quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Audiência recorde em outubro

Faltando algumas horas para o fim do mês de outubro, o contador de visitas do blog acusa para o mês de outubro a maior audiência desde junho de 2006. Diferentemente de alguns meses em que o Entrelinhas foi brindado por chamadas de capa no iG, no blog do Noblat ou em outros veículos que acabam trazendo visitantes e criando picos de audiência que distorcem a média, em outubro este blog conseguiu o recorde sem tal exposição, valendo-se exclusivamente da freqüência diária de seus poucos mas cada vez mais fiéis leitores. Claro, não há como negar que Mônica Veloso ajudou um pouco no começo do mês, quando saiu a Playboy e muitos leitores acabaram por aqui ao digitar nos mecanismos de busca o nome da bela morena. Não, o Entrelinhas, conforme prometido, não publicou fotos da moça como veio ao mundo, mas a internet tem mistérios que a razão desconhece e o blog aparecia nos rankings quando as palavras-chave "mônica veloso fotos" eram digitadas, talvez em função da ampla cobertura que o caso do senador Renan Calheiros recebeu neste espaço.

Outubro, aliás, foi também o mês em que o Entrelinhas conseguiu dar o seu furo mais importante desde a inauguração: foi o primeiro blog a revelar, seis horas antes do fato, que o presidente do Senado pediria oficialmente licença do cargo. A intenção deste blog, porém, não é propriamente correr atrás de notícias, mas comentar e analisar não apenas os fatos, mas também a cobertura que eles recebem na grande imprensa. Sempre com bom humor, porque, afinal, a vida não pode ser chata.

Aos que chegaram aqui pela primeira vez, o Entrelinhas espera recebê-los de volta, sempre que possível. Aos leitores assíduos e frequentadores do blog, seguem os mais sinceros agradecimentos pelo recorde batido. Continuaremos por aqui, errando e acertando, divertindo e irritando, mas procurando acima de tudo fazer uma crítica honesta e sincera, a partir, é claro, de um modo particular de olhar o mundo. Afinal, blog é para isto mesmo...

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Tem nome novo na disputa paulistana

Já circula nos corredores do PT de São Paulo que o deputado estadual Rui Falcão está arregaçando as mangas da camisa para começar a pré-campanha a prefeito de São Paulo. Se Falcão de fato "colocar seu nome à disposição do partido", como gostam de dizer os petistas, será o segundo político ligado à ex-prefeita Marta Suplicy a tentar a vaga - Jilmar Tatto já declarou que é pré-candidato e faz parte do grupo "martista". Também já estão na parada os deputados federais José Eduardo Cardozo e Arlindo Chinaglia, que hoje ocupa interinamente a presidência do Brasil. É possível que as correntes mais radicais também lancem nomes para as prévias. Se Marta decidir concorrer, porém, todos deverão retirar suas pré-candidaturas, à exceção talvez dos radicais de esquerda.

Copa no Brasil: uma janela de oportunidades

O Brasil vai mesmo sediar a Copa do Mundo de futebol em 2014 e esta é uma boa notícia para o país, embora muita gente vá dizer que esta não deveria ser a prioridade para o próximo período. Tudo bobagem, pois o fato do Brasil ter pela frente um grande evento para organizar deve provocar um planejamento de investimentos em melhoria na infra-estrutura para receber os turistas, que por sua vez passarão um mês gastando seus euros e dólares por aqui. Não se trata de uma equação econômica simples, do tipo "quanto vai custar" contra "quanto os gringos vão deixar", a fim de obter um "retorno" monetário no final do processo. É uma equação bem mais complexa e que envolve toda uma série de ações governamentais e privadas em torno do evento. Na soma, a Copa acaba sendo uma grande janela de oportunidades e uma chance enorme do país vender suas potencialidades para o mundo. Claro, se não fizer feio daqui até lá...

Um xerife emotivo

A solerte repórter Patrícia Acioli cobriu para o DCI um evento, realizado na noite de ontem, para celebrar a filiação do senador paulista Romeu Tuma ao PTB. E enviou para este blog algumas impressões sobre o que se poderia chamar de "estado de espírito" da política nacional nos dias de hoje. Abaixo e nas duas próximas notas, algumas das impressões da repórter. O resto, só na edição de quarta-feira do DCI.

O PTB de São Paulo, o PTB de Campos Machado, o mesmo PTB de Roberto Jefferson e Fernando Collor, abriu as portas, ontem, para dar as boas-vindas oficialmente ao mais um novo integrante da família trabalhista: o xerife do povo, o senador escanteado pelos democratas, Romeu Tuma.

No evento não faltaram os componentes que fazem da política a política: sangue prometido em discursos, suor dos correligionários amarrotados em uma sala apertada, assistindo em pé e por quase quatro horas a tropa de choque do partido contar velhas histórias sobre eles próprios e cobrir de elogios o noviço. E, é claro, as lágrimas. Política sem lágrimas não é política. Tuma, que chegou trazendo o seu filho, não reeleito na última disputa, chorou ao fazer juras de fidelidade e amor para a nova sigla.

Emotivo, o xerife.

Bob Jefferson e a próxima vítima

Abaixo, a segunda reflexão da repórter do DCI:

Vamos concordar: Roberto Jefferson é quase um folclore na tentativa de ser história. Ele veio a São Paulo prestigiar Romeu Tuma. Com a entrada do senador paulista no partido, o PTB tem agora 10% do Senado para "trabalhar" suas propostas. Talvez isto tenha mobilizado Bob Jefferson a viajar em uma segunda-feira chuvosa na capital paulista.

Mas vamos concordar: Roberto Jefferson é antes de tudo um humilde. Começou sua oratória reconhecendo que somos todos humanos com virtudes e defeitos. E assim também era o PTB, cheio de virtudes e defeitos. Mas Bob ressaltou que, diferentemente das demais siglas, o PTB não se vende para votar com o governo. E não se entrega por tentações menores - Freud talvez explique.

Durante o "batismo" – como chamou as boas-vindas a Tuma –, Jefferson narrou novamente o percurso que percorrem aqueles que caminham para colocar a cabeça na guilhotina. O problema, disse o líder trabalhista, é que os carrascos neste caso são seus pares... E para ser julgado pelos pares é preciso ter nervos de aço. De aço mesmo, deputado.

Relatando sua história e a de seu amigo Fernando Collor, Bob lembrou da solidão que passam os que são abandonados no final. Abandonados pelos amigos. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) deveria ter ouvido tal discurso. Jefferson contou que ficava com Collor até as 5h30 em sua casa. Ao seu lado, em um gesto de lealdade canônica, para depois ver no Congresso os mesmo que lhe apertavam a mão e sorriam na noite anterior votarem pela cassação

Se a história se repete como farsa, a temporada de apostas está aberta. Não, não é sobre quem será o próximo presidente do Senado, mas sobre quem será a próxima bola da vez. A próxima vítima...

O lado verde do PTB e o convite a Al Gore

A última nota de Patrícia Acioli sobre o evento de ontem. Será que Fernando Gabeira vai ficar com inveja dos petebistas?

O convite do PTB para o ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, comparecer ao congresso ambiental do partido é a prova concreta de que o céu não tem limites. Pelo menos no mundo político, onde discurso e verdade não se misturam. O PTB, como outros partidos que se tornaram "pop" buscando uma ou outra fórmula de "modernização", nao achou suficiente ter em seus quadros celebridades do calibre do Frank Aguiar ou Marcelinho Carioca. Como disse ontem o líder Campos Machado, é preciso continuar sonhando...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Mombaça 2, o retorno

Já comentamos aqui, mas voltou a acontecer: o pessoal do gabinete do presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), é mesmo muito criativo. Se o e-mail abaixo reproduz o pensamento do senador, a Nação está diante de um novo "imperador de Mombaça". Para quem não lembra ou era muito jovem para saber, em 1989 o então presidente da Câmara dos Deputados Paes de Andrade (PMDB) assumiu a presidência da República em uma viagem do titular do cargo, José Sarney, e decidiu levar uma comitiva de 63 pessoas para a sua cidade natal, Mombaça, no Ceará. O boeing presidencial desceu em Fortaleza e de lá 25 carros oficiais do governo do Estado foram requisitados para levar a turma até a cidade interiorana. Andrade foi recebido com bandinha de música e honras de presidente da República. Para justificar a pajelança, inaugurou uma agência do Banco do Nordeste que já funcionava havia dez meses.

Pelo que vai abaixo, Tião Viana tem com o Acre a mesma relação que Andrade tinha com Mombaça. Mas o mais interessante mesmo é o estilo do, digamos assim, redator responsável pelo boletim do gabinete do senador: afinal, não é todo mundo que consegue a felicidade de dizer que o chefe foi recebido por "uma pequena multidão de admiradores". Sorry, mas é impossível não ser politicamente incorreto: "pequena multidão", nem em Lisboa, ó pá...

-----Mensagem original-----
De: Assessoria de Comunicação Gab. Senador Tião Viana [mailto:imptiaovian@senado.gov.br]
Enviada em: segunda-feira, 29 de outubro de 2007 13:12
Para: Redação - Panorama/DCI
Assunto: TIÃOnline - Correio da Boa Notícia - Edição de 29/10/2007

Correio da Boa Notícia

Tião Viana se emociona com calorosa recepção de amigos

Desde que assumiu interinamente a presidência do Senado, no dia 15 de outubro, o senador Tião Viana retornou pela primeira vez ao Acre, ontem à noite. Ele foi recebido por uma pequena multidão de admiradores que animou o ambiente do aeroporto internacional. A partir das 19 horas começou a chegar gente ao aeroporto, imaginando que o senador chegaria às 21 horas. Mesmo a chegada tendo acontecido às 23h:15min, grande parte das pessoas não arredou pé do local e esperou pacientemente a chegada do avião que trazia o senador de Brasília. Leia mais..
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sábado, 27 de outubro de 2007

Os erros da esquerda sobre Tropa de Elite

O autor destas Entrelinhas já estava se sentido um verdadeiro ET, mas finalmente viu o filme que todo mundo anda comentando. E achou Tropa de Elite excelente, bem acima da expectativa que tinha a respeito da fita. É violento? Sim, Tropa de Elite é violento, mas não mais do que Pixote ou Carandiru, por exemplo. Na verdade, a polêmica que o filme causou se deve muito menos à violência presente na tela do que a um certo esforço de setores da intelectualidade em estigmatizar Tropa de Elite e o protagonista, o capitão Nascimento, como uma fabricação da direita a serviço da visão linha-dura da política de segurança no país, especialmente no Rio de Janeiro. Ou, em outras palavras, que o filme é "fascista" porque estaria a indicar medidas de força como as únicas possíveis para o problema da violência.

Vamos por partes. Primeiro, dá para compreender este tipo de leitura do filme, mas ela é profundamente injusta. Na verdade, intelectuais de esquerda têm uma dificuldade grande para formular idéias razoáveis na área de segurança pública. Em geral tratam a questão a partir do que escreveu o filósofo Michel Foucault, autor de Vigiar e Punir – e mesmo isto está presente no filme, em uma passagem que se revela bastante irônica com Foucault. Portanto, para a maior parte da militância de esquerda, segurança é sinônimo de "aparelho repressor do Estado" (capitalista, naturalmente). Partindo deste referencial, de fato sobra muito pouca coisa além de pregar a melhoria das condições de vida dos mais pobres, como se isto pudesse significar necessariamente uma diminuição da violência. É até óbvio que a violência seja menor com a redução da desigualdade social, mas isto não é suficiente e deixa de fora fenômenos importantes como o tráfico de drogas. Afinal, que outra atividade – concessões de estradas em gestões do PSDB à parte – tem taxa de retorno tão alta? Em outras palavras, não basta apenas trazer perspectivas de educação e emprego para os pobres, porque o tráfico é uma máquina de fazer dinheiro a serviço de uma melhoria rápida e profunda na vida dos que com ele se envolvem, em que se pesem os riscos envolvidos na atividade.

A questão das drogas

A esquerda certamente se irrita com a forma com que os estudantes maconheiros e cheiradores são apresentados no filme. Mas o que se apresenta ali é uma caricatura, necessária para o que o diretor se propôs a discutir. Afinal, não é simplismo algum dizer que o sujeito que cheira cocaína está, em última análise, financiando um esquema criminoso que resulta nas mortes e verdadeiras carnificinas nos morros. Isto é fato, não é simplificação. Quem toma Red Label pode eventualmente matar alguém no trânsito, mas jamais terá fornecido recursos ao crime organizado (a menos, é claro, que compre a bebida de contrabandistas)...

No fundo há duas formas de ver as coisas quando o assunto é droga: ou se defende a liberação total e completa de todo tipo de substância tóxica, como defendem muitos economistas liberais da Escola de Chicago, sob a alegação de que o custo para combater o tráfico é mais alto do que os benefícios deste combate; ou se enfrenta o tráfico e se reprime o consumo. Uma parte da esquerda aceita bem a idéia da liberação das drogas e pode assim ter motivos para a indignação com a maneira como o filme trata os jovens consumidores. A parte da esquerda que concorda com a proibição dos tóxicos, porém, também reclama e se apega na questão dos "direitos humanos" – exige da polícia tratamento, digamos, mais civilizado com o tráfico e também alguma tolerância com os consumidores. A segunda postura, no fundo, é apenas uma fuga do debate real.

Herói para quem precisa


Voltando ao filme, o que o diretor José Padilha fez foi mostrar as várias faces de uma questão bastante complexa, qual seja a da violência urbana que em boa parte, mas não apenas, se deve ao tráfico de drogas. O capitão Nascimento, protagonista de Tropa de Elite, não é retratado de forma alguma como um super-herói: tem síndrome do pânico, bate em mulher, faz uso da tortura e é assumidamente um justiceiro.

Aliás, alguém já escreveu, em observação bastante perspicaz, que Padilha não utiliza certas artimanhas, muito comuns em filmes norte-americanos, para fazer o público simpatizar com o "herói": ninguém ameaça o filho do capitão ou mexe com a mulher dele. Pode-se acrescentar que também não há nenhum momento em que Nascimento sofra uma emboscada ou apareça em situação difícil da qual consegue se livrar milagrosamente.

Na verdade, o fato de boa parte do público aceitar o capitão Nascimento como herói diz mais a respeito de um estado de espírito presente na população, especialmente no Rio e São Paulo, do que é propriamente fruto da intenção do diretor. É evidente que para quem já sofreu ou sofre com a violência urbana, o modo de agir do Batalhão de Operações Policiais Especiais acaba sendo celebrado como solução, até porque na polícia convencional, como o filme deixa claro, poucos confiam...

Assim, não se pode dizer que o filme seja fascista, embora parte do público esteja ávida por soluções fascistas para a tragédia da violência brasileira. Quando o capitão Nascimento diz que que entra no Bope está indo para guerra, isto é apenas verdadeiro e não havia outra forma para o diretor de Tropa de Elite retratar tal realidade.

No fundo, do ponto de vista da esquerda, melhor do que discutir se o filme está a serviço da direitosa política linha-dura da segurança é tentar formular com alguma clareza o que deve ser uma política cidadã de segurança pública. Nas atuais circunstâncias, o autor destas mal traçadas entrelinhas duvida que fosse possível prescindir de gente como o capitão Nascimento e de uma tropa de elite tal e qual a do Bope. Por uma razão simples: há mesmo, nas duas maiores cidades do país e em alguns entrepostos ou municípios estratégicos para o tráfico, como Campinas, uma guerra urbana em andamento. Infelizmente, é esta a realidade hoje e dá para entender o motivo de tamanho entusiasmo com o Bope. Em tempos de paz quem sabe o Batalhão de Operações Policiais Especiais seja simplesmente desnecessário e o capitão Nascimento compreendido apenas e tão somente como um personagem de dias confusos que o país enfrentou. É pelo que nos resta torcer.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Não custa repetir: é a economia, estúpido...

Tem gente que acha que o presidente Lula é popular por causa do Bolsa Família. Claro, programas sociais ajudam. Mas o que sustenta a altíssima aprovação ao governo de fato é a performance da economia, como se pode ver na notícia abaixo, na versão do Valor Online. Alguém pode dizer: mas 9% ainda é muito. De fato, é muito. Mas é apenas a menor taxa de toda a série histórica. Depois reclamam quando Lula diz que "nunca antes neste país..."


Taxa de desemprego cai para 9% em setembro, informa IBGE
RIO - A taxa de desemprego teve queda de 0,5 ponto percentual no mês passado, perante agosto, e marcou 9% da população economicamente ativa (PEA). Em relação a setembro de 2006, quando a taxa de desocupação foi de 10%, o recuo foi um pouco maior.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média de desocupação entre janeiro e setembro foi de 9,7%, a menor para esse intervalo de toda a série histórica da pesquisa.

O contingente de desocupados nas seis regiões pesquisadas caiu 5,4% (120 mil) perante agosto, para cerca de 2,1 milhões de pessoas. Ante setembro de 2006, a diminuição desse contingente foi de 197 pessoas, ou 8,6%.

De acordo com o levantamento, o número de pessoas ocupadas cresceu em 201 mil (1%) na comparação mensal, para cerca de 21,3 milhões. Na relação com setembro do ano passado, esse contingente subiu 2,7% - o equivalente a 551 mil pessoas.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O espaçoso Tiãozinho

O senador Tião Viana (PT-AC) definitivamente não é homem de pequenas ambições. E a julgar pelo e-mail reproduzido abaixo, sua assessoria parece estar gostando da nova condição – com o afastamento de Renan Calheiros, Tião se tornou presidente do Senado. Alguém poderia lembrar ao pessoal todo que Viana é apenas presidente interino. Um pouco de discrição não faria mal algum.


-----Mensagem original-----
De: Assessoria de Comunicação Gab. Senador Tião Viana [mailto:imptiaovian@senado.gov.br]
Enviada em: quarta-feira, 24 de outubro de 2007 13:06
Para: Redação - Panorama/DCI
Assunto: TIÃOnline - Correio da Boa Notícia - Edição 24/10/2007

Correio da Boa Notícia

Ala Ruy Carneiro - Gabinete 01 - Senado Federal 70165-900 - Brasília -DF fones: 61. 3311- 4546 /3311- 3038 Fax: 61 3311 2955 -mail: imptiaovian@senado.gov.br Maiores informações www.tiaoviana.com
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Acre manifesta satisfação por Tião Viana

Chegada do senador a um dos postos mais importantes da República é motivo de orgulho para a política acreana

"A posse de Tião Viana num dos cargos mais alto da República não é um fato isolado em si. Reflete, também, o acerto político, podem ter certeza, que o nosso Estado vem experimentando desde a subida ao poder da Frente Popular e seus aliados. Tião Viana, para mim, já não é mais uma surpresa política. Sua capacidade de gestão em favor dos interesses locais e nacionais em Brasília o credenciou para assumir a presidência do Senado e isso orgulha a todos os acreanos de uma forma ou de outra". Leia mais...


Tião quer baixar ¿pacote moralizador¿ no Senado

O presidente interino do Senado está mesmo decidido a fazer uma gestão de efetivo. Tião Viana (PT-AC) discute nesse momento com a Mesa diretora do Senado a adoção de um conjunto de providências "moralizadoras".

A principal delas é a obrigatoriedade da divulgação da prestação de contas da chamada verba de gabinete ¿R$ 15 mil mensais que cada um dos 81 senadores recebe mensalmente, além do salário, para custear despesas como gasolina, aluguel de escritórios e contratação de prestadores de serviço. Leia mais...


Mesa adia decisão sobre abrir "caixa preta" do Senado

Gabriela Guerreiro da Folha Online, em Brasília

A Mesa Diretora do Senado chegou a discutir a proposta do senador Tião Viana (PT-AC) para abrir a chamada "caixa preta" da Casa Legislativa nesta manhã. Mas adiou a decisão sobre a divulgação dos dados para que os líderes partidários possam dar o aval à mudança.

O petista defende que, a exemplo do que já ocorre na Câmara, o Senado disponibilize na internet os gastos dos parlamentares com a chamada "verba indenizatória" --recursos que somam R$ 15 mil mensais para gastos dos parlamentares nos Estados. Leia mais...


Tião Viana: senador do Brasil, orgulho acreano

O senador Tião Viana está recebendo mensagens carinhosas de todo o país. Confira algumas delas. (As mensagens foram editadas e/ou resumidas)

¿Sou do Acre, tenho grande admiração pelo Senador Tião Viana, principalmente pelas coisas que ele traz para Rio Branco, ultimamente até uma oftalmologista de São Paulo ele trouxe para nossa casa. Sou muito grata. Aliás, foi através dela que minha irmã pôde ver a \¿bela¿\ cor do nosso mundo. Ela tinha sido desenganada em quase todos os estados brasileiros. Quando conheceu o Senador as coisas começarem a clarear. Ela foi atendida pela mesma oftalmologista que acabei de citar e o milagre aconteceu. Ela enxerga muito bem, estamos super felizes e agradecidos pelas coisas boas que o nosso Senador consegue para o nosso estado. Um grande abraço, Senador Tião, o senhor merece muitas bênçãos. Só Deus pode lhe gratificar, afinal somos pessoas que reconhecemos as coisas que as pessoas fazem por nós.¿

Zilda Araújo Bezerra
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Festival Yawa ¿ um encontro poético

Adriana Mariz*

O VI Yawa - Festival de Canto, Dança, Expressão Artística, Manifestação Cultural e Espiritual do povo Yawanawa - realizado entre os dias 25 e 30 de agosto, na Aldeia Nova Esperança, Terra Indígena situada às margens do Rio Gregório, trouxe, a todos nós, que participamos do encontro, a sensação de que o bem-estar é feito de coisas simples e de que é preciso muito pouco para se sentir em paz. Na realidade, basta um pouco de boa-vontade e um punhado de disposição para enfrentar os quase 500 km de estrada que separam Rio Branco de Tarauacá e as cerca de oito horas de viagem de barco, por entre paus e bancos de areia, rio acima, de Tarauacá até a aldeia. Leia mais...

Sonhos de Che Guevara continuam vivos, lembra Tião Viana

Os sonhos, a ousadia, o destemor, a preocupação social e o idealismo de Ernesto Che Guevara fazem ainda hoje do líder revolucionário uma das mais notáveis expressões políticas da atualidade. Foi assim que o presidente interino do Senado, Tião Viana, homenageou o líder argentino na sessão especial requerida pelo senador José Nery (PSol-PA ).

Primeiro orador na sessão de homenagem desta terça-feira (23), Tião Viana relembrou a trajetória pessoal e política de Che Guevara, estudante de Medicina que deixou Rosário, em Santa Fé, para percorrer o continente sul-americano e lutar pela revolução socialista na América Latina. Leia mais...

Avança no Senado projeto de Tião Viana que vai melhorar a saúde no país

Brasília - O presidente interino do Senado, Tião Viana, avalia que a não aprovação da prorrogação da CPMF, o ¿imposto do cheque¿ pode significar uma perda inestimável para a área de saúde pública. No entanto, o mais importante para o setor, segundo Tião Viana, é aprovar a regulamentação da Emenda Constitucional nº 29, que prevê a aplicação de recursos mínimos para o financiamento das ações e serviços públicos de saúde. Leia mais...

Tião Viana homenageia PUC do Rio Grande do Sul

Brasília- O presidente em exercício do Senado, Tião Viana (PT-Acre) homenageou na Casa os 60 anos de existência da Pontifícia Universidade Católica (PUC), reconhecendo o valor histórico da instituição. Leia mais...

Recursos liberados para Marechal Thaumaturgo

Ordem bancária para a prefeitura de Marechal Thaumaturgo, creditada pelo Ministério da Saúde para aquisição de equipamentos e material permanente. Leia mais...

Tião Viana defende acordo para votação da CPMF

O presidente interino do Senado, Tião Viana, aposta num acordo político para garantir a votação da CPMF até o final do ano. Logo que chegou ao Senado, nesta segunda-feira (22), Tião Viana destacou a importância da matéria e a necessidade de um entendimento político entre governo e oposição, ¿respeitando as convicções e as ponderações ideológicas que devem nortear uma decisão dessa natureza, que envolve aspectos tributários, responsabilidade social e política de governo.¿ Leia mais...
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Dilma e a teoria do beijo na testa

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para o Correio da Cidadania. Pitacos precoces sobre a sucessão do presidente Lula. Na íntegra, a seguir:

Antes de falar das chances e atributos da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, em uma ainda longínqua, mas cada vez mais presente campanha eleitoral de 2010, vale a pena a leitura do diálogo abaixo, entre o jornalista Paulo Henrique Amorim e um motorista de táxi de Salvador, que iniciou a conversa:

– Cada um vai para o seu canto.

– Vai alguém para o canto de Jacques Wagner?

– Vai, respondeu o Souza, “e alguém agüenta ficar três anos fora do puder? (Puder, com u mesmo.)

– E quem é o puder?, perguntou o jornalista.

– É Jacques Wagner aqui e Lula no Nordeste, respondeu Souza.

– E no Brasil ?

– No Sul, não sei como é que é.

– Você entende é da Bahia...

– Sim, e aqui sempre votei em ACM e em Wagner.

– Mas, como assim, em ACM e Wagner?, perguntou Amorim, perplexo.

– ACM arrumou o emprego da minha filha na Ford. Voto nele sempre que for preciso. Mas não na turma dele. Voto NELE!

– E Wagner?

– Porque Wagner é Lula.

– E porque Lula é tão importante assim?

– Porque, “a nível de Nordeste”, só tem pra Lula...

– Ah, é o Bolsa Família...

– Não, eu não tenho nada com o Bolsa Família, não. Eu sou diabético e por causa da Drogaria do Povo, hoje pago 10% do que eu pagava por meus remédios, explicou Souza.

– E quem você acha que vai suceder o Lula?

– Wagner!

– Mas você acha que Wagner entra no Sul?

– No Sul, não sei, mas, ‘a nível de Nordeste’, é só ele.

– E lá no Sul, quem pode ser?

– Bom, meditou o Souza, tem o Aécio e o Serra.

– É, parece que é, confirmou o jornalista.

Souza continuou sua análise, “a nível do Sul”:

– O Aécio pode ser, mas o Serra, depois de tudo o que ele já disse do Lula, acho muito difícil ele sair candidato.

– Mas, péra aí, Souza, ele pode sair candidato CONTRA o Lula, argumentou Amorim.

– Ah, mas ai não dá. O cara só se elege se o Lula der um beijo na testa...

Além de divertido, o diálogo serve como uma fotografia da realidade política do Nordeste brasileiro hoje. A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na região é espantosa, basta lembrar que na última pesquisa realizada pelo instituto Sensus, em abril, a aprovação dos nordestinos a Lula passou de 80% – exatos 82,9% contra a média nacional de 63,7%. É bastante provável que o presidente se torne uma espécie de mito na região, o que não impede, como fica claro no diálogo, que caciques locais, ainda que adversários do PT e de Lula, consigam sobrevida política em seus estados.

Onda feminina e as pedras no caminho

O Brasil é realmente muito mais complicado do que parece à primeira vista. Nos últimos dias, jornalistas e analistas políticos têm comentado a suposta disposição da ministra Dilma Rousseff, para ser candidata à sucessão de Lula. Alguns se animam com a “tendência internacional” da eleição de mulheres: a lista é longa e tem em Cristina Kirchner (Argentina), Angela Merkel (Alemanha), Michelle Bachelet (Chile) e Hillary Clinton (EUA) alguns exemplos já entronados ou em vias de chegar lá. Outros afirmam que Dilma é a única solução politicamente viável no PT e que o partido de Lula jamais aceitaria ficar de fora ou compor chapa em 2010. Há até os que chegam a afirmar peremptoriamente que Dilma já recebeu o “beijo na testa” de Lula e foi ungida à condição de “plano A” do atual chefe do governo federal.

É melhor ir devagar com o andor, o santo é de barro. Quem conhece minimamente o Partido dos Trabalhadores sabe que à exceção da inconteste liderança de Lula, nada por lá é resolvido de forma fácil e tranqüila. É da natureza dos petistas a disputa interna, muitas vezes acirrada e dura. Até mesmo o presidente Lula teve de disputar uma prévia em 2002, por causa da insistência do senador Eduardo Suplicy em levar a sua pré-candidatura adiante... Ademais, como se sabe, o PT só teve um candidato à presidência do Brasil em toda a sua história. Em 1998, Lula dizia que não disputaria, deixou o jogo correr, mas matou politicamente as lideranças que se apresentaram como alternativa na disputa – o atual ministro da Justiça, Tarso Genro, é o exemplo mais notável.

Processo complicado

A escolha de um nome para a sucessão de Lula, portanto, não será algo tão simples quanto parece. Ademais, o presidente tem reiterado que gostaria de ver a sua base aliada seguir unida para a eleição, a fim de enfrentar o oposição, hoje curiosamente melhor posicionada nas pesquisas de intenção de voto não por méritos próprios, mas justamente pela ausência de um nome que a população perceba vinculado ao presidente. Não, ele não pode ser candidato, mas coloque-se o presidente Lula na pesquisa e o tamanho da oposição será outro.

De toda maneira, também não há um “nome natural” a unir os partidos da atual aliança. Ciro Gomes (PSB) é quem mais se aproxima deste perfil, com a vantagem de já ter concorrido à presidência, mas há setores do PT bastante resistentes ao cearense, até pelo seu passado de homem da Arena e do PSDB. Nelson Jobim, se bem sucedido no ministério da Defesa, pode também se tornar uma opção viável, mas sofre ainda mais com a restrição dos petistas mais à esquerda, que o tem como grande amigo de Fernando Henrique Cardoso e o consideram o mais tucano dos peemedebistas.

Com este cenário, muitos analistas pensam que Lula pode optar por entrar na disputa com vários cavalos – Ciro, sem dúvida; um peemedebista que pode ser Jobim ou o governador do Rio, Sérgio Cabral; e um petista. Dilma seria, hoje, a favorita, à frente de Tarso Genro por estar mais próxima do chamado núcleo duro do Planalto (o ministro da Justiça nem sequer faz parte da corrente majoritária do PT). A ministra de fato tem alguns bons atributos para a disputa: assumiu a gerência do governo com discrição, foi crescendo como liderança relevante, adquirindo um status maior do que o inicial e deixando para trás a sombra do super poderoso José Dirceu. Dilma é gaúcha, região onde Lula é pior avaliado no país, tem fama de ser durona, foi guerrilheira, e não há uma única denúncia no campo ético contra ela. Enfim, na mão de um marqueteiro experiente, é um “produto” bem vendável: com um pouco de treino, se comunicará melhor e conseguirá maior empatia com os eleitores.

O problema real, porém, não é a viabilidade eleitoral da ministra, mas o cenário político. Em uma disputa com vários cavalos, a população pode achar que Lula não beijou a testa de Dilma, para lembrar a conversa de Paulo Henrique e o taxista. A ministra só vence a eleição se a economia continuar indo bem, é óbvio, e se o povão reconhecer nela a marca do presidente Lula. A grande questão é saber se Lula vai querer mesmo beijar a testa de alguém...

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Não estava no script

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) não gostou nada do resultado da reunião da Mesa Diretora do Senado desta terça-feira, em que foi arquivada a representação contra o colega Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e adiado o encaminhamento da sexta denúncia contra o próprio Calheiros. Aliados do presidente licenciado do Senado acham que o PT não está jogando conforme o combinado. E sentem que foram jogados para escanteio, com raio de manobra cada vez mais reduzido para tentar escapar de uma sentença negativa nos episódios que restam.

PCdoB agora entende de impedimento

A notícia abaixo, da Folha Online, é mais uma prova da avacalhação da política brasileira: até o PCdoB se deixou levar pela via eleitoreira e por uma maneira de ver a política como espetáculo totalmente fora do padrão adotado pelo partido até aqui. Antes que alguém faça comentários maldosos, é preciso dizer que a deputada federal Manuela D'ávila, sem dúvida uma mulher muito bonita, é um caso totalmente diferente de Ana Paula, pois tem militância no movimento estudantil e história no partido. Já a bandeirinha que fez sucesso na revista Playboy deve entender tanto de socialismo quanto Aldo Rebelo conhece as regras do impedimento no futebol.

É bem verdade que tudo na vida evolui: que ninguém estranhe, portanto, se Ana Paula Oliveira sair por aí citando Marx e Engels. Muito menos se os parlamentares comunistas forem chamados para participar de programas esportivos a fim de analisar os "tira-teimas" ao lado dos Milton Neves da vida...

Tudo somado, João Amazonas deve estar se revirando no túmulo.


De olho em 2008, PC do B filia bandeirinha Ana Paula Oliveira

REGIANE SOARES

Enquanto PTB, PPS e PT do B filiaram artistas, famosos e celebridades para lançar como candidatos nas eleições de 2008, o PC do B de São Paulo escalou um time de esportistas, como a bandeirinha Ana Paula Oliveira e o mesatenista Hugo Hoyama, para "fortalecer o partido" e, "quem sabe", um deles entrar na disputa eleitoral.

A presidente estadual do PC do B, Nádia Campeão, confirmou as recentes aquisições do partido e garantiu que nenhum dos novos filiados tem o compromisso de se candidatar. Porém, não descartou a possibilidade de a bandeirinha Ana Paula disputar uma vaga na Câmara de Vereadores de São Paulo. "Essa possibilidade existe", afirmou.
11.jun.2007/Eduardo Knapp/Folha Imagem
Ana Paula disse que foi procurada por vários partidos, mas escolheu o PC do B
Ana Paula disse que foi procurada por vários partidos, mas escolheu o PC do B

A bandeirinha disse que se filiou ao PC do B "dentro do tempo hábil" --antes de 5 de outubro de 2007-- para disputar as eleições de 2008, mas não com a intenção de se candidatar. "Pode ser que na convenção indiquem o meu nome, mas minha prioridade é o futebol", afirmou.

Ana Paula disse que foi procurada pelo PMDB e pelo PSDB, mas escolheu o PC do B porque admira o deputado Aldo Rebelo (SP) e o ministro do Esporte, Orlando Silva, líderes do partido. Além disso, a bandeirinha ressaltou que nos atuais escândalos políticos, não ouviu falar do PC do B. "Isso é um sinal de credibilidade. E eu construi o que construi com credibilidade", comentou.

Antes da filiação partidária, a fama e a beleza da bandeirinha renderam a capa da revista "Playboy" de julho deste ano.

Apesar de a presidente do PC do B ter confirmado a possibilidade de Ana Paula se candidatar a vereadora de São Paulo, a bandeirinha não quis confirmar se o seu domicílio eleitoral é na capital paulista ou em Hortolândia (105 km a noroeste de SP), onde tem família e desenvolve um trabalho social para a prefeitura.

"Não vou falar [qual é o domicílio eleitoral]. Não quero criar especulações sobre isso", disse.

A bandeirinha confirmou que é funcionária comissionada da Prefeitura de Hortolândia, administrada pelo petista Angelo Perugini. Porém, disse que o PT local "não julgou interessante" sua filiação ao partido.

Nas eleições de 2004, o PC do B elegeu o ex-jogador de futebol Ademir da Guia como vereador de São Paulo. Em setembro de 2005, Ademir se desfiliou do partido após ser acusado de desviar parte do salário dos funcionários de seu gabinete.

A reportagem não localizou o mesatenista Hugo Hoyama.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Uma sugestão de data comemorativa

Além de coordenar a Frente Parlamentar GLS, o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) está realmente empenhado em cativar este, digamos, nicho eleitoral. Desde que chegou à Assembléia, Giannazi já propôs a criação de três datas comemorativas, a saber: dia estadual da visibilidade lésbica; dia do orgulho lésbico; e dia da luta contra a homofobia.

O autor destas mal traçadas não entendeu muito bem por que é necessário um dia para a visibilidade e outro para o orgulho, mas reconhece que o deputado do PSOL é um rapaz muito determinado em ajudar a causa.

A ação de Giannazi pode até ser meritória, mas o Entrelinhas como sugestão que suas excelências pensem também em criar o dia da visibilidade hetero. Até porque, do jeito que as coisas andam, vai chegar o dia em que seremos minoria...

domingo, 21 de outubro de 2007

Giannazi comanda Frente Parlamentar GLS

O PSOL parece continuar, digamos assim, na vanguarda dos movimentos sociais. Nesta semana, precisamente na quarta-feira, dia 24 (não, não deve ser coincidência), será lançada na Assembléia Legislativa de São Paulo a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Comunidade GLBTT, coordenada pelo deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL).

Segundo o pessoal do PSOL, o objetivo da iniciativa é combater a homofobia no Estado e propor políticas públicas para proteger as pessoas que, por determinadas opções sexuais, acabam vitimizadas pelo preconceito ou ignorância.

Muito bonito, de fato. Giannazi é um nome ainda cotado no PSOL para a disputa da prefeitura de São Paulo em 2008, embora a preferência hoje seja pelo deputado federal Ivan Valente. Se Marta Suplicy, Soninha, Gilberto Kassab e Carlos Giannazi estiverem na disputa, o eleitor GLS vai ter muita opção de escolha, para dizer o mínimo. Vai ser aquela dúúvida na hora de "apertar confirma"...

Ah, e tem ainda o Clodovil, correndo por fora!

Não dá mais: tricolor já é pentacampeão

Seguindo o clima esportivo do domingão, o São Paulo fez bonito e não deixou o fantasma do piloto Hamilton assombrar o Morumbi: ao derrotar o Cruzeiro por 1 a 0, praticamente sagrou-se campeão brasileiro de futebol pela quinta vez.

O autor do blog, aliás, propõe um desafio: se o tricolor não levar, publica aqui uma foto do alvinegro paulista e envia um Red Label a cada leitor-apostador. Caso o pentacampeonato seja confirmado, os leitores-apostadores enviam o Red para endereço a ser divulgado proximamente. As inscrições estão abertas por e-mail.

Palpite esportivo

Räikkönen vai ser campeão do mundo de Fórmula 1 neste domingo. Corrida de automóvel não é o forte do Entrelinhas, vamos ver o que vai dar...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Perguntar não ofende

A nota abaixo é da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo:

NOVO ENDEREÇO - A jornalista Miriam Dutra, da TV Globo, deixou Barcelona depois de 11 anos na cidade. Ela foi transferida para Londres, onde passa a integrar a equipe de Marcos Losekan, chefe do escritório da Globo na cidade.

A pergunta que não quer calar é simples: alguém lembra qual foi a última matéria realizada pela jornalista para algum dos telejornais da TV Globo?

Para quem não sabe, Miriam Dutra é mãe de um menino chamado Tomás. O pai dele atende pelo nome de Fernando Henrique Cardoso. A imprensa brasileira achou um horror que Renan Calheiros tenha usado um amigo lobista para pagar a pensão alimentícia de sua filha com Mônica Veloso. Mas nunca deu um pio sobre o caso de FHC.

Não é no mínimo esquisito que a TV Globo, uma concessionária de serviço público, pague salários e mantenha uma jornalista no exterior sem que ela realize uma mísera pauta para seus telejornais?

Como diria o gaiato, cada um com seus problemas.

Aborto abre crise no PSOL

O artigo abaixo, de Gilberto Maringoni, foi publicado no Correio da Cidadania, dirigido pelo ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio, candidato do PSOL ao governo de São Paulo em 2006. Maringoni integra o Diretório Nacional do partido e tornou pública a desavença com a presidente da agremiação, a ex-senadora Heloísa Helena, sobre a questão do aborto no Brasil. É bom lembrar que Helena já foi vaiada em um Congresso do PSOL por conta da defesa que faz da proibição da prática. Leia abaixo o artigo de Maringoni.


O que quer Heloísa Helena?

O PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE (PSOL) ESTÁ SOB ATAQUE. A agressão não vem da direita, do governo ou da imprensa. Ela parte de quem, em tese, deveria ser a principal defensora das decisões da agremiação, sua presidente Heloísa Helena Lima de Moraes Carvalho. Derrotada democraticamente no debate sobre o direito ao aborto, no Congresso do partido, ela está, publicamente, investindo contra e desqualificando a posição coletiva. Se formos ao pé da letra, a ex-senadora está abrindo uma dissidência.

Vamos explicar o caso. Entre os dias 7 e 10 de junho último, o PSOL realizou seu I Congresso Nacional, no Rio de Janeiro. Foi o mais importante esforço coletivo que o partido realizou até hoje. Uma das principais resoluções, debatida e aprovada por ampla maioria, diz o seguinte:“O PSOL defende a descriminalização e legalização do aborto, conjugadas a uma política de saúde sexual e reprodutiva nos marcos do SUS (Sistema Único de Saúde), universal, pública, de qualidade”.

Como afirma uma nota aprovada pelo Diretório Regional de São Paulo, dois meses depois: “Além de esta resolução representar um grande avanço para o partido e de sintonizá-lo com uma bandeira histórica das lutas das mulheres brasileiras, ela integra um conjunto de deliberações que visam construir uma alternativa à esquerda em nosso país, baseada numa cultura política solidária, fraterna, democrática e coletiva”.

Pois bem. Qual não foi a surpresa da militância ao saber, pela imprensa, que a presidente do partido foi uma das principais oradoras no lançamento de um certo “Movimento Brasil sem Aborto", no último dia 1º de agosto, e de uma “Marcha Nacional da Cidadania em Defesa da Vida”, sobre o mesmo tema, quinze dias depois, em Brasília. Presentes , estavam alguns dos setores mais conservadores de diversas igrejas. Entre várias declarações, a ex-senadora afirmou que “A legalização do aborto não é uma proposta moderna. É conservadora e reacionária” (ver em www.cnbb.org.br/index.php?op=noticia&subop=16111 ).

Ninguém pode exigir que a ex-senadora Heloísa Helena contrarie suas legítimas convicções individuais e se engaje numa campanha pela descriminalização do aborto. Ao mesmo tempo, por suas responsabilidades no PSOL, ela não pode militar publicamente contra uma deliberação da maior instância partidária. Questiona-se aqui a possibilidade de um dirigente atacar externamente uma resolução interna.

Quatro diretórios estaduais – São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Ceará – aprovaram notas protestando contra a atuação da presidente do PSOL e solicitando explicações à Executiva Nacional. Embora a ex-senadora tenha ventilado suas opiniões abertamente, os quatro diretórios decidiram não fazer um debate público.

Executiva ignorou assunto

Após o Congresso, a Executiva Nacional reuniu-se uma única vez e não tratou do assunto. Mesmo assim, após Heloísa Helena ter recebido as mensagens dos estados, vários militantes acharam que ela, sensível ao apelo, acataria a resolução congressual.

Não é o que vem acontecendo. No último dia 10 de outubro, a ex-senadora participou de uma audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. Segundo o portal da instituição, a pauta era a “Descriminalização do aborto provocado pela própria gestante ou com o seu consentimento (Projeto de Lei 1135/91). Atualmente, a legislação prevê detenção de um a três anos para esses casos”. Na sessão, a dirigente ampliou sua militância anti-partidária e anti-feminista. Segundo o noticiário da Câmara, “a ex-senadora Heloísa Helena afirmou que o aborto não pode ser classificado como um dos principais temas de saúde pública, pois considera que a quantidade de mortes provocada pela prática é muito pequena”.

Mais adiante, ela declarou que elevar o assunto ao topo dos problemas de saúde pública é uma "farsa técnica e uma fraude política". (www2.camara.gov.br/internet/homeagencia/materias.html?pk=111708&searchterm=heloisa )

É lamentável que uma dirigente socialista externe posições tão obscurantistas e atrasadas, aliando-se nessa empreitada a setores sociais reacionários. Com tal gesto, Heloísa Helena coloca-se à direita do Ministério da Saúde e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que emitiram opiniões favoráveis ao direito à interrupção da gravidez.

O pior é que, ao fazer isso, a ex-candidata à presidência da República desmoraliza o que centenas de delegados de todo o Brasil aprovaram, após uma extenuante jornada de debates. O gesto da presidente do PSOL é individualista, autoritário e desmoraliza esforços para a construção de uma nova cultura política de esquerda.

Tradição patrimonialista

Infelizmente, é larga a tradição brasileira de chefes partidários colocarem-se acima dos coletivos. Isso vem do período imperial, no qual oligarcas regionais dominavam arremedos de agremiações e faziam o que bem entendiam. No século XX, incontáveis caciques políticos abusaram dessa prática. Suas raízes estão no patrimonialismo das classes dominantes, pródigas em enxergarem a coisa pública como extensão de seus domínios. O PSOL não precisa de chefes. Precisa de dirigentes democráticos e socialistas, que rompam com os vícios da política tradicional.

Este tema deve ser um dos principais da pauta do Diretório Nacional do partido, ainda não reunido, quatro meses após o Congresso. Lá, deve-se oferecer à presidente do PSOL duas opções:

1. Não atacar mais publicamente decisões partidárias ou;

2. Licenciar-se de suas funções dirigentes enquanto desejar fazer sua pregação pública contra o partido.

Deve-se debater livremente e depois votar. É o mais democrático.

Uma observação final. Foi dito linhas atrás que esta é uma questão interna. Este artigo só está sendo publicado fora das instâncias partidárias pelo fato de a ex-senadora ter decidido fazer uma disputa pública em matéria na qual foi derrotada internamente. Por larga margem.
Gilberto Maringoni é membro do Diretório Nacional do PSOL.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Faltam 994

O esperto Eduardo Bresciani, repórter do DCI em Brasília, fez as contas: com a representação de hoje do PSOL contra o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), faltam apenas 994 representações para que o partido de Heloísa Helena atinga a marca de 1000 representações contra o presidente do Senado....

Fidelidade partidária e a
velha canção do Roberto

O que vai abaixo é o artigo do autor do blog para o Shoping News, encarte do DCI que circula às sextas-feiras. Em primeira mão para os leitores do Entrelinhas:

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral de que todos os mandatos eletivos pertencem aos partidos e não aos políticos tem poder para mudar o jogo do Poder no Brasil. O Supremo Tribunal Federal deve resolver em breve a partir ou desde quando a regra tem validade, mas ainda que os ministros passem uma borracha no passado e digam que a fidelidade é obrigatória apenas a partir de agora, a mudança na política brasileira não vai ser pequena.

Em tese, a maior rigidez em relação à fidelidade partidária deve ter o efeito imediato de acabar com os partidos de aluguel - agremiações criadas apenas para receber, em época de eleições, candidatos de ocasião, gente que por um motivo ou por outro acaba sem espaço em seus próprios partidos.

A interpretação mais severa da Constituição no que diz respeito à fidelidade também pode ter influência na eleição presidencial de 2010. Um dos nomes cotados é do o hoje tucano Aécio Neves, de quem se dizia que poderia migrar para o PMDB e ser o nome abençoado pelo presidente Lula para a disputa. O TSE colocou uma pá de cal nesta discussão, porque agora Aécio até pode sair do PSDB, mas perderia o mandato de governador de Minas.

É bom lembrar, porém, que na decisão sobre o mandato dos deputados, e, agora, dos demais detentores de cargos públicos, os dois tribunais - TSE e STF - não levantaram impedimento para que as pessoas mudem de partido, como vem sendo divulgado. Trocar de partido é uma prerrogativa de todo filiado, que pode sair por mudar de pensamento ou por achar que o partido mudou de ideologia. No fundo, porém, o que deve acontecer agora é uma nova rodada da reforma política. Por pressão do Judiciário, o Legislativo deve se reunir e mudar a Constituição para adequá-la aos seus próprios caprichos. Como se sabe, deputados e senadores são seres românticos e certamente apreciam a velha canção do Roberto, aquela que dizia: "Falando sério/Eu não queria ter você por um programa / E apenas ser mais um na sua cama / Por uma noite apenas e nada mais." Dias piores virão...



quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Renan estuda para que lado atirar

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) já tomou a decisão de deixar definitivamente a presidência do Senado. No momento, ele estuda a melhor maneira e o momento de anunciar a renúncia. Pode ser hoje, amanhã ou só daqui a 45 dias: quanto mais rápido, pior para o atual presidente da Casa, Tião Viana (PT-AC), que já trabalha para ficar no cargo. Renan está analisando o cenário político para decidir a quem vai ajudar e/ou prejudicar.

Rodini: quando o rolo fala do Rolex

Em mais uma colaboração para o Entrelinhas, Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, dá um pitaco sobre a polêmica da hora, que envolve o mauricinho Luciano Huck e o mano Ferréz. Leia a seguir a opinião de Rodini:

O rolo do Rolex. Este é o início do maior espetáculo midiáticodo mês. Páginas de jornais, revistas e blogs a defender e atacar Luciano Huck, o pequeno Hulk, que teve seu relógio subtraído por um meliante distraído. Não notou o assaltante a importância do assaltado, que não pediu para ser importunado e que, ao criticar o sistema, acabou esculhambado. Mauricinho, riquinho, casado com mulherão, bom moço, do bem... Foram tantos "adjetivos" que parece que quem transportava o Huck era o Rolex....Este sim, de um adjetivo só.

Por que não defenderam com muito maior vigor a mãe desesperada que roubou um pote de margarina para filha, sem ameaçar ninguém? Por que culpar os pobres pela violência? E por que massacrar quem conseguiu adquirir de forma honesta objetos de desejo dos que violam?

É o roto falando do esfarrapado. O rolo falando do Rolex...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Chamado de cão de guarda por
Dines, Reinaldão acusa o golpe

Há uma nova polêmica na web. O editor-responsável do Observatório da Imprensa escreveu um interessante artigo sobre a polêmica envolvendo Luciano Huck e Ferréz em que cita outro artigo, do blogueiro e colunista de Veja Reinaldo Azevedo, publicado na Folha de S. Paulo na segunda-feira (15).

No dia anterior, na transcrição do comentário diário de Alberto Dines para o programa de rádio do OI, foi inserida uma observação adicional sobre o tal artigo de Azevedo sob o título "Em Tempo", na qual o blogueiro foi qualificado de "cão de guarda".

Reinaldo sentiu o golpe e escreveu um longo comentário em seu blog com o objetivo de desqualificar o editor do Observatório. O problema todo é que Reinaldão pesou tanto a mão que até alguns de seus leitores estão estranhando a virulência – mais de um escreveu, na área de comentários do blog, que cão de guarda é sim um qualificativo adequado para o colunista de Veja (e ele mesmo publicou tais comentários).

Não dá para compreender direito a razão para uma resposta tão violenta de Reinaldo aos textos de Dines, que no fundo são duas ironias absolutamente pertinentes diante da postura adotada por Azevedo. Uma hipótese de trabalho para entender o destempero do watchdog de Veja é a de que ele talvez tenha a figura paterna mal resolvida em sua vida. Tomou um ligeiro sabão do mestre Dines, que tem idade para ser seu pai, e respondeu como um moleque desbocado. Nada que umas palmadas bem dadas não pudessem resolver...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Rodini: 2010 ainda sem favoritos

Em mais uma colaboração para o blog, Jorge Rodini, diretor do instituto Engrácia Garcia de pesquisas analisa o levantamento divulgado hoje pelo instituto Sensus, em pesquisa para a Confederação Nacional dos Transportes sobre a sucessão do presidente Lula em 2010. Leia abaixo a análise do especialista:

A pesquisa CNT/Sensus divulgada neste 15 de outubro de 2007 ratifica o perfil do eleitor mais fiel a Lula: homem, nordestino, morador dos pequenos municípios da zona rural, com mais de 59 anos, baixa escolaridade e renda familiar até 1 Salário Mínimo.

Sem se constituir em uma surpresa, este resultado demonstra a solidez da ponte que Lula construiu entre o Palácio do Planalto e os mais desassistidos. Sua linguagem é entendida de maneira clara, cristalina e parece se fortificar a cada dia dentro desta multidão carente de proteção.

Por outro lado, ao compararmos o desempenho de José Serra (PSDB), Geralddo Alckmin
(PSDB), Ciro Gomes (PSB) e Aécio Neves ((PSDB) em uma extensa lista de pré-candidatos, verificamos que o ex-governador de São Paulo lidera na região Sul, Aécio está na frente no Sudeste, Ciro é primeiro no Nordeste e Serra é o favorito no Norte/Centro-Oeste. As candidaturas mais homogêneas são as Serra e Alckmin, que não tem votações pífias em nenhumas das regiões, ao contrário dos demais.

Na disputa com Aécio e a ministra Dilma Roussef, a Dilma de Ferro do Planalto, Ciro leva vantagem por sua votação no Nordeste. Aécio só consegue destaque entre os mais velhos, os mais ricos e os mais escolarizados.

Quando a disputa é com Serra, Ciro leva desvantagem, porque sua liderança no Nordeste em relação ao concorrente não faz frente com a obtida pelo governador paulista nas outras regiões. Neste cenário, Serra tem a base do seu eleitorado no Sul, nos pequenos municípios, na zona rural, entre os mais jovens, com uma homegeneidade grande nos vários segmentos de escolaridade e renda, o que demonstra o caráter nacional de sua candidatura.

Cada vez fica mais clara a dificuldade de Lula em achar um candidato que contemple sua vontade, a do PT e de seus eleitores. Ciro é um bom candidato, pode ir para o segundo turno tendo como concorrente Serra ou Alckmin, mas parece não ser digerido pelo PT. Dilma caiu no gosto de Lula, mas tem um longo caminho de votos a trilhar. E o PT? Marta? Chinaglia? Tarso?

Nesta lista quilométrica de pré-candidatos, ninguém mais se destaca. E como Lula tem avaliação popular extremamente positiva, nem FHC recebe os louros da Nação.

Para o presidente das declarações simpáticas ao povão, resta torcer para que a economia continue sendo bem avaliada, que o PAC se dissemine e também para que a inflação permaneça domada. E, principalmente, para que seu candidato ideal seja o preferido pelo PT e pelos fiéis seguidores lulistas.

Serra e Alckmin superam 10% para 2010

A matéria abaixo, na versão do Último Segundo, revela que a sucessão de Lula é um jogo em aberto. Nenhum candidato supera 15% das intenções de voto. Apesar da maior exposição, o governador José Serra (PSDB) aparece tecnicamente empatado com seu antecessor, Geraldo Alckmin, e com o governador de Minas, Aécio Neves. Voltaremos ao assunto mais tarde.


Três tucanos lideram pesquisa de intenção de voto para presidente


15/10 - 11:39 - Redação com Santafé Idéias

SÃO PAULO - Três tucanos lideram a preferência do eleitorado para a sucessão presidencial em 2010, segundo aponta a 90ª Pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira.

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), lidera a pesquisa com 12,8% das intenções. O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin tem 11,6% e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, tem 9,8% das intenções. A presidente do PSol, Heloisa Helena, tem 6,1% das intenções e a ministra do Turismo, Marta Suplicy, é apontada com 2,2% da preferência.

Além de avaliar o panorama da corrida presidencial, a pesquisa mostra o desempenho pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o desempenho de seu governo.

domingo, 14 de outubro de 2007

Gaspari: por que o PT é melhor que o PSDB?

Porque governa com mais competência. É o que diz o insuspeito Elio Gaspari em artigo publicado neste domingo no Globo e na Folha de S. Paulo e reproduzido abaixo.


Dilma detonou a privataria dos pedágios

Nos anos 90, falava-se em cobrar R$ 10 para cada 100 quilômetros; Nosso Guia baixou para R$ 2,70

NA TARDE DE terça-feira concluiu-se no salão da Bolsa de São Paulo um bonito episódio de competência administrativa e de triunfo das regras do capitalismo sobre os interesses da privataria e contubérnios incestuosos de burocratas. Depois de dez anos de idas e vindas, o governo federal leiloou as concessões de sete estradas (2,6 mil km). Para se ter uma medida do tamanho do êxito, um percurso que custaria R$ 10 de acordo com as planilhas dos anos 90, saiu por R$ 2,70.
No ano que vem, quando a empresa espanhola OHL começar a cobrar pedágio na Fernão Dias, que liga Belo Horizonte a São Paulo, cada 100 quilômetros rodados custarão R$ 1,42. Se o cidadão quiser viajar em direção ao passado, tomará a Dutra, pagando R$ 7,58 pelos mesmos 100 quilômetros. Caso vá para Santos, serão R$ 13,10. Não haverá no mundo disparidade semelhante.
Se essa não foi a maior demonstração de competência do governo de Nosso Guia, certamente será lembrada como uma das maiores. Sua história mostra que o Estado brasileiro tem meios para defender a patuléia, desde que esteja interessado nisso. Mostra também que se deve tomar enorme cuidado com o discurso da modernidade de um bom pedaço do empresariado. Nele, não se vende gato por lebre. É gato por gato mesmo.
O lote das sete rodovias entrou no programa de desestatização do tucanato em 1997. Desde então, desenhavam-se editais restringindo a disputa a empresas de engenharia nacionais. No final de 2002, após uma trombada com o Tribunal de Contas da União, o caso foi para a mesa de FFHH. O monarca desconfiou da pressa e deixou o assunto para o novo governo. Em 2003, o ministro dos Transportes, Anderson Adauto, armou outra concorrência. Nova trombada com o TCU. Alguns preços baseavam-se em custos do mercado paulista, o mais caro do país. O tribunal determinou que o ministério largasse o osso, entregando-o à Agência Nacional de Transportes Terrestres. Ela achou R$ 300 milhões de gordura nas planilhas, y otras cositas más.
Em meados de 2005, o governo quebrou a cláusula da reserva de mercado para empresas nacionais. Anunciou um leilão, aberto a quaisquer interessados. Além disso, chegou a xerife. A ministra Dilma Rousseff, a ANTT e o Tribunal de Contas discutiram o projeto e conseguiu-se uma redução de 56% no preço estimado para os pedágios. A taxa de retorno dos concessionários, que inicialmente era de 18% anuais, caiu para 13%. Dilma queria, no máximo, um retorno de 9%. Argumentava que as empresas estavam lucrando algo em torno de 25% ao ano. Em janeiro passado, o leilão das concessões foi suspenso.
O "Financial Times" viu na iniciativa um viés de inépcia, talvez estatizante, a la Hugo Chávez. Confundiu-se deliberadamente adiamento com cancelamento. Vale relembrar a gritaria: "Retrocesso. Se isso (o fim do leilão) acontecer, os recursos internos e externos serão aplicados em outros países. (...) Se há distorções, elas têm de ser corrigidas, mas com base em avaliações técnicas, não ideológicas." (Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústria de Base, a Abdib. "O Brasil corre o risco de ficar na contramão dos Estados Unidos, Europa, Chile e México." (Renato Vale, presidente da CCR, concessionária de 1,4 mil quilômetros de estradas brasileiras.) "É um equívoco, porque o Brasil não tem capacidade de investimento." (Geraldo Alckmin).
Não havia equívoco, não se corria risco, nem havia ideologia no lance. O governo cansou de explicar que não estava cancelando coisa alguma. Disse aos empresários, e eles entenderam, que pretendia apenas discutir a relação. Diante de números que encolheram à metade a partir das avaliações técnicas, sentira-se o cheiro de queimado. Não adiantava, a sabedoria convencional ensina que, se o governo de Nosso Guia não cumpre as agendas das empreiteiras, isso reflete más intenções ou preconceitos esquerdistas que afugentam capitais e travam o progresso.
Durante oito meses, uma força-tarefa da Casa Civil e da ANTT trabalharam no caso. A ministra lembrava que os juros tinham baixado e a economia brasileira de 2007 não era a de 2002. Murmurava-se que o projeto era inviável, sonho de guerrilheira, pois não apareceriam candidatos.
Na terça feira, quando o leilão começou, havia 30 empresas na disputa. Três horas depois, os sete lotes de estradas estavam vendidos. Nenhum dos clientes tradicionais conseguira emplacar sua oferta e o grupo espanhol OHL ganhou os cinco trechos que disputou, tornando-se o maior concessionário de estradas do país, com 3.225 km. Quando ele arrematou a Fernão Dias, oferecendo um pedágio de R$ 1,42 para cada 100 quilômetros houve espanto no salão. A ANTT fixara um teto de R$ 4,00, a segunda colocada pedira R$ 2,21 e as demais, em torno de R$ 3,57. Os cavaleiros do Apocalipse micaram, triturados pela lógica da competição internacional.
Esse resultado só aconteceu porque o governo não se deixou encurralar pelo alarmismo. Trocou a mão invisível de Brasília pela de Adam Smith.
Fica agora o tucanato paulista numa enrascada. Tem no colo um pacote de cinco leilões de rodovias estaduais num modelo que produziu os pedágios mais caros do país. Isso deriva de um conjunto de fatores. Um deles é o de se exigir dos concessionários um pagamento chamado de outorga. A empresa explora a rodovia, mas adianta um prêmio ao erário, em obras ou em dinheiro. Lula seguiu a escrita de FFHH, que não cobrou esse tipo de dote nas concessões da ponte Rio-Niterói e da Dutra. Será difícil provar que ambos fizeram besteira.

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Sobre a queda de Renan

Nove entre dez analistas políticos que acompanham o cenário brasiliense apostam que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) não voltará ao cargo de presidente do Senado da República. É um pouco cedo para tal vaticínio, mas de fato é o mais provável no momento.

Muito já foi escrito e falado sobre o episódio envolvendo o presidente do Senado. Sua ex-namorada virou capa da Playboy e desfila por aí em programas de televisão promovendo as vendas da revista, até para ganhar mais uns trocados, uma vez que receberá um percentual do preço de capa da publicação. Pois Renan caiu exatamente dois dias após Mônica Veloso aparecer como veio ao mundo – leitoras do blog já reclamaram que "não foi bem assim" e que houve intervenção da "mão divina" do Photoshop, mas isto realmente não vem ao caso para o raciocínio em curso. É evidente que a licença de Renan não se deve à nudez de Mônica, mas não deixa de ser uma ironia que as coisas tenham acontecido desta forma.

Não deixa de ser uma ironia porque Calheiros de fato se afastou sem que haja uma única prova concreta da acusação original que o levou ao Conselho de Ética pela primeira vez e, depois, à absolvição no Plenário do Senado. Para quem não lembra mais, a acusação era de que ele, Renan, utilizava os serviços (e recursos) de um lobista da Mendes Jr. para pagar a pensão de sua filha com Mônica Veloso. Ora, Renan reconheceu desde o início que era Cláudio Gontijo quem fazia os pagamentos, mas alega que este arranjo existia em função de ele manter o caso extraconjugal em segredo.

Como diriam os italianos, "se non è vero, è bene trovato". Em bom português, faz sentido, sim, que ele não fizesse o pagamento da pensão com transferências de sua conta bancária para a de Mônica, como se isto fosse a coisa mais natural do mundo, uma conta de luz ou telefone a mais... A acusação ao presidente do Senado, portanto, era de que ele teria quebrado o decoro parlamentar porque aceitou que um lobista e/ou a empresa que Gontijo representava pagassem suas contas pessoais. Como não restou provado que Gontijo e/ou a Mendes Júnior tivessem algo a ver com a coisa além da intermediação dos pagamentos, os senadores preferiram absolver Renan no mês passado.

Tudo caminhava para o desfecho do caso – as outras representações contra Calheiros eram todas mais fracas do que a original – quando surgiram fatos novos. Por um lado, o senador Democrata Demóstentes Torres (GO) acusou um assessor da presidência do Senado de articular uma operação de espionagem contra ele próprio e seu colega goiano Marconi Perillo (PSDB); e praticamente ao mesmo tempo foi anunciada a decisão da bancada do PMDB no Senado de afastar Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) das vagas do partido na Comissão de Constituição e Justiça. Senadores de oposição e até da base aliada acusaram Calheiros de estar por trás dos dois movimentos, o que o senador alagoano negou com veemência.

Ainda que Renan nada tenha a ver com os dois acontecimentos – Chiquinho Escórcio, o assessor envolvido na "espionagem" é sabidamente muito mais ligado ao senador José Sarney (PMDB-AP); e Valdir Raupp (PMDB-RO) pode ter afastado Jarbas e Simon até mesmo a pedido do Planalto –, o fato é que os dois acontecimentos foram decisivos para a queda de Renan: não era o momento para nada disto acontecer, ainda mais com a tramitação da prorrogação da CPMF e da DRU chegando ao Senado, com perspectiva de difícil negociação. No fundo, juntou-se a fome oposicionista de derrubar Renan com a vontade de comer governista para aprovar logo o imposto do chque. Sobrou para Renan, que foi quem pagou o pato.

Tudo somado, é preciso lembrar que poucos analistas políticos andam fazendo a pergunta que realmente importa no episódio: cui prodest? Em português claro: a quem aproveita a saída de Renan Calheiros da presidência do Senado? O que está por trás de tamanha avalanche de denúncias contra um político hábil e que sempre teve excelentes relações com todos os partidos políticos e serviu ou teve cargos importante nos governos Sarney, Collor, FHC e Lula?

Ainda é cedo para saber o que vai nos bastidores da tão falada derrocada de Calheiros. É cedo até para afirmar que houve tal derrocada. Alguns analistas escrevem como se a carreira do senador alagoano já estivesse encerrada. Talvez sejam os mesmos que vaticinaram, em meados de 2005, que a reeleição do presidente Lula seria uma tarefa humanamente impossível...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Lula, um homem de sorte

O resultado do leilão para concessão das estradas federais é mais uma prova de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um homem de muita sorte. Ao contrário do que supunham os tucanos, o leilão foi um sucesso e resultou em uma tarifa de pedágio em média muito mais barata do que as cobradas em São Paulo, onde o PSDB reina há mais de três gestões, e nas rodovia federais privatizadas durante a gestão Fernando Henrique.

Antes que acusem este blog de comparar melancia com laranja, vamos esclarecer que são dois modelos diferentes. No petista, o concessionário não paga pela concessão, apenas pela manutenção da estrada. Funciona assim: a empresa vencedora deixa a estrada nos trinques e recebe a receita dos pedágios para tal tarefa, lucrando com a diferença entre o serviço prestado e o total arrecadado. No modelo tucano, o concessionário paga para manter a estrada e um adicional para o governo construir novas rodovias e/ou ferrovias e portos. Lucra do mesmo jeito, porque o adicional é repassado para o usuário.

Tudo somado, no modelo lulista, o usuário paga barato, mas o governo não leva nada para casa. No tucano, o motorista sente no bolso o peso do pedágio, mas está pagando pelo que usa e pelo que virá por aí.

O argumento tucano para criticar o modelo lulista é capenga: o governo do PT estaria "subsidiando" os motoristas, gente que tem carro e, portanto, renda, para passear pelo país. Bullshit, como diriam os americanos, porque quase todo o transporte de cargas – alimentos, inclusive –, passa pelas rodovias, afetando o preço do frete. Pedágio mais barato significa comida mais barata, para dizer o mínimo.

Na verdade, o leilão acabou trazendo uma enorme dor de cabeça para o PSDB, que terá que explicar como pode um pedágio (São Paulo-Guarujá) custar meros 842% a mais do que o trecho São Paulo-Belo Horizonte-São Paulo. Sim, leitor, são 842% e não 84,2% ou 8,42%. A informação é do jornal O Estado de S. Paulo. Em números grosseiros, o pedágio de Lula vai custar R$ 2 por 100 quilômetros, ao passo que o de Serra (ok, de Alckmin e Covas) custa R$ 11. Onze contra dois na mão do presidente Lula é mais do que uma goleada. É um massacre.

Pelo que saiu na mídia, Serra sentiu o golpe porque não esperava o sucesso do leilão. Os tucanos achavam que só "aventureiros" topariam a taxa de retorno calculada pelo governo. Porém, não foram os aventureiros que levaram os trechos, mas grandes grupos multinacionais, deixando, com o perdão da má imagem, os tucanos com a bunda na janela. Afinal, uma coisa é dizer que o modelo é diferente e permite uma certa diferença no preço final do pedágio; outra, bem diferente, é tentar explicar racionalmente uma conta de 800% sem que o povo paulista consiga enxergar as tais obras para os novos benefícios que a diferença deveria trazer.

Até na hora de "privatizar", Lula tem muita sorte: em uma campanha eleitoral, o povão vai entender a coisa toda assim: o pedágio do Lula custa R$ 2, o do Serra custa R$ 11. E os nove reais de diferença vão custar caro, muito caro, ao tucanato.

Confirmado: Renan pede licença por 45 dias

Conforme este blog antecipou com exclusividade às 12h01 de hoje, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) pediu mesmo uma licença de 45 dias, período em que Tião Viana (PT-AC) comandará a Casa. Renan acaba de comunicar a licença em discurso na TV Senado.

Em tempos de Mônica, vá de Guido Mantega

Quem acompanha a cena política brasileira pode aproveitar o feriado desta semana para dar uma espiada em um esclarecedor livro do ministro da Fazenda, Guido Mantega, escrito em 1982.

Se o comandante da economia nacional for tão visionário para assuntos do mundo das finanças e negócios quanto foi no campo, digamos assim, político-erótico, os brasileiros podem dormir tranquilos.

Abaixo, a indicação completa do livro, que só está disponível em sebos. Quem quiser encomendar deve acessar o site Estante Virtual.

autor: Guido Mantega (coord)
título: Sexo e Poder
editora: Círculo do Livro
ano: 1982
preço: R$ 12
estante: Sociologia
meta-prateleiras: Sociologia
cadastrado em: quarta-feira, 18/4/2007. 16:58:25
descrição: O sexo e poder nas sociedades autoritárias: a face erótica da dominação; Freud e a civilização repressiva; Reich e a revolução sexual; Marcuse e a dessublinação repressiva; Foucault e monorquia de sexo; Democracia e sexualidade; Sauna, Angústia e lanchonete
estado: Capa dura c/ desgaste natural do tempo 215p paginas amareladas
indique este livro a um amigo
vendedor: Livraria Aldeia [ver qualificações recebidas]
categoria: Sebos
localização: Brasil > RS > Gravataí > Centro
endereço: Av. José Loureiro da Silva, 1869
telefone: (51) 3042-6676 - 8174-4724
membro desde: domingo, 10 de dezembro de 2006 16:38:55
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Renan vai se licenciar por 45 dias

A decisão foi tomada na madrugada de hoje e deve ser anunciada logo mais. O presidente do Senado percebeu que a sua situação ficou bastante complicada desde o final da semana passada. A votação da CPMF no Senado, portanto, deve ocorrer sob a presidência de Tião Viana (PT-AC).

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Huck, Ferréz, Mônica e
o que importa no Brasil

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para o Shopping News, que circula nesta quinta-feira com o DCI. Em primeira mão para os leitores do blog:

A semana do feriado da padroeira do Brasil, Nossa Senhora de Aparecida, não foi lá muito santa, para dizer o mínimo. Começou com uma polêmica entre o apresentador Luciano Huck e o rapper Ferréz sobre a violência nas metrópoles e terminou com a beldade Mônica Veloso na Playboy, para deleite dos senadores (e, pasmem, uma senadora) flagrados em plenário acessando o ensaio da morena em seus computadores portáteis. Os dois episódios são emblemáticos do atual momento brasileiro.

No primeiro caso, trata-se de uma discussão iniciada por um talentoso apresentador da TV Globo que, após ser vítima de um assalto em que perdeu um Rolex, resolveu escrever um artigo para um grande jornal expressando a sua indignação. O mais interessante no artigo, porém, não foi a indignação do articulista, mas o seu tom ensimesmado – “Luciano Huck foi assassinado. Manchete do Jornal Nacional”, assim começa o texto do modesto apresentador. Na segunda-feira (8), o mesmo jornal abriu espaço para Ferréz trazer a “versão” (ficcional, é bom deixar claro), do “correria” que levou o relógio de Huck. “A hora estava se aproximando, tinha um braço ali vacilando. Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. (...) No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio.”

Sobre Mônica Veloso, não é preciso explicar muito: finalmente chegou às bancas a esperada edição da Playboy com a ex-namorada de Renan Calheiros do jeito que veio ao mundo. Claro que Brasília inteira foi conferir os atributos da moça.

A soma dos dois episódios revela que há algo meio doentio em uma sociedade que valoriza a exposição pública de atos moralmente duvidosos. Huck perdeu a chance de ficar quieto e chorar seu Rolex ao seu amigo José Serra; Ferréz fez uma defesa simpática porém demagógica do assaltante. E de Mônica Veloso pode-se dizer que, no Brasil, toda nudez será premiada. Não é pouca coisa...

Paulo Renato, o ingênuo, consulta banqueiro

A matéria abaixo, do Terra Magazine, merece ser lida para uma melhor compreensão de como funciona o parlamento brasileiro. Segundo um gaiato que soube do fato, quando o deputado Paulo Renato (PSDB) decidir escrever sobre futebol, vai "consultar" seu amigo Ricado Teixeira; se o assunto for música, "consultará" o eclético Caetano Veloso. Afinal vale o ditado: amigos, amigos, negócios à parte...

Paulo Renato Souza: "não tenho ghostwriter"

Raphael Prado

Um erro da secretária e um grande mal-estar criado. O deputado federal Paulo Renato Souza (PSDB-SP), ex-ministro da Educação do governo Fernando Henrique Cardoso e uma das maiores expressões do partido, foi convidado a escrever um artigo para a Folha de S.Paulo.
No texto, segundo o jornal - o conteúdo ainda não foi publicado - "o deputado critica a intenção do governo federal de passar o Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) para o controle do Banco do Brasil". Mas ao encaminhar o artigo, por e-mail, a secretária não apagou o cabeçalho de uma mensagem anterior: Paulo Renato havia consultado Márcio Cypriano, presidente do Bradesco, sobre o artigo: "Por favor, veja se está correto e se você concorda, ou tem alguma observação", escreveu ao banqueiro.

- Eu não submeti à aprovação, eu pedi a opinião dele - disse o parlamentar em entrevista a Terra Magazine.

O deputado não vê nenhum problema em ter consultado "um amigo", mesmo que ele fosse dono de um banco privado e que, por esse motivo, pudesse ter interesses no tema de que tratava o artigo. Diz que as idéias que estão ali são dele, Paulo Renato.

- O problema de eu ter pedido a opinião dele (Márcio) não significa que eu fosse adotar a opinião dele. As opiniões que estão ali são minhas. Eu escrevi o artigo. Ninguém escreveu para mim. Eu não tenho ghostwriter , eu sempre escrevo meus artigos.

O erro da secretária tornou pública a consulta e gerou mal-estar para o deputado. Leia a íntegra da rápida conversa com o ex-ministro da Educação:

Terra Magazine - O senhor submeteu seu artigo à aprovação do presidente do Bradesco?
Paulo Renato Souza - Não, não. Essa palavra não é correta. Eu não submeti à aprovação, eu pedi a opinião dele.

Mas o senhor pediu a opinião sobre o conteúdo do artigo.
Exatamente. Ele é meu amigo, eu o encontrei casualmente e estava com o artigo já semi-pronto, então pedi a opinião dele.

O senhor não acha estranho que um deputado federal, de oposição, que está escrevendo um artigo criticando uma política do governo federal, peça uma opinião para um banqueiro?
Não, não acho, não. Porque em primeiro lugar, ele (Márcio) é meu amigo, é uma pessoa da área. E o tema da reestatização tem me preocupado e tem sido objeto da minha ação parlamentar. Eu escrevi um artigo recentemente comparando a Vale à Petrobras, e também entrei com duas ações no Ministério Público contra a compra da Susano pela Petrobras. Esse é um tema com o qual eu tenho trabalhado no meu trabalho parlamentar.

Entendi. Mas, ainda sendo seu amigo, ele não pode ter interesses profissionais sobre esse assunto?
Mas... não... o problema de eu ter pedido a opinião dele não significa que eu fosse adotar a opinião dele. As opiniões que estão ali são minhas. Eu escrevi o artigo. Ninguém escreveu para mim. Eu não tenho ghostwriter, eu sempre escrevo meus artigos.

O que houve? Foi um erro ao encaminharem para a Folha?
Foi a minha secretária que errou. Eu tinha que viajar para Brasília e mandei o artigo para pedir a opinião do Márcio com cópia para ela, pedindo que depois encaminhasse para a Folha. Ela fez o forward, e foi isso. Em vez de escrever um novo e-mail anexando o artigo, ela fez o forward.

Isso criou um mal-estar?
Ah, criou, né? Criou um mal-estar, sem dúvida. Tanto é que você está me entrevistando.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Soninha elogia postura republicana de Serra

Deu no G1:

A vereadora [Soninha, PPS] afirma que sua aproximação com o hoje governador José Serra não é de hoje: aconteceu há dois anos, quando ele assumiu a Prefeitura de São Paulo e ela estreava como vereadora.

"Fiquei muito surpreendida pelo modo como ele foi capaz de voltar atrás, ceder e concordar com argumentos meus. Sabe aquilo que a gente sempre cobra de um político, que é a tal de postura republicana? A imagem que eu fazia do Serra era completamente o oposto disso, de que era um cara inflexível, fechado em suas próprias reflexões, que agia só da própria cabeça e não dava ouvidos a ninguém. E aí logo nos dois três primeiros meses de mandato ele voltou atrás em algumas decisões dele como prefeito convencido por argumentos meus. Eu perdi vários desses embates. Mas ele deu a oportunidade da discussão."

Sugestão de título para o livro da Mônica

A julgar pelas fotos da jornalista Mônica Veloso já disponíveis na internet (os curiosos podem espiar no blog do Noblat), o livro que a ex-namorada de Renan está escrevendo poderia levar o título "O caminho das borboletas 2". O primeiro, como se sabe, é da já célebre Adriane Galisteu.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

"Efeito Huck" supera as fotos da Mônica

A internet é mesmo um meio de comunicação muito estranho. Nesta segunda-feira, as notas aqui publicadas sobre a polêmica envolvendo Luciano Huck conseguiram atrair mais leitores do que em 1° de junho, quando uma outra nota do Entrelinhas fez com que o Google despejasse no blog uma massa de gente buscando as fotos da jornalista Mônica Veloso nua – imagens que, como todo mundo já sabe, só agora, em outubro, estão disponíveis na Playboy. No entanto, como havia aqui um comentário sobre o fato do jornal O Globo não ter publicado fotos da jornalista, a busca pelas palavras-chave "Mônica Veloso" e "fotos" fazia o Entrelinhas aparecer logo na primeira página de resultados do Google e de outros mecanismos de busca.

Nesta segunda, porém, a audiência foi ainda maior. Em outras palavras, mais gente correu atrás de opiniões sobre o mauricinho Huck e seu feroz crítico Ferréz – ambos bem vestidos e feiosos, é bom que se diga – do que atrás da versão "como veio ao mundo" da bela ex-namorada de Renan Calheiros. Vá tentar entender o internauta...

Luciano Huck: quem escreve o que quer...

Leitores perguntam sobre a polêmica envolvendo o artigo de Luciano Huck. A questão é muito simples: o apresentador tem todo o direito de se indignar e de expressar a sua indignação escrevendo na Folha. Nada contra. O problema é que soa quase que como um acinte um apresentador da TV Globo vir a público reclamar do roubo de seu Rolex, dramatizando um evento banal na vida dos brasileiros que não têm acesso à seguranças, carros blindados e escolta particular.

Luciano Huck é um sujeito de bem, estudou em duas das melhores escolas de São Paulo, tem uma carreira brilhante e suas conquistas foram sempre por méritos próprios. Inteligente que é, deveria ter pensado menos no seu umbigo e deixado o assalto de lado. Poderia também, se é que não o fez, ter telefonado para o seu amigo José Serra, governador de São Paulo, e externado a ele toda a sua indignação com a situação da violência na capital.

Como diz o ditado popular, quem fala o que quer ouve o que não quer. Ferréz e muitos dos leitores da Folha estão dizendo coisas que Huck talvez não quisesse ouvir...

Ferréz a Huck: troca foi justa

Está muito interessante o artigo do escritor Ferréz sobre o assalto sofrido pelo apresentador Luciano Huck e que motivou um artigo do mauricinho para a Folha de S. Paulo. O artigo de Ferréz também saiu na FSP e traz a história do lado do "correria" que roubou o Rolex de Huck. Para entender a polêmica, o melhor é ler primeiro o artigo de Huck e depois do de Ferréz, reproduzido abaixo.


Pensamentos de um "correria"

FERRÉZ

ELE ME olha, cumprimenta rápido e vai pra padaria. Acordou cedo, tratou de acordar o amigo que vai ser seu garupa e foi tomar café. A mãe já está na padaria também, pedindo dinheiro pra alguém pra tomar mais uma dose de cachaça. Ele finge não vê-la, toma seu café de um gole só e sai pra missão, que é como todos chamam fazer um assalto.
Se voltar com algo, seu filho, seus irmãos, sua mãe, sua tia, seu padrasto, todos vão gastar o dinheiro com ele, sem exigir de onde veio, sem nota fiscal, sem gerar impostos.
Quando o filho chora de fome, moral não vai ajudar. A selva de pedra criou suas leis, vidro escuro pra não ver dentro do carro, cada qual com sua vida, cada qual com seus problemas, sem tempo pra sentimentalismo. O menino no farol não consegue pedir dinheiro, o vidro escuro não deixa mostrar nada.
O motoboy tenta se afastar, desconfia, pois ele está com outro na garupa, lembra das 36 prestações que faltam pra quitar a moto, mas tem que arriscar e acelera, só tem 20 minutos pra entregar uma correspondência do outro lado da cidade, se atrasar a entrega, perde o serviço, se morrer no caminho, amanhã tem outro na vaga.
Quando passa pelos dois na moto, percebe que é da sua quebrada, dá um toque no acelerador e sai da reta, sabe que os caras estão pra fazer uma fita.
Enquanto isso, muitos em seus carros ouvem suas músicas, falam em seus celulares e pensam que estão vivos e num país legal.
Ele anda devagar entre os carros, o garupa está atento, se a missão falhar, não terá homenagem póstuma, deixará uma família destroçada, porque a sua já é, e não terá uma multidão triste por sua morte. Será apenas mais um coitado com capacete velho e um 38 enferrujado jogado no chão, atrapalhando o trânsito.
Teve infância, isso teve, tudo bem que sem nada demais, mas sua mãe o levava ao circo todos os anos, só parou depois que seu novo marido a proibiu de sair de casa. Ela começou a beber a mesma bebida que os programas de TV mostram nos seus comerciais, só que, neles, ninguém sofre por beber.
Teve educação, a mesma que todos da sua comunidade tiveram, quase nada que sirva pro século 21. A professora passava um monte de coisa na lousa -mas, pra que estudar se, pela nova lei do governo, todo mundo é aprovado?
Ainda menino, quando assistia às propagandas, entendia que ou você tem ou você não é nada, sabia que era melhor viver pouco como alguém do que morrer velho como ninguém.
Leu em algum lugar que São Paulo está ficando indefensável, mas não sabia o que queriam dizer, defesa de quem? Parece assunto de guerra. Não acreditava em heróis, isso não!
Nunca gostou do super-homem nem de nenhum desses caras americanos, preferia respeitar os malandros mais velhos que moravam no seu bairro, o exemplo é aquele ali e pronto.
Tomava tapa na cara do seu padrasto, tomava tapa na cara dos policiais, mas nunca deu tapa na cara de nenhuma das suas vítimas. Ou matava logo ou saía fora.
Era da seguinte opinião: nunca iria num programa de auditório se humilhar perante milhões de brasileiros, se equilibrando numa tábua pra ganhar o suficiente pra cobrir as dívidas, isso nunca faria, um homem de verdade não pode ser medido por isso.
Ele ganhou logo cedo um kit pobreza, mas sempre pensou que, apesar de morar perto do lixo, não fazia parte dele, não era lixo.
A hora estava se aproximando, tinha um braço ali vacilando. Se perguntava como alguém pode usar no braço algo que dá pra comprar várias casas na sua quebrada. Tantas pessoas que conheceu que trabalharam a vida inteira sendo babá de meninos mimados, fazendo a comida deles, cuidando da segurança e limpeza deles e, no final, ficaram velhas, morreram e nunca puderam fazer o mesmo por seus filhos!
Estava decidido, iria vender o relógio e ficaria de boa talvez por alguns meses. O cara pra quem venderia poderia usar o relógio e se sentir como o apresentador feliz que sempre está cercado de mulheres seminuas em seu programa.
Se o assalto não desse certo, talvez cadeira de rodas, prisão ou caixão, não teria como recorrer ao seguro nem teria segunda chance. O correria decidiu agir. Passou, parou, intimou, levou.
No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio.
Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes.

REGINALDO FERREIRA DA SILVA , 31, o Ferréz, escritor e rapper, é autor de "Capão Pecado", romance sobre o cotidiano violento do bairro do Capão Redondo, na periferia de São Paulo, onde ele vive, e de "Ninguém é Inocente em São Paulo", entre outras obras.