segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Jorge Rodini: o rodapé da história

Aos poucos, o blog vai voltando à rotina. O intuito dessas Entrelinhas, é sempre bom lembrar, é o de oferecer um espaço para o debate sobre política e mídia. A participação dos colaboradores – o blog já tem a honra de contar com os cientistas políticos Wagner Iglecias e Ricardo Musse e o diretor do instituto Engrácia Garcia de pesquisas, Jorge Rodini – é salutar para que este debate ocorra. No comentário de hoje, Rodini comenta o cenário pós-eleitoral. Publicamos também o texto de Jorge Rodini enviado logo após as eleições e que em função das férias acabou não saindo. Embora se refira a um contexto que já parece distante, o texto continua vivo como explicação para a consagradora vitória do presidente nas urnas em 29 de outubro. A seguir, os dois comentários.

O segundo mandato já começou, em clima de férias, porém também de negociações. Controladores de vôo descontrolados, deputados e senadores pensando em mudar de partido, o Presidente querendo consertar erros do início da gestão anterior.

Parece que o PT vai perder vários ministérios e o PMDB vai abocanhá-los aos borbotões... São dívidas que precisam ser resgatadas, senão pode haver dificuldade na governabilidade.

O salto para o Desenvolvimento remete ao grande empresário Gerdau. Ao Brasil, exige-se que cresça não menos que 5% no próximo ano e mais ainda nos demais.

Se ficarmos na contramão do mundo, estaremos perdendo décadas e aí não há Bolsa-Família que dê jeito. Há necessidade premente de implementarmos o Desenvolvimento Econômico nas regiões mais pobres do País , ensinando aos brasileiros excluídos a buscarem renda, de acordo com as aptidões, demandas e caracteristicas locais.

A classe média, por outro lado, está cansada de pagar a conta e os pequenos empresários desesperados por assistirem a perda de competitividade no câmbio e na infra-estrutura.

Em síntese: ou crescemos já ou continuaremos no rodapé da história.

As razões da vitória de Lula

Com o final da campanha eleitoral e reeleição do Presidente Lula, podemos intuir os motivos da sua vitória incontesti. São cinco características de Lula que, a meu ver, foram absorvidas pelo povo brasileiro.

Lula é carismático A empatia do ex-torneiro mecânico com a população mais carente é quase fenomenal.

Lula é experimentado em eleições. Esta foi a quinta eleição presidencial que disputou.

Lula empolgou a militância. Apesar de todos os problemas que o PT teve, o presidente teve um exército a ajudá-lo.

Lula é o "Messias". Poucas figuras humanas no Brasil foram distinguidas com respeito e consideração dos mais pobres. De Messias Nordestino Lula foi alçado a condição de " Pai dos pobres".

Lula é resiliente. Por mais que sofra crises, ele consegue superá-las. Este conceito em Psicologia mostra como um pessoa pode ser quase imune às crises. Que, aliás, não foram poucas. Esta característica, porém, é diferente de invulnerabilidade ou invencibilidade

O Presidente sabe que tem vulnerabilidades.Tem que ter pressa para desatar o nó das contas públicas, das expectativas de reajustes elevados do salário-mínimo, das contas da previdência e da queda dos juros.
A economia do dia dia e o Bolsa-Família vão passar a ser o calcanhar de Aquiles deste novo mandato. Vai ser muito difícil segurar o preço dos produtos básicos e manter os programas sociais. O Brasil precisa crescer e o governo sabe disso.

Síntese: Lula ganhou porque teve respaldo popular, porque a oposição não conseguiu colar nele todas as trapalhadas de alguns membros do PT. Alckmin fez o que poderia ser feito, mas enfrentou um semi-Deus. Lula só não pode mais errar na questão ética nem impedir o crescimento mais vigoroso do Brasil. Até porque ele é resiliente, mas não invencível.

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