quarta-feira, 22 de novembro de 2006

PMDB com Lula: qual a novidade?

Tudo mundo sabia que o PMDB acabaria dentro do governo de coalizão planejado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido sempre esteve no governo desde o final do regime militar, com exceção do curto período em que Collor presidiu o País, e não seria agora que ficaria de fora. A questão, portanto, está mal colocada na imprensa. Não importa saber se o PMDB vai dar ou não apoio ao governo Lula, o que realmente é relevante no momento é saber com que grau de unidade o partido vai marchar para o governo. Existe – e também sempre foi assim, inclusive durante os mandatos de Fernando Henrique – uma parcela de peemedebistas que prefere sempre ficar de fora do governo, cerrando fileira com seus amigos da oposição. Quando Cardoso era presidente, Roberto Requião, por exemplo, mais parecia um petista no Senado. Hoje, Jarbas Vasconcellos, senador eleito, mais parece um tucano.

Aparentemente, a turma que está fechando o apoio a Lula representa algo como 90% do PMDB. Os 10% que estão contra apostam em um processo rápido de desgaste do governo Lula no segundo mandato e já se posicionam como uma espécie de terceira via entre o PT e o PSDB. O problema todo é saber se esses líderes terão espaço em um PMDB mais governista do que se imaginava até bem pouco tempo atrás.

Dissidentes à parte, a bola agora está com o PMDB, o que é outra grande confusão: afinal, quem serão os indicados do partido para os ministérios oferecidos por Lula? Chegou a hora da luta interna, na qual nem sempre os mais fortes são aqueles com maior poder de inserção na mídia. A unidade do partido poderia garantir um processo mais tranquilo de escolha desses nomes, mas não é esta a tradição recente. Ontem, Temer, Quércia, Eduardo Alves e Moreira Franco tentaram demonstrar que as coisas estão, sim, muito melhores no PMDB. O desenrolar desta novela até a nomeação dos ministros vai mostrar se os líderes têm ou não razão.

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