Pular para o conteúdo principal

Buraco é o primeiro teste de Serra

Tragédia à parte, a cratera aberta no bairro de Pinheiros, em São Paulo, é o primeiro teste de fogo para o governador José Serra (PSDB). Até agora, ele tem se portado bem, embora tenha sido um tanto lacônico em suas declarações à imprensa: esteve no local do acidente, mostrou estar no comando do processo, enfim, fez o papel que lhe cabe. O prefeito Gilberto Kassab (PFL), aliás, tem se mostrado um pouco mais presente, mas o fato é que Serra também tem aparecido e dado a cara para bater.

O jogo, no entanto, está só começando. Como bem lembrou o jornalista Fernando Rodrigues em seu blog, o desgaste será maior à medida que os mortos começarem a aparecer. Serão questionados os procedimentos adotados (a busca não começou tarde demais?) e a opinião pública vai querer saber direitinho de quem foi a culpa pelo desastre. Aí sim, o governador terá que mostrar habilidade.

Além dos mortos e dos vizinhos prejudicados pelo desabamento, Serra ainda terá que arcar com o desgaste de enventuais atrasos nas obras e precisará decidir sobre o modelo que foi adotado pelo seu antecessor Geraldo Alckmin para a construção do Metrô paulistano. As duas opções são complicadas politicamente: romper ou rever um contrato significa ir de encontro com tudo que os tucanos sempre pregaram, além do óbvio reconhecimento de que houve erro na adoção do modelo durante a gestão tucana de Alckmin; manter as coisas como estão implica na permanência do poder público mais distante do controle das obras em andamento. Conhecendo o caráter controlador de Serra, é bem possível que ele queira mudar o modelo, mas ainda é cedo para especular a respeito, pois o problema tem muitas variáveis e o contrato certamente possui cláusulas sobre procedimentos a responsabilidades em casos de acidentes.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Doca Street, assassino de Ângela Diniz, morre aos 86 anos em São Paulo

Não existe verbete na Wikipédia sobre Doca Street. Morto nesta sexta (18) aos 86 anos, talvez agora ele ganhe uma página em seu nome nesta que é a maior enciclopédia colaborativa do mundo, onde só em português constam 1.049.371 artigos. A menção mais relevante no site a Raul Fernando do Amaral Street, o nome completo de Doca, aparece na entrada que fala de Ângela Diniz, socialite mineira assassinada em 1976 com quatro tiros disparados pela arma –e pelas mãos– de Doca, na casa que o casal dividia na Praia dos Ossos, em Búzios (RJ). Nada surpreendente. Afinal, desde que pôs um fim à existência de Ângela, Doca viu sua vida marcada e conectada ao crime que cometeu –ainda que, após seu primeiro julgamento, em 1979, ele tenha saído pela porta da frente do tribunal, ovacionado pelo público de Cabo Frio, também no litoral fluminense, escreve Marcella Franco em artigo publicado na Folha Online na sexta, 18/12, e reproduzido sábado, 19, no jornal. Vale a leitura, continua a seguir. Foi só em 198...

Dica da Semana: Tarso de Castro, 75k de músculos e fúria, livro

Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista  Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...

Política mundial? Leia o blog do Argemiro

Política internacional jamais foi o forte deste blog, que prefere manter o foco nas análises da mídia e da política brasileira. Para quem gosta de acompanhar o noticiário internacional em português e está cansado de ler o pouco que os nossos jornalões reproduzem por aqui, uma boa dica é o Blog do Argemiro Ferreira , um dos mais experientes correspondentes brasileiros trabalhando nos Estados Unidos. Colunista do jornal Tribuna da Imprensa , Argemiro faz excelente análises e traz informações diferenciadas, especialmente sobre a corrida eleitoral nos EUA. Um bom exemplo é o post abaixo, que começa com futebol e termina em Karl Rove. Quem quiser ler mais é só dar um pulo lá ... A promiscuidade no jornalismo político Certa vez estive envolvido numa discussão interna do Sindicato de Jornalistas do Rio sobre uma coluna iniciada por Pelé no Jornal do Brasil. Discordei da idéia de impedí-lo de escrever a pretexto de não ser jornalista. Mas o próprio craque, interpelado pelo sindicato, acabaria...