quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O tetra vem aí

Quem viu, sabe. O jogo de ontem contra o Náutico foi a prova dos nove. O tricolor do Morumbi está com pinta de campeão. Jogou com dois jogadores a menos e detonou, os que ficaram em campo correram por onze, foram para o sacrifício e viraram uma partida impossível. Ricardo Gomes acertou nas substituições, está calando a boca de quem achava que a equipe perderia qualidade sem Muricy. E quando as coisas dão certo do jeito que deram nesta noite, é porque o time tem estrela. Aliás, estrelas - a sétima, a quarta consecutiva. Palmeirenses, tremei!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Lula liberou: Meirelles vai para o PMDB

Está ficando mais clara a jogada em torno da filiação de Henrique Meirelles no PMDB. O presidente do Banco Central não foi para um partido pequeno, com pouco tempo de propaganda na televisão, mas para a legenda que mais capilaridade política possui no país, ainda hoje, embora evidentemente já não seja nem sombra do que foi na década de 80 do século passado. E é interessante notar que Meirelles só confirmou a filiação após a reunião com o presidente Lula, conforme revela a matéria abaixo, da Folha Online.

Apenas um beócio pode achar que o presidente Lula simplesmente ouviu as explicações de Meirelles e foi "convencido" pelos argumentos do presidente do BC. Ora, Lula é um animal político e a solução da ida de Meirelles justamente para o PMDB abre uma janela para uma nova estratégia da base governista na eleição de 2010. Se antes a ideia de Lula era forçar uma disputa plebiscitária em torno do seu mandato, com Dilma em um pólo e o candidato da aliança demo-tucana no outro - seja Serra ou Aécio -, a entrada de Marina Silva na corrida sucessória mudou rapidamente o cenário, forçando o presidente Lula a uma revisão desta estratégia. Agora, é possível que o governo vá para a eleição não com um, mas com três candidatos - Dilma, Ciro Gomes e o próprio Meirelles, partindo assim para uma "operação abafa" contra o candidato da oposição. Meirelles tem muito pontencial de ganhar votos conservadores que de outra forma migrariam para Serra ou Aécio. Dilma e Ciro dividem o campo da esquerda e podem também disputar o que o ex-prefeito Cesar Maia chama de "não-voto", ou seja, os eleitores que tendem a votar em branco, nulo ou simplesmente optar pela abstenção.

Com tal movimento, Lula diminui muito a chance de Serra (ou Aécio) levar a eleição já no primeiro turno - este blog diria que em tal cenário esta hipótese pode ser tranquilamente descartada - e, o que é mais importante, abre espaço até para uma decisão, no segundo turno, entre dois candidatos da base aliada. Tal cenário é hoje pouco provável, mas se Meirelles entrar no jogo, Serra vai precisar de muito gogó para sustentar os 34% de intenções de voto que tem hoje, pois parte do seu eleitorado conservador migrará para o time do presidente do BC.

Tudo somado, não dá mais, neste momento, para realizar nenhuma previsão concreta sobre a disputa de 2010. A eleição que caminhava para a velha bipolarização entre petistas e tucanos agora está totalmente aberta. O que no fundo é bom para a democracia - quanto mais candidatos viáveis e autênticos, melhor.

A seguir, a matéria da Folha Online:

Meirelles confirma filiação ao PMDB e assina a ficha nesta quarta


Depois de muita especulação e reuniões à portas fechadas, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, confirmou nesta terça-feira que vai se filiar ao PMDB. Ele não deu qualquer informação sobre em que cargo pode concorrer em 2010, o mais provável é que seja ao Senado, pelo Estado de Goiás.
"O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, decidiu hoje, após reunião com o presidente Lula, filiar-se ao PMDB. Amanhã, em Goiânia, às 11h, o presidente Meirelles assinará sua ficha de filiação ao PMDB", informou a assessoria do ministro.
Deputados peemedebistas dizem que já foram convocados para participar da filiação e organização a comemoração. "Já está tudo pronto [para a filiação]", disse o deputado José Nelto (PMDB). "Vai ser no aeroporto porque ele tem que viajar depois [para Copenhague]."
Meirelles se reuniu hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o assunto. Ele deixou a sede do governo acenando, mas sem falar com a imprensa.
O presidente Lula cancelou duas viagens que faria hoje para poder se encontrar com Meirelles. Lula participaria de um evento em São Paulo. À noite, o presidente estaria no Rio de Janeiro.
Como Meirelles precisava se encontrar com Lula antes de anunciar que decidiu se filiar ao PMDB, o presidente teve de cancelar suas viagens ao Rio e São Paulo. Lula viaja hoje à noite para Copenhague.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Uma revista megalômana

O que vai abaixo é o texto do autor deste blog para o Observatório da Imprensa. Em primeira mão para os leitores do Entrelinhas.

LEITURAS DE VEJA
Uma revista megalômana


A última edição do semanário mais lido do Brasil (2.132, com data de capa de 30/09) é a prova concreta de que muita coisa está errada neste país. O pessoal que trabalha no Itamaraty, por exemplo, não está dando expediente no lugar certo. Chanceleres e diplomatas de carreira deveriam todos bater ponto no modernoso prédio da marginal do rio Pinheiros, em São Paulo, ou mais precisamente, para quem não conhece, na sede da Editora Abril, responsável pela publicação de Veja. Sim, porque a matéria de capa desta semana – reproduzida abaixo e que levou o inspirado título “O imperialismo megalonanico”, um trocadalho horroroso perpetrado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, blogueiro da revista – é uma das coisas mais arrogantes que já foi publicada na imprensa brasileira.



A julgar pela reportagem de capa da revista, a turma de Veja deveria assumir imediatamente o comando do Itamaraty ou, se isto for pouco, tomar conta logo do Palácio do Planalto, que é onde as coisas são decididas. O tema da matéria, como o leitor já deve imaginar, é a participação brasileira na crise em Honduras, onde o presidente legitimamente eleito está refugiado na embaixada brasileira enquanto o governo golpista tenta negociar alguma saída que evite a volta de Manuel Zelaya ao cargo que lhe é de direito.

Para os editores de Veja, porém, a situação é bem diversa. Ponto um: a política de relações exteriores do governo federal está errada e o Itamaraty se submeteu à lógica do presidente venezuelano Hugo Chávez. Ponto dois: o golpe de Estado em Honduras foi uma “medida justificável”. Para ninguém dizer que trata-se de uma interpretação deste observador, cabe reproduzir o que foi escrito na revista: “Houve um golpe de estado? Sim. País pequeno e pobre, Honduras foi transformada num caso exemplar do repúdio da comunidade internacional aos golpes de estado. Foi castigada com sanções econômicas e congelamento nas relações diplomáticas. Exceto por isso, o problema não era tão grande. A medida de força foi, até certo ponto, justificável pelas leis do país. Até o momento do golpe, o maior perigo para a democracia era o presidente Manuel Zelaya.”

Pode parecer incrível, mas é isto mesmo que está escrito. Veja decidiu que o golpe não era um “problema tão grande”, que a medida de força foi “até certo ponto justificável pelas leis do país” e ainda que o perigo maior era o presidente constitucionalmente eleito Manuel Zelaya, cujo grande pecado teria sido propor uma consulta ao povo do seu país para que, junto com a eleição presidencial, decidisse se quer ou não convocar uma Assembleia Constituinte para rever as leis hondurenhas. Ao contrário do que se tem escrito por aí, esta é a verdade pura e simples: Zelaya não queria um novo mandato, o plebiscito não tinha esta intenção, mas tão somente convocar a Constituinte, se o povo assim decidisse.

Não é o propósito aqui de debater o episódio em si, o que interessa é a cobertura da revista que pretende dar profundas lições aos diplomatas e também ao presidente Lula. Veja mostra que sabe governar melhor do que ninguém e se mostra capaz de elaborar perfis muito profundos da alma das pessoas, mesmo sem entrevistá-las. É precisamente este o caso de Zelaya, que mereceu um parágrafo especialmente afetuoso, digamos assim, na reportagem do semanário da Abril: “Não se deve descartar a hipótese de que o homem seja um lunático. Como sugere sua queixa, na semana passada, de que ‘um grupo de mercenários israelenses’ estava perturbando seu cérebro com ‘radiações de alta frequência’. A paranoia dos raios mentais é um sintoma clássico de esquizofrenia. O certo é que Zelaya não cabe no figurino de um mártir da democracia.”

É deveras espetacular o nível de aprofundamento e a percepção certeira da revista ao elaborar o “perfil humano” do presidente hondurenho. Além do que, os leitores foram brindados com uma aula de psicanálise ao serem informados de que os raios mentais são sintomas clássicos de esquizofrenia – seria interessante saber quantos psicólogos e psiquiatras Veja consultou para chegar a esta conclusão tão peremptória. Mais ainda, a revista sabe com toda a certeza que “Zelaya não cabe no figurino de um mártir da democracia”, afirmação que simplesmente dispensou qualquer argumento adicional. Pois é, o homem parece ser o próprio coisa ruim, veste chapéu, usa guayabera, tem mais de dois metros de altura, então só pode ser o coisa ruim mesmo. E assim sendo, não pode gostar de democracia, conclui a revista...

Aos leitores que acompanham este observador nas análises que faz do material produzido pela redação de Veja para este Observatório, pode parecer até um tanto repetitivo, mas é preciso sempre voltar ao âmago da questão: o semanário da editora Abril há muito tempo não é um veículo noticioso, mas um panfleto político com objetivos e ideologia bastante claros. O que se lê na Veja não é jornalismo, mas proselitismo político. A revista tem lado e faz questão de mostrar, em todas as edições, os ideais que defende. Em algumas, até consegue disfarçar um pouco e apresentar como jornalismo o contrabando editorial que quase todas as suas matérias possuem. Em casos como o da edição corrente, a redação deixa o pudor de lado e vai direto ao ponto, abordando o leitor de maneira grotesca e impondo sua visão de mundo na forma de reportagem. Para o público mais desatento, a coisa pode até passar por jornalismo; para os mais politizados, deve até soar como uma espécie de humor nonsense, mas, na soma geral, é apenas propaganda disfarçada de algo remotamente próximo ao jornalismo.

Pausa esportiva

O que aconteceu com André Dias e Bosco ontem é o talking of the town desta segunda-feira. Se este blogueiro fosse o Ricardo Gomes, dava um mês de geladeira para os dois. Dênis e Rodrigo estão infinitamente melhores do que os dois patetas que fizeram a trapalhada do ano, com a ajuda do polêmico Richarlyson, outro que poderia dar um tempinho no banco. Mas não tem nada, não, os palestrinos estão cantando vitória cedo demais. Ano passado, nesta altura do campeonato, o tricolor estava a 11 pontos do Grêmio. Foi campeão. Agora é preciso tirar apenas 5 pontinhos. Muricy que se cuide.

sábado, 26 de setembro de 2009

Tucano lança candidatura do Henrique
Meirelles pelo PMDB. Será que ele aceita?

O que vai abaixo é um post do blog de Jorge Cunha Lima, ex-presidente da TV Cultura e um tucano de carteirinha. Não deixa de ser irônico que venha de um militante do PSDB o "lançamento", meio eufórico, até, do ex-tucano Henrique Meirelles à presidência da República. Guardadas as devidas proporções, este blog acha que Meirelles como candidato pode repetir o fiasco de Aureliano Chaves em 1989. É um nome aparentemente forte (Aureliano também era) e preparado (idem para Aureliano), ocupou cargo de relevância na administração pública (Aureliano foi vice-presidente), mas com um grande problema: ruim de política (a rigor, Aureliano era horrível, conseguiu "passar" uma pergunta em debate na televisão).

Ademais, é difícil acreditar que alguém com a marca de "banqueiro" possa vir a ocupar a presidência, ainda que Meirelles tenha a seu favor o fato de, em um passado longínquo, ter sido bancário e office boy. No fundo, pode mesmo ser uma jogada de Lula para dividir o eleitorado conservador e tirar votos de José Serra, abrindo caminho para que Dilma, mesmo com uma votação na casa dos 25%, passe para o segundo turno. O caráter da eleição presidencial de 2010 está mudando muito rapidamente, é possível que de uma eleição plebiscitária a disputa se transforme em um jogo de xadrez com muitas peças. Abaixo, o post de Cunha Lima.

MEIRELLES, CANDIDATO À PRESIDÊNCIA
Já havia previsto que se Meirelles entrasse para o PMDB não seria para ser Senador, Vice de ninguém e muito menos candidato a Governador de Goiás.
Meirelles sente-se preparado para ser Presidente da República, depois do sucesso da política financeira que capitaneou dentro do governo Lula, e porque a vontade de ser presidente é uma constante no desejo de qualquer brasileiro bem sucedido.
A candidatura de Dilma ainda não acabou, mas também não decolou. Heloisa Helena não vai perder a tribuna de senadora. Seu público apoiará a Marina. O PMDB detesta freqüentar palanques, apenas por princípio. O palanque, para eles, é uma perspectiva de poder ou de barganha. Com Dilma debilitada, Ciro crescendo e Serra na liderança, uma candidatura forte pode até mesmo atrair as atenções de Lula. Ninguém melhor do que o seu presidente do Banco Central, que lhe deve, para a vida, a revelação como homem público. Quem estranhar que Lula estaria apoiando um banqueiro pode também se lembrar de que Meirelles foi Office Boy do Bankboston e depois, de estudos politécnicos e uma longa carreira de bancário, alçou-se presidente internacional do banco multinacional, honraria só concedida a Meirelles, porque o Federal Research americano fez uma exceção para que um estrangeiro presidisse um banco dos Estados Unidos, nos Estados Unidos.
Creio que Serra, Meirelles, Marina e Ciro não pensam noutra coisa. Estarão alinhados no páreo do primeiro turno.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Avanço espanhol

Um amigo do blog contou uma história que faz bastante sentido. O banco espanhol Santander está fazendo IPO no Brasil para se capitalizar e conseguir fechar a compra do banco Safra, o oitavo maior do país. Se isto ocorrer, o Bradesco passará para a quarta posição entre os bancos em atividade no Brasil. Até a fusão do Itaú com o Unibanco, é bom lembrar, o Bradesco ocupava a segunda posição, atrás apenas do Banco do Brasil. Se isto é bom ou não, cabem aos analistas avaliar. Talvez um sistema financeiro sólido tenha mesmo de se assentar em grandes instituições, com espaço reduzido para os pequenos e médios. A ver.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ibope: queda de Serra é expressiva

Agora que a poeira começa a baixar, este blog finalmente vai analisar a pesquisa Ibope sobre o cenário pre-eleitoral da sucessão de Lula. Praticamente todos os jornais e portais da internet destacaram a subida de Ciro Gomes (PSB) e a "estréia" de Marina Silva (PV), que já chega a 6% das intenções de voto. São fatos importantes, mas a maior novidade foi ocultada das análises. O que chama atenção mesmo é a queda de José Serra (PSDB) na pesquisa. Sim, porque o governador de São Paulo está mudando de patamar - sempre esteve perto dos 40%, tendo até obtido intenção de votos superior aos 40% e agora aparece com 34%, muito mais perto da casa dos 30%, um nível perigoso e que pode até tirá-lo do segundo turno, caso a disputa de 2010 acabe embolada. Serra está preocupado, a nota abaixo, da jornalista Mônia Bergamo, publicada nesta quinta-feira na Folha de S. Paulo mostra bem isto.

O efeito recall de Serra é muito forte e todo político experiente sabe que quando a campanha eleitoral de fato começar, este ganho acaba e o que vale mesmo é a campanha em si, o programa na televisão e o discurso do candidato. Serra não tem hoje uma fórmula para apresentar aos eleitores - apostava na crise econômica para vender a ideia de que é o único capaz de gerenciar os problemas do país. Só que a crise não é, até o momento, um problema grave para o governo, ao contrário, a candidata de Lula poderá passar a campanha afirmando que o atual governo "venceu a guerra", ao passo que o tucanato sempre perdeu. Se optar por uma campanha parecida com a que realizou para o governo de São Paulo, baseada na sua própria biografia e sem entrar em bolas divididas, Serra vai perder espaço, pois a boa gestão no ministério da Saúde não é suficiente para contrabalançar os pontos negativos de seu governo em São Paulo - segurança pública à frente.

Comparativamente aos outros candidatos, é complicada a situação da oposição, pelo menos em termos do discurso possível neste momento. Ciro vai se apresentar como alternativa à Dilma, mas seguindo os passos de Lula. Ele dirá que é o mais viável na base governista, aquele que pode dar continuidade e melhorar o que está indo bem. Marina também já tem um discurso pronto, com foco no meio ambiente, mas trazendo para a sua candidatura a áura de "petista pura", ética e capaz justamente de adequar o bom governo de Lula (estão aí os 80% de aprovação que não deixam mentir) aos padrões éticos que uma parcela do eleitorado gostaria de ter no país. Heloísa Helena não será candidata, mas se por acaso mudar de ideia, disputaria com Marina esta mesma faixa do eleitorado. Dilma, é claro, vai colar em Lula, é a candidata da continuidade pura e simples.

Assim, é bom mesmo José Serra se preocupar com a queda expressiva de suas intenções de voto e procurar elaborar um discurso e plataforma coerentes para tentar manter o favoritismo que hoje possui. Não será nada fácil, porque, aliado ao DEM, sua candidatura pende para a direita, e o momento político latino-americano não está nada favorável a discursos conservadores ou liberais. O que está vindo com força no imaginário popular, ao contrário, é a crença no Estado como fomentador do desenvolvimento e regulador da iniciativa privada. Serra pode até pensar assim, de fato é um economista que sempre acreditou na teoria keynesiana, mas terá dificuldade de se apresentar desta maneira ao lado dos Bornhausens, Heráclitos, Demóstenes e outros democratas menos cotados, para não falar na "ala serrista" do PMDB, que traz dinossauros das mais variadas espécies. O jogo parece fácil para Serra, mas uma análise mais profunda revela que as dificuldades estão só começando.
A seguir, o texto de Mônica Bergamo.

MONTANHA-RUSSA
A comparação entre a pesquisa de ontem e os números divulgados pela mesma CNI em junho mostra que Serra caiu de 38% para 34%. Os técnicos e o governador, no entanto, trabalham com um número maior, já que comparam os dados com o de outra sondagem do Ibope, mais recente, feita entre 29 de agosto e 1º de setembro por encomenda do PMDB. Nela, Serra aparecia com 41%, Dilma com 13%, Ciro Gomes com 14%, Heloísa Helena com 9% e Marina Silva com 3%. Em relação aos números divulgados ontem, portanto, Serra caiu sete pontos, Dilma, Ciro e Heloísa Helena se mantiveram no mesmo patamar e Marina Silva dobrou de tamanho, para 6%.

Botando os pingos nos is

Excelente o artigo de Mauro Santayana publicado no Jornal do Brasil e reproduzido aqui diretamente blog do Noblat. Vale cada palavra escrita. O autor destas Entrelinhas não leu nada melhor sobre Honduras até agora. Na íntegra, para os leitores do blog.

Os fatos de Honduras e as versões distorcidas

O governo de fato de Honduras restabeleceu o suprimento de água e energia elétrica à Embaixada do Brasil, que havia sido cortado em flagrante violência aos princípios diplomáticos internacionais.

Esperava-se, no início da noite, a chegada do secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, a Tegucigalpa, com o objetivo de retomar o diálogo.

Qualquer que venha a ser o desfecho da crise, o Brasil não pode desculpar o insulto à sua soberania. Os Estados Unidos estão atuando com firmeza no episódio, como mostram as declarações da secretária de Estado Hillary Clinton.

Espera-se que Obama, passadas estas horas em que esteve ocupado com o problema da Palestina – onde se situa o Estado de Israel – venha a ocupar-se com maior atenção do que ocorre na América Central.

Quem ouve os comentários dos cientistas políticos e analistas internacionais das emissoras de televisão e lê alguns jornais brasileiros está certo de que Zelaya pretendia, em referendum popular – que ocorreria em junho passado – disputar um segundo mandato presidencial. Não é verdade.

Zelaya queria – e sem efeito vinculante – que o povo dissesse se concordava, ou não, que nas eleições de novembro próximo uma quarta urna fosse colocada nas seções eleitorais. Nessa urna especial, os eleitores aceitariam, ou não, a convocação de Assembléia Nacional Constituinte para redigir nova Carta Política.

A consulta direta ao povo, por iniciativa do presidente da República, é prevista pela atual Constituição de Honduras, em seu artigo 5º. Embora provavelmente nova Assembleia Constituinte pudesse tratar também do problema dos mandatos, a consulta de novembro não faria referência expressa a isso, nem Zelaya seria beneficiado: ela coincidiria com a eleição de seu sucessor, dentro das regras atuais do jogo.

Portanto, não é verdade que Zelaya pretendesse, com a consulta prévia – e frustrada com o golpe de junho – obter um segundo mandato presidencial. Zelaya e as forças políticas que o apoiam pareciam dispostas a avançar na luta pelo desenvolvimento econômico e social de um dos países mais pobres do mundo. Tendo sido eleito pelas oligarquias conservadoras, às quais pertence por origem familiar, Zelaya, no exercício do poder, modificou a sua orientação ideológica, encaminhando-se para uma posição de centro-esquerda.

A Constituição hondurenha, mesmo estando ultrapassada pela nova situação mundial, é taxativa, em seu artigo 3º, na condenação aos golpes de Estado.

Diz o dispositivo: “Nadie debe obediencia a un gobierno usurpador ni a quienes asuman funciones o empleos publicos por la fuerza de las armas o usando medios o procedimientos que quebranten o desconozcan lo que esta Constitución y las leyes establecen. Los actos verificados por tales autoridades son nulos. El pueblo tiene derecho a recurrir a la insurrección en defensa del orden constitucional”.

Se assim é, não foi exatamente Zelaya quem violou a Constituição, mas os golpistas, civis e militares, que o sequestraram com sua família, alta madrugada, e o baniram do país.

O que ocorreu em Honduras e tem ocorrido na América Latina é o conflito entre um presidente eleito por voto majoritário, com amplo apoio popular, e um Congresso que representa, sobretudo, o poder econômico conservador.

Pouco a pouco, Zelaya se foi distanciando das forças que o haviam elegido. Daí, provavelmente, a sua preocupação em buscar a convocação de nova Assembleia Nacional Constituinte – que poderia, eventualmente, promover a sua volta ao poder em 2014 – mas, também, consolidar algumas de suas medidas.

Se o ocupante da Casa Branca ainda fosse Bush, provavelmente Washington passaria a mão na cabeça de Micheletti. Caberia aos partidários de Zelaya organizar movimento armado, como tem ocorrido em algumas ocasiões, contra os golpistas, ou suportar a ditadura, como em outras.

Os tempos, felizmente, são outros. É preciso fazer da oportunidade – a da condenação continental quase unânime contra os golpistas hondurenhos – um ponto de inflexão na história continental.

O Brasil agiu corretamente. Não poderia ter fechado as suas portas a um presidente legitimamente eleito e violentamente deposto por um golpe. Os senadores Arthur Virgílio e Heráclito Fortes precisam reler os acordos internacionais sobre direito de asilo e de refúgio, além da inviolabilidade das representações diplomáticas e de sua proteção pela comunidade internacional, antes de criticar o Itamaraty.

Em resposta ao senhor Roberto Freire, a chancelaria pode informar que Zelaya chegou à embaixada de automóvel.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Rodini: palco eleitoral

Em mais uma colaboração para o Entrelinhas, o craque Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, escreve sobre o levantamento do Ibope sobre o cenário pré-eleitoral da sucessão do presidente Lula. Abaixo, na íntegra, para os leitores do blog. Mais tarde, a prometida leitura do Entrelinhas sobre os números da pesquisa.

A recente pesquisa Ibope revela um desgaste na candidatura Dilma , um avanço na de Ciro Gomes, uma melhora na de Marina Silva e Serra mantendo uma liderança inquestionável.
Ciro, ao mostrar-se seguro, parece arrogante. Pode tirar votos de Dilma e Serra no Nordeste, mas sempre desconfiamos que ele vá mostrar seu lado machista em excesso e sua auto-suficiência em demasia.
Marina, de fala mansa, agrada o eleitorado. Precisa debatar temas nacionais e manter como pano de fundo o meio ambiente. Tem a vantagem de ter se desgarrado do PT, mantido seu idealismo e conviccões. Sua origem humilde, gênesis acreana e companhia de Chico Mendes revela ser do PT puro, original e não do PT genérico que afasta suas melhores cabeças.
Heloisa Helena com seu discurso aguerrido, porém arcaico, perde o encanto. Dilma emPACa. A ausência de cargos eletivos em sua carreira política é um entrave. No momento é o apoio de Lula que a sustenta. A imagem percebida de Dilma pelos eleitores é de uma candidata que precida da bênção de seu chefe.
Serra surfa por possuir recall elevado das últimas eleições e, especialmente, pelo seu desempenho com ministro da Saúde corajoso que colocou os genéricos nas prateleiras das farmácias.
Lula flutua. Sua alta popularidade, apesar dos diversos deslizes de seus companheiros e dele próprio, concede ao presidente uma posição superior nesta eleição. Sabe que se pudesse ser candidato, estaria eleito. Porém, ao colocar um bigode maranhense em sua biografia, Lula abdicou de vez do PT de Marina, Chico Mendes e tantos outros.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Sem caráter de ofensa pessoal" pode?

Coisa finíssima a matéria abaixo, e mais ainda a justificativa do governador do Mato Grosso do Sul para as agressões gratuitas ao ministro Carlos Minc. Doravante, este blog adotará a mesma postura de Puccinelli ao escrever sobre o pré-candidato tucano José Serra (PSDB). Qualquer coisa publicada aqui será "sem caráter de ofensa pessoal".


Governador do MS xinga Minc por ações ambientais e defesa da maconha
Maurício Savarese
Do UOL Notícias

O governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), usou palavrões nesta terça-feira (22) para atacar o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, por defender a descriminalização da maconha e promover ações ambientais no seu Estado. Em reunião com empresários, o peemedebista afirmou que Minc é "viado e fuma maconha".

Mais tarde, o site do governo do Mato Grosso do Sul divulgou nota dizendo que as declarações de Puccinelli foram "sem caráter de ofensa pessoal" e que ele tem entrevista coletiva às 16h30 para tratar do assunto.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Minc afirmou que Puccinelli "é um truculento ambiental que quer destruir o Pantanal com a plantação de cana-de-açúcar. Essa declaração revela o seu caráter".

Era tudo que "o cara" queria

Tudo que o presidente Lula precisava agora é da notícia reproduzida abaixo, do portal G1: mais uma agência de risco atribuindo grau de investimento ao Brasil. Sim, é importante porque foi a primeira elevação de nota de risco desde o início da crise. Dá a Lula mais uma “prova” na tese de que o Brasil foi pouco afetado e de que por aqui as coisas não passaram mesmo de marolinha.

O presidente Lula tem uma eleição difícil pela frente porque não poderá disputá-la. Se concorresse, não teria adversário à altura. Dilma Rousseff não é lá uma Brastemp, mas com 80% de popularidade, na hora que a campanha começar, é possível que Lula faça a diferença. Para isto, porém, ele precisa de um discurso, não basta apenas dizer que Dilma é a sua continuidade. Com a economia nos eixos, este discurso está pronto: “se o tucanato voltar ao poder, vocês, brasileiros vão se lembrar como era um país que a cada marolinha lá fora sofria um tsunami aqui dentro”. É o discurso do medo de um retorno ao passado que ninguém quer nem de longe lembrar, quanto mais viver. Pode dar certo. Mesmo com Dilma.

Moody's atribui grau de investimento para a economia brasileira

Decisão da empresa de risco de crédito saiu nesta terça-feira (22).
Outras grandes agências internacionais já haviam dado a nota ao país.

Do G1, em São Paulo
A agência internacional de classificação de risco Moody's atribiu nesta terça-feira (22) o grau de investimento à economia brasileira. Era a última agência internacional que faltava dar tal reconhecimento ao país. Standard & Poor's e Fitch já haviam atribuído a nota ao Brasil no ano passado.
O grau de investimento, na prática, é uma recomendação para que os investidores coloquem mais recursos no país. A avaliação feita pelas agências considera as condições fiscais (das contas públicas) e as contas externas, além do marco regulatório e condições políticas, entre outros fatores.
A nota subiu de "Ba1" para "Baa3", primeiro estágio do grau de investimento, com perspectiva positiva para futuras revisões. A elevação já havia sido antecipada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no mês passado. Ele afirmou, no fim de agosto, que a nova classificação da economia brasileira sairia em setembro.
Em julho, a própria agência Moody's afirma afirmado que o Brasil já estava apto para receber a primeira concessão da nota de investimento desde o início da crise financeira internacional, no ano passado.
Comentários
"A elevação reflete o reconhecimento pela Moody's de que a capacidade de absorção de choques, incluindo a capacidade de resposta das autoridades, aponta para uma melhora significativa do perfil de crédito soberano do Brasil", segundo comunicado assinado por Mauro Leos, executivo da Moody's para a América Latina.
Para a agência, o Brasil exibe "evidências de robusta flexibilidade econômica e financeira". Segundo a nota da empresa, o país passou por uma recessão relativamente curta, que pouco afetou suas reservas, e também mostrou apenas uma deterioração moderada em indicadores como dívida do governo.
Ainda que a economia apresente crescimento negativo do PIB em 2009 e que haja alguma deterioração sobre os anos anteriores, Leos avalia que o desempenho geral do Brasil provou ser melhor do que a maioria dos países classificados como grau de investimento na categoria "Baa".
'Vencedor'
"Estas características sugerem que o Brasil é um “vencedor” se comparado aos outros países globalmente integrados classificados pela Moody’s", informa o texto, lembrando que, mesmo durante da crise, houve "ausência de estresse financeiro no sistema bancário".
“A notável melhora apresentada na estrutura de dívida do governo foi um fator importante para a elevação do rating,” diz o comunicado. “Menores riscos de crédito soberano foram um resultado direto de uma exposição reduzida aos riscos de taxas de juros e cambio no balanço do governo.”

Avaliação de Lula volta a subir

Pesquisa divulgada nesta terça-feira revela que a popuaridade do presidente Lula subiu em setembro, atingindo 69%. Em um cenário de pós-crise no Senado, CPI da Petrobras e outras artilharias contra o governo, é um resultado muito razoável. A partir de agora, a população vai julgar Lula pelo balanço dos oito anos de governo que se completam em 2010. E se nada de grave acontecer até outubro, este balanço terá sido positivo, portanto a popularidade presidencial só tende a subir. Mais tarde o blog comenta os números da pesquisa sobre o cenário eleitoral. A novidade é Marina Silva, e não o empate entre Ciro e Dilma. Aguardem.

Avaliação positiva de Lula sobe 1 ponto, diz CNI/Ibope
A avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de 68% em junho para 69% em setembro, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta terça-feira. Apesar da alta, o resultado obtido ainda é inferior a dezembro de 2008, quando a avaliação positiva do governo Lula era de 73%.


PS às 14h19: Um equívoco foi cometido na nota acima. A aprovação de 69% é do governo Lula, não do presidente. Segundo o Ibope, a aprovação ao presidente oscilou de 80% para 81%. Desculpem a nossa falha.

El País: o Brasil mais forte

Depois do Le Monde, agora a é a vez do espanhol El País elogiar a situação do Brasil – "não poderia estar melhor". E não é só na questão econômica, não: o jornal também elogia a liderança do presidente Lula. Este tipo de coisa definitivamente não faz bem à auto estima do tucanato, Fernando Henrique Cardoso em especial... Inveja mata!

Brasil alvoroça ordem mundial, diz 'El País'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a Nova York para participar da abertura da Assembleia Geral da Onu em situação "que não poderia estar melhor", segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo diário espanhol El País.
Lula deve pedir reformas nas instituições financeiras internacionais, um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e deve defender a intervenção do Estado na economia para evitar excessos financeiros, diz o jornal.
Lula "falará com a autoridade de quem chega com os deveres de casa muito bem feitos", afirma a reportagem, destacando que a crise financeira "não passa de uma lembrança no Brasil".
"O Brasil se recuperou com rapidez e dinamismo e provavelmente vai fechar o ano com crescimento bastante superior ao do resto dos países membros do G20." O presidente também deve pedir aos 192 países participantes da Assembleia Geral que não baixem a guarda diante da recente recuperação econômica e coloquem em prática as medidas anticrise que vêm sendo discutidas desde a cúpula do G20 em Washington, em novembro passado.
"Quando a crise mundial alcançou seu ápice, o Brasil anunciou um empréstimo ao FMI no valor de US$ 10 bilhões e, desta maneira, passou a formar parte do seleto grupo de sócios doadores da instituição", diz o jornal.
O jornal diz que Brasília considera a estrutura de órgãos como o Banco Mundial e o FMI está hoje totalmente obsoleta e não é representativa dos países emergentes.
"Desta maneira, o Brasil enfrenta uma semana de ofensiva diplomática para consolidar sua condição de líder regional sul-americano e novo ator de transcendência no panorama internacional." O Brasil, "que há anos assume o papel de porta-voz oficioso dos países em vias de desenvolvimento", também deverá reclamar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, "orgão onde se tomam as verdadeiras decisões", diz o jornal.
Para o Brasil, o assento seria uma forma de fazer com que os interesses do Terceiro Mundo sejam levados em conta "verdadeiramente".
Como argumento, o país conta com a indiscutível liderança na América do Sul, "esta supremacia se assenta em uma sólida economia que, segundo os analistas, já representa 57% do capital sul-americano".

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Coitada da oposição...

As chamadas abaixo, da Folha Online, revelam como será complicado para a oposição conseguir um discurso para a eleição de 2010, pelo menos no campo econômico. O Brasil vai bem, muito melhor do que José Serra calculou que poderia se sair na conjuntura da crise. Serra apostava no alto desemprego para se vender como "desenvolvimentista", agora volta à condição de gerente, um papel que Alckmin experimentou e não se deu lá muito bem. Lógico que é muito cedo para a base governista cantar vitória, até porque não é Lula o candidato (se fosse, nem Jesus Cristo conseguiria tirar o terceiro mandato dele). Mas que o caminho e o discurso dos governistas está óbvio - "é a economia, estúpido" -, já não resta mais dúvida alguma. A menos, óbvio, que um novo terremoto econômico detone o sistema até outubro de 2010.

Agência Moody's vê novo ciclo de expansão da América Latina e Brasil como líder da região

Segundo agência de classificação de risco, a América Latina foi bem sucedida em resistir à crise global.
# 32 milhões ascenderam de classe social, diz FGV
# Bradesco é banco mais rentável da AL e EUA
# Pesquisa: 58% dos brasileiros parcelam compras
# Crédito no Brasil volta a nível anterior à crise

Mais uma da marolinha

É, parece que as coisas estão cada dia mais próximas da normalidade "pré-crise" no Brasil. A matéria abaixo, capturada do portal UOL, mas de origem da agência Reuters, mostra a situação do mercado de crédito. Segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, as coisas estão já no patamar que estavam antes da turbulência de setembro de 2008. O presidente Lula é mesmo um homem de muita sorte - a "marolinha" poderia enterrar a candidatura governista, caso o país sucumbisse. Como não sucumbiu, agora é a oposição que tem de correr atrás do prejuízo e inventar um discurso para contrapor ao do presidente de que sob o seu comando, o Brasil "nunca quebrou", coisa que com os tucanos no Planalto, aconteceu três vezes. Se João Santana for esperto (e pagar royalties a este blog), deveria usar a imagem de que sob FHC, qualquer marolinha virava tsunami, ao passo de que no governo Lula, um tsunami se tornou mera marolinha por causa da ação firme do presidente. Se no è vero, è bene trovato! A seguir, a matéria do UOL.

Concessão de crédito no Brasil "voltou ao nível pré-crise"

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira que o "crédito voltou ao nível pré-crise" no país. Para ele, o Brasil voltou a ficar descolado dos demais países.
Nos primeiros 28 dias de agosto, disse, a média diária de concessão de crédito ficou próxima a R$ 7 bilhões.
Para Meirelles, o Brasil iniciou a crise com fundamentos sólidos --"estava entre os países descasados" que não seriam atingidos pela crise.
Mas a crise atingiu fortemente o país e agora ele "volta para o 'decoupling'".
(Reportagem de Paula Laier)

Jornal Oi?

Segundo informação do jornalista Lauro Jardim, da coluna Radar (revista Veja), a operadora Oi está com a intenção de comprar um jornal. A Oi é dona do iG e recentemente contratou Eduardo Oinegue, ex-Veja, para comandar uma reestruturação do jornalismo do portal. A informação de Jardim é boa e o mercado de jornalismo deverá ter outra boa mexida no ano que vem. Um novo jornal é uma operação arriscada, comprar uma marca já conhecida torna as coisas mais simples. Há alguns títulos disponíveis ou cujos acionistas aceitam conversar sobre o assunto. No fundo, muita coisa vai mudar no cenário da mídia brasileira com a entrada das teles no jogo. Até aqui, elas têm sido bem tímidas, aguardando a definição do marco regulatório do setor (PL 29, especialmente), antes de começar a investir.

sábado, 19 de setembro de 2009

Acabou o prazo

Faltam 15 minutos para o dia 20 de julho. Muita gente vai ler esta nota já no dia 20, por sinal. Este dia 19 é uma data histórica para o jornalismo. Há dois meses, no dia 19 de julho, a Folha de S. Paulo estampava em sua primeira página o seguinte título, que pode ser conferido na reprodução da capa, abaixo: "Gripe suína deve atingir pelo menos 35 milhões no país em dois meses". Bem, na época este blog afirmou que se tratava de uma barriga imensa e uma irresponsabilidade sem precedentes do jornal da Barão de Limeira. O Ombudsman da Folha concordou, embora tenha sido brando na crítica. Agora, dois meses após o vaticínio estúpido e leviando, terá a Folha a coragem necessária para reconhecer o erro? Ou será que vai tudo passar em brancas nuvens, sem maiores esclarecimentos. O leitor deste blog (e da Folha) sabe: a gripe suína NÃO infectou 35 milhões de brasileiros e os mortos em decorrência da doença nem sequer atingiram o montante dos que morrem de gripe "normal", a cada inverno. No fundo, a gripe suína é uma grande cascata da imprensa. A irresponsabilidade deveria ter limites. Na Folha, pelo menos, não tem.

Uma bola dentro de FHC

Este blog não tem grande simpatia pelo legado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas a entrevista às páginas amarelas da revista Veja merece ser lida. O tema não é política nacional nem internacional, mas a questão das drogas. E Cardoso se sai muito bem ao defender a liberação da maconha e a ideia de que o usuário tem que ser tratado, e não punido. São posições muito razoáveis e corajosas - vá alguém perguntar a José Serra o que ele pensa sobre o assunto e a resposta será, como sempre, evasiva. Serra não entra em bola dividida, coisa que agora FHC está fazendo. O autor destas Entrelinhas acha o cheiro de mato queimado um horror, a "droga" que utiliza é mais nobre - o velho e bom malte escocês -, mas não há como não defender a liberação de tantas substâncias que, se fazem mal, não fazem muito mais do que tabaco e álcool. A seguir, na íntegra, a defesa da Cannabis, by FHC. E olha que ele garante que não tragou...

Entrevista Fernando Henrique Cardoso
FHC sobre THC

O ex-presidente diz que decidiu defender a descriminalização da maconha por acreditar que a política de combate às drogas fracassou nos países do continente americano


Thaís Oyama
Otavio Dias de Oliveira

Fernando Henrique Cardoso é dono de uma biografia extraordinária. Sociólogo brilhante, como político teve papel relevante na redemocratização do país, criou o Plano Real, foi o primeiro presidente da República reeleito da história do Brasil e hoje é presidente de honra do PSDB. Agora, aos 78 anos, decidiu jogar o peso de sua imagem em favor de uma causa polêmica, a descriminalização da maconha, tema do documentário Rompendo o Silêncio, que aceitou estrelar e que será dirigido pelo jovem Fernando Grostein Andrade (diretor de Coração Vagabundo, sobre Caetano Veloso). O documentário só será lançado depois das eleições presidenciais. FHC afirma que nunca fumou cigarros comuns, tampouco os de THC, tetra-hidrocanabinol, a substância psicoativa da maconha.

O senhor sempre foi favorável à descriminalização da maconha, mas nunca havia defendido a ideia abertamente. Por que decidiu fazer isso agora?
De fato, é uma preocupação antiga. A Secretaria Nacional Antidrogas, criada quando fui presidente da República, já formulava a ideia de que não adianta só reprimir. Essa iniciativa minha, portanto, não é algo inteiramente novo e deriva de uma única preocupação: a forma como vem sendo conduzido o combate às drogas nos países americanos. As coisas vão mal nessa área.

O que o levou a essa constatação?
Em março, em Viena, houve uma avaliação dos esforços feitos nos últimos dez anos. Nesse período, prevaleceu a posição americana de que era necessário empreender uma guerra total de repressão às drogas. Só que esse projeto envolveu muito dinheiro e apresentou pouco resultado. A violência aumentou e não houve a diminuição nem da produção nem do consumo. A Colômbia, por exemplo, fez esforços extraordinários e conseguiu um grande avanço sobre os guerrilheiros, desorganizou muita coisa dos cartéis, mas, mesmo assim, chegou a uma situação paradoxal: teve um aumento na produtividade do plantio da droga. Isso porque, enquanto ela diminuiu a área cultivável, os contrabandistas compensaram a perda aumentando a produtividade por meio do uso de técnicas mais modernas de plantio. Além disso, houve uma transferência dos cartéis colombianos para o México e lá a coisa ficou muito séria, porque o país não estava institucionalmente preparado, como a Colômbia, para fazer frente ao desafio.

Qual foi a falha fundamental da política americana de combate às drogas?
Primeiro, não se pode dar uma receita única para todos os países. Eles têm especificidades: um é produtor, outro é só consumidor, um é mais liberal do que outro. Não adianta prescrever uma saída única para todos. Depois, não se pensou na redução do consumo, mas apenas em frear a produção. É preciso mudar o paradigma: além de pensar numa política de redução do consumo, deve haver também uma política de diminuição do dano. O usuário precisa ter assistência médica. Nos Estados Unidos, agora é que começa a haver uma pequena mudança. Nessa reunião em Viena, os americanos concordaram que seria possível oferecer seringas aos drogados como forma de diminuir a disseminação de doenças contagiosas. Até então, nem isso era aceito. O usuário era visto como alguém a ser punido.

Os modelos europeus seriam mais eficientes?
A Europa tem experiências variadas, mas segue mais em outra direção: o usuário é visto como um problema médico e o traficante como bandido. Essa matéria é muito delicada, e é preciso deixar claro que eu não estou dizendo que a droga não faz mal. As drogas causam danos, todas elas. Há estudos que mostram que a Cannabis pode levar à esquizofrenia. Então, não é "liberou geral", tem de haver um controle. Mas acho que, no caso dos usuários, é possível dizer que o melhor é descriminalizar.

Muitas mães pensam da seguinte maneira: "Meu filho adolescente não fumou maconha até hoje, entre outros motivos, porque ele sabe que, no mínimo, pode ir parar na delegacia por causa disso. No entanto, se fumar maconha deixar de ser crime, meu filho poderá perder esse receio e ficar mais perto das drogas". O que o senhor diria a essas mães?
Eu diria o seguinte: o fato de o fruto ser proibido é que dá mais vontade no seu filho de experimentá-lo. E diria que elas têm de tomar cuidado e estar o tempo todo dizendo a ele que aquilo pode fazer mal. Mas não adianta falar que não dá prazer. Se elas dizem isso, o filho pode responder: "Ah, mas o meu amigo fumou e não é nada disso". A imagem mais apropriada a ser usada para fazer um alerta é a da sereia. Se você ceder ao seu beijo, meu filho, ela vai levá-lo para o fundo do mar. Quer dizer, embora você possa ter um prazer momentâneo, isso vai ter um preço.

Mas se, como o senhor diz, a proibição funciona como um atrativo, por que há indícios de que o consumo da maconha aumentou no Brasil depois da lei que, em 2006, substituiu a prisão de usuários por punições alternativas?
Eu não tenho esse dado. Há muita ideologia nessa discussão e a gente tem de ir com cuidado. Essa mudança é muito recente e não há nem tempo para esse tipo de avaliação. Agora, ninguém está aqui para dizer que a droga deve ser incentivada. Estamos aqui para falar o seguinte: os mecanismos que vêm sendo usados para combater as drogas estão surtindo resultados frustrantes. Vamos buscar outros mecanismos para reduzir o consumo. O dado de Portugal é ilustrativo: o país não descriminalizou a maconha, liberou. E o consumo diminuiu.

Liberar significa não só descriminalizar como permitir o acesso legal à droga. O senhor considera que esse pode ser um modelo para o Brasil?
Eu não considero, não. Preciso examinar melhor isso. Por enquanto, só estou tomando conhecimento: Portugal fez isso e o resultado foi esse. Alguma coisa tem de ser feita e não dá para ficar preso à ideia de que se resolve o problema na base do prende, mata, esfola. Por outro lado, é preciso estar sempre insistindo: bandido é bandido e tem de ser posto na cadeia, não se pode confundir as coisas.

Descriminalizar o uso não significa, então, descriminalizar o comércio. Ou seja, para que o usuário tenha acesso à droga, terá de entrar em contato com criminosos. Como se resolveria essa questão?
Essa questão ainda está para ser discutida. A sociedade tem de, pouco a pouco, tomar consciência sobre o que fazer. Não existe receita, não estou dando uma receita. Estou dizendo que acho que é necessário mudar o paradigma: em vez de concentrar todos os esforços na repressão, você poupa os recursos existentes para as campanhas educacionais e para a busca da redução do consumo.

E por que não fazer as duas coisas concomitantemente, como no modelo sueco, que investe fortemente na prevenção e na repressão dura?
A repressão tem de ser dura mesmo. Mas não adianta ser dura com o consumidor. Se você o colocar na cadeia, ele vai continuar fumando, só pagará um preço mais alto por isso.

Mas, no Brasil, desde 2006, ninguém vai mais para a cadeia por fumar maconha.
O problema do Brasil é outro: é a dubiedade da legislação. Ela não faz a distinção clara entre o usuário e o traficante, e isso dá margem à extorsão por parte da polícia. Aqui, o problema não é a ideologia repressora, é a malandragem que essa zona cinzenta permite. Mas um deputado, que é inclusive do PT, já está preparando uma lei para resolver isso.

Como o senhor lidou com o assunto na adolescência de seus filhos?
A adolescência deles foi bem diferente da minha. Na minha, não havia essas questões. Eu não fumei nem cigarro e só vim a tomar álcool depois de casado. Meu pai era militar, puritano, eu não tive experiência pessoal com isso...

Mas o senhor já declarou que fumou maconha uma vez em Nova York e não gostou.
Eu não fumei uma vez, eu senti o cheiro do cigarro uma vez em Nova York...

Não tragou.
Eu não sei tragar nem cigarro! Mas depois de falar isso quase me liquidaram, dizendo que eu era maconheiro. Eu sou muito sóbrio com essas coisas, não fumo cigarro, nunca vi cocaína na minha vida.

Voltando à experiência com seus filhos.
Sim, eles não gostam muito que eu fale sobre isso. Mas vamos lá: em 1971, eu era professor em Stanford e eles estavam no colégio. Guerra do Vietnã, ecos da Califórnia, aquela coisa liberal e tal. Nós recebíamos em casa um boletim em que a escola dava a proporção de crianças que tinham experimentado cada droga: 10%, 15%, uma coisa assustadora. Eu e a Ruth conversávamos com eles sobre o assunto. E, que eu saiba, eles nunca tiveram nenhum problema com isso. A verdade é a seguinte: as estatísticas mostram que a quantidade de pessoas que, numa determinada fase da vida, provaram maconha, e até cocaína, é muito grande. E a quantidade de pessoas que persistiram no uso não é.

Mas estudos indicam que a maconha, se não é necessariamente uma porta de entrada para outras drogas, é ao menos um fator de risco para isso.
Eu diria que pode ser. E que as pessoas têm de ter cuidado com isso. Mas o álcool e o cigarro também podem ser fatores de risco. Você tem de ter cuidado sempre. Eu não tenho base científica para dizer se isso é verdade ou não. Eu quero reiterar que não sou um especialista no assunto. Entrei nessa história por razões políticas e democráticas, movido pela percepção de que as coisas vão mal.

Em 1994, quando era candidato à Presidência da República, o senhor se recusou a falar sobre a descriminalização da maconha, sob o argumento de que sua opinião poderia ser explorada politicamente. Não teme que isso ocorra agora, às vésperas das eleições presidenciais de 2010?
Mas eu não estou nessa eleição. Não sou candidato e não estou opinando como líder político. Estou falando como intelectual.

Mesmo assim, o senhor não receia que o ônus dessa posição possa recair sobre seu partido?
Acho que nós temos de evitar essa armadilha. Quando eu era presidente, não criei uma secretaria para trabalhar pela prevenção? Eu não estou dizendo: "Fume maconha". Estou dizendo: "Fumar maconha faz mal e nós temos de tratar quem fuma".

Mas, para grande parte da população, o usuário de maconha é o "maconheiro", palavra que está associada a marginais e drogados em geral.
Veja bem, eu fui vítima disso e fui presidente da República duas vezes. O Obama disse que fumou maconha – teve a coragem de dizer, com tranquilidade – e está lá, presidente da República. Então, temos de acabar com esse atraso. Estou aqui tratando de ver qual é a melhor maneira de reduzir os danos que a droga causa. Politicamente, é isso.

O que as pessoas mais próximas do senhor no PSDB pensam sobre o assunto?
Eu nunca conversei com ninguém do PSDB sobre isso e quase posso assegurar que a maioria do PSDB pensa como o homem comum – e o homem comum tem horror de pensar nesse assunto. Mas, como se trata de um drama social, ou se toma consciência de que temos de fazer algo diferente do que temos feito, sem covardia e sem leniência, ou seremos irresponsáveis. Alguém tem de ter coragem de dizer essas coisas. Agora, certamente, o pessoal pode ficar chateado... Mas eu não sou candidato, sou só presidente de honra do partido.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O fator Chalita

Muito boa a análise do repórter Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, em seu blog, sobre bastidores da saída de Gabriel Chalita do PSDB. Para quem acha que José Serra já é o candidato do PSDB à presidência, trata-se de uma ducha de água fria.

Chalita vai ao PSB com a benção de Aécio e para ser o plano B de Geraldo Alckmin

O tucano e geraldista Gabriel Chalita está entrando no PSB. Essa é a informação conhecida. O bastidor é mais apimentado.
Chalita conversou reservadamente com Aécio Neves para receber a benção do tucano mineiro a respeito da troca da canoa tucana pelo PSB paulista. Foi abençoado. Ontem (16.set.2009), bateu o martelo com o principal cacique do PSB, o governador de Pernambuco Eduardo Campos.
Geraldo Alckmin tem em Chalita um de seus mais fortes puxadores de votos na região metropolitana da capital paulista. Em 2008, Chalita foi o mais bem votado vereador na cidade de São Paulo, com 102.048 votos.
Alckmin esboçou no final de 2008 um desejo de ele próprio pular para o PSB. Não deu certo. Lula não se animou em vê-lo num partido de sua base. O petista detesta Alckmin. Credita ao tucano alguns ataques que considera além do aceitável na disputa presidencial de 2006.
Mesmo assim, Alckmin estava determinado a sair do PSDB no final do ano passado. Achava que não teria espaço no partido para ser candidato a governador em 2010, pois não se dava com José Serra.
Por essa razão o próprio Serra ficou com medo de ter um candidato como Alckmin fora do PSDB em 2010. Trouxe Alckmin para seu secretariado estadual e acorrentou o antigo adversário à sigla.
Alckmin sabe o que se passa. Não tem mais como sair do PSDB. Resolveu então mover pedras importantes no tabuleiro de 2010. Se Serra acabar mudando de ideia mais adiante e não deixá-lo ser candidato ao Palácio dos Bandeirantes, Alckmin terá uma excelente opção dentro do PSB para apoiar na disputa pelo governo estadual paulista: Gabriel Chalita.
Ainda mais agora que Aécio Neves também está ciente da estratégia e já deu seu nihil obstat para a entrada de Chalita no PSB. Aliás, se tudo der errado para Alckmin e Aécio no PSDB, Chalita pode tranquilamente subir em São Paulo no palanque presidencial da petista Dilma Rousseff. Seria um tucano avançado no campo adversário, com o objetivo de minar as chances de vitória de Serra na disputa pelo Planalto.
Como se observa, o jogo entre os tucanos ainda está longe de ser um jogo jogado.

Conforme queríamos demonstrar

Sobre a nota Serra e a ingenuidade na política, não demorou dois dias para a tese ali apresentada ser confirmada por um colunista bastante bem informado. Gilberto Kassab será, sim, candidato ao governo de São Paulo. O DEM não tem outro nome nem vai querer perder a chance de conseguir um dos cargos mais importantes do país. Orestes Quércia combinou antes, vai ficar com a prefeitura (Alda Marco Antonio é a vice de Kassab). E Serra, que está se fazendo de mudo, vai esperar outubro chegar para só então se pronunciar: dirá que não pode "impedir" Kassab de ser candidato. Alô, Geraldo, fique esperto, o governador vai te devolver a resteira que você deu nele em 2006. É só esperar...

Kassab na cabeça

De Ilimar Franco:

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), está determinado a disputar o governo paulista em 2010. Ele só não entrará em campo se o PSDB optar pelo secretário Aloísio Nunes Ferreira. Sobre o veto do governador José Serra às articulações de Kassab, seus assessores dizem que não passa de uma cena. Candidato a presidente, Serra precisa do ex-governador Geraldo Alckmin no PSDB. Ele tem sido assediado pelo PSB e pelo PV.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Reconhecimento necessário

Alô, tucanos, alô, democratas. Não é da Agência Brasil o conteúdo abaixo, é do UOL, reproduzindo o Le Monde francês, aquele da terra de FHC e de tantos outros çábios, como diria o Elio Gaspari. É chato, mas Lula tinha razão...

Lula teve 'visão correta' ao falar que crise era 'marolinha', diz 'Le Monde'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma visão "bastante correta" ao dizer, no ano passado, que a crise no Brasil provocaria apenas uma "marolinha", diz artigo publicado no jornal francês Le Monde nesta quinta-feira (leia a matéria em português aqui).

O diário argumenta que a recessão no Brasil durou apenas um semestre, citando o aumento de 1,9% do PIB no segundo trimestre de 2009, após queda nos dois trimestres imediatamente anteriores, além da recuperação da Bolsa de Valores de São Paulo e do real.

"A rápida recuperação do Brasil demonstra a precisão da estratégia adotada pelo governo e concentrada no apoio do mercado interno. As reduções de impostos a favor das indústrias de automóveis e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nestes nestes dois setores cruciais", afirma o jornal, lembrando ainda que a confiança do consumidor brasileiro jamais chegou a ser abalada.

No artigo, intitulado "A retomada do crescimento mundial se baseia nos Brics", o Le Monde traça o panorama econômico dos países do grupo - Brasil, Rússia, Índia e China - um ano após a queda do banco Lehman Brothers, considerada o marco da atual crise financeira global.

Outros países
"É para os grandes países emergentes que se direciona hoje a esperança de que a fase de recuperação do nível de vida vai se acelerar. E que seus modelos de crescimento, até hoje essencialmente baseados nas exportações, vão progressivamente dar lugar a um novo modelo de desenvolvimento, garantindo mais importância à demanda interna", diz o jornal.

Sobre a China, o Le Monde afirma que a previsão de crescimento de 8% para o PIB de 2009 deve ser atingida, mas ressalta que o modelo econômico do país favorece o investimento em detrimento do consumo.

O diário francês lembra que a Índia conseguiu manter um crescimento sustentado, principalmente nos setores de indústria e serviços.

Já a Rússia, tida como o país mais atingido dos Brics pela crise, também parece estar se recuperando, de acordo com o Le Monde, com um aumento do PIB nos últimos meses.

Kassab vai mal na mídia?

Está na primeira página da Folha de S. Paulo desta quinta-feira:

Kassab vai cortar alimentação de criança em creche

Não é o tipo de coisa que político algum goste de se associar. Chama atenção que a Folha tenha optado por um título tão duro, mas é preciso um pouco de calma antes de avaliar se Giberto Kassab (DEM) já perdeu o apoio da mídia. É muito comum, especialmente na Folha, a tática de "bater nos queridinhos" em alguns momentos para provar isenção. Basta pensar em como seria noticiada esta mesma medida, se tomada por Marta Suplicy (PT). O destaque seria maior, a cobertura, mais intensa e provavelmente ela apareceria como "traidora" dos ideais do PT. Já o engenheiro Kassab aparece nas matérias em um tom mais frio - é o gerente que precisa cortar custos e tem as respostas para as suas ações na ponta da língua. Sim, é uma diferença e tanto.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Alô, Jungmann, vossa excelência
vai reclamar da poupança de novo?

O governo está propondo uma taxação da caderneta de poupança, apenas para investidores que têm mais de R$ 50 mil nesta modalidade, a fim de permitir que a taxa de juros básica, a Selic, possa cair mais. É uma medida perfeitamente razoável e que afeta apenas 1% do total de investidores na poupança. É justo que os mais abonados paguem a conta para que a sociedade como um todo tenha um ganho substancial na redução dos juros básico. Justo e importante, porque do contrário não será possível abaixar a Selic muito mais do que o atual patamar.

O que este blog está curioso para saber é se a oposição, PPS em especial, vai reeditar a vergonhosa campanha contra as modificações com o mesmo mote de comparar o que o atual governo está fazendo com o que fez Collor de Mello - um confisco. Meses atrás, o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) foi à televisão para dizer que Lula iria "confiscar a poupança". Ninguém deu muita bola e os aportes neste tipo de investimento cresceram, com a perda de rentabilidade dos demais. A irresponsabilidade do nobre parlamentar ficou patente, talvez agora ele tenha percebido o erro. Mas também não é para esperar muita coisa, pode ser que ele volte à carga com o mesmo discurso tacanho que já fez, parece que com algum orgulho, até. Alô, Jungmann, o que o senhor achou da ideia do governo? Conte logo, ou vai ficar meio chato...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Contagem regressiva...

Faltam quatro dias para que a profecia da Folha de S. Paulo sobre o contágio de 35 milhões de brasileiros com a gripe suína se concretize. O jornal escreveu, em 19 de julho, que nos dois meses subseqüentes este montante de pessoas seria infectado. Este blog espera ansiosamente ler, no dia 19 de setembro, os dados consolidados sobre a doença no Brasil. E espera que saia na primeira página, com o mesmo destaque da irresponsável matéria publicada em julho. Ou pelo menos na seção erramos (que alguns coleguinhas mais sarcásticos costumam chamar de “cagamos”). Vamos aguardar...

Serra e a ingenuidade na política

A matéria abaixo, do excelente repórter José Alberto Bombig, da Folha de S. Paulo, revela que o governador José Serra (PSDB) estaria vetando a candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) ao governo de São Paulo para evitar que Geraldo Alckmin deixe o ninho tucano e dispute o palácio dos Bandeirantes por outra legenda. Ora, é óbvio que Serra prefere Kassab a Alckmin, mas também é evidente que ele está de olho mesmo é na sua própria campanha, não quer deixar Alckmin se desgarrar agora, pois sabe que o ex-governador é muito forte eleitoralmente. Bem, mas quando setembro passar e outubro chegar, o prazo para as mudanças de partido com vistas às próximas eleições terá se encerrado, e aí é que, como diz o presidente Lula, o bicho vai pegar. Se este blog estiver certo, Serra vai mandar Alckmin catar coquinho e acabará com o tal veto à candidatura Kassab. Na boa matéria de Bombig faltou este dado. O repórter sabe perfeitamente que política é isto aí, um veto hoje não significa nada amanhã. Alckmin também sabe disto e tenta construir sua candidatura amarrando o tucanato, mas da mesma maneira que conseguiu dar um xeque-mate em Serra na disputa interna em 2005/06, poderá tomar uma rasteira do atual governador a partir de outubro...

Veto a Kassab tem como objetivo evitar saída de Alckmin do PSDB

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
da Folha de S.Paulo

O veto do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), à articulação do prefeito Gilberto Kassab (DEM) para tentar concorrer ao governo do Estado no ano que vem foi um gesto do tucano na tentativa de evitar que Geraldo Alckmin deixe o PSDB até o final deste mês e concorra ao cargo por outro partido.
Líder disparado na mais recente pesquisa Datafolha, Alckmin, ex-governador e atual secretário do Desenvolvimento do governo Serra, recebeu sondagens de PSB, PTB e PV.
Os verdes estão dispostos a montar um palanque forte para Marina Silva, sua presidenciável, em São Paulo, e sonham contar com Alckmin.
PSB e PTB, apesar de integrarem a base de Serra, ainda avaliam apoiar o candidato (ou a candidata) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O vereador de São Paulo Gabriel Chalita (PSDB), histórico aliado de Alckmin, já anunciou que estuda deixar o PSDB para concorrer ao Senado. A decisão foi entendida no Palácio dos Bandeirantes como um recado claro de que Alckmin poderá fazer o mesmo se não tiver garantia de que irá concorrer ao governo com o apoio de Serra.
No PSDB, Alckmin disputa com o secretário da Casa Civil paulista, Aloysio Nunes Ferreira, o direito de se candidatar. Desde meados deste ano, no entanto, Kassab também vem articulando uma pré-candidatura com o apoio de parte do grupo serrista.
A ideia do DEM seria lançar Alckmin ao Senado ou à Câmara dos Deputados, hipóteses que o tucano não cogita.
Kassab nega: "Todos sabem que eu ficarei até o final de meu mandato e que existe em São Paulo uma aliança do PSDB com o DEM".
Segundo tucanos, o potencial de estrago de uma candidatura de Alckmin por outro partido é considerado muito alto para os planos de Serra de disputar a Presidência. Isso ocorre porque Serra seria pressionado a concorrer à reeleição para diminuir os riscos de o PSDB deixar o poder em São Paulo.
Páreo
Negando que Serra tenha sugerido que abandonasse a disputa, Nunes Ferreira deixou claro que não desistiu ao dizer que só no ano que vem decidirá se disputa as convenções contra Alckmin.
Serra, por sua vez, negou que tenha negociado apoio a Alckmin. "Não houve essa conversa. Não estou tratando de sucessão. Até porque sou governador e vou começar a tratar de sucessão aqui agora?"

domingo, 13 de setembro de 2009

Melhor do que o previsto

Palmeiras e Inter perderam seus jogos. Agora, o São Paulo está em terceiro lugar, empatado com o Inter, que tem uma vitória a mais, e a apenas um pontinho do líder. Na próxima rodada, o tricolor pega o Santo André e o Palmeiras joga, fora de casa, contra o Cruzeiro. O Inter enfrenta o Vitória na Bahia. Não é por nada, não, mas a previsão de quatro rodadas para o São Paulo chegar à liderança pode estar bem furada. Vai acontecer antes...

Pausa esportiva

Neste momento, o glorioso tricolor do Morumbi está com confortáveis 43 pontos no Brasileirão. O atual líder Palmeiras, um ponto à frente, e Inter, empatado com o São Paulo, jogam hoje partidas complicadas, contra Vitória e Cruzeiro, respectivamente. Este blog aposta que em quatro rodadas, no máximo, o líder será outro e que da ponta não sairá mais até o hepta-tetra consagrador, salvo, é claro, uma armação da cartolagem para impedir o feito. É chato, mas futebol é assim mesmo, especialmente em torneios de pontos corridos, vencem os melhores. E o São Paulo há muito tempo consegue reunir um elenco versátil e de boa qualidade, tendo como parâmetro o que se vê em terras tupiniquins. Sim, o São Paulo vem conseguindo superar, nos últimos anos, até mesmo os, digamos assim, erros de arbitragem. Tudo somado, porcos e colorados, tremei: o campeão voltou!

Aécio afinou?

Se verdadeira a reportagem abaixo, publicada no Estadão deste domingo, José Serra já é o candidato do PSDB à presidência da República. É até natural que seja assim, Serra está bem nas pesquisas e tem a sua "última chance", mas a verdade é que a matéria está meio esquisita, pois não há uma única fonte confirmando o tal acordo. Há uma frase de Aécio, meio vaga, sobre outras formas de disputa que não as prévias. Se o governador de Minas Gerais vai abdicar da disputa, o tempo dirá. Mas que a reportagem do Estado não passa de uma cascata, como se diz no jargão da profissão, também é verdade. Cascata (ou encomenda do PSDB paulista?) com direito à chamada na primeira página.

Serra e Aécio fazem acordo para evitar realização de prévias

Governador mineiro, principal defensor da disputa interna, aceita alternativas para definir candidato em 2010

Christiane Samarco e Rui Nogueira

Não haverá eleições prévias no PSDB para escolher o candidato tucano que vai disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no ano que vem. O acordo tático entre os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, os dois nomes mais fortes do PSDB, está estabelecido numa frase: "Nada de disputa entre nós."

No pacto entre os dois governadores não há uma definição de candidato para a cabeça de chapa tucana, embora a maioria do partido adote a candidatura Serra como a mais provável. O que define, porém, as prévias como desnecessárias é o acerto de que um terá o apoio do outro para a definição do candidato titular.

Na quarta-feira, em entrevista concedida em Belo Horizonte, Aécio não só admitiu de público a hipótese de se adotar outro "instrumento de escolha", que não as prévias, como chegou a sugerir um "conjunto de análises que inclua pesquisas eleitorais", desde que se levem em conta aspectos como o baixo nível de rejeição, a capacidade de aglutinação e o potencial de crescimento, que ele considera seus pontos fortes.

As referências de Aécio à hipótese de não haver prévias e aos seus trunfos eleitorais foram lidos como sinal de manutenção da pré-candidatura - o que é visto com naturalidade dentro do PSDB. O governador mineiro vai mesmo tirar licença do comando do Estado por pelo menos 15 dias, para fazer um tour nacional em pré-campanha, começando pelo Nordeste. Ele entende que o período de outubro a novembro será decisivo para firmar seu nome como alternativa tucana à sucessão de Lula.

A cúpula do PSDB, depois do "acordo de conduta" entre os dois e da definição do apoio mútuo, qualquer que seja a decisão mais adiante, considera que não é hora mesmo de Aécio e Serra abrirem mão das pré-candidaturas. A direção tucana vê a exposição de Aécio fora de Minas como um investimento politicamente utilitário. É bom ele ser mais conhecido em outras regiões, dizem os líderes do partido, "para ser cabeça de chapa, vice ou mais um tucano de expressão nacional puxando a eleição de 2010".

MOMENTO

Pelo lado de Serra também há sinais de mudança de calendário e de confiança na empreitada eleitoral. O governador paulista, que defendia a tese de que anúncio do candidato só fosse feito em fevereiro ou março de 2010, já admite que o PSDB faça a escolha "na virada do ano". É possível até que a decisão seja tomada entre o fim de novembro e início de dezembro.

Diante do levantamento CNT-Sensus da última semana, mostrando que o nome do governador paulista está consolidado como candidato, com 49,9% das intenções de voto dos eleitores em confronto direto com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (25%), Aécio admite francamente apoiá-lo.

Afinal, o governador de Minas não tem dúvida alguma de que tucanos de todo o Brasil fariam a opção pragmática pela vitória com Serra. Na reunião da Executiva Nacional do PSDB, realizada quarta-feira em Brasília, o secretário-geral do partido e articulador da candidatura Aécio, deputado Rodrigo de Castro (MG), resumiu o sentimento que une serristas e aecistas: "O fundamental para nós é ganhar a eleição."

Foi o que o próprio Aécio disse ao deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) oito dias antes, quando visitou a Bahia em pré-campanha. Conhecido no partido como "serrista de carteirinha", Jutahy fez questão de ciceronear o pré-candidato. Inimigo declarado do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) - morto em 2007 -, o deputado acompanhou Aécio até mesmo em um jantar político na casa de ACM Júnior, que assumiu a vaga do pai no Senado. Na saída, o governador recomendou-lhe que não se preocupasse com a disputa pela vaga de candidato do PSDB em 2010. "Fique tranquilo, Jutahy. Tudo vai acabar bem", disse Aécio, para arrematar: "A única coisa que não podemos é perder a eleição."

A direção do PSDB vem festejando a relação entre Serra e Aécio. Há quatro meses, nenhum tucano tem notícia de críticas de um em relação ao outro. Os telefonemas são praticamente diários e os discursos dos dois cada vez mais parecidos. Até na polêmica do petróleo do pré-sal não há divergências entre o mineiro e o paulista. No fim deste mês, Aécio e Serra vão participar de dois encontros do PSDB nacional no Nordeste. Estarão em Natal (RN) no dia 25 e, no dia seguinte, em São Luís (MA).

CENÁRIO

Nas conversas com os baianos, o governador mineiro argumentou que o cenário de três meses atrás, apontando para uma disputa polarizada entre o PSDB e o PT, era bem diferente do atual, que inclui duas outras pré-candidaturas - a da senadora Marina Silva (AC), pelo PV, e a do deputado Ciro Gomes (CE), pelo PSB. Para o comando do PSDB, essas duas candidaturas tiram votos de Dilma e não de Serra, que despontou como "favorito" na análise dos tucanos.

Amanhã os dois governadores têm mais uma oportunidade para exibir o entendimento em vigor. Aécio inaugura o Espaço Minas Gerais, em São Paulo, um centro de referência para empresas e executivos do País e do exterior, agentes e operadores de viagens que queiram conhecer as potencialidades econômicas, turísticas e culturais do Estado.

Sinais dos céus?

Não bastasse o Brasil ter "saído da crise", como todos os jornais e revistas têm noticiado, Burrinho Rabichelo ganhou uma uma corrida de Fórmula Um. Alguma coisa está mudando neste país abençoado por Deus e bonito por natureza? Ou será que é o último suspiro antes da morte?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Recordar é viver

Dois momentos, duas matérias. Primeiro, a manchete da Folha de S. Paulo de 11/03/2009. Mentirosa, é claro, porque não era verdade o que estava anunciado no título. Muitos países tiveram quedas no PIB piores da que a do Brasil, por mais tempo e em maior intensidade. Na verdade, o Brasil foi dos menos afetados pela crise financeira mundial. Mas para a Folha o que vale é bater no governo...



E, hoje, matéria da BBC reproduzida pela Folha Online, que este blogueiro duvida que será manchete da Folha de S. Paulo amanhã, sábado:

Brasil tem uma das maiores recuperações pós-recessão; veja dados

FABRÍCIA PEIXOTO
da BBC Brasil

O crescimento da economia brasileira, de 1,9% no segundo trimestre, representa um dos melhores resultado entre os países que estavam em recessão, segundo dados da agência de classificação de risco Moody's e da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

A maior recuperação do trimestre foi registrada pela Turquia (+ 2,7%), onde a economia encolheu durante quatro trimestres consecutivos. No Brasil, no entanto, foram dois.

Entre os países desenvolvidos, o que mais cresceu no segundo trimestre, em comparação ao primeiro trimestre do ano, foi o Japão, com alta de 0,9%. O país vinha apresentando um PIB (Produto Interno Bruto) negativo desde o segundo trimestre de 2008, antes mesmo do agravamento da crise, em setembro do ano passado.

"O Brasil não apenas ficou pouco tempo em recessão, como também apresentou um dos maiores crescimentos no trimestre", diz Alfredo Coutinho, diretor para América Latina da Moody's.

Enquanto no Brasil o crescimento foi puxado pelo consumo interno, no caso japonês o resultado foi impulsionado pela demanda externa, principalmente da China, e por maiores gastos do governo.

Europa

Alemanha e França também já tiraram o pé da recessão técnica, caracterizada por dois trimestres consecutivos de queda no PIB. As duas economias cresceram 0,3% cada.

Apesar do crescimento desses dois países, a União Europeia como um todo ainda se encontra em recessão. A economia do bloco encolheu 0,2% no segundo trimestre.

Uma das razões está no consumo das famílias. Com o aprofundamento da crise, os europeus deixaram de comprar. Investimentos e exportações também continuam negativos.

A Grã-Bretanha, um dos países mais afetados pela crise financeira internacional, registrou uma queda de 0,7% do PIB no segundo trimestre.

Américas, Índia e China

Pelo levantamento da Moody's, o Brasil é o primeiro país da América Latina a sair de uma recessão neste ano.
PUBLIFOLHA/PUBLIFOLHA

Chile e México, dois dos principais países da região, ainda estão com dados negativos. O PIB chileno caiu 0,5% no segundo trimestre, enquanto o México registrou resultado ainda pior: queda de 1,1%.

Os Estados Unidos, foco da crise atual, continuam em recessão. A economia americana vem encolhendo desde o terceiro trimestre do ano passado.

No segundo trimestre deste ano, o PIB dos Estados Unidos caiu 0,3% em comparação aos primeiros três meses de 2009.

Enquanto isso, China e Índia seguem em crescimento. O ritmo da expansão diminuiu, mas os dois países estão entre os poucos do mundo que não entraram em recessão.

No segundo trimestre deste ano, a economia chinesa cresceu 7,9% em comparação ao 2º trimestre de 2008, enquanto a Índia cresceu 6,1%.

Segundo Alfredo Coutinho, no entanto, os dados desses dois países, assim como os da Rússia, não consideram a sazonalidade e, portanto, não são comparáveis com a maioria dos países.

Acabou a recessão, marolinha já passou

Se o presidente Lula for esperto, e até o mais renhido oposicionista reconhece que ele é, usará na campanha de 2010 o mote da marolinha para mostrar ao povão que a crise no Brasil pegou bem pouco, foi muito mais branda do que esperavam os economistas-catastrofistas de plantão. Mais: vai forçar a comparação com a gestão Fernando Henrique Cardoso, quando qualquer marolinha lá fora se tornava um tsunami aqui dentro. A notícia abaixo está em todos os portais, aqui na versão do UOL. A recessão acabou e o crescimento deste trimestre foi bastante vigoroso. O país está saindo bem da crise e se não houver um recrudescimento dos problemas nos EUA, 2010 deve ser mais um ano de crescimento econômico.

PIB do Brasil cresce 1,9% no 2º trimestre, e país sai da recessão

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,9% no segundo trimestre deste ano, em relação ao primeiro, para R$ 756,2 bilhões (veja gráfico ao final do texto).
Segundo informou nesta sexta-feira o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em relação ao segundo trimestre de 2008, houve queda de 1,2%.
Com isso, o país pôs fim a um ciclo usualmente chamado de "recessão técnica" - caracterizada pela queda do PIB por dois trimestres seguidos. Não significa que a economia já tenha se recuperado da crise, mas sim que se encerrou um momento de retração.
Recessão ocorre quando a atividade econômica (produção, consumo, emprego) está em baixa. A crise econômica global está causando recessão em diversos países do mundo, inclusive nos ricos.
No primeiro trimestre deste ano, a economia brasileira havia caído 0,8%, logo após uma queda de 3,6% observada no quarto trimestre de 2008.
A notícia de que o Brasil saiu da recessão já era esperada pelo mercado, pois o governo já dava sinais de otimismo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou na semana passada que o crescimento do PIB seria de 1,8% a 2% entre abril e junho e também afirmou que em julho e agosto o país deu um salto na atividade econômica motivado pela produção industrial, que voltou a expandir-se, e pelas medidas de incentivo ao consumo.
Segundo pesquisa com 25 economistas feita pela Reuters, a expectativa era que o PIB crescesse 1,6% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, mas mostrasse queda de 1,5% em relação ao segundo trimestre do ano passado.
Componentes do PIB
No segundo trimestre, o consumo das famílias cresceu 2,1%, enquanto os gastos do governo caíram 0,1%. A formação bruta de capital fixo, ou investimento, permaneceu estável, sem variação. As exportações cresceram 14,1% e as importações subiram 1,5%.
Comparado com igual período de 2008, apenas o setor se serviços apresentou crescimento, de 2,4%. A indústria teve queda de 7,9% e a agropecuária registrou perda de 4,2%.
O consumo das famílias cresceu 3,2%, a 23ª expansão neste tipo de comparação. Segundo o IBGE, contribuiu para este resultado a alta de 3,3% no rendimento real dos salários no segundo trimestre de 2009. Ainda, as operações de crédito para pessoa física cresceram 20,3% no período.
O gasto do governo expandiu-se 2,2%, mas o investimento recuou 17%, a maior queda desde o início da série, em 1996. A redução é explicada pela redução na produção interna de máquinas e equipamentos.
As exportações caíram 11,4% e as importações decresceram 16,5%.
Previsões
Para o fim do ano, o mercado espera, segundo boletim Focus divulgado pelo Banco Central, que o PIB brasileiro termine com queda de 0,16%. Para 2010, a previsão é bem mais positiva, de expansão de 4%.
Mais otimista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que espera uma expansão de 5% para a economia brasileira no ano que vem, impulsionada pelo aumento do emprego no país.
PIB no mundo
O Brasil é um dos poucos países que conseguiram sair rapidamente da recessão. Entre os resultados que já foram divulgados, o PIB do Canadá caiu 3,2% no 2º trimestre, o PIB dos EUA recuou 1%, o PIB espanhol desceu 1,1% (somando 4 trimestres consecutivos de baixa) e o PIB da zona do euro caiu 0,1%.
Por outro lado, no segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) de Japão, Alemanha e França voltou a subir no período de abril a junho, 0,6%, 0,3% e 0,3%, respectivamente, fato que marca o fim da recessão. Os três países são, nesta ordem, a segunda, a quarta e a quinta maiores economias do mundo.

Rodini: se Deus quiser...

Em mais uma colaboração, o sofredor Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia e torcedor do peixe da Vila Belmiro, escreve sobre o que mais entende (de futebol, como se vê, não entende muito): pesquisas eleitorais e sua metodologia. E palavra de quem entende é sempre bom levar em consideração. Abaixo, na íntegra, para os leitores do blog.

A emenda à reforma eleitoral que o Senador Crivella (PRB-RJ) propôs foi acatada pelo plenário do Senado Federal nesta quarta-feira (09/09/09).

Segundo tal texto, os institutos de pesquisa terão de usar o "plano amostral e ponderação quanto a sexo , idade, grau de instrução e nível econômico" na mesma proporção da população fornecida pelo IBGE em suas estatísticas. O IBGE disponibilizaria os dados no início do ano eleitoral aos institutos.

É incrível como o Senado tem se comportado de maneira inadequada nestes últimos tempos. A boa pesquisa eleitoral toma por base amostras representativas dos eleitores de cada local. Alguém crê que exista número semelhante de mulheres brasileiras jovens de modo geral e jovens eleitoras. Está claro que não. O número de eleitores é extremamente diferente da população mensurada pelo Censo do IBGE.

Mais: a Justiça Eleitoral do Brasil fornece dados muito mais atualizados de eleitores nos seus diversos locais , faixas etárias e sexo do que o proposto pela Emenda Crivella.

O Brasil vai acabar se tornando o único país do mundo a legislar sobre metodologia científica. Além de ser uma medida totalmente sem sentido, obriga os insitutos sérios a errar. Claro, a amostra não vai corresponder ao universo dos eleitores aptos a votar.

Para extirparmos os maus institutos, temos a ABEP (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas), as altas multas para coibir fraudes, a opinião pública e os próprios concorrentes.

Imaginem que para elegermos os nossos senadores , mudássemos a lei: a partir de hoje , só podem votar os comprovadamente evangélicos ou quem sabe os flamenguistas ou somente os que gostam do Rio. Melhor: as crianças, a partir de hoje, também podem votar. Percebem como isso modificaria a eleição. Não é desse jeito, mas é esse o raciocínio. A amostra tem que ser representativa do universo estudado.

A metodologia é conhecimento adquirido. IBGE faz Censo, não pesquisa eleitoral.

O senador Crivella e seus pares ou ímpares, com todo respeito, deveriam cuidar mais da imagem da Casa para os quais foram eleitos... A título de sugestão, os senadores poderiam começar a pensar em extinguir a figura do suplente. Este ser não tem voto, não tem legitimidade e, muitas vezes, não tem o que fazer.

Retrato do preconceito de classe

O que vai abaixo é um post do jornalista Augusto Nunes, que tem blog no portal da revista Veja (podia ser de outra?) sobre um frase do presidente Lula. É o retrato acabado do preconceito de classe de parte da burrigência brasileira. Lula de fato não estudou. O tal Augusto deve ter estudado bastante. Só que não aprendeu nada...

Se Deus quiser
“Foi o grande erro do Brasil no século 20 não ter investido na formação de seu povo. Quem vier depois de mim vai ter um novo paradigma para fazer investimento na educação”.
Lula, na entrevista à Rádio Verdes Mares, culpando os colegas do século passado por não ler nem escrever, mas tranquilizando o o país com a notícia de que, depois dele, todos os governos vão investir montanhas de reais na educação para evitar que apareça outro presidente que não estudou.

Olha a marolinha aí, gente...

A notícia do dia está em todos os portais e abaixo, na versão da Folha Online.

Inadimplência cai 13% em agosto impactada por emprego, diz SPC

A inadimplência dos consumidores caiu 13,16% em agosto, em relação a julho, e 1,38% em relação a agosto do ano passado. No acumulado do ano a queda foi de 8,8%.

Segundo levantamento da SPC Brasil/CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), a queda foi impulsionada pela recuperação do emprego e pelo aumento da massa salarial do trabalhador.


Bem, não é preciso ser nenhum gênio da economia para perceber que uma queda desta magnitude significa que a economia brasileira está se recuperando do baque da crise. Mas não é só isto. Em 2010, terá um significado bastante importante o PIB deste ano de 2009, mais até do que a sensação de recuperação econômica que 2010 certamente vai apresentar. É que em todas as outras crises, muito mais brandas do que as atuais, o Brasil sucumbiu. E naquela época, quem é que tomava conta da lojinha? O tucanato... Agora, em condições muito mais complicadas, na tal maior crise da história do capitalismo, não é que o Brasil se mostra forte e com todas as condições de superar os problemas decorrentes da turbulência internacional, que desta vez atingiu não países satélites, mas o coração do império do capitalismo? Bem, certamente o PSDB dirá que os méritos são de Fernando Henrique Cardoso, o Grande, aquele que botou o país no rumo do crescimento... Resta saber se tal discurso irá colar no eleitorado.

É muito cedo para saber, em setembro de 2005 analista nenhum diria que Lula venceria a eleição com a facilidade que venceu em 2006. Em setembro de 2009, o favorito é José Serra, mas, com o perdão do chavão, muita água vai rolar debaixo da ponte até outubro do próximo ano, quando, enfim, os brasileiros, com os olhos nos seus bolsos (e bolsas) irão às urnas para escolher o próximo presidente da República. Dizer que Dilma é favorita é uma bobagem, mas menosprezar a força eleitoral de Lula também pode ser fatal...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

SP parou: e se Marta fosse a prefeita?

Os paulistanos viveram um dia de cão ontem, com a chuva e os problemas no trânsito e telefonia. A cidade parou, o caos foi completo. A imprensa dá destaque para o episódio, é claro, mas poupou o prefeito Gilberto Kassab (DEM) de qualquer responsabilidade. Claro, Kassab não é pajé, não pode fazer a dança da chuva (ou do sol), não tem como evitar certas calamidades. Que fique claro, a culpa pelo caos não é dele. Porém, a diferença entre a cobertura deste caso e de quase todos os episódios semelhantes que ocorreram na gestão Marta Suplicy (PT) é gritante. Quanto a petista era prefeita, uma chuva mais fraca já gerava pautas sobre o desempenho da administração municipal na limpeza de boca de lobos e bueiros, sempre com viés negativo para a ex-alcaíde paulistana. Durante os quatro anos que governou a cidade, Marta era cobrada pelo menor problema que a cidade tivesse. Já Kassab, darling da mídia, praticamente só aparece em situações positivas.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Queda natural, patamar alto demais

Finalmente o blog começa a voltar ao normal. Ainda nesta semana, o ritmo de sempre será retomado. O autor agradece a todos os leitores que vêm pedindo as notas e análises, isto de fato é um estímulo muito grande e só aumenta a responsabilidade! Isto posto, vamos logo trabalhar:

Abaixo, notícia sobre a queda de popularidade do presidente Lula, do portal G1. Traz também algumas novidades sobre o cenário pré-eleitoral. Hoje à noite seguirá uma análise mais detida dos fatos. No que diz respeito à queda de Lula, porém, é possível já estabelecer que a oscilação, relevante – de 4 pontos – é muito natural. O presidente está agora na reta final do seu segundo mandato e estranho seria manter os 80% de popularidade. Este blog sempre achou que aquele patamar era insustentável – ninguém é unanimidade e o tempo causa fadiga de material, as pessoas acabam cansando um pouco do estilo. O patamar de 75% ainda é muito alto, será absolutamente normal se o presidente cair para algo em torno de 65%, que foi o que ele conquistou nas eleições que disputou. A seguir, a matéria do G1:

Popularidade de Lula cai para 76,8%, diz pesquisa CNT/Sensus

Em junho, avaliação positiva do presidente era de 81,5%.
Crise na Receita Federal e no Senado seriam motivos, diz CNT.

Robson Bonin Do G1, em Brasília

A avaliação positiva do governo federal e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva registraram uma leve queda nos últimos três meses, segundo a pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira (8).

No dia 1 de junho, Lula tinha 81,5% de aprovação. Nessa última rodada, a pesquisa mostra um índice de popularidade de 76,8%, uma queda de 4,7 pontos percentuais. Já a avaliação do governo, que em junho era de 69,8%, caiu para 65,4%.

Segundo a CNT/Sensus, a atuação do presidente Lula diante da crise do Senado, o envolvimento da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na crise da Receita Federal e a gripe suína foram os principais fatores da queda na avaliação do governo e de Lula.
Apesar de ligar a crise do Senado à queda de popularidade do governo e do próprio presidente Lula, a pesquisa não perguntou a opinião dos entrevistados sobre a situação do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).
A avaliação negativa do governo, que era de 5,8% na pesquisa divulgada em junho, subiu para 7,2%. A desaprovação do desempenho pessoal de Lula saiu de 15,7% para 18,7%. A pesquisa divulgada em junho reflete o cenário avaliado em maio deste ano.
Segundo o representante da CNT, Ricardo Guedes, a popularidade do presidente caiu devido à “postura menos política” perante a população. “O discurso do presidente Lula foi menos político. Em função dessa agenda negativa, ele teve uma comunicação menos direta com o povo. O efeito Lina, Dilma e Senado e a questão da saúde, com a gripe suína, foram predominantes”, avalia Guedes.
As regiões Sul e Sudeste foram as que mais influenciaram no resultado, segundo a CNT/Sensus.
Eleições 2010
A Pesquisa CNT Sensus quis saber - em votação espontânea – em quem o eleitor votaria para presidente da República no primeiro turno das eleições de 2010. Se tivesse condições de concorrer, o presidente Lula teria 21,2% dos votos. Já o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), teria 7,7%. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, faria 4,8%. Já o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), teria 3,1%. O deputado federal, Ciro Gomes (PSB-CE), registraria 1,0%. O secretário estadual de SP, Geraldo Alckmin, também teria 1,0%. A ex-senadora e vereadora de Maceió Heloísa Helena (PSOL) teria 0,9% e a senadora Marina Silva (PT-AC) ficaria com 0,9%. O número de eleitores sem candidato, segundo a pesquisa seria de 58,5%.
Segundo turno
No segundo turno, o governador de São Paulo vence em todos os cenários apresentados pela pequisa. Na primeira opção, Serra tem 49,9% e Dilma 25,0%. Eleitores sem candidato são 25,2%. Em maio de 2009 os números eram 49,7% para Serra e 28,7% para Dilma e 21,7% dos eleitores sem candidato. Os números mostram que o governador de São Paulo ampliou levemente a sua vantagem, enquanto Dilma, a principal candidata do presidente Lula, perdeu 3.7 pontos percentuais.
No segundo cenário analisado pela pesquisa, sem o governador de São Paulo, Dilma tem 35,8% dos votos e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), 26,0%. Eleitores sem candidato são 38,3%. Em maio, a vantagem de Dilma tinha 39,4% e Aécio, 25,9%. O percentual de eleitores sem candidato era de 34,8%. Também nesse cenário, Dilma perdeu votos, se comparado a maio deste ano. A novidade é que a candidatura do governador de Minas Gerais também não apresentou reação no período em que Dilma esteve exposta à crise da Receita Federal e aos ataques da oposição no Congresso.
Para o representante da CNT/Sensus, Ricardo Guedes, os dados revelam que a candidatura de Dilma ainda não conseguiu agregar votos próprios. "A Dilma ainda nao agregou votos próprios, apenas a médida de transferência, que é de 20%, dos votos que o presidente Lula acrescenta", diz Guedes.
Na terceira opção, novamente com Serra e sem Dilma e Aécio, o governador de São Paulo tem 51,5% e o deputado federal, Ciro Gomes (PSB-CE), 16,7%. Eleitores sem candidato são 31,9%. Em maio, 51,8% votavam em Serra e 19,9%, em Ciro. O percentual de eleitores sem candidato era de 28,4%. Os dados mostram uma melhora no desempenho de Ciro e a estabilidade na intenção de votos do tucano.
Já na disputa com Aécio, o deputado federal do PSB tem 30,1%, contra 24,2% do governador mineiro. Em maio, a diferença era de 34,1% para Ciro, contra 27,9% de Aécio.
Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que livrou o ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antonio Palocci (PT-SP) de responder a processo pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, a pesquisa CNT/Sensus incluiu Palocci em dois cenários, o primeiro com Serra e o segundo com Aécio.
Contra Serra, Palocci tem 11,3%, contra 54,8% do governador paulista. Já contra Aécio, Palocci faz 17,5% e o governador mineiro: 31,4%.
Consideradas as grandes novidades na conjuntura política, a candidatura de Marina e de Palocci não foram submetidas a nenhum cenário com Dilma e Ciro, segundo a CNT/Sensus, porque o órgão não considerou relevante o confronto dos nomes pelo eleitorado.
Rejeição
Na corrida pela presidência da República, o candidato com o maior margem de rejeição, segundo a CNT/Sensus, seria o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que teria 45,8% de rejeição. Em seguida viriam, Heloísa Helena 43%, Ciro Gomes 39,9%, Marina Silva 39%, Dilma 37,6% e Serra 29,1%.
A acordo com as médias históricas registradas pela CNT/Sensus, candidaturas com rejeição superior ou igual a 40% nunca venceram uma eleição no segundo turno. "Podemos dizer que a candidatura de Palocci seria inviável e a rejeição da candidatura da ministra Dilma está no limite do que se considera inviável para disputar o segundo turno", diz Guedes.
Apoio de Lula
Em relação à transferência de votos por parte do presidente Lula, a pesquisa registra que 20,8% dos entrevistados votariam no candidato apoiado por Lula, 31,4% poderiam votar, 20,2% não votariam e 24,6% somente conhecendo o candidato para poder decidir.
A pesquisa CNT/Sensus ouviu 2 mil entrevistados nas cinco regiões do país entre 31 de agosto e 4 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais.