quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Rodini: palco eleitoral

Em mais uma colaboração para o Entrelinhas, o craque Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, escreve sobre o levantamento do Ibope sobre o cenário pré-eleitoral da sucessão do presidente Lula. Abaixo, na íntegra, para os leitores do blog. Mais tarde, a prometida leitura do Entrelinhas sobre os números da pesquisa.

A recente pesquisa Ibope revela um desgaste na candidatura Dilma , um avanço na de Ciro Gomes, uma melhora na de Marina Silva e Serra mantendo uma liderança inquestionável.
Ciro, ao mostrar-se seguro, parece arrogante. Pode tirar votos de Dilma e Serra no Nordeste, mas sempre desconfiamos que ele vá mostrar seu lado machista em excesso e sua auto-suficiência em demasia.
Marina, de fala mansa, agrada o eleitorado. Precisa debatar temas nacionais e manter como pano de fundo o meio ambiente. Tem a vantagem de ter se desgarrado do PT, mantido seu idealismo e conviccões. Sua origem humilde, gênesis acreana e companhia de Chico Mendes revela ser do PT puro, original e não do PT genérico que afasta suas melhores cabeças.
Heloisa Helena com seu discurso aguerrido, porém arcaico, perde o encanto. Dilma emPACa. A ausência de cargos eletivos em sua carreira política é um entrave. No momento é o apoio de Lula que a sustenta. A imagem percebida de Dilma pelos eleitores é de uma candidata que precida da bênção de seu chefe.
Serra surfa por possuir recall elevado das últimas eleições e, especialmente, pelo seu desempenho com ministro da Saúde corajoso que colocou os genéricos nas prateleiras das farmácias.
Lula flutua. Sua alta popularidade, apesar dos diversos deslizes de seus companheiros e dele próprio, concede ao presidente uma posição superior nesta eleição. Sabe que se pudesse ser candidato, estaria eleito. Porém, ao colocar um bigode maranhense em sua biografia, Lula abdicou de vez do PT de Marina, Chico Mendes e tantos outros.

3 comentários:

  1. Parece uma avaliação equilibrada. E confirma minha percebção de que sim, teremos uma mulher presidenta, Marina Silva.
    Marcos Peixoto Mello Gonçalves

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  2. Depois das Declarações do Montenegro, quem acredita nas pesquisas deste instituto.

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  3. Olá Luis Antonio,
    Sou leitor das antigas de seu blog, mas somente hoje estou me manifestando. E de cara tomo a liberdade de fazer um trocadilho com seu colaborador. Vou chamá-lo de Mr. Engracia ou Sr. Engraçado. O Sr. Engraçado repete, no texto acima, o lenga-lenga da grande imprensa sobre o Presidente, a Dilma e o Ciro Gomes, mas não vê nenhuma contradição no governo Serra e na canditdura da Marina e no seu novo partido. Além disso, o Sr. Engraçado faz uma grosseria com a Chefa da Casa Civil. Em minha terra, que o "cientista político" não deve conhecer, quem empaca é asno, burro e jumento. Cruzei esse país de carro no início de 2009 numa viagem de São Paulo a Tocantins, e posso garantir que tirando os 120 reais de pedágios gastos no estado de São Paulo, o país aí pra cima tá bombando e com estradas boas, a ferrovia norte sul e outras obras de infra-estrutura do PAC. Porque não dizer que São Paulo está empacada. Que o Metrô dos tucanos (há tantos anos no poder) está empacado embora a maciça publicidade do governo do estado queira dizer o contrário. Nesse caso não vejo nenhum "cientista político" dizer que é necessário haver alternância no poder.
    Quanto a obviedade de que o candidato Ciro Gomes é arrogante, a mesma alardeada pela grande imprensa tranformada em partido de oposição, talvez o Sr. Engraçado esteja incomodado com as ultimas entrevistas do deputado em que ele aponta as contradições da aliança entre a mídia e a oposição.
    Mas, o que mais me incomoda é que o Sr. Engraçado não analisa de fato a pesquisa, seus métodos e processos. A pesquisa é tomada como verdade e sobre ela, ele tece as generalizações já presentes no colunistas da mídia tradicional.
    O deputado Brizola Neto, em seu blog Tijolaço do Brizola (ver http://tijolaco.com/?p=4505) questiona, por exemplo, porque a pesquisa IBOPE/CNI aponta a Dilma com a maior rejeição (em torno de 40%) se a mesma é conhecida de apenas 32% do público pesquisado. Não há uma contradição ou manipulação aí? São esses aspectos das pesquisa que acho interessante e que o Sr. engraçado não trata, prefere malhar o governo federal e seus aliados e proteger Serra. Ou seja, tudo aquilo que a grande imprensa já faz. Não acrescenta, portanto, nada para um blog que se notabilizou pela crítica da imprensa (escrita sobretudo).
    Humberto Pimentel

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