A leitura da matéria, porém, também revela um certo desgosto do pessoal do Estadão com esta verdadeira febre no Brasil que é o consumo dos pobres desde que Lula se tornou presidente e mais especialmente neste início de segundo mandato. Todo o foco da reportagem é na possibilidade de uma situação do tipo "subprime" norte-americano no mercado de venda de automóveis a prazo, hipótese esta que uma análise fria dos números apresentados na própria reportagem já é suficiente para descartar. Afinal, a inadimplência neste setor é de apenas 3% e a legislação permite a rápida retomada dos automóveis dos inadimplentes pelo banco ou financeira que financiou o parcelamento. Na verdade, ao contrário do que diz a matéria, vender carro para pobres é um grande negócio justamente porque eles pagam mais pelo carro e a taxa de inadimplência é baixíssima.

E o que tudo isto tem a ver com o terceiro mandato do presidente Lula? Muito simples: esses brasileiros que compraram carros novos pela primeira vez na vida certamente vão associar os tempos de bonança com o atual presidente. Convoque-se um plebiscito sobre o assunto e como votarão os pobres motorizados da Era Lula? E se a tal emenda vingar, é melhor o DEM e PSDB já começarem a pensar em 2014...

Baixa renda já pode comprar carro zero em até 99 meses

Márcia De Chiara


O brasileiro já pode comprar carro zero parcelado num prazo superior a oito anos ou 99 meses, pagando juros de 0,89% ao mês ou 11,21% ao ano. A taxa é inferior à Selic, a taxa básica de juros, que está em 11,25% ao ano. Isso permitiu que uma fatia expressiva da população de menor renda comprasse pela primeira vez um carro novo.

3 comentários:

  1. Do jeito que o DEM e PSDB, faz opisição sem responsabilidade nenhuma e sem trocar o discurso é melhor eles irem pensando em 2044 pra frente.

    Com o discurso da década de 90 é bem possível que eles vão tomar muitas bolas nas costas nas próximas eleições.

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  2. Eu gostei bastante da matéria, mas não resumiria a questão a uma análise tão elite x baixa renda. Por um lado, o acesso à compra do primeiro automóvel por parte de pessoas de baixa renda representa sim um grande avanço. Hoje em dia esse feito é possível graças aos avanços no campo da economia alcançados até o momento, mérito não só do governo atual, tampouco do anterior, mas principalmente pelo cenário positivo que vive o país.
    É fato que comparar os índices de endividamento de um brasileiro de baixa renda com um americano e dizer que podemos criar um cenário semelhante ao dos "subprimes" é absurdo no curto e médio prazos. Todavia, o índice de endividamento vem crescendo numa velocidade bem maior que as taxas de crescimento e aumento de renda registradas no mesmo período, logo, sim, isso deveria ser uma preocupação do governo no longo prazo.
    Usando por base uma família com a renda informada na matéria (R$1.384) e descontando um valor (suposto) de R$400 mensais na manutenção do carro e combustível, mais prestação de R$360 (aproximada, considerando um carro de R$12mil), temos um quadro em que mais de 50% dos gastos dessa família estão comprometidos com custos do veículo por mais de 8 anos.
    Dadas essas informações, acredito que podemos sim - e devemos - celebrar o acesso do brasileiro de baixa renda a compra do seu automóvel, mas é imperativo fornecer informações claras de como funcionam os financiamentos e estimular o consumo responsável para evitarmos surpresas no futuro.

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  3. Tem um problema seríssimo nessa história. Então agora pobre consegue comprar carro em 99 vezes - e o nosso sistema de mobilidade e transporte vai pro saco de uma vez. Já não anda agora... Vamos continuar investindo em obras viárias caríssimas para acomodar o inacomodável? Carro já é o sonho de consumo das classes A, B, C, D... Mas A e B não precisam se preocupar com poupança, crédito e capacidade de endividamento. C e D sim. O país tem um déficit de 9 milhões de moradias. Para suprimi-lo, setor público e privado precisam oferecer moradias boas (mesmo) e baratas e... crédito. Com o pessoal pendurado nos carnês das Casas Bahia e, agora, das vendedoras de automóvel, fica mais difícil. Eu preferia que o andar de baixo pudesse ter moradia confortável, decente, em lugares centrais (para não precisar tanto de carro!) do que o bendito carro para se sentir integrado ao sistema - e ficar parado nos monstruosos congestionamentos, perdendo tempo de vida, apenas com mais conforto do que no ônibus ao lado. PS: e se o povo quiser Lula de novo porque agora pode comprar carro, tá louco... É a versão atual e "melhorada" do "iogurte e dentadura" do Fernando Henrique?

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