quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Delfim Netto e os preconceitos tucanos

O pessoal do PSDB está adorando a possibilidade de Lula nomear o economista Delfim Netto para algum cargo no governo federal. Desde a campanha, dizem que o PT agora "anda com o Delfim", "virou amigo do Gordo" e coisas deste tipo, lembrando sempre o passado do economista e sua vinculação com o regime militar. Por um lado é estranha a crítica tucana, afinal, foram eles, políticos do PSDB, que inauguraram a aproximação dos "puros" com a turma dos que pularam do barco e criaram a Frente Liberal, mas sempre esteviveram lá, servindo os generais de plantão? Ou Antonio Carlos Magalhães, Jorge Bornhausen, Marco Maciel são diferentes de Delfim?

Por outro lado, como bem ressaltou o senador Eduardo Suplicy, a experiência de Delfim poderia, sim, ser muito útil ao governo. Conforme bem observou o senador, que de bobo não tem nada, o economista seria excelente solução, por exemplo, para o comando do Banco Central: a verdade dos fatos é que ele está bem à esquerda do ex-tucano Henrique Meirelles, um darling dos banqueiros e atualmente "imexível" no posto que ocupa, para usar a expressão do nada saudoso ex-ministro Rogério Magri.

Delfim era interlocutor frequente de Antonio Palocci e agora parece ter virado um conselheiro do presidente Lula para assuntos econômicos. O que se diz nos bastidores é que, além do programa do déficit nominal zero, rejeitado pelo presidente, Delfim tem proposto idéias para alavancar o crescimento e foi um crítico da política monetária adotada por Meirelles. A vinculação com os militares será sempre um problema para Delfim – dentro do PT também há muito preconceito contra o economista –, mas o exame de suas idéias não há de configurar um pecado. Ao contrário: Delfim Netto é inteligente, experiente e tem o que dizer sobre a economia brasileira. Os tucanos sabem disto.

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