domingo, 14 de janeiro de 2007

Lula apóia Chinaldo e dá nó tático no PSDB

Está ficando até aborrecido comentar a eleição para a Câmara Federal, especialmente depois que a bancada do PSDB "decidiu" apoiar Arlindo Chinaglia (PT-SP), abrindo uma enorme crise no ninho tucano. Claro, a bancada não decidiu coisa alguma, mas o líder Juthay Jr. (BA) e parlamentares ligados aos governadores de São Paulo e Minas Gerais conseguiram articular o anúncio da tal decisão da bancada, que teria sido consultada por telefone.

Logo após o anúncio, porém, começaram a chover descontentes: do ex-presidente Fernando Henrique (prefere o comunista Aldo Rebelo) ao senador Arthur Virgílio (também fecha com Aldo), passando pelo combativo José Aníbal (defende a terceira via), foram tantos os tucanos a ocupar espaços na mídia contra a decisão inicial que fica difícil acreditar em uma solução consensual na reunião da Executiva convocada para solucionar o problema. O pau vai comer e, como o voto é secreto, cada um vai fazer o que bem entende na hora da eleição, em 1° de fevereiro.

Tudo que foi dito acima é até óbvio, mera observação dos fatos dos últimos dias. A pergunta que pouca gente fez foi a seguinte: quem afinal é o candidato do presidente Lula?

Uma vez que o PSDB é oposição (e também o PFL, hoje fechado com a candidatura de Aldo), em tese os oposicionistas tendem a fechar com a candidatura contrária à apoiada pelo governo. Claro que está é uma simplificação um pouco grosseira – a política apresenta nuances e argumentos um pouco mais elaborados –, mas digamos que, por hipótese, a primeira coisa a ser estabelecida pelos estrategistas tucanos e liberais é justamente identificar de que lado está o presidente. Em um primeiro momento, todos disseram que Lula estava com Aldo, que ele liberaria mundos e fundos pela reeleição do presidente da Câmara e também o do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Pois foi só o PT lançar o nome de Chinaglia para que muitos passassem a vislumbrar a mão forte do governo por trás da candidatura petista. O PFL foi o primeiro a acusar o golpe e cerrou fileiras com Aldo. Quando o PMDB fechou o apoio a Chinaglia, começaram a surgir as histórias de uso da caneta oficial para facilitar a vida petista, daí a surpresa da adesão tucana à candidatura do líder do governo na Câmara.

Ora, vamos ser claros: do ponto de vista de Lula, Aldo e Chinaglia representam praticamente a mesma coisa. Se Aldo ganhar, o presidente estará muito feliz. Se der Arlindo, sorrirá de orelha a orelha. Tanto faz como tanto fez. O candidato de Lula é "Arbelo Chinaldo" e a oposição não parece ter percebido este fato. Como diria o Chavez (não o venezuelano, mas o mexicano) "sem querer, querendo", o presidente aplicou um verdadeiro nó tático nos tucanos e está em uma posição confortabilíssima na disputa enquanto o PSDB entrou em uma crise cuja saída é uma verdadeira incógnita.

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