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Maestri 3: ginástica intelectual desnecessária

Continuando a dialogar com Mário Maestri: a sequência do artigo está totalmente baseada na premissa de que Lula vai adotar o programa do Déficit Nominal Zero. Se isto não acontecer, o raciocínio do professor cai por terra. Mas vamos supor que ele esteja certo e o programa seja adotado. Ainda assim, há outros pontos que merecem ser comentados. Vamos a eles. Diz Maestri:

Mesmo golpeando ainda mais dramaticamente enormes parcelas da população, o governo espera que, com essas medidas, possa reduzir o desemprego, em torno a 15% na região metropolitana de São Paulo, caso o país alcance taxas de desenvolvimento médias superiores ao cinco por cento do PIB, como afirma que fará já em 2007, ainda que ninguém acredite na seriedade da promessa, sobretudo após o fraco desempenho da economia em 2006. A retomada da expansão econômica ensejaria a conquista do consenso ou, ao menos, da neutralidade, dos segmentos sociais incluídos no mercado de trabalho, facilitando a gestão dos excluídos, total ou parcialmente, processo que tem alcançado bons resultados em outras regiões do mundo. Uma expectativa que explica o apoio pleno da direção da CUT ao projeto como um todo.

Até este ponto do artigo, o professor vinha mostrando as consequências da aplicação do Déficit Nominal Zero para a economia brasileira. Pelo que prevê Mário Maestri, o resultado seria tudo de ruim e mais um pouco, o que torna de difícil entendimento o trecho acima. Ora, a julgar pelo que Maestri escreve, o resultado do projeto lulista na economia seria então algum crescimento econômico – ainda que ele duvide da taxa de 5% – e a redução do desemprego, o que ajudaria os "segmentos sociais incluídos" a apoiar o governo, como ocorre "em outras partes do mundo". Para os excluídos, conclui o historiador em seguida, o tratamento prescrito seriam os programas sociais focalizados – traduzindo em bom português, Bolsa Família.

Maestri poderia citar em que outro lugar do mundo esta receita vem sendo aplicada com tanto sucesso, porque o blog confessa a ingnorância e desconhece. Ademais, parece bastante estranho que a direção da CUT dê "apoio pleno" a um projeto que ao fim e ao cabo se mostra tão tortuoso para a conquista de tão pouco (pequena redução de desemprego e crescimento medíocre da economia). Aparentemente, o que Maestri fez aqui foi uma ginástica intelectual para justificar o apoio da CUT e MST ao projeto lulista. Não seria preciso tanto, existem outras explicações –
diferentes para os dois movimentos, é bom que se diga – bem mais plausíveis para explicar este fenômeno.

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