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Elle está de volta e pode dar trabalho














O ex-presidente Fernando Affonso Collor de Mello tomou posse hoje como Senador da República. Foi eleito pelo pequeno PRTB de Alagoas, mas já anunciou que deverá ingressar no PTB de seu ex-fiel escudeiro Roberto Jefferson, que esteve no Senado para prestigiar o futuro correligionário.

Há 20 anos, Collor tomava posse na Presidência da República após ter derrotado o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma das eleições mais radicalizadas da história do Brasil. Hoje, Collor está na base de apoio a Lula, avalia que o presidente faz um bom trabalho, mas não dá o braço a torcer, procurando deixar claro que foi Lula quem mudou suas concepções políticas ao chegar ao Poder.

Fernando Collor volta à cena política aos 57 anos de idade, após cumprir a pena de 8 anos de afastamento da vida pública que lhe foi imposta com o impeachment em 1992. Há 4 anos, quando tentou o governo de Alagoas e perdeu a eleição, muitos analistas diziam que o ele era um morto-vivo da política brasileira e jamais recuperaria o prestígio que teve no final do século passado.

De fato, Collor perdeu não apenas prestígio, mas a confiança da elite nacional, que foi quem lhe forneceu as condições (e os recursos financeiros) para chegar ao Palácio do Planalto em 1990. Justamente por isto, a batalha do ex-presidente para voltar ao centro do Poder é árdua e difícil, mas é preciso lembrar que ele tem a seu favor duas características importantes: o carisma pessoal e a idade.

É difícil analisar carisma porque se trata de uma percepção subjetiva. Alguns fenômenos, porém, são inquestionáveis: Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Lula são exemplos de políticos carismáticos, característica reconhecida até pelos adversários. Embora alguns evitem reconhecer, Collor está no mesmo time, dos poucos políticos que conseguem levantar a massa na garganta.

Muita gente aposta que Collor disputará próxima eleição presidencial. Com mais 4 anos de mandato garantidos no Senado, ele realmente não terá nada a perder e pavimentaria uma candidatura para valer em 2014, aos 64 anos. Pode ser. Mas também pode muito bem ser que ele surpreenda já em 2010.

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