quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

PMDB pode ficar com ministério do Turismo

Circula em Brasília a versão de que a bancada do PMDB na Câmara Federal "cedeu" e aceita a nomeação de José Gomes Temporão para a pasta da Saúde, mas espera uma pequena recompensa pelo despreendimento: o ministério do Turismo, hoje ocupado por Walfrido Mares Guia, que por sua vez poderia assumir a Articulação Política caso Tarso Genro seja mesmo deslocado para a Justiça. A postura do PMDB é malandra: "cedendo" o ministério da Saúde para Temporão, que foi indicado pelo governador do Rio de Janeiro, o peemedebista Sérgio Cabral, e requisitando uma nova pasta como compensação, na prática o partido terá cinco representantes na Esplanada dos Ministérios... O problema é o velho ditado: quando a esperteza é demais, pode acabar comendo o dono.

Sobre o PIB de 2,9%

A chiadeira da oposição será grande e a mídia deve amplificar as reclamações com o aumento de 2,9% do Produto Interno Bruto de 2006, anunciado hoje pelo IBGE. Na comparação com o resto da América Latina, especialmente, foi um resultado medíocre, mas o fato é que o Brasil vem crescendo acima de 2% desde 2004, após a quase recessão de 2003, quando o produto cresceu só 0,5%. Foram três anos seguidos de crescimento contínuo, portanto, e este dado é interessante se colocado em perspectiva: com média anual de crescimento de 2,6% nos 4 anos de mandato, o presidente Lula se reelegeu facilmente, alcançando 60% dos votos no ano passado.

É possível e até provável que a população agora se torne mais exigente com o desempenho da economia para o quadriênio que começa em 2007 e se quiser fazer o sucessor, Lula terá que suar a camisa e fazer o Brasil crescer a uma taxa superior a obtida no primeiro mandato. Não parece uma tarefa tão difícil assim, a permanecerem as boas condições gerais da economia mundial. Se o presidente quiser, pode inclusive aprofundar algumas mudanças até agora cosméticas na política econômica, especialmente no que diz respeito à velocidade da queda da taxa de juros.

Não havendo crise externa, porém, o mais provável é que o governo continue apostando na atual receita para fazer o Brasil crescer um pouco mais, mas não demais. O ministro Guido Mantega (Fazenda), tido como desenvolvimentista, já explicou que o País "não precisa" e nem tem condições de suportar uma taxa de crescimento chinesa. Lula já deve ter feito as contas: qualquer coisa entre 3% e 5% como média de crescimento anual neste próximo quadriênio já será suficiente para garantir a permanência de seu grupo político no Poder. Não parece tão difícil assim...

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Homem de sorte

Henrique Meirelles é mesmo um homem de sorte: no dia em que seria arguido no Senado, a bolsa de valores da China despenca, provocando um efeito manada no resto do mundo. Resultado: a Bovespa caiu 6% e o presidente do Banco Central ganhou uma belíssima desculpa para justificar a prudência do BC brasileiro. Quem poderia prever que a China e a deselegância de Aloizio Mercadante um dia ajudariam Henrique Meirelles a sair por cima da carne seca no Senado Federal?

Mercadante: mico de circo em loja de louças

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) lutou muito para conseguir um lugar ao sol após a péssima impressão que deixou na campanha eleitoral do ano passado. Para quem não lembra, antes da crise do Dossiê Vedoin, petistas das mais diversas alas diziam que Mercadante era nome certo no ministério de Lula na eventualidade de perder a eleição em São Paulo. Como ele não apenas tomou uma surra de José Serra já no primeiro turno e ainda foi, ao lado de seus amigos aloprados, responsável pela ocorrência de segundo turno na eleição presidencial, ninguém mais falou no assunto. Depois, Aloizio Mercadante tentou ser primeiro-vice presidente do Senado, o que também acabou não acontecendo. Sobrou a presidência da poderosa Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, um belo posto para que o senador tente desfazer a imagem que ficou da campanha.

Ao que parece, porém, Mercadante está em má fase. Nesta terça-feira, sua atuação durante a audiência na CAE com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, provocou tanto constrangimento que ele teve de aceitar a sugestão de seu colega Eduardo Suplicy e deixar a presidência da Comissão para continuar o bate-boca que travava com Meirelles. Pior - recebeu críticas até da oposição, que viu hesitação e titubeio na atuação de Mercadante. O senador petista realmente já viveu dias melhores...

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Um olhar sobre a blogosfera

João Pedro Stédile escreveu sobre a calmaria do momento e parece ter razão. Uma maneira de aferir como andam as coisas pelo país é navegar na blogosfera. Os blogs, digamos assim, mais conservadores podem dar indícios dos humores da oposição. Nesta sexta-feira, o jornalista Reinaldo Azevedo se dedica a rebater as críticas aos bancos antimendigos do prefeito paulistano Gilberto Kassab (PFL). Reinaldo acha que os jornais que representam as classes dominantes estão muito esquerdistas porque criticam os bancos inaugurados pelo prefeito, nos quais não é possível aos seres humanos deitar e cochilar.

Os mendigos de São Paulo agora precisam dormir no chão e Reinaldo achou demais da conta que a Folha e o Estadão tenham aceitado a "patrulha petista" e criticado os novos bancos. Como se vê, os diligentes defensores do liberalismo estão um pouco sem assunto. Reinaldo já defendeu o faniquito de Kassab contra um pobre desempregado - insinuou que se tratava de um "petralha" infiltrado no hospital que o prefeito vistoriava, provavelmente destacado para derrubar a aliança tucano-pefelista no Estado mais rico da Federação.

Reinaldo já teve dias melhores. Nesta sexta-feira, dia em que foi confirmada a nomeação do vermelho Paulo Nogueira Batista Jr. para a vaga de Eduardo Loyo como diretor-executivo do FMI (Fundo Monetária Internacional), o blogueiro não comentou o assunto. Preferiu falar da relevante guinada à esquerda do Estadão contra Kassab. De duas, uma: ou Reinaldão anda falando demais com Andrea Matarazzo ou está realmente preocupado com a tomada dos jornalões paulistanos pelos amigos de Zé Dirceu.

Qualquer das hipóteses acima revela que os melhores quadros da oposição estão sem rumo. Combatem a possibilidade de "chavismo" de Lula, mas não conseguem apontar um único ato real do presidente nesta direção. Escrevem que a "esquerda" obteve supremacia nos meios de comunicação - talvez sobre a Veja para defender o status quo... E se irritam com o "adesismo" do PSDB e com a falta de arrojo do PFL nas críticas ao governo. Do jeito que a coisa vai, a direita terá realmente muitas dificuldades em 2010 e seus intelectuais orgânicos podem se preparar para mais alguns anos de lamúrias. Ou arrumam uns trocados e se mudam para Veneza...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Texto de Stédile classifica gestão Lula como centrista e reconhece crise na esquerda

O líder sem-terra João Pedro Stédile escreveu um interessante artigo na revista Caros Amigos deste mês, que está sendo divulgado pelo boletim Letra Viva, do MST, e cuja íntegra está reproduzida abaixo. A análise da conjuntura política feita por Stédile neste texto é lúcida e inteligente e merece ser lida na íntegra. Alguns pontos, porém, podem ser desde já ressaltados. Vamos a eles:

Em primeiro lugar, o líder sem-terra escreve que o governo Lula "assume com transparência e honestidade que quer ser apenas um governo de composição, onde convivam forças de direita, de centro e de esquerda. Onde convivam representações da classe dominante e da classe trabalhadora". Há um tom de conformismo na proposição de Stédile e é possível interpretar que ele de certa forma admira a "transparência e honestidade" de Lula. Ao longo do texto não há uma crítica mais dura às concessões que o governo fez à direita, pelo contrário, o líder sem-terra se mostra bastante compreensivo com a opção do presidente. O texto, aliás, condiz com a postura do MST frente ao governo federal, que ao longo dos últimos quatro anos foi de pressão pela reforma agrária, mas sem confronto direto, como ocorria nas gestões anteriores.

Stédile parece reconhecer que não restava a Lula outra opção, dada a atual correlação de forças na sociedade brasileira, senão a de realizar um governo de composição, análise com a qual este blog está inteiramente de acordo. A crise da esquerda – e este é o segundo ponto a ser ressaltado do texto –, não se encerrou, muito pelo contrário, está só começando. João Pedro acerta em cheio quando afirma que é preciso construir um novo projeto de desenvolvimento, porque os que a esquerda tinha em mãos (ou pensava que tinha) se mostraram inviáveis.

O texto do líder sem-terra também é feliz ao chamar atenção para a questão da guerra a ser travada nos meios de comunicação – a esquerda brasileira hoje não tem um veículo forte para difundir os seus pontos de vista. Pode parecer um trabalho difícil, custoso e de retorno apenas a longo prazo, mas vale a pena investir. Há alguns anos, a Igreja Universal do Reino de Deus, dona da TV Record, não tinha nenhum veículo de comunicação para divulgar sua mensagem. Hoje, edita o jornal com maior tiragem do País (Folha Universal) e já começa a incomodar a líder Rede Globo com a sua emissora de televisão. Em breve, entrará no ar a Record News, para concorrer com a Globo News no campo da informação destinada às classes A e B. Evidentemente, não dá para comparar a estrutura e os recursos dos movimentos sociais de esquerda com o que conta hoje a IURD, mas também é preciso deixar claro que a questão da mídia foi relegada a segundo plano pela esquerda. Exceções, como a tentativa do próprio MST de lançar um jornal diário nacional, só confirmam a regra.

Por fim, a ênfase de Stédile na questão da formação dos quadros do movimento social parece uma espécie de convite do líder à sua militância para que ela aproveite os próximos quatro anos para estudar, se preparar e debater o próximo capítulo da história brasileira. Com isto, João Pedro Stédile já dá por encerrado o governo Lula: o que vem pela frente nos próximos 4 anos é apenas um longo período sem ventos, talvez uma aborrecida espera...



SEGUE A CALMARIA, PREOCUPANTE...


Estamos iniciando mais um ano político, assim que o Carnaval passar. Mas, olhando no horizonte, segue uma enfadonha calmaria na conjuntura política brasileira, que em nada parece alterar os rumos da nau e da hegemonia do comando político e econômico do país.

O segundo turno parecia nos trazer novos ventos, com o aumento da disputa política e com a participação mais ativa de diversos setores sociais que se envolveram na luta eleitoral, como uma forma de derrotar a volta da direita neoliberal representada pelo Alckmin.

Passados o período eleitoral e as expectativas de mudanças, muitos voltam a ser céticos diante da mesmice da política nacional. Mas, mais do que buscar culpados ou personalizar as razões dessa situação, precisamos refletir sobre o contexto histórico que estamos vivendo.

Há uma pasmaceira geral na política nacional porque estamos vivendo um longo período histórico demarcado por alguns fatores condicionantes da correlação de forças, que a disputa eleitoral e a reeleição do presidente Lula não conseguiram alterar. Que fatores são esses? Primeiro viemos de um processo de derrota política da classe trabalhadora brasileira, desde as eleições de 1989. Os governos Collor e FHC representaram a consolidação da hegemonia de um setor da classe dominante que abandonou qualquer projeto de desenvolvimento nacional e se subordinou completamente ao capital financeiro e internacional. Disso resultou a "privatização" do Estado brasileiro a esses interesses. E uma política econômica neoliberal, que beneficia apenas tais setores do capital. Essa hegemonia total permitiu ao capital impor novas condições nas relações de trabalho, implementar mudanças tecnológicas que representaram a derrota política da classe operária industrial, que foi a base do reascenso da década de 80 e força principal das lutas que se seguiram.

Houve uma crise ideológica das esquerdas brasileiras, que não conseguiram enfrentar os novos tempos de refluxo e de ofensiva do império estadunidense, após a derrota dos chamados países socialistas. Ou seja, a correlação de forças internacionais também nos foi muito adversa nestes últimos anos. Em conseqüência de tudo isso, se produziu um refluxo do movimento de massas e das lutas sociais que marcou os últimos quinze anos.
Num contexto histórico de derrota política da classe trabalhadora e de refluxo dos movimentos de massas, só se explica a vitória eleitoral do presidente Lula e do PT, como partido depositário das esperanças de mudanças estruturais da sociedade brasileira, porque a classe dominante brasileira se dividiu. Uma parte mais reacionária e talvez burra tentou a todo custo derrubá-lo, usando como arma principal os meios de comunicação. Outra parte, mais hábil e talvez pensando no futuro, preferiu aliar-se e manter seus privilégios.

Dessa aliança e correlação de forças resultou um governo de composição de classes e de ideologia. No primeiro mandato havia uma expectativa maior, pela trajetória histórica do PT e do próprio presidente de que teríamos um governo de esquerda. Nos equivocamos. Agora, o próprio governo assume com transparência e honestidade que quer ser apenas um governo de composição, onde convivam forças de direita, de centro e de esquerda. Onde convivam representações da classe dominante e da classe trabalhadora. E o presidente se apressou a se assumir como centro, como fez questão de explicar, que passara dos 60 anos e era necessário mudar de posição política. Tudo a ver!

Então, caros amigos e amigas, estamos ainda convivendo com um longo período adverso para os interesses do povo brasileiro. E, mais do que lamentarmos, como alguns que preferem ir para casa para ver a banda passar ou, pior ainda, cair no comodismo de que nada é possível mudar, o momento exige muita reflexão, clareza e debate, para que as forças populares, nas suas mais diferentes formas de organização, sejam pastorais, estudantis, setoriais, de moradia, do campo e da cidade, busquem desenvolver ações políticas para enfrentar os verdadeiros desafios que a conjuntura histórica impõe à nossa geração. Sem a pretensão de elencar receitas, mas contribuindo para o debate, nós da Via Campesina e da Assembléia Popular temos refletido muito sobre essa correlação de forças e temos colocado a necessidade de enfrentar como prioridade os principais desafios que temos pela frente.


Os desafios da classe trabalhadora brasileira

O primeiro deles é recuperar o trabalho de base, de conscientização, de organização dos trabalhadores nos seus espaços de vivência, seja no trabalho, escola, moradia, para estimular as lutas sociais. Somente com lutas sociais o povo pode recuperar o sentido coletivo da política, ter forças suficientes para melhorar suas condições de vida, conquistar avanços e alterar a correlação de forças.

Segundo, precisamos dedicar energias para a formação e capacitação de nossa militância social. Em tempos de pasmaceira é necessário dedicar-se ao estudo, à formação, para compreender melhor a complexidade da realidade e encontrar as verdadeiras saídas para os problemas.

Terceiro, precisamos colocar energias na construção e no desenvolvimento de meios de comunicação de massa próprios, como rádios e televisões comunitárias, jornais, revistas, programas de comunicação de todo tipo, sob auspicio dos movimentos e organizações populares, para enfrentar o verdadeiro oligopólio das comunicações sob controle da classe dominante brasileira.

Quarto, precisamos estimular um amplo debate na sociedade sobre a necessidade de um projeto de desenvolvimento para o país. Não basta falar em crescimento da economia. Para quem? Não basta resolver as questões conjunturais. O Brasil precisa de um projeto que dê rumo para seu futuro e que, sobretudo, enfrente seus problemas estruturais e construa uma sociedade mais justa e igualitária.

Quinto, é necessário que todas as organizações populares e pastorais se dediquem com prioridade à conscientização e organização da juventude trabalhadora que vive nas grandes cidades. Será essa geração de jovens, desvinculada dos desvios e vícios do passado, e sonhadora com um futuro mais justo, que poderá se mobilizar, construir um projeto diferente e alterar a correlação de forças na sociedade.

E, finalmente, com as energias voltadas para enfrentar esses desafios, é preciso torcer para que se produza então um novo ciclo de reascenso do movimento de massas. Os tempos são difíceis. Mas mudarão. E os ventos somente mudam pela força das massas.


João Pedro Stedile é membro da Coordenação Nacional do MST e da Via Campesina.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Reforma ministerial pode ficar para março

O presidente Lula deu hoje, durante a reunião com os líderes do PSB, indicações de que a reforma ministerial poderá ficar para a segunda ou terceira semana de março, após a eleição da Presidência do PMDB. É possível que o presidente esteja apenas fazendo o velho jogo do despiste – jogando a reforma para uma data longínqua, a fim de "surpreender" a opinião pública com um anúncio "antecipado" dos nomes –, mas também pode ser que ele realmente não queira andar tão rápido assim com as mudanças na equipe. Afinal, os projetos do PAC estão no Congresso e as MPs começam a trancar a pauta no final de março. Até lá, Lula poderá medir a força da sua base nas votações e ir anotando em seu caderninho o nome dos que entregam o que prometem e dos que falam muito e jogam pouco.

lém disto, a definição peemedebista é realmente importante para os rumos políticos do governo: se der Nelson Jobim, que vem sendo apontando como o candidato "governista", o namoro com o partido pode acabar em casamento; se vencer Michel Temer, será preciso um noivado mais longo, uma vez que ele tem se declarado o candidato da "independência" da agremiação...

Por que o governador José Serra
não demitiu o presidente do Metrô?

O governador José Serra (PSDB) pode ser muita coisa, mas bobo, definitivamente, ele não é. Em plena Quarta-feira de Cinzas foi tornado público o pedido de demissão do presidente do Metrô, Luiz Carlos David. Serra aceitou as "razões pessoais" para o afastamento e nomeou, interinamente, o secretário de Transportes, José Luiz Portella, para o cargo.

Ora, até os contínuos do Palácio dos Bandeirantes sabem que David foi demitido e que a carta com o pedido de exoneração é puro teatro. Muita gente pode achar estranho Serra ter "perdido a chance" de mostrar autoridade e mandar o subordinado para casa enviando junto a conta do desgaste do desabamento da rua Capri. Há até quem diga que Serra esperou demais por um desfecho inevitável.

Este blog, no entanto, vê as coisas de outra forma: se o governador manteve o presidente do Metrô no cargo após a catástrofe que matou 7 inocentes e, na hora da saída, cuidou em evitar que David fosse humilhado publicamente com um atestado de incompetência, alguma coisa mais séria está em jogo.

A primeira e óbvia hipótese que emerge é a de que David pode falar coisas que Serra não gostaria de ouvir, especialmente sobre as relações das empreiteiras que tocam a obra mais cara em andamento no País e o tucanato. Também pode ser que o governador não queira melindrar seu antecessor Geraldo Alckmin, responsável pela nomeação de David para o Metrô. Os contínuos do Bandeirantes, porém, duvidam desta segunda hipótese...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Tudo como dantes...

... no quartel de Abrantes. De fato, o Carnaval brasileiro é uma parada ainda mais marcante do que as festas de fim de ano: rigorosamente nada acontece fora dos sambódromos e avenidas por onde brincam os brasileiros. Encerrado o período das comemorações, que em boa parte do País vai até este domingo, reza a lenda que o ano finalmente começa.

Na política, a bola da vez é a reforma ministerial e a tramitação no Congresso Nacional dos projetos PAC, programa que já virou sinônimo do segundo mandato do presidente Lula. Até mesmo a questão da violência, que na semana passada estava nas manchetes, já caiu nas prioridades da mídia e da opinião pública e, podem apostar, dentro de mais uma ou duas semanas passará a ser notícia de pé de página, salvo, é claro, a ocorrência de outra barbaridade como a morte do menino João Hélio no Rio de Janeiro.

Sobre o ministério, os muitos "lulólogos" de plantão vão continuar errando bastante, porque nem o próprio presidente Lula tem certeza da equipe que vai escalar. Ainda há muita conversa, sondagens e balões de ensaio em andamento. Sobre o PAC, está na hora de Arlindo Chinaglia mostrar a que veio. O prazo inicial para os projetos começarem a ser votados é 18 de março, quando boa parte das MPs do plano começa a trancar a pauta da Câmara. Até lá, é pouco provável que as matérias sobre o programa sejam analisadas pelo Plenário – a batalha se dará nas comissões permanentes, onde muita coisa pode ser mudada. Ademais, é provável que o governo teste a força da sua coalizão em votações de menor importância, a fim de não ser surpreendido no jogo que vale campeonato.

Em suma, a aposta do blog é que neste período pós-carnavalesco a vida política siga ainda em passos lentos, com governo e oposição estudando os seus movimentos. São os primeiros rounds de uma longa luta e não está na hora de gastar energia à toa.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Momo já reina

O Brasil vai dar a sua parada anual para as festas do tríduo momesco. Muita gente diz que o ano só começa mesmo depois do Carnaval, o que não deixa de ter uma ponta de verdade. Neste ano, porém, muita coisa aconteceu antes das festas – as eleições da Câmara e Senado, o lançamento do PAC, os primeiros lances dos novos governos estaduais. Até a cratera do metrô de São Paulo abriu antes do Carnaval...

Daqui para frente, porém, o jogo ficará mais duro: Lula anunciará sua equipe do segundo mandato e começará a ser cobrado pelos resultados da economia, do seu programa de aceleração do crescimento; os governadores – especialmente José Serra e Aécio Neves, que sonham com a cadeira de Lula – terão que começar a mostrar jogo para aumentar seus cacifes rumo a 2010; e os parlamentares lutarão para mostrar que esta legislatura é mesmo diferente da anterior.

Este blog não folga no Carnaval, mas é possível que as notícias sejam tão escassas que não haja comentário a fazer sobre assuntos sérios. Afinal, até quarta-feira o País está sob reinado do Momo.

Desta forma, salvo edição extraordinária, o blog se limitará a ficar na torcida pela Mangueira, no Rio, e Camisa Verde e Branco, em São Paulo....

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

A prioridade de cada jornal

As capas dos jornais dos três grandes conglomerados de comunicação que publicam jornais em São Paulo, reproduzidas abaixo, revelam a proteção em dois deles – grupos Folha e Estado – ao governo tucano de José Serra.



Como se pode ver acima, apenas o jornal Diário de S. Paulo, das Organizações Globo, publicou a paralisação das obras da linha 4 (amarela) do Metrô de São Paulo na manchete. Na Folha, o assunto ficou abaixo da dobra da primeira página, portanto sem visibilidade para quem olha o jornal dobrado nas bancas. O Estadão disfarçou um pouco a proteção a Serra e deu no alto, mas escondeu a notícia dentro do caderno Metrópoles, mesma opção feita pela Folha, que publicou a história em uma página interna e par do caderno cotidiano.

As obras da linha amarela do Metrô paulistano são as mais caras em andamento no Brasil. Um desabamento no início do ano já matou 7 pessoas e deixou uma cratera no coração do bairro de Pinheiros. Assim, custa a crer que a paralisação dos trabalhos não mereça da imprensa de São Paulo nem sequer a capa de seus cadernos locais.

No caso da Folha, em que a proteção ao tucano Serra é mais evidente, o jornal não apenas deu o menor destaque para a paralisação das obras em sua primeira página como também publicou uma pequena reportagem em que "especialistas garantem" que os problemas de soldagem encontrados em uma das estações não oferece riscos de desabamentos, contrariando o laudo divulgado anteontem pelo Jornal Nacional da TV Globo.

Alguém precisa avisar ao pessoal do Estadão e da Folha que o problema do Metrô é na verdade uma herança nefasta que Serra recebeu de seu antecessor e correligionário Geraldo Alckmin. A lambança foi feita na gestão anterior e nada tem a ver com Serra. É claro que não é bom para os tucanos reconhecer erros passados, mas no caso específico de Serra, os erros na construção Metrô podem significar uma pá de cal nas pretensões de Alckmin em disputar a prefeitura de São Paulo em 2008 ou a presidência da República em 2010. Em suma, parece que os jornalões paulistas estão sendo mais realistas do que o Rei...
(nota originalmente publicada no Observatório da Imprensa)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Secretário paralisa obras da linha
4 e ridiculariza presidente do Metrô

O secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, anunciou há pouco a paralisação das obras de pelo menos 17 das 23 frentes de trabalho existentes na Linha 4 (Amarela) do metrô de São Paulo.

O anúncio da suspensão ocorreu poucas horas depois do presidente do Metrô, Luiz Carlos David, garantir que as obras da futura estação Fradique Coutinho seriam suspensas. "As obras continuam, não há suspensão das atividades. O que vai haver é uma coletiva de imprensa do Consórcio Via Amarela, ainda hoje, para explicar o que está acontecendo e como se dará o andamento das obras daqui pra frente", afirmou o presidente do Metrô na manhã de hoje.

Tudo somado, a questão que fica no ar é simples: por que diabos o governador José Serra ainda não demitiu o presidente do Metrô? Aparentemente, Serra prefere que ele se demita. Ainda assim, fica o enigma: por que o governador não usa a caneta e acaba logo com este enorme pepino herdado de Geraldo Alckmin e que pode contaminar a sua gestão?

José Serra humilha Alckmin ao comprar avião

Pode parecer uma bobagem, mas a compra de um avião pelo governo de São Paulo, a pedido do atual governador José Serra (PSDB), é uma verdadeira bofetada na cara do ex-governador e candidato derrotado dos tucanos na eleição presidencial do ano passado, Geraldo Alckmin. O tempo passa rápido e muita gente já esqueceu: Alckmin fez um verdadeiro carnaval em torno da venda do avião que o servia enquanto governador e bateu duro no presidente Lula prometendo vender também o "Aerolula". Pois Serra não esperou dois meses no cargo para revelar à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, que mandou recomprar o avião, "por razões de economia". Ou seja, ao fazer o que fez, Serra deixou claro que Alckmin não apenas fazia demagogia como também desperdiçava recursos públicos. Um belo exemplo de choque de gestão, para usar o mote predileto do ex-governador.

Alckmin está estudando nos Estados Unidos, o que é uma pena. Seria engraçado ver a reação dele ante a medida tomada por seu correligionário. Sempre calmo e cordato, é certo que Geraldo Alckmin jamais criticaria o ato do governador Serra. Ou não?

Serra foi, sim, protegido na Folha e Estado

O governador José Serra deve estar contente com os editores dos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo: nos dois diários, a notícia do laudo que foi divulgado ontem pelo Jornal Nacional da TV Globo apontando uma série de problemas nas obras da linha 4 do Metrô paulistano ganhou pequeno destaque nas edições de hoje. Na Folha, não houve chamada de capa e a matéria foi escondida no meio do caderno Cotidiano. O Estado até que tentou disfarçar um pouco mais a proteção a Serra e deu uma chamadinha na primeira página, no alto, mas também escondeu a matéria no meio do caderno de cidades. Não deixa de ser interessante: uma estação de Metrô em construção corre riscos de desabar e os dois jornais paulistas acham que isto não é notícia para capa do caderno local...

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Serra está sendo protegido?

O Jornal Nacional desta terça-feira revelou que a estação de Metrô Fradique Coutinho, que fica no mesmo bairro em que ocorreu a tragédia da rua Capri, corre risco de desabar. O assunto é manchete do portal G1, das Organizações Globo, nesta noite. Até agora, 0h02, a revelação não mereceu destaque nos sites Folha Online e Estadão.com, dos dois jornalões paulistas. Na manhã desta quarta-feira será possível perceber melhor se Serra está sendo protegido pelos dois veículos ou se os editores da Folha e Estado resolveram tirar um cochilo e voltam daqui a pouco...

As tristezas do presidente


Charge do Agê que estará no DCI desta quarta-feira

CPI do Metrô é teste para Serra

Finalmente os paulistas vão saber se o governador José Serra é ou não semelhante ao seu antecessor Geraldo Alckmin. Os dois tucanos de fato parecem ser bem diferentes, mas pelo menos até agora, Serra vem fazendo um governo muito parecido com o de Alckmin. O PT dará uma bela chance a Serra: nesta terça-feira, foi protocolada na Assembléia Legislativa de São Paulo pedido dos petistas de abertura da CPI do Metrô. Com Alckmin, não teve chance de CPI em São Paulo – ano após ano, ele conseguiu evitar mais de 90 inquéritos. Serra pode fazer duas coisas neste caso: imitar Alckmin e mandar sua base atuar contra a criação da CPI, aceitar a criação da comissão e tentar controlar os rumos da investigação, ou simplesmente ignorar o assunto e deixar que a apuração aconteça com profundidade, doa a quem doer – "duela a quem duela", como diria Fernando Collor de Mello... Se José Serra for esperto, aposta na terceira opção – quem vai arder mesmo é Alckmin e o atual governador ainda posará de grande democrata, alguém que, à diferença do seu antecessor, permite investigações sobre o governo tucano.

Esquerda petista não aceita Delfim Netto

O autor dessas mal traçadas escreveu ontem que não há crise no PT e que a imprensa está procurando criar intrigas no partido do presidente Lula. Isto não significa, porém, que não existam pontos de atrito entre as correntes petistas – como, aliás, sempre houve. Significa apenas que o PT nunca esteve tão coeso como hoje.

Apesar de tudo isto, há certos pontos que são especialmente sensíveis para a esquerda petista. A eventual nomeação de Delfim Netto para um ministério, por exemplo, é um deles. Valter Pomar, comandante da Articulação de Esquerda e secretário Nacional de Relações Internacionais do PT, contou a este blog que a nomeação de Delfim é "inadmissível". Pomar até aceita que Delfim tenha algum cargo de perfil consultivo e seja ouvido pelo presidente Lula, mas rejeita a presença no governo federal do ex-czar da economia no regime militar. O secretário petista reconhece que Delfim está hoje "à esquerda" de muita gente com assento no primeiro escalão do governo Lula, a começar pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, mas explica que o problema com Delfim é de caráter simbólico: segundo ele, o economista não era apenas um soldado dos militares, mas fazia parte do comando de um governo que torturou e matou militantes de esquerda – o avô de Valter, Pedro Pomar, foi um deles, abatido no massacre da Lapa, em 1976.

Lula tem o PT na mão, apaziguado. Se nomear Delfim, terá que mostrar mais uma vez a sua capacidade de convencimento no partido, porque irá decepcionar muita gente, conforme vocaliza Valter Pomar.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Quando começa o governo Serra?

Perguntar não ofende: afinal, quando é que começa o super-governo de José Serra em São Paulo? Já estamos no meio do segundo mês de mandato e, até agora, o governador não apresentou uma única grande novidade para o distinto público. É certo que as coisas só começam a andar mesmo depois do Carnaval, mas sendo Serra uma das grandes apostas da oposição para 2010, é interessante acompanhar de perto a sua gestão em São Paulo. Alguma coisa ele fará para se diferenciar de Geraldo Alckmin e garantir a vaga de candidato à sucessão de Lula daqui 4 anos. Se ficar neste lenga-lenga, vai ter problemas. Aécio Neves, por exemplo, já está falando em "segunda fase" de choque de gestão no governo mineiro. Pode não significar coisa alguma, mas pelo menos o governador de Minas demonstra desenvoltura e dá a entender que está trabalhando com firmeza para deixar seu Estado uma vitrine para as próximas eleições.

Crise no PT é conversa para boi dormir

Quem leu o noticiário sobre o Congresso do PT, em Salvador, deve ter ficado com a impressão de que o partido vive uma grande crise: críticas de várias correntes à política econômica, "bronca" de Lula aos militantes mais radicais, desencontros entre algumas das principais lideranças e até uma suposta homenagem ao ex-deputado José Dirceu, cuja campanha pela anistia também teria sido criticada por algumas lideranças.

O problema todo é que a tal crise não existe. O PT nunca esteve tão coeso como hoje – os radicais de verdade já saíram da legenda e as críticas a Meirelles e ao BC são conversa para boi dormir. O discurso para "as bases" não poderia ser diferente, mas as discordâncias reais entre os principais líderes petistas são mínimas. Ademais, Lula é o chefe inconteste da agremiação e o que ele decidir estará sempre de bom tamanho para o partido, que não tem nem de longe um substituto viável para o atual presidente.

Apesar de não haver crise alguma, parte da imprensa tenta criar um clima de "guerra interna" que de maneira alguma reflete o estado de espírito do PT. Há hoje muito mais euforia por conta da reeleição e dos altos índices de popularidade do governo do que qualquer outra coisa. A confiança é tanta que o ex-ministro José Dirceu está arregaçando as mangas para tentar a tal anistia, o que talvez seja um movimento precipitado para o momento. Ou não...

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

A reforma ministerial e a disputa no PMDB

Já há colunistas criticando a demora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em realizar a tão esperada reforma ministerial. Dizem os analistas que o governo está "parado", à espera das definições da equipe para o segundo mandato, e que Lula cedeu a um jeito antigo de fazer política, cobrando de sua base a eleição dos presidentes da Câmara e Senado e também a aprovação das matérias de interesse do governo, especialmente os projetos que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para só então realizar a distribuição dos cargos na administração pública federal.

Ora, este "jeito antigo" de fazer política é normal na maior parte das democracias do planeta. Dizer que as alianças se dão em torno de "programas de governo " é conversa para boi dormir. Governar em coalizão significa partilhar o comando das ações políticas e administrativas, de forma que em algum momento o governante terá, sim, que nomear aliados para cargos em que decisões relevantes são tomadas. Não fosse assim, não existiria coalizão alguma...

O presidente Lula venceu as eleições com mais de 60% dos votos válidos, mas seu partido não conseguiu a hegemonia nas duas Casas do Congresso Nacional. Para conseguir governar, o presidente montou uma grande coalizão, capitaneada pelo PMDB – legenda que fez a maior bandada na Câmara Federal. Ora, se o governo é de coalizão e se vários partidos fazem parte da base de sustentação do ogoverno, nada mais natural do que o presidente repartir entre eles alguns cargos importantes no primeiro escalão. E nada mais natural, também, que Lula cobre desses partidos a aprovação dos projetos de um governo que eles, os partidos, por meio de seus líderes, reiteraram formalmente o apoio neste segundo mandato.

Quanto à paralisia do governo, a crítica também é marota, pois o presidente já anunciou o principal programa para o seu segundo mandato, o PAC. Pode-se não gostar do plano, mas ele existe e está mobilizando a maior parte dos ministérios e estatais federais.

A questão da reforma ministerial é na verdade um exercício de equilíbrio das forças políticas que compõem a aliança. Cabe ao presidente montar o quebra-cabeça de forma que ele reflita a correlação de forças da coalizão. Essa tarefa não é simples como pode parecer à primeira vista, pois nem sempre a expressão eleitoral de cada partido ou o número de representantes que as legendas têm no Congresso são critérios definitivos para a repartição do poder. Agora mesmo há o caso do PMDB, maior partido da aliança e que fará a sua Convenção Nacional, na qual será eleito (ou reeleito) seu presidente nacional. A disputa deve ficar entre o atual presidente, Michel Temer, e o ex-ministro Nelson Jobim e a Convenção está marcada para o dia 10 de março.

Há quem diga que o presidente Lula prefere Jobim a Temer, mas o atual presidente também marcou pontos ao entregar a mercadoria combinada nas votações que acabaram dando a vitória a Arlindo Chinaglia (PT-SP) na Câmara Federal. De toda maneira, são dois grupos em confronto – Temer é apoiado pela bancada federal e por alguns presidentes de diretórios estaduais, como o ex-governador Orestes Quércia, ao passo que Jobim é o predileto dos senadores, da secção gaúcha da agremiação e também de alguns diretórios, como o de Alagoas, controlado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros.

Do ponto de vista do presidente Lula, faz sentido esperar a definição dos peemedebistas para realizar a sua reforma, pois sem saber quem de fato manda (ou, ao menos, quem manda mais) no maior partido da base aliada, não é possível distribuir corretamente o poder entre os aliados. Os mais afoitos podem não gostar, mas Lula não está errado em empurrar a reforma ministerial com a barriga.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Vida de paulista


Charge do Agê que estará na edição de amanhã do DCI

Mídia vive nova fase no combate a Lula

A cada dia que passa, fica mais nítido o fenômeno: depois de perder a guerra da conquista de corações e mentes no ano que importava – 2006, quando estava em jogo a reeleição do presidente Lula –, a grande imprensa brasileira vive uma espécie de ressaca da derrota do projeto que defendeu no ano passado. Remar contra a maré não é uma tarefa simples e os veículos estão tentando descobrir o tom para fazer oposição a um presidente que talvez seja o mais popular da história do país.

Há os que insistem em picuinhas – para a revista Veja, da editora Abril, por exemplo, qualquer picuinha serve, como o leitor pode verificar na condenação do suposto anti-americanismo da política externa do atual governo, presente nas páginas amarelas desta semana.

Tem também o pessoal mais "nasty", especialmente na Folha de S. Paulo, um jornal cheio de má-vontade com tudo ocorre no planeta e que, no tocante ao Brasil, tenta mostrar que o Executivo federal só faz besteiras e está sempre munido de malvadas segundas intenções. Um raciocínio típico da Folha é o seguinte: se o governo deixou de fazer algo, antes mesmo de saber a razão o jornal conclui que foi porque alguém avisou que a falcatrua fora descoberta.

Há por fim os mais "ideológicos", de crítica radical, mas razoavelmente civilizada, como a turma do Estadão e, em parte, de O Globo.

É certo que no dia a dia as reportagens e textos dos grandes jornais, revistas e portais de internet contêm uma mistura desses três estilos. Nos blogs conservadores, como o de Reinaldo Azevedo, a pancadaria no governo é mais forte e muitas vezes inconsequente em função da prolixia desse meio. Os podcasts de Diogo Mainardi, por exemplo, já começam a se parecer peças cômicas, tamanho o distanciamento entre o que se ouve ali e a tal "talk of the town" que ele gostaria de ser porta voz. No máximo, Mainardi consegue exprimir a conversa da última reunião de pauta da Veja e os telefonemas ao seu amigo Azevedo. O Brasil já teve conspiradores melhores.

O fato é que está faltando um "gancho", como se diz no jargão das redações, para bater forte no governo. Sem mensalão, dossiê Vedoin ou escândalo dos sanguessugas, o trabalho ficou realmente mais complicado. A oposição também não anda ajudando, o PSDB está praticamente de joelhos e o PFL desidratou, caindo de 65 deputados eleitos para pouco mais do que 50. Aparentemente, resta aos opositores de Lula esperar que os "aloprados" reapareçam ou que o presidente comece a ter arroubos chavistas, tome um porre e mande expulsar o Larry Rother do país. Se nada disto acontecer, vamos todos passar 4 anos acompanhando futricas de salão contra o presidente e o PT e lendo recados cifrados de Serra para Aécio e vice versa.

Como a vida não pode ser tão chata, talvez Ciro Gomes se mostre disposto a animar um pouco as coisas. E aí, podem apostar, Mainardi e sua turma passarão a se dedicar à nobilíssima tarefa de tentar evitar que Ciro chegue lá em 2010. Pelo menos Lula ficará longe dessa chateação...

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Ibope pesquisa compra de votos

Simon lança Jobim para comandar o PMDB

Está aberta a corrida sucessória no maior e mais dividido partido político brasileiro. Nesta quarta-feira, o senador Pedro Simon lançou a candidatura do ex-ministro Nelson Jobim à presidência do PMDB. Jobim passa a ser o primeiro candidato oficialmente lançado. O atual comandante da legenda, deputado Michel Temer, gostaria de tentar a reeleição, mas ainda não confirmou se concorrerá no próximo dia 10 de março, quando o partido realiza a sua Convenção Nacional. Outros nomes poderão entrar na disputa e embolar ainda mais o jogo.

Vem aí a inflação do Serra?

Se o governador José Serra (PSDB) não agir com rapidez, poderá criar um fenômeno na economia nacional e, ironicamente, dar razão aos xiitas do Banco Central, que procuram sinais de "perigo inflacionário" como quem procura pêlo em ovo. É que Serra revogou uma série de decretos que versavam sobre a diminuição de alíquotas do ICMS sobre produtos da cesta básica. Com a medida, o governador elevou, em média, de 7% para 12% o imposto sobre esses bens.

O secretário da Fazenda ainda não se manifestou a respeito do assunto, mas a sua assessoria já vazou para a imprensa a versão de que os decretos foram revogados porque o Supremo Tribunal Federal iria julgar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade movida pelo governo do Paraná contra a medida. Segundo os técnicos do governo Serra, São Paulo perderia a causa e para evitar a derrota, foi necessário revogar as alíquotas menores. Com a revogação, a causa simplesmente deixa de existir.

Tudo isto faz sentido e pode perfeitamente ser verdade. Mas ninguém conseguiu explicar, até agora, como a gestão Serra agirá para voltar as alíquotas do ICMS aos antigos patamares. E por que razão o Paraná desistiria da causa, se a alíquota voltar aos 7%? Ou seja, até agora ninguém tem garantia alguma de que não vá haver reajustes nos preços dos alimentos. Houve um tempo em que a inflação era atribuída ao chuchu. Só falta agora aparecer a inflação Serra...

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

FGTS no mercado de capitais: uma boa idéia?

O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, pode ser muita coisa, mas bobo, não é. Deputado federal de primeiro mandato pelo PDT de São Paulo, Paulinho esteve reunido nesta terça-feira com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a quem levou uma arrojada proposta da sua central para a negociação em torno da Medida Provisória 349, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e estabelece o uso de, inicialmente, R$ 5 bilhões de recursos do fundo para investimentos em infra-estrutura. A idéia da Força é que seja incluída na MP uma emenda permitindo também que o trabalhador possa aplicar até 10% dos recursos do FGTS no mercado de capitais, isto é, na bolsa de valores.

Paulinho realmente não é bobo. É evidente que se a proposta for aceita e se tornar realidade, muitos trabalhadores serão beneficiados com rendimentos maiores do que os parcos 3% do FGTS. O problema é que mercado de capitais tem riscos e, como manda a regra do jogo, muita gente também vai perder dinheiro. Paulinho certamente está de olho no mercado de aconselhamento de investimentos que surgirá para os sindicatos. É bom lembrar que já há algumas experiências, no âmbito da própria Força Sindical, de sindicatos que criaram "clubes de investimentos" para aplicar recursos dos trabalhadores na Bovespa.

Do ponto de vista do governo, a conversa de Paulinho deve ter caído bem, pois diminui as resistências à aprovação da MP 349, liberando assim os recursos do Fundo para as obras. O atual governo tem dinheiro de menos e obras prometidas demais. Alguém precisa pagar a conta.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Alckmin adorou o vídeo de Kassab

Dizem as más línguas que a performance midiática do prefeito Gilberto Kassab (PFL) nesta segunda-feira, em São Paulo, foi muito apreciada pelo ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que atualmente estuda inglês em Boston. O tucano, como muita gente sabe, gostaria de suceder Kassab, de preferência com o apoio de seu correligionário José Serra, atualmente governador do Estado. A equação de 2008 não está fechando no ninho tucano porque Serra já deu a entender que prefere a candidatura do aliado Kassab à reeleição, – ele não quer dar a Alckmin a menor chance de, por meio de uma votação consagradora para a prefeitura, o ex-governador e candidato derrotado por Lula em 2006 se fortalecer para a corrida sucessória de 2010.

É evidente que ainda está muito cedo para a eleição municipal, mas também é fato que o xingamento de Kassab ao pobre coitado que buscava atendimento ondontológico no posto de saúde visitado pelo prefeito não é o melhor marketing para quem pretende passar a imagem de bom gestor, um pefelê diferenciado e mais "cult", à la Cláudio Lembo, digamos assim.

Com a trapalhada, Kassab lembrou mesmo foi a ex-prefeita Marta Suplicy (PT), que também bateu boca com um cidadão na frente das câmeras. De fato, o caso de Marta é parecido: a briga ocorreu faltando muito tempo para a eleição e foi utilizada pelos adversários durante a campanha eleitoral. Se a história vai se repetir por completo, só Deus sabe, mas o desfecho do barraco da madame Suplicy é de conhecimento público: ela foi derrotada nas urnas para o tucano José Serra, que por sua vez virou as costas para o eleitor que o elegeu e deixou seu vice Kassab, ele mesmo, no cargo. Mas sob a vigilância da solerte dupla tucana composta por Andrea Matarazzo e Clóvis Carvalho.

Sim, ainda é mesmo muito cedo para fazer previsões, mas este blog já aceita apostas: do jeito que a coisa vai, Serra terá que engolir o picolé de chuchu para a prefeitura. O lado bom para os tucanos é que ainda falta muito tempo para a tal definição: Serra tem, portanto, um ano inteiro para aprender a fingir que o gosto do chuchu é delicioso. Se não aprender desta vez, não aprende mais...

Lula pede e Thomaz Bastos fica mais um pouco: uma má notícia para Tarso Genro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, atendeu. Ao contrário do que havia anunciado na semana passada, Márcio ficará no cargo até a reforma ministerial estar finalizada, o que deverá ocorrer provavelmente no começo de março. Márcio queria ir embora logo, já pediu o boné faz muito tempo e quer começar vida nova.

A permanência de Bastos neste momento é uma má notícia para Tarso Genro porque ele vinha sendo apontado como principal candidato à vaga do atual ministro. Se Lula estivesse um pouco mais confiante no acerto da indicação, teria poupado seu amigo Márcio de mais uns dias de aborrecimento em Brasília e nomeado logo Tarso Genro para a Justiça. Pelo visto, o presidente não está assim tão confiante no taco do seu correligionário gaúcho...

Serra recua em investida contra autonomia

Segundo reportagem que está nesta segunda-feira na Folha de S. Paulo, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), decidiu recuar em sua desastrada investida contra a autonomia universitária e mandou retirar os secretários de Estado do Cruesp - o Conselho de Reitores das três universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp). No dia 1° de janeiro, Serra baixou um decreto acabando com a maioria que os reitores tinham no Conselho – eram 3 reitores contra 2 secretários e o governador adicionou o secretário de Ensino Superior. O que mais desagradou os docentes, conforme pode ser conferido aqui, foi Serra ter nomeado o secretário para a presidência do Cruesp, fato inédito desde a criação do órgão, em 1987. Além disto, os professores e funcionários reclamam do contingenciamento de recursos para as universidades, outro fato inédito desde que elas conquistaram a autonomia, na gestão de Orestes Quércia (PMDB).

Muita gente estranhou as atitudes de Serra em relação às universidades, especialmente porque o governador foi ele mesmo um acadêmico e não teria motivos para comprar briga neste campo. No que diz respeito ao Cruesp, o recuo mostra que talvez o governador não tenha sido alertado sobre as consequências do decreto – faltou alguém que gritasse "vai dar m...", como diria o compositor Chico Buarque, partidário da criação de um ministério (ou secretaria, no caso dos governos de Estado) com a função exclusiva de dar este tipo de alerta para os governantes. Já o contingenciamento dos recursos é um pouco mais preocupante, pois não há hipótese de Serra, centralizador e meticuloso que é, não ter recebido a informação correta sobre o que seria feito e, portanto, avalizado a medida.

Mercadante tenta se reerguer na CAE

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) vai tentar usar a presidência da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para se afastar do escândalo do Dossiê Vedoin. Para quem não sabe, a CAE é a segunda mais importante comissão permanente do Senado, depois da CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), e por lá passam todos os projetos relevantes para a economia nacional. Aloizio Mercadante, como já comentamos aqui lembrando o ex-ministro Ciro Gomes, saiu da eleição do ano passado mais sujo que pau de galinheiro e precisa urgentemente recuperar a sua credibilidade política. Nada melhor para isto do que uma comissão séria, onde os assuntos debatidos passam bem longe das traquinagens de seus amigos aloprados. Resta saber se a oposição vai dar esta sopa toda a Mercadante...

domingo, 4 de fevereiro de 2007

Marta vai para a Educação

Um passarinho azul avisa que a ex-prefeita Marta Suplicy vai mesmo ser ministra no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E não será na pasta das Cidades, como vinha sendo cogitado, mas na da Educação, outra área em que Marta se destacou nos últimos anos, especialmente ao desenvolver na capital paulista a idéia dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), projeto que foi abandonado na gestão de José Serra (PSDB).

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Lula e a política do feijão com arroz

As vitórias de Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Renan Calheiros (PMDB-AL) nas eleições para as presidências da Câmara e Senado estão sendo interpretadas das mais diversas formas pelos analistas e jornalistas de plantão. Há desde gente que atribui o resultado do pleito à mão forte do governo Lula até os que afirmam que a vitória de Chinaglia foi desastrosa para o presidente porque rachou a base.

É preciso um pouco de tempo para que o processo eleitoral seja completamente digerido, mas este blog não acredita nem que o governo tenha se engajado de corpo e alma na campanha de Chinaglia ou Renan, muito menos na tese de que houve uma ruptura entre as forças que compõem a base aliada. É evidente que o resultado fortalece o governo, uma vez que os cargos mais importantes no Legislativo estão nas mãos de aliados do presidente, mas uma análise mais acurada revela alguns detalhes importantes do processo que levou Renan e Chinaglia ao comando do Senado e Câmara.

Em primeiro lugar, a eleição do Senado mostrou a fraqueza da oposição. O senador José Agripino (PFL-RN) obteve menos votos do que a soma das bancadas do PSDB e PFL, ou seja, não conseguiu nem sequer unir a sua própria tropa. Quatro parlamentares desses partidos votaram em Renan, o candidato de Lula.

Na Câmara, a oposição soma 150 votos e o candidato Gustavo Fruet (PSDB-PR) teve apenas 98 no primeiro turno. Neste caso, o PFL defendeu abertamente a sua opção por Aldo Rebelo (PCdoB-SP), mas a justificativa é que não convenceu.

Desta forma, a primeira conclusão a que se pode chegar sobre os acontecimentos de ontem diz respeito à fraqueza da oposição no Congresso. Tucanos e liberais estão em rota de colisão, cada partido com seu projeto. O furor oposicionista que o PSDB apresentava com Geraldo Alckmin já se esvaiu, certamente porque os governadores José Serra e Aécio Neves estão mais preocupados em conseguir realizar boas gestões e se cacifarem para a disputa de 2010. Esta disputa interna no tucanato, aliás, também ajuda o governo – nada melhor para uma tropa do que conflitos internos no quartel general do exército inimigo.

Se a situação da oposição tucano-pefelista é confusa, não será à esquerda que o presidente Lula vai encontrar problemas. O PSOL está unido, mas tem uma representação demasiadamente frágil – 3 deputados e um senador. O máximo que esses parlamentares poderão fazer nos próximos quatro anos é o que os 8 petistas que chegaram à Câmara em 1982 fizeram: barulho, muito barulho.

Racha relativo

Cabe, por fim, analisar a questão da tal "divisão" da base aliada na Câmara Federal. Como todo respeito a Aldo Rebelo e demais deputados do PCdoB, PDT e PSB que têm externado o sentimento de inconformismo com o "rolo compressor" governista a favor de Chinaglia, a verdade é que bastará um pouco de "mercúrio", como disse o próprio presidente Lula, para curar as feridas. Este blog aposta que a choradeira dos socialistas, trabalhistas e comunistas termina no mesmo dia em que for anunciada a reforma ministerial, senão antes.

Na verdade, o tal "racha" na base aliada é muito mais uma criação dos colunistas para tentar dar um pouco mais de emoção às matérias de política do que qualquer outra coisa. O problema todo, daqui para frente, é que vai ficar chato escrever sobre o governo Lula porque será uma administração no estilo "feijão com arroz", isto é, pouco arrojada e sem pacotes mirabolantes. Com controle da Câmara e do Senado, sem oposição real no Congresso, o presidente tem um cenário muito melhor para exercer o poder hoje do que em 2003, o que pode lhe permitir governar sem precisar recorrer às práticas que provocaram a crise de 2005. Tudo isto, evidentemente, mantido o atual cenário externo, sem sinal de crises vindoouras e francamente favorável ao crescimento dos países emergentes.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Erramos: deu Chinaglia

Este blog apostava as fichas na vitória de Aldo Rebelo e tem o dever de reconhecer o mau prognóstico: Arlindo Chinaglia é o novo presidente da Câmara Federal. O jogo político é interessante justamente porque nem sempre é previsível.

É evidente que boa parte das variáveis apontava para a vitória do candidato petista, especialmente após a definição, pelo governo federal, do deputado Chinaglia como o "oficial", digamos assim. Não que Lula fosse ficar triste com a vitória de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), mas nos últimos dias o presidente parece ter se decidido pelo apoio a Arlindo, como se viu nas declarações do chefe da nação na manhã do dia derradeiro, das eleições no Congresso.

Este blog calculava, no entanto, que a oposição poderia dar a Aldo os votos que lhe reconduziriam à presidência da Câmara. Isto de fato quase aconteceu, Chinaglia venceu pela estreita margem de 25 votos. Como o voto é secreto, nunca será possível comprovar o que houve de um turno para outro, mais é bastante provável que os 25 votos que deram a vitória a Chinaglia tenham vindo justamente do PSDB, uma vez que os parlamentares da "terceira via" anunciaram apoio a Aldo Rebelo, ao passo que o líder tucano na Câmara anunciou que a bancada estava liberada para votar em qualquer dos candidatos. Foram, portanto, os votos do PSDB, possivelmente acertados entre Chinaglia e os governadores José Serra e Aécio Neves, por intermédio dos ex-líder Juthay Jr. (BA), que deram a vitória ao PT na disptua da Câmara. Este blog também considerava a possibilidade do acerto continuar valendo, mas calculava que a pressão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pelo voto em Aldo no segundo turno pudesse comover o tucanato. Não comove mais. Como diz o ditado, rei morto, rei posto. A bola está com Serra e Aécio e os dois, por questões regionais, preferiram Chinaglia. Resta saber se o PT vai cumprir a sua parte e eleger o PSDB nas assembléias estaduais de São Paulo e Minas...

Aloizio Mercadante trava definição
sobre a composição da Mesa do Senado

Os líderes partidários no Senado Federal estão negociando desde o início da tarde a composição da Mesa Diretora da Casa, que já reelegeu Renan Calheiros (PMDB-AL) para a presidência. O problema todo parece girar, segundo informações dos bastidores brasilienses, no posto que caberá ao senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Como diria o ex-ministro Ciro Gomes, o petista saiu mais sujo que pau de galinheiro da eleição do ano passado por causa da história do dossiê aloprado contra Serra e planeja agora dar uma reerguida na carreira. Como não será líder do Governo, cargo que ficou com Romero Jucá (PMDB-RR), Mercadante está batendo o pé para conseguir a vice-presidência do Senado. Ocorre que pelo critério da proporcionalidade, este posto é do PFL. O senador petista, no entanto, estaria alegando que a formação dos blocos altera essa correlação de forças e coloca na mesa uma intrincada negociação que já envolveria também as presidências das Comissões. Dizem em Brasília que Mercadante até aceitaria de bom grado o comando da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O que ele não quer é ser um reles senador...

O presidente Renan Calheiros já prometeu que a solução desta pendenga sai ainda hoje, nem que para isto seja preciso ir a voto.

Elle está de volta e pode dar trabalho














O ex-presidente Fernando Affonso Collor de Mello tomou posse hoje como Senador da República. Foi eleito pelo pequeno PRTB de Alagoas, mas já anunciou que deverá ingressar no PTB de seu ex-fiel escudeiro Roberto Jefferson, que esteve no Senado para prestigiar o futuro correligionário.

Há 20 anos, Collor tomava posse na Presidência da República após ter derrotado o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma das eleições mais radicalizadas da história do Brasil. Hoje, Collor está na base de apoio a Lula, avalia que o presidente faz um bom trabalho, mas não dá o braço a torcer, procurando deixar claro que foi Lula quem mudou suas concepções políticas ao chegar ao Poder.

Fernando Collor volta à cena política aos 57 anos de idade, após cumprir a pena de 8 anos de afastamento da vida pública que lhe foi imposta com o impeachment em 1992. Há 4 anos, quando tentou o governo de Alagoas e perdeu a eleição, muitos analistas diziam que o ele era um morto-vivo da política brasileira e jamais recuperaria o prestígio que teve no final do século passado.

De fato, Collor perdeu não apenas prestígio, mas a confiança da elite nacional, que foi quem lhe forneceu as condições (e os recursos financeiros) para chegar ao Palácio do Planalto em 1990. Justamente por isto, a batalha do ex-presidente para voltar ao centro do Poder é árdua e difícil, mas é preciso lembrar que ele tem a seu favor duas características importantes: o carisma pessoal e a idade.

É difícil analisar carisma porque se trata de uma percepção subjetiva. Alguns fenômenos, porém, são inquestionáveis: Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Lula são exemplos de políticos carismáticos, característica reconhecida até pelos adversários. Embora alguns evitem reconhecer, Collor está no mesmo time, dos poucos políticos que conseguem levantar a massa na garganta.

Muita gente aposta que Collor disputará próxima eleição presidencial. Com mais 4 anos de mandato garantidos no Senado, ele realmente não terá nada a perder e pavimentaria uma candidatura para valer em 2014, aos 64 anos. Pode ser. Mas também pode muito bem ser que ele surpreenda já em 2010.

Deu Renan, fácil

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi reeleito para a presidência do Senado com certa facilidade: 51 votos contra 28 do oposicionista José Agripino Maia (PFL-RN). Um voto foi anulado e outro, em branco, totalizando os 81 componentes do Senado Federal.

O resultado mostra que o PSDB não deu seus votos ao senador Agripino, como já era de se esperar. Isto pode ajudar um pouco a candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB) na Câmara, pois o PFL não deve estar com muita boa vontade em relação à candidatura do tucano Gustavo Fruet. A guerra na Câmara começa às 15h e promete ser muito mais divertida do que a disputa no Senado Federal.

Megabloco favoreceu Arlindo Chinaglia, mas pode se tornar uma faca de dois gumes

A formação do megabloco capitaneado por PT e PMDB sem dúvida alguma reforça a candidatura do petista Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara. O bloco soma 273 deputados, de forma que, pelo menos em tese, Chinaglia deveria levar já no primeiro turno. O problema é que o voto é secreto e traições vão acontecer. Assim, o que deveria ser uma virtude pode se tornar uma dor de cabeça para Chinaglia: se ele ficar muito longe dos 257 votos no primeiro turno, o grau de traição em seu próprio bloco terá sido alto e ele terá que se explicar em meio às articulações para o segundo turno. Fazendo uma analogia bem a gosto do presidente Lula, poderemos ter uma situação semelhante a do time que faz 3 a 0 no primeiro tempo, volta para a segunda etapa de salto alto e concede o empate ao adversário nos últimos minutos. Na prorrogação, quem está com a moral alta é a equipe que empatou...

De toda maneira, logo mais, às 15h, a partida começa. Vai ser um jogo longo e catimbado, com Gustavo Fruet (PSDB) correndo por fora. Chinaglia é o favorito, mas Aldo tem boas chances de virar o jogo na prorrogação do segundo turno.