O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), está mostrando sensibilidade política (ou encomendou alguma pesquisa qualitativa) ao se movimentar para tentar melhorar o trânsito da cidade de São Paulo. Como a economia está crescendo e a renda dos mais pobres, aumentando, a violência, que ainda é muito grande, já não é percebida como o principal problema na capital paulista. Agora, o "talk of the town", como gostam dizer os chiques tucanos e democratas, é o trânsito horrível da cidade. Kassab percebeu que este será o seu calcanhar de Aquiles na campanha deste ano e mandou brasa: anunciou a inclusão dos caminhões no rodízio de São Paulo. Se a medida vai dar certo ou não, só o tempo dirá. Claro que alguma coisa deve melhorar, mas analisando a questão como leigo e não especialista no assunto, ao autor destas Entrelinhas a nova restrição parece ser um paliativo. De toda maneira, Kassab se posiciona como alguém que está preocupado com o trânsito e, mais do que isto, como um prefeito que não teme tomar medidas que desagradem o poder econômico. A campanha paulistana realmente promete fortes emoções neste ano.
Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...
Creio que o rodízio de caminhões não significa que o Kassab está preocupado com os problemas do trânsito. Ele está preocupado com o menor impacto "eleitoral" possível. No caso dos caminhões, muitos motoristas moram fora da cidade de São Paulo e não são possíveis eleitores de Kassab. Uma demonstração de que ele não quer arrumar sarna para se coçar é justamente liberar por mais seis meses o tráfego de táxis e carros de passeios nos corredores de ônibus. Estes motoristas sim são possíveis eleitores. É bom lembrar que a liberação dos táxis ocorreu ainda em 2004, como uma medida eleitoreira por parte da atual prefeita que tentou conseguir os votos dos taxistas (classe que apóia Paulo Maluf), então seguindo a mesma lógica, Kassab não faz nada pelo trânsito de São Paulo, só prejudica. É necessário prioridade aos ônibus, estes sim com possibildiade de resolver problemas a médio prazo e lógico, o metrô a longo prazo.
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