domingo, 9 de dezembro de 2007

Sobre Marta, Alckmin e Kassab

A notícia do dia sem dúvida é a série de pesquisas do instituto Datafolha sobre o cenário eleitoral para as eleições municipais nas capitais de Estado mais importantes do país. A disputa que de fato importa e que terá conseqüências diretas para as eleições de 2010 está em São Paulo. Segundo o Datafolha, o ex-governador tucano Geraldo Alckmin caiu 4 pontos e agora empata tecnicamente com a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), que se manteve estável na faixa dos 25% nas simulações em que seu nome foi testado. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) subiu 3 pontos e está em um patamar bem abaixo de seus possíveis adversários, com 13%.

Não é tarefa fácil analisar a pesquisa porque este cenário é hoje o mais improvável: a ex-prefeita Marta Suplicy tem dito que não quer deixar o ministério, preferindo se guardar para 2010, quando poderia se candidatar ao governo de São Paulo ou mesmo a Presidência da República. O ex-governador Geraldo Alckmin também não confirmou ainda se é candidato. Também chama atenção que a Folha tenha realizado simulações, no cenário sem Marta, apenas com Arlindo Chinaglia pelo PT, quando ele nem sequer confirmou a pré-candidatura, ao passo que José Eduardo Cardozo e Jilmar Tatto já se colocaram à disposição do partido para a disputa.

De toda maneira, é possível fazer algumas observações a partir do que os números do Datafolha trazem (a íntegra da matéria da Folha está no final deste comentário), vamos a elas:

1. No cenário sem Marta e com Alckmin, Kassab cai para terceiro lugar, ficando atrás até da ex-prefeita Luiza Erundina (PSB). É talvez o melhor quadro para o ex-governador, que derrotaria o prefeito com facilidade, com chances até de levar a disputa já no primeiro turno (Alckmin aparece com 30% e os tais 16% de Erundina tendem a diminuir à medida que a campanha se desenrole, tal qual ocorreu em 2004, em função do pequeno tempo na televisão a que os socialistas têm direito).

2. Se Alckmin não disputar, Kassab herda apenas parte da votação do ex-governador. Neste cenário, com Marta na disputa, crescem as chances do PT recuperar a prefeitura no ano que vem. É o que de mais tentador há para a ex-prefeita: ela partiria de 28%, um percentual confortável para passar para o segundo turno, e tenderia a capturar a maior parte dos votos dos candidatos de esquerda na disputa (Erundina, 11%; Soninha, 2% e Aldo, 2%). Em tese, chegaria fácil no patamar dos 40%, restando a Kassab a dura tarefa de conseguir todos os votos de Paulo Maluf (PP, 15%) para chegar perto da ex-prefeita. Hoje, parte dos malufistas já não tem a ojeriza de tempos atrás pelo PT e podem perfeitamente optar por Marta, especialmente se Maluf explicitar este apoio no segundo-turno, como já fez no passado.

3. Sem Marta e Alckmin, a disputa vira uma grande incógnita. O prefeito certamente larga na frente em função da máquina municipal (e estadual, neste caso) a apoiar sua candidatura. Estranhamente, o Datafolha não pesquisou este cenário – seria interessante saber se Erundina permaneceria à frente de Kassab ou se ele tomaria a dianteira.

A partir do que foi dito acima, algumas conclusões se impõem: se quiser continuar com cacife político, Geraldo Alckmin terá que se candidatar a prefeito no ano que vem. A taxa de intenção de votos no tucano está caindo, obviamente em função de sua menor exposição na mídia, o que é natural para um político sem cargo público e que no momento não é candidato a nada. E se desejar ser candidato, o PSDB não vai poder negar a legenda ao líder das pesquisas. Não há argumento conhecido que faça um partido ter o favorito para a disputa e abrir mão da candidatura em favor de um candidato que chega a aparecer em terceiro lugar... Ademais, Alckmin não tem muito a perder. Se acabar derrotado por Marta, cenário hoje improvável nas simulações de segundo turno, terá solidificado a imagem de anti-petista. E em uma disputa com Kassab, parece não haver chances de Alckmin acabar atrás do atual prefeito. Resumindo, ou Alckmin sai candidato no ano que vem ou corre o risco de se tornar um Luiz Antonio Fleury Filho, ex-governador que hoje tem sérias dificuldades em se eleger deputado federal.

Já para a ministra Marta Suplicy o cenário é bem diferente. Se ela entrar na disputa e sair derrotada, terá perdido a eleição e o ministério. Ademais, as simulações de segundo turno são muito negativas para ela e a sua taxa de rejeição, muito alta. Entrar na disputa com Alckmin seria uma grande bobagem, tamanhos os riscos de derrota. No cenário sem o ex-governador, a ministra tem mais chances, mas não se pode desprezar que neste caso Kassab viria com bala municipal e estadual, muita máquina e muito dinheiro.

Do prefeito Gilberto Kassab, porém, não se espera outra coisa senão a candidatura à reeleição. Só um néscio não sairia candidato em um quadro desses. Afinal, até ontem Kassab era um desconhecido, ninguém sabia quem ele era. Ganhou a prefeitura de presente e conseguiu alçar seu nome no panteão dos grandes da política paulista com o Cidade Limpa, idéia simples, barata e que "pegou" entre os munícipes. Com a eleição, Kassab, ainda que derrotado, galga mais um degrau na escala dos políticos relevantes no Estado e se cacifa, por exemplo, a ser o nome do DEM para o Senado em 2010, atropelando o secretário estadual do Trabalho, Guilherme Afif Domingos. Vencendo, poderá até disputar o governo de São Paulo, aí sim, em condições de impor a candidatura ao PSDB, quem sabe oferecendo a vaga de vice a Geraldo Alckmin.

Abaixo, a íntegra da matéria da Folha:


Em São Paulo, Alckmin cai e disputa liderança com Marta

JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), estariam tecnicamente empatados na liderança da corrida pela prefeitura paulistana, revela pesquisa Datafolha.
Se a eleição fosse hoje, o tucano teria 26% das intenções de voto. Ele perdeu quatro pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, feito em agosto. Marta oscilou um ponto para cima e está com 25%, seguida pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), que ganhou três pontos e soma 13% no cenário em que os três são apresentados ao eleitor.
A pesquisa foi realizada entre 26 e 29 de novembro, com 1.089 moradores da capital paulista a partir de 16 anos. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, o que justifica o empate técnico dos líderes.
Os resultados devem acirrar ainda mais os ânimos nos bastidores da aliança PSDB-DEM, que está à frente da prefeitura paulistana e do governo do Estado, já que o tucano também perdeu pontos no cenário sem o prefeito Kassab. Ele caiu de 37% para 29% e repete o empate técnico com Marta, que foi de 23% para 27% das intenções de voto.
Quando Alckmin é retirado da disputa, Marta lidera isolada com 28% (um ponto a mais do que em agosto), seguida por Kassab, que se manteve estável na casa dos 20%.
Até agora, nenhum dos três primeiros colocados anunciou oficialmente a intenção de concorrer no ano que vem.
Do lado petista, o levantamento promete aumentar a pressão interna para que a ministra e ex-prefeita de São Paulo aceite concorrer novamente. Arlindo Chinaglia (PT), presidente da Câmara, alcança apenas 1% quando substitui Marta.
Ele foi o único petista testado na hipótese de Marta não aceitar a possibilidade de disputar.
Em agosto, na pesquisa anterior do Datafolha sobre a sucessão na capital, a ministra enfrentava críticas por conta de sua declaração relativa à crise aérea. "Relaxa e goza", sugeriu ela aos passageiros.
No mesmo período, Alckmin, candidato a presidente derrotado em 2006, estava em exposição por ter retornado de um período de estudos nos EUA, e Kassab, no cargo há pouco mais de um ano, havia iniciado uma campanha de publicidade.

Renda e escolaridade
A queda do tucano se deu principalmente em segmentos de maior renda e com escolaridade superior, justamente os mesmos nos quais ele tem as mais altas taxas de intenção de voto no levantamento.
Entre os que têm renda superior a dez salários mínimos, Alckmin perdeu 12 pontos após agosto, caindo de 50% para 38%. Marta, nesse estrato, saltou de 9% para 19%.
Alckmin também viu sua condição piorar no outro extremo da segmentação por renda. Ele foi de 27% para 17% das intenções de voto entre os que recebem até dois salários mínimos, metade do que obtém a petista Marta. O tucano, no entanto, continua líder entre os mais escolarizados, embora tenha perdido oito pontos nesse segmento -de 43% para 35%. Os demais candidatos apenas oscilaram nesse quesito.
O crescimento de Kassab, vice de José Serra (PSDB) até março de 2006, não foi suficiente para que ele assumisse sozinho a ponta no cenário sem Alckmin e sem Marta. O democrata, com 22%, está empatado na liderança com Luiza Erundina (PSB), 21%, e com Paulo Maluf (PP), 18%.

Novo nome
O Datafolha também incluiu a vereadora Soninha (PPS) no levantamento. Ela deixou o PT em setembro e anunciou a intenção de disputar a prefeitura. Quando testada no cenário com Alckmin, Marta e Kassab, Soninha obtém 2%, e a ministra oscila de 25% para 24%.
O ex-partido da vereadora teme que ela, caso candidata, trafegue na mesma faixa de eleitorado da ex-prefeita.
As ausências do tucano e da ministra possibilitam que Paulinho (PDT) consiga seu melhor desempenho, 7%. O mesmo acontece com Aldo Rebelo (PC do B), 3%, e Soninha, 4%.
O percentual dos que dizem espontaneamente (antes da apresentação dos nomes) que gostariam de votar em Kassab oscilou de 8% para 10%; em Marta foi de 8% para 7%; e em Alckmin, de 5% para 4%.
O governador José Serra e Maluf são citados espontaneamente por 2% cada um. Desde agosto, aumentou nove pontos a taxa dos que não sabem citar em quem gostariam de votar para prefeito (50% para 59%).

2 comentários:

  1. José Policarpo Jr.9 de dezembro de 2007 15:26

    Prezado Luiz Antonio Magalhães:

    Sou leitor do seu blog e admiro a maior parte dos posts. Justamente por isso, considero ser lamentável sua expressão de que "A disputa que de fato importa e que terá conseqüências diretas para as eleições de 2010 está em São Paulo".

    A despeito da importância inequívoca de SP, a maior parte da elite desse grande Estado ainda não compreendeu que SP é parte do Brasil, mas NÃO É O BRASIL.

    Aliás, essa idéia de que ser governador de SP ou prefeito de SP imediatamente "carimba" seu titular para ser futuro presidente da República está se demonstrando completamente falsa, e ainda bem por isso.

    Não tenho nada contra os paulistas, mas o povo brasileiro é bem maior do que o povo paulista e tem dado provas de que não vai se dobrar aos caprichos da elite desse Estado (seja ela de direita ou de esquerda) só porque ela assim o quer.

    É ainda muito cedo para fazer afirmações desse tipo. Tanto na oposição quanto na situação, há potenciais e fortes candidatos à presidência que não têm origem em SP. Ainda bem que a diversidade brasileira vem também se mostrando profícua no campo político.

    Continuo admirando seu blog, a despeito da referida frase que considero lamentável.

    Atenciosamente,

    José Policarpo Jr.

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