segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Imprensa deixa o Serra trabalhar...

Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciasse as nomeações do ex-ministro Pedro Malan para a pasta da Cultura e de um ex-secretário das gestões de Paulo Maluf e Celso Pitta na prefeitura de São Paulo para, digamos, o ministério das Cidades, não seria difícil imaginar o grau de histeria que tomaria conta da imprensa brasileira, especialmente de certos colunistas. Choveriam "análises" contundentes sobre o fim do segundo mandato do presidente, antes mesmo de seu começo. Afinal, com Lula e o PT, não há segunda chance: a mídia atira primeiro e pergunta depois.

Pois não foi que o governador eleito de São Paulo, o tucano José Serra, completou nesta semana os nomes da sua equipe e anunciou o economista João Sayad, ex-secretário de Finanças da prefeita Marta Suplicy, para a secretaria estadual da Cultura? Outro nome interessante no secretariado de Serra é o de Lair Krahenbuhl, que trabalhou com os prefeitos Maluf e Pitta e foi indicado para a Habitação. Sobre essas nomeações, a imprensa de São Paulo simplesmente calou. Nada contra Sayad e Krahenbuhl – dois excelentes nomes, ambos muito competentes –, mas causa estranheza que jornal algum tenha chamado atenção para o fato de Sayad ter trabalhado com Marta e Lair, com Maluf e Pitta. Aliás, não foi possível ler uma única análise crítica sobre a composição do secretariado de Serra.

A verdade é que após perder para Alckmin a disputa interna pela vaga de candidato à presidência, Serra foi poupado de qualquer tipo de crítica pela imprensa paulista. Ao contrário de 2002, quando o então candidato à presidência recebeu um tratamento duro da mídia, Serra parece ter se tornado um darling dos donos dos grandes veículos. Da Folha de S. Paulo até era de se esperar um tratamento carinhoso ao seu ex-colunista, mas a unanimidade em torno do governador está ficando algo até meio constrangedor. Parodiando o jingle da campanha do presidente Lula, parece que a mídia vai deixar o Serra trabalhar sem incomodá-lo muito pelos próximos quatro anos.

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