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Mídia vive nova fase no combate a Lula

A cada dia que passa, fica mais nítido o fenômeno: depois de perder a guerra da conquista de corações e mentes no ano que importava – 2006, quando estava em jogo a reeleição do presidente Lula –, a grande imprensa brasileira vive uma espécie de ressaca da derrota do projeto que defendeu no ano passado. Remar contra a maré não é uma tarefa simples e os veículos estão tentando descobrir o tom para fazer oposição a um presidente que talvez seja o mais popular da história do país.

Há os que insistem em picuinhas – para a revista Veja, da editora Abril, por exemplo, qualquer picuinha serve, como o leitor pode verificar na condenação do suposto anti-americanismo da política externa do atual governo, presente nas páginas amarelas desta semana.

Tem também o pessoal mais "nasty", especialmente na Folha de S. Paulo, um jornal cheio de má-vontade com tudo ocorre no planeta e que, no tocante ao Brasil, tenta mostrar que o Executivo federal só faz besteiras e está sempre munido de malvadas segundas intenções. Um raciocínio típico da Folha é o seguinte: se o governo deixou de fazer algo, antes mesmo de saber a razão o jornal conclui que foi porque alguém avisou que a falcatrua fora descoberta.

Há por fim os mais "ideológicos", de crítica radical, mas razoavelmente civilizada, como a turma do Estadão e, em parte, de O Globo.

É certo que no dia a dia as reportagens e textos dos grandes jornais, revistas e portais de internet contêm uma mistura desses três estilos. Nos blogs conservadores, como o de Reinaldo Azevedo, a pancadaria no governo é mais forte e muitas vezes inconsequente em função da prolixia desse meio. Os podcasts de Diogo Mainardi, por exemplo, já começam a se parecer peças cômicas, tamanho o distanciamento entre o que se ouve ali e a tal "talk of the town" que ele gostaria de ser porta voz. No máximo, Mainardi consegue exprimir a conversa da última reunião de pauta da Veja e os telefonemas ao seu amigo Azevedo. O Brasil já teve conspiradores melhores.

O fato é que está faltando um "gancho", como se diz no jargão das redações, para bater forte no governo. Sem mensalão, dossiê Vedoin ou escândalo dos sanguessugas, o trabalho ficou realmente mais complicado. A oposição também não anda ajudando, o PSDB está praticamente de joelhos e o PFL desidratou, caindo de 65 deputados eleitos para pouco mais do que 50. Aparentemente, resta aos opositores de Lula esperar que os "aloprados" reapareçam ou que o presidente comece a ter arroubos chavistas, tome um porre e mande expulsar o Larry Rother do país. Se nada disto acontecer, vamos todos passar 4 anos acompanhando futricas de salão contra o presidente e o PT e lendo recados cifrados de Serra para Aécio e vice versa.

Como a vida não pode ser tão chata, talvez Ciro Gomes se mostre disposto a animar um pouco as coisas. E aí, podem apostar, Mainardi e sua turma passarão a se dedicar à nobilíssima tarefa de tentar evitar que Ciro chegue lá em 2010. Pelo menos Lula ficará longe dessa chateação...

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