terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Na crise, o dinheiro muda de mão

A matéria abaixo, da Folha Online, é emblemática de uma situação que se repete em toda crise econômica: muita gente perde (empregos, patrimônio, renda etc), mas por outro lado há os que ganham e crescem nessas situações. O jornal de maior prestígio dos Estados Unidos ainda não foi vendido, mas a reportagem deixa claro que o empresário mexicano Carlos Slim Helú está "comendo pelas beiradas" e pode acabar dono do The New York Times no futuro. Não deixa de ser irônico: Slim, de origem árabe, pode acabar com a dinastia dos judeus Sulzbergs.

No fundo, a crise que afetou os EUA está arrebentando com diversos símbolos do império norte-americano: a Budweiser, cerveja-símbolo do país, foi comprada pelos belgas; o Citibank, que já foi o maior banco do país, pode acabar nas mãos de árabes e/ou chineses; a Crhysler anunciou hoje a venda de 35% da empresa para a italiana Fiat... Há muitos outros exemplos que apenas comprovam a tese de que se há muita gente perdendo dinheiro, há outros tantos ganhando. Só no final da crise, porém, será possível dizer quem se deu bem durante as turbulências, até porque comprar baratinho uma empresa ou ativo carregado de dívidas, com passivo desconhecido nem sempre é um bom negócio. A ver, como se diz por aí.

Empresário Carlos Slim injeta US$ 250 milhões no "New York Times"

O diário americano "The New York Times" ("NYT") informou nesta segunda-feira que chegou a um acordo com o bilionário mexicano Carlos Slim Helú para receber um empréstimo de US$ 250 milhões. Com o dinheiro, o jornal pretende sanar seus problemas financeiros, segundo reportagem do próprio jornal publicada na edição desta terça-feira.

Pelos termos do acordo, Slim --que já possui 6,9% da Times Company-- vai investir os US$ 250 milhões em títulos com vencimento em seis anos e garantias de convertibilidade em ações ordinárias, segundo comunicado. Os títulos também terão juros de 14% --11% pagos em dinheiro e 3% em títulos adicionais.

O principal problema do grupo é uma linha de crédito de US$ 400 milhões que vence em maio, e cujo pagamento está ficando complicado por causa da queda das vendas. Nos próximos anos, segundo a reportagem, o "NYT" tem dívidas de US$ 1,1 bilhão a pagar.

No começo de dezembro, o grupo anunciou que poderia hipotecar sua sede central em Manhattan com o objetivo de obter novo financiamento.

Igualmente, o grupo procura comprador para sua participação de 17,5% na equipe de beisebol Boston Red Sox, que está avaliada em cerca de US$ 150 milhões.

"Esse acordo nos oferece uma flexibilidade financeira para continuar a executar nossa estratégia de longo prazo", disse a executiva-chefe da Times Company, Janet Robinson. "Continuamos a explorar outras iniciativas financeiras e estamos focalizando na redução de nossa dívida total através do dinheiro que gerarmos com nossas atividades e outros passos decisivos."

Slim não terá representantes na diretoria da empresa nem ações com direitos especiais de votos, como os da família Sulzberger, que controla o grupo. No entanto, quando exercer o direito de conversão de seus títulos, Slim se tornará o maior acionista individual da Times Company, com até 17% das ações.

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