domingo, 13 de julho de 2008

Não dá para não reproduzir

A análise séria do caso Daniel Dantas está no comentário anterior, mas como no Brasil o humor diz tudo e mais um pouco, segue abaixo post do blog do jornalista Ancelmo Gois, que resume perfeitamente os tais "aspectos jurídicos" do episódio:

Perguntar não ofende: quantos pobres o ministro Gilmar Mendes já mandou soltar?

Um comentário:

  1. O sistema policial e penal brasileiro reflete, com perfeição, a desigualdade social do país. É concebido, e principalmente operado, para proteger as castas superiores, e intimidar os pobres. Temos regras prescricionais que garantem a impunidade de quem tem dinheiro suficiente para garantir manobras judiciais protelatórias, sempre esgrimadas por advogados bem pagos. Quando isso não é suficiente, entra em campo a inexplicável lentidão no julgamento dos processos, que às vezes ficam anos engavetados em algum gabinete, esperando fluir o prazo prescricional que irá livrar o réu. Existem três tipos de delitos que potencialmente atingem as castas superiores: os de colarinho branco, os contra a honra, e os de trânsito. Morrem, por ano, no Brasil, 35.000 pessoas em acidentes de trânsito. Os culpados por essas mortes pertencem, quase sempre, à classe média, a mesma classe que opera o sistema penal. Qualquer um que dirija um automóvel está exposto à prática de um eventual homicídio culposo, e às vezes doloso. Mas o sistema de auto-proteção funciona bem: ninguém vaii para a cadeia. Diariamente os programas de notícias sensacionalistas que infestam a televisão mostram a prisão de pobres, desde logo classificados como "bandidos", com presunção de culpa já devidamente estabelecida sem que sequer tenha sido iniciado o processo judicial. São algemados, maltratados e expostos à execração pública e linchamento moral. E nunca ouvi, em lugar algum, uma voz sequer condenando tais atos.
    Na raiz de tudo isso está a característica mais indigna das elites brasileiras: o profundo preconceito de classe.

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