quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Eleição na reta final


Charge do Agê que estará na edição desta quinta-feira do DCI

Folha protege o tucano Fruet

Analisar a cobertura dos grandes jornais sobre a campanha eleitoral para a presidência da Câmara é até enfadonho. Praticamente todos os veículos não escondem a sua antipatia pela candidatura do petista Arlindo Chinaglia (SP) e a predileção pelo tucano Gustavo Fruet (PR), lançado pela "Terceira Via", um grupo de 30 deputados que apesar de incluir um acusado de improbidade administrativa, é saudado pelos jornalões como guardião da ética no Congresso. Já Aldo Rebelo (PCdoB-SP) vem recebendo tratamento mais neutro, embora aqui e ali também se possa encontrar algumas tentativas de ridicularizar o candidato ou apontá-lo como "capacho" do presidente Lula.

O anti-petismo da cobertura é tão evidente que parece cegar os editores. A Folha de S. Paulo, por exemplo, conseguiu a proeza de editar uma matéria sobre o patrimônio dos candidatos "acusando" Chinaglia de ter a maior variação nos últimos anos e escondendo o fato de Fruet ser o único milionário entre os três postulantes ao comando da Câmara Federal. O jornal poderia pelo menos ter disfarçado um pouco a "proteção" ao tucano...

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Aldo quase lá

O PDT deve anunciar nos próximos instantes o apoio do partido à candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB) e a formação de um bloco parlamentar na Câmara Federal que incluirá PSB, PSB, PMN, PHS e talvez também o PV. Este bloco terá mais de 90 deputados, superando o número de integrantes do PMDB, maior partido da Casa. Este blog reitera que não consulta videntes, mas lembra que sempre acreditou na vitória de Aldo nas eleições que se realizarão nesta quinta-feira. O apoio do PDT é mais um indicativo de que a maré não está nada boa para o candidato petista Arlindo Chinaglia. Embora não seja possível, ainda, prever o resultado, uma vez que as eleições parlamentares são sempre passíveis de grandes surpresas de última hora, já dá para dizer que, mantidas as atuais condições de pressão e temperatura, Aldo Rebelo está quase lá.

Aonde está você, Aloizio Mercadante?

Os jovens não conheceram e talvez os mais idosos nem se lembrem mais. Na campanha para a prefeitura de São Paulo, em 1985, havia um candidato chamado Rivaílde Ovídio, do PSC, que passou a campanha inteira, nos poucos segundos a que tinha direito no horário eleitoral gratuito, berrando: "aonde está você, Franco Montoro?"

Era a pré-história do marketing político e Rivaílde acabou ajudando o falecido ex-presidente Jânio Quadros (PTB) a derrotar o candidato de Montoro, o então senador Fernando Henrique Cardoso – à época ambos militavam no PMDB.

Tudo isto é só para mostrar como a oposição hoje é pouco criativa e combativa. Se não fosse, já teria lançado o brado: aonde está você, Aloizio Mercadante?

Pode parecer incrível, mas até agora o excelentíssimo senador não deu seu veredito final sobre o PAC, nem sobre a taxa de juros e muito menos sobre as perspectivas de crescimento para o País nos próximos anos. Como diria o gaiato, cada um com seus pobrema...

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Eles querem dinheiro

A julgar pelo resultado da reunião dos governadores de Estado realizada na tarde de hoje, em Brasília, o presidente Lula vai ter que colocar a mão no bolso na negociação com os novos governantes estaduais. A lista de pedidos é enorme e começa com o compartilhamento da CMPF, o que é inédito, passaando pelo alongamento das dívidas com a União, entre outras reivindicações, nenhuma delas propriamente barata. Se o presidente quiser ter um início de mandato tranquilo, inclusive com a aprovação célere dos projetos do PAC no Congresso, onde o peso político dos novos governadores será grande, é bom atender algumas das reivindicações dos Estados. É bom lembrar, porém, que o presidente não nasceu ontem e certamente estava esperando algum tipo de reclame dos governadores, de forma que é até provável que a equipe econômica tenha reservado recursos para este tipo de pleito. Os próximo capítulo desta novela ocorre dia 6 de março, na reunião dos governadores com o presidente. Até lá, a negociação vai correr nos bastidores.

Mentira tem perna curta, Geraldinho

O ex-governador Geraldo Alckmin e o pessoal do PSDB da nova administração foram rápidos em vazar a versão de que o contrato "turn key" assinado pelo governo de São Paulo para a construção da linha 4 do Metrô paulistano era uma exigência do Banco Mundial para o financiamento da obra. Desta forma, estariam eles – Alckmin e seus comparsas – isentos de qualquer responsabilidade no acidente que abriu a cratera na rua Capri, no bairro de Pinheiros.

A desculpa era boa, afinal, como recusar o dinheiro do Banco Mundial para uma das obras mais caras em andamento no país? O jeito era aceitar as condições e tocar a bola para frente...

O problema todo é que o pessoal do PSDB esqueceu de combinar com os russos, como diria o Mané Garrincha. O jornalista Paulo Henrique Amorim desconfiou da história e entrevistou o gerente de projetos do banco, Jorge Rebelo, que desmentiu a versão do ex-governador Alckmin.

Para piorar a situação dos tucanos, eis que a Folha de S. Paulo descobre hoje que o engenheiro responsável pela fiscalização da obra tem estreitas ligações com as empreiteiras que estão tocando o projeto. Esse buraco de Pinheiros, definitivamente, ainda vai dar muito o que falar...

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

A disputa pelo 3° cargo da República

Economia com utilização de "milhas públicas" poderia chegar a R$ 60 millhões

Ainda sobre a questão das milhas aéreas dos bilhetes pagos com dinheiro público e que acabam financiando viagens de lazer aos beneficiários das passagens – parlamentares, ministros, secretários e funcionários públicos em geral –, vale a pena ler a matéria abaixo, do jornalista Eduardo Bresciani, publicada nesta sexta-feira no jornal DCI. Até agora, pouca gente fala no assunto e as companhias aéreas resistem em alterar a prática, porque evidentemente ganham mais tentando fidelizar novos clientes. O problema é que o desperdício de recursso não é pequeno e o assunto merece ser discutido com profundidade.

Milhagem pode gerar economia de R$ 60 milhões

Eduardo Bresciani

A União está deixando de economizar cerca de R$ 60 milhões por ano com gastos de passagens aéreas para servidores públicos. Este dinheiro está sendo usado em benefício próprio por funcionários públicos, deputados, senadores, juízes, secretários e ministros porque o governo federal não deu andamento a um projeto que transfere a titularidade das milhagens aéreas de passagens, compradas com dinheiro público, do usuário para o Estado. O projeto foi encaminhado à Corregedoria Geral da União em 2003 pela ONG Contas Abertas.

No início deste ano, a proposta virou lei no Distrito Federal quando o governador José Roberto Arruda (PFL) sancionou o projeto do deputado distrital Augusto Carvalho (PPS), aprovado em dezembro. A expectativa da administração do Distrito Federal é que a economia com o gasto em viagens chegue a R$ 10 milhões nos próximos quatro anos. Existem leis similares também no Ceará e no Espírito Santo.

Além da economia, o projeto também tem caráter moralizador, uma vez que os usuários das passagens costumam usar as milhagens obtidas em viagens oficiais para viagens particulares. Existem servidores que chegam a repassar esses créditos de passagens recebidos das companhias aéreas, obtidos com dinheiro público, para parentes e amigos. Na prática, o poder público acaba financiando as viagens de lazer.

Segundo Carvalho, a tramitação do projeto na Câmara Distrital foi tranqüila e não houve protestos pela perda dessa regalia. Na justificativa da proposta, o deputado tentou evitar atrito também com as companhias aéreas ao afirmar que "não visa intervir na liberdade de mercado, na livre comercialização, ou tampouco no direito privado. Ela (a medida) busca preservar a moralidade na administração pública".

O projeto enfrenta oposição das companhias aéreas, que temem perder receita com a utilização das milhagens pelo poder público. As companhias também evitam que esses créditos de passagens sejam repassados à empresas privadas.

Eleito deputado federal, Carvalho afirma que vai apresentar a proposta como projeto de lei assim que assumir seu mandato na próxima semana. "Levamos a idéia à CGU para que o governo tomasse essa iniciativa. Eles afirmaram que gostaram da proposta, mas como não houve vontade política, vou apresentar o projeto por minha conta na Câmara".

Segundo dados da ONG Contas Abertas, durante os 4 anos do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a União gastou mais de R$ 2,4 bilhões em passagens aéreas, o equivalente a R$ 600 milhões por ano. Segundo a entidade, 10% desse valor, R$ 60 milhões, poderia ter sido economizado com a utilização das milhagens pelo poder público.

Procurados, a CGU e o Ministério do Planejamento informaram, por meio de suas assessorias, que não se manifestariam sobre o assunto.

Com o debate sobre ética pública em alta na disputa pela Presidência da Câmara o tema da titularidade das milhagens deve ser um dos próximos a entrar em pauta. Cada deputado tem direito a uma verba em dinheiro para quatro passagens de ida e volta de seu estado para Brasília. Existem ainda as passagens repassadas a assessores e as viagens oficiais pagas pela Câmara.

Atual presidente e candidato à reeleição, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), informou que tentou fazer um acordo com as companhias aéreas para a transferência das milhagens, mas que essas afirmaram não ser possível fazer a transferência porque o objetivo da milhagem é fidelizar o cliente, e não instituições. Após o fracasso nas negociações, porém, Aldo não pensou em fazer um projeto de lei para impor o desejo da Casa. No entanto, o presidente estaria disposto a colocar a idéia em discussão no colégio de líderes.

Candidato pela terceira via, Gustavo Fruet (PSDB-PR) disse não conhecer em profundidade a proposta, mas mostrou-se simpático à idéia. "É fato que essa questão das milhagens não pode continuar do jeito que está. Essa proposta é importante por abrir esse debate e permitir que a Câmara encontre uma solução para esse problema". Procurado, o candidato Arlindo Chinaglia (PT-SP) não respondeu à consulta sobre o tema até o fechamento dessa edição.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Uma questão de intensidade

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), entende de economia. Nesta quinta-feira, ele concedeu uma entrevista coletiva na qual criticou o Programa de Aceleração do Crescimento lançado pelo governo federal. “O PAC é na verdade uma ordenação determinada de investimentos públicos federais”, disse. Serra também criticou o corte de juros feito decidido pelo Copom. “Ao meu ver, essa decisão de abaixar os juros em apenas 0,25 pontos percentuais é contraditória de qualquer estratégia de crescimento da economia. Bastante contraditório, portanto, com as intenções anunciadas por ocasião do PAC”, explicou.

Ao criticar desta forma o PAC e a queda de juros, Serra tenta se firmar no comando da oposição. Aécio Neves, também tucano, foi só elogios ao plano de Lula. A crítica de José Serra também revela o quão estreito ficou o debate econômico no Brasil. A rigor, o governador paulista não condena a atual política econômica, apenas acha que ela está sendo mal conduzida, isto é, que o BC está errando a dose do remédio. Mas qual seria o corte da taxa de juros de um Banco Central comandado por Serra? Se Serra for realmente honesto, dirá que haveria espaço para um corte de meio ponto, talvez 0,75. O tamanho da discordância, portanto, é este: o,25 ou meio ponto percentual na taxa Selic.

A bem da verdade, o governador José Serra também já manifestou que gostaria de ver o real um pouco mais depreciado, a fim de permitir um retorno maior aos exportadores. O modelo centrado na geração de mega-superávits por meio das exportações, porém, ele não questiona.

A verdade é que hoje, no Brasil, só o PCO e o PSTU pensam o desenvolvimento do País de forma diferente da atual. Até mesmo o PSOL ainda não conseguiu apresentar uma formulação coerente e alternativa para promover o crescimento da economia nacional.

O exemplo que vem de cima

Pode parecer estranho para quem não mora na capital de São Paulo, mas já há algum tempo muitos moradores dos bairros elegantes da paulicéia têm se movimentado para fechar as suas ruas. Para tanto, é preciso pedir à Companhia de Engenharia de Trânsito e à subprefeitura do bairro a construção de calçadas em uma ponta da rua e cancelas na outra, tornando a via uma espécie de condomínio fechado. Como se pode perceber, o que move os moradores é a insegurança pública.

Evidentemente, apenas as ruas menos movimentadas podem pleitear o benefício, para que o trânsito da cidade não seja comprometido. Ainda assim, muitos urbanistas criticam a iniciativa, alegando que se trata de uma "privatização" do espaço público, uma vez que a locomoção fica restrita aos moradores.

Tudo isto posto, não deixa de causar algum estranhamento o fechamento da rua Antonio Gouveia Giúdice, no bairro do Alto de Pinheiros, justamente no quarteirão onde fica a residência do governador José Serra (PSDB). Talvez ele ainda não esteja muito confiante nas forças de Segurança Pública que passou a comandar em 1° de janeiro...

Meirelles é duro na queda

O pessoal que defende a autonomia do Banco Central deveria comemorar a demonstração de independência dada hoje por Henrique Meirelles e sua turma: ao reduzir em 0,25, para 13% ao ano, a taxa Selic, o Copom demonstrou que não cede às pressões da arquibancada. A grita vai ser geral, claro, inclusive dentro do governo. Se Lula demite Meirelles, porém, a grita também seria enorme: estão "politizando" a autoridade monetária, gritariam os defensores da autonomia do BC.

Mas quem deve estar arrependido mesmo é o ministro Guido Mantega (Fazenda): sua brincadeira infeliz de cobrar de Henrique Meirelles a queda na taxa, em público, certamente não ajudou muito para melhorar o humor dos técnicos do Copom. Em boca, fechada, ministro, não entram moscas...

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

A única chance do terceiro mandato de Lula

Já está circulando nos bastidores de Brasília o rumor de que a base governista poderá propor, na próxima legislatura, o fim do limite para a reeleição dos ocupantes de cargos no Executivo, tal como ocorre no Legislativo, possibilitando assim que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concorresse mais uma vez à Presidência da República em 2010.

Antes de mais nada, o rumor é precoce demais para ser levado a sério, pois as condições políticas do País em 2007 não permitem nem de longe vislumbrar o cenário para as eleições de 2010. Ademais, este tipo de manobra sofreria hoje uma forte oposição da grande imprensa nacional, provocando um desnecessário desgaste para um presidente em início de mandato, de forma que muito dificilmente Lula autorizaria esse lance político.

Ao contrário, o presidente brasileiro tem feito nos últimos dias um esforço grande para se diferenciar do seu colega venezuelano Hugo Chávez, que vai tentar, ele sim, acabar com a limitação à reeleição em seu país. Lula não quer de maneira alguma ser acusado de desafiar as regras do jogo democrático que ele sempre garante prezar e ao qual atribui a sua chegada ao poder.

Tudo isto quer dizer que o presidente Lula está fora do páreo em 2010? De maneira alguma. Está tramitando no Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição, de autoria de um parlamentar da oposição — o deputado Francisco Rodrigues (PFL-RR) —, que acaba com a reeleição para os cargos executivos nos 3 níveis da Federação. A proposta tem a simpatia de muitos oposicionistas e governistas, pois tende a apaziguar a disputa interna nos partidos, uma vez que as lideranças terão de obedecer a um rodízio mais freqüente no poder.

Ora, e de que maneira esta emenda poderia colocar Lula na disputa? Simples: juridicamente, como bem observou a colunista Dora Kramer em seu artigo desta quarta-feira, se a mudança nas regras eleitorais for aprovada, é perfeitamente possível interpretar que o jogo foi zerado e que todos os políticos brasileiros estariam aptos a disputar a primeira eleição presidencial sob a nova regra. Lula estaria no jogo, legitimamente, sem passar por cima das leis nem patrocinar emendas de cunho autoritário.

Ainda sobre a cratera do Metrô

O diretor do instituto Engrácia Garcia de pesquisas Jorge Rodini está de volta ao blog, após o longo silêncio deste início de ano. Desta vez, Rodini não escreve sobre pesquisas nem interpreta números, mas comenta a tragédia da rua Capri. Leia a seguir a íntegra do comentário de Rodini.

Houve um tempo em que a tecnologia esteve a serviço do homem. Conhecimento e desenvolvimento sempre andaram juntos.
Houve um tempo em que a maioria dos seres humanos se importava com a vida dos seus semelhantes. Solidariedade e fraternidade deveriam sempre estar na mesma mão.
Houve um tempo em que os governantes cuidavam dos cidadãos. Poder e democracia teriam que ser o ideal de governo.
Houve um tempo em que a população andava sem sobressaltos , sem precisar se importar com buracos surgidos do nada ou do tudo. Lucro, mas com responsabilidade deveria fazer parte do Manual de qualquer empreiteira séria.
Houve um tempo em que todos choraríamos a perda de um Ser Humano, mesmo que desconhecido.
Houve um tempo... não há mais.

Serra e o fim da autonomia universitária

Está na Folha de hoje um artigo assinado por dois professores da Unicamp denunciando uma situação que foi objeto de reportagem do DCI na semana passada: com o decreto que criou a secretaria de Ensino Superior, o governador José Serra (PSDB) na prática acabou com a autonomia do Cruesp, o Conselho de Reitores das universidades paulistas. O que acontece é simples: este conselho sempre teve 5 integrantes – os reitores da USP, Unicamp e Unesp, mais os secretários da Ciência e Tecnologia e o da Educação – a a presidência do órgão era definida por um rodízio anual entre os reitores. Com a nova secretaria, Serra mudou a organização do Cruesp e incluiu o secretário de Ensino Superior, ampliando para 6 o número de integrantes. E definiu que a presidência ficará com o secretário – a pasta hoje está com o professor José Aristodemo Pinotti (PFL). Desta forma, Serra consegue a maioria no Conselho, uma vez que o voto de Minerva é do presidente.

O fato de Serra ter modificado a estrutura do Cruesp significa o fim da autonomia universitária conquistada há 20 anos, durante a gestão de Orestes Quércia (PMDB)? Não necessariamente, mas é um indicativo de que Serra quer, sim, maior controle sobre as universidades. Tivesse sido uma medida tomada por um governo petista, a imprensa inteira estaria a denunciar o "aparelhamento" das três universidades e o viés autoritário do decreto. Com Serra, o tratamento é outro, mas o fato é que ele agora tem poderes que seus antecessores não tiveram para comandar a negociação salarial com os docentes e funcionários das Universidades, pois esta é uma das principais atribuições do Cruesp.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Aldo comemora "adesão" do PSDB a Fruet

O PSDB saiu do muro e anunciou que vai mesmo apoiar a candidatura do deputado tucano Gustavo Fruet à presidência da Câmara. Só mesmo em um país sem fidelidade partidária alguma a definição de um partido sobre o apoio ao candidato do próprio partido é notícia, mas é disto mesmo que se trata. E o mais divertido de tudo é que o maior beneficiário do apoio dos tucanos ao candidato do PSDB à presidência da Câmara é outro candidato, o comunista Aldo Rebelo, atual presidente da Casa, uma vez que sem Fruet na parada os tucanos teriam embarcado na canoa petista de Arlindo Chinaglia. Difícil de entender? A política brasileira é assim mesmo. Este blog continua apostando suas fichas na vitória de Aldo Rebelo no segundo turno no próximo dia 1° de fevereiro.

Sorrisos amarelos

Já faz algum tempo que o Jornal do Brasil não faz parte do clube dos veículos que realmente importam no País, mas a manchete de hoje sobre o Plano de Aceleração do Crescimento deixa claro os motivos de tal exclusão. Pode parecer incrível, mas está lá, estampado na primeira página, com o "PAC" do título em vermelho - "PAC: Lula acelera sem tirar o pé do freio". Uma criança de 5 anos é capaz de fazer trocadilhos mais inteligentes.

Só para constar

Conforme adiantamos aqui, os grandes jornais brasileiros editaram o anúncio do Plano de Aceleração do Crescimento exatamente da forma descrita por este blog. Os adjetivos tímido e insuficiente dão o tom da cobertura de todos os jornalões. Nas manchetes de hoje, reproduzidas abaixo, só O Globo apresenta uma formulação neutra. Folha e Valor batem no governo e o Estadão cria um enigma para os seus leitores, que certamente ouviram dizer no dia anterior, no rádio, internet e televisão, que os investimentos privados serão predominantes no plano de Lula.

Eis as manchetes:
Folha de S. Paulo: Plano de Lula é criticado por empresários e governadores
Estado de S. Paulo: Dinheiro público sustenta plano
O Globo: Lula: 'Aqui não se cresce sacrificando a democracia'
Valor Econômico: PAC é tímido nos gastos e no ajuste

Bobagens sobre a volta da indexação

Tem muita gente falando e escrevendo besteira sobre a suposta volta da indexação dos salários que teria sido proposta no Plano de Aceleração do Crescimento para os servidores públicos. O pessoal não leu direito o projeto ou está de má fé, pois não há indexação alguma. O que o governo pretende é estipular um teto para o aumento da folha de pagamento dos três Poderes, não dos salários. Assim, a folha é que não poderia superar a inflação do ano medida pelo IPCA mais 1,5%. Cada categoria teria o reajuste que conseguisse nas negociações, mas a conta final teria que fechar de acordo com a regra. Em tese, esse tipo de mecanismo deve fazer com que sejam concedidos aumentos maiores para os cargos de baixos salários e reajustes menores ou nenhum para os cargos do topo da pirâmide. É possível discordar do mecanismo, mas dizer que há indexação é burrice, porque não vai haver aumento linear do IPCA mais 1,5% para todo o funcionalismo público. Se Lula tivesse proposto tal absurdo, estaria simplesmente acendendo a fogueira da inflação que, a muito custo, conseguiu reduzir para patamares de primeiro mundo após a recessão de 2003.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Plano de Lula não tem mágicas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta manhã as medidas do seu Plano de Aceleração do Crescimento. Conforme já escrevemos aqui, a maior parte do conteúdo do plano já era de conhecimento público, especialmente dos jornalistas, economistas e políticos que acompanham mais de perto o debate sobre os rumos da economia brasileira. A base do PAC são as medidas de desoneração de tributos para alguns setores estratégicos da economia, que obviamente têm impacto mais rápido do que os projetos que visam melhorar o ambiente de negócios como um todo e que levam tempo para fazer efeito. Alguns economistas discordam deste tipo de estratégia – acham que o governo não deve fomentar o crescimento com renúncia fiscal –, o que é uma crítica honesta. Amanhã, porém, os jornais estarão repletos de textos sobre a "insuficiência" do pacote, como se fosse possível mensurar o custo e benefício das medidas tomadas pelo governo e provar, por a mais b, que o PIB do Brasil não vai crescer 5% ao ano porque o pacote de Lula é "tímido" (podem apostar, este será o adjetivo da semana).

Ora, este tipo de exercício de futurologia é uma rematada bobagem, até porque muitas medidas passarão pelo Congresso Nacional e poderão ser modificadas - para o bem ou para o mal. Ademais, mesmo que se leve em consideração o pacote tal e qual foi apresentado, não existe maneira de calcular de forma tão segura o impacto das medidas no crescimento, é preciso ver como os agentes econômicos reagem. Quando o governo criou o programa Computador para Todos, muita gente torceu o nariz e achou que a idéia estava fadada ao fracasso porque "pobre não compra PC". Pois foi um grande sucesso, com mais de um milhão de máquinas vendidas no ano passado. Por outro lado, muita gente achava que o programa Primeiro Emprego seria um dos grandes trunfos de Lula e ele simplesmente fez água, não saiu do lugar e hoje está abandonado pelo governo. Economia não é ciência exata e, para lembrar o velho ditado, prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

domingo, 21 de janeiro de 2007

Sobre as milhagens aéreas

Um bom tema para a manifestação dos candidatos à presidência da Câmara dos Deputados é a titularidade das milhagens que são obtidas a partir das viagens pagas pela Casa aos seus 513 integrantes. Pela regra atual, o passageiro que viaja com os bilhetes fornecidos pelos gabinetes é quem fica com a milhagem. O Governo do Distrito Federal acabou com uma farra semelhante e impôs que a milhagem seja revertida para a administração pública, de forma a gerar uma bela economia na emissão das futuras passagens. Ninguém toca no assunto, mas é uma questão relevante para ser feita aos candidatos ao comando da Câmara e uma bela pauta para os jornais: quanto poderia ser economizado com a adoção da medida? Afinal, o contribuinte está bancando não apenas as viagens a trabalho dos parlamentares e assessores, o que é justo, mas também os vôos turísticos que eles conseguem acumulando as milhagens, o que não passa de uma bela mordomia...

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Alckmin dá palestra sobre "gestão eficiente"

O release abaixo está sendo distribuído às redações. A palestra sem dúvida vai lotar e quem sabe o ex-governador aproveite a oportunidade para manifestar a sua solidariedade com as vítimas da tragédia da rua Capri, coisa que até agora, uma semana após o soterramento, ele não fez. Alckmin também poderia começar a palestra explicando melhor a eficiência da gestão nos dois pontos fortes de seu governo: Segurança Pública e Transportes Metropolitanos. Vai ser no mínimo divertido.

GERALDO ALCKMIN EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin estará em São José dos Campos no dia 22/01 (segunda-feira), para palestra promovida pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP). 'Gestão Eficiente' será o tema abordado por Alckmin, que ainda este ano se tornará professor do curso Gerente de Cidade, há dez anos realizado pela Fundação.
O curso foi criado em 1996 e já formou cerca de 2,2 mil gestores em cidades de todo o Brasil e até do exterior. Esse modelo de gestor municipal foi inspirado nos Estados Unidos e implantado pela FAAP através do curso em cidades como São José dos Campos, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Cubatão, São Carlos, Volta Redonda, Cuiabá e Campo Grande, entre outras. Em São José dos Campos, o Gerente de Cidade está em sua terceira turma.
O médico e político Geraldo Alckmin é natural de Pindamonhangaba, foi governador do Estado de São Paulo entre 2001 e 2006 e candidato à presidência da República em 2006 pelo PSDB. Foi vereador e prefeito do município de Pindamonhangaba, deputado estadual, federal e vice-governador de Mário Covas. Empossado no cargo com a morte de Covas, elegeu-se em 2002. As inscrições para a palestra estão abertas e a entrada será 5 kg de alimentos não perecíveis, que serão destinados a duas entidades assistenciais: Fundo Social de Solidariedade de São José dos Campos e Lar Irmã Terezinha - Associação de Assistência ao Idoso, de Pindamonhangaba. As doações, inclusive, podem ser feitas antecipadamente na FAAP, em São José dos Campos.

'GESTÃO EFICIENTE' COM GERALDO ALCKMIN

Data: 22/01 (segunda-feira) Hora: 19h00 Local: FAAP - São José dos Campos Endereço: Av Dr Jorge Zarur, 650 Informações: (12) 3925-6400


Saiba hoje como os jornais editarão, na próxima terça-feira, o anúncio do PAC

Segunda-feira o presidente da República vai anunciar as medidas para promover um crescimento maior da economia brasileira, o chamado PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Não deve haver pirotecnia e muito do que vai ser anunciado já é de conhecimento dos brasileiros que acompanham de perto o noticiário econômico: uso de recursos do FGTS para obras de infra-estrutura, desoneração fiscal em alguns setores da economia, criação de novos incentivos, entre outras medidas.

Sem entrar no mérito do programa, que pode ser adequado ou insuficiente, a depender de quais forem os objetivos, este blog aposta que os jornalões de terça-feira dirão que o pacote é tímido, insuficiente, ineficaz e que o presidente Lula começou mal o segundo mandato. Também dirão que o governo age de forma autoritária ao condicionar a reforma ministerial à aprovação das propostas do plano no Congresso Nacional.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Rio, 40 graus


Charge do Agê que estará na edição desta sexta do DCI

O choque de gestão foi para o buraco

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) reapareceu ontem para anunciar o seu apoio ao candidato tucano à presidência da Câmara, deputado Gustavo Fruet (PR). Desta vez, porém, Alckmin preferiu não convocar uma entrevista coletiva e divulgou a sua posição por meio de nota oficial. O candidato derrotado do PSDB à presidência teve tempo para redigir a carta sobre Fruet, mas até agora não disse palavra sobre a tragédia ocorrida no canteiro de obras da linha amarela do Metrô em São Paulo.

Ao que parece, Alckmin pretende ficar longe dos mortos da rua Capri e deixar para o seu sucessor e correligionário José Serra o desgaste que a tragédia certamente vai causar. Para dizer o mínimo, é uma atitude mesquinha. Afinal, Alckmin é o pai da criança e foi durante a sua gestão que o contrato celebrado entre o consórcio de empreiteiras e o governo do Estado foi assinado. O mínimo que se espera de alguém com hombridade para assumir responsabilidades é que pelo menos dê a sua versão sobre o acontecimento.

O problema, porém, não se restringe à figura do ex-governador. É todo um discurso e um jeito de governar que foi soterrado junto com os corpos de inocentes na rua Capri. Não se trata aqui de questionar a culpa ou a responsabilidade pela tragédia – que serão esclarecidas ao fim das investigações já em curso –, mas observar a distância entre o que dizem os políticos do PSDB e a realidade dos fatos. Durante a campanha do ano passado, Alckmin tentou vender a imagem do bom gerente, do líder capaz de fazer o país acelerar sem mudar a política econômica, aplicando o tal “choque de gestão” e implantando “modernas” técnicas gerenciais na administração pública, como se os problemas nacionais se restringissem a tecnicalidades e não fossem de natureza estrutural e, portanto, política.

O choque de gestão do tucanato ficou explícito no desmoronamento da rua Capri: falta de plano de emergência, imprudência, total ausência de fiscalização do poder público na obra e, até agora, 6 mortes confirmadas. Junto com os ataques do PCC em 15 de maio, a cratera da rua Capri já é um símbolo do desgoverno do PSDB em São Paulo.

Negligência e mortes

É chocante a informação de que havia tempo para que fosse dado um alarme sobre a iminência do desmoronamento ocorrido na sexta-feira passada no canteiro de obras da linha 4 do Metrô paulistano, em Pinheiros, mas que nada foi feito porque não existia um plano de emergência. De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, não houve nem sequer toque de sirene para alertar a vizinhança. A cratera aberta na beira da Marginal ainda vai dar muito pano para manga nos próximos meses.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Zero Hora: ninguém merece

O texto abaixo, sobre o Fórum Social Mundial, saiu na edição de terça-feira (16) do jornal gaúcho Zero Hora. É um exemplo acabado de doutrinação e custa a crer que tenha sido publicado em pleno século 21. O primarismo do raciocínio e a chantagem emocional com o McDonald's são de lascar. Como se diz por aí hoje em dia, ninguém merece...

Para seu filho ler
É a primeira vez que o Fórum acontece no Quênia. Ele já foi realizado também na Índia, na Venezuela e principalmente no Brasil. O Brasil já foi sede de quatro edições do Fórum, e todas ocorreram em Porto Alegre.
O Fórum também é famoso por ser um evento que é contra a globalização. Isso significa que as pessoas que participam do Fórum não gostam que países muito ricos, como os Estados Unidos, influenciem países mais pobres, como o Brasil.
Por isso elas não gostam do McDonald's, por exemplo, porque o McDonald's foi criado nos Estados Unidos e hoje está espalhado por vários países do mundo.

(Nota originalmente publicada no Observatório da Imprensa)

Fruet ajuda reeleição de Aldo

Este blog sempre avisa que não consulta videntes, mas continua fazendo apostas: Aldo Rebelo (PCdoB) vai se reeleger na eleição para a presidência da Câmara. O lançamento, nesta terça-feira, da candidatura de Gustavo Fruet (PSDB-PR) é mais um passo na reeleição de Aldo. Fruet ajuda o comunista porque força um segundo turno, quando a maior parte dos parlamentares da oposição despejará votos em Aldo. O palpite do blog é simples: o petista Arlindo Chinaglia, tal e qual o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, vence no primeiro turno e toma uma surra na segunda votação. Quem viver, verá...

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

O secretário sabia ou não sabia?

A nota publicada na seção Erramos desta terça-feira na Folha de S. Paulo é típica de quem não quer dar o braço a torcer: "Diferentemente do que informou a chamada 'Secretário diz que já sabia de risco na quinta', José Luiz Portella não disse que sabia na quinta que instrumentos de medição detectaram problemas no túnel, mas, sim, que ocorreram problemas naquele dia." Afinal, o secretário de Transportes sabia ou não sabia do risco de desabamento na quinta-feira? Em carta ao jornal, ele diz que não. A reportagem da Folha não conseguiu "bancar" a informação, mas também não desmentiu o que apurou: de alguma coisa, Portella soube. Essa história da cratera de Pinheiros ainda vai acabar com certas reputações. Serra sabe disto.

Um teste sobre o caráter da mídia nacional

Se Marta Suplicy fosse a governadora de São Paulo, quem os grandes jornais estariam culpando pela cratera aberta em Pinheiros?

a) As chuvas
b) As empreiteiras
d) Luís Favre
d) Marta Suplicy
e) Marta, Favre, Supla, João Suplicy e os netos da ex-prefeita
f) A separação de Marta e Eduardo Suplicy

Errou o teste quem cravou as alternativas a ou b. Todas as demais estão corretas. A manchete do acidente seria algo como "Obra de Marta mata 8" e os colunistas se esbaldariam com o "buraco do PT".

A sorte de Serra é ter os meios de comunicação a seu favor. Ele se tornou, desde a campanha eleitoral, um verdadeiro darling dos jornalões. Ninguém fala mal, ninguém questiona o novo governador paulista. Evidentemente, neste caso específico José Serra não tem qualquer culpa no cartório (Geraldo Alckmin talvez tenha, se o modelo escolhido para a construção da nova linha de metrô se provar inadequado), mas o desgaste da suspensão da operação de resgate vai ser enorme. A imprensa terá de rebolar bonito para manter o tucanato fora do campo de jogo.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Frase do dia

Roberto Jefferson (PTB) não é apenas um grande orador, mas também um ótimo frasista. A última assertiva do texto que vai abaixo, sobre os impolutos Raul Jungmann e Fernando Gabeira, está impagável. Saiu originalmente no blog do ex-deputado, que merece ser visitado por quem quer saber das coisas.

"Acusado pelo Ministério Público Federal de desviar dinheiro público quando era ministro de FHC, Raul Jungmann foi tão perverso com seus colegas que não terá clemência. Faz-me lembrar Robespierre, "O Incorruptível", que, em nome do "Direito Revolucionário", mandou muita gente para a guilhotina e acabou ceifado por ela, nos dias de Terror da Revolução Francesa. Fernando Gabeira que se cuide. Só aponta o rabo dos outros quem é cotó."

Buraco é o primeiro teste de Serra

Tragédia à parte, a cratera aberta no bairro de Pinheiros, em São Paulo, é o primeiro teste de fogo para o governador José Serra (PSDB). Até agora, ele tem se portado bem, embora tenha sido um tanto lacônico em suas declarações à imprensa: esteve no local do acidente, mostrou estar no comando do processo, enfim, fez o papel que lhe cabe. O prefeito Gilberto Kassab (PFL), aliás, tem se mostrado um pouco mais presente, mas o fato é que Serra também tem aparecido e dado a cara para bater.

O jogo, no entanto, está só começando. Como bem lembrou o jornalista Fernando Rodrigues em seu blog, o desgaste será maior à medida que os mortos começarem a aparecer. Serão questionados os procedimentos adotados (a busca não começou tarde demais?) e a opinião pública vai querer saber direitinho de quem foi a culpa pelo desastre. Aí sim, o governador terá que mostrar habilidade.

Além dos mortos e dos vizinhos prejudicados pelo desabamento, Serra ainda terá que arcar com o desgaste de enventuais atrasos nas obras e precisará decidir sobre o modelo que foi adotado pelo seu antecessor Geraldo Alckmin para a construção do Metrô paulistano. As duas opções são complicadas politicamente: romper ou rever um contrato significa ir de encontro com tudo que os tucanos sempre pregaram, além do óbvio reconhecimento de que houve erro na adoção do modelo durante a gestão tucana de Alckmin; manter as coisas como estão implica na permanência do poder público mais distante do controle das obras em andamento. Conhecendo o caráter controlador de Serra, é bem possível que ele queira mudar o modelo, mas ainda é cedo para especular a respeito, pois o problema tem muitas variáveis e o contrato certamente possui cláusulas sobre procedimentos a responsabilidades em casos de acidentes.

Imprensa poupa empreiteiras, diz Maia

A nota abaixo não é do boletim do sindicato dos metroviários, mas do ex-blog do prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (PFL):

"A CRATERA DO METRÔ DE SP!
Grande Imprensa poupa Grandes Empreiteiros, que têm a concessão da gestão futura da linha 4, e que são os responsáveis -em conjunto- pelas obras, da linha 4 do metrô de SP. No apagão aéreo, grande imprensa cobriu diferente as responsabilidades privadas".

domingo, 14 de janeiro de 2007

Lula apóia Chinaldo e dá nó tático no PSDB

Está ficando até aborrecido comentar a eleição para a Câmara Federal, especialmente depois que a bancada do PSDB "decidiu" apoiar Arlindo Chinaglia (PT-SP), abrindo uma enorme crise no ninho tucano. Claro, a bancada não decidiu coisa alguma, mas o líder Juthay Jr. (BA) e parlamentares ligados aos governadores de São Paulo e Minas Gerais conseguiram articular o anúncio da tal decisão da bancada, que teria sido consultada por telefone.

Logo após o anúncio, porém, começaram a chover descontentes: do ex-presidente Fernando Henrique (prefere o comunista Aldo Rebelo) ao senador Arthur Virgílio (também fecha com Aldo), passando pelo combativo José Aníbal (defende a terceira via), foram tantos os tucanos a ocupar espaços na mídia contra a decisão inicial que fica difícil acreditar em uma solução consensual na reunião da Executiva convocada para solucionar o problema. O pau vai comer e, como o voto é secreto, cada um vai fazer o que bem entende na hora da eleição, em 1° de fevereiro.

Tudo que foi dito acima é até óbvio, mera observação dos fatos dos últimos dias. A pergunta que pouca gente fez foi a seguinte: quem afinal é o candidato do presidente Lula?

Uma vez que o PSDB é oposição (e também o PFL, hoje fechado com a candidatura de Aldo), em tese os oposicionistas tendem a fechar com a candidatura contrária à apoiada pelo governo. Claro que está é uma simplificação um pouco grosseira – a política apresenta nuances e argumentos um pouco mais elaborados –, mas digamos que, por hipótese, a primeira coisa a ser estabelecida pelos estrategistas tucanos e liberais é justamente identificar de que lado está o presidente. Em um primeiro momento, todos disseram que Lula estava com Aldo, que ele liberaria mundos e fundos pela reeleição do presidente da Câmara e também o do Senado, Renan Calheiros (PMDB). Pois foi só o PT lançar o nome de Chinaglia para que muitos passassem a vislumbrar a mão forte do governo por trás da candidatura petista. O PFL foi o primeiro a acusar o golpe e cerrou fileiras com Aldo. Quando o PMDB fechou o apoio a Chinaglia, começaram a surgir as histórias de uso da caneta oficial para facilitar a vida petista, daí a surpresa da adesão tucana à candidatura do líder do governo na Câmara.

Ora, vamos ser claros: do ponto de vista de Lula, Aldo e Chinaglia representam praticamente a mesma coisa. Se Aldo ganhar, o presidente estará muito feliz. Se der Arlindo, sorrirá de orelha a orelha. Tanto faz como tanto fez. O candidato de Lula é "Arbelo Chinaldo" e a oposição não parece ter percebido este fato. Como diria o Chavez (não o venezuelano, mas o mexicano) "sem querer, querendo", o presidente aplicou um verdadeiro nó tático nos tucanos e está em uma posição confortabilíssima na disputa enquanto o PSDB entrou em uma crise cuja saída é uma verdadeira incógnita.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

O buraco do Serra














Não é por nada não, mas José Serra está no cargo há apenas 12 dias e já tem um pepino daqueles para descascar, com o desastre ocorrido hoje no Metrô de São Paulo. O homem é realmente azarado. E ninguém duvide se amanhã, na Folha de S. Paulo, o colunista José Simão apelidar a cratera aberta em Pinheiros de "buraco do Serra". Ou dizer que o choque de gestão dos tucanos foi para o buraco. Literalmente.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Ilusão de ótica


Charge do Agê que estará na edição de sexta-feira do DCI

As estatizações o pânico dos conservadores

Enquanto Hugo Chávez anuncia uma onda de estatização na Venezuela e Evo Morales reafirma o seu compromisso com o povo boliviano de retomar o controle do gás de seu País, aqui no Brasil as publicações mais conservadoras já entraram em parafuso e deram sinais de que sentiram o golpe. O Estadão, por exemplo, está em pela campanha pela continuidade do processo licitatório das concessões para a iniciativa privada de trechos de rodovias federais. Bastou o anúncio, pela ministra Dilma Roussef, de que o governo federal suspenderia essas licitações para tentar obter tarifas de pedágio mais em conta para o Estadão sentir o cheiro do "chavismo" em Lula. Ontem, quarta-feira, a Agência Estado passou o dia "repercutindo" o "furo" sobre a "suspensão" da privatização das estradas, ouvindo todo o tipo de fonte que pudesse garantir que a decisão do governo é o que de mais nefasto poderia acontecer nos dias de hoje.

Que o Estadão tenha medo de Chávez e Evo, é compreensível. Mas com Lula, francamente, o jornal não deveria ser precipitado. Em primeiro lugar, o governo nem sequer "paralisou" as tais licitações, até porque elas não haviam sido oficialmente anunciadas e estavam embargadas em função de pareceres do Tribunal de Contas da União. E, ademais, tudo indica que o governo vá mesmo licitar diversos trechos para a iniciativa privada, até porque o presidente já sabe que não tem recursos para deixar as estradas em condições minimamente razoáveis, conforme ele e a torcida do Flamengo puderam perceber com o fracasso da Operação Tapa-Buraco.

O que o Estadão fez, na verdade, foi agir "preventivamente": ao perceber incêndios nas casas dos vizinhos, encheu a banheira de água, ligou a torneira e saiu gritando fogo. Quando os bombeiros chegarem, o vexame vai ser grande...

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Palpite do blog: vai dar Aldo

É bem verdade que ainda é cedo para apostas – ainda faltam 20 dias para a eleição na Câmara –, mas este blog joga as suas fichas na reeleição de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) para a presidência da Casa. O apoio do PMDB, anunciado hoje, ao deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) não espanta muito, pelo contrário, apenas revela a falta de unidade do partido, uma vez que apenas 58 deputados compareceram, em uma bancada de 89. Quem vê neste "apoio" a pá de cal na candidatura de Aldo pode estar tremendamente equivocado.

Também ainda há por aí quem acredite no tal candidato da "terceira via", como há os que crêem em duendes, saci pererê, mula sem cabeça... Mesmo que um nome da tal terceira via consiga se viabilizar, o que neste momento é improvável, as chances de vitória do grupo são nulas, pois quem elege o presidente é o baixo clero, que tem verdadeiro horror a Gabeiras, Erundinas e Cardosos, esses desalmados que só pensam em reduzir os salários e benefícios parlamentares.

Assim, na hora da decisão, com terceira via ou sem terceira via, as candidaturas que importam serão mesmo duas: a de Chinaglia, bancada pelo PT e por setores palacianos, e a de Aldo, que terá o suporte dos aliados PSB e PCdoB e de alguns setores do Planalto que vêem na eventual vitória de Chinaglia uma real possibilidade de reentrada do ex-ministro José Dirceu no cenário político.

Assim, entre Aldo e Chinaglia, parece óbvio a este blog que a oposição, salvo exceções localizadas que operam sob a lógica do acordo regional, vai preferir o velho e bom comunista do que o esperto líder petista. Com o voto de boa parte do PFL e do PSDB, mais a traições habituais no PMDB e até no PT, Aldo pode vencer a parada até com alguma folga.

Justiça brasileira paga um mico histórico

Está todo mundo falando sobre a história da censura imposta pela justiça brasileira ao site You Tube. O caso é de um ridículo tão grande que dá até preguiça comentar. A decisão é absurda por vários motivos, entre eles do de ser totalmente ineficaz. Quem quiser ver o tal vídeo com a performance da apresentadora Daniela Cicarelli vai continuar conseguindo, em menos de três cliques. A menos, é claro, que o juizinho que deu a sentença resolva impor a censura de toda a internet brasileira. Se os 15 minutos de fama com a censura ao You Tube não satisfizerem o ego do magistrado, ninguém se espante se a sentença for reformada para ampliar a censura. Neste país, nada é impossível.

Chávez nas manchetes

O anúncio do presidente venezuelano Hugo Chávez de que irá nacionalizar a energia e a telefonia foi para as manchetes dos principais jornais brasileiros. Há algum esforço editorial para que a notícia pareça estar sendo dada de forma "neutra", mas nas entrelinhas a condenação aos atos de Chávez fica evidente. Na Folha, uma entrevista com um "especialista" de plantão (o cientista político americano David Myers!) apresenta a tese de que Chávez privatiza a telefonia para controlar a internet no País.

Nos próximos dias o leitor vai encontrar editorais raivosos e artigos muito lúcidos condenando as ações do líder bolivariano que governa a Venezuela. Mais um pouco os jornalões tomam coragem e passam a chamá-lo de ditador, como fazem com Fidel Castro, apesar da Chávez já ter passado por três escrutínios e vencido todos, no voto.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Chove, chuva, chove sem parar...


Charge do Agê que estará no DCI desta terça-feira

A volta das privatizações

O ano de 2007 já vai pela sua segunda semana e a pasmaceira é grande. Na política, disputa pela presidência da Câmara Federal à parte, nada de relevante aconteceu nos últimos dias em que este blog não atualizou, devido à precariedade das conexões discadas no litoral norte paulista.

A única novidade no cenário é o governo de José Serra (PSDB). Ccomo até era de se prever, a nova gestão já começou a criar atritos com a turma do ex-governador Geraldo Alckmin, também tucano. Na prática, Serra anunciou algumas medidas que significam um "choque de gestão" para melhorar o desempenho do governo paulista. Estaria tudo em casa se o próprio Alckmin não tivesse usado como mote de sua campanha presidencial exatamente o "choque de gestão" aplicado durante o seu governo em São Paulo. Serra, portanto, já começou a desmoralizar publicamente o seu companheiro de partido.

Ademais, a outra novidade da gestão Serra é na verdade coisa velha: não foi preciso esperar 5 dias de governo para que o secretário da Fazenda anunciasse a venda de ativos do governo para aumentar a capacidade do Estado de investir nas chamadas Parcerias Público Privadas. Nada contra as PPPs nem a venda dos tais ativos, mas é preciso chamar a coisa pelo nome: privatização. Os tucanos ficaram bravos, durante a campanha do ano passado, porque o presidente Lula afirmou que a volta do PSDB ao poder significaria o retorno da política de privatizações. Alckmin não ganhou, mas Serra, em São Paulo, já revela o tipo de governo que os tucanos fariam se estivessem chegado ao Planalto.