Pular para o conteúdo principal

Um olhar sobre a blogosfera

João Pedro Stédile escreveu sobre a calmaria do momento e parece ter razão. Uma maneira de aferir como andam as coisas pelo país é navegar na blogosfera. Os blogs, digamos assim, mais conservadores podem dar indícios dos humores da oposição. Nesta sexta-feira, o jornalista Reinaldo Azevedo se dedica a rebater as críticas aos bancos antimendigos do prefeito paulistano Gilberto Kassab (PFL). Reinaldo acha que os jornais que representam as classes dominantes estão muito esquerdistas porque criticam os bancos inaugurados pelo prefeito, nos quais não é possível aos seres humanos deitar e cochilar.

Os mendigos de São Paulo agora precisam dormir no chão e Reinaldo achou demais da conta que a Folha e o Estadão tenham aceitado a "patrulha petista" e criticado os novos bancos. Como se vê, os diligentes defensores do liberalismo estão um pouco sem assunto. Reinaldo já defendeu o faniquito de Kassab contra um pobre desempregado - insinuou que se tratava de um "petralha" infiltrado no hospital que o prefeito vistoriava, provavelmente destacado para derrubar a aliança tucano-pefelista no Estado mais rico da Federação.

Reinaldo já teve dias melhores. Nesta sexta-feira, dia em que foi confirmada a nomeação do vermelho Paulo Nogueira Batista Jr. para a vaga de Eduardo Loyo como diretor-executivo do FMI (Fundo Monetária Internacional), o blogueiro não comentou o assunto. Preferiu falar da relevante guinada à esquerda do Estadão contra Kassab. De duas, uma: ou Reinaldão anda falando demais com Andrea Matarazzo ou está realmente preocupado com a tomada dos jornalões paulistanos pelos amigos de Zé Dirceu.

Qualquer das hipóteses acima revela que os melhores quadros da oposição estão sem rumo. Combatem a possibilidade de "chavismo" de Lula, mas não conseguem apontar um único ato real do presidente nesta direção. Escrevem que a "esquerda" obteve supremacia nos meios de comunicação - talvez sobre a Veja para defender o status quo... E se irritam com o "adesismo" do PSDB e com a falta de arrojo do PFL nas críticas ao governo. Do jeito que a coisa vai, a direita terá realmente muitas dificuldades em 2010 e seus intelectuais orgânicos podem se preparar para mais alguns anos de lamúrias. Ou arrumam uns trocados e se mudam para Veneza...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Um pai

Bruno Covas, prefeito de São Paulo, morreu vivendo. Morreu criando novas lembranças. Morreu não deixando o câncer levar a sua vontade de resistir.  Mesmo em estado grave, mesmo em tratamento oncológico, juntou todas as suas forças para assistir ao jogo do seu time Santos, na final da Libertadores, no Maracanã, ao lado do filho.  Foi aquela loucura por carinho a alguém, superando o desgaste da viagem e o suor frio dos remédios.  Na época, ele acabou criticado nas redes sociais por ter se exposto. Afinal, o que é o futebol perto da morte?  Nada, mas não era somente futebol, mas o amor ao seu adolescente Tomás, de 15 anos, cultivado pela torcida em comum. Não vibravam unicamente pelos jogadores, e sim pela amizade invencível entre eles, escreve Fabrício Carpinejar em texto publicado nas redes sociais. Linda homenagem, vale muito a leitura, continua a seguir.  Nos noventa minutos, Bruno Covas defendia o seu legado, a sua memória antes do adeus definitivo, para que s...

Dica da Semana: Tarso de Castro, 75k de músculos e fúria, livro

Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista  Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...

Doca Street, assassino de Ângela Diniz, morre aos 86 anos em São Paulo

Não existe verbete na Wikipédia sobre Doca Street. Morto nesta sexta (18) aos 86 anos, talvez agora ele ganhe uma página em seu nome nesta que é a maior enciclopédia colaborativa do mundo, onde só em português constam 1.049.371 artigos. A menção mais relevante no site a Raul Fernando do Amaral Street, o nome completo de Doca, aparece na entrada que fala de Ângela Diniz, socialite mineira assassinada em 1976 com quatro tiros disparados pela arma –e pelas mãos– de Doca, na casa que o casal dividia na Praia dos Ossos, em Búzios (RJ). Nada surpreendente. Afinal, desde que pôs um fim à existência de Ângela, Doca viu sua vida marcada e conectada ao crime que cometeu –ainda que, após seu primeiro julgamento, em 1979, ele tenha saído pela porta da frente do tribunal, ovacionado pelo público de Cabo Frio, também no litoral fluminense, escreve Marcella Franco em artigo publicado na Folha Online na sexta, 18/12, e reproduzido sábado, 19, no jornal. Vale a leitura, continua a seguir. Foi só em 198...