sexta-feira, 30 de maio de 2008

Wagner Iglecias: os pais da boa economia

Em mais uma colaboração para o blog, o professor Wagner Iglecias escreve sobre o excepcional momento econômico por que passa o Brasil, em que pesem os problemas de inflação e déficit na conta corrente do país. A seguir, a análise sempre lúcida de Iglecias:

Há alguns anos os brasileiros se acostumaram a receber boas notícias em relação à economia. Vivemos nos dias atuais, de fato, um cenário bem diferente daquele de duas décadas atrás, quando o país decepcionava-se a cada novo plano de estabilização monetária mal-sucedido. Números há para todos os gostos, mas os números que o país tem colecionado na economia nos últimos anos são de difícil contestação. Dos índices de inflação aos saldos da Balança Comercial, do crescimento do nível de emprego com carteira assinada ao índices de consumo de diversas categorias de produtos, tudo parece apontar para a hipótese de que entramos numa fase de bonança econômica como há muito tempo não se via. Há quem diga que ainda há muito o que se caminhar rumo ao crescimento sustentado, enquanto há quem sustente que o país cresce há vários semestres, como não se via, pelo menos, desde a época do Milagre Brasileiro, no início da década de 1970.
O governo procura tirar proveito político da boa fase da economia, imaginando que, entre outras coisas, a melhoria das condições de vida dos brasileiros renda apoio político e sobretudo votos. A oposição, que clama para si a responsabilidade de ter plantado os pilares fundamentais da estabilidade e do crescimento atuais, procura desdenhar, como não podia deixar de ser, afirmando que o grande mérito de Lula foi não ter feito nada de novo na economia.
Na guerra entre lulo-petistas e demo-tucanos há verdades e mentiras. É mesmo verdade que Lula deixou de lado, uma vez ungido à cadeira presidencial, ou até antes disso, boa parte do ideário petista em relação à economia. Abraçou-se aos instrumentos garantidores da estabilidade que já vinham desde seu antecessor e parece ter sido muito bem sucedido nesta escolha. De fato, foram mesmo plantados sob Fernando Henrique alguns dos instrumentos quegarantiram a Lula um cenário econômico relativamente tranqüilo. Então, neste sentido, não dá para aceitar a idéia de que o bom momento da economia brasileira é fruto apenas do que foi feito neste governo, como parecem acreditar alguns. Por outro lado é pouco crível que Lula e sua equipe pouco tenham trabalhado para que o país alcançasse o patamar que está alcançando hoje, neste exato momento em que mais uma agência de avaliação de risco, a Fitch, laureia o país com o grau de investimento.
Mais que isso, Lula e os seus parecem ter uma visão um pouco distinta daquela que os demo-tucanos tinham sobre a economia e o papel do Estado quando foram governo. Se estes enfrentaram o duro momento de debelar, de uma vez por todas, os altos índices de inflação, por outro lado pareciam acreditar num Estado cada vez mais focado numa função de regulação do funcionamento do mercado, uma espécie de árbitro entre produtores e consumidores. O governo Lula, por sua vez, embora tenha pego um momento diferente da economia mundial em relação àquele que Fernando Henrique viveu nos anos 1990, acredita no papel indutor do Estado, ainda que dentro, obviamente, dos limites que se colocam para a ação desenvolvimentista do Estado nos dias de hoje. E é inegável que o Estado "neodesenvolvimentista" comandado por Lula tem responsabilidade direta com boa parte do crescimento econômico que o país vem experimentando.
Independentemente do maior ou menor grau de responsabilidade que este ou aquele governo tenha em relação ao atual momento, tira proveito da situação a população que se vê em melhores condições de vida hoje do que há anos atrás. Lula provavelmente acha que é com ele e com seu governo que os brasileiros identificarão a boa fase da economia. A oposição tenta demonstrar que não é bem assim. Nesta corrida para ver quem é o pai da criança Lula se dá melhor, pois a memória popular em relação aos anos FHC tende a ficar a cada dia mais esmaecida, como seria natural com o passar do tempo.
Cabe à oposição, caso queira ter chances de voltar a ocupar a presidência da República, dizer o que faria de diferente em relação ao que tem sido feito. Seria um certo silêncio que se observa no campo demo-tucano uma surpreendente estratégia política, fadada a dar frutos em momento oportuno, ou, ao invés disso, apenas uma grande dificuldade em mostrar aonde mora a tal diferença em relação ao que tem feito o governo Lula?

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Agora só falta a Moody's

Realmente, não dá para contestar: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um homem de muita sorte. Um dia depois da agência canadense de risco ter elevado o Brasil ao grau de investimento, em meio às más notícias na área econômica, em especial os indícios de retorno da inflação, eis que vem a agência Fitch, uma das três que de fato importam (as outras são a Standard & Poor´s e a Moody´s), e anuncia que também vai classificar o Brasil como investment grade. Na prática, a notícia é de fato importante porque muitos fundos de investimento só podiam recomendar a aplicação de recursos no país quando pelo menos duas grandes agências de risco avalizassem o país, o que acaba de acontecer na tarde desta quinta-feira. Tudo somado, a oposição pode dizer muito de Lula, mas jamais poderá acusar o presidente de ser um homem azarado.

Lajes sobre rios: este é Paulo Maluf

A matéria abaixo está na Folha Online e faz lembrar aqueles jogadores de futebol em fim de carreira, já incapazes de dar um pique de 50 metros sem arfar no final, mas mantendo e empáfica, "chamando a responsabilidade para si mesmos", como se diz no jargão dos boleiros, e prometendo decidir o jogo. O perigo é que de vez enquandos os velhos craques anotam um golzinho se a defesa adversária estiver distraída...

No caso particular do deputado Maluf (PP), este blog acha que desta vez ele exagerou e é bem possível que nem entre em campo na eleição de outubro, pois o prefeito Gilberto Kassab (DEM) está articulando nos bastidores a inclusão do PP no amplo arco de alianças que montou para sustentar sua candidatura à reeleição na capital paulista.

A seguir, a íntegra da reportagem da Folha.

Maluf diz que vai construir laje sobre rios Tietê e Pinheiros

O deputado Paulo Maluf (PP-SP) reuniu ontem em Brasília cerca de cem congressistas e dois ministros para uma feijoada em seu apartamento, na Asa Sul. Antes do evento, disse que, assim como Marta Suplicy (PT), centrará sua campanha à Prefeitura de São Paulo na questão do trânsito.

"Vou construir uma laje sobre os rios Tietê e Pinheiros, com oito pistas para o trânsito. Entrego a obra em quatro anos", afirmou Maluf, que depois refez a expectativa para a obra.

"Entrego em três anos. Se eu não resolver o problema do trânsito, nenhum deles [os outros candidatos] vai resolver."

Em quarto na disputa paulistana segundo a última pesquisa Datafolha, com 8%, Maluf reuniu ontem, entre outros, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), dois presidentes de partidos (Michel Temer, do PMDB, e Francisco Dornelles, do PP) e os ministros José Múcio (Relações Institucionais) e José Toffoli (Advocacia Geral da União).

Não se pode elogiar

Foi só este blog escrever ontem sobre o animado dia dos poderes Legislativos e Judiciário que as duas decisões às quais o comentário se referia (CSS, a nova CPMF; e a liberação das pesquisas sobre célula-tronco) foram adiadas. No Legislativo, mais precisamente, na Câmara dos Deputados, o imposto do cheque ficou para a próxima semana; já o Supremo Tribunal Federal continua hoje o julgamento sobre as pesquisas, que têm como forte opositora a Igreja Católica. Menos mal...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Dia quente no STF e no Congresso

Esta quarta-feira está repleta de decisões importantes: recriação do imposto do cheque, na Câmara dos Deputados, votações importantes no Senado (MPs do Reporto e da tributação das bebidas) e liberação das pesquisas com célula-tronco, no Supremo Tribunal Federal. Se a produtividade dos parlamentares e senhores ministros do STF fosse sempre como a de hoje, até que o Brasil poderia avançar um pouco mais rápido...

Mais boas notícias para Lula

O homem realmente tem sorte: logo na semana em que surgem dados ruins sobre a economia, com inflação em alta e recorde negativo na conta corrente do país, eis que mais uma agência de risco concede o grau de investimento ao Brasil, animando os mercados. Só falta o Corinthians ganhar do Botafogo na noite de hoje...
A seguir, reportagem do Portal Terra sobre o novo

Mercado financeiro
Bovespa dispara 3% com novo grau de investimento

A Bolsa de Valores de São Paulo encerrou o pregão desta quarta-feira com forte valorização, em meio a renovadas expectativas de que a agência Fitch está prestes a conferir o grau de investimento aos títulos soberanos do Brasil.

Segundos dados preliminares, o Ibovespa teve alta de 3,02%, para 73.135 pontos. O volume financeiro de negócios totalizou R$ 7,1 bilhões.

Segundo operadores, o anúncio de que a agência canadense de classificação de risco DBRS elevou a nota da dívida soberana do Brasil para "BBB (baixo)", dentro da faixa de grau de investimento, reforçou as expectativas de que a Fitch, uma das três grandes internacionais, fará o mesmo, seguindo o exemplo da Stantard & Poor's.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Paulinho subiu no telhado

Está cada vez mais complicada a situação do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), e é provável que ele enfrente um processo de cassação do mandato. Aliás, o próprio Paulinho pediu hoje ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), que envie logo ao Conselho de Ética o processo com as acusações contra ele, a fim de lhe permitir o direito de defesa.

O caso de Paulinho chama atenção porque ele não é um deputado qualquer, do baixo clero, que possa ser escorraçado de maneira simples. Paulo Pereira da Silva é o líder da segunda maior central sindical do país. Se isto fosse pouco, Paulinho é o tipo de político que consegue ter boas relações com praticamente todos os partidos – a Força começou a crescer no mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para quem a central cumpria o estratégico papel de se contrapor à hegemonia da CUT no meio sindical; em decorrência deste crescimento Paulinho se tornou político profissional e foi vice de Ciro Gomes na eleição presidencial de 2002; e, por fim, com a chegada do PT ao poder o líder e a central negociaram uma convivência pacífica com a CUT, obtendo neste segundo mandato de Lula o poderoso ministério do Trabalho.

Em outras palavras, Paulinho conhece de perto os, digamos assim, problemas das administrações do PT e do PSDB, ora esteve mais perto de um, ora de outro. Inteligente e muito bem informado, o deputado pode ser considerado uma bomba ambulante se resolver abrir a boca e contar o que sabe. Cassar Paulinho não vai ser tão fácil como parece, a menos que os partidos negociem diretamente com o líder uma saída honrosa, para o deputado e para a Câmara.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

José Serra pode desistir da venda da
Nossa Caixa, diz o prefeito Cesar Maia

O que vai abaixo está na edição desta segunda-feira do ex-blog do prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia. Além da informação de que Serra pode voltar atrás na venda se for obrigado a leiloar a Nossa Caixa, é interessante o comentário de Maia sobre as pesquisas envolvendo o tema "Privatização", que revela a rejeição dos brasileiros à venda do patrimônio nacional. Abaixo, o comentário do prefeito:


QUAL A RAZÃO POLÍTICA DA VENDA DA "NOSSA CAIXA" AO BANCO DO BRASIL?

1. Nas eleições de 2006, de forma um tanto surpreendente, o tema -privatização- tornou-se negativo e foi usado pela campanha de Lula contra a de Alckmin.

2. Em maio de 2007, o DEM realizou uma pesquisa nacional, usando um modelo usado antes na pré-campanha presidencial francesa, e a rejeição à privatização, se confirmou. Outras pesquisas que usaram o caso da Vale do Rio Doce, apontavam grande maioria pela re-estatização o que exigiu da Vale gastar uma fortuna em campanha publicitária e ações virtuosas de imagem. Recentemente uma pesquisa GPP no Rio, voltou a confirmar a rejeição à privatização.

3. Serra, candidato a presidente em 2010, sabe disso muito bem. Com a experiência que tem e as informações relativas, não quer que a marca de privatizador seja colada à sua imagem política. E por isso se o judiciário confirmar que ele terá que licitar a Nossa Caixa, e não poderá vendê-la ao Banco do Brasil, Serra certamente desistirá de transferir o controle da Nossa Caixa.

Dois pesos, duas medidas

Mais uma colaboração deste blog para a série "Como a grande imprensa manipula o noticiário":

A Folha de S. Paulo desta segunda-feira publicou na primeira página a chamada a seguir:

A cada R$ 1 doado ao PT, empresas recebem R$ 54

Pois bem, o leitor vai lá para dentro do jornal e lê a matéria, publicada na página A4 com os seguintes título e linha-fina (grifos em vermelho do blog):

Governo paga a empresas 54 vezes o que doaram ao PT

Só das 20 maiores contribuintes, partido recebeu R$ 8,7 milhões no ano passado

No segundo mandato de Lula, empresas receberam R$ 473 milhões do governo federal; PT foi o partido que mais obteve contribuições

Mas eis que o distraído leitor vira a página e se depara com a seguinte preciosidade (grifos em vermelho novamente deste blog):

Doadoras do PSDB obtêm contratos de R$ 3,4 bilhões

Andrade Gutierrez e Odebrecht ganharam licitações em Minas Gerais e São Paulo

Construtoras doaram ao todo R$ 2,4 milhões ao partido nacional em 2007; empresas dizem que doação foi feita de acordo com a lei

Ora, para chegar nos tais R$ 54 que as empresas doadoras do PT receberam a cada R$ 1 doados ao partido, a Folha dividiu o total recebido (R$ 473 mi) pelo total doado (R$ 8,7 mi). No caso do PSDB, a mesma divisão mostra que a cada R$ 1 doado aos tucanos, as empresas receberam exatos R$ 1416. Mas o jornal paulistano achou que os cinquenta e quatro contos do PT merecem mais destaque do que os R$ 1416 do PSDB. Uma manchete justa talvez fosse "Doação ao PSDB dá às empresas retorno 26 vezes maior do que doação ao PT"

Assunto para Carlos Eduardo Lins da Silva, o novo e competente ombudsman da Folha.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Venda da Nossa Caixa divide a direita

O anúncio da negociação entre o Banco do Brasil e a Nossa Caixa para aquisição da segunda pelo primeiro, é o tipo do acontecimento que provoca muita polêmica entre os setores conservadores da sociedade. Os banqueiros privados não gostaram muito da brincadeira e querem um leilão para venda da Caixa, que pertence majoritariamente ao governo de São Paulo, ou seja, ao povo paulista.

Os blogueiros direitistas já começaram a tomar partido: Reinaldo Azevedo, que em relação ao governador José Serra (PSDB) tudo perdoa, ressalva ser a favor da privatização do Banco do Brasil, mas defende a manobra tucana de vender a Caixa ao BB e não ao setor privado. Segundo ele, há dois fatores a serem levados em consideração: primeiro, existe a questão de que boa parte do total de ativos da Nossa Caixa, cerca de R$ 16 bilhões, são depósitos judiciais, que pela lei não podem ficar com bancos privados. Assim, argumenta Reinaldo, se o Itaú ou o Bradesco comprarem a Nossa Caixa, vão pagar um valor menor e os R$ 16 bilhões passarão automaticamente para o BB, de graça. Em segundo lugar, há o aspecto político, explica Reinaldo: se Serra anunciar a privatização da Nossa Caixa, com a venda para o setor privado, a Assembléia Legislativa provavelmente não autoriza o ato. Uma venda para o Banco do Brasil não configura privatização e seria bem aceita pela esquerda. Reinaldão, portanto, mais uma vez "perdoa" a estratégia nada neoliberal de Serra neste episódio, cujo desenlace, segundo muitos analistas, vem sendo negociado pessoalmente pelo governador com o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff.

A blogueira Janaína Leite, outra expoente do pensamento direitoso, prefere manter a sua fidelidade ao liberalismo e proclama: "Sou contra. Não tem cabimento um negócio onde as duas pontas são estatais e sequer houve tomada de preços no mercado. Isso aí vai acabar (vai?) em safadeza. (...) Governo não tem de emprestar dinheiro, nem se meter em ganhos financeiros. Tem de cuidar da Educação e da Saúde, garantindo que as pessoas tenham formação física e intelectual para disputar vagas em qualquer mercado de trabalho. Simples assim: o BB engolir a Nossa Caixa? Sou contra."

Não deve ser coisa fácil para os conservadores imaginar que a principal alternativa para tirar o PT do governo federal no campo da direita, o governador paulista José Serra, agora deu de fechar acordos e ter longas conversas privadas com o presidente Lula e a ministra Dilma. A negociação do governo paulista em torno da Nossa Caixa faz parte deste pacote de "boa vizinhança" entre Lula e Serra, que ainda pode render muitos outros frutos. Tudo que Lula quer em 2010 é uma eleição sem oposição de verdade ao seu governo. Se a economia continuar ajudando, é bem possível que apenas nanicos sem expressão critiquem o legado de 8 anos de Lula.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Desemprego é o menor desde 2002
e arrecadação tributária bate recorde

Ontem saiu a notícia de que a geração de emprego formal bateu o quarto recorde consecutivo. Hoje, duas notícias explicam, mais uma vez, como a economia é a maior blindagem do governo Lula e o elemento que sustenta a popularidade presidencial (e faz com que as oposições se comportem como cordeirinhos amedrontados): por um lado, a taxa de desemprego é a menor desde 2002, com 8,5% (na verdade, é a menor da série histórica, que começou justamente em 2002, portanto é possível que o desemprego seja o mais baixo dos últimos 20 ou 25 anos, por exemplo). O segundo fato do dia é a arrecadação recorde de impostos para o mês de abril, de quase R$ 60 bilhões, 11% maior do que a do mesmo mês do ano passado. O aumento da arrecadação tributária e o desemprego em queda são frutos da formalização de empresas que estavam na ilegalidade e, é óbvio, do robusto crescimento da economia.

A seguir, um resumo dos dois fatos do dia. O primeiro, do Globo Online, e o segundo, da Agência Brasil.


Desemprego brasileiro é o menor para abril desde 2002

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - O desemprego brasileiro caiu em abril pelo segundo mês seguido e registrou a menor taxa para o período desde o início da série histórica, em 2002, sugerindo que o mercado de trabalho está antecipando as contratações. Na avaliação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o movimento deve manter a taxa de desemprego em queda.

A taxa nas seis maiores regiões metropolitanas do país ficou em 8,5 por cento no mês passado, ante 8,6 por cento em março. Analistas consultados pela Reuters previam manutenção em 8,6 por cento "A tendência é essa (de novas quedas na desocupação). Estamos vivendo uma entrada de ano muito parecida com 2007, com o detalhe de que a taxa de desocupação está muito menor, 1,6 ponto percentual menor que o observado no ano passado, o que é uma queda significativa para a taxa de desocupação", disse a jornalistas o economista do IBGE Cimar Pereira.

No ano passado, a taxa de desemprego começou a declinar a partir de maio. "Em anos anteriores, nessa época do ano (abril), a taxa ainda estaria subindo e só começaria a cair no segundo semestre", adicionou Pereira. A queda na desocupação foi puxada pelo aumento da população ocupada, que subiu 0,5 por cento em abril, o equivalente a 105 mil novos postos de trabalho. Além disso, a população desocupada caiu 0,1 por cento, o equivalente a 2 mil pessoas
Ante abril do ano passado, a população ocupada subiu 4,3 por cento e a população desocupada recuou 13,9 por cento.

Cimar destacou que o recuo da população desocupada equivale à quase totalidade das populações desocupadas de Porto Alegre e Belo Horizonte, que somam 308 mil pessoas.

MAIS EMPREGO FORMAL E RENDA

Em abril, houve aumento na ocupação acompanhado por um ganho de qualidade, uma vez que o emprego com carteira no setor privado subiu em 139 mil vagas, o equivalente a 1,5 por cento de alta frente a março. Na comparação com abril do ano passado, o crescimento chega a 9,9 por cento. O emprego sem carteira caiu 1,3 por cento sobre março e 4,7 por cento na comparação anual.

O nível de formalidade no mercado de trabalho brasileiro bateu novo recorde em abril, ao atingir 54,9 por cento da população ocupada. "A terceirização e o aumento da fiscalização contribuem para o aumento da formalidade no mercado de trabalho", afirmou Pereira.

O IBGE acrescentou que o rendimento médio do trabalhador subiu 1 por cento em abril na comparação com março, para 1.208,10 reais. O valor é o maior desde outubro de 2002. "O recorde só não foi batido devido à queda da renda de 0,2 por cento em São Paulo", frisou o economista. "Houve aumento de empregos com carteira em São Paulo no mês de abril, mas é natural que as pessoas que começam a ter a carteira assinada iniciem com salários mais baixos." (Reportagem de Vanessa Stelzer e Rodrigo Viga Gaier; Edição de Alexandre Caverni)


Arrecadação da Receita em abril bate recorde para o mês

Weltom Máximo, Repórter da Agência Brasil

Brasília - A arrecadação dos imopostos e contribuições pela Receita Federal bateu em abril recorde para o mês. No último mês, a Receita arrecadou R$ 59,754 bilhões. Isso representa 11,44% a mais do que o arrecadado em abril do ano passado, quando a Receita, descontada a inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), somou R$ 53,618 bilhões. No acumulado do ano, a arrecadação somou R$ 221,495 bilhões, 12,09% a mais do que nos quatro primeiros meses de 2007.

Esse crescimento ocorreu sem a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que foi extinta a partir de 1º de janeiro de 2008. Segundo a Receita, o resultado está ligado principalmente ao aquecimento da economia, que tem impulsionado as vendas, e à massa salarial.

O maior destaque no quadrimestre foi a arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que subiu 146,42%. Em janeiro, o governo elevou a alíquota do IOF para compensar o fim da CPMF. Os tributos que registraram maiores aumentos, além do IOF, considerando a inflação oficial do período, foram o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com alta de 32,48%; o Imposto de Renda das Pessos Jurídicas (IRPJ), com alta de 23,38%; e o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), com crescimento de 21,5%.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Barrigão, dos grandes

Depois do papelão de anunciar a queda de um avião na zona sul de São Paulo no site G1, bem que a Globo podia abrir a escalada do Jornal Nacional com a manchete estrondosa: "Avião não cai em São Paulo".

Barriga tão grande faz lembrar uma história que os jovens e os não iniciados em jornalismo talvez não se conheçam: o saudoso Notícias Populares, que tanta falta nos faz, certa vez publicou, na capa, a insinuação de que o cantor Ronnie Von seria homossexual. Era uma acusação bem direta, mas a legítima esposa do cantor pediu direito de resposta. O NP, que perdia o amigo, mas não a piada, não deixou por mesmo e deu logo na manchete: "Mulher diz que Ronnie Von não é veado"...

Dilma, Serra, Aécio e a estratégia de Lula

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para o Correio da Cidadania. Em primeira mão para os leitores do blog.

Depois da crise de 2005 e 2006, a política brasileira vem passando por uma fase de relativa calmaria. É verdade que o clima às vezes esquenta por conta de um dossiê aqui, outra denúncia acolá, mas no fundo o cenário da economia em franca expansão acaba trazendo não apenas popularidade para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como também uma certa interdição do debate de idéias no país.

Os leitores certamente notaram que nos últimos meses os principais líderes da oposição com chance de bater o PT na eleição de 2010 – os governadores Aécio Neves, de Minas Gerais, e José Serra, de São Paulo, ambos tucanos – simplesmente pararam de criticar o governo federal.

Serra não diz absolutamente nada sobre coisa alguma desde que assumiu a prefeitura de São Paulo, pois parece ter gostado do marketing criado para aquela campanha, repetido quando ele concorreu ao governo do estado, que consiste em falar apenas generalidades e dar uma boa lustrada em sua biografia, tentando convencer o eleitorado de que ele é o "mais preparado" para a administração pública brasileira, ao passo que seus adversários todos seriam meros amadores. É possível que Serra tenha sido mais combativo ao questionar a política econômica de Fernando Henrique Cardoso, seu correligionário, do que a de Lula, seu adversário. Mais recentemente, o governador paulista decidiu aceitar convites para aparecer a lado de Lula em eventos dos mais variados, como inagurações de obras do PAC ou lançamento da Política Industrial.

De Aécio, então nem é preciso falar: age praticamente como um parceiro de Lula, patrocinando uma candidatura em Belo Horizonte na qual o PSB é cabeça de chapa e o PT fica com a vice, excluindo seu próprio partido, o PSDB, que participaria da aliança com a esperança de, uma vez eleita a chapa, participar do governo municipal em algumas secretarias. Mais ainda: quem é o candidato de Aécio ao governo de Minas em 2010? É o petista Fernando Pimentel, atual prefeito de BH, que em contrapartida poderia apoiar Aécio em uma eventual candidatura à presidência da República.

Trocando em miúdos, o maior partido de oposição do país a rigor não faz oposição alguma ao governo, pelo menos não neste momento. No fundo, o coro dos descontentes ficou limitado hoje à extrema esquerda e ao DEM, sobre o qual seria até injusto qualificar como extrema-direita, pois trata-se apenas de um saco de gatos pingados que foram excluídos do banquete fisiológico servido pelo governo federal. Nos dois casos, os descontentes guardam como semelhança a extrema incompetência em se comunicar com a população – basta ver como Agripino Maia e Heloísa Helena se parecem em seus recentes discursos de tom udenista-desastrado.

Governo em ação: agora é Dilma?

Se o presidente Lula tem tido a sorte de contar com o vigoroso crescimento da economia e, ao mesmo tempo, com a absoluta tibieza da oposição, é fato que ele ainda não está com a vida ganha, como se diz no campo da malandragem, porque não tem ainda um "sucessor natural" que pudesse absorver a força da altíssima popularidade do governo e do presidente. Muita gente já tem certeza que o nome é Dilma Rousseff, a ministra da Casa Civil que já começa a ser conhecida como "mãe do PAC". É um pouco cedo, embora o PAC já seja a grande bandeira eleitoral da eleição de 2010. Ademais, como bem lembrou o experiente deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), um nome como o de Dilma, que não foi "curado pelo tempo", é mais suscetível a oscilações, coisa que não acontece com a turma que está nessa estrada há muitos anos, como Serra, Lula e Aécio.

Outro experiente parlamentar que prefere falar em off diz que Lula só não parte para o terceiro mandato porque acha difícil aprovar a mudança constitucional no Senado – "na Câmara passa com mais de 400 votos, no Senado faltam pelo menos dois ou três. Só daria certo se o pedido viesse das ruas", explica. Segundo este mesmo parlamentar, o presidente está agindo com habilidade no trato da oposição, fomentando a disputa entre Serra e Aécio no PSDB, mas sem permitir que qualquer um deles se fortaleça em demasia neste momento, a fim de que a definição da candidatura só ocorra mesmo em 2010, desgastando os dois pré-candidatos internamente. Por outro lado, continua a fonte, Lula não se compromete com nenhum nome da base aliada, embora tenha "carregado" bastante a ministra Dilma nos últimos tempos.

Lula conhece melhor que ninguém o que significa uma eleição presidencial – já disputou 5 delas. Se aparenta não ter uma estratégia definida neste momento, é porque está observando o cenário e tentando ouvir a voz rouca das ruas, como dizia seu antecessor na presidência. A pressão da mídia para que ele esqueça o terceiro mandato é grande, enorme. Resta saber se o presidente aguenta a outra pressão - do PT e da massa para que ele concorra mais uma vez...

sábado, 17 de maio de 2008

Política mundial? Leia o blog do Argemiro

Política internacional jamais foi o forte deste blog, que prefere manter o foco nas análises da mídia e da política brasileira. Para quem gosta de acompanhar o noticiário internacional em português e está cansado de ler o pouco que os nossos jornalões reproduzem por aqui, uma boa dica é o Blog do Argemiro Ferreira, um dos mais experientes correspondentes brasileiros trabalhando nos Estados Unidos. Colunista do jornal Tribuna da Imprensa, Argemiro faz excelente análises e traz informações diferenciadas, especialmente sobre a corrida eleitoral nos EUA. Um bom exemplo é o post abaixo, que começa com futebol e termina em Karl Rove. Quem quiser ler mais é só dar um pulo ...


A promiscuidade no jornalismo político

Certa vez estive envolvido numa discussão interna do Sindicato de Jornalistas do Rio sobre uma coluna iniciada por Pelé no Jornal do Brasil. Discordei da idéia de impedí-lo de escrever a pretexto de não ser jornalista. Mas o próprio craque, interpelado pelo sindicato, acabaria por recuar: concordou em expor suas análises sempre na forma de entrevistas, cabendo o texto a um jornalista.

Mais tarde ouvi dizer que Tostão, formado em Medicina, fez curso de comunicação para não ter de enfrentar a ira de jornalistas inconformados com a competição de não diplomados em comunicação. A disputa permanece, mas minha opinião continua a mesma. Não acho certo insistir em restrições assim para impedir um Pelé, um Tostão, um Gerson, um Sócrates e tantos outros de escrever sobre o que conhecem tão bem.

O jornalismo ganha com eles. Se esse caso e outros semelhantes violam a lei que regulamenta a profissão, os colegas jornalistas e os professores de comunicação que me desculpem, é hora de mudar a lei. Mas há certas sutilezas a serem examinadas. Volto à questão por causa do que acontece nos EUA, onde Karl Rove (foto abaixo, à esquerda), marqueteiro tido como “o cérebro de Bush”, tornou-se a mais nova estrela do jornalismo político americano.
Rove, Russert, Stephanopoulos

Karl Rove na Fox NewsNos EUA existem escolas de jornalismo e de comunicação, mas não a exigência de diploma para o exercício da profissão. Um dos jornalistas mais bem-sucedidos da TV - Mike Wallace, do “60 Minutes” da CBS - celebrizou-se primeiro como animador de programas de prêmios. Tim Russert, que faz sucesso no “Meet the Press” da NBC, começou como assessor do governador Mario Cuomo e, depois, do senador Daniel Moynihan.

O programa político da ABC, que hoje disputa o horário de domingo com Russert na NBC, é “This Week”, de George Stephanopoulos, formado em Ciências Políticas, Direito e Teologia - mas até então sem nenhuma experiência jornalística. Ele só se tornou conhecido em 1992, como secretário de imprensa da campanha presidencial de Bill Clinton e, posteriormente, diretor de comunicações da Casa Branca.

Na mesma campanha presidencial, destacaram-se ainda James Carville, principal estrategista de Clinton e, do outro lado, Mary Matalin, a serviço da campanha rival de George Bush I, o pai. Carville e Matalin (ela passou a servir, em 2001, ao vice-presidente Cheney) casaram-se depois e ganham a vida desde então com política e jornalismo. Fazem na TV (inclusive na NBC) um número tipo vaudeville: brigam no palco, expondo as posições democrata e republicana. Pura encenação teatral, claro.
Obama, o próximo alvo dos “527″

Desde segunda-feira o New York Times - que dias antes devassara o escândalo dos “analistas militares” da TV, generais treinados pelo Pentágono para melhor defender na mídia as opções bélicas dos EUA - expôs a situação atual de Karl Rove, transformado em analista político da mídia após dirigir com sucesso as duas campanhas de Bush (2000 e 2004). Ele fala às câmeras da Fox News e escreve para o Wall Street Journal e a Newsweek (saiba mais AQUI sobre esse novo papel dele).

Convenhamos que enquanto o debate é sobre Pelé, Tostão, Sócrates, está fora de dúvida que o jornalismo - como os leitores ou telespectadores - só tende a ganhar. Mas uma relação promíscua mídia-política corre o risco de comprometer a própria integridade do jornalismo. E Rove, especialista em truques sujos da política, traz ainda seu status de celebridade e muitas dúvidas éticas.

Sobre a competência do personagem, nada tenho a opor. Dificilmente alguém domine tão bem o tema que analisa - como na certa concordam os que acompanharam sua participação na cobertura das últimas primárias pela Fox News. Mas, entre outras coisas, Rove pode estar envolvido, segundo sugeriu o Times, num projeto para produzir e veicular comerciais difamatórios contra Barack Obama.

Esses comerciais, como mencionado em artigo anterior, viriam do que é chamado nos EUA “grupos 527″. O número refere-se a dispositivo de legislação fiscal. Eles são organizações desregulamentadas, livres de impostos e sem ligação visível com a campanha de qualquer candidato. Exemplos expressivos ocorreram nas duas campanhas de Bush II, o filho, ambas dirigidas por Rove. Em 2004 a difamação de John Kerry em forma de comerciais inundou o país, iniciativa do “Swift Boat Veterans for Truth”, um grupo 527 (veja AQUI no YouTube um dos comerciais).
A mesma porta de vaivém

Coube ao mestre de Rove, Lee Atwater, fazer a campanha de Bush pai em 1988 e usar um comercial semelhante - sobre Willie Horton, presidiário negro que, liberado para passar um fim de semana em casa, estuprou e matou uma mulher branca em Massachusetts, estado governado por Mike Dukakis. O anúncio (veja-o AQUI) foi produzido por um grupo sem vínculo com a campanha. Sabe-se hoje que, ante a vantagem (quase 20 pontos percentuais) do democrata Dukakis, Bush autorizou a veiculação dos comerciais - e se elegeu.

Depois de Atwater prever que ao fim da campanha Horton seria célebre em todo o país, um ex-assessor de mídia de Ronald Reagan - Roger Ailes, hoje presidente da Fox News, que acaba de contratar Rove - completou: “A única dúvida é se vamos mostrá-lo com a faca na mão ou sem ela”. E Larry McCarthy, que produzira o comercial e antes tinha trabalhado para Ailes, encarregou-se de convencer as TVs a aceitá-lo (leia AQUI a carta de um leitor do Washington Post convencido de que em 2008 o ex-pastor de Obama, Jeremiah Wright, será transformado num Willie Horton).

As relações promíscuas de gente como Rove com a mídia são e serão sempre uma preocupação para quem se preocupa com a ética e a integridade jornalística. Rove foi da Casa Branca para a redação - como Ailes, Stephanopoulos, Carville, Matalin e outros. Mas às vezes o fluxo é inverso na porta de vaivém: Tony Snow, depois de ser âncora do principal programa político da Fox, tornou-se porta-voz de Bush na Casa Branca.

Datafolha sem novidades: Marta e Alckmin
lideram, Kassab avança um pouco mais

A nova pesquisa do instituto Datafolha sobre a corrida eleitoral na capital de São Paulo, publicada no jornal Folha de S. Paulo neste domingo, mostra um cenário com poucas alterações em relação ao levantamento anterior: Marta Suplicy (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB) oscilaram um ponto percentual positivamente, passando para 30% e 29% das intenções de voto, respectivamente. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) ganhou um ponto a mais que seus adversários, oscilando de 13% para 15%. Em termos estatísticos, tudo isto significa um cenário de estabilidade. Se a eleição fosse hoje, Marta e Geraldo iriam para o segundo turno e o tucano teria mais chances de vitória na etapa final. Só que a eleição não é hoje, e muita água vai correr por baixo da ponte até outubro.

Neste momento, porém, dá para dizer que a pesquisa é de fato mais positiva para Geraldo Alckmin do que para os demais candidatos, pois era ele, Alckmin, quem estava sob intensa pressão de algunls de seus correligionários para abandonar a candidatura em favor de Kassab. Com os 29% no Datafolha, em uma situação de empate na liderança, fica complicado para os adversários internos de Alckmin questionarem a candidatura do ex-governador. Se o prefeito tivesse crescido mais e/ou o índice de Geraldo tivesse despencado, aí sim os serristas e demais apoiadores da tese da aliança com Kassab teriam um novo argumento para lançar no cenário político. Não é nada, não é nada, Alckmin mais uma vez consolida a sua candidatura contra os desejos da cúpula tucana. Não deixa de ser uma boa notícia para a democracia que as bases partidárias e a militância ganhem força nas disputas internas, seja no PSDB, PT, ou qualquer outra legenda.

A seguir, mais detalhes sobre a pesquisa Datafolha na versão do portal Terra.

Datafolha: Marta e Alckmin lideram disputa

Uma pesquisa do Datafolha publicada na edição de domingo do jornal Folha de S.Paulo mostrou que a ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT), e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) continuam tecnicamente empatados, na liderança da corrida pela prefeitura de São Paulo. Marta tem 30% das intenções de voto e Alckmin, 29%. O atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM) permanece na terceira colocação, com 15%. Paulo Maluf (PP) aparece em quarto, com 8%, seguido por Erundina (PSB), com 5%. Paulinho (PDT) e Soninha (PPS) seguem empatados com 2%; Aldo (PCdoB), Valente (Psol) e Zulaiê (PHS) possuem 1%. Brancos e nulos somaram 5% e indecisos, 1%. A pesquisa foi realizada no dia 15 de maio, com 1.087 eleitores, residentes de São Paulo. A margem de erro é de três pontos percentuais e o levantamento foi registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com o número 00700108-SPPE.

Na última pesquisa, dos dias 25 e 26 de março, Gilberto Kassab tinha 13%. Marta e Alckmin tiveram uma oscilação positiva de um ponto percentual.

"Mesmo dentro da margem de erros, Kassab vem em uma ascendente", diz ao jornal Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha. "Kassab está tirando votos dos que estão abaixo dele. Não de Alckmin, nem da Marta", completa.

Erundina admitiu há dez dias a possibilidade de desistir da candidatura para ser vice-prefeita de Marta. Sem ela, a ministra de Turismo atinge 32% das intenções de voto e Alckmin, 28%.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Kassab vai tirar Maluf da eleição em SP

Um experiente deputado federal de São Paulo avisa: Paulo Maluf não será candidato à prefeitura de São Paulo pelo PP. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) está articulando diretamente com as direções nacional e estadual do PP a adesão do partido à grande frente que já conta com DEM, PMDB e PR. A investida de Kassab está sendo bem recebida pelos correligionários de Maluf porque os pré-candidatos a prefeito no estado de São Paulo avaliam que a candidatura do ex-governador e ex-prefeito da capital, nesta altura do campeonato, causaria "constrangimento". Segundo alguns analistas, sem Maluf na parada os quase 10% de eleitores fiéis do líder pepista se dividiriam entre Kassab e Marta - é bom lembrar que o deputado Paulo Maluf faz parte da base aliada e hoje está bem longe de ser um adversário do PT, como era no passado. Também é bom lembrar que Maluf vai insistir na candidatura e se a decisão for para uma Convenção, a parada vai ser dura, porque ele sempre foi um mestre em vencer este tipo de eleição interna. Paulo Egídio e Laudo Natel bem o sabem.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Jorge Rodini: Serra na cola de Lula

Em mais uma colaboração para o blog, o diretor do instituto Engrácia Garcia de pesquisas, Jorge Rodini, analisa detalhes dos últimos levantamentos realizados em São Paulo e conclui que o governador José Serra (PSDB) acertou na estratégia de não bater no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pelo que se observa de mês e meio para cá, Serra não apenas jamais fala mal do atual governo como tenta se mostrar até um pouco simpático ao presidente, aparecendo em tantas solenidades ao lado de Lula que a primeira-dama Marisa Letícia já estaria até enciumada. A seguir, a íntegra do comentário de Rodini:

Pesquisas quantitativas realizadas em cidades médias e grandes do estado de São Paulo demonstram a convergência na aprovação das administrações do presidente Lula e do governador Serra.

Em vários destes municípios, principalmente os governados por tucanos, a avaliação de Serra melhorou bastante depois da maior proximidade do governador paulista junto ao presidente.

Pesquisas qualitativas anteriores executadas pela Engrácia Garcia na grande São Paulo mostravam que o eleitor, especialmente os de baixa renda, não aceita o ataque a Lula.

O PT é criticado até pelos seus admiradores, porém o prestígio de Lula é inabalável.

Esta mobilidade do eleitor brasileiro reside no fato de que sem Lula não há pré-candidato que empolgue. O recall de Serra na Saúde pode ser o diferencial que leva os aprovadores da gestão Lula a cacifá-lo.

o presidente de aço, o lulaflon inquebrantável, pode estar fazendo bem a Serra. com os candidatos palacianos sendo esfarinhados um a um, o governador paulista pode estar trilhando um caminho mais vigoroso em direção ao palácio.

Título esclarecedor

A peróla a seguir está no site do PSDB: "Após sumiço de Aparecido, CPMI dos Cartões adia depoimento". Estava bem humorado, o redator tucano...

terça-feira, 13 de maio de 2008

Dines: Depois do jornalismo
fiteiro, a reportagem dossiêira

Está muito interessante o artigo do mestre Alberto Dines, publicado hoje no Observatório da Imprensa. Na íntegra, para os leitores do blog:

A expressão foi criada neste Observatório no final dos anos 90. Sinônimo de imprensa marrom, designa um procedimento escuso disfarçado em jornalismo de alto nível.

O jornalismo fiteiro consiste na transcrição pura e simples de grampos (legais ou ilegais), fitas (em áudio ou vídeo) e dossiês, entregues por "fontes secretas" a um jornalista (ou intermediário) desde que haja o compromisso da imediata divulgação sem recorrer a qualquer suporte investigativo.

O dossiê mais escandaloso foi obra dos aloprados (assim classificados pelo presidente Lula), que falsificaram denúncias dos sanguessugas Vedoin contra lideranças do PSDB na véspera das eleições presidenciais de 2006. A intenção dos falsários era publicar o dossiê no semanário IstoÉ, cuja boa vontade já estava a$$egurada.

Independente do conteúdo do dossiê – o item menos importante da transação –, o que conta é a disponibilidade de um veículo de informação em publicar os dados sem questioná-los ou apurá-los.

O ilícito existe a partir da certeza (ou presunção) de que em Brasília sempre haverá jornalistas dispostos a publicar matérias marrons, quaisquer que sejam a sua procedência e objetivo. Se porventura as empresas jornalísticas usassem o seu inabalável esprit de corps para barrar tais procedimentos, tanto o jornalismo fiteiro como suas variantes não teriam prosperado.

Garantido o divulgador, pouco importa onde, como, quem o produziu, a quem interessa o vazamento e quem o vazou.

Nova fase, práticas antigas

O Dossiê dos Cartões (o nome definitivo ainda não foi determinado, vai depender da identificação dos culpados) é um caso clássico e marca o início de uma fase mais sofisticada: o veículo (no caso, Veja) o recebeu para que denunciasse os seus autores. Esta era a isca. E os autores contavam com a divulgação da papelada (ou base de dados) para comprovar que nos governos anteriores também ocorriam abusos com os cartões corporativos. Toma lá, dá cá – todos saíam ganhando.

A verdade é que a novela do Dossiê Visa (ou Mastercard, dá no mesmo) foi toscamente armada e por isso está praticamente destrinchada: já se sabe onde a peça foi montada (numa dependência da Casa Civil, próxima à secretária-executiva Erenice Guerra), quem a vazou (José Aparecido Nunes Pires, secretário de Controle Interno da mesma repartição) e quem a conduziu até as proximidades do veículo vazador (André Eduardo da Silva Fernandes, assessor do senador tucano Álvaro Dias).

Veja publicou a armação palaciana porque nossa mídia aceita qualquer lixo jornalístico, de qualquer origem – com raras exceções e estas exceções não se situam no segmento dos semanários de informação.

No dia em que autoridades e políticos forem informados de que suas fitas e dossiês já não têm livre trânsito nas redações brasilienses, o jornalismo fiteiro ou dossiêiro estará automaticamente extinto.

***

Aqueles que sabem o que é Estado Novo, proclamado em 10 de Novembro de 1937, e ainda se recordam do famigerado Plano Cohen são privilegiados: sabem que se trata do primeiro dossiê fajuto, chapa-branca, preparado para ser amplamente divulgado e, em seguida, acionar uma violenta reação militar. A ditadura do Estado Novo começou assim.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Ainda sobre a ponte estaiada de Marta

1. O então prefeito José Serra (PSDB), hoje governador de São Paulo, mandou suspender, logo ao assumir a prefeitura, as obras da ponte inaugurada no sábado na capital paulista sob a alegação de que os estaios eram "frescura" e encareciam muito a construção da ponte.

2. O jornal O Estado de S. Paulo praticamente desconheceu a inauguração. Agora, a cidade tem uma ponte com o nome do falecido dono da Folha e outra, na marginal Tietê, com o nome de um dos ex-diretores do Estadão (Júlio de Mesquita Neto), também falecido. É forçoso reconhecer que a ponte do seu Frias é mais bonitinha. E mais importante também: liga o bairro do Morumbi, onde moram novos e antigos ricos, à avenida Jornalista Roberto Marinho. Já a ponte dos Mesquita liga o nada ao lugar nenhum...

Folha: quem te viu, quem te vê...

O que vai abaixo é uma grande sacada do blogueiro Luís Favre. Vale a pena ler na íntegra, embora longo. Em resumo, é o seguinte: a ponte inaugurada pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), iniciada na gestão Marta Suplicy (PT), foi condenada e espinafrada em editorial pela Folha de S. Paulo, na época em que Marta apresentou o projeto. O mundo gira, a lusitana roda: anos depois, a mesmíssima ponte ganhou o nome de Octávio Frias de Oliveira e mereceu todos os aplausos do jornal. Como se vê, coerência é tudo!

Ponte da Marta: recordar e viver

José Serra e Gilberto Kassab batizaram a ponte estaiada com o nome do dono e falecido fundador da Folha de São Paulo, Octavio Frias. Uma bela e justa homenagem a um jornalista respeitado. Como lembrou sua filha “Uma ponte é sempre a promessa de um encontro, de uma reunião, de uma convergência. Nesse sentido, o batismo dessa obra é uma homenagem apropriada para quem conheceu Octavio Frias de Oliveira. Meu pai era um homem de diálogo, que gostava de aproximar as pessoas umas das outras, que gostava de promover a reunião de pontos de vista diferentes. Ele próprio foi a ponte do que muitas pessoas eram para o que viriam a ser”.

Na festa da inauguração, onde foi convidado o ex-prefeito Paulo Maluf e não foi convidada a Ministra de Turismo Marta Suplicy, os discursos destacaram a importância da ponte para aliviar o trânsito, a sua beleza arquitetônica e a elegeram em coro o novo cartão postal da cidade.

Para José Serra “ela é um novo marco” para São Paulo. A Folha deu ampla cobertura ao evento destacando que “é a única no mundo em que duas plataformas estaiadas se sobrepõem”.

Ela é capa da Folha de hoje com uma linda foto legendada

Em um dos artigos sobre a ponte, a Folha explica: “é a maior obra do governo do democrata Gilberto Kassab.

Ela foi concebida para desafogar o tráfego na marginal, fazer a ligação com a rodovia dos Imigrantes e se tornar um cartão-postal da cidade, com custo final de R$ 260 milhões. O arquiteto responsável é João Valente Filho.

A ponte pode se tornar um dos cartões-postais da cidade de São Paulo não só por suas luzes mutantes, mas por quatro aspectos de engenharia que a fazem única.

Segundo o engenheiro responsável pela obra, Catão Francisco Ribeiro, o ângulo de 60º, que faz com que a travessia ocorra em curva, é o maior entre as estaiadas do mundo, que costumam ter de 10º a 15º. Outro aspecto inédito é o formato do mastro, o “x” central que sustenta os estais.

A obra faz parte do complexo viário Real Parque e, segundo a Emurb (Empresa Municipal de Urbanização), vai reduzir em até 45 minutos o tempo de viagem do motorista que usa a marginal para chegar a bairros da zona sul da cidade.”

Com tamanho entusiasmo, a Folha acabou esquecendo que a obra foi projetada como parte da operação urbana Água Espraiada pela administração Marta Suplicy (que estranhamente é citada quando a Folha fala do valor pago por Kassab pela obra). A Folha também esqueceu que em relação ao conjunto do projeto, que além da ponte incluía a construção de 8.500 moradias populares para as favelas do entorno, assim como a junção com a Imigrantes, desafogando a Av Bandeirante, só a ponte foi concluída após 4 anos da atual gestão. E a justiça teve que intervir para que os moradores da favela Real Parque não fossem despejados sem qualquer moradia, pela administração Kassab.

Esqueceram também de lembrar que orçada em R$147 milhões ela acabou custando o dobro e por ficar parada durante quase três anos, a prefeitura teve que pagar multa.

Em grande parte custeada pela venda do CEPAC, criado pela administração Marta Suplicy para arrecadar dinheiro sem utilizar o orçamento da cidade, a ponte é hoje sem dúvida um orgulho para todos.

Vale a pena ler os artigos a seguir, disponíveis na Folha online e apreciar as fotos da belezura entregue à cidade.

Aproveitem também para reler o editorial da Folha de São Paulo do 13 de maio de 2005, exatamente três anos antes da Ponte ser inaugurada. Ele figura no final desta nota.

Marta Suplicy mostrou-se visionária e determinada para vencer mais este desafio. Hoje estão extasiados e são unânimes em aplaudir. Quando leiam o editorial em questão verão que é só uma forma do “esqueçam o que eu escrevi”.


Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira

da Folha de S.Paulo

Pontes são uma seara vasta e dinâmica para o mundo dos recordes, em que a ponte Octavio Frias de Oliveira, inaugurada neste sábado (10), também passa a figurar. Ela é a única do mundo em que duas plataformas estaiadas se sobrepõem, fazendo com que os cabos se entrelacem, e conta com o maior ângulo entre estaiadas, de 60º.

Por conta disso, a equipe responsável pela obra tem apresentado o projeto em alguns dos maiores congressos internacionais sobre pontes.

da Folha de S.Paulo

A ponte Octavio Frias de Oliveira pode se tornar um dos cartões-postais da cidade de São Paulo não só por suas luzes mutantes, mas por quatro aspectos de engenharia que a fazem única. Segundo o engenheiro responsável pela obra, Catão Francisco Ribeiro, o ângulo de 60º, que faz com que a travessia ocorra em curva, é o maior entre as estaiadas do mundo, que costumam ter de 10º a 15º.

Outro aspecto inédito é o formato do mastro, o ‘x’ central que sustenta os estais –estai é um termo náutico que denomina o cabo que segura a vela de um barco. Nascido de uma necessidade de engenharia, a forma foi aproveitada pelo arquiteto João Valente para marcar o visual da ponte.

A sobreposição de duas plataformas estaiadas também nunca havia sido feita. “Essa [ponte] foi complicadíssima do ponto de vista geométrico, porque os cabos não poderiam cruzar uns com os outros”, diz um dos maiores especialistas brasileiros no assunto, Augusto Carlos de Vasconcelos, da Divisão de Estrutura do Instituto de Engenharia e autor de “Pontes brasileiras: Viadutos e Passarelas Notáveis” (ed. Pini).

De acordo com Ribeiro, a execução foi como um bordado. As pontes sobrepostas tinham de ser construídas simultaneamente, para que uma contrabalanceasse a outra.

Por conta disso, o processo de construção também foi único: não era possível usar o rio nem as marginais para fazer o escoramento. Assim, a evolução das duas pontes ocorreu ao mesmo tempo.

Segundo Vasconcelos, as pontes estaiadas são uma evolução das pontes pênseis (ou suspensas), e a possibilidade de serem construídas parte por parte permite que a obra seja mais rápida e econômica.

“É muito mais difícil de ser calculada, mas, por outro lado, muito mais fácil de ser concluída”,
afirmou ele.


São Paulo, sexta-feira, 13 de maio de 2005
EDITORIAL FOLHA DE SÃO PAULO


PROJETO EXTRAVAGANTE

É acertada a decisão do prefeito José Serra (PSDB) de retomar as obras que ligam as avenidas Jornalista Roberto Marinho (antiga Água Espraiada) e a marginal Pinheiros, deixando de lado a construção de duas pontes sobre o rio Pinheiros, na zona sul da cidade, previstas no projeto original aprovado pela administração da ex-prefeita Marta Suplicy. A justificativa apresentada por José Serra é que a construção dessas pontes estaiadas (suspensas por cabos de aço) encareceria desnecessariamente a obra.
A cautela e a mudança do projeto original são procedentes. Com as pontes endossadas por Marta, toda a empreitada custaria nada menos que R$ 147 milhões. Sem elas, o custo total -que inclui outras alterações na malha viária, além da construção das alças- cai para R$ 85 milhões.
É duvidoso, ademais, que a venda em leilões dos Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), títulos que dão direito de construir além dos limites estabelecidos em certas áreas da cidade, possa gerar recursos suficientes para arcar com as despesas previstas inicialmente no projeto. No ano passado, os leilões desses papéis, realizados para angariar fundos para a construção das pontes, não conseguiram amealhar mais do que R$ 35 milhões, soma muito aquém da estimada para a conclusão das obras.
Além de cara, a construção dessas pontes suspensas está longe de ser uma prioridade para aquela área da cidade. A ligação da avenida Roberto Marinho com a marginal Pinheiros pode continuar a ser feita, sem maiores transtornos, através de duas outras pontes já existentes a apenas 800 metros do local. Essa circunstância, aliás, torna ainda mais extravagante -e suspeito- o projeto deixado pela gestão petista, para o qual, até aqui, não foram apresentadas justificativas convincentes.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Pegou mal

Revelado o nome do homem que vazou o suposto "dossiê" com os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a pergunta que não quer calar é uma só: por que diabos o senador tucano Álvaro Dias (PR) não contou logo que seu assessor recebeu a planilha do tal José Aparecido Pires, que além de petista seria amigão do ex-ministro José Dirceu?

O senador paranaense já veio com uma conversa mole de que "não deu tempo" de revelar a sua fonte, o que é uma desculpa realmente ridícula, uma vez que ele mesmo, Álvaro Dias, subiu à tribuna do Senado para reconhecer que teve acesso ao dossiê em 31 de março...

Ou os parlamentares da oposição são mesmo muito ruins de bola e não conseguem marcar gol nem com a meta escancarada, sem goleiro, ou então tem alguma coisa esquisita nessa história, afinal não faz sentido um senador tucano e dos mais combativos simplesmente acobertar um crime de um alto funcionário da Casa Civil, ainda por cima amigo do Zé Dirceu – o que para a oposição significa algo equivalente a ter parte com o diabo. Neste caso em particular, este blog não acredita em incompetência dos oposicionistas. Neste mato, é só procurar, tem coelho.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

A campanha já está na rua

Avisem o dia em que o governador José Serra aparecer em evento de campanha ao lado do tucano Geraldo Alckmin, seu correligionário e candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo. Este blog aposta um Black Label que Geraldo poderá contar nos dedos de uma mão as aparições de Serra. Já o prefeito Gilberto Kassab (DEM) terá que arrumar mais dedos para contar...
Confira abaixo na matéria da Agência Estado.

Evento reúne Kassab, Serra e Quércia em palanque

ELIZABETH LOPES
Na semana em que o Diretório Municipal do PSDB confirmou o nome do ex-governador paulista Geraldo Alckmin para disputar a Prefeitura da capital paulista pela legenda, uma inauguração realizada hoje em São Paulo reuniu no mesmo palanque o governador do Estado, José Serra (PSDB), o prefeito da capital, Gilberto Kassab (DEM), e o presidente estadual do PMDB, Orestes Quércia. O evento foi a inauguração do Complexo Viário Jurubatuba, na zona sul, ocorrida no início da tarde de hoje.

Mais uma vez, Serra evitou comentar a disputa interna de seu partido, que divide correligionários favoráveis à candidatura Alckmin e defensores da manutenção da aliança com o DEM. No evento, Serra fez questão de reforçar a boa parceria que mantém com Kassab, destacando que eles pegaram esta obra (iniciada na gestão da ex-prefeita petista Marta Suplicy) interrompida e a concluíram. Segundo cálculos do governo, a obra teve um custo total de R$ 146,4 milhões, dos quais R$ 105,1 milhões foram investidos pelas administrações Serra e Kassab.

Ao contrário do governador, que tem evitado nessa semana os temas políticos, Kassab voltou a falar da intenção de atrair o PSDB para sua coligação. Sem confirmar oficialmente a adesão de legendas, o prefeito destacou que o PV e o PR provavelmente farão parte de sua coligação, juntamente com o PMDB, que já formalizou o apoio
.

Apesar do amplo leque de alianças que Kassab deverá ter neste pleito, ele voltou a dizer que a prioridade continua sendo o PSDB. Ele reconhece que a formalização da candidatura de Geraldo Alckmin dificulta uma aproximação maior, mas reiterou que vai continuar perseguindo esta aliança ainda no primeiro turno. "Minha vontade pessoal é estarmos juntos no primeiro turno", disse Kassab, referindo-se aos tucanos. E disse mais uma vez que, apesar deste desejo, respeita a decisão dos partidos de terem candidatura própria.

Tucano
O evento realizado hoje na capital reuniu também outros tucanos apoiadores da candidatura Kassab, como o líder na Câmara Municipal, vereador Gilberto Natalini. A ala tucana favorável à manutenção da aliança com o DEM reitera que vai levar esta posição à convenção da legenda, prevista para ratificar a candidatura Alckmin e que ocorrerá no mês de junho. Apesar desta estratégia, apoiadores de Alckmin reiteram que não vão abrir mão da candidatura própria nas eleições.

De acordo com José Serra, o Complexo Viário Jurubatuba, inaugurado hoje em São Paulo, é uma importante marca de seu governo e da administração Kassab. Fazem parte desse complexo duas pontes sobre o rio Jurubatuba, a ampliação da avenida Miguel Yunes, a recuperação e a construção dos pontilhões da avenida, a canalização de trechos do córrego Olaria e do córrego IV Centenário e uma nova avenida na região da Cidade Dutra, denominada Isaías Ribeiro da Silva.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

PT vibrou com atuação de Agripino Maia

O senador Agripino Maia (DEM-RN) foi nesta quarta-feira o protagonista da cena que permitiu à ministra Dilma Rousseff virar o jogo e se apresentar como uma política credenciada a sentar na cadeira que hoje é de Luiz Inácio Lula da Silva. Uma arguição infeliz do senador, lembrando que a ministra admitiu ter "mentido muito" durante o regime militar, teve o efeito equivalente ao de uma bola levantada na medida para Dilma cortar. A partir deste momento, a dona do jogo foi a ministra e à oposição restou o papel de coadjuvante no palanque da cada vez mais forte presidenciável petista. A "mãe do PAC" pode até nem ser a candidata do PT em 2010, mas hoje deve ao senador Agripino mais uns pontinhos para as pesquisas de intenção de voto...

Dilma saiu maior do que entrou

Se a oposição esperava constranger a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no debate realizado hoje no Senado, o tiro saiu pela culatra. A boa performance da ministra e as recentes aparições dela ao lado do presidente devem ajudar a elevar mais uns pontinhos nas intenções de voto para a até agora mais visível pré-candidata petista à sucessão de Lula. De grão em grão, Dilma pode chegar logo ao patamar de Marta Suplicy, a petista melhor colocada nas pesquisas. Para quem até pouco tempo era uma ministra "técnica" e desconhecida do povão, não deixa de ser um bom começo.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Clima piora no PSDB: novo partido à vista?

A aclamação do nome de Geraldo Alckmin para a disputa da prefeitura de São Paulo neste ano pelo diretório municipal do PSDB não representou nem de longe o fim das tensões entre os tucanos. Ao contrário, o clima bélico da reunião de ontem só colaborou para piorar as coisas e hoje a conversa nos bastidores do partido é justamente sobre... a criação de um novo partido, depois das eleições de outubro. Pelas conversas, a nova legenda seria criada pelo grupo de Alckmin, que, se vencer a batalha contra Gilberto Kassab (DEM) e Marta Suplicy (PT), ganha de novo a estatura de presidenciável. Por outro lado, conforme apurou a repórter Patrícia Acioli para reportagem que o DCI publica amanhã, já há alckmistas defendendo a expulsão do PSDB dos tucanos que fizerem corpo mole ou ameaçarem constestar a decisão partidária judicialmente. Tudo somado, o clima está realmente pesado no PSDB, com a liderança do governador e presidenciável José Serra sendo desafiada em seu próprio estado. Contente mesmo deve estar a ex-prefeita Marta Suplicy, que assiste de camarote o acirramento da disputa entre os seus principais adversários.

Cadê a crise que estava aqui?

A cada dia que passa, a cada divulgação de dados sobre a economia brasileira, mais os analistas econômicos se atrapalham para explicar por que diabos a famosa crise do subprime norte-americana não está afetando o Brasil. Nesta terça-feira foi divulgado o resultado trimestral da indústria e, conforme matéria reproduzida abaixo, do portal UOL, a produção cresceu 6,3% no primeiro trimestre deste ano, comparada ao mesmo período de 2007. Os dados são do IBGE. É um aumento expressivo e que está em linha com o resultado das vendas da indústria, divulgado ontem pela CNI, que apontava o melhor resultado dos últimos cinco anos.

Em tese, a retração econômica na maior potência econômica do planeta já deveria estar afetando negativamente o Brasil, mas isto não acontece. Há duas hipóteses para explicar o fenômeno: ou os empresários brasileiros apostam que a crise vai ser suave e as conseqüências, pequenas – neste caso valeria a pena continuar ampliado a capacidade de produção porque logo mais o mercado norte-americano vai aumentar a demanda pelos produtos brasileiros – ou o mercado interno está compensando eventuais prejuízos no exterior.

Qualquer que seja a explicação, o fato concreto, como diria o presidene Lula, é que o forte crescimento da produção industrial de certa forma dá razão ao Banco Central, que diagnosticou o movimento de pressão na demanda interna e robusto crescimento na atividade econômica nacional como um todo. O problema, segundo Meirelles e seus falcões, é que a pressão sobre a demanda seria maior do que a capacidade da indústria de atender o mercado interno, daí a necessidade de subir a taxa de juros para conter a inflação. Se esta visão é correta ou não, o tempo vai dizer.
A seguir, o lide da reportagem do UOL.

Produção industrial cresce 6,3% no trimestre, diz IBGE

A produção da indústria brasileira aumentou 6,3% no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período de 2007. Em março, o aumento foi 1,3% sobre o mesmo mês do ano passado e de 0,4% sobre fevereiro (no cálculo com ajuste sazonal). Os dados são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Na segunda-feira (dia 5), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou pesquisa, nesse caso sobre vendas do setor, mostrando que houve uma alta de 7,6% no trimestre, a maior expansão dos últimos cinco anos.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Hoje é dia de Geraldo

O ex-governador Geraldo Alckmin tentará criar um fato consumado nesta segunda-feira, com o "lançamento" da sua pré-candidatura à prefeitura de São Paulo. Até dias atrás, um ato deste tipo seria encarado como o final da novela da candidatura própria no PSDB, mas desta vez a história é outra e os aliados do governador José Serra tentarão constranger os alckmistas com uma moção para levar a disputa para a Convenção do partido, que analisaria também a hipótese do apoio ao prefeito Gilberto Kassab (DEM). Antigamente, os tucanos se bicavam apenas nos bastidores, agora a coisa já acontece em público, na frente das crianças...

domingo, 4 de maio de 2008

Futebol: deu a lógica em SP e Rio

Apesar da torcida deste blog pela Macaca campineira, o Palmeiras não tomou conhecimento da Ponte Preta e fez a alegria de sua torcida, enfiando logo 5 no adversário. Felizmente, o autor destas Entrelinhas mora longe da Avenida Paulista, evitando assim a poluição sonora, visual e olfativa que a festa alvi-verde deve estar provocando na região.

No Rio de Janeiro, também deu a lógica e o Flamengo venceu a parada na despedida do técnico Joel Santana. A pergunta que não quer calar entre os cariocas é uma só: onde é que o Ronalducho vai comemorar o campeonato do Mengão? Travecas, tremei...

sábado, 3 de maio de 2008

Recorde em abril

Pelo segundo mês consecutivo, a audiência destas Entrelinhas bateu recorde em abril. Aos leitores, renovamos os nossos agradecimentos: aos que sempre frequentam o blog, aos novos leitores e em especial aos que além de frequentar, têm apontado, em seus blogs e sites, links para o Entrelinhas, muito obrigado mais uma vez.

Vai dar macaca!

Este blog está com um pressentimento fortíssimo: a macaca vai bater o Palmeiras por 2 a 0 na final do campeonato paulista, amanhã. Tal resultado dá o caneco para o escrete campineiro, que jamais conseguiu a façanha de ser campeão. Claro, o Palmeiras é favoritíssimo, já ganhou a primeira partida fora de casa e joga por um empate no Parque Antártica, ou seja, tudo conspira para mais um campeonato do velho Palestra Itália. Só que é bom lembrar o velho ditado: futebol é uma caixinha de surpresas e nem sempre a lógica prevalece. Ademais, o clima não andou nada bom durante a semana no CT da Barra Funda e os atletas alvi-verdes andaram se desentendendo. Não é nada, não é nada, seria muito engraçado ver a cara do Luxerley Vandenburgo após perder o campeonato mais ganho da história...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ainda sobre a disputa paulistana

Conforme este blog antecipou, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, está mesmo negociando o apoio do seu partido, o PDT, à candidatura da ex-prefeita e ministra do Turismo Marta Suplicy. É evidente que a Operação Santa Tereza foi uma verdadeira mão na roda para Marta, porque Paulinho ficou na defensiva e mais dependente do governo federal.

O chamado "bloquinho" insiste que terá candidatura própria, provavelmente do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB). Aldo já declarou inúmeras vezes que sozinho, não sairá candidato a nada, o que significa que a outra "noiva" que está sendo disputada por Marta e Geraldo Alckmin (PSDB), o PSB de Luiza Erundina, tende a fechar com os comunistas, indicando o vice-prefeito da chapa. É bem verdade que as ofertas tanto de Alckmin como de Marta devem ter sido tentadoras – Erundina poderia ser vice de candidaturas com chances reais de vitória –, e nos bastidores há quem diga que a deputada teria ficado muito satisfeita com a abordagem do PT, partido pelo qual ela se elegeu prefeita em 1988.

O grande problema das negociações que estão ocorrendo neste momento, tanto para Marta como para Alckmin, é que ao deixar a vaga de vice indefinida, os dois correm o risco de perder apoios que já eram dados como certos (PR, no caso de Marta, e PTB, no de Alckmin). O PR já acenou que aceita o acordo com o PT, desde que a vaga de vice seja do partido, do contrário pode fechar com o prefeito Gilberto Kassab (DEM). Já o deputado Campos Machado, líder do PTB, é Geraldo desde criancinha, mas não gostou do pouco caso do ex-governador com o partido e ameaça lançar candidatura própria neste ano, embora venha sendo também pressionado por integrantes da Executiva Nacional, como o ministro José Múcio, a apoiar Marta Suplicy.

Como se vê, a eleição paulistana é realmente complexa e este quadro de certa forma revela a fraqueza dos partidos políticos, que se movem muito mais pelos interesses de ocasião do que pela ideologia que supostamente professam.