quinta-feira, 31 de julho de 2008

Eles choram e a economia real bomba

É preciso saber ler o noticiário econômico. Se o internauta der busca por Fiesp no Google News, vai achar uma série de matérias com as lideranças da indústria paulista reclamando da política monetária e expressando grande preocupação com a alta da taxa de juros. Em várias dessas matérias, os industriais dizem que "já estão sentindo" os efeitos do aperto monetário. Bem, não é o que mostram as estatísticas da própria Fiesp, conforme se pode ler abaixo, em nota publicada nesta quinta-feira na Folha de S. Paulo. O mesmo vale para o comércio, que chora todas as pitangas e quando o leitor vai ver, a notícia é que a venda dos supermercados aumentou espantosos 8,7%, conforme atesta a segunda nota, também da Folha. Essa gente faz lembrar o velho ditado: quem não chora não mama...


INDÚSTRIA
Atividade no 1º semestre é a maior desde 2004

A atividade industrial em São Paulo registrou no primeiro semestre o maior crescimento desde 2004, levando o setor a revisar a previsão para o ano.
Nos seis primeiros meses, a atividade acumulou alta de 8,8%. "O resultado de junho surpreendeu", disse Paulo Francini, diretor econômico da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
A Fiesp elevou ontem a estimativa de expansão da indústria em 2008 de 5,5% para algo entre 6% e 6,5%. Para o segundo semestre, a entidade já prevê cenário de acomodação.


VAREJO
Vendas de supermercados crescem 8,7%

As vendas de supermercados tiveram aumento real de 8,66% no primeiro semestre, o melhor resultado em cinco anos, segundo a Abras (Associação Brasileira de Supermercados). Na comparação de junho com igual mês de 2007, a alta foi de 7,58%.
Para o presidente da Abras, Sussumu Honda, o volume está estável ou pode até ter havido redução, com a expansão no faturamento sendo sustentada pelos preços em alta. O AbrasMercado, cesta de 35 produtos de largo consumo, teve aumento real de 14,83% em um ano. (TR)

Hoje é dia de debate

A campanha eleitoral nas principais cidades do país começa, na prática, na noite de hoje, com a rodada de debates promovida pela TV Bandeirantes. É com a aparição dos candidatos na televisão que o público começa a pensar mais detidamente em quem votar na eleição de outubro. Neste ano, porém, o início da campanha não deverá atrair muito a atenção dos brasileiros porque entre os dias 6 e 24 de agosto todo mundo vai estar de olho nas Olimpíadas de Pequim. A propaganda eleitoral gratuita começa dia 18 de agosto, mas certamente só após o término das Olimpíadas o povão vai começar a prestar atenção de verdade no que estará na televisão e rádio. Portanto, será uma campanha curta, de pouco mais de um mês. Assim, os debates de hoje devem ter o significado de "ensaio geral" do que será visto em setembro.

O autor destas Entrelinhas estará no estúdio da TV Bandeirantes em São Paulo e promete escrever uma análise do evento na sexta-feira, além, é claro, de contar os bastidores do encontro.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Emprego e desemprego: o Brasil que avança

A notícia reproduzida abaixo está na Agência Brasil. Desde meados do ano passado, mês após mês os editores dos cadernos de economia tem noticiado os sucessivos recordes nas taxas de emprego - cada vez melhores - e de desemprego - cada vez mais baixas. Ninguém até agora se animou a fazer uma análise mais detida sobre o que se passa no mercado de trabalho do Brasil, mas a julgar pelos números deste início de ano, é bastante provável que a situação seja até melhor do que a do período do milagre econômico, nos tristes anos da ditadura militar. No caso da série do Dieese, o título engana: o desemprego é o menor desde 1998 porque só em 1998 o departamento começou a fazer a aferição. Portanto, é possível e provável que a taxa seja a menor em um período muito mais longo.

De fato, há dois movimentos em curso, simultâneamente - a formalização de vagas que já existiam (dado atestado pelo Caged, que mede a evolução do emprego com carteira assinada) e a criação de novos postos de trabalho - formais e informais. No caso da formalização, o movimento é salutar porque os trabalhadores que estavam na informalidade ficam mais protegidos e começam a contribuir para a Previdência Social. Uma iniciativa do ministro José Pimentel (Previdência) para ampliar o Super Simples e incluir os prestadores de pequenos serviços no regime tributário, com a cobrança dos impostos em conta de luz ou água, deve ampliar ainda mais a formalidade a colaborar para o aumento da arrecadação da Previdência. Tudo isto é muito bom.

Já a criação de novos postos de trabalho é reflexo direto do nível de crescimento da economia e do mercado interno. Provavelmente a alta da taxa de juros e a crise internacional terão algum efeito aqui, a menos que o Brasil esteja tão descolado do que acontece lá fora que continue sustentando o vigoroso crescimento dos últimos anos.

Tudo isto é fundamental para explicar a altíssima popularidade do presidente Lula - não tem mensalão, dossiê, Caso Dantas ou aloprado que faça o ex-operário descer dos 70% de aprovação popular. É simples: o povão compara. No tempo de FHC, o príncipe da sociologia, todo mundo conhecia alguém que perdeu o emprego ou que estivesse desempregado. Nos anos Lula, todo mundo conhece alguém que conseguiu um trabalho ou foi efetivado com a velha e boa carteira de trabalho.

De fato, tudo isto é muito simples. O que espanta é ninguém ter se dado ao trabalho de juntar lé com cré e fazer uma boa matéria sobre os efeitos deste mercado de trabalho "bombando", como gostam de dizer os jovens, na política nacional.

A seguir, os números do Dieese.

Desemprego em junho tem a menor taxa para o período desde 1998, revela pesquisa

Marli Moreira

São Paulo - A taxa de desemprego em junho foi de 14,6% da população economicamente ativa, nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Seade-Dieese). Essa foi a menor taxa para o período desde 1998, quando foi criada a pesquisa. No mês anterior, o desemprego havia sido de 14,8%.

A população economicamente ativa compreende todas as pessoas com 10 anos ou mais de idade, empregados, empregadores, os trabalhadores autônomos e os que estão temporariamente desempregados. A pesquisa Seade-Dieese é feita em seis regiões metropolitanas do país: Belo Horizonte, Porto Alegre, Distrito Federal, são Paulo. Salvador e Recife

Na virada de maio para junho, foram criadas 74 mil vagas, número superior à entrada de pessoas no mercado de trabalho (24 mil). O total de ocupados foi de 1,004 milhão. Segundo a coordenadora da pesquisa pelo Dieese, Patrícia Lino Costa, o dinamismo da construção civil continua impulsionando as contratações, que cresceram 9,6% em junho, na comparação com igual período de 2007.


Civita no Jô: nada de Lula

Este blogueiro ficou acordado até tarde na noite de ontem e acabou fazendo algo que não tem o hábito: assistir ao programa do apresentador Jô Soares. Faz tanto tempo que não via que já não se lembrava mais como são ruins as entrevistas conduzidas pelo talentoso ex-comediante.

Na primeira parte, Simone e Zélia Duncan aproveitaram muito bem o espaço para promover o show que estão fazendo no Rio de Janeiro. Jô tentou arrancar pequenas inconfidências, mas não chegou a ser constrangedor, em que pese o fato do apresentador conseguir sempre falar mais de si mesmo do que do tema de seus convidados. Desta vez ao menos ele deixou as duas cantarem três ou quatro músicas, poupando o telespectador de sua habitual egotrip.

Na segunda parte do programa, o convidado era Roberto Civita, o publisher da Editora Abril, que lá estava para falar dos 40 anos da revista Veja. Por mais incrível que possa parecer, Jô Soares simplesmente ignorou a pauta que realmente interessava e fez uma entrevista praticamente protocolar com o dono da Abril. Talvez nem a mulher de Civita, presente na platéia, teria realizado uma entrevista tão amena e tranqüila para o editor de Veja. Na única pergunta incômoda, Soares vez questão de anunciar que a questão seria "perniciosa" e inquiriu sobre a "grande barriga de Veja", na opinião de Civita. Como o editor não deu a resposta esperada e citou o caso PC Farias, Jô praticamente pediu desculpas para lembrar o célebre caso do Boimate, quando a revista caiu em um conto de primeiro de abril e publicou como matéria a brincadeira sobre a operação genética que teria unido um boi e um tomate. Civita não gostou muito de recordar esta barriga, mas sorriu amarelo e explicou o caso.

No resto do tempo, o que se viu foi o apresentador da Globo – que por sinal já trabalhou na Veja e fez questão de lembrar o ex-patrão sobre esta condição – atuando praticamente como assessor de imprensa de Roberto Civita, levantando a bola para o dono da Abril cortar. Não faltaram e nem foram economizados os elogios ao "papel heróico" do semanário durante o governo Collor, que Civita se vangloria de ter ajudado a derrubar. Neste momento, aliás, qualquer estudande de primeiro ano de jornalismo teria perguntado ao responsável pela publicação de Veja como ele vê e o que pensa das críticas que a revista recebe do grupo que hoje está no poder. Ou como anda a relação da Abril com o governo Lula. Afinal, tanta gente acha que Civita também quer derrubar este presidente, não é mesmo? Pois Jô Soares ignorou solenemente o tema – provavelmente a pedido da assessoria da Abril – e desviou o assunto, passando a falar das capas que poderiam ser derrubadas "se o Papa morrer" e das que de fato foram, como a que estampava o próprio apresentador – sim, a egotrip não tem hora para acabar...

Tudo somado, o afinado dueto de Simone e Zélia à parte, foram horas de sono perdidas. Ou minutos, a bem da verdade. Mas foi bom para lembrar: não vale mesmo a pena dormir mais tarde pelo Jô...

terça-feira, 29 de julho de 2008

Mais um na lista da AMB

Agora "sujou" para o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que em vez de ficar assobiando de lado, fingindo que não era com ele, foi logo atacando a ex-prefeita Marta Suplicy pela presença na "lista suja" da AMB. A matéria abaixo, da Agência Estado, revela que Kassab também tem o seu lado "Cascão". No fundo, a lista é uma grande bobagem e Geraldo Alckmin só não está presente porque os processos que responde são Ações Civis Públicas, que a AMB não leva em conta para fazer sua listinha. Este blog duvida que haja um único político que não responda a processo algum no Brasil. A informação necessária ao eleitor não é a lista, mas o tipo de processo que cada um responde. E não só os candidatos, os partidos também.

Kassab entra para lista dos 'fichas-sujas' da AMB

Prefeito de SP e candidato é co-réu em ação por supostas irregularidades quando era secretário de Pitta

SÃO PAULO - A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) incluiu nesta terça-feira, 29, o prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM), na lista dos candidatos que respondem a processo na Justiça. Kassab é co-réu em ação por supostas irregularidades quando era secretário da gestão Celso Pitta (1997-2000).


Na ação civil pública, ele é acusado junto com o ex-prefeito de ter publicado, com recursos públicos, anúncios em jornais em defesa de supostos "interesses pessoais". Kassab foi absolvido em maio do ano passado, mas o Ministério Público (MP) entrou com recurso extraordinário. Em sua defesa, Kassab afirmou que Tribunal de Justiça já havia julgado improcedente a ação e o assunto estaria superado.

Geraldo está de volta

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) arrumou, com a internação de dois dias a que se submeteu devido a uma infecção intestinal, a melhor desculpa possível para recusar os quitutes que lhe são oferecidos pelos eleitores durante a campanha. A partir de agora, quem vai sofrer é o assessor que estiver acompanhando o candidato tucano à prefeitura de São Paulo.

Dines: aspargos em Marte,
promiscuidade na Terra

O que vai abaixo é o artigo do jornalista Alberto Dines para a nova edição do Observatório da Imprensa. Tradução perfeita do que sentiu este blogueiro ao ler, no domingo, a "capa" do Estadão. Vale a pena ler até o final.


Mais importante do que o logotipo e o conteúdo das edições, a primeira página é instituição e símbolo, quintessência do jornalismo, culminação do processo de buscar, organizar e hierarquizar informações a serviço do interesse público.

Front Page, peça de Ben Hecht, além do sucesso na Broadway, foi filmada duas vezes. "La Une", na França, é um espaço mítico. No Brasil, há jornais capazes de vender seus editoriais mas resistem à colocação de anúncios na primeira.

A avacalhação do mito começou devagar, mas prosseguiu firme. Primeiro foram semicapas publicitárias cobrindo parte da verdadeira. Depois vieram falsas capas ocupadas por anúncios inteiros ou escondidas dentro de envelopes e embrulhos.

Quebrada a vitrine, fácil roubar a loja inteira. O assalto final à sacralidade da primeira página começou a ser perpetrado no Estado de S. Paulo de domingo (20/7), com a campanha de lançamento do novo carro da Nissan: uma falsa capa em papel especial, imitando uma maquete de página ainda incompleta. Os gênios da agência LewLara/TBWA imaginaram que seria muito "lúdico" – palavra de ordem do mundo fashion – oferecer ao leitor a oportunidade de fazer a sua primeira página. Idiotice completa, dinheiro do anunciante jogado fora, ninguém entendeu aquela confusão de riscos e espaços em branco.

Responsabilidade social

No domingo seguinte (27/7), o golpe final: uma primeira página com aparência de autêntica, porém violentada por notícias adulteradas. E a manchete – "Cientista garante: é possível plantar aspargos em Marte".

O leitor busca uma explicação e a encontra num cantinho, ao lado da venerável logomarca do Estadão: "Capa promocional". Seria mais ousado assumir com todas as letras: "Capa prostituída".

Num canto deste monumento kitsch – hino à decadência pós-moderna – a assinatura da agência e uma aula de jornalismo: "Um jornal que só traz notícia boa é fora do padrão". Dentro do jornal um folheto convoca para a revolução: "Designers quadrados criam carros quadrados para cabeças quadradas".

Ninguém obrigou os diretores, executivos e editores do jornalão a acolher esta palhaçada. Livre arbítrio é isso: cada um suicida-se da forma que lhe parece mais divertida.

A promiscuidade publijornalística foi exibida apenas nos exemplares para assinantes da cidade de São Paulo. Mas no momento em que se discute a regulação, na mídia eletrônica, da "liberdade de expressão comercial", a Nissan, por intermédio da LewLara/TBWA, mostra o senso de responsabilidade social daqueles que só pensam em plantar aspargos em Marte.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ainda sobre Kassab

Vale a pena ler o artigo abaixo, publicado na Folha de S. Paulo nesta segunda-feira. É um bom texto e ajuda a sentir o pulso da péssima repercussão, na redação da Barão de Limeira, da tentativa do prefeito Gilberto Kassab (DEM) em influenciar a pesquisa do instituto Datafolha. "Operação Tabajara" foi uma forma irônica encontrada pelo colunista (e editor de Brasil) para qualificar o papelão de Kassab. Aliás, nos bastidores corre a versão de que a jornalista Renata Lo Prete não teria acreditado na veracidade do e-mail que originou toda a confusão e levou o material para a análise de Otávio Frias Filho. O diretor de redação da Folha, por sua vez, também não teria acreditado no que viu. Decidiram então ouvir a versão do prefeito, que, para a surpresa e estupefação de todos, confirmou a autoria da mensagem.
Segue a íntegra do comentário de Ferando de Barros e Silva.


gilberto@kassab.com.br

Fernando de Barros e Silva

SÃO PAULO - Se as coisas já não andavam nada boas para o lado do prefeito Gilberto Kassab, ficaram bem feias agora, com a revelação -num grande furo da jornalista Renata Lo Prete- de que acionou por e-mail quase todos os subprefeitos da cidade com a recomendação de que tentassem interferir no campo da recente pesquisa do Datafolha.
O episódio tem implicações legais, já que é proibida a ação eleitoral de agentes públicos em serviço. Mas, se a intenção é coibir o uso da máquina em benefício de qualquer candidatura, sob este aspecto valeria comparar a falta do prefeito e a publicação da revista "Governo Lula nos Municípios", patrocinada com dinheiro público e já incorporada às campanhas do PT pelo país, como noticiou a Folha no sábado.
O que chama a atenção na operação tabajara de Kassab não é o maquiavelismo, mas a mistura de insensatez com ingenuidade, de malandragem com inocência, de esperteza com amadorismo político.
Registre-se, para quem é chegado em duendes: o prefeito diz que não tinha a pretensão, de resto desvairada, de inflar seu desempenho na pesquisa, mas a intenção de reagir a possíveis distúrbios por encomenda nos locais do campo, segundo ele praticados por militantes do PT.
Traído pelo excesso de confiança ou vítima do próprio desespero? As coisas se misturam. Pressionado pela necessidade de mostrar aos tucanos que o apóiam que ainda tem alguma chance de embaralhar a disputa polarizada entre Marta e Alckmin, Kassab recebe da elite da máquina que supostamente comanda um recado inequívoco de que o desembarque já começou.
Flagrado num flerte com a ilegalidade, está claro que o prefeito foi apunhalado por algum dos seus que já bandeou para o lado de Alckmin. Essa será a tendência, que dificilmente a campanha na TV (onde o democrata tem mais tempo que os rivais) conseguirá reverter.
Os tucanos de São Paulo atolaram num pântano. Resta saber como José Serra, o padrinho de toda a meleca, vai sair dessa.

O papelão de Kassab

O destaque do final de semana foi mesmo o inacreditável e-mail enviado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), para os subprefeitos com instruções nada claras sobre algo a ser feito em relação a uma pesquisa do instituto Datafolha. As instruções não são claras, mas a intenção que transparece é óbvia, qual seja a de interferir no resultado da enquete.

Seria apenas ridículo se o fato não revelasse que no exército do prefeito para a guerra eleitoral há pelo menos um quinta-coluna fazendo o jogo dos adversários. Afinal, não foi a repórter Renata Lo Prete quem esbarrou no e-mail do prefeito, alguém bem próximo de Kassab – a suspeita óbvia é que tenha sido algum dos subprefeitos – enviou para a jornalista da Folha a prova do crime.

Os dois fatores - uso da máquina pública na tentativa de influenciar a pesquisa e a traição de aliados – deixam Kassab mal na fita. Se ele não se recuperar logo no início da campanha na TV, a tendência é ser abandonado até pelo governador José Serra (PSDB), seu padrinho político. Neste caso, não será surpresa para este blog se Kassab terminar atrás de Maluf e até, quem sabe, de Soninha.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Krugman fala sobre o Brasil

Vale a pena ler a entrevista reproduzida abaixo, que saiu hoje na Folha de S. Paulo. Paul Krugman é um dos economistas favoritos deste blog: foi uma das poucas vozes que antecipou o início da crise do subprime, assunto que vem tratando em sua coluna no The New York Times com grande lucidez. Apesar de não ser um expert na realidade brasileira, Krugman é um analista arguto e não fala bobagem sobre o que não conhece bem, como muitos palpiteiros tupiniquins. A análise faz bastante sentido e no fundo é muito positiva para o Brasil.
A seguir, na íntegra, a entrevista concedida para a jornalista Denyse Godoy, da Folha.



Krugman defende ação do BC no Brasil

O economista Paul Krugman, que vê Brasil líder dos emergentes

Não, não vai ser a China. O papel de grande líder das nações emergentes caberá ao Brasil, na avaliação do economista americano Paul Krugman, 55, embora a economia brasileira esteja crescendo menos do que poderia, segundo ele. As deficiências do Brasil, porém, impedem um crescimento maior sem inflação agora. "Não se pode ter uma política que leve o crescimento a um ritmo superior ao seu potencial", disse.
Por isso o economista apóia a elevação dos juros pelo BC.
A seguir, trechos da entrevista que concedeu ontem à Folha, por telefone, do Rio. Ele esteve no Brasil por dois dias participando de seminários.


FOLHA - Qual é a sua análise da atuação dos bancos centrais dos emergentes, como o brasileiro, que acaba de elevar os juros?
PAUL KRUGMAN - Eu diria que faz sentido, mas não posso julgar se o tamanho e o ritmo do aumento de juros estão certos.
Nos países avançados, o problema é a deflação e uma ameaça de colapso no mercado financeiro. Na maior parte do mundo emergente, as pressões são inflacionárias.

FOLHA - Aumentar os juros é a melhor alternativa no caso de uma inflação causada primeiramente pela alta dos preços das commodities?
KRUGMAN - A minha avaliação é de que, nos EUA, não é desejável usar a política monetária para lutar contra a inflação de commodities. No Brasil, muito do que está acontecendo é explicado pelos alimentos, mas não tudo. Olhando para os EUA, temos um mercado de trabalho muito fraco. No Brasil, é o contrário.

FOLHA - É possível combater a inflação sem desistir totalmente de crescer?
KRUGMAN - Sim. Entretanto, se os indicadores dizem que o país está crescendo acima do potencial, é preciso fazer alguma coisa para segurar a inflação. Não tenho provas convincentes de que o Brasil possui uma taxa de crescimento potencial de mais de 5% [ao ano]. Não se pode ter uma política que leve o crescimento a um ritmo superior ao seu potencial.

FOLHA - Como vê o novo cenário mundial, em que EUA e Europa continuam sendo as economias mais importantes, porém surgem novos grandes atores, como China e Índia?
KRUGMAN - Ninguém sabe realmente como esse novo mundo vai se desenvolver, se será preciso um poder hegemônico ou não. Esperamos que não, porque não temos um.

FOLHA - E qual é o papel do Brasil nesse mundo?
KRUGMAN - O Brasil está em uma posição bastante interessante porque é o maior país em desenvolvimento que não é a China nem a Índia. A China e a Índia têm as suas especificidades, e é difícil colocar qualquer uma delas no papel de líder para os outros emergentes, porque, de certa forma, elas são grandes demais para fazer parte de alianças. Então, é o Brasil que está rumando para a função de líder dos emergentes.

FOLHA - Nas comparações com o crescimento da Índia e da China, o Brasil fica em desvantagem. O senhor está dizendo, então, que essa comparação não é justa?
KRUGMAN - Apesar de tudo, o Brasil é um país muito mais rico. Não é razoável esperar que o Brasil cresça tão rápido como a China. A China partiu de uma pobreza tão grande que um mínimo de modernidade é um avanço notável. Comparar com o crescimento da China é injusto, mas o Brasil está crescendo menos do que poderia.

FOLHA - A que se deve isso?
KRUGMAN - As explicações usuais dizem respeito à educação, que não é boa como deveria ser. Nos países asiáticos de elevado crescimento, a educação é surpreendentemente melhor do que se esperaria, mesmo o país tendo muita pobreza. Se esse é o motivo? Não sei.

FOLHA - Os EUA já se encontram mergulhados em uma recessão?
KRUGMAN - A definição oficial de recessão nos EUA é dada por um comitê. Não temos uma definição formal, então fica difícil. Independentemente da palavra, a situação que temos claramente nos últimos seis meses é a economia crescendo, mas devagar demais. A questão é se o comitê vai decidir chamar isso de recessão, porque a maior parte de nós sente como uma recessão, com certeza.

FOLHA - O presidente George W. Bush e o presidente do Fed (banco central americano), Ben Bernanke, poderiam ter feito alguma coisa diferente para evitar que a situação chegasse ao ponto em que está?
KRUGMAN - O melhor teria sido tomar uma posição [quanto às operações com hipotecas de alto risco] entre o final de 2004 e o começo de 2005. Se o Fed tivesse começado a cortar os juros no começo de 2007, talvez pudesse ter evitado isso tudo. A redução da taxa só veio em agosto de 2007, pois antes não estava óbvio para todo mundo que havia um problema. No entanto, acho que Bernanke tem o crédito de estar agindo com a agressividade que um banco central nunca teve.

FOLHA - Quais são os principais desafios para o próximo presidente?
KRUGMAN - Ele vai ter que mostrar trabalho imediatamente. Em um ano os resultados precisam aparecer, senão terá que assumir a recessão como sua.
Ademais, será necessário fazer a reforma do sistema de saúde.

FOLHA - Em termos de projetos, dá para saber para qual direção Barack Obama e John McCain (candidatos à Presidência dos EUA) estão caminhando?
KRUGMAN - McCain quer fazer o que Bush fez, só que melhor, e isso é o máximo que é possível dizer. Sobre Obama, não sabemos ainda. Ele claramente é um democrata liberal, mas não sabemos se é um reformador modesto ou se é alguém que vai realizar grandes mudanças.

FOLHA - Alguma esperança em relação a ele?
KRUGMAN - Eu tenho esperança. Se bem que, falando de Obama, não se pode usar a palavra "esperança" [risos]. Sempre que uso o termo "esperança" na minha coluna. recebo dezenas de cartas perguntando se estou tirando sarro de Obama [o candidato utiliza a palavra nos seus slogans]. Estou preocupado, acho que ele tem uma tendência de ser cauteloso demais, de correr para o que as pessoas chamam de centro. Espero que se mostre mais determinado.

FOLHA - Para os que reclamam do protecionismo dos EUA, quem, entre Obama e Mccain, seria mais liberal em termos de comércio?
KRUGMAN - Nenhum dos dois.
Não vamos ter novamente um grande apoio dos EUA à globalização. Mas provavelmente também não teremos um período de grande protecionismo.
É provável que McCain seja mais protecionista. Para Obama, se existem acordos [multilaterais], os EUA devem obedecer a eles, enquanto McCain pode dizer que os tratados existem mas o país mudou de idéia.

FOLHA - Algum dos dois poderia ser mais simpático ao álcool de cana-de-açúcar, considerando que o biocombustível de milho não parece ser uma boa idéia e o preço do petróleo está nas alturas?
KRUGMAN - Os 5% da população dos EUA a quem interessa que o país mantenha essas medidas malucas [de incentivo ao álcool de milho] são os que têm poder de decisão política. A resposta é não, nada vai acontecer.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Tucano não gosta dar aumento salarial

A nota oficial do PSDB sobre o aumento da Selic, cujo teor está reproduzido abaixo na reportagem da Agência Estado, revela o que fariam os tucanos se estivessem no poder: nada de ganho real para o salário mínimo, nada de concurso público para melhor equipar o aparelho do Estado. Cortariam, cortariam e cortariam mais um pouco. E provavelmente também acabariam subindo a taxa Selic, talvez um poouco menos do que fez o companheiro-tucano Henrique Meirelles. Depois não entendem por que o povão não os quer de volta no governo...

PSDB critica em nota elevação da Selic para 13%

BRASÍLIA - O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), criticou hoje o aumento de 0,75 ponto porcentual na taxa Selic, para 13% ao ano, afirmando que a decisão tomada ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central mantém o Brasil com a maior taxa de juros real do mundo e transforma o País "no paraíso da especulação". Em nota, Guerra declara que "o governo Lula faz uma política econômica esquizofrênica, expandindo a taxa de juros real para conter a demanda da economia e elevando a despesa fiscal com o aumento dos juros, além de ampliar de maneira irresponsável os gastos federais com avalanches de contratações e aumentos de salários".

Diz-me com quem andas...

A notinha abaixo está no blog do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB e autor das denúncias do mensalão. Como se sabe, ele foi cassado por admitir ter embolsado R$ 4 milhões no esquema que denunciou. Bem, basta ler a nota para entender que a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) está em maus lençóis. Afinal, receber a solidariedade de gente como Bob Jefferson não é exatamente a ajuda que ela anda precisando...

Fatura salgada

A senadora Kátia Abreu está pagando o preço por ter, como relatora, ajudado a enterrar a CPMF. E tentam a todo custo manchar sua reputação frente à opinião pública. Ela é uma das citadas no emaranhado de gravações sigilosas - e vazadas à imprensa - da Operação Satiagraha. Ela vem sendo acusada de receber propina em razão de emenda que apresentou durante a tramitação da MP 412/07 - para reduzir a limitação de empresas privadas de operarem portos. Guerreira, como já demonstrou durante a luta para derrubar o famigerado imposto do cheque, a senadora não deixou barato. Entrou com uma Interpelação Judicial Criminal junto ao STF - como manda a lei - contra os lobistas de Daniel Dantas que a acusaram de receber dinheiro para apresentar a emenda. Ajuizou, também, uma ação indenizatória por danos morais contra a União, acusando a Polícia Federal de vazar indevidamente informações sigilosas.

Parabéns à senadora, que não tem medo de enfrentar a máquina. Sua iniciativa só faz aumentar minha admiração por ela. Este espaço está a sua disposição, cara amiga.

Postado por Roberto Jefferson às 12:27
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quarta-feira, 23 de julho de 2008

Aumento da Selic: não é o que Lula queria?

O Banco Central decidiu aumentar a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, acima, portanto, do meio ponto esperado pelo mercado financeiro. Não vai demorar muito para chover críticas à decisão, especialmente no partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Economistas do PT detestam aumentos na taxa de juros e vão dizer o diabo do presidente do BC, Henrique Meirelles.

O problema todo, porém, é que a medida certamente tem o aval de Lula. É só ler o noticiário político para perceber a importância que o presidente dá ao combate à inflação. A pancadinha dada pelo BC nos juros nesta quarta-feira visa justamente mexer com as expectativas do mercado, que estava achando que o governo tinha relaxado e deixaria a taxa de inflação variar acima do teto da meta estabelecida, de 4,5%.

No fundo, não deixa de ser um ato de coragem, em um ano eleitoral, um aumento deste porte na Selic, ainda mais sendo o terceiro consecutivo. Meirelles e Lula, pelo visto, não dão muita bola para os críticos nem para eventual desgaste na eleição de outubro. Estão, os dois, de olho em 2010. Cada um com seus próprios motivos.

Dantas e o rabo preso da oposição

O Caso Daniel Dantas ainda vai dar pano para muita manga, mas um aspecto do episódio está sendo solenemente ignorado pela grande imprensa. A investigação do delegado Protógenes Queiroz que culminou na prisão do dono do Opportunity tem como pano de fundo o esquema do mensalão. Pois bem, se o leitor fizer um esforço de memória e voltar a 2005, no auge da crise política, vai certamente lembrar que houve um momento em que até mesmo os aliados de Lula apostavam que a oposição "botaria para quebrar", aprofundando as investigações para conseguir, eventualmente, o impeachment do presidente. Pois isto não aconteceu e a explicação corrente para a tibieza dos oposicionistas foi a opção por uma estratégia que consistia em fazer Lula "sangrar" em praça pública, tornando-o um "pato manco". Desta forma, diziam, seria fácil bater o PT nas urnas sem que houvesse uma crise institucional.

Com as revelações do envolvimento de Daniel Dantas no esquema do mensalão, a história dos oposicionistas parece no mínimo um pouco torta. Agora fica claro que se a investigação fosse aprofundada, o traseiro do senador Eduardo Azeredo, então presidente do PSDB, não seria o único a ficar exposto na janela, com o perdão da má expressão. Caso os bravos oposicionistas seguissem a pista do dinheiro, como gostam de dizer os norte-americanos, inevitavelmente a apuração chegaria no grande mentor e financiador do esquema (Daniel Dantas) e não apenas no operador (Marcos Valério), como de fato ocorreu.

Ora, se a investigação chegasse em Daniel Dantas, o governo Lula teria um problemão, mas a oposição de direita, representada pelo consórcio tucano-pefelista (hoje Democratas), também não ficaria nada bem na fita. Ao contrário, talvez saísse ainda pior do que os petistas, uma vez que Dantas se fez como empresário e enricou durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, sempre atuando no que os cientistas políticos tucanos gostam de chamar de "zona cinzenta" da moralidade do Estado.

Um dia, no futuro distante, os historiadores poderão avaliar melhor se Daniel Valente Dantas não foi a principal razão do súbito WO da direita na eleição de 2006. Afinal, vão-se os anéis, ficam os dedos. O ditado explica tudo...

terça-feira, 22 de julho de 2008

"A Budweiser é nossa".
Nossa quem, cara-pálida?

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para o Observatório da Imprensa. A revista Veja merece a deferência...


A revista Veja está mesmo perdendo o senso do ridículo. Na edição desta semana (nº 2070, de 23/7/2008), deu capa para a compra da companhia Anheuser-Busch pela Inbev. Na matéria principal, a revista sapecou o título acima, entre aspas. Sim, foi isto mesmo que o leitor leu: "A Budweiser é nossa". E só faltou o inefável locutor Galvão Bueno para completar: "É do Brasiu, iu iu iu...".

Seria bonito, se fosse verdade. Só que não é. A leitura das publicações especializadas em economia e negócios ajuda um pouco. Abaixo, no original, trecho de matéria publicada pelo Wall Street Journal (15/7/2008) sobre a polêmica aberta pelo pré-candidato democrata Barack Obama, que antes do negócio se concretizar afirmou que seria uma vergonha (shame, no original) para os Estados Unidos que a Anheuser-Busch pudesse se tornar uma empresa controlada por estrangeiros. Pelo que se pode discernir da leitura do Wall Street Journal, os estrangeiros em questão são os belgas e não "nós", como orgulhosamente apregoa a Veja:

"‘... Beer Is Belgian’

Unlike such countries as the U.S., Russia and France, Inbev´s home nation isn´t protective about its biggest corporations. With a population of 10 million, Belgians have always had to share their toys – they shrug when the French say that they, not Belgians, invented the fry. Most of Inbev´s board members are Brazilian, even if the controlling shareholders are aristocratic Belgian families.

Nonetheless, politicians in this beer-loving land raise their glasses every time InBev, with the families blessing, launches international expansions. In less than 20 years, the many acquisitions have turned Interbrew from a midsize Belgian brewer into the King of Beer Companies. "There is pride today, because beer is Belgian," said Vincent Van Quickenborne, the country´s economy minister.

Mr. Van Quickenborne, however, declared himself "shocked" at Sen. Barack Obama´s comment that it would be a shame if Anheuser-Busch became foreign-owned. "In the end, the Belgians were stronger than Obama, and we´re not going to call the beer ´Belweiser,´ " he joked. "Seriously, we´re not trying to ´buy American,´ " he added. "This is about business, restructuring, cost-cutting and positioning ourselves in a global market."

Not all Belgians were cracking open cases of Stella to celebrate the news.

The unions that represent InBev employees in Belgium are worried that they could bear the brunt of InBev´s attempts to cut costs. InBev is eager to avoid cutting jobs in the U.S. to avoid negative publicity, so it could fall back on Europe, the unions say. "All mergers lead to restructuring, and that´s never good," union spokesman Luc Gysemberg told Belgian wire service Belga.

"Belgium will remain central to the company," responds InBev spokeswoman Marianne Amssoms, dismissing the unions` claims.

As for beer drinkers, they already regard InBev with the kind of suspicion techies levy at Microsoft. To gain market share, InBev has standardized brews to always taste the same, says Christian Lejeune, director of the Museum of Belgian Beers in Lustin, in the south of Belgium. He bemoans the days before high-tech brewing, when bottles of the same brand might taste different.

InBev, said Mr. Lejeune, "won´t lose anything now because they don´t make real Belgian beer in the first place."

Ok, é verdade que alguns brasileirinhos da gema, como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira têm participação acionária na Inbev (cerca de 25% do total, segundo reportagem da IstoÉ Dinheiro). Também é verdade que o principal executivo da Inbev é outro brazuca, Carlos Brito. O problema todo, porém, é que nenhuma publicação séria fora do Brasil escreve a barbaridade que Veja perpetrou ao qualificar a Inbev de "cervejaria belgo-brasileira", logo no lide da reportagem desta semana. Ao contrário. O New York Times, por exemplo, noticiou a compra assim:

Anheuser-Busch Agrees to Be Sold to InBev

By MICHAEL J. DE LA MERCED, Published: July 15, 2008

"Anheuser-Busch agreed on Sunday night to sell itself to the Belgian brewer InBev for about $52 billion, putting control of the nation’s largest beer maker and a fixture of American culture into a European rival’s hands. InBev confirmed details of the sale Monday in Brussels."

Belgian Brewer significa cervejaria belga. Brussels, Bruxelas, fica bem longe do Rio de Janeiro ou São Paulo. É lá que são tomadas as decisões relevantes da Inbev. O resto é conversa para animar a patriotada dos néscios que acreditam em tudo que a revista Veja publica.

No fundo, talvez o semanário da Abril esteja preparando terreno para anunciar que a editora responsável pela publicação de Veja "comprou" a News Corp. do magnata Rupert Murdoch. E poderá então dar com destaque, quem sabe em página dupla, a grande manchete: "O Wall Street Journal é nosso!" Do Brasiu iu iu iu...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Nova enquete: o futuro de Dantas

Depois de um longo inverno, estão de volta as enquetes do DataEntrelinhas, na coluna ao lado. Nesta semana, claro, o dono do Opportunity não poderia deixar de ser o protagonista da pergunta. A disputa está acirrada e todas as quatro alternativas estão senado muito bem votadas. Não deixe de votar!

Pesquisas e tendências: SP, RJ e BH

Neste final de semana foram divulgadas várias pesquisas de intenção de voto sobre o cenário eleitoral em algumas das mais importantes capitais de Estado do Brasil. A campanha oficial já começou, mas é óbvio que o clima esquenta mesmo é com o horário eleitoral gratuito. Ainda assim, já dá para fazer alguns comentários gerais sobre o cenário em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Na capital paulista, a disputa está caminhando para a polarização entre PT e PSDB, com Marta Suplicy e Geraldo Alckmin divindindo a liderança em todos os últimos levantamentos dos institutos de pesquisa. O prefeito Gilberto Kassab (DEM), ainda não conseguiu decolar e não se cansa de repetir o que Geraldo Alckmin dizia em 2006 – quando começar a campanha na TV, o jogo vai mudar. Bem, até pode ser que mude, mas o cenário mais provável não é este. Ao contrário, o ex-prefeito Paulo Maluf é que tem conseguido exposição na mídia suficiente para crescer um pouco e empatar com Kassab. No fundo, o prefeito vai precisar de muito sangue frio para superar este momento da campanha e não deixar sua militância achar que a candidatura já foi por água abaixo.

Já no Rio e em Belo Horizonte o que chama atenção é o imenso contingente de indecisos. Basta olhar o percentual de intenção de votos do candidato que lidera as pesquisas para perceber que nas duas cidades as eleições estão totalmente abertas: no caso carioca, Marcelo Crivella (PRB) lidera com 23%, de acordo com o Ibope da semana passada, seguido de Jandira Feghali, que tem 14%. Os demais candidatos se situam todos abaixo dos 10%. Ora, isto mostra que não há favorito na corrida eleitoral no Rio, todos ainda podem crescer e vencer a eleição.

Em Belo Horizonte, a situação é parecida, mas a aliança que dá suporte ao candidato do PSB, Marcio Lacerda, apoiado pelo prefeito Fernando Pimentel, pelo governador Aécio Neves e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, garante que a campanha na TV será suficiente para dar a ele uma vitória tranqüila em outubro. Pode até ser, mas o fato é que até agora Marcio não decolou, está em terceiro lugar, atrás da comunista Jô Moraes (PCdoB) e do candidato do PMDB, Leonardo Quintão. No caso de BH, a líder tem apenas 17% das intenções de voto, o que também revela um cenário aberto para o pleito na capital de Minas Gerais. Mas nunca é demais lembrar que faltam menos de dois meses e meio para a eleição e o tempo começa a correr contra os candidatos que estão atrás.

sábado, 19 de julho de 2008

Ainda sobre José Serra

A notinha abaixo não está no site do PT ou em algum blog esquerdista. Está na revista Veja desta semana:

Serra em campanha
José Serra vai freqüentar muito a campanha de Gilberto Kassab na TV. Discursos de Serra louvando Kassab em inaugurações de obras estão sendo devidamente selecionados. Serão usados aos montes.


Um tucano maldoso, que obviamente apóia Geraldo Alckmin, avisa que a aparição do governador no programa de televisão do prefeito era o que faltava para afundar de vez a candidatura de Kassab. Paulo Maluf (PP) ainda termina a eleição na frente do prefeito da capital, completa o malvado.

Bem, este blog acha apenas que Marta Suplicy (PT) é uma mulher de sorte.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Aonde está você, José Serra?

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para o Correio da Cidadania. Em primeira mão para os leitores do blog.

Em 1985, os brasileiros voltaram a escolher os prefeitos das capitais de Estado. Três anos antes, os eleitores puderam eleger diretamente seus governadores. Em São Paulo, Franco Montoro, uma das mais destacadas lideranças do PMDB, conquistou o Palácio dos Bandeirantes. Começou a governar em meio a uma severa crise econômica, que depois ficou conhecida como a crise da dívida externa. O país vivia um período de recessão e, como é natural nessas situações, a violência nas grandes cidades aumentou. Por outro lado, com orçamento apertado, Montoro teve que se contentar com um governo sem grandes obras, apostando da descentralização administrativa e outras iniciativas que não chamavam muita atenção.

Pois bem, em 1985, quando ocorreram as eleições municipais, Montoro lançou Fernando Henrique Cardoso para a disputa na capital, certo de que o então senador não teria adversário à altura. O PTB, porém, lançou o ex-presidente Jânio da Silva Quadros, já bastante doente e com aparência frágil, que de fato parecia estar ali apenas para fazer figuração. Eduardo Suplicy concorreu pelo PT. Durante a campanha, uma das mais animadas da história política da cidade, começaram a surgir aquelas figuras que hoje são conhecidas como candidatos nanicos, ou línguas de aluguel, que faziam o papel de "laranjas" para um ou outro candidato.

Os paulistanos que assistiram a performance de Rivaílde Ovídio na televisão não vão se esquecer jamais. Com uma orelha descomunal, simiesca, óculos de armação exageradamente grande, Rivaílde passou a campanha inteira bradando na televisão: Ooooonde está você, Franco Montoro? Oooooonde está a sua polícia, Franco Montoro? Ooooooonde estão as suas obras, Franco Montoro? E terminava, voltando ao começo: Oooooooooonde está você, Franco Montoro???

A ladainha de Rivaílde Ovídio chegou aqui porque nunca um mote de campanha foi tão atual quanto o que acabou ajudando a eleger Jânio Quadros. Afinal, onde está você governador José Serra? O que o senhor pensa do caso Daniel Dantas, governador José Serra? O que o senhor pensa da Lei Seca, governador José Serrra? O que o senhor pensa da alta da inflação, governador José Serra? Afinal, governador José Serra, o senhor tem opinião formada sobre algum tema, Palmeiras à parte?

Serra considera-se eleito presidente da República por antecipação. Ele não diz palavra sobre coisa alguma, para não se comprometer com nada nem com ninguém. É irritante, mas toda vez que é questionado por jornalistas em atos do governo do Estado, Serra avisa que de política, não falará, porque do contrário o ato que ele preside naquele momento ficará ofuscado. Ninguém sabe o que Serra pensa. Só ele mesmo e seu fechadíssimo círculo político.

Além de irritante, chega a ser constrangedor. Teremos eleições municipais novamente neste ano e, tal e qual Rivaílde Ovídio, alguém poderia passar a campanha perguntando: quem é o seu candidato, governador José Serra?

O tucanato inteiro sabe que o candidato de Serra chama-se Gilberto Kassab (DEM), mas o governador não tem coragem de assumir e diz por aí que é um "homem partidário" e que apóia Geraldo Alckmin, o postulante tucano. Claro, Alckmin não acredita em palavra do que Serra diz e tenta minimizar a traição que o governador realiza por baixo dos panos liberando seus fiéis escudeiros (Walter Feldman, Clóvis Carvalho, Andrea Matarazzo, para citar só os cardeais) a trabalhar firme por Kassab.

"Não me digue nada, não me digue nada", implorava o genial Odorico Paraguaçú quando algum assessor queria lhe contar o andamento de alguma armação, de interesse do prefeito da ficcional Sucupira, contra os adversários políticos. Era para fazer, não para contar. Odorico não ficava sabendo de nada porque não podia ficar sabendo... Serra, com todo o verniz modernizante que o tucanato paulista lhe empresta, imita Odorico. Manda apoiar Kassab, mas não sabe de nada, não viu nada, não diz nada.

No fundo, trata-se de um estilo de fazer política, que faz da dissimulação e da intriga as armas fundamentais para conquistar o poder. Nada demais, muita gente faz igual. Resta saber se o Brasil quer mesmo eleger um sujeito assim para o cargo máximo da República. Alguém que diz sim quando quer falar não, que escapa como sabonete de qualquer questionamento, que foge do debate de idéias e que tem grande dificuldade para aceitar críticas e ouvir opiniões diferentes das suas. Este alguém é José Serra.

Tadinho do Cacciola

Matéria da Agência Estado, reproduzida abaixo, revela que as mudanças de ares não estão fazendo bem ao ex-banqueiro Salvatore Alberto Cacciola, que teve problemas estomacais e só conseguiu comer uma maçã no seu novo lar, o presídio de Bangu 8.

De fato, talvez a polícia brasileira tenha sido um pouco injusta ao transferir Cacciola de forma tão brusca, direto de Monte Carlo para o subúrbio do Rio de Janeiro. Não custava nada deixar o rapaz alguns dias no Copacabana Palace para facilitar a adaptação dele ao clima da cidade...

Preso com mais dois detentos, Cacciola passa mal no Rio

Segundo advogado, para ficar em cela individual, ex-banqueiro teria que ser transferido para São Paulo


O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, que está preso em uma cela especial no presídio Petrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Rio, teve um problema estomacal em seu segundo dia no Brasil e não almoçou a comida do presídio. Segundo o seu advogado, Carlos Eluf, Cacciola conseguiu comer apenas uma maçã.


O ex-banqueiro chegou ao País na madrugada de quinta-feira, extraditado de Mônaco. Preso inicialmente no Ary Franco, para detentos comuns, Cacciola - que possui curso superior - foi transferido na última noite para o Bangu 8. Ele está preso com outros dois detentos que também possuem curso superior. Na cela, segundo Eluf, há apenas três camas, um lavatório e um banheiro.

Piada do ano: Daniel Dantas não é
banqueiro, escreve Míriam Leitão

O que vai reproduzido no final desta nota não é uma notícia-pegadinha ou brincadeira de primeiro de abril. Está publicado no Globo Online, basta clicar no link para conferir. Sim, é isto mesmo que o leitor leu no título: a colunista da Globo (jornal, rádios e televisão) Míriam Leitão obteve "em primeira mão", diretamente do Banco Central, a incrível informação de que Daniel Dantas é apenas um cliente do Opportunity, e não o dono do banco.

Bem que o jornalista Bob Fernandes reparou, logo no começo do escândalo, quando Dantas foi preso, que até o apresentador Carlos Alberto Sardemberg, que de lulo-petista não tem absolutamente nada, achou que Míriam "estava estranha" ao falar da detenção do banqueiro (ou será cliente?) do Opportunity.

Que Míriam Leitão diga ou escreva tamanho despautério, problema dela. Incrível é o portal do jornal O Globo avalizar a barbaridade da colunista. Mais um pouco vão dizer que Dantas é que é o laranja do tal Dório Ferman...

PS às 15h09: O leitor Rodrigo Teodoro escreve para avisar que a nota de Leitão está carregada de ironia. Sim, a segunda nota da colunista, na qual ela relata o telefonema de Dório Ferman, é bem irônica, o mesmo não ocorre com a primeira, conforme pode ser verificado abaixo:

O banqueiro que é e não é
Daniel Dantas oficialmente não é banqueiro. No Banco Central ele não está nem como dono do Banco Opportunity, nem como dirigente do Opportunity. Oficialmente ele é apenas o dono da marca “Opportunity” e recebe “aluguel” pelo uso da marca do suposto controlador da instituição financeira, Dório Ferman, que tem mais de 90% do capital. Isso é mais um dos vários truques de Daniel Dantas. A questão é se isso vai protegê-lo neste momento. Provavelmente não, porque não será difícil desmascarar o disfarce criado por ele.
Mas o fato é: no Banco Central não existe um “banqueiro” Daniel Dantas

De toda maneira, conforme também pode ser verificado abaixo, o pessoal do Globo Online levou a informação de Míriam bem a sério. Depois do banco 24 horas, o site do diário carioca criou o "cliente 24 horas" - aquele que passa o dia no banco...


BC diz que Daniel Dantas não é banqueiro e Dório Ferman afirma que ele é apenas um cliente do Opportunity

Publicada em 18/07/2008 às 12h27m


Globo Online

RIO - Daniel Dantas é apenas um cliente do Banco Opportunity, afirma seu sócio majoritário Dório Ferman à colunista Míriam Leitão. Na quinta-feira de tarde, a colunista publicou em seu site a informação dada pelo BC de que Daniel Dantas não é banqueiro , é apenas o dono da marca "Opportunity" e recebe "aluguel" pelo uso da marca do controlador da instituição financeira. Dório Ferman, sócio majoritário, que tem mais de 90% do capital, confirmou a informação no início da noite. Dório afirmou não ser um testa de ferro e, sim, o verdadeiro dono do banco . Segundo ele, Daniel Dantas "não é dono do banco, não é sócio do banco, não é dirigente do banco, é apenas um cliente do banco".
O cliente Daniel Dantas está sendo investigado pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que investiga evasão de divisas, através do Opportunity Fund - um fundo que não poderia ter aplicações de brasileiros - , sonegação fiscal e tentativa de corrupção de policiais.
Além disso, Daniel Dantas tem participado ativamente da negociações de venda da Brasil Telecom (BrT) para a Oi. O banco Opportunity, era acionista da BrT.
Ao sair, pela primeira vez da prisão em São Paulo, em 12 de julho, depois de ser preso pela PF, Daniel Dantas afirmou que voltaria ao trabalho na sede do Opportunity no Rio.
Desde 1994, quando deixou a direção do Icatu, ele dá expediente no Opportunity, banco que teria ajudado a fundar com Dório Ferman. Segundo funcionários, ele impõe uma rotina dura entra às 8h30m e não têm hora para sair.
Desde então, em todas as vezes que o Opportunity esteve envolvido em alguma polêmica, Daniel Dantas era seu representante. Na CPI do grampo, ele depôs como dono da instituição, no caso Kroll, era ele o processado.

Esta notícia você não vai ler nos jornais

Já faz alguns dias que o jornalista Paulo Henrique Amorim publicou, no site Conversa Afiada, a informação de que constava de uma das gravações obtidas de telefonemas grampeados na Operação Santiagraha a informação de que o pai da assassina Suzane Von Richthofen fazia "caixa dois" para o PSDB. Nos jornais, nenhuma linha.

Na manhã desta sexta-feira, o assunto saiu da blogosfera e chegou em um grande portal de notícias, o Último Segundo, do iG, grupo controlado pela Brasil Telecom, conforme a matéria reproduzida abaixo.

Greenhalgh cita Richthofen como caixa dois do PSDB

As denúncias de corrupção envolvendo contratos bilionários da Alstom com empresas públicas do Estado de São Paulo aparecem nas escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal (PF) no relatório da operação Satiagraha. O engenheiro da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) Manfred von Richthofen, assassinado pela filha em 2003, é citado como um dos responsáveis por arrecadar fundos desviados desses contratos.
A suspeita foi levantada pelo ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh em uma conversa interceptada pela PF com um Homem Não Identificado (HNI) no dia 9 de maio de 2008 às 14h57. Em um dos trechos, o homem que conversa com Greenhalgh chega a colocar em dúvida a candidatura Alckmin à prefeitura de São Paulo por causa das relações com Richthofen e os contratos com a empresa francesa.


De fato, a nota é bem discreta. Todas as redações de jornais impressos, porém, devem ter tomado conhecimento do assunto, pois a matéria esteve na home do iG na manhã desta sexta-feira. Este blog aposta um Red Label que jornal algum dará uma linha a respeito do assunto amanhã, sábado. Nem domingo, nem segunda...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Começou mal

Notícia publicada na Agência Estado e que é a cara do Brasil:

Cacciola rejeita quentinha e almoça
cardápio da diretoria do presídio no Rio


Este blog acha frescura essa história de "petition online" e sugere que o povo carioca realize logo um comício-monstro na Candelária com o mote: "Pro Cacciola, só quentinha".
Quem sabe assim a comida servida aos presos também não melhora um pouco...

Ele vai voltar?

A nota abaixo está no blog do jornalista Lauro Jardim, da revista Veja. Resta saber a quem interessa a volta de Protógenes - se aos advogados de Daniel Dantas, que devem ter gostado do jeito meio atabalhoado do delegado, ou se aos homens e mulheres de bem que querem ver o banqueiro atrás das grades. Não é uma questão tão simples como parece.

OPERAÇÃO SATIAGRAHA
Protógenes diz a advogado que volta ao caso depois de curso | 20:03

O delegado Protógenes Queiroz já admite voltar ao caso Daniel Dantas. Nélio Machado, advogado que acompanhou Dantas no depoimento que o banqueiro deu hoje na sede da Polícia Federal de São Paulo, diz que soube dessa possibilidade pelo próprio delegado. Protógenes deu a informação durante o depoimento de Dantas. Na presença, portanto, de Machado:

- O delegado me disse que sairá na semana que vem para fazer o curso superior de Polícia, mas garantiu que voltaria para para finalizar o que ele chama de ''processo-mãe'', afirma Nélio Machado.

Resta, agora, Protógenes dizer isso publicamente.

DEM e Dantas, tudo a ver

Não é à toa que a oposição não está batendo no governo no Caso Daniel Dantas. Apesar da divulgação da conversa entre o chefe de gabinente da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e o advogado e ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, as reações foram pífias. Lendo a íntegra do relatório da Polícia Federal, dá para entender melhor tamanha cautela. Dois senadores Democratas – Kátia Abreu (TO) e Heráclito Fortes (PI) – aparecem muito mal na fita. No caso do PSDB, não é preciso nem ler o relatório, basta lembrar que Dantas se transformou no bilionário que é hoje durante o governo Fernando Henrique e sobretudo em função da privatização da Telebrás. Se mexer muito, acabam desenterrando Sérgio Motta...

No caso de Heráclito, as suspeitas são de relações demasiadamente íntimas com a turma de Dantas. Já Kátia Abreu, que era uma das esperanças dos democratas para a eleição presidencial de 2010, tem o problema oposto - é acusada de corrupção pelos amigos de seu colega do Piauí. E pelo que já foi publicado na imprensa, ela não resiste à uma investigação mais séria sobre o recebimento de propinas no modesto valor de R$ 2 milhões da OAS para dar "uma forcinha" em no projeto do Reporto, a fim de facilitar a privatização dos portos no país. Portanto, ou o DEM começa a trabalhar o nome de Cesar "Maluco" Maia para 2010, como fez em 2006, ou se resigna a continuar orbitando em torno do PSDB, o que é o cenário mais provável.

Tudo somado, este blog aposta que o Caso Dantas vai acabar na velha e boa pizza: mexer com o banqueiro só não é incômodo para os partidos ultra-radicais, como PCO e PSTU – até o PSOL deve ter alguma telha de vidro na relação com Dantas. Assim, com algum ruído aqui e ali, jogo de cena acolá, não dá mesmo para imaginar que Daniel Valente Dantas vá pagar pelos ilícitos que de fato cometeu. Talvez acabe com alguma pena educativa, como a aplicada a Silvinho Pereira, ex-secretário-geral do PT. E bola prá frente, que atrás vem gente...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ibope: Paulo Maluf empata com Kassab

A grande novidade da nova pesquisa Ibope sobre o cenário eleitoral na capital paulista é a subida do ex-prefeito Paulo Maluf (PP), que oscilou positivamente três pontos percentuais e alcançou o prefeito Gilberto Kassab (DEM), candidato à reeleição. Kassab caiu 2 pontos em relação ao levantamento anterior e está agora com 11% das intenções de voto, exatamente o mesmo que Maluf. Marta Suplicy (PT) subiu 4 pontos e chegou a 35%. Geraldo Alckmin oscilou de 25% para 32%, encostando na prefeita. Na soma, é tudo que Gilberto Kassab não queria. Se ele começar a campanha na televisão atrás de Maluf, pode acabar como Aureliano Chaves, que na eleição presidencial de 1989 tinha o maior tempo da televisão e terminou com votação de nanico.

Abaixo, o resumo da Folha Online com os dados completos da pesquisa.

Marta e Alckmin estão empatados na disputa pela Prefeitura de SP, diz pesquisa

MARCELO GUTIERRES
colaboração para a Folha Online

Pesquisa Setcesp/Ibope divulgada nesta quarta-feira revela a polarização entre a candidata do PT, Marta Suplicy, e o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, à Prefeitura de São Paulo. A petista aparece em primeiro lugar com 35% das intenções de voto e o tucano com 32%. Como a margem de erro é de 4 pontos percentuais eles continuam empatados tecnicamente em primeiro lugar.

O prefeito Gilberto Kassab (DEM), que busca a reeleição, aparece empatado com o deputado federal Paulo Maluf (PP), com 11% cada. A candidata do PPS, vereadora Soninha Francini, aparece com 1%.

Os votos brancos e nulos somam 7% e 2% não opinaram ou não souberam responder.

No levantamento anterior, em 25 de junho, Marta somou 31% das indicações de voto, e Alckmin, 25%. Gilberto Kassab (DEM) aparecia em terceiro lugar com 13% das intenções de voto, seguido por Paulo Maluf (PP), com 8%. Soninha Francine (PPS) obteve 2% dos votos. Já na pesquisa de maio, Marta e Alckmin estavam tecnicamente empatados, 30% e 28%, respectivamente.

O Ibope ouviu 602 pessoas entre os dias 12 e 14 de julho. A pesquisa foi registrada na 1ª zona eleitoral de São Paulo sob o número 011001-08.

Segundo turno

Em um eventual segundo turno entre Alckmin e Marta, a pesquisa revela que o tucano venceria com 50% dos votos contra 41% da petista.

No segundo cenário entre Kassab e Marta, a petista venceria com 51% contra 36% do democrata. Já o cenário entre Alckmin e Kassab, o tucano venceria com 59% dos votos contra 22% do democrata.

A pesquisa anterior mostrava que num eventual segundo turno entre Alckmin e Marta, o tucano aparecia com vantagem sobre a petista, com 49% das intenções de voto. Marta tinha 41%. Num outro cenário, em que Marta disputa o 2º turno com Kassab, a petista venceria as eleições com 50% das intenções de voto, contra 36% do democrata. Já se a disputa fosse entre Alckmin e Kassab, o tucano teria 54% das intenções de voto, contra 25% do democrata.

Verônica Serra esclarece

A assessoria de imprensa da filha do governador José Serra (PSDB) entrou em contato com o blog para esclarecer o vínculo de Verônica Serra com a empresa Decidir.com. Por uma questão de justiça, segue abaixo, na íntegra, a carta assinada pela própria Verônica, contendo explicação detalhada sobre nota publicada ontem neste espaço.

Visando esclarecer matérias publicadas em órgãos imprensa e na internet, que envolvem minha atividade profissional, eu gostaria de esclarecer o seguinte:

1. A diferença entre ser sócia e membro do conselho:

A Decidir foi um investimento feito pelo fundo chamado International Real Returns (IRR), para o qual trabalhei entre Set/1998-Mar/2001. O IRR investiu na Decidir e deteve uma participação minoritária (4.2%). Eu era representante do IRR – não sua sócia e nem acionista . Nunca recebi ações do fundo e sim o representava em alguns de seus investimentos. Fiz parte do Conselho da Decidir, que significa Board of Directors em inglês. Na época do primeiro investimento, o fundo Citibank Venture Capital (CVC) através de seu escritório de NY, que cuidava de investimentos para a America Latina, foi líder na rodada de investimentos. Por ter um acordo com o CVC Opportunity no Brasil, decidiu convidá-lo para co-investir na Decidir. Outros investidores incluiam grandes fundos americanos que tinham experiência em investir no setor de tecnologia.

2. Veronica Dantas

Foi indicada pelo CVC Opportunity para representá-lo no conselho de administração da Decidir. Não conheço Veronica Dantas, nem pessoalmente, nem de vista, nem por telefone, nem por e-mail. Ela nunca participou de nenhuma reunião de conselho da Decidir – todas ocorriam mensalmente em Buenos Aires. O Citibank Venture Capital com sede em NY é quem mantinha o CVC Opportunity informado sobre a Decidir.

3. Serviços prestados pela Decidir

A empresa era uma “ponto-com” que provia três serviços: checagem de crédito, verificação de identidade e processamento de pagamentos. São estas as áreas de atuação não havendo qualquer ligação com licitações públicas como afirma a matéria. A própria empresa soltou uma nota em 2002 – na época das eleições, para desmentir este e outros fatos publicados erroneamente. Nunca houve nada ligado a licitações.

4. Empresa sediada em Miami.

A Decidir sempre foi sediada em Buenos Aires, onde viviam seus fundadores e onde estava o grupo de desenvolvimento de software. No auge da bolha da internet, foi aberta uma subsidiária em Miami pois havia a perspectiva de poder operar no mercado americano. Este plano foi logo abandonado, assim como foram abandonados os projetos de manter uma filial no Mexico e no Chile (vendidas aos executivos locais). Os investidores originais já não participam mais da Decidir. Eu não tenho nenhuma ligação com a empresa desde o primeiro semestre de 2001, quando me desliguei do fundo para o qual trabalhei e por consequência do conselho da Decidir.

5. Política e vida privada

Compreendo o interesse, independente da motivação, em vasculhar a vida de pessoas públicas. No meu caso, não foi minha escolha e me mantenho distante da vida pública, especialmente no que se refere à minha atuação profissional. Quem trabalha ou trabalhou comigo sabe disto e pode testemunhar a respeito. Já aqueles que se dedicam a inventar e distorcer os fatos, só me resta ter de gastar meu tempo – que preferiria dedicar à minha família – tendo que explicar fatos e me defender de calúnias, passando pela desagradável experiência de ver meu nome publicado por aí ligado a um emaranhado de inverdades.

Veronica Serra

Anotações de uma terça-feira quente

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para o Observatório da Imprensa. Em primeira mão para os leitores do blog.

Foi uma terça-feira quente. Blogs políticos e sites jornalísticos iniciaram os trabalhos do dia 15 de julho divulgando na internet trechos do relatório da Polícia Federal sobre o inquérito que investiga o banqueiro Daniel Dantas, preso e solto duas vezes na semana passada. A íntegra do relatório havia sido divulgada na noite de segunda-feira (14) no portal Consultor Jurídico, que não ofereceu aos seus leitores nenhuma explicação sobre a forma pela qual obteve o material. Em praticamente todas as páginas do documento, consta o timbre “Sigiloso”.

Ainda pela manhã, o distinto público era informado sobre uma reunião que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizaria à tarde com 6 ministros, mais o vice-presidente da República, José Alencar, para discutir o Caso Dantas. E já se anunciava também outra reunião de Lula, desta vez com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, que nos dias anteriores haviam trocado farpas, tendo como pano de fundo Daniel Dantas e a Operação Satiagraha, responsável pela prisão do banqueiro, do investidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.

O dia realmente prometia e quase ao mesmo tempo em que Lula, Mendes, Genro conversavam no Palácio do Planalto, em reunião que contou também com a presença do ministro da Defesa e ex-presidente do STF Nelson Jobim, os sites e as emissoras de rádio e TV avisavam que o delegado Protógenes Queiroz havia pedido afastamento do caso para completar um curso superior da Polícia Federal que seria obrigatório a cada dez anos de carreira.

Logo em seguida veio a notícia de que os outros dois delegados responsáveis pela Operação Satiagraha – Karina Murakami Souza e Carlos Eduardo Pelegrini Magro – também estariam afastados do caso. Segundo a versão da assessoria de imprensa da Polícia Federal, o afastamento teria ocorrido a pedido dos próprios delegados, mas reportagem do Jornal Nacional da TV Globo revelou que os três informaram ao juiz Fausto de Sanctis e ao procurador-geral da República Rodrigo de Grandis que foram obrigados pela direção da Polícia Federal a deixar as investigações.

E no meio de tantos afastamentos, mais uma notícia espetacular, antecipada por Alberto DinesObservatório foi publicada, pouco depois das 10h da manhã: o Diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, estava saindo de férias justamente nesta terça-feira. quando a edição 494 deste

A noite, porém, ainda prometia mais notícias quentes sobre o caso Dantas. Após a reunião com Lula, o ministro Gilmar Mendes não foi para casa relaxar, voltou ao trabalho e negou liberdade aos dois únicos investigados na Operação Satiagraha que ainda permaneciam presos – o consultor Hugo Chicaroni, e Humberto Braz, assessor do banqueiro Daniel Dantas. “Segundo o ministro, a prisão de ambos tem como base ‘investigações e procedimentos de ação controlada que sugerem, em tese, a participação direta e imediata em atos voltados a obstruírem o desenvolvimento da investigação criminal [a tentativa de suborno]’. Na decisão, Mendes ressalta que a prisão preventiva de Chicaroni e Braz ‘fundamenta-se em situação fática distinta daquela em favor do paciente [Dantas]’.”, informava reportagem da Folha Online publicada às 22h28.

Reações diversas na blogosfera

Enquanto os fatos se sucediam em um ritmo alucinante, lembrando os melhores thrillers políticos ou de espionagem – como se tudo o que foi relatado até aqui não bastasse, a PF ainda divulgou que descobriu documentos em uma parede falsa no apartamento de Daniel Dantas –, na blogosfera o clima era ainda mais quente. Um capítulo do relatório sobre o inquérito tratava especificamente da relação da “quadrilha” de Dantas com a mídia, citando nomes de vários jornalistas de veículos de grande circulação como Veja, O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo, e alguns blogueiros, em especial Luis Nassif e Janaína Leite.

Embora nos dias anteriores vários blogs e sites políticos, como o Terra Magazine, editado por Bob Fernandes, e Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, já tivessem apresentado uma parte do material do inquérito, a divulgação da íntegra do relatório no Consultor Jurídico teve o efeito de “democratizar” o acesso ao vazamento. Luis Nassif tratou de publicar as partes que mostram o envolvimento de Diogo Mainardi e Janaína Leite com Daniel Dantas, ao passo que a ex-repórter da Folha usou o seu Arrastão para explicar a sua conduta ao entrevistar o banqueiro no divertido e incisivo post “Virei melô do Claudinho e Buchecha”.

Mainardi e Reinaldo Azevedo, colunistas da Veja que vêm acompanhando o caso de perto foram as grandes ausências do dia – o primeiro deve publicar seu podcast semanal nesta quarta-feira e o segundo, em férias, não deu sinal de vida.

Paulo Henrique Amorim preferiu bater forte não em Daniel Dantas, como tem feito nos últimos dias, mas no presidente Lula, “o presidente que tem medo”. Luiz Carlos Azenha, outro blogueiro oriundo da TV Globo, preferiu ampliar as críticas e escreveu sobre um curioso diálogo, presente no inquérito, travado entre o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal pelo PT, e um funcionário da prefeitura de São Paulo.

Heráclito questiona vazamento

O barulho dos blogs foi tanto que ecoou no Congresso Nacional. O Senador Heráclito Fortes (DEM-PI) apresentou requerimento pedindo o envio de um ofício ao ministro da Justiça, Tarso Genro, exigindo informações para esclarecer se ele próprio é alvo de investigação da Operação Satiagraha. Irritado com o que leu na internet, o senador escreveu no requerimento “que não se admite qualquer decreto impondo sigilo no tramitar dos referidos procedimentos, uma vez que peças do inquérito já foram inegavelmente fornecidas - irresponsavelmente - pelas autoridades policiais à imprensa, que as divulgou, sendo certo que até mesmo o relatório policial final já se encontra disponível em vários endereços da Internet”. Segundo informação da Agência Brasil, o requerimento de Heráclito foi encaminhado em caráter de urgência pelo presidente da Casa, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN),ao ministro Tarso Genro.

Se o clima em Brasília esteve tão quente nesta terça-feira, o day after também promete. Segundo as agências de notícias, o depoimento de Daniel Dantas, marcado para esta quarta-feira (16), está mantido. E o Terra Magazine avisa: com a presença do delegado Protógenes Queiroz, que só se afastaria definitivamente das investigações na sexta-feira, após concluir o seu relatório do inquérito. É ver para crer.

terça-feira, 15 de julho de 2008

A pergunta que a mídia não faz: filha de
Serra tem relações com a irmã de Dantas?

Verônica Serra, filha do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), mantem hoje algum tipo de participação na empresa Decidir.Com, da qual fez parte em sociedade com Verônica Dantas Rodenburg, irmã de Daniel Valente Dantas?

Esta pergunta, pelo menos ao que este blog tenha conhecimento, não foi nem sequer formulada pelos jornalões e revistonas da grande imprensa brasileira. A nota abaixo, publicada em setembro de 2002 na revista IstoÉ Dinheiro, informa que Verônica Serra "tirou o seu nome" da empresa antes do pai ser formalmente indicado candidato do PSDB à presidência.

AS DUAS VERÔNICAS
Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, era sócia até 3 de maio último de Verônica Dantas Rodenburg, irmã de Daniel Dantas, do Opportunity. Elas fundaram juntas uma empresa de internet, a Decidir.com, que continua em plena atividade. A empresa foi registrada em Miami no dia 3 de maio de 2000, sob o número P00000044377. Tem filiais na Argentina, Chile, México, Venezuela e Brasil. O site oferece dicas sobre oportunidades de negócios, incluindo a área de licitações públicas no Brasil. Consta no site: “Encontre em nossa base de licitações a oportunidade certa para se tornar um fornecedor do Estado”. A filha de Serra tirou o nome da empresa antes do pai ser oficializado candidato.


Ora, passadas as eleições, Verônica Serra voltou a se associar com a sua xará? Uma visita ao site Decidir.com traz algumas pistas, mas não todas. É possível saber que entre os investidores do negócio está o Opportunity, porém não há nenhum link para a diretoria da empresa ou equipe que comanda o empreendimento.

A visita, no entanto, vale a pena só pela descoberta do tipo de negócio com o qual as duas Verônicas se envolveram. Entre os produtos oferecidos estão:
1. Informações de Crédito - consultas sobre CPFs, protestos, cheques devolvidos, etc.
2. Serviço de Verificação de Identidade
3. Segurança Eletrônica

O segundo "produto" é oferecido com a seguinte descrição:

O que é o Serviço de Verificação de Identidade (SVI)?
O SVI representa a solução mais simples, ágil e prática para o problema de cadastros e mailings com dados duvidosos ou desatualizados. Se você quiser otimizar a utilização das bases de dados de clientes ou prospects e ainda ampliar os dados que possui de um cadastro pré-definido, o SVI é o seu maior aliado em uma ação eficiente para alcançar o target desejado.

• Como funciona o SVI?
1. Através do SVI, você enviará à DECIDIR a lista com apenas um dos campos dos seus registros preenchidos (ex. CPF).
2. A DECIDIR realizará as verificações sobre a validade dos dados, utilizando as bases de dados do seu sistema que compreendem mais de 70 milhões de registros em todo o Brasil.
3. Em poucas horas você recebe de volta a listagem original dos CPFs com os dados estatísticos que apontam a qualidade daquela base de dados. Para os registros válidos encontrados na base da DECIDIR, você receberá todas as informações que estão relacionadas àquele CPF.


Como o leitor pode perceber, é até possível que Verônica Serra já não esteja mais neste ramo, mas que o negócio tem toda a cara do pai dela, ah, isto tem!

Dines: vazamentos e imprensa marrom

O artigo abaixo, do jornalista Alberto Dines, é uma excelente reflexão sobre o episódio que está mobilizando a imprensa nacional desde a semana passada. Dines escreveu antes da divulgação, no site Consultor Jurídico, do relatório completo sobre o inquérito do Caso Dantas. É realmente assustador que um documento de 210 páginas, quase todas carimbadas com o timbre "Sigiloso", já esteja na rede mundial, à disposição de qualquer um que se disponha a saber mais sobre as acusações contra a suposta quadrilha comandada por Daniel Valente Dantas. Nada a favor do banqueiro do Opportunity, mas não é possível que processos que correm em segredo de Justiça sejam simplesmente oferecidos a jornalistas e veículos de comunicação sem que ninguém seja investigado ou punido pela gravíssima falta cometida. Aliás, no fundo a divulgação do relatório só favorece o acusado, que está torcendo de dedos cruzados para que o material seja desconstruído e desmoralizado pela imprensa chapa-Dantas...

A seguir, a íntegra do artigo de Alberto Dines, originalmente publicado no Observatório da Imprensa, cuja nova edição traz outros artigos sobre o Caso Dantas.


CASO DANIEL DANTAS
Política de vazamentos pinta toda a imprensa de marrom

O diretor-geral da Polícia Federal, Luís Fernando Corrêa, entrou de férias nesta segunda-feira (14/07), no exato momento em que a Polícia Federal está na berlinda por ter vazado relatórios sigilosos sobre a operação Satiagraha para O Estado de S. Paulo.

Procurado em Brasília pela equipe do programa Observatório da Imprensa na TV, sua assessoria informou que o diretor está de férias e que ninguém, a não ser ele, está autorizado a falar sobre o assunto.

Julho, mês de férias, é bem possível que a explicação seja verdadeira. Pode ser também que os assessores do diretor-geral tenham inventado uma desculpa esfarrapada para livrar o chefe de mais um chatíssimo pedido de entrevista.

Mas é no mínimo estranho que a PF não conte em seus quadros com um funcionário autorizado a dar satisfações à sociedade no momento em que o país inteiro toma conhecimento do teor de uma conversa telefônica do chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto de Carvalho, com um dos advogados de Daniel Dantas, Luiz Eduardo Greenhalgh (sobre o tema, leia também Vazamentos são mais graves do que espetacularização das prisões).

A verdade é que a imprensa brasileira não se incomoda com a praga do vazamento "seletivo" de documentos sigilosos. Ela é a beneficiária da irregularidade agora regular, mesmo que o privilégio seja rotativo, espécie de prêmio aos jornalistas bem-comportados. Com isto, aqueles que deveriam denunciar procedimentos impróprios das autoridades policiais tornam-se seus cúmplices. É o retorno do velho sensacionalismo amarelo (no Brasil, agora marrom) que aposta no furo futuro e esquece o seu compromisso com a investigação autônoma e soberana.

Leitor quer lama no ventilador

Também os leitores não se incomodam com esta sujeição da imprensa e da mídia eletrônica à loteria de informações patrocinada pela PF. O leitor quer barulho, lama no ventilador, escândalo. De nada adianta reclamar contra o número de grampos autorizados pela justiça. Segundo O Globo (13/07, manchete de primeira página), são 33 mil linhas legalmente grampeadas a cada mês. Em 2007, foram 409 mil escutas clandestinas.

Teoricamente legais: o vazamento é o subproduto do grampo indiscriminado: a polícia e/ou o Ministério Público apelam com tanta freqüência para o grampo, e a Justiça geralmente os atende, porque todos – com as melhores intenções, diga-se – contam com o vazamento de parte desses grampos para a imprensa. E a partir da imprensa fica estabelecido um tribunal virtual, sumário e discricionário. Do grampo ao paredón, assim foi com a Gestapo nazista, a GPU stalinista e a Stasi da Alemanha Oriental.

Na edição 487 deste Observatório (27/05/08) foi publicada a síntese de um processo do STF em que o seu presidente, Gilmar Mendes, uma hora depois de uma conversa telefônica com o procurador-geral da República, foi surpreendido com o telefonema de um repórter relativo ao teor desta conversa. A conversa entre as duas autoridades foi evidentemente grampeada e imediatamente transmitida a um jornalista ávido por um furo.

É legítimo jornalisticamente? É legítimo juridicamente? É legítimo republicanamente?

Vazamentos seletivos

Gilmar Mendes converteu-se em bête noire e talvez por isso sua reclamação não tenha merecido a devida atenção. Mas nos próximos dias, ou horas, o governo será levado a protestar, explícita ou indiretamente, contra a violação do segredo de justiça através do vazamento para a imprensa de uma conversa do mais alto funcionário da Presidência da República.

A luta contra a impunidade deve ser implacável, mas deve travada através de meios lícitos, caso contrário a punição torna-se suspeita, igualada aos ilícitos e à infração.

A política de vazamentos seletivos atende aos que se submetem ao princípio de que os fins justificam os meios. Acontece que a própria dinâmica dos vazamentos está empurrando os vazadores a ultrapassar todos os limites e distribuir informações sigilosas a esferas midiáticas onde impera o vale-tudo, isto é a blogosfera.

Irrigado pelos vazamentos, o chamado "espaço-cidadão" corre o perigo de degradar-se rapidamente, porque blogs são geralmente iniciativas individuais, não oxigenadas por discussões internas, nem comprometidas com manuais e códigos, tocadas majoritariamente por impulsos antropofágicos.

Acontece que muitos ativistas deste tipo de jornalismo (no passado chamado de amarelo e hoje marrom, ver abaixo), nas horas livres estão a serviço da grande imprensa e são provavelmente estimulados por seus departamentos de marketing para desenvolver seus sub-subprodutos.

De onde se conclui que esta onda de vazamentos faz parte de uma cruzada insidiosa para desmoralizar o que restou de uma imprensa razoavelmente decente e medianamente responsável.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Tá com medinho, 01?

A nota abaixo está no blog do jornalista Luiz Carlos Azenha. Impossível ler as declarações do tucano Arthur Virgílio e não lembrar do bordão do já célebre Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, que dá o título a esta nota. Sim, Virgílio está com medinho. E não é só ele.


ARTHUR VIRGÍLIO, SURREAL, DÁ O TOM DO PAVOR COM O EFEITO DANTAS

Atualizado em 14 de julho de 2008 às 19:48 | Publicado em 14 de julho de 2008 às 19:12

Arthur Virgílio, o líder do PSDB no Senado, deu o tom, de acordo com nota reproduzida parcialmente pelo Estadão:

"Não se justifica nenhuma tentativa de desmoralização da mais alta Corte de Justiça do país. Foi o enfraquecimento das instituições, aliado a um quadro de inflação, desemprego e corrupção, que criou o clima propício à instalação do Terceiro Reich, na Alemanha", afirmou o líder tucano, na nota.

Aparentemente Virgílio se refere ao possível pedido de impeachment contra Gilmar Mendes que está sendo estudado por procuradores federais de vários estados.

O texto é surreal e desproposital.

Mas serve para revelar o pavor que uma investigação profunda das relações de Daniel Dantas com políticos, juízes, empresários e a mídia causa em Brasília.

Também sinaliza a estratégia daqueles que querem enterrar as investigações: criar o pânico, como se a Polícia Federal estivesse prestes a instalar uma ditadura nazista no Brasil.

Onde é que foi parar o furor investigativo da oposição?

Não teremos o clamor indignado do Jabor pedindo CPI?

E o senador Heráclito Fortes, não vai bradar contra a corrupção petista no Jornal Nacional?

O mais interessante é que isso se dá em plena campanha eleitoral.

A oposição vai perder essa oportunidade de enfraquecer o governo Lula e, com isso, os candidatos do presidente nas eleições de 2008?

A única explicação razoável para esse comportamente anômalo, completamente fora do padrão dos últimos anos, só encontra uma explicação: medo.

Medo não, pavor. Ou pânico.

Lei seca é a cara do governo Lula

A nova e rigorosa legislação sobre o ato de dirigir após tomar umas canjebrinas a mais é mesmo a cara da administração Lula: preserva os muito pobres e os pobres, que andam a pé ou usam transporte público, e os ricos e muito ricos, que têm motoristas e dinheiro para pagar taxis a torto e a direito. Quem se ferrou foi a classe média, para quem dois ou três taxis a mais por mês já fazem uma bela diferença no orçamento. Ademais, a lei pune mais o pessoal das grandes metrópoles, pois nas pequenas cidades os bebuns em geral conseguem chegar aos botecos à pé...

Rodini: pesquisas e a volta da inflação

Em mais uma colaboração para o blog, Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, comenta alguns aspectos que poucos analistas ressaltaram no último levantamento do Ibope sobre a popularidade presidencial, realizado no final de junho. A seguir, a íntegra do comentário.

A última pesquisa CNI/IBOPE, realizada entre os dias 20 e 23 de junho, retrata com fidelidade as pesquisas qualitativas realizadas pelo nosso instituto em várias cidades do Estado de São Paulo e Maranhão nos últimos 30 dias (capitais, região metropolitana paulista e interior).

Nesses grupos de foco, realizados principalmente com as classes menos favorecidas, Lula continua sendo defendido ardorosamente pelos homens, porém começa a ser questionado pelos jovens e pelas mulheres.

Os jovens reclamam da falta de oportunidades, de qualificação e do ensino público. As mulheres estão preocupadas com o aumento da cesta básica, como arroz, feijão, óleos e cimento e com a deterioração da saúde.

Frases como "nós não nos alimentamos de biodiesel" e "mesmo com empresas vindo para cá, não empregam gente sem experiência", são recorrentes entre os jovens.

Os homens explicitam a defesa do presidente afirmando "a culpa dos preços estarem altos não é do Lula, é da inflação", "Lula viaja muito para trazer negocios para o Brasil" ou ainda "o problema é dos outros países".

As mulheres, que já foram reticentes com Lula e se renderam aos encantos dos preços estáveis relatam: "o Presidente deu com uma mão no primeiro mandato e tirou com as duas no segundo" ou " a saúde está doente no Brasil" e "minha vida tinha melhorado, mas agora..." .

A base de sustentação de alta popularidade de Lula é a região Nordeste e os homens. Suas vulnerabilidades podem começar a serem mostradas neste desenho novo e ao mesmo tempo antigo da megera inflação.

Como se percebe, em geral as pesquisas qualitativas antecipam as quantitativas. O medo da inflação antecipa sua percepção que por sua vez antecipa o fato concreto das gôndolas.

domingo, 13 de julho de 2008

Não dá para não reproduzir

A análise séria do caso Daniel Dantas está no comentário anterior, mas como no Brasil o humor diz tudo e mais um pouco, segue abaixo post do blog do jornalista Ancelmo Gois, que resume perfeitamente os tais "aspectos jurídicos" do episódio:

Perguntar não ofende: quantos pobres o ministro Gilmar Mendes já mandou soltar?