segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dines sobre Benjamin: lixo em estado puro

Palavra de mestre não se discute. Dines locuta, causa finita...

LEITURAS DA FOLHA
Lixo em estado puro

Por Alberto Dines em 30/11/2009
Comentário para o programa radiofônico do OI

Vamos criar uma igreja e deixar de pagar impostos? A manchete da Folha de S.Paulo de domingo (29/11) foi a mais comentada dos últimos tempos. Nem parecia ser o mesmo jornal que dias antes, na sexta-feira, produziu um lixo jornalístico dos mais repugnantes e que desde então está ocupando a seção de cartas dos leitores quase inteira.

A propósito da estréia do filme Lula, o filho do Brasil, a Folha publicou um depoimento do seu colunista Cesar Benjamin, dissidente do PT, a propósito de um comentário cabeludo feito há 15 anos pelo então candidato à presidência Lula da Silva (FSP, 27/11, pág. A-8).

Como foi constatado no dia seguinte, o comentário foi efetivamente feito mas em tom de troça, conversa de fim de expediente. A Folha rasgou e tripudiou sobre todos os seus manuais de redação, pisoteou 20 anos de trabalho dos seus ouvidores ao aceitar como verdadeira uma fofoca estapafúrdia sem qualquer diligência sobre a sua veracidade.

Não foi desatenção, erro involuntário, tropeço de um redator apressado: a Folha reservou uma página inteira para que o colunista contasse a sua saga nos cárceres da ditadura iniciada quando contava apenas 17 anos. Seu relato é impressionante, mas de repente, para desqualificar os 30 dias em que Lula passou no xadrez, Cesar Benjamin conta a sua anedota em três enormes parágrafos e com ela fecha o artigo.

Imprensa marrom

À primeira vista, parece mais um golpe publicitário da família Barreto (que produziu o filme), em seguida percebe-se que a denúncia é a vera, fruto de um ressentimento pessoal que um jornal do porte da Folha, que se assume "a serviço do Brasil", não tem o direito de perfilhar.

A direção da Folha simplesmente não avaliou o tamanho do desatino. No dia seguinte, tentou consertar: mancheteou uma de suas páginas com o justo desabafo de Lula classificando o texto como "loucura" (FSP, 28/11, pág. A-10). No domingo, certamente arrependida, a direção da Folha providenciou a evaporação do assunto. Ficou apenas a reprovação do seu ouvidor Carlos Eduardo Lins da Silva.

Tarde demais. Já no sábado (28/11) o Estado de S.Paulo repercutia o episódio com destaque e, no mesmo dia, a Veja já o incorporara à sua edição. O Globo manteve-se à distância desta porcaria.

Se o leitor não sabe o que significa "imprensa marrom", tem agora a oportunidade de confrontar-se com este exemplo – em estado puro – do jornalismo de escândalos e achaques.

domingo, 29 de novembro de 2009

Ratos abandonam o barco

Desnecessário comentar, revela a alma do PPS de Roberto Freire. A nota é do blog de Josias de Souza, da Folha de S. Paulo. Um leitor que escreveu para este blog tem certa razão: o PT pelo menos sabe ser solidários com os seus aloprados...

Após escândalo, PPS decide deixar o governo Arruda
A direção do partido determinará a todos os filiados que ocupam cargos na gestão de José Roberto Arruda (DEM) que se exonerem.
O posto mais relevante confiado por Arruda ao PPS é a secretaria de Saúde do GDF. Ocupa-o o deputado federal Augusto Carvalho (PPS-DF).
Na última segunda-feira (23), Augusto retomou o seu mandato de deputado.
Voltou à Câmara por uma semana, só para apresentar dois projetos de lei (aqui e aqui).
Seu retorno à secretaria de Saúde estava previsto para esta segunda (30). Na sexta (27) estourou o caso do 'Demensalão', o mensalão do DEM.
Na curta ausência de Augusto, a pasta da Saúde do GDF foi tocada pelo secretário adjunto Fernando Antunes, também filiado ao PPS.
Deve-se a decisão de desembarcar o PPS do governo Arruda ao presidente nacional da legenda, o ex-deputado Roberto Freire (PE).
Para Freire, as evidências de corrupção na gestão Arruda impedem que o PPS continue colaborando com o governo do DF.
Na noite passada, Freire trocou idéias sobre o escândalo do GDF com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE).
Jungmann encontra-se em Tegucigalpa. Foi à capital de Honduras como observador das eleições presidenciais que ocorrerão neste domingo (29).
Tomara conhecimento da confusão que eletrifica a cena política brasiliense pela web. Impressionado, decidiu tocar o telefone para Freire.
Segundo disse Jungmann ao blog, o rompimento do PPS com Arruda será formalizado em reunião da Executiva do PPS, nesta semana.
Além do PPS, integram o governo Arruda o DEM, partido do governador, e o PSDB, parceiro da tribo ‘demo’ no Congresso Nacional e na sucessão presidencial.
O tucanato, por ora, não se manifestou sobre os descaminhos de seu aliado no DF.
Quanto ao DEM, revelou-se aturdido com a implosão da gestão de Arruda, o único governador que a legenda conseguiu eleger.
Na última sexta, dia em que Arruda foi às manchetes em situação vexatória, os ‘demos’ esboçaram apoio ao governador.
José Agripino (RN), líder do DEM no Senado, dissera: "Não conheço as denúncias, sei que é sobre licitações envolvendo os secretários...”
“...Portanto, até que surjam fatos posteriores, o partido mantém a confiança no seu governador".
O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM, ecoara Agripino: "O STJ está fazendo as investigações e vamos esperar essas apurações...”
“...Temos a total confiança no governador Arruda [...]. Nos estranha a posição da Polícia Federal dias depois de o presidente Lula pedir para que ela tenha operações com mais cuidado".
Na virada do sábado (28) para o domingo (29), o DEM levou ao seu portal na internet uma nota vazada em timbre menos condescendente:
“As graves denúncias feitas contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda exigem esclarecimentos convincentes...”
“...O partido tem o compromisso com a verdade e aguarda a manifestação oficial do governador para poder se pronunciar”.
O texto é assinado por três grão-demos: o presidente Rodrigo Maia e os líderes Agripino (Senado) e Ronaldo Caiado (Câmara).
Arruda não deu, por enquanto, um mísero pio. Alegou que só falaria depois de conhecer o teor do inquérito que perscruta sua administração.
O processo já é, a essa altura, coisa conhecida à farta. Relator do caso, o ministro Fernando Gonçalves, do STJ, levantou o sigilo das peças.
A demora de Arruda já não encontra amparo no desconhecimento. O governador apenas tenta construir explicações para o inexplicável.

Para bom entendedor...

... meia palavra basta. A nota oficial do DEM, reproduzida abaixo, significa o seguinte: o partido abandonou José Roberto Arruda à própria sorte. Vai lavar as mãos e se livrar do abacaxi. Mas o estrago está feito, complicou bastante o jogo de 2010 para o antigo PFL. No mínimo. E, naturalmente, também ficou ruim para José Serra (PSDB), que planeja ter o DEM ao seu lado no próximo ano.

Nota oficial do DEM
"As graves denúncias feitas contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, exigem esclarecimentos convincentes. O partido tem o compromisso com a verdade e aguarda a manifestação oficial do governador para poder se pronunciar.

Brasília, 28 de novembro de 2009.

Rodrigo Maia - Presidente nacional do Democratas
José Agripino - Líder do Democratas no Senado
Ronaldo Caiado - líder do Democratas na Câmara

sábado, 28 de novembro de 2009

Entrevista esclarecedora

Não é preciso nem comentar. Só mesmo um... César Benjamin para escrever o que escreveu, só mesmo a FSP para publicar o que publicou. Do Terra Magazine:

Tendler: Benjamin vai ganhar o prêmio "loura do ano"

Bob Fernandes, no Terra Magazine

César Benjamin, 55 anos, é ex-preso político e um dos fundadores do PT. Na sexta-feira, 27, Benjamin escreveu um artigo na Folha de S. Paulo e acusou o hoje presidente Lula de ter revelado, em 1994, uma tentativa de estupro dele, Lula, contra um "menino do MEP". Tentativa que teria acontecido em 1980, quando o então líder sindical Lula esteve preso por 30 dias, e na mesma prisão, com o jovem da organização de esquerda que já não existe, o MEP. César Benjamin cita, em seu texto, uma testemunha, "um publicitário brasileiro que trabalhava conosco cujo nome também esqueci".

O "publicitário" é o cineasta Silvio Tendler, que em 1994 trabalhou na campanha de Lula à presidência da República. De início, afirma Tendler:

- Ele diz não se lembrar de quem era o "publicitário", mas sabe muito bem que sou eu. Eu estava lá e vou contar essa história...

Sobre os fatos e a acusação, gravíssima, o cineasta, o documentarista Silvio Tendler conta o que viu e o que recorda daquele almoço em meio à campanha presidencial de 1994:

- Era óbvio para todos que ouvimos a história, às gargalhadas, que aquilo era uma das muitas brincadeiras do Lula, nada mais que isso, uma brincadeira. Todos os dias o Lula sacaneava alguém, contava piadas, inventava histórias. A vítima naquele dia era um marqueteiro americano. O Lula inventou aquela história, uma brincadeira, para chocar o cara...só um débil mental, um cara rancoroso e ressentido como o Benjamin, guardaria dessa forma dramática e embalada em rancor, durante 15 anos, uma piada, uma evidente brincadeira...

Silvio Tendler já fez cerca de 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens. Além de vários prêmios é detentor das três maiores bilheterias de documentários na história do cinema brasileiro: "O Mundo Mágico dos Trapalhões" (1 milhão e 800 mil espectadores), "Jango" (1 milhão de espectadores) e "Anos JK" (800 mil espectadores).

Na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, neste 2009, Silvio Tendler lançou o documentário "Utopia e Barbárie", no qual trabalhou durante 19 anos. Dentre os personagens ouvidos pelo documentarista mundo afora, o general vietnamita Vo Nguyen Giap, que derrotou os exércitos francês e americano. "Giap, o maior general do século XX", segundo o cineasta.

Na conversa que se segue, o documentarista Silvio Tendler recorda a história da história de Lula e o "menino do MEP".

Terra Magazine - Silvio Tendler, é você o publicitário citado por César Benjamin no artigo na Folha de S.Paulo?
Silvio Tendler - Eu mesmo, em pessoa.

Você estava lá? Você, o Lula, o César Benjamin, o publicitário Paulo de Tarso e o tal marqueteiro dos Estados Unidos?
Na verdade eu não me lembro é do César Benjamin lá no almoço (...) e, sim, o publicitário que ele diz não lembrar era eu. E ele, se estava lá, sabe e se lembra que era eu; não tinha mais três publicitários na campanha, portanto ele sabe que era eu quem estava lá...mas eu não sei se ele estava, não me lembro, de verdade, se ele tava na sala. Ele agora diz não se lembrar do "publicitário" porque sabe que eu não iria corroborar essa maluquice, até porque eu vi, testemunhei, a quantidade de erros, de bobagens que ele cometeu durante a campanha...

Ele, César Benjamin?
Ele, Benjamin...por exemplo: já tava tudo perdido, um dos poucos apoios que o Lula ainda tinha depois daqueles erros de ataques da campanha ao Plano Real, era o da Igreja. E de repente o César resolveu botar como pauta do dia o quê?

O quê?
O aborto! Só isso. Esse cara montava e desmontava os programas como se fosse um expert em comunicação... e não era. Me lembro de outra história dele. Tinham inventado uma legislação casuística, criada para segurar o Lula, que tinha feito aquelas caravanas pelo Brasil. Não podia ter imagem externa em movimento... então fizemos um video-clip, eu e minha ex-mulher, a jornalista Tânia Fusco. Ela fez o texto, e eu, com as fotos dele na caravana e outras imagens, fiz, fizemos um clip, uma biografia do Lula a partir de fotos...

E aí?
Aí fui dar aula no Rio de Janeiro por dois dias, o comando da campanha era em São Paulo, e quando voltei o clip estava desfigurado pelo gênio da comunicação. Onde havia poesia o César colocou chavões do tipo "arrocho salarial"...

Por quê?
Porque se acha um gênio, melhor do que todo mundo... peguei meu boné e fui embora pro Rio...

E o César?
Ele continuou com suas trapalhadas. E quinze anos depois ele segue em campanha, agora contra o Lula diretamente. Ele atrapalhou o Lula em 94 e segue tentando atrapalhar o Lula.

Ok, esses detalhes à parte, você estava à mesa do almoço no dia da tal conversa do Lula?
Eu estava lá, sentado à mesa. Eu sou o publicitário "anônimo" que estava lá. O Lula, um cara que foi brincalhão durante toda a campanha, mesmo quando já tava tudo perdido. Eu até pensava "esse cara passa a noite pensando em como sacanear os outros", porque todo dia tinha uma piada, um brincadeira, uma vítima de gozação... nesse dia o Lula queria chocar o tal marqueteiro americano...

O James Carville era...
O James Carville tinha sido contratado para ajudar na campanha do Fernando Henrique e nós tínhamos o nosso americano também. O Lula brincava: "O americano do Fernando Henrique fez a campanha do Bill Clinton, o nosso americano fez a campanha do Daniel Ortega" (NR: Ex e atual presidente da Nicarágua). Bem, o Carville já tinha ou tava sendo mandado embora da campanha do FHC e a campanha do Lula também ia despachar o "nosso" americano.

E o que aconteceu?
...e aí, nesse dia, o Lula, claramente num clima de brincadeira, tava a fim de sacanear, de chocar o americano com essa história dele "seco" na prisão, todos na mesa, nós todos, sabíamos que aquilo era uma brincadeira, era gozação, sacanagem, e imaginando como seria se fosse traduzido pro cara...

Você tem, teve então a certeza de que era uma brincadeira? Não teve e não tem nenhuma dúvida?
Nenhuma. Era claro, óbvio que era uma brincadeira, mais uma piada, mais uma gozação do Lula, nenhuma dúvida. E além disso a história, a cena toda não teve de forma alguma esse ar, essa dramaticidade que o César enfiou nesse texto melodramático. É incrível essa história... todos sabíamos que aquilo era uma brincadeira, como tantas outras feitas durante a campanha...

As tais "conversas de homem"...
Nem era esse clima "conversa de homem", era brincadeira, pura gozação, nenhuma responsabilidade, nunca, nunca com esse tom de "confissão" que o Benjamin fez parecer que teve. E você acha que se isso fosse, soasse verdadeiro, todos nós não ficaríamos chocados? Todos ali da esquerda, com amigos presos, ex-presos e tudo mais, você acha que nós ouviríamos aquilo com tom de verdade, se assim fosse ou parecesse, e não reagiríamos, não ficaríamos chocados?

Na sua opinião, que conhece os personagens dessa história, o que aconteceu?
O César Benjamin guardou ressentimentos por 15 anos para agora despejar todo esse rancor. Ele pirou com o sucesso do Lula. Ele transformou uma piada num drama, vai ganhar o troféu "Loura do ano".

O Paulo de Tarso estava lá?
Estava. E estava o americano... pensa só uma coisa: você acha que o Lula, logo o Lula, tão pouco esperto como ele é, em meio a uma campanha presidencial, vai chegar na frente de um gringo que ele mal conhecia, um gringo que vai voltar pro país dele e contar tudo o que viu, você acha que o Lula vai chegar pra um gringo que nunca viu, na frente de testemunhas, e vai contar que tentou estuprar alguém? É, foi óbvio, evidente, que aquilo era gozação, piada, brincadeira, sem nada desse drama todo do Benjamin de agora... rimos e ninguém deu a menor importância àquilo...

Você, um cineasta, um documentarista que viveu a cena, relembrando-a quadro a quadro, o que verdadeiramente pensa, o que diria hoje?
O Lula adorava provocar... era óbvio para todos que ouvimos a história, às gargalhadas, que aquilo era uma das muitas brincadeiras do Lula, nada mais que isso, uma brincadeira. Todos os dias o Lula sacaneava alguém, contava piadas, inventava histórias. A vítima naquele dia era o marqueteiro americano. O Lula inventou aquela história, uma brincadeira, para chocar o cara... como é possível que alguém tenha levado aquilo a sério?

Então...
Isso não tem, não deveria ter importância nenhuma. Só um débil mental, um cara rancoroso e ressentido como o Benjamin, guardaria dessa forma dramática e embalada em rancor, durante 15 anos, uma piada, uma evidente brincadeira...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sobre Arruda e Cesinha

Notas rápidas, o dia foi quente e a próxima semana promete:

* José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal, pode começar a ensaiar as mesmas lágrimas de crocodilo que apresentou no Senado, antes de renunciar no episódio da violação do painel. Seu governo acabou, se ele vai renunciar ou assistir ao desgaste de um processo de impeachment, é questão de cálculo político. Não há, porém, escapatória. A reeleição certa virou agora uma aventura, missão impossível. É só ir aos blogs de direita e ler o que os comentaristas, todos simpáticos ao DEM e PSDB, andam dizendo: "Zero um, pede prá sair..."

* Este blogueiro conhece pessoalmente César Benjamin. Já viajou com Cesinha de São Paulo a Itaici, pernoitou no mesmo alojamento que o editor, em um evento do MST e outras entidades da Consulta Popular, em 1998. Esteve com ele em outras reuniões, todas ligadas ao MST. Há duas considerações a serem feitas sobre Benjamin: primeiro, o autor deste blog não conhece nenhuma outra pessoa, nem mesmo Diogo Mainardi ou Reinaldo Azevedo, que tenha pelo presidente Lula o mesmo ódio professador por Cesinha. O que ele diz em privado sobre Lula supera em muito o que escreveu para a Folha de S. Paulo nesta sexta-feira. Desde Itaici, o autor destas Entrelinhas avalia que tanto ódio é uma questão para ser examinada à luz da psicanálise, não da política. Em segundo lugar, o blogueiro se espantou com a quantidade de comprimidos ingeridos pelo personagem em questão. Bem, talvez resida aí a explicação para o artigo: Cesinha pode ter esquecido de tomar algum dos seus tarja preta antes de batucar a excrescência publicada pela Folha de S. Paulo.

Falando sério, o que espanta não é César Benjamin ter escrito o que escreveu, mas a Folha ter publicado o que publicou. Talvez o pessoal lá também tenha esquecido de tomar algum medicamento... No mais, é certo que não vai dar em nada, o acusador é tão desqualificado, já tentou os mesmos golpes no passado, sempre sem sucesso. No fundo, no fundo, César Benjamin gostaria de ter sido um Zé Dirceu. Não conseguiu, frustrou-se. É uma pobre alma atormentada, "a loser", como diriam os norte-americanos. Nada mais do que isto.

Em tempo: nem o PSTU acredita em César Benjamin, conforme reportagem da Agência Estado, no trecho a seguir: "Lula foi detido pela polícia política no dia 19 de abril de 1980 e libertado no dia 20 de maio. Nesses 31 dias chegou a dividir a cela com até 18 pessoas. Um de seus companheiros mais jovens, com 23 anos, era o atual presidente do PSTU, José Maria de Almeida - na época militante da Convergência Socialista. Ontem, após ler o artigo, ele comentou: "Tenho motivos para atacar o Lula. O seu governo é uma tragédia para a classe trabalhadora. Mas isso que está escrito não aconteceu. O Benjamim viajou na maionese."

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O PMDB não muda jamais

Tem muita gente dando bola para a candidatura própria do PMDB à presidência da República, lançada na semana passada, desta vez com o nome do governador Roberto Requião (PR). Levar a sério este movimento equivale a acender muita vela para um defundo que não merece tanta cerimônia. A questão é simples: o PMDB não terá candidato próprio por uma única razão - a falta de unidade partidária.

A elite do partido, digamos assim, está fechada com Dilma e tem força para controlar a Convenção Nacional, evidentemente com a ajuda do governo. Hoje, quem manda no PMDB de verdade são os deputados Michel Temer (SP), Eduardo Cunha (RJ), Eliseu Padilha (RS) e Henrique Eduardo Alves (RN), além dos senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL). E estão todos muito mais próximos do governo do que se imagina por aí. Sim, existe uma dissidência importante, capitaneada por Orestes Quércia, presidente do diretório de São Paulo, que prefere apoiar José Serra.

No meio deste jogo, há os "independentes", que não têm força alguma - o senador Pedro Simon (RS) é o maior expoente da turma. A movimentação pela candidatura própria ganhou o apoio tático de Quércia e seu grupo porque serve para desgastar a ideia de apoio à Dilma. E ganhou também o apoio de parlamentares ligados ao grupo que de fato manda no partido, porque esta jogada cai como uma luva no velho ditado de que é preciso criar dificuldade para vender facilidade. Requião não será candidato à presidência, nem o PMDB apoiará José Serra.

Da mesma maneira que aconteceu em 2002, o PMDB irá para a eleição rachado e em alguns estados seus líderes apoiarão Serra, em outros o apoio será para Dilma. Mas o tempo na televisão, que é o que de fato importa, ficará com a candidata do PT. É bom lembrar que em 2002 o PMDB indicou o vice na chapa do mesmo José Serra, e Quércia, por exemplo, apoiou Lula. Agora o jogo virou: o ex-governador paulista, mais Jarbas Vasconcellos e outras lideranças regionais darão suporte à candidatura tucana de Serra, se ele vier mesmo a ser candidato.

No fundo, a única coisa que pode embaralhar o jogo é uma eventual candidatura de Aécio Neves, governador de Minas Gerais. Neste caso, a ala governista do partido pode pender para o tucanato, pois Aécio tem mais capacidade de convencimento para agregar apoios. Ainda assim, este blog aposta que o PMDB estará formalmente casado com Dilma, pulando a cerca aqui e acolá. É da natureza do partido e ninguém no meio político acredita seriamente em outra hipótese. Nem José Serra...

Serra vai mesmo para a luta?

Abaixo, artigo de Fernando Rodrigues para a Folha de S. Paulo. O colunista é dos bons, bem informado e com boa capacidade de análise. O que o autor destas Entrelinhas tem ouvido por aí, no entanto, é o oposto do que escreve Rodrigues: Serra estaria mais relutante do que nunca com a candidatura presidencial. Com a sua própria base despedaçada, quer esperar as pesquisas de janeiro e fevereiro para decidir se fica em São Paulo, resolvendo assim a questão da sucessão estadual - para ele, Geraldo Alckmin ou Ciro Gomes são igualmente inimigos - e deixando a disputa pela sucessão de Lula para Aécio Neves ou quem mais se anime a enfrentar a candidata do presidente. Não dá ainda para apostar, mas, como dizem os italianos, "se non è vero, è bene trovatto"...

Serra entra em campo

BRASÍLIA - O tucano José Serra continua usando a expressão "se eu vier a ser candidato", mas ontem falou como se já estivesse em campanha pelo Planalto. Analisou pesquisas, criticou adversários e tentou construir um curioso raciocínio sobre a eleição de 2010 e o crescimento econômico.
"Economia não decide eleição", declarou Serra ao conceder longa entrevista à rádio Jovem Pan. É uma inversão da teoria popularizada pelo norte-americano James Carville, marqueteiro de Bill Clinton nos anos 90 -a famosa frase "é a economia, estúpido".
No novo figurino de quase candidato a presidente, Serra até usou uma metáfora. A alegoria poderia ter saído da boca de Lula. Se a economia está em boas condições, afirmou o tucano, a eleição de 2010 será como decidir sobre a substituição do motorista de um ônibus que está andando bem. O eleitor escolherá quem estará mais apto a continuar a conduzir o ônibus.
Mais adiante, Serra defendeu o direito de FHC criticar Lula. Perguntou por que só alguns ex-presidentes poderiam falar, como José Sarney e Fernando Collor, ambos pró-PT. Ofereceu então uma provocação: "Se você pudesse votar no passado [num ex-presidente], você votaria em quem? Fernando Henrique, Collor ou Sarney?".
Para arrematar suas alfinetadas, o governador paulista desdenhou o encontro entre Aécio Neves e Ciro Gomes -este, o maior produtor de diatribes anti-Serra da política brasileira. A possível e anunciada joint-venture Aécio-Ciro não teria "consequência nenhuma", até porque "[Ciro] não vai fazer nada que o Lula não queira".
Tudo considerado, Serra entrou em campo. Mas sua teoria de a economia não decidir eleição soa exótica, para dizer o mínimo. Só se explica pela necessidade de o tucano tentar calibrar o discurso pré-eleitoral. Por enquanto, como fica óbvio para quem escuta, ele está na fase de tentativa e erro.

domingo, 22 de novembro de 2009

Deus é grande

A justiça divina às vezes acontece: o Flamengo só empatou e o tricolor segue na liderança. Agora são dois jogos, um ponto de diferença. E o tal "mengão" tem de encarar o gordômeno Ronaldo. Este blog reitera o pedido ao Juvenal que providencie um passe livre para o atacante corintiano no Bahamas, em caso de vitória alvinegra. Mas é bom lembrar aos desavisados que se o tricolor ganhar as duas restantes, não vai precisar da mão amiga de ninguém.

Vale a pena conhecer

Está no blog Com Texto Livre e é sensacional o post sobre um novo movimento que emerge no Brasil: "Eu também sou filho de FHC".

Este blog inveja a criatividade e lamenta não ter pensado antes em fundar e levar adiante a tal jornada cívica. O Pai da Pátria certamente ficará orgulhoso de seus filhos todos, que não fogem à luta nem adoram a própria morte, mas preferem Barcelona, Lisboa ou um cantinho discreto no Senado Federal de banânia mesmo. E mais não dizemos.

PS: Aliás, dizemos sim: não é fácil o que já tem de cineasta por aí querendo fazer um filme sobre FHC, para rivalizar com o de Lula. O nome seria: "Todos os filhos do presidente"... Gente maldosa.

Cariocada em curso

Como era de se esperar, o tricolor foi "operado" no Engenhão. Agora o Flamengo vai ganhar do Goiás com a mãozinha amiga. Tudo como dantes no quartel de abrantes...

Apesar da "gandulagem", 1 a 1:
nem a cariocada segura o tricolor?

Vamos ver o que vem por aí: o clima não está bom no Engenhão. Gandulas que não devolvem a bola é uma coisa tão antiga, tão amadora, tão... carioca! Não dá nem para comentar. Apesar dos percalços, o São Paulo já empatou e se continuar no mesmo ritmo (impossível nos 35 graus do Rio), poderia golear. Se ganhar, está ótimo. Se empatar, está bom. Naturalmente, o Flamengo já está sendo beneficiado - vai jogar à noite. Depois o pessoal acha que o blog pega no pé dos cariocas... Enfim, se a "gandulagem" e a arbitragem não virarem gatunagem no segundo tempo, a liderança permanece. E aí, é contagem regressiva para o caneco, porque problema mesmo é o jogo de hoje.

Lula, FHC e Caê, tudo a ver...

Está muito engraçado o vídeo abaixo. Atenção para a surpresa final, é realmente hilária, o blog não vai estragar o deleite dos leitores contando o que é, então vale mesmo a pena assistir.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Afinal, quem manda no PSDB?

A nota abaixo está no blog do jornalista Ricardo Noblat. Vale a leitura, antes das conclusões:

Serra diz que só vai se envolver com eleições em 2010

Em resposta ao pedido dos diretórios estaduais do PSDB que querem antecipar a escolha do candidato a presidente pelo partido, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) reforçou nesta quinta-feira, 19, em Curitiba que não vai se envolver em campanha eleitoral "até o momento em que nos aproximemos da época da desincompatibilização". O outro presidenciável do partido, o governador mineiro, Aécio Neves, aproveitou a cobrança dos tucanos nos Estado para voltar a pedir a antecipação do processo de escolha.

Bem, é simples a questão: quem, afinal, manda nesta esbórnia chamada PSDB? O jogo agora parece meio surreal: no PT, não há ninguém, neste momento, contestando a candidatura da ministra Dilma Rousseff. Já no ninho tucano, o clima é meio parecido com o que rolou ontem no Estádio Olímpico. Serra deve ser o Obina, Aécio tem jeito de Danilo. O fato é que os dois companheiros se estapearam em público e este blog está curioso para ver até quando vai a paciência do governador paulista. Serra gostou de ser chamado de "coiso" por Ciro Gomes, ao lado de Aécio Neves? Não, certamente não gostou.

Mas calou o bico, em nome de seu próprio desejo de se tornar o sucessor de Lula. Este blog avalia que, até aqui, Aécio tem jogado muito melhor do que Serra. Muito é pouco neste caso, porque o governador prefere se decidar a questões menores, que acha grandes. Até agora, porém, não resolveu o básico - Febem (Fundação Casa) e Segurança Pública, atributos do governo do Estado. O que é de Lula, Serra manda brasa; em seu quintal, comporta-se como se estivesse fora da disputa. Não está, e terá que dar a cara para bater. Pode não ser bom.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ano sabático para o tricolor

O campeonato brasileiro ainda não acabou, mas o jornalista Ricardo Kotscho, em seu blog, escreveu em uma linha a solução para os problemas do futebol nacional: é preciso que o São Paulo Futebol Clube tire um ano sabático em 2010 para que as demais agremiações tenham alguma chance de se tornarem campeãs do Brasileirão. Do contrário, perde a graça.

Este blog concorda: o tricolor deveria disputar, como convidado, algum campeonato na Europa. Talvez por mais de um ano - um giro completo seria o ideal: Inglaterra, Espanha, Itália e França. Se bobear, o clube volta para o Brasil com quatro canecos. Enquanto isto, curintians, parmeira, santus, framengo e fruminense poderiam medir forças e treinar muito para a volta do Campeão. Sim, é preciso sempre lembrar: o Campeão voltou! Sorry, periferia, mas é simples assim.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Quem avisa, amigo é

Corre o boato que foi o palmeirense José Serra quem aconselhou Obina a não levar desaforo para casa. E que ele mesmo, o governador, estava no Olímpico nesta fatídica noite de quarta-feira. Deve ser tudo verdade, mas o fato é que este blog aposta um Red Label na desclassificação do poderoso alviverde do G4. É isto mesmo: o time de Muricy não vai para a Libertadores de 2010. Quem viver, verá! E quem quiser apostar pode mandar um e-mail para o blogueiro. Se a nação alviverde for tão esperançosa como a corintiana, o autor destas Entrelinhas vai passar 2010 tomando scotch de graça...

Palmeiras patético

Não dá para não rir. Coitado do professor Belluzzo, vai ter muito trabalho pela frente para amainar as coisas no Parque Antártica. O time perdeu a cabeça. Pode até virar o jogo contra o Grêmio, mas está com uma cara de fim de festa inacreditável. Até briga de rua os jogadores estão aprontando no gramado do Olímpico. Entre eles, o que é pior...

Um Lugo brasileiro?

Este blog nem vai reproduzir, quem quiser saciar a curiosidade, que vá lá no Cláudio Humberto e leia a nota "Ex-empregada afirma ter um filho com FHC". Só não dá para não comentar: se as coisas continuarem neste ritmo, logo mais Fernando Henrique Cardoso ganhará o garboso apelido de "Lugo brasileiro". Segundo ponto, muito importante: pelo que descreve o ex-porta-voz de Collor de Mello, a célebre frase "eu tenho um pé na cozinha" já está devidamente explicada. Ou, pensando melhor, não é bem o pé que foi para a cozinha...

Tudo somado, a verdade é que o senador Renan Calheiros é realmente um grande injustiçado. Sortudo, mas injustiçado...

Justiça errou: cariocada a caminho

A suspensão, no STJD, dos jogadores Jean, Dagoberto e Borges por três partidas é um absurdo completo e absoluto. É evidente que está em curso uma armação para tirar o tetracampeonato do glorioso tricolor do Morumbi. E o Flamengo é o candidato a, literalmente, roubar a taça que, por merecimento, já deveria estar sendo despachada para a sede do São Paulo, no bairro do Morumbi. Ok, é bem verdade que não é bom para o marketing do campeonato brasileiro que um mesmo time leve quatro vezes seguidas a taça para casa, mas a verdade é que ninguém conseguiu ser mais competente que o tricolor paulista. Sim, é simples assim, só a ladroagem - que já começou - pode tirar o hepta-tetra do SPFC neste ano da graça de 2009. E o palpite do blog é que, apesar das tentativas, a taça vai mesmo é para o Morumbi.

Justiça acertou: decisão é de Lula

Muito natural e correto o entendimento do STF de que cabe ao presidente da República a decisão sobre a extradição de Cesare Battisti. Estranho seria o Judiciário decidir a questão e mandar executá-la. Claro que a execuçãodo que foi decidido cabe ao poder... Executivo. Analistas de direita estão dando como certo que Lula vá negar a extradição e manter Battisti no Brasil. Bem, é o cenário mais provável, mas este blog não está tão certo de que isto realmente venha a ocorrer. Talvez o presidente prefira seguir a decisão do Judiciário justamente para que ninguém diga que ele resolveu a questão sozinho. Melhor esperar e ver o desfecho da história.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Aécio: se Serra vence, o Brasil para

Com amigos assim, o governador José Serra deveria dispensar os inimigos. Só para lembrar: Aécio Neves é tão tucano como Serra e não pode mais deixar o partido para disputar a eleição de 2010. No PSDB está, no PSDB ficará. A nota é da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

NUNCA MAIS
Em conversa recente com empresários, Aécio Neves (PSDB-MG), cada vez mais empenhado em convencê-los de que teria mais condições de governabilidade na Presidência da República do que José Serra, insinuou que, se o tucano paulista ganhar as eleições de 2010, “o governo pode parar”. Tudo por causa da radicalização do PT e dos movimentos sociais. “E aí vai ser aquela saudade imensa [do presidente Lula]. Em quatro anos, ele [Lula] volta e nós nunca mais ganhamos as eleições neste país.”

Iglecias: semana boa ou semana ruim?

A seguir, mais uma colaboração do professor Wagner Iglecias para o Entrelinhas. Como sempre, direto ao ponto.

Semaninha dificil para nossos principais políticos a que passou, não?

Tudo caminhava bem para o Planalto, com Lula recebendo o titulo de estadista do ano na Europa, Dilma subindo nas pesquisas e manchetes elogiosas ao Brasil aparecendo na imprensa internacional. Mas eis que veio o apagão, nos lembrando que nem tudo entre nós funciona na base do "nunca antes na História deste país".

Ato contínuo, a oposição vislumbrou a oportunidade de desgastar o governo, jogando-o na vala
comum dos apagões do passado, e, mais do que isto, carimbar em Dilma Roussef, responsável pela área das Minas e Energia no primeiro mandato de Lula, a pecha de má gestora. Mas eis que o "sobrenatural de Almeida" parece ter entrado em cena e a vingança dos governistas veio
a cavalo, ainda que involuntária, obviamente. Em plena sexta-feira 13 cairam as pesadíssimas vigas das obras do trecho sul do rodoanel, menina dos olhos das obras que o governador e candidato a presidente José Serra provavelmente exibirá no horário eleitoral da campanha do
ano que vem.

Como diz o outro, "yo no creo en las brujas, pero...".

Superstições a parte, Lula saiu-se com algo como "se Deus quiser isso (o apagão) não vai acontecer novamente", enquanto Serra mandou algo na linha do "pelo menos ninguém morreu", sobre o impressionante acidente no rodoanel.

O cidadão, atônito, vê os dois principais governantes do país demonstrarem a fragilidade do discurso da eficiência diante de dois fatos tão espetaculosos. Quem sabe, melhor assim. Quando Lula e Dilma chamarem para si um cabedal de sucessos na campanha de 2010 não faltará quem lembre a sociedade que naquelanoite de terça-feira boa parte do país ficou às escuras, à mercê do
acaso.

Quando Serra e os demo-tucanos perfilarem para o eleitor suas qualidades de gestores responsáveis e competentes não faltará quem recorde o eleitor que já não foi a primeira vez que uma obra pública em SP apresentou falha inacreditável. A semana passada foi boa, afinal, de fato, ninguém morreu. E nossos homens públicos se mostraram, ainda que a contragosto, bem menos perfeitos do que pensam.

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor de Gestão de Políticas Públicas da USP

Alô, Serra, Cesar Maia quer carinho

A matéria abaixo está na Folha de S. Paulo desta terça-feira. Ao que parece, o pessoal do DEM e PSDB está precisando discutir a relação. Não fica bem para o governador José Serra ter no partido aliado um dos líderes mais importantes, pai do presidente nacional da legenda, tão crítico de sua pessoa. Este blog acha que Cesar Maia está carente, precisando de uma boa conversa e de um ouvido compreensivo. Se Serra não der atenção ao ex-prefeito, vai aparecer quem dê. Lá em Minas, por exemplo, há alguém cheio de amor para dar. Abre o olho, José Serra...

Serra lembra os "piores caudilhos", diz Cesar Maia

Democrata endossa discurso de seu filho de apoio a Aécio

DA REPORTAGEM LOCAL

A relação entre PSDB e DEM sofreu novo abalo ontem. A exemplo do filho, o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia (RJ), o ex-prefeito do Rio Cesar Maia disse que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), "lembra os piores caudilhos" ao avocar para si a decisão sobre a candidatura do PSDB à Presidência.
Hoje, Serra lidera as pesquisas para presidente. Mas, assim como o filho, Cesar Maia elogia o governador de Minas, Aécio Neves. Em entrevista ao portal iG, Maia chamou Serra de personalista. Procurado pela Folha, reiterou as críticas.
"O Serra diz que quer ser candidato, que será candidato, que pode ser candidato, e o partido parece não ter nada a ver com isso. É um populismo descarado. Lembra os piores caudilhos. Um caudilho do passado apontava o dedo para o candidato. Agora o próprio candidato aponta o dedo para si", disse, queixando-se da disposição de Serra de só se manifestar sobre a eleição em março.
Contrariado, Serra não quis comentar a declaração. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), cobrou um discurso mais construtivo. "O esforço agora é juntar todas as energias. A contribuição de Maia é fundamental. E isso implica um discurso de maior colaboração e mais construtivo."
Em Alagoas, Aécio defendeu que a escolha aconteça até janeiro e disse que "gostaria muito" de ter Ciro Gomes (PSB-CE) -desafeto de Serra- como aliado. Afirmou ser "concreta" a possibilidade de Serra não concorrer à Presidência.
(CATIA SEABRA)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Cadê a crise que estava aqui?

Parece mesmo que o gato comeu a crise financeira global, pelo menos no Brasil. Mas é claro que Míriam Leitão vai achar um jeitinho de dizer que o melhor outubro da história para o mercado de trabalho formal no país não é lá essas coisas... Ou então que é mérito dos "fundamentos" erigidos pelo gigante FHC.

Brasil gera 230 mil empregos e tem melhor outubro da história

LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

O mercado formal brasileiro registrou a criação de 230.956 vagas em outubro deste ano, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Trabalho. É o melhor resultado da série histórica, que começa em 1992.

No ano, foram registrados 1,163 milhão de empregos de janeiro a outubro deste ano. No mesmo período do ano passado, foram criados 2,147 milhões.

Maluf quer Serra presidente do Brasil

O que vai abaixo está no blog do Josias de Souza, jornalista da Folha de S. Paulo. Sim, apoio não se recusa, se Maluf apoiar Dilma, ela certamente aceitará de bom grado a força que doutor Paulo pode dar. Mas a questão não é esta. A questão é quem Maluf prefere, isto diz muito dos candidatos que estão na disputa presidencial. E o coração dele bate mais forte por José Serra...

Presidente do PP-SP, Maluf pende para apoio a Serra

A depender da vontade do deputado Paulo Maluf, presidente do diretório do PP em São Paulo, o partido fecha com José Serra, não com Dilma Rousseff.
Em privado, Maluf diz: “Não tenho nenhum problema com o Serra. Se houver um acordo político que abra espaços para o PP, podemos negociar tranquilamente”.
Nesses diálogos reservados, Maluf realça os laços que o unem também ao DEM, parceiro de Serra na política de São Paulo.
Considera-se um impulsionador das carreiras políticas de Gilberto Kassab, prefeito da capital, e de Guilherme Afif, secretário de Emprego da gestão Serra.
“Não digo que os dois são minhas crias porque eles já atingiram a maioridade. Mas eles começaram na política comigo”.
Maluf dá de barato que o candidato do PSDB será Serra, não Aécio Neves. Acha que a sucessão de Lula será decidida no maior colégio eleitoral do país.
“São Paulo tem 22,5% dos eleitores do país. São 30 milhões de eleitores. Se o Serra levar 20 milhões de voto, sobram 10 milhões para a Dilma...”
“...Sinceramente, será muito difícil tirar essa diferença”. Lembra que, “em 89, o Lula perdeu a eleição para o Fernando Collor graças a São Paulo”.
“O Lula ganhou no Rio. Mas perdeu em São Paulo. A diferença foi de 4 milhões de votos. Na soma nacional, Lula perdeu por 1 milhão de votos”.
Recorda, de resto, que Lula foi batido em São Paulo nas duas eleições em que FHC prevaleceu sobre ele, em 1994 e 1998.
Afirma que, mesmo nas duas eleições em que triunfou, Lula perdeu em São Paulo –em 2002, para Serra; em 2006, para Geraldo Alckmin.
“O PT, com Lula, perdeu em São Paulo até para o Alckmin. É humilhante, mas é verdade”, diz Maluf. Acha que Dilma terá maiores dificuldades que o chefe.
Assediado pelos dois lados, o PP administra o seu patrimônio eletrônico com a barriga. Empurra a decisão para meados de 2010.
Há 20 dias, a bancada de congressistas da legenda jantou com Dilma, em Brasília. O repasto não resultou em apoio à presidenciável oficial.
Uma semana depois, o senador Francisco Dornelles (RJ), presidente do PP, almoçou, em São Paulo, com os grão-tucanos FHC e Sérgio Guerra. E nada.
Sócio minoritário do consórcio governista, o PP dá suporte congressual a Lula. Mantém na Esplanada um ministro: Márcio Fortes (Cidades).
A despeito disso, frequenta a ante-sala de 2010 dividido em três partes. Um pedaço da legenda quer a aliança com Dilma. Outra parte prefere Serra.
Um terceiro grupo advoga a tese de que o partido não deve fechar com nenhum dos dois, privilegiando as alianças estaduais.
No caso de São Paulo, a dúvida é: o apoio explícito de Maluf ajuda ou atrapalha?

domingo, 15 de novembro de 2009

Pausa esportiva

Hepta ou tetra? Este é o doce dilema tricolor. Porque salvo o advento de uma cariocada absurda, mas que não se pode nunca descartar, o São Paulo Futebol Clube está com a mão na taça do Brasileirão. Tem duas paradas duras pela frente - Botafogo e Goiás fora de casa -, mas com o time jogando de maneira convincente e com raça, como ocorreu neste sábado, fica difícil para os adversários.
É, parece que a coisa está como a torcida grita: "voltou, o campeão voltou". E talvez nunca tenha sido tão fácil. Sim, o blog concorda: torcer para o São Paulo é mesmo uma grande moleza.
Em tempo: este blog prefere falar em hepta. Um número bonito, o sete...

sábado, 14 de novembro de 2009

Dois pesos, duas medidas

Manchete do UOL nesta tarde de sábado:

Rodoanel (SP)
Petistas usam acidente
para atacar José Serra


Este blogueiro não viu no UOL a manchete:

Apagão
Tucanos usam blecaute
para atacar Dilma Rousseff


Por que será?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Duas capas

Credibilidade é tudo no jornalismo. O leitor escolhe o que prefere ler...

A comunista The Economist:



Ou a sempre correta Veja:

Choque de gestão: Rodoanel desaba

Está no Estadão.com, dispensa comentários. O bom é que quando a coisa acontece com o PSDB paulista, sempre há uma explicação clara e lúcida para este tipo de evento. O buraco do metrô de Pinheiros está aí que não nos deixa mentir...

Obra do Rodoanel desaba sobre rodovia Régis Bittencourt em SP

Maíra Teixeira, da Central de Notícias

SÃO PAULO - Pelo menos três pessoas ficaram feridas na noite desta sexta-feira, 13, após a queda de vigas de sustentação de um viaduto em construção no Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.
Três vigas caíram sobre um caminhão e dois carros de passeio no km 279 da Rodovia Régis Bittencourt, no sentido São Paulo. Segundo os bombeiros, há vítimas leves e graves. Não há informações se houve alguma morte.
As três vigas que desabaram fazem parte de um lote de dez. Essas vigas foram içadas recentemente, entre os dias 7 e 10 de novembro.
O tráfego está interditado na pista do acidente, sentido São Paulo, e um desvio foi feito 800 metros antes do local do acidente, obrigando os motoristas a passar por dentro do município de Embu para seguir viagem. O tráfego está liberado no sentido Curitiba, que enfrenta lentidão.

Mudanças na mídia: teles em ação

Conforme adiantado neste blog – ainda não era possível contar a história toda –, vale a pena comentar um pouco as mudanças em curso no sistema de comunicação do Brasil. Muita gente já percebeu, mas talvez não tenha ainda a real dimensão do que está ocorrendo. A cada dia que passa, fica mais claro o posicionamento das operadoras de telefonia - fixa e móve -, que apenas aguardam modificações na legislação para entrar de cabeça no mercado de mídia - televisão, especialmente. Na internet, veículo em que as teles já podem atuar, é possível perceber o movimento de forma bastante clara. Vamos aos fatos concretos.

Na semana passada, o Observatório da Imprensa, site do qual este blogueiro é Editor Executivo, foi comunicado pelo portal iG, hoje umbilicalmente ligado à operadora Oi, que o contrato de hospedagem e fornecimento de conteúdo não seria renovado. A partir de dezembro, o Observatório estará hospedado em outro servidor e deixará de receber a mensalidade que o iG pagava - um recurso importante para a operação do site. E não foi só o Observatório. Praticamente todos os parceiros do iG em situação semelhante à do OI já foram avisados (ou estão sendo) sobre a não-renovação dos contratos. A ideia do portal iG agora é reforçar a sua marca. Para tanto, contratou o jornalista Eduardo Oinegue, ex-Veja, que comanda a reestruturação, ou, em palavras mais chiques, o "reposiconamento da marca".

Desde que assumiu, Oinegue vem provocando um verdadeiro terremoto no mercado de trabalho jornalístico, contratando profissionais com salários bem altos. Um repórter que cobrirá o Congresso Nacional em Brasília vai receber R$ 12 mil mensais. Somando os encargos trabalhistas, é o mesmo que o iG pagava ao site parceiro Congresso em Foco, que possui uma redação bastante aguerrida e vem recebendo prêmios de jornalismo pela excelência do seu trabalho. Com dinheiro para gastar, Oinegue, porém, preferiu montar sua própria redação em Brasília, sob o comando do experiente Tales Faria. Contratou Matheus Leitão, filho de Marcelo Netto e Míriam Leitão, o repórter que deu o "furo" do caso Francenildo para a Época, e Christiane Barbieri, ex-Folha, com passagem relâmpago pelo Brasil Econômico. Em São Paulo, Eduardo Oinegue já tirou Guilherme Barros da mesma Folha e deu a ele uma coluna no portal, com dois repórteres - repórteres mesmo, não estagiários.

Mas tudo isto é na verdade apenas a ponta do iceberg, para usar um jargão proibido em qualquer redação séria. O iG está rico e forte porque por trás dele está a Oi. Isto é fato. Pouco tempo atrás, a revista Veja deu uma notinha na coluna Radar, de Lauro Jardim, informando que a Oi estaria procurando um jornal impresso para comprar. E pelo que este blog apurou, tão logo a legislação permita, a operadora entra também no mercado de televisão.

A Telefônica, aliás, já oferece TV por assinatura e também não está parada e embora seu investimento em internet seja bem mais comedido que o do iG, o modelo é o mesmo: aposta no conteúdo próprio.

É evidente que em poucos anos o panorama da mídia brasileira será outro. A Oi nasceu com faturamento de R$ 30 bilhões ao passo que a Rede Globo, líder entre as emissoras brasileiras, não consegue mais do que R$ 8 bilhões por ano. A diferença é brutal. A Telefonica de Espanha, por exemplo, tem de lucro o que a Globo fatura por ano. Não há competição possível, é óbvio que as teles vão engolir as emissoras nacionais todas e dominar este mercado. Os mais espertos - e a Globo é espertíssima - poderão se tornar fornecedores de conteúdo para as teles, que não têm, ainda, know how neste ramo.

E, afinal, como será o futuro da mídia brasileira com a preponderância das teles? Não dá, ainda, para saber. Vai circular mais dinheiro, porém haverá tembém muita sinergia entre as empresas subsidiárias, no campo de mídia, das enormes empresas de telefonia, cujo core business sempre será telefonia mesmo...

Alguns românticos terão saudade do tempo das empresas familiares, talvez esquecendo o quão ruim também foram as administrações deste tipo no jornalismo brasileiro. A questão das teles não é de todo nefasta para o mercado de trabalho dos jornalistas, por exemplo, mas o é para a construção de uma nação soberana e dona de seu próprio nariz. Nada contra a participação de estrangeiros na mídia brasileira, que de resto, pelo menos no que se refere à televisão a cabo, já existe, é uma realidade, porém uma boa regulamentação que imponha certos limites ao gigantismo das teles pode equilibrar o jogo e permitir que o Brasil possua um sistema de mídia mais parecido com o europeu do que o norte-americano.

Em tempo: o repórter Matheus Leitão não participou da cobertura do caso Francenildo. A reportagem foi assinada por Gustavo Krieger e Andrei Meireles. Este blogueiro errou - e isto acontece no jornalismo. Errar é humano, persistir no erro é burrice.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Serra repete Paulo Maluf e escolhe o 2°

A notícia abaix está na Folha Online e é a cara do governador José Serra (PSDB): ao invés de fazer como fizeram Franco Montoro, Orestes Quércia, Fleury Filho, Mário Covas e Geraldo Alckmin, preferiu usar a prerrogativa que possui - não fez nada de errado, portanto - e imitou Paulo Salim Maluf, escolhendo o segundo colocado na votação na Universidade de São Paulo. Tal fato, portanto, não ocorria desde a ditadura militar. Como se pode ver, o governador mais uma vez dá mostras de toda a sua propalada habilidade política: vai colher crise onde crise não haveria. É simples assim.
Aécio Neves deve ter gostado. Muito.

Serra escolhe 2º colocado em votação para reitor da USP

DIÓGENES MUNIZ
editor de Multimídia da Folha Online

O professor João Grandino Rodas foi escolhido pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), para o cargo de reitor da USP (Universidade de São Paulo). Segundo apurou a Folha Online, a decisão foi tomada nesta noite pelo político tucano e só deve ser anunciada oficialmente amanhã.
Rodas disputava o cargo com Glaucius Oliva e Armando Corbani Ferraz --ambos receberam apoio extraoficial da atual reitora, Suely Vilela, com quem Serra possui divergências. O escolhido pelo governador foi o segundo mais votado.
Serra tem autonomia para escolher qualquer um dos três candidatos. Mas, tradicionalmente, a escolha recai sobre o primeiro da lista --a última vez que a tradição foi quebrada ocorreu em 1981, quando o então governador Paulo Maluf optou por Antônio Hélio Vieira, quarto de uma lista sextupla feita na época.
João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito recebeu apoio de três ex-reitores (Guerra Filho, Fava de Moraes e Adolpho Melfi) e de ex-ministros (três de Estado, um do Supremo Tribunal Federal e um do Superior Tribunal Militar).

Apagão de idéias

Ler os blogs da direita tentando fazer a festa com o blecaute, comparando o atual com o longo e prolongado apagão de FHC, é uma coisa tão patética que dispensa maiores comentários. Cabe apenas observar que a questão energética é séria e qualquer pessoa que entenda de aritmética, minimamente, consegue entender que com crescimento econômico mais forte, o consumo de energia aumenta e são necessários investimentos maiores. O problema é que os investimentos precisam ser planejados, coisa que o príncipe da sociologia que governou o país não fez. Lula vem investindo, apesar dos óbices ambientalistas. Ou bem esta gente decide se é partidária do regressismo, ou entende que é preciso de obras para fazer um país andar para frente. É simples assim.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Alô, Belluzzo, manda desligar a luz!!

Dois a zero para o Sport. O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo deve estar voando para Itaipu neste momento. Outro apagão seria providencial para a sua equipe. O problema é que não adianta apagar a luz, o apagão é mesmo futebolístico. Melhor o presidente se contentar com o G4, até porque não será fácil permanecer por ali. E no fundo, é por isto mesmo que a turma sempre diz: torcer para o São Paulo é uma grande moleza...

Teria sido coisa do Belluzzo?

Dizem as más línguas que o apagão de ontem teve o dedo de Luiz Gonzaga Belluzzo, o presidente do Palmeiras. A intenção seria adiar o jogo do verdão nesta quarta-feira - Belluzzo já havia dito que iria "peitar a Globo" para mudar a data da partida e evitar a pressão sobre o seu elenco. Não deu certo: a luz já voltou. E o Palmeiras terá que jogar hoje mesmo, salvo, é claro, novo apagão. Fiquem de olho.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Mídia brasileira em transformação

Ainda não é possível anunciar, mas logo os leitores deste blog serão informados. Está em curso no sistema midiático brasileiro uma série de mudanças bastante relevante e que deve alterar, a médio e longo prazo, o perfil deste setor no país. A novidade tem nome: operadoras de telefonia. Elas estão entrando no jogo com muito dinheiro e em breve dominarão não apenas as mídias eletrônicas (internet, sobretudo), mas também a impressa e televisiva. O Oi/iG é um exemplo claro deste movimento e o que está sendo feito por lá sob o comando de Eduardo Oinegue, ex-Veja, é um espanto. Voltaremos ao assunto.

domingo, 8 de novembro de 2009

Pausa esportiva

Nem é preciso comentar muito hoje, não é? Conforme a previsão deste blog, o tricolor já está com a mão na taça. Suínos, sorry, mas agora o melhor é lutar para manter a posição no G4, porque não vai ser fácil, não. Galo e Mengo estão colados, o Inter vem aí. Sim, só para lembrar: voltou, o campeão voltou...

Elio Gaspari explica: governo Lula tem
discurso e a comparação lhe é favorável

Vale a pena ler o artigo abaixo, corrobora o que este blog tem escrito sobre o mesmo assunto: a oposição não tem discurso e o governo poderá liquidar a fatura em 2010 com certa facilidade, se explorar justamente a compração feita pelo jornalista Elio Gaspari, em sua coluna deste domingo, publicada em diversos jornais do país.

Duas crises financeiras, dois resultados

Na crise de 97/99 o tucanato avançou no bolso da patuleia, na de 2008 Nosso Guia apostou no consumo

Um malvado devorador de números fez um exercício e comparou as iniciativas tomadas pelo tucanato durante a crise financeira internacional de 1997/1999 com as medidas postas em prática pelo atual governo desde o ano passado. Fechando o foco nas mudanças tributárias, resulta que os tucanos avançaram no bolso da patuleia, enquanto Nosso Guia botou dinheiro na mão da choldra.
Entre maio de 1997 e dezembro de 1998 o governo remarcou, para cima, as alíquotas de sete impostos, além de passar a cobrar um novo tributo.
A alíquota do Imposto de Renda do andar de cima passou de 25% para 27,5%. O IOF de créditos pessoais dobrou e aumentaram-se as dentadas nas aplicações. O IPI das bebidas ficou 10% mais caro, e a alíquota do Cofins passou de 2% para 3%. Tudo isso e mais a entrada em vigor da CPMF, que arrecadou R$ 7 bilhões em 1997.
A voracidade arrecadatória elevou a carga tributária de 28,6% para 31,1% do PIB. O produto interno fechou 1998 com um crescimento de 0,03% e a taxa de desemprego pulou de 10% para 13%. Em 1999, o salário mínimo encolheu 3,5% em termos reais.
A crise financeira mundial de 2008/ 2009 foi mais severa que as dos anos 90. Em vez de aumentar impostos, o governo desonerou setores industriais, baixou o IPI dos carros, geladeiras e fogões, deixando de arrecadar cerca de R$ 6 bilhões nos primeiros três meses do tratamento.
Uma mudança na tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas, resolvida antes da crise, deixou cerca de R$ 5,5 bilhões na mão da choldra. A carga tributária caiu de 35,8% do PIB para 34,5%. Em 2009 o salário mínimo teve um ganho real de 6,4%.
O desemprego deu um rugido, mas voltou aos níveis anteriores à crise. Ao que tudo indica, a crise de 2008 sairá pelo mesmo preço que a de 1997/98: um ano de crescimento perdido.
As duas situações foram diferentes, mas o fantasma do populismo cambial praticado pela ekipekonômica de 1994 a 1998 acompanhará o tucanato até o fim de seus dias. O dólar-fantasia teve uma utilidade, ajudou a reeleger Fernando Henrique Cardoso. Ele derrotou Lula em outubro, e o real foi desvalorizado em janeiro.

Dica de leitor


Engraçadinha a fotomontagem enviada pelo caríssimo Luis Gaspar - obrigado pela gentileza, esta e as outras! De fato, a piada se aplica também ao alfabetizado Caetano Veloso, autor do livro mais chato que este blogueiro já leu na vida (e se arrepende amargamente da leitura, é bom que se diga).
Umbigo por umbigo, ego por ego, a disputa entre FH e Caê terminaria empatada mesmo após cobranças de pênaltis. A inveja, realmente, é uma merda...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Tornando o difícil muito fácil

Estupenda a entrevista publicada nesta sexta-feira no Valor Econômico. É possível discordar de Maria Conceição Tavares em muitos pontos, mas a clareza e a lógica do raciocínio impressionam. Abaixo, na íntegra, para os leitores do blog, merece ser lida e relida. Mérito da entrevistada e da entrevistadora.

É ela mesmo, 55 anos depois

Por Vera Saavedra Durão, do Rio

Conceição, certa de que "a coisa cambial" vai mudar no próximo governo: "Nosso problema básico é o câmbio. Tem que dar um jeito. Nem Dilma nem Serra estão a favor dessa política"

Fiel ao seu estilo questionador e arrebatado, a economista Maria da Conceição Tavares continua contestando as apostas dos mercados financeiros. "A crise não acabou", alerta a decana dos economistas brasileiros e representante da tradição crítica do pensamento econômico latino-americano, no melhor estilo de Celso Furtado. "Com a subida das bolsas, fica todo mundo no oba-oba e parece que passou. O mau sintoma é justamente a bolsa ter refluído, os bancos terem voltado a ganhar dinheiro. Isso é simplesmente aparência."

Conceição, como é sempre chamada, fala com ceticismo sobre as perspectivas da economia americana. "O Estado está tendo de sustentar como um Hércules todo um sistema falido, mas não consegue fazer as coisas mudarem de rumo, não tem se mostrado ativo. Está fraco e isso é ruim."

A seu ver, o governo Obama não está tendo apoio suficiente para fazer as mudanças necessárias. "Não dá para fazer reforma da saúde porque os laboratórios e os seguros de saúde não querem. Não dá para fazer reforma financeira porque os bancos não querem. Como é uma sociedade de lobby pesado, fica difícil reformar."
AP
Foto Destaque
Conceição vê Barack Obama de mãos amarradas, cercado de lobistas que o impedem de fazer reformas essenciais e pressionado para que interrompa os gastos fiscais antes da hora adequada

Os Estados Unidos não têm, aparentemente, uma "saída boa", diz. Para ela, todas as indicações de estagnação mais longa estão presentes na economia americana, o que coloca a liderança do país sobre a economia mundial em xeque. "Eles não têm mais liderança nenhuma. Têm peso político, diplomático e militar. Mas isso não é liderança. É império. Não têm como resolver seus problemas [financeiros e militares], nem conseguem avançar. São um império congelado."

Conceição se diz pela primeira vez otimista com o Brasil de Lula. "Ele é um gênio político." Mas adverte que o problema básico da economia brasileira, no momento, é o câmbio. "O Brasil não pode continuar engolindo dólares."
luiz carlos Murauskas / Folha Imagem
Foto Destaque
Sobre o governo Lula da Silva: "Só a classe média alta e a grande imprensa são contra. Contra não sei o quê. Caiu a inflação. Portanto, mantiveram a política econômica dura. Perdi a parada, mas fico contente"

Conceição tem 55 anos de Brasil. Chegou em fevereiro de 1954, casada com o engenheiro português Pedro Soares. A filha Laura nasceria meses depois. Naturalizou-se em 1957. Seu segundo marido, Antonio Carlos Macedo, professor de ciências biológicas da UFRJ, é o pai de Bruno, 44 anos. É amistoso seu relacionamento com os ex-maridos.

Portuguesa de Anadia, nascida em 24 de abril de 1930, formada em matemática em Lisboa, Conceição conta que optou pela economia influenciada por três clássicos do pensamento econômico brasileiro: Celso Furtado (1920-2004), Caio Prado Jr. (1907-1990) e Ignácio Rangel (1908-1994) - que a despertou para as questões relacionadas ao capital financeiro. "Eles marcaram profundamente minhas ideias."
Boitempo Editorial / Folha Imagem / Acervo UH-Folha Imagem
Foto Destaque
Caio Prado Jr.

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Conceição foi aluna de Octávio Gouvêa de Bulhões (1906-1990) e Roberto Campos (1917-2001). Escreveu centenas de artigos e vários livros, dos quais o clássico dos clássicos é "Auge e Declínio do Processo de Substituição de Importações no Brasil - Da Substituição de Importações ao Capitalismo Financeiro", de 1972. O texto original foi escrito no fim dos anos 1960, quando chefiava o escritório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) no Brasil. Na época da ditadura militar, autoexilou-se no Chile, depois de escapar da prisão graças à intervenção de Mario Henrique Simonsen, seu ex-aluno, ministro do governo Geisel.

Teve rápida passagem pelo MDB, então partido de oposição à ditadura militar. Em 1994, foi eleita deputada federal pelo PT do Rio de Janeiro, ao qual continua filiada. Aposentou-se como catedrática do Instituto de Economia da UFRJ, onde é professora emérita, e da Universidade de Campinas (Unicamp). Mas permanece ativa, dando cursos de economia internacional no Instituto Rio Branco e aulas na pós-graduação da UFRJ.

No momento, Conceição trabalha num ensaio sobre a América do Sul para um livro que José Luís Fiori, também professor na UFRJ, ex-aluno, a quem conhece desde o exílio, pretende lançar em 2010 sobre questões econômicas, financeiras e sociais da região, temas aos quais sempre esteve ligada.

Mesmo com problemas de bronquite por causa do cigarro - quando deputada, operou um nódulo benigno no pulmão - Conceição ainda consome dois maços por dia. Não tem intenção de parar. Diz que morrerá se deixar de fumar. "Para minha idade, estou ótima", avalia a economista de palavra sempre apaixonada, que pretende comemorar seus 80 anos, em 2010, com os dois filhos, dois netos e os muitos amigos e admiradores.

A seguir, os principais trechos da entrevista que Maria da Conceição Tavares concedeu ao Valor.

Valor: Quais lições podemos tirar da crise ?

Maria da Conceição Tavares: A crise ainda não passou e não deu as lições . Nos Estados Unidos já tem um pessoal dizendo que o gasto fiscal é muito, que isso acaba dando inflação e tem que parar. Se parar o gasto fiscal, como é a única componente ativa que vem sendo acionada pelo governo Obama, as coisas não vão melhorar. Todos os sintomas estão ainda muito embaralhados. E aí sobe a Bolsa de Valores, porque houve uma pequena bolha e o pessoal já começa a dar vivas . O desemprego também não terminou, e há muita capacidade ociosa. Então, todas as indicações que apontam para uma estagnação mais longa estão lá presentes. Não houve nenhuma mudança estrutural até agora para reverter a crise.

Valor: Como fica, então, o papel do Estado neste momento?

Conceição: O Estado americano está fraco. Não está ativo. E está botando o dinheiro todo em cima dos bancos e também em cima do seguro social, do desemprego que subiu muito. Todo o sistema falido, ele sustentando, feito um Hércules, e não está fazendo essa coisa tomar rumo. É um estado fraco, desse ponto de vista. E isso é ruim, porque denota que o governo americano não tem realmente força. Não tem apoio, nem na sociedade, que é dilapidada pelo neoliberalismo, nem no "establishment". Então, não dá para fazer a reforma da saúde porque os laboratórios e os seguros-saúde não querem. Não dá para fazer reforma financeira porque os bancos não querem. Como é uma sociedade de lobby pesado, não tem como reformar. E não tem mecanismos de demanda efetiva do lado do setor privado para aumentar o emprego. O que não é bom.

Valor: Isso significa que a liderança dos Estados Unidos sobre a economia mundial está em xeque?

Conceição: Está. Não tem mais liderança nenhuma. Eles têm peso político, diplomático e militar. Mas isso não é liderança. É império. Eles têm um poder imperial sustentado num poder militar e financeiro. A iniciativa diplomática e militar só visa manter com mão de ferro o que já conquistaram. Mas não têm como resolver os problemas, nem avançar . Os Estados Unidos não podem tomar iniciativa militar em mais lugar nenhum. Primeiro, quem vai pagar e, depois, quem vai dar o apoio? É o império congelado.

Valor: Essa fraqueza americana pode arrastar o mundo para onde?

Conceição: É uma fraqueza sistêmica. O sistema era todo estruturado por eles. Como estão débeis, o sistema fica com um peso morto muito grande. Só tem possibilidade de sair quem tem dimensão para sair, como os BRICs. O que vão fazer o México, a Argentina, o Chile? São todos atrelados à economia mundial. Quem está puxando o comércio é a Ásia. A Alemanha não está puxando mais nada. Se a Europa e os Estados Unidos puxam para baixo, só sobra a Ásia.

Valor: E a China, especificamente?

Conceição: Os chineses estão tentando substituir os americanos nos investimentos em matérias-primas que eles precisam. Estao investindo em toda parte. Em petróleo, em infraestrutura na África. Aqui na América Latina estão vindo para tudo. Siderurgia, portos. Estão fazendo um movimento de expansão não pelo comércio apenas, mas principalmente via investimento direto. Isso é que é novidade. Sobretudo na África. Coitados dos africanos. Saem de um imperialismo e entram em outro.

Valor: A China teria a liderança?

Conceição: O mundo caminha para uma multipolaridade.

Valor: Então, nesse mundo a China pode vir a ser uma liderança ?

Conceição: Aí entra outra questão. Como se resolve o nó do entrelaçamento entre China e Estados Unidos? É uma simbiose. A China tem resolvido não ser agressiva com os Estados Unidos. Do ponto de vista diplomático e militar, tem estado "low profile". Não está dizendo que os Estados Unidos são um "tigre de papel", como na época do Mao. É consenso em Pequim que não é para enfrentar os Estados Unidos. Mas eles têm que resolver esse impasse. O que fazem? Compram ativos dos Estados Unidos? Foi o que o Japão fez e se deu mal. E é claro que eles viram o Japão fazer isso e não vão fazer. Então, estão vindo pela periferia. Que é o correto. O Japão saiu da periferia para investir nos Estados Unidos, disparado. Os chineses não estão fazendo isso. Eles têm participação daqueles fundos soberanos em várias coisas. No Citi, por exemplo. Fazem essas aplicações para sustentar os dólares que têm, para ter alguma aplicação.

Valor: China e Estados Unidos vão se pôr de acordo para garantir uma saída da crise?

Conceição: Difícil. Não vejo nenhuma semelhança de estrutura política e ideológica. São muito dessemelhantes. Se não vão se pôr de acordo, como vai ser? A China abre mão crescentemente do mercado americano e aumenta o mercado no resto do mundo. Ela pode fazer isso. Os Estados Unidos vão fazer o quê? Estão no mundo inteiro, mas são uma potência comercial declinante.

Valor: Vão se voltar para o mercado interno?

Conceição: É o que deveriam fazer, como prometeu Obama, mas aí têm que resolver primeiro a situação da regulação do sistema bancário, das empresas e do desemprego.

Valor: Qual o papel dos BRICs na recuperação da economia global?

Conceição: Vão ter papel importante, porque têm peso específico. Não podem estabelecer uma política comum, porque são estruturas diferentes. Somos uma economia mista, a China é estatal, a Rússia era tudo privado, quebrou tudo, e está em processo de reconstrução pelo Estado. O Brasil não é potência militar, mas tem tomado muitas iniciativas na política externa e vai bem na crise.

Valor: Ben Bernanke, presidente do Fed, anunciou que pode aumentar os juros.

Conceição: Coisa sem pé nem cabeça. A dívida externa e a dívida pública deles, gigantescas, vão ficar caríssimas. Eles estão querendo fazer isso porque estão com medo da inflação. Inflação de demanda não é, porque não tem demanda efetiva. Inflação de custos de matéria-prima também não é, pois não está tendo nenhuma explosão de matéria-prima. Acho que o Bernanke está com medo é de que rejeitem a dívida pública. Ninguém está querendo comprar aqueles papéis [títulos do Tesouro]. Uma forma de atrair investidores seria subir os juros. Mas tudo isso são perfumarias. Não vai para lugar nenhum. A raiz do problema seria a reforma do sistema bancário.

Valor: O que mais, além dessa reforma, o governo americano teria que fazer?

Conceição: Reforçar o papel do Estado e fazer um ajuste global que teria que ser negociado com a China. Os dois países teriam que acertar um acordo na área comercial. Mas não há negociação entre os dois. Os Estados Unidos não têm aparentemente uma saída boa. O Obama está falando no vazio. É por isso que os conservadores prenunciam um golpe.

Valor: Existe esse risco?

Conceição: O primeiro risco que existe é que o matem. Esse é um risco clássico nos Estados Unidos. E existe o risco de ele não se reeleger. Fico com muita pena. Ele seguramente não é o cara. Parecia, mas não é.

Valor: Como as dificuldades vividas pelo Estado americano podem impactar o mundo?

Conceição: Vai depender do resto do mundo. Vamos tentar esquecer um pouco os Estados Unidos. Temos que buscar construir outras lideranças. O ideal é que houvesse um acordo mínimo entre todos os grandes, para aliviar a crise e resolver o problema global. Bastava o G-20, bastavam os 20 se porem de acordo. Mas não há acordo.

Valor: E o dólar?

Conceição: Não dá ainda para tirar o dólar [de seu papel de moeda de reserva internacional]. O dólar está fraco. Os países, em geral, se pudessem, saiam do dólar. Está ruim acumular reservas em dólar. O problema é com os que já estão acumulados, como os BRICs, sobretudo a China.

Valor: O que a China vai fazer com US$ 2 trilhões de reservas?

Conceição: Está empacada. E os títulos americanos que ela detém servem de lastro às reservas. Ela não tem como vendê-los no mercado. Está com um mico na mão. É um patrimônio morto. Não tem o que fazer com as reservas. É como se tivesse no cofre, de um lado, o patrimônio futuro, de fábricas, de realizações etc. e, do outro, um montão de estrume que não pode jogar fora.

Valor: O que pode vir daí ?

Conceição: Prevejo uma coisa arrastada, prolongada, com crises que vêm uma atrás da outra, uma bolha disso, uma bolha daquilo.

Valor: Qual a próxima bolha?

Conceição: A bolsa. Já temos uma aí montada, é a bolsa, que voltou a subir. O pessoal está investindo pesado. Mas isso mostra que o sistema está frágil, ao contrário do que julgam, não é um bom sinal. É um mau sinal. Aqui, no Brasil, por exemplo, na Bovespa, o grosso do dinheiro que está vindo de fora pra cá é pra bolsa. Não é para investimento direto no sentido autêntico da palavra. Direto, vieram US$ 11 bilhões e para a bolsa vieram US$ 17 bilhões, este ano.

Valor: Qual seria a consequência dessa bolha?

Conceição: Volta de novo a afundar. Aí vem nova bolha. Se o mercado de commodities estiver melhor, vão fazer bolha de commodities. Podem fazer outra vez bolha em cima do petróleo. Acho que vamos de bolha em bolha.

Valor: Então, a crise não acabou....

Conceição: É uma falsa euforia. Provavelmente o governo americano vai ter que parar de ajudar o setor privado, pois o déficit fiscal já está em 17% do PIB. Como já socorreram no limite, já gastaram trilhões de dólares, na próxima crise não vão poder socorrer. Foi o que aconteceu no decorrer da crise de 1929. Em 1931 e 1932, nada mudou. Só ocorreu mudança no sistema financeiro depois, quando teve outra crise bancária, em 1933. Na primeira crise ninguém se deu conta, pois despejaram toneladas de dólares em cima dos bancos. Como agora.

Valor: A história pode se repetir?

Conceição: A crise atual começou em 2007 com os empréstimos "subprime". Em 2008 foi o auge. E agora, neste segundo semestre, está com ares de que se vai respirar. Em 2010 pode haver uma recuperação, mas em 2011 ninguém sabe o que pode acontecer.

Valor: Como o Brasil ficaria com uma reforma bancária nos Estados Unidos?

Conceição: O Brasil tem um sistema financeiro público e privado. E os bancos privados não entraram em crise. Já tinham entrado em crise com o Fernando Henrique. Aí limparam e não deixaram de manter o controle. Não temos um sistema financeiro que opera "à la livre". Não existe isso. Temos regulação. Nosso problema básico é o câmbio. Tem que dar um jeito. A coisa cambial vai mudar no próximo governo. Não teremos mais esse presidente no Banco Central, e nem Dilma, nem Serra estão a favor dessa política cambial.

Valor: Obama disse que o cara é o Lula...

Conceição: É. O Lula, um gênio político, mistura de Vargas e JK, uma liderança do povo brasileiro que tem uma sorte danada, ademais de ser muito competente. Tem que ter competência e sorte. As coisas têm que estar a favor.

Valor: Como é sua avaliação do governo Lula?

Conceição: Muito boa. Esta é a minha avaliação e de 70% da população. Na verdade, só a classe média dita ilustrada e a grande imprensa são contra. Contra também não sei o quê. Caiu a inflação. Portanto, mantiveram a política econômica dura que diziam que não iam manter, mas mantiveram. Contra meu ponto de vista. Perdi a parada, mas fico contente que tenha perdido, porque naquela altura ia ser complicado. Como estava tudo fora do lugar, era muito ousado fazer uma política alternativa no início do primeiro mandato. Do ponto de vista da política macro, eles começaram a fazer coisas no segundo mandato. Mas não creio que vão terminar. Fizeram o correto na infraestrutura, contemplando obras nas regiões Norte e Nordeste, como a ferrovia Transnordestina, a Norte-Sul, a transposição do rio São Francisco e portos. O PAC é uma seleção de projetos muito pesada e muito boa, de que não convém desviar. Também acertaram na política social, com o Bolsa Família. O governo Lula está tocando três coisas importantes: crescimento, distribuição de renda e incorporação social. E ainda por cima fez uma política externa independente. Por que acha que ganhamos a Olimpíada? [a escolha do Rio de Janeiro para sede dos jogos, em 2016]. Porque passamos a ter prestígio de fato lá fora.

Valor: Como vê a questão ambiental no mundo e no Brasil, às vésperas da reunião de Copenhague?

Conceição: Para variar, os Estados Unidos não assinam meta nenhuma. O país de Obama, digo, o Departamento de Estado, não assina nada. O problema ambiental está complicado e complexo. No Brasil, independente do desmatamento da Amazônia, a floresta vai sofrer com o aquecimento global. Mas a coisa da Amazônia, no nosso caso, é importante e é difícil. Mas não somos decisivos para o aquecimento global. Decisivos são os Estados Unidos e a China.

Valor: A exploração do petróleo das camadas do pré-sal pode impactar as boas intenções ambientais do Brasil?

Conceição: Começamos com a ideia do verde, o álcool combustível, mas, agora que veio o pré-sal, ninguém fala mais nisso. Agora, tudo vai depender do próximo governo.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Não teve tapa, mas teve rolo

Este blog finalmente conseguiu apurar o que aconteceu na festa no hotel Fasano do Rio de Janeiro. Confia na fonte, mas não publica na íntegra o relato porque neste tipo de episódio é impossível descrever os fatos sem ter presenciado, ao vivo, o que realmente aconteceu. Conversa de candinhas, como se sabe, não é jornalismo.
A fonte é boa, das melhores que este blog poderia ter, mas ainda assim, vale o ditado: cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
De qualquer forma, dá para saciar a curiosidade dos leitores: não houve o tal tapa do governador mineiro na namorada. Simplesmente não aconteceu, quem banca tal notícia está errado. Bem errado.
Por outro lado, é fato que houve uma confusão envolvendo Aécio Neves e Letícia, a mocinha que o acompanha atualmente. Nada muito diferente que outros casais não tenham vivido em situações semelhantes - resumindo, uma ceninha de ciúme e um leve desentendimento, na sequência. Nem tapa, nem agressão, é bom que fique claro.
Apenas para esclarecer os leitores fiéis, este blog não está defendendo Aécio Neves nem nutre a menor simpatia pelo governador tucano. Busca a verdade dos fatos, na medida em que isto é possível. Estranha, também, que a história tenha vazado tão rapidamente em um momento delicado para o tucanato - vale o velho ditado: jabuti não sobe em árvore...
De qualquer forma, depois do acontecido, o casal deve ter Discutido a Relação (rolou uma DR, como dizem os jovens), porque os dois apareceram de bem com a vida em Florianópolis. E vida que segue...
O que não é bonito, de qualquer maneira, é este tipo de assunto aparecer como apareceu e desaparecer como desapareceu. A Aécio caberia não um desmentido fraco como o que saiu nos jornalões, mas a explicação pura e simples da história - qualquer ser humano entenderia. E aos blogueiros/jornalistas que divulgaram o "tapa", cabe algo mais sério: a prova dos fatos. Ou então é tudo conversa de candinhas mesmo. Jornalismo é que não é.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Aécio: notícia sobre agressão é calúnia

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, desmentiu em entrevista coletiva que tenha agredido a sua namorada e qualificou a notícia de calúnia. Este blog continua achando estranho que não tenha aparecido nenhuma foto da cena até agora, 8 dias após o susposto entrevero do governador com a sua amada. Claro que seria difícil imaginar um clique do momento do tal tapa, mas também é óbvio que logo após muita gente na festa teria usado celulares para registrar o histórico momento em que a moça foi ao chão ou saiu carregada por seguranças, conforme uma das notas publicadas sobre o assunto na internet. Ninguém tirou uma única fotinho? Não se trata aqui de defender Aécio, mas que é estranho um evento deste porte passar batido, sem registro algum, até o Juca Kfouri vai reconhecer. Se aparecer uma foto ou vídeo, claro, Aécio está liquidado, teria de passar a campanha, a presidente, vice ou senador, tendo de explicar a agressão. Bater em mulher é algo que o Brasil não aceita mais. No mais, o blog continua levantando a questão: a quem interessa esta notícia, neste momento? O leitor que tire suas conclusões.

Possível antecipação de candidato tucano anima Aécio

Ivana Moreira, da Agência Estado

BELO HORIZONTE - O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), declarou nesta terça-feira, 3, que está animado com perspectiva de seu partido antecipar o processo de escolha do candidato à Presidência da República. "Conversei longamente no final de semana com o presidente Sérgio Guerra", comentou ele, justificando seu otimismo. Segundo Aécio, há um sentimento no partido para a antecipação desse prazo. Ele contou que conversou também com o senador Tasso Jereissati.
O governador mineiro já avisou ao partido que seu nome só estará à disposição até o fim de dezembro. Desistirá da candidatura à Presidência e se lançará candidato ao Senado se os tucanos adiarem, como quer o governador José Serra (PSDB), a decisão para março. "Muitas vezes, em uma eleição, você ganha exatamente nas articulações prévias, na construção da aliança que vai sustentar seu discurso", argumentou Aécio, que considera março uma prazo "tardio" para esta construção.
Sem dizer quais são os partidos que ele acredita poder atrair para uma aliança em torno de seu nome, Aécio destacou que siglas como PTB, PP e PDT aguardam uma definição mais clara no campo da oposição para poderem se posicionar.
O governador também desmentiu nesta terça-feira notícias veiculadas na internet sobre ele ter batido na namorada durante uma festa, no fim de semana, e as especulações que surgiram depois, sobre o possível uso político de uma informação falsa para minar sua pré-candidatura. "Eu me sinto, claro, pessoalmente ofendido por isso", afirmou ele, definindo a notícia como "calúnia vergonhosa". "Sempre fiz política e vou continuar fazendo no patamar muito superior a esse."

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Aécio, mais uma vítima de Serra?

Circula na internet a história, muito esquisita, de que o governador Aécio Neves teria desferido um tapa em sua acompanhante, durante uma festa no final de semana. Tal notícia já foi oficialmente desmentida pela assessoria do governador, mas, é claro, já está em vários blogs e circulando por e-mails em uma velocidade estonteante, característica da internet. O blog do jornalista Juca Kfouri, talvez o primeiro a publicar nota sobre o assunto, deu o desmentido, mas "manteve a informação", isto é, Juca confia na sua fonte, uma vez que não esteve na festa em questão.

Este blog acha a coisa toda muito, muito estranha, especialmente o fato de a bomba estourar bem no momento em que Aécio decidiu partir para o confronto com José Serra pela vaga de presidenciável tucano em 2010. Tem gente que acha Serra um cordeirinho e jura de pés juntos que ele não teve "nada a ver" com a Operação Lunus, que desmoralizou Roseana Sarney em 2002, impedindo a então governadora do Maranhão de ser candidata à presidência pelo PFL, atual DEM. Bem, se Serra não teve "nada a ver" com a operação, provavelmente foi o Espírito Santo quem mandou os policiais para a empresa do marido de Roseana para flagrar a turma com os quase R$ 2 milhões em dinheiro vivo...

Serra joga pesado, sim, as paredes do Bandeirantes sabem direitinho o quão paranóico e vingativo o governador de São Paulo é. A soma dessas características pode perfeitamente ter gerado uma operação "Delenda Aécio", em que as digitais de quem deu a ordem fiquem devidamente apagadas, não apareçam em momento algum.

Ironias das ironias, foi a turma de Serra quem mandou Regina Duarte dizer que "tinha medo" da vitória de Lula, durante a campanha de 2002. Agora, 7 anos depois, este blog lança um novo mote: "Eu tenho medo de José Serra!". Pois, de fato, o pior que pode acontecer na vida nacional é o tucano de São Paulo se tornar presidente, por sua vocação autoritária e sede de vingança contra adversários. E é bom mesmo Aécio ficar bem esperto, porque o vazamento do tal tapinha, se é que a agressão existiu, deve ser só o começo da "desconstrução da imagem" do governador mineiro, como gostam de dizer os sempre chiquíssimos tucanos paulistas... Ciro Gomes e Garotinho já provaram deste "remédio".

PS: Faltou dizer que este blog respeita imensamente o jornalista Juca Kfouri, mas também sabe como as coisas acontecem no jornalismo. Juca pode ter sido induzido pela fonte, provavelmente de confiança do jornalista, mas não necessariamente isenta e desinteressada. E tem mais: na nota, Kfouri faz uma ligeira comparação entre Aécio e Collor de Mello. Este tipo de comparação não acrescenta muita coisa, pois os personagens são bem diferentes, embora com alguns, digamos assim, pontos de contato. Enfim, este blog duvida que Aécio pudesse ser tão burro a ponto de bater na namorada em público logo no momento em que está pleiteando indicação para disputar a presidência da República. Se aconteceu, logo vai aparecer uma foto ou um vídeo. Se não aparecer, não aconteceu. Alguém plantou. É simples assim.

PS 2: Abaixo, reprodução dos "tweets" do jornalista Ricardo Noblat, que falou com a namorada de Aécio Neves e colheu o desmentido dela sobre a agressão que teria sofrido de Aécio. A "notícia" do tapa saiu também no site da jornalista Joyce Pascowitch, cuja relação com o governador José Serra sempre foi, digamos assim, bastante estreita. Bem, como diz o ditado, jabuti não sobe em árvore...

Passei o dia atrás da história da suposta agressão de Aécio Neves à namorada. Ouvi 6 pessoas que estavam na festa do hotel Fasano.
Resposta delas: não viram nada. Há pouco, localizei Aécio e a namorada, Letícia. Os dois passam o fim-de-semana em Florianópolis.
"Isso é uma nojeira. Não aconteceu nada. Meu azar foi me apaixonar por um político," me disse Letícia. Aécio não quis comentar.
Letícia disse mais: "isso me parece exploração política." Berzoini, presidente do PT, deu a notícia no seu twitter.

domingo, 1 de novembro de 2009

O velho nadador voltou

O artigo reproduzido abaixo foi escrito pelo autor deste blog para o Correio da Cidadania no final de julho de 2003. É impressionante como permanece atual, mais de seis anos depois e ainda mais hoje, quando Fernando Henrique Cardoso voltou ao noticiário político para pregar o "fim do continuísmo" - vale a pena ler o artigo do ex-presidente, publicado nos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo. Não dá para não reconhecer que FHC é quem tenta, é bom pontuar isto, apenas tenta, dar a linha política para a atuação da oposição ao governo Lula. No fundo, o artigo deste domingo revela muito mais as dificuldades que o consórcio demo-tucano vai enfrentar no próximo ano do que propriamente uma saída, um rumo ou discurso político para o futuro. E a razão para isto é muito simples: nem PSDB e muito menos o DEM possuem um projeto alternativo ao do PT para o país. Neste momento, apenas os partidos radicais de esquerda ainda têm um ligeiro esboço de projeto alternativo, ainda que de difícilima consecução. De qualquer maneira, a oposição que de fato conta está aí, sem programa, sem discurso, sem proposta alternativa. Sim, ela tem um candidato forte, mas dá até para ler nas entrelinhas do artigo de Fernando Henrique que isto não garante coisa alguma: se é para dar um "basta ao continuísmo", como ele prega, será preciso explicar para a população por que Lula e o PT são piores do que tucanos e democratas. E a comparação, infelizmente para FHC, não lhe é muito favorável...
Abaixo o texto de 2003, incrivelmente atual.

O cinismo do ex-presidente

Fernando Henrique Cardoso está de volta. Após um longo período de férias em Paris e Washington, ele tem se dedicado a duas tarefas: assediar empresários para conseguir mais recursos para o seu "instituto" e criticar o presidente Lula.
Na semana passada, os internautas que acessaram o provedor de internet Terra tiveram a oportunidade de assistir a um espetáculo deprimente: Cardoso foi o entrevistado do serviço de tevê do site e teve a seu dispor exatos 62 minutos para discorrer sobre os mais diversos temas. Muito à vontade na frente das câmeras, ele se esqueceu do velho ditado popular: quem fala muito dá bom dia a cavalo. "Sinto falta da piscina do Palácio do Alvorada, que era muito boa, e do uso do helicóptero", afirmou Fernando Henrique ao responder sobre como se sentia após ter deixado a presidência da República. Se tivesse parado nesta bobagem, nada demais. Afinal, não deixa de ser interessante que a população saiba com mais detalhes do que realmente gostava de fazer o ex-chefe da nação.
As bobagens, porém, continuaram. Fernando Henrique criticou as reformas propostas pelo governo Lula. "Eu não mexeria com direitos adquiridos", afirmou, referindo-se à proposta de reforma da Previdência Social da gestão Lula. Essa afirmação do ex-presidente, mais do que uma bobagem, é uma grande mentira, pois em diversas ocasiões o governo FHC tentou, sim, modificar direitos adquiridos, como bem lembrou um editorial da revista eletrônica Primeira Leitura, dirigida por um antigo aliado de Cardoso, o ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros.
Bobagens à parte, o fato é que a atabalhoada volta de Fernando Henrique ao cenário político tem uma explicação lógica. Está faltando oposição ao governo Lula. Na prática, até agora apenas os radicais do PT e meia dúzia de gatos pingados do PSTU ocuparam o espaço destinado à oposição. Obviamente, a crítica que vem sendo feita por esses setores está, digamos assim, à esquerda do governo Lula. Embora muitas vezes a crítica dos radicais seja justa, a verdade é que não está conseguindo comover a população, que mantém alta a popularidade do presidente e até aceita esperar mais tempo pelas mudanças prometidas, conforme comprovou a recente pesquisa realizada pelo instituto Sensus, realizada para a Confederação Nacional dos Transportes.
À direita do presidente Lula, a bem da verdade, as críticas que apareciam ao seu governo se resumiam aos ataques um tanto histéricos de fazendeiros assustados com o que julgam "falta de ação" do governo contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Do ponto de vista da política econômica ou mesmo das reformas, o silêncio dos conservadores era sepulcral, mesmo porque tudo que Lula fez até aqui não foi outra coisa senão continuar o modelo anterior e carregar a tal "herança maldita", reclamando um pouco, mas aceitando o fardo até com mais resignação do que deveria.
O PSDB, até pela derrota na eleição passada, deveria naturalmente liderar a oposição a Lula, mas mostrou-se neste primeiro semestre completamente incompetente para criar fatos políticos ou combater o governo. Toda a oposição dos tucanos limitou-se às bravatas de Arthur Virgílio e José Aníbal, uma dupla que não é levada a sério nem mesmo dentro do PSDB. Serra sumiu, Alckmin e Aécio resolveram ficar de bem com o presidente (e a opinião pública) e o partido perdeu o rumo. Foi necessário que o ex-presidente Cardoso se apresentasse para o partido voltar a ter algum norte. A história da oposição a Lula está começando. Ao que parece, terá o cinismo como estratégia e um velho nadador como comandante.