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Plano de Lula não tem mágicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta manhã as medidas do seu Plano de Aceleração do Crescimento. Conforme já escrevemos aqui, a maior parte do conteúdo do plano já era de conhecimento público, especialmente dos jornalistas, economistas e políticos que acompanham mais de perto o debate sobre os rumos da economia brasileira. A base do PAC são as medidas de desoneração de tributos para alguns setores estratégicos da economia, que obviamente têm impacto mais rápido do que os projetos que visam melhorar o ambiente de negócios como um todo e que levam tempo para fazer efeito. Alguns economistas discordam deste tipo de estratégia – acham que o governo não deve fomentar o crescimento com renúncia fiscal –, o que é uma crítica honesta. Amanhã, porém, os jornais estarão repletos de textos sobre a "insuficiência" do pacote, como se fosse possível mensurar o custo e benefício das medidas tomadas pelo governo e provar, por a mais b, que o PIB do Brasil não vai crescer 5% ao ano porque o pacote de Lula é "tímido" (podem apostar, este será o adjetivo da semana).

Ora, este tipo de exercício de futurologia é uma rematada bobagem, até porque muitas medidas passarão pelo Congresso Nacional e poderão ser modificadas - para o bem ou para o mal. Ademais, mesmo que se leve em consideração o pacote tal e qual foi apresentado, não existe maneira de calcular de forma tão segura o impacto das medidas no crescimento, é preciso ver como os agentes econômicos reagem. Quando o governo criou o programa Computador para Todos, muita gente torceu o nariz e achou que a idéia estava fadada ao fracasso porque "pobre não compra PC". Pois foi um grande sucesso, com mais de um milhão de máquinas vendidas no ano passado. Por outro lado, muita gente achava que o programa Primeiro Emprego seria um dos grandes trunfos de Lula e ele simplesmente fez água, não saiu do lugar e hoje está abandonado pelo governo. Economia não é ciência exata e, para lembrar o velho ditado, prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

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