segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Sobre a democratização da imprensa
brasileira: muito barulho por nada

Os grandes veículos de comunicação, Folha de S. Paulo à frente, estão fazendo enorme estardalhaço em torno das declarações de líderes petistas sobre a necessidade de democratizar o sistema midiático brasileiros. Os incomodados têm todo o direito de espernear, mas a verdade é que as propostas do PT são até tímidas perto do que seria necessário fazer para criar um sistema realmente democrático no setor de mídia. Em seus primeiros documentos sobre a questão, o PT previa, caso chegasse ao Poder, uma verdadeira revolução na maneira de realizar as concessões de rádio e televisão, além do estímulo concreto aos veículos impressos alternativos. Nada disto aconteceu no primeiro mandato de Lula, embora algumas publicações que não tinham acesso aos anúncios estatais durante o governo FHC terem passado a recebê-los, como foi o caso das revistas Caros Amigos e Carta Capital. Via de regra, no entanto, o governo mudou quase nada no critério para a distribuição de anúncios e também não alterou a sistemática de concessões das emissoras de rádio e TV, que continuam sendo distribuídas à igrejas evangélicas e católicas, sobretudo, e a políticos aliados, em menor escala.

A reta final da campanha deste ano deve ter servido de alerta para os petistas sobre a importância da democratização da imprensa. Os grandes veículos e os colunistas aduladores de seus patrões podem espernear, mas a verdade é que a mídia brasileira é majoritariamente anti-Lula e ainda mais anti-petista. Os veículos simpáticos ao presidente e ao PT podem ser contados nos dedos de uma única mão e possuem tiragens bem menores do que seus concorrentes.

Com tudo isto, é natural que o governo comece a pensar mais seriamente na questão da democratização dos meios de comunicação. Seria bom, para começar, que o governo pudesse transformar a Radiobrás em uma BBC, para que os telespectadores tivessem uma real opção de informação também na televisão e no rádio, uma vez que a internet ainda é um meio que praticamente apenas a elite pode acessar. Distribuir os anúncios com critérios diferentes também não é pecado algum. Se o governo sempre privilegiar os mesmos veículos sob o argumento de que o anúncio precisa atingir um público mais amplo, como é que os jornais e emissoras alternativas conseguirão crescer? Salvo campanhas de utilidade pública que precisam atingir com urgência um público muito amplo e, portanto, devem ser veiculadas nos líderes de audiência, os anúncios de estatais poderiam perfeitamente serem destinados a órgãos de comunicação com propostas diferentes, até para permitir o aumento da concorrência no setor. Democracia na mídia é bom para o País e é bom para o setor de mídia. O resto é choradeira de quem está ameaçado de perder aqueles caraminguás que ajudam este pessoal a se manter na liderança sem precisar suar muito a camisa...

2 comentários:

  1. Concordo com o que foi dito. Espero do Governo uma política de expansão nos anuncios destinados a veículos alternativos. Precisamos deles, acima de tudo, estudantes como eu, que precisam conhecer opiniões diferentes das impostas pela mídia hegemonica. Espero ver esse apoio crescer no segundo mandato do Lula. queremos ver nascer projetos interessantes como a Revista Ocas, aqui no RJ.
    Eduardo Lang.

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  2. Caro Luiz,

    O jargão do momento agora é "backfire". No final, a mal-disfarçada posição enviesada da grande imprensa durante as eleições custou-lhe a credibilidade. Veja que estas reportagens não fazem nem marola hoje. O massacre midiático ao candidato Lula lhe conferiu uma certa imunidade como presidente.

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