terça-feira, 30 de setembro de 2008

Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

Vai demorar um pouco para que seja possível fazer uma análise mais profunda sobre os efeitos da crise financeira mundial aqui no Brasil. Todos, isto mesmo, rigorosamente todos os analistas que se prestam ao papel de escrever sobre este tema estão chutando. A opinião de um economista, hoje, 30 de setembro, sobre a crise vale tanto quanto a de uma manicure. A razão é simples: o mundo das finanças está passando por uma tempestade como talvez nunca antes tenha passado. Ninguém sabe ainda onde está o fundo do poço.

Trata-se puramente de uma questão de lógica: se ninguém conhece a dimensão da crise, como prever seus efeitos no Brasil? Aliás, um bom leitor há de notar que todas as análises recém publicadas estão repletas da palavrinha "se": "Se o pacote de Bush for aprovado", "se o mercado financeiro reagir bem", "se a ajuda for suficiente"...

A verdade é que quando a tempestade chega no mar, a única coisa a fazer é recolher as velas, atracar os barcos e ficar em terra firme, esperando a tormenta passar. Só depois dá para sair, olhar o estrago, calcular as perdas. Vai demorar talvez um ou dois meses para que se possa fazer uma mínima idéia do que vem por aí.

Até lá, quem disser o que o governo deve fazer ou deixar de fazer no campo da política econômica ou está de má fé, defendendo interesses particulares, ou é irresponsável mesmo. Não há nada a fazer senão esperar um pouco para ter clareza sobre o que será preciso fazer. O Banco Central promoveu alguns ajustes pontuais, sinalizando que está pronto a injetar mais liquidez no sistema financeiro nacional. Além disto, vendeu meio bilhão de dólares das reservas cambiais para manter a taxa de câmbio abaixo do patamar de R$ 2. São medidas absolutamente pontuais, mas mostram que o governo está atento. Em um momento de crise, é bom que os agentes econômicos saibam que o governo está atento. O resto vem depois, quando o vendaval passar e for possível tentar entender para onde caminhará a economia mundial nos próximos anos.

SP: nova pesquisa Datafolha amanhã

O Datafolha registrou no TRE paulista uma nova pesquisa sobre o cenário eleitoral da capital, com campo em 29 e 30 de setembro, ou seja, ontem e hoje. Os números devem ser divulgados amanhã ou ainda hoje à noite. Este levantamento é fundamental para Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM): se a diferença entre os dois se acentuar, Alckmin pode dar adeus às pretensões de se tornar prefeito, governador, senador... Talvez consiga bastante voto para deputado federal. Se a pesquisa apontar um acirramento na disputa, quem vai tremer nas bases é José Serra, padrinho de Kassab. Nada neste mundo é pior para Serra do que uma vitória de Alckmin. Aliás, basta Alckmin passar para o segundo turno para virar uma bela pedra no sapato de Serra, pois terá demonstrado força em uma situação extremamente adversa.

Os democratas estão espalhando a versão de que a pesquisa interna do PSDB aponta uma diferença de 10 pontos entre Kassab e Alckmin, favorável ao primeiro (28% a 18%), mas é justo considerar tal versão uma "plantação" do DEM para favorecer seu candidato. O palpite deste blog é que a disputa continua apertada, com ligeira vantagem para Kassab.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

E agora, Geraldo?

Este blog ficou fora do ar neste final de semana em virtude de compromissos acumulados e excesso de trabalho. Para normalizar as coisas, um comentário rápido sobre as pesquisas divulgadas no sábado e também sobre o debate da TV Record e a reta final da campanha eleitoral.

Nitidamente, o candidato do DEM em São Paulo, prefeito Gilberto Kassab, abriu uma dianteira importante sobre o seu rival Geraldo Alckmin (PSDB), que disputa com o democrata uma vaga para enfrentar Marta Suplicy (PT) no segundo turno. Sim, as pesquisas são bem claras neste sentido, mas ainda que as pesquisas estivessem erradas, na margem de erro ou for dela, é o comportamento dos candidatos que revela a ultrapassagem. Para quem não conhece muito bem como funciona a coisa, toda campanha contrata suas próprias pesquisas e nela se baseia para dosar o discurso, tentar dizer o que o eleitor gostaria de ouvir. Bem, Alckmin desistiu do jeito "bom moço" que o consagrou na política e partiu para a jugular de Kassab no debate de domingo. Já tinha partido antes, é verdade, mas o comportamento do ex-governador foi de alguém que nitidamente estava precisando buscar algo que não tem, postura muito diferente da de Kassab, que procurava de toda maneira sair incólume, mas foi obrigado a engrossar um pouco para não passar a imagem de pateta, saco de pancadas dos adversários.

É claro que tudo pode acontecer na cabeça do eleitor no dia 5 e a diferença entre Kassab e Alckmin ainda é muito pequena, de maneira que também não seria surpresa se o tucano passasse para o segundo escrutínio, mas a verdade é que neste momento a lógica conspira a favor de Kassab, cuja curva de popularidade é ascendente desde o início da campanha.

Assim, a grande incógnita da campanha passa a ser o comportamento de Alckmin no "day after", caso ele de fato não consiga a vaga para enfrentar Marta. Gente que conhece bem o candidato diz que ele jamais sairia do PSDB, muito menos sairia atirando nos seus companheiros. Ao contrário, o ex-governador tenderia a permanecer no ninho tucano à espera de uma nova chance. É claro que, a esta altura do campeonato, ninguém mais acredita que o governador José Serra (PSDB) vá dar de mão beijada a indicação para Geraldo disputar o Palácio dos Bandeirantes em 2010, de forma que também faz sentido a versão de que Alckmin deixaria o PSDB e ingressaria em outro partido para dar sequência à sua carreira política. Neste final de semana, a revista Veja publicou nota informando que o partido poderia ser o PSB.

Na primeira hipótese, Alckmin se tornaria uma espécie de Fleury Filho do PSDB, alguém que teria até certa dificuldade para se eleger deputado federal após ter passado pelo Palácio dos Bandeirantes. No segundo caso, rompendo com os tucanos e saindo de cabeça erguida, Alckmin talvez consiga espaço para desafiar o PSDB e disputar o governo do Estado em 2010 contra o candidato de José Serra. É uma jogada arriscada, mas talvez seja o que lhe restou a fazer. Tudo isto, é claro, se nesta reta final da campanha não ocorrer um fato político capaz de causar uma reviravolta na campanha e colocar Alckmin à frente de Kassab na disputa pelo segundo turno. A ver.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Só agravamento da crise pode
evitar o 3° mandato de Lula

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para o Correio da Cidadania. Em primeira mão para os leitores do blog.

A pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta semana trouxe números bastante positivos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo federal é aprovado por 68% dos entrevistados. A avaliação pessoal de Lula só não bateu recorde porque no levantamento feito um mês após a primeira posse, em 2003, a aprovação era de 83%, algo natural para um presidente recém-eleito que significava a esperança do povo para superar um momento especialmente difícil na vida brasileira. Hoje, segundo a pesquisa, Lula tem a confiança de 77,7% dos brasileiros. É muito, para qualquer tipo de comparação que se possa fazer. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, no auge do plano Real tinha 47% de aprovação popular.

A pesquisa CNT/Sensus também levantou o cenário pré-eleitoral com vistas à disputa de 2010, de duas diferentes maneiras. Na pesquisa espontânea, em que o entrevistador pergunta apenas "em quem o senhor(a) pretende votar em 2010", Lula teve 23% da preferência contra 6% do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que ficou em segundo lugar. A suposta candidata de Lula, ministra Dilma Rousseff, apareceu com apenas 1,9% do total.

Na pesquisa estimulada, em que o entrevistador apresenta uma cartela com os nomes dos pré-candidatos, Serra aparece com 38% das intenções de voto, seguido por Ciro Gomes (PSB), com 17% e Heloísa Helena (PSOL), com 9,9%. Dilma fica em quarto lugar, com 8,4%. O instituto Sensus realizou também simulações com Marta Suplicy e Patrus Ananias no lugar de Dilma. Serra aparece com 38,5% contra Patrus, que obtém apenas 2,7%, e teria 37,9% contra Marta, que fica com 5,9%. Nas medições para o segundo turno, Serra venceria Dilma Rousseff por 51,4% a 15,7%; Patrus Ananias, por 55,1% a 7,7%; e Ciro Gomes, por 47,1% a 22,5%.

Todos esses dados devem ser vistos com cautela, pois ainda falta muito tempo para a eleição e os entrevistados não sabem, nas listas estimuladas, quem afinal é o candidato de Lula. Como Serra é o mais conhecido, deve ter gente dizendo que vai votar nele achando que é apoiado pelo atual presidente... É evidente que tal como ocorreu com Márcio Lacerda em Belo Horizonte, quando a campanha começa e o povão toma conhecimento das opções, a tendência seria Dilma, Patrus ou Marta subirem com o apoio de Lula. Serra, porém, parte de uma base muito confortável de apoio popular, seja ele "recall" ou não – é quase o dobro de Ciro e o triplo de Heloísa, que também contam com o efeito da lembrança de já terem concorrido à Presidência. Portanto, mesmo com apoio de Lula, qualquer das opções que a pesquisa analisou teria dificuldades para bater Serra nas urnas em 2010. Poderia vencer, claro, até porque os problemas no PSDB estão se avolumando com a cisão do partido em São Paulo, de difícil recomposição, a depender do resultado das eleições municipais e especialmente se Geraldo Alckmin passar para o segundo turno.

Tudo somado, resta claro que o melhor candidato do governo para 2010 tem nome e sobrenome: Luiz Inácio Lula da Silva. Com 4 vezes mais intenção de votos do que José Serra, é possível dizer, sem medo de errar, que hoje não existe no Brasil ninguém com capacidade para enfrentar Lula nas urnas.

Neste cenário, Serra provavelmente nem sairia candidato e trataria de tentar manter em mãos tucanas o Palácio dos Bandeirantes. O DEM talvez lançasse alguém para marcar posição, já que a parceria com os tucanos está cada vez mais fragilizada, a julgar pelo que ocorre em São Paulo e Salvador, onde na eleição municipal deste ano o PSDB bate de frente com candidatos "naturais" dos democratas – Gilberto Kassab e ACM Neto. No outro campo, Heloísa Helena pontificaria com seu discurso udenista de ultra-esquerda, atacando os corruptos de todas as matizes. Ou seja, seria um baile para Lula.

Como a eleição não é hoje, existe uma variável importante e que terá que ser acompanhada a partir do ano que vem: a crise financeira mundial. Ainda não se sabe quais vão ser as consequências das turbulências em curso no Brasil, mas já é certo que alguma coisa vai acontecer. Há duas hipóteses para o que vem por aí: na primeira, os EUA conseguem estancar a sangria rapidamente, ainda neste ano, e a crise se espalha mundo afora de maneira, digamos assim, menos letal; na segunda hipótese, a crise se agrava a partir dos EUA e se torna planetária, com recessão na maioria dos países.

No primeiro caso, o Brasil teria uma pequena desaceleração econômica em 2009, possivelmente já com alguma recuperação em 2010. De qualquer maneira, o país não pararia de crescer no próximo biênio. No segundo caso, não há como fazer previsões. Se a crise se agravar nos EUA, até uma recessão no Brasil seria um cenário factível.

Não é preciso ser nenhum gênio ou analista de grande visão para imaginar as consquências desses dois cenários. No primeiro caso, o presidente Lula vai aparecer na fita como o homem que resistiu às turbulências e que, na pior crise do capitalismo, manteve o Brasil no rumo, com a economia crescendo. Ainda que a desaceleração cause algum dando à sua popularidade, é lícito supor que Lula manteria a base de votos que tem hoje e seria reeleito com muita facilidade. No segundo caso, é óbvio que o presidente não teria razão alguma para disputar a eleição, ainda que sua popularidade se mantivesse em alta. A conta da crise, em um cenário de agravamento dos problemas, seria paga a partir de 2010 e provavelmente até 2012, 13 ou mesmo além disto. Nada melhor para Lula do que estar longe do Planalto nesta época e retornar como salvador da Pátria em 2015. Pode parecer futurologia, mas é apenas análise de hipóteses absolutamente possíveis de se tornarem realidade.

Até meados de 2009 será possível perceber melhor o alcance da crise financeira. Será o momento em que Lula terá que decidir o que fazer da vida. O terceiro mandato não é permitido hoje, mas seria facilmente aprovado se um presidente com 80% de popularidade quiser – com muito menos apoio o tucano Fernando Henrique Cardoso mudou as regras do jogo para obter o segundo mandato. Não há como o presidente Lula "não querer", se o cenário for favorável. A pressão popular e do PT será imensa. Ademais, os articuladores do terceiro mandato terão a seu favor o argumento de que o ultra-conservador presidente colombiano Álvaro Uribe também mudou as regras para disputar o terceiro mandato, o que já é dado por certo pela oposição daquele país.

Assim, José Serra e a oposição de direita só têm uma coisa a fazer: rezar, e muito, para que a crise norte-americana se agrave e contamine o mundo inteiro, gerando problemas especialmente no Brasil. É o que sobrou para tucanos e democratas: torcer pelo velho e surrado "quanto pior, melhor".

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Pacote de Bush é bom?
Paul Krugman responde

Vale a pena ler o artigo abaixo, cuja tradução foi publicada na Folha de S. Paulo de hoje. Krugman escreve no The New York Times e é um dos economistas que vinha alertando sobre o tamanho da crise financeira nos Estados Unidos. Até agora, pelo menos, ele vem acertando nos prognósticos. E o que ele diz sobre o pacote de George W. Bush para debelar a tal crise não é a coisa mais animadora do mundo...

Dinheiro por lixo

Se o plano do governo Bush for aprovado como está, teremos muito a lamentar

PAUL KRUGMAN, DO "NEW YORK TIMES"

ALGUNS CÉTICOS estão classificando o plano de US$ 700 bilhões que o secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, propôs para resgatar o sistema financeiros americano de "dinheiro por lixo". Outros chamam o pacote de "Lei de Autorização do Uso de Força Financeira", parodiando a "Lei de Autorização de Uso da Força Militar", o infame projeto que deu luz verde ao governo Bush para a invasão do Iraque.

As duas ironias são justas. Todos concordam em que é preciso fazer alguma coisa grande. Mas Paulson está exigindo para ele mesmo e para seu sucessor poderes extraordinários quanto a usar o dinheiro dos contribuintes em apoio a um plano que, no meu entender, não faz sentido. Há quem diga que deveríamos simplesmente confiar em Paulson, porque ele é um cara inteligente que sabe o que está fazendo. Mas isso é apenas parcialmente verdade: ele é mesmo um cara inteligente, mas o que, exatamente, na experiência dos últimos 18 meses -período em que Paulson repetidamente declarou que a crise financeira estava "sob controle" e ofereceu uma série de soluções frustradas- justifica a crença de que ele sabe o que está fazendo? Paulson está agindo de improviso, como todos nós.

Assim, vamos tentar refletir sobre o assunto por nossa conta. Tenho uma visão em quatro passos sobre a crise financeira. 1. O estouro da bolha da habitação levou a uma alta nas inadimplências e na execução de hipotecas, o que por sua vez resultou em queda nos preços dos títulos lastreados por hipotecas -ativos cujo valor deriva em última análise dos pagamentos de hipotecas. 2. Esses prejuízos financeiros deixaram muitas instituições financeiras com falta de capital -uma escassez de ativos em comparação com suas dívidas. O problema é especialmente severo porque todo mundo assumiu dívidas pesadas durante os anos da bolha. 3. Porque as instituições financeiras apresentam capital insuficiente com relação à sua dívida, elas não vêm podendo ou querendo oferecer o crédito de que a economia necessita. 4. As instituições financeiras vêm tentando pagar suas dívidas por meio da venda de ativos, incluindo aqueles títulos lastreados por hipotecas, mas isso vem forçando uma queda nos preços dos ativos e agrava ainda mais sua posição financeira. O círculo vicioso que temos é conhecido como "paradoxo da desalavancagem".

O plano de Paulson dispõe que o governo adquira até US$ 700 bilhões em ativos problemáticos, principalmente títulos lastreados por hipotecas. Como isso resolveria a crise? Bem, a medida poderia -vejam bem, poderia- deter o círculo vicioso da desalavancagem, o passo quatro de minha descrição sumária. Mas nem isso fica claro: os preços de muitos ativos, não só aqueles que o Tesouro propõe adquirir, estão sob pressão. E mesmo que o círculo vicioso seja limitado, o sistema financeiro ainda continuará paralisado por capital insuficiente. Ou melhor, ficará paralisado por capitalização insuficiente a não ser que o governo federal pague um ágio absurdo pelos ativos que adquirir -o que daria às companhias financeiras, seus acionistas e dirigentes- um imenso lucro extraordinário à custa do contribuinte.

Eu cheguei a dizer que o plano não me satisfaz? A lógica da crise parece requerer intervenção não no passo 4, mas no passo 2: o sistema financeiro necessita de mais capital. E, se o governo vai fornecer capital a companhias financeiras, deveria receber aquilo a que as pessoas que fornecem capital têm direito: uma participação acionária, de modo que todos os ganhos, caso o plano de resgate funcione, não beneficiem aqueles que causaram a confusão, para começar. Foi isso que aconteceu na crise das instituições de poupança e empréstimo, no final dos anos 1990: as autoridades federais tomaram o controle dos bancos problemáticos, não apenas de seus ativos. Também foi isso o que aconteceu com a Fannie Mae e a Freddie Mac. (E, aliás, aquele resgate cumpriu a missão pretendida. As taxas de juros hipotecários caíram acentuadamente desde que o governo federal tomou o controle das instituições.)

Mas Paulson insiste em que deseja um plano "limpo". "Limpo", no contexto, quer dizer um resgate financiado pelo contribuinte, mas sem precondições -os resgatados não precisarão retribuir. Por que isso seria vantagem? Acrescentemos a isso que Paulson também exige autoridade ditatorial e imunidade contra revisões "por qualquer tribunal judicial ou agência administrativa", e eis uma proposta inaceitável. Estou ciente de que o Congresso está sob imensa pressão para aprovar o plano de Paulson nos próximos dias, com no máximo algumas poucas modificações que o tornem menos ruim.

Basicamente, depois de passar um ano e meio dizendo a todo mundo que as coisas estavam sob controle, o governo Bush agora afirma que o céu está caindo e que, para salvar o mundo, temos de fazer exatamente o que eles estão dizendo, e já! Mas eu aconselharia o Congresso a parar um minuto, respirar fundo e tentar redefinir seriamente a estrutura do plano, para que ele trate dos problemas reais. O Legislativo não deveria se curvar à pressão -caso o plano seja aprovado em forma semelhante à atual, teremos todos muito a lamentar, em um futuro não muito distante.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Eleições 2010: Lula vale 4 Serras

Mais interessante do que o resultado da altíssima popularidade presidencial (aprovação de 68% para o governo e de 77% para Lula), que todos já esperavam, é a simulação da pesquisa CNT/Sensus da intenção de voto espontânea para a eleição de 2010. Mesmo não podendo concorrer, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 23% da preferência dos entrevistados contra apenas 6% do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), segundo colocado. Em outras palavras, Lula hoje teria praticamente 4 vezes mais votos do que o rival tucano. Infelizmente, o instituto Sensus não realizou pesquisa estimulada com o nome de Lula. Sem o presidente, Serra lidera, Ciro Gomes aparece em segundo e Dilma Rousseff já alcança praticamente 9%. Abaixo, mais detalhes sobre a pesquisa no release preparado pela assessoria da Confederação Nacional dos Transportes:


CNT divulga resultados da 93ª Pesquisa CNT/Sensus

A 93ª Pesquisa CNT/Sensus, divulgada hoje (22 de setembro de 2008), em Brasília, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), registra o Índice Avaliação em 54,30 e o Índice Expectativa em 73,82.
Em abril de 2008, o Índice Avaliação situava-se em 52,32 e o Índice Expectativa em 70,23.

O Índice Avaliação é formado pela ponderação das variáveis emprego, renda, saúde, educação e segurança pública para os últimos 6 meses, e o Índice Expectativa pela ponderação das variáveis emprego, renda, saúde, educação e segurança pública para os próximos 6 meses.

A Pesquisa foi realizada de 15 a 19 de setembro, em 136 municípios nas cinco regiões brasileiras e foram ouvidas 2.000 pessoas.

AVALIAÇÃO DO GOVERNO

A avaliação positiva do Governo Lula situa-se em 68,8%, e a avaliação negativa em 6,8%. Em abril de 2008, a avaliação positiva do Governo Lula situava-se em 57,5% e a avaliação negativa em 11,3%.

A aprovação do desempenho pessoal do presidente Lula situa-se em 77,7% e a desaprovação em 16,6%. Em abril de 2008, a aprovação do desempenho pessoal de Lula situava-se em 69,3% e a desaprovação em 26,1%.

QUALIDADE DE VIDA

A Pesquisa CNT Sensus quis saber se o brasileiro acredita que sua vida e de sua família melhorou nos últimos quatro anos.

Para 61,5% a qualidade de vida melhorou no período; para 25,8% está igual e para 11,6% piorou.

ELEIÇÕES 2010 – 1º TURNO

A Pesquisa CNT/Sensus quis saber, também, qual é a tendência do eleitorado brasileiro para a eleição presidencial de 2010, em primeiro turno, tanto em votação espontânea, quanto estimulada.

Em votação espontânea foram obtidos os seguintes dados: Lula, 23,4%; José Serra, 6,7%; Aécio Neves, 3,3%; Dilma Rousseff, 1,9; Heloísa Helena, 1,5%; Ciro Gomes 1,4%; Geraldo Alckmin, 1,4%; 56,7% não souberam ou não responderam.

Em listas estimuladas, os resultados foram os seguintes:

Primeira lista: José Serra, 38,1%; Ciro Gomes, 17,4%; Heloísa Helena, 9,9%; Dilma Rousseff, 8,4; 26,3% declaram não ter candidato. Os números de abril de 2008 eram 36,4%, 16,9%, 11,7%, 6,2% e 29,0% respectivamente.

Segunda lista: Ciro Gomes, 24,9%; Aécio Neves, 18,2%; Heloísa Helena, 13,4%; Dilma Rousseff, 8,6%; 34,9% declararam não ter candidato. Os números em abril de 2008 eram 23,5%, 16,4%, 17,5%, 7,0% e 35,7% respectivamente.

Terceira lista: José Serra, 38,5%; Ciro Gomes, 19,6%; Heloísa Helena, 10,6%; Patrus Ananias, 2,7%; 28,6% declaram não ter candidato. Os números em abril de 2008 eram 34,2%, 17,8%, 14,1%, 3,8% e 30,2% respectivamente.

Quarta lista: José Serra, 37,9%; Ciro Gomes, 18,9%; Heloísa Helena, 10,4%; Marta Suplicy, 5,9%; 27,0% declaram não ter candidato.

Quinta lista: José Serra, 45,7%; Heloísa Helena, 12,5%; Dilma Rousseff, 10,0%; declararam não ter candidato, 31,8%.

Sexta lista: Aécio Neves, 22,4%; Heloísa Helena, 21,2%; Dilma Rousseff, 12,3%; declararam não ter candidato, 44,0%.

Sétima lista: José Serra, 45,3%; Heloísa Helena, 15,4%; Patrus Ananias, 4,0%; declararam não ter candidato, 35,3%.

Oitava lista: Heloísa Helena, 23,5%; Aécio Neves, 23,0%; Marta Suplicy, 8,8%; declararam não ter candidato, 44,7%.

ELEIÇÕES 2010 – 2º TURNO

Quisemos saber ainda, qual é a tendência do eleitorado para um eventual segundo turno nas eleições presidenciais de 2010.

Na primeira opção: José Serra, 51,4%; Dilma Rousseff, 15,7%; com 32,9% declarando não ter candidato. Os números em abril de 2008 eram 53,2%, 13,6% e 33,3%, respectivamente.

Na segunda opção: Aécio Neves, 34,0%; Dilma Rousseff, 18,4%; com 47,7% sem candidato. Os números em abril de 2008 eram 32,1%, 18,3% e 49,6%, respectivamente.

Na terceira opção: José Serra, 55,1%; Patrus Ananias, 7,7%; com 37,2% sem candidato. Os números em abril de 2008 eram 55,1%, 8,2% e 36,8%, respectivamente.

Na quarta opção: José Serra, 47,1%; Ciro Gomes, 22,5%, com 30,4% sem candidato. Os números em abril de 2008 eram 43,7%, 25,5% e 31,0%, respectivamente.

AVALIAÇÃO DOS EXECUTIVOS

Para 47,8% dos entrevistados, a administração dos governadores é Ótima/Boa; para 33,8%, Regular, e para 15,9%, Ruim/Péssima.

As administrações municipais são consideradas Ótima/Boa por 48,2% dos entrevistados; Regular por 25,8% e Ruim/Péssima por 23,3%.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2008

35,9% dos entrevistados disseram ter muito interesse nas eleições municipais deste ano e 40,6% interesse médio, contra 21,5% que não têm interesse no pleito.

Para 48,9% dos entrevistados da Pesquisa CNT Sensus o que mais pesa na hora da escolha é o candidato demonstrar ser um bom administrador. Para 18,8% o que contam são as propostas; para 18,2%, ser um bom político e 11,0% as qualidades pessoais do candidato.

A execução de serviços públicos (40,4%) é o que mais esperam os eleitores dos prefeitos a serem eleitos; 33,1% esperam a geração de emprego; 17,0% combate à violência e 4,3% que o novo prefeito participe dos grande temas nacionais.

ESCOLHA DO CANDIDATO

Os debates e os programas do TRE, respectivamente, são os mecanismos mais utilizados pelo eleitor para definir seu candidato a prefeito: 29,5% e 25,6%; seguido do contato pessoal: 23,3%.

DEFINIÇÃO DE VOTO

59,8% dos entrevistados afirmam já ter definido seu voto para o pleito municipal deste ano; 17,0% dizem já ter preferência, mas que ainda podem mudar de candidato. 18,9% não se definiram ainda.

CANDIDATO APOIADO POR LULA

44,1% disseram que votariam ou poderiam votar em um candidato a prefeito apoiado pelo Presidente Lula; 30,9% só votariam se conhecessem o candidato.

CANDIDATO APOIADO PELO GOVERNADOR

Candidatos a prefeito apoiados pelo governador de seu estado receberiam ou poderiam receber os votos de 37,4% dos entrevistados.

SALÁRIO MÍNIMO

O poder de compra do Salário Mínimo na administração do Presidente Lula é maior que em governos anteriores, de acordo com a percepção de 58,1% dos entrevistados pela Pesquisa CNT Sensus.

PROGRAMAS SOCIAIS

Os programas sociais do Governo Federal são conhecidos por 65,6% dos brasileiros e 75,3% afirmam que votariam em candidatos apoiados pelo governo para garantir a continuidade dos programas.

INFLAÇÃO

Para 81,1% os preços de produtos e serviços no Brasil aumentaram em 2008, e esse aumento foi mais sentido nos alimentos, segundo 69,2% dos entrevistados.

CONCLUSÃO

O crescimento da aprovação ao presidente Lula pode ser explicado pelo bom momento da economia e pelo discurso direto que ele tem em relação à população. Hoje ele atinge a maior popularidade de um governante desde o início dos levantamentos feitos pela CNT/Sensus, o que se deve principalmente pelos bons números da economia e os resultados obtidos pelos programas sociais do governo. Em especial deve-se destacar o Bolsa-Família, Bolsa-Alimentação, Bolsa-Escola, Vale-Gás, Programa Fome Zero e Programa Primeiro Emprego.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A pedidos: quem vai para 2° turno em SP

Este blog está sendo injustamente qualificado de "tucano" pelo comentário anterior, em que vaticinava uma disputa acirrada e imprevisível entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) pela segunda vaga no segundo turno da capital paulista. Dois leitores cobram um palpite sobre quem se sairá vitorioso na disputa no campo conservador. Bem, este blog jamais "tucanará", vamos então à análise dos fatos e o palpite: se nessas duas últimas semanas que antecedem o pleito a campanha prosseguir com o tom atual, com Alckmin batendo forte em Kassab e o prefeito ignorando os ataques, o palpite do blog é que o candidato tucano supera o democrata e enfrentará Marta no dia 26 de outubro. O problema todo é que é improvável que Kassab não comece a reagir e também não é impossível que o governador José Serra chute o pau da barraca e anuncie o seu apoio a Kassab – neste caso o prefeito é que iria para a segunda fase da eleição. Tudo somado, é preciso acompanhar o desenrolar da campanha com uma lupa para perceber o movimento dos candidatos. Se a eleição fosse hoje, este blog diria que daria Alckmin. Dia 5 é outra história, Kassab pode perfeitamente recuperar terreno e bater o ex-governador. Mas vai ter que suar a camisa e reagir. Se ficar apanhando calado, como mulher de malandro, pode dar adeus para o sonho da reeleição.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Datafolha: alento para Alckmin

O sinal amarelo deve ter acendido no QG de Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo e candidato à reeleição pelo DEM. A pesquisa Datafolha divulgada agora pouco mostra Marta Suplicy (PT) com 37%, mesmo percentual do levantamento anterior, Geraldo Alckmin (PSDB) e Kassab empatados com 22%, Paulo Maluf caiu de 8% para 7% e Soninha caiu de 4% para 3%. Kassab deve estar preocupado porque Alckmin subiu 2 pontos, ao passo que ele mesmo, o prefeito, subiu um ponto. Em outras palavras, o tucano pode ter conseguido estancar a sangria – desde o início da campanha na televisão, Alckmin só fazia cair. Aparentemente, este movimento cessou. Se isto se deve ou não à mudança de rumo da campanha, com estilo bem mais agressivo e combativo, incluindo críticas a Kassab, só as futuras pesquisas vão dizer. A verdade é que o jogo estava muito fácil para Kassab, e Geraldo Alckmin pode ser muita coisa, mas burro, não é. Ao perceber que a sua estratégia de "Geraldinho paz e amor" não funcionava, foi à luta, mudou a equipe e tocou o barco. O palpite deste blog é que a disputa entre os dois se resolva nas urnas, por pequena margem de votos.

Diário da crise: o Proer americano

Nesta quinta-feira, as bolsas de valores fecharam em alta, com os investidores animados (ou aliviados) com o anúncio de uma ajuda de mais US$ 200 bilhões, pelo Fed e outros 5 bancos centrais, às instituições financeiras em dificuldade. Na prática, é uma espécie de Proer: o contribuinte paga a conta da farra dos banqueiros. O problema todo é que sem a ajuda, o contribuinte também acabaria pagando o pato porque a falência do sistema financeiro desorganizaria toda a economia, com consequências imprevisíveis. Assim, dá para entender a lógica do Fed em salvar a pele de algumas instituições, o que não dá para aceitar é a turma que dirige irresponsavelmente as tais instituições não serem duramente penalizadas...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Ótima idéia de Haddad

O ministro da Educação, Fernando Haddad, teve uma excelente idéia: liberar o exercício da profissão de jornalismo para todos que possuam diploma de ensino superior em qualquer área. Este blog defende que todo brasileiro alfabetizado possa excercer a profissão, mas isto os dinossauros da Fenaj não aceitam de maneira alguma. Assim, a idéia de Haddad pode ser um avanço, embora também vá provocar arrepios nos defensores do canudo exclusivo (que poderia ter outros usos, aliás bem mais apropriados, a julgar pelo que escrevem tantos diplomados). E antes que alguém pergunte, o autor destas Entrelinhas está na profissão desde 1994 e graças ao bom Deus não tem deproma de jornalista. É formado em História pela Universidade de São Paulo e fez 3 anos de Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas, curso que abandonou para trabalhar na redação da Folha de S. Paulo, onde aprendeu o que precisava para seguir na carreira como jornalista.

Perguntar não ofende

A Folha de S. Paulo não gostou nadinha da proposta da candidata Marta Suplicy (PT) de fornecer internet grátis, em banda larga, por meio de antenas que permitiriam o acesso a todos que comprarem uma placa para wireless (rede sem fio). Foi só a ex-prefeita apresentar a proposta e o diário paulistano publicou uma página inteira de bombardeio contra o projeto, com um sem número de ressalvas quanto a segurança do sistema e outros problemas técnicos. A pergunta que não quer calar, pois, é uma só: será que a Folha é contra a proposta de Marta por que a disseminação da internet gratuita atrapalharia bastante a venda de assinaturas do provedor Universo Online, de propriedade do mesmo grupo que publica a Folha? Ou será que o jornal está mesmo preocupado com a segurança dos internautas de São Paulo? Você decide...

Ah, se fosse o Chávez...

Primeiro o governo de George W. Bush estatizou as agências Freddie Mac e Fannie Mae, evitando que as duas quebrassem. Menos de duas semanas depois, anunciou na terça-feira (16) uma ajuda de US$ 85 bilhões para a AIG, maior seguradora privada do mundo. Quem se deu ao trabalho de ler a notícia do New York Times deve ter reparado que a contrapartida da ajuda é o controle, pelo governo americano, de 80% da companhia. Em outras palavras, uma nova estatização. Mais um pouco e Olavo de Carvalho e seus pitboys começarão a desconfiar que Bush também está a serviço da causa comunista nas Américas – nunca é demais lembrar que o tal filósofo já escreveu mais de uma vez que Fernando Henrique Cardoso armou a cama para Lula deitar e estaria mancomunado com o seu sucessor na tarefa de acabar com a iniciativa privada no Brasil e na América Latina. Ok, podem parar de rir, vamos falar sério: é claro que não se trata de uma "estratégia socialista" para sair da crise nem também o fim do neoliberalismo, mas os dois fatos reportados acima e mais a dinheirama já gasta para resgatar outras instituições financeiras mostram que na hora que a coisa aperta, nem os mais liberais aguentam o tranco. A mão pesada do Estado está atuando para tentar consertar a sujeira feita pela mão livre e solta dos mercados. De uma forma ou de outra, quem vai acabar pagando a conta é o povão. Alguém já chamou, e não foi ontem, esta jogada de "socialização dos prejuízos". Nada de novo no front, portanto, mas o tamanho do buraco desta vez assusta.

E antes que alguém pergunte o que o Chávez tem a ver com tudo isto, a resposta é uma pergunta: se o presidente venezuelano tivesse metido a mão na maior seguradora privada e nas duas maiores agências imobiliárias de seu país, qual seria a reação da nossa imprensa, sempre tão compreensiva (com o Bush, of course)? Será que as mírians leitoas e os jabores da vida também elogiariam a "ação governamental rápida e determinada" para debelar a crise? Ou será que estariam roucos de tanto guinchar contra o líder bolivariano? Não ganha doce algum quem acertar a resposta, é fácil demais, como dois e dois são quatro...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Dois bons artigos sobre a crise

A edição da Folha de S. Paulo desta terça traz dois bons artigos sobre a crise financeira internacional, reproduzidos abaixo. O de Krugman, em especial, merece ser lido na íntegra. E Vinícius Torres Freire é o jornalista brasileiro que melhor acompanha a crise, desde os seus primórdios, quando ninguém dava muita bola para o tal "subprime"...


Versão pós-moderna de corrida aos bancos

PAUL KRUGMAN, DO "NEW YORK TIMES"

O sistema financeiro dos EUA entrará em colapso nos próximos dias? Não creio, mas estou longe da certeza.
Para compreender o problema, é preciso saber que o velho mundo dos bancos, no qual instituições abrigadas em grandes edifícios de mármore aceitavam depósitos e emprestavam dinheiro a clientes de longo prazo, em larga medida desapareceu, substituído por aquilo que costuma ser designado como "o sistema bancário paralelo". Os bancos que operavam contas-correntes, aqueles dos edifícios de mármore, hoje desempenham papel menor em canalizar fundos dos poupadores aos interessados em empréstimos; a maior parte dos negócios são executados em complexas transações organizadas por instituições "não depositárias", como o Bear Stearns e o Lehman Brothers.
O novo sistema deveria fazer um trabalho melhor em distribuir e reduzir riscos. Mas, depois da crise da habitação e da resultante crise hipotecária, parece aparente que o risco não foi exatamente reduzido, mas ocultado: número demasiado de investidores não fazia idéia de sua exposição.
E, à medida que as incógnitas não conhecidas se tornam incógnitas conhecidas, o sistema vem começando a sofrer versões pós-modernas de uma corrida aos bancos. Elas não se assemelham às versões passadas: com poucas exceções, não estamos falando sobre multidões de investidores perturbados batendo nas portas cerradas dos bancos. Em lugar disso, falamos de apertões frenéticos nos mouses e telefonemas igualmente urgentes, à medida que os protagonistas dos mercados financeiros retiram suas linhas de crédito e tentam desmontar os riscos gerados por suas contrapartes em transações. Mas os efeitos econômicos -o congelamento do crédito, a espiral de queda nos valores dos ativos- são os mesmos das grandes corridas aos bancos nos anos 1930.
E eis a questão: as defesas instaladas para impedir que essas corridas aos bancos retornassem, basicamente garantias federais aos saldos de contas-correntes e acesso a linhas de crédito no Fed (o BC dos EUA), só protegem os sujeitos nos edifícios de mármore, que não ocupam posição central na atual crise. Isso cria uma verdadeira possibilidade de que 2008 venha a ser 1931 revivido.
É fato que as autoridades estão conscientes dos riscos -antes de assumir a responsabilidade por salvar o mundo, Ben Benanke, do Fed, era um dos principais especialistas sobre a Grande Depressão. Assim, ao longo de 2007, o Fed e o Tesouro orquestraram planos de resgate improvisados. Linhas especiais de crédito com acrônimos impronunciáveis foram oferecidas a instituições não depositárias. O Fed e o Tesouro intermediaram um acordo que protegeu as contrapartes do Bear Stearns -as instituições que representavam as pontas opostas de suas transações-, mas não os acionistas do banco.
E, na semana passada, o Tesouro tomou o controle da Freddie Mac e Fannie Mae, as grandes do crédito hipotecário.
Mas as conseqüências desses resgates estão enervando as autoridades. Para começar, elas estão assumindo riscos pesados com o dinheiro dos contribuintes. Por exemplo, hoje boa parte da carteira do Fed está amarrada a empréstimos lastreados por cauções dúbias. Além disso, os funcionários do governo também estão preocupados com a possibilidade de que seus esforços de resgate encorajem comportamento ainda mais arriscado no futuro.
A verdadeira resposta ao problema seria, evidentemente, agir preventivamente antes que tivéssemos chegado a esse ponto. Mesmo deixando de lado a óbvia necessidade de regulamentar o sistema bancário paralelo caso instituições precisem ser resgatadas como se fossem bancos, por que fomos apanhados tão despreparados? Quando o Bear Stearns quebrou, muita gente comentou a necessidade de um mecanismo de "liquidação ordeira" para os bancos de investimento em colapso. Bem, já faz seis meses. Onde está o mecanismo? Por isso estamos aqui, com o secretário do Tesouro, Henry Paulson, aparentemente disposto a acreditar que jogar roleta-russa com o sistema financeiro dos EUA era sua melhor opção.


Vinicius Torres Freire

Ficou barato, por enquanto

DADO O tamanho da lambança, até que ficou barato o efeito da quebra do Lehman Brothers, amenizado pela venda do Merrill Lynch na xepa bancária que se instalou na tarde de domingo no Fed de Nova York. Como o Lehman estava marcado para morrer desde março, muita gente havia saído de posições que evidentemente seriam mais afetadas pelo fim do banco. O fato de o BC dos EUA ter criado várias linhas de crédito emergencial e camarada para o sistema financeiro também atenuou os efeitos da explosão, linhas que não havia quando o Bear Stearns foi à breca, em março.
Aliás, ontem o Fed anunciou que vai aceitar papéis ainda mais reles como garantia de crédito para bancos.
Quem será a próxima vítima? Dos grandes bancos de investimento de Wall Street, três dos cinco irmãos faleceram: Bear, Lehman e Merrill.
Sobraram Goldman Sachs e Morgan Stanley. Foram à breca mais ou menos pelo mesmo motivo: papéis imobiliários e excesso de alavancagem. Estima-se que o Lehman estivesse alavancado em mais de 30 vezes. Grosso modo, isso quer dizer que, para US$ 1 de capital próprio, o banco tinha "emprestado" US$ 30 para fazer negócios. Os papéis imobiliários valem talvez 10% do valor "original", e nem têm compradores.
Mas o caso não pára aí. O Lehman entrou em zilhões de CDS, contratos de seguro de dívida (recebe um dinheiro periódico de um cliente, que, em troca, receberia do banco o valor de um calote que eventualmente levasse de uma terceira parte). E muita gente também fez CDS para se precaver contra a quebra-calote do Lehman. O banco tinha ainda "hedgeado" (protegido) operações de terceiros com contratos futuros de petróleo, com índices de ações etc.
Um calote pode levar a outro, num dominó de quebras e liquidações.
Ainda não quebrou nenhum banco grande -banco estritamente falando, que recebe depósitos (não é o caso dos três irmãos mortos). Tem um no bico do corvo, o Washington Mutual. Se um banco comercial quebra, pode afetar ainda mais imediatamente a economia "real" e incentivar corridas (saques em massa) contra outras instituições.
Falências elevam o custo de proteção contra calote e apertam e encarecem o crédito. Todos os indicadores usuais do medo financeiro ontem gritavam "perigo": índices que medem risco em Bolsa, CDS, juros de títulos que não têm "investment grade", "risco país" emergente, juros do Tesouro dos EUA. Os juros "básicos" dos EUA (juros entre bancos) chegaram de manhã a 6%, sinal agudo de medo de emprestar. O Fed procura manter tal taxa em 2% (é a "Selic" deles) e teve de injetar liquidez (dinheiro) nesse mercado.
Menos crédito, menos financiamento de atividade econômica. Menos consumo e comércio. A crise assim encosta no Brasil: há menos crédito para empresas brasileiras e a recessão no mundo rico diminui o consumo dos nossos produtos.
Fundos e instituições que podem comprar papéis podres na bacia das almas ainda esperam o fim da feira para fazer a xepa que daria fim à espiral da morte, fundo do poço que depende ainda da redução do número de calotes imobiliários. Ou, então, de algum modo o governo teria de comprar tais papéis em massa e imprimir dólares para pagar a conta.


Rir para não chorar

O Brasil está para esta crise internacional como o maluco que tomou três ácidos sem sentir coisa alguma. O sujeito começa a se perguntar: será que não bateu? Bem, pode ser que o produto estivesse vencido, mas também pode ser que a coisa termine numa bad trip daquelas... É evidente que as coisas não andam nada bem no cenário econômico internacional, mas até agora, "não bateu" por aqui. Vai bater? Só Deus sabe, os economistas é que não conseguem responder a esta questão, até pelo ineditismo da crise. Uma coisa é certa: se o Brasil sair incólume ou for pouco afetado, será a prova definitiva de que o presidente Lula nasceu com aquilo virado para a lua.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Crise se agrava, mas não é 1929

O quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos faliu, quebrou. Não é pouca coisa. Uma falência desta magnitude é capaz de arrastar mais algumas instituições financeiras para o buraco, situação que foi evitada no caso da Merril Lynch, vendida para o Bank of America por R$ 50 bilhões.

Sim, a situação é grave e as consequências devem começar a aparecer na economia real em breve na forma de desaceleração do crescimento - lá fora e provavelmente aqui dentro também. O tamanho e magnitude deste movimento, porém, ninguém ainda pode prever. Ou melhor, já tem gente "prevendo" uma nova Grande Depressão como a que se seguiu à quebra da Bolsa de Valores americana em 1929. Esse pessoal devia ir com calma, até para não cair no ridículo: em 1930, cerca de 10 mil bancos americanos quebraram e a taxa de desemprego chegou a 25%, ou seja, um quarto da população economicamente ativa. Este blog aposta sem pestanejar que tal situação não acontecerá de novo agora. O desemprego nos EUA está em 6% e dificilmente dobra no curto prazo e o número de bancos e instituições quebradas não vai chegar ao milhar, se é que supera uma centena.

Sim, o grande risco desta crise seria a perda da confiança das pessoas no sistema financeiro, que geraria uma corrida aos saques e quebradeira generalizada e aí sim, repetindo 29. Ocorre que o governo dos Estados Unidos e a União Européia já deram demonstrações de que não vão permitir que isto ocorra.

domingo, 14 de setembro de 2008

Um país sem oposição nenhuma

A nota abaixo está na coluna Painel da Folha de S. Paulo deste domingo e é o retrato acabado do Brasil de hoje. Vamos à nota e a análise vem em seguida:

"Lula tudo bem"
"Lula tudo bem. O problema é o PT." A frase, martelada em um dos comerciais da nova fase da propaganda de Geraldo Alckmin, indica um tom que vai além da campanha paulistana, ditado pelo recorde histórico de aprovação ao presidente em pesquisa Datafolha. O comando do PSDB já sinalizou que fará vista grossa ao esforço de seus candidatos, por todo o país, para se associarem ainda que "de lado" à imagem de Lula. O mesmo se passa com o DEM, cujo candidato em melhor situação nas capitais (ACM Neto, líder em Salvador) não se cansa de fazer mea culpa pelas críticas do passado e de repetir que, se eleito, terá plenas condições de trabalhar "em parceria" com o Planalto.


Sim, o tucano Geraldo Alckmin, candidato à prefeitura de São Paulo, já demonstra um certo desespero com as sucessivas quedas nas pesquisas de intenção de voto e talvez queira agora "desconstruir" a sua própria imagem de rival de Lula, construída na campanha de 2006. A turma de Alckmin já percebeu que não dá para fazer campanha na periferia de São Paulo falando mal de um presidente da República que tem entre os integrantes das classes D e E espantosos 72% de avaliação positiva (ótimo e bom) e apenas 3%, sim, é isto mesmo, três porcento de avaliação negativa (ruim e péssima), o restante qualificando a performance do atual governo como regular. A estratégia de Alckmin poderia ser considerada apenas uma maluquice de candidato em queda livre se fosse um ato isolado, mas não é o que se vê Brasil afora na campanha deste ano, conforme a nota da Folha também informa.

O jornal, aliás, nem cita casos ainda mais intrigantes, como o da candidatura do DEM à prefeitura de Palmas, patrocinada pela senadora Kátia Abreu, uma das mais críticas vozes contra o governo federal. Lá, a candidata democrata Nilmar Ruiz jura ter o apoio do presidente. Sim, está na página oficial da candidata: "Nilmar Ruiz tem livre acesso a todos os órgãos federais e uma relação de aliança com o presidente Lula, de quem tem o apoio neste pleito à Prefeitura de Palmas." Detalhe: o prefeito da capital do Tocantins e candidato à reeleição é do Partido dos Trabalhadores e obviamente conta com o apoio de Lula... Até agora, pelo que este blog está informado, ninguém foi perguntar ao deputado Rodrigo Maia, presidente do DEM, se não cabe exame deste caso pelo Conselho de Ética do partido, ou mesmo expulsão sumária da demo-lulista que concorre não à prefeitura de uma cidadezinha do interior de Pernambuco, mas de uma capital de Estado.

Um cínico poderia logo dizer: ora, como falar mal de um presidente com 64% de aprovação popular no país, taxa ainda mais elevada nas regiões Norte e Nordeste? Como vencer uma eleição criticando um mito chamado Luiz Inácio Lula da Silva. Bem, é verdade que os tempos estão difíceis para a oposição, mas tucanos e democratas hão de convir que em um regime democrático a oposição existe para... fazer oposição! É quase inexplicável que praticamente nenhum candidato do PSDB ou DEM esteja usando o caso dos grampos, que está na ordem do dia, para bater no governo. Ou mesmo os escândalos mais antigos – gastos com cartões corporativos, dossiê FHC, dossiê Vedoin, mensalão, enfim, qualquer dos casos de corrupção que supostamente envolveram gente do primeiro ou segundo escalão do governo.

Marqueteiros e politólogos de plantão certamente contra-argumentariam: esta eleição é municipal e a agenda deve ser propositiva, bater no governo não dá voto nem ajuda a ganhar o pleito. Este argumento é em parte verdadeiro: é claro que os candidatos à prefeitura e vereança devem apresentar seus projetos e ninguém está aqui dizendo que a campanha deve se resumir à pancadaria nos adversários. A campanha eleitoral, porém, é também o momento que existe na arena pública para os partidos e políticos marcarem posição, delimitarem seus espaços e dizerem a que vieram.

Neste ano, apenas os partidos nanicos de ultra-esquerda estão aproveitando para marcar posição e criticar o governo. Mesmo assim, timidamente. DEM e PSDB parecem ter abdicado de fazer oposição. Em Salvador, ACM Neto está vendo sua campanha naufragar depois que o PT botou no ar a famosa frase em que ele prometia bater no presidente Lula. Ao invés de reforçar a postura oposicionista, o herdeiro do carlismo só faz se desculpar pelo "mau momento"...

No fundo, além da altíssima popularidade de Lula, que em grande parte se deve ao excelente momento da economia nacional, mas não só a isto, como querem fazer crer os críticos do governo – não há político com tamanho carisma e empatia com o povo brasileiro na história do país –, é preciso considerar um outro fator para explicar a falta de brios da oposição neste momento. A verdade é que o presidente Lula vem realizando um governo de perfil social-democrata, bastante diferente do que o PT propunha quando estava na oposição. Com isto, o presidente ocupou o espaço dos tucanos, livrando-se ao mesmo tempo da esquerda mais radical de seu partido, que acabou no PSOL e até agora não mostrou grande capacidade de mobilização popular. Tudo somado, do espectro ideológico que vai da esquerda ao centro, chegando até a um pedacinho da direita, Lula consegue transitar e se apresenta como a solução dos problemas nacionais pela via de um consenso negociado politicamente. Acabaram as tensões, o andar de baixo vive feliz e muito melhor do que nos tempos do bicudo Fernando Henrique Cardoso, o andar de cima também não tem muito do que reclamar.

Para o PSDB e o DEM, sobrou um mico enorme, porque nenhum dos dois aceita o papel de
partido de direita autêntico, com viés liberal-privatizante e/ou conservador e, o que é mais importante, com um projeto alternativo de governo. O DEM até que ensaiou este passo com a renovação das lideranças e a chegada de Rodrigo Maia à presidência nacional da legenda, mas o fato é que a "base" democrata não tem condições de suportar a distância do poder e acaba abrindo negociações, inclusive com o PT. Quanto ao PSDB, aparentemente o partido decidiu disputar o mesmo espaço do lulismo, seja com José Serra ou Aécio Neves. Ambos, cada qual com seu estilo, não fariam governos muito diferentes do atual. Em tese, Serra larga na frente porque tem maior recall e governa um estado rico e poderoso, mas uma candidatura vitaminada pelo presidente em 2010 pode perfeitamente manter o espaço que Lula já ocupou e até ampliar um pouco, caso o PMDB entre formalmente na aliança. Isto tudo, é claro, se não for o próprio Lula o candidato, mas neste caso este blog aposta que nem Serra nem Aécio entrariam na disputa (quem sabe Alckmin...).

No fundo, a oposição brasileira está zanzando como barata tonta. Não há por aqui um Álvaro Uribe para demarcar o espaço da direita. Na América Latina toda, aliás, Uribe é a exceção, a regra são governos de centro-esquerda ou esquerda, uma tendência bastante compreensível depois da catástrofe das gestões neoliberais no continente (Collor, Menem, Cardoso, Fujimori, Salinas e tantos outros de triste memória). Se esta onda vai durar, depende muito da conjuntura política de cada país – está aí a crise boliviana que não deixa mentir. Até agora, a população da região está aprovando as gestões de seus presidentes e presidentas por várias razões, mas uma em especial: a economia está "bombando" e a vida das pessoas, melhorando bastante. É simples assim.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Gonzalez: Kassab, 21; Alckmin 18

Na saída do debate da Band, o marqueteiro Luiz Gonzalez soprou os números acima para o autor destas Entrelinhas. E sorrindo, disse: vamos esperar o Ibope...

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Novas pesquisas a caminho

Quatro pesquisas sobre o cenário eleitoral na capital paulista foram registradas nos últimos dias no Tribunal Regional Eleitoral, como se pode ver no final desta nota. Os levantamentos devem começar a serem divulgados nesta sexta à noite, pela TV Globo. Os leitores assíduos deste blog sabem que o Entrelinhas não consulta videntes nem cartomantes, mas adora acertar o resultado das pesquisas eleitorais. Com base no último Datafolha, os palpites desta semana são os seguintes:

Marta Suplicy oscila dos 40% da semana passada para 39%, ou seja, permanece estável na liderança da corrida sucessória
Geraldo Alckmin cai mais dois pontos, passando de 22% para 20% e reafirmando a tendência de queda da sua candidatura.
Gilberto Kassab sobe de 18% para 20%, chegando finalmente ao empate de fato com o tucano, já que na última enquete a situação era de empate técnico.
Paulo Maluf oscila de 8% para 7%. Este blog aposta que Maluf permanecerá nesta faixa de eleitores fiéis até o final da campanha.
Soninha também cai um ponto, de 3% para 2%. No caso dela, havia a expectativa de que pudesse haver algum crescimento mais robusto, mas passadas duas semanas do início do horário eleitoral, a impressão que se tem é a de que não há mesmo espaço para candidaturas alternativas. Portanto, este blog aposta que ela não vai passar de 4% nas urnas em 5 de outubro.
Os demais candidatos não passam de 1% das intenções de voto.

Como sempre, o Entrelinhas estimula seus leitores que mandem os seus palpites no espaço para comentários ou por e-mail. Quem acertar na mosca o resultado ganha o CD com os melhores momentos da campanha para vereador, a camisa autografada pelo "filho" de Enéas, e uma visita guiada à Tattolândia, na zona sul da capital. Afinal, os prêmios estão acumulados!
A seguir, os registros das pesquisas.

Número da pesquisa 026.001.08-SPPE
Data do registro: 08/09/2008
Contratada: Instituto de Pesquisas Data Folha
Contratante: Empresa Folha da Manhã S/A
Valor: R$59.000,00
Cargo: Prefeito de São Paulo
Período de realização: 11 e 12 de setembro de 2008

Número da pesquisa 025.001.08-SPPE
Data do registro: 08/09/2008
Contratada: Data Kirsten Pesquisas Projetos e Projeções Ltda
Contratante: Diretório Nacional DEMOCRATAS
Valor: R$28.000,00
Cargo: Prefeito de São Paulo
Período de realização: 06 a 09 de setembro de 2008

Número da pesquisa: 02400108-SPPE
Data do registro: 06/09/2008
Contratada: IBOPE - Inteligência, Pesquisa e Consultoria Ltda
Contratante: Globo Comunicação e Participações S/A e S/A. O Estado de São Paulo.
Valor: R$ 38.250,00 (trinta e oito mil e duzentos e cinqüenta reais)
Cargo: Prefeito de São Paulo - Capital
Período de realização: 5 e 9 de setembro de 2008

Número da pesquisa: 02300108-SPPE
Data do registro: 05/09/2008
Contratante: EMPRESA FOLHA DA MANHÃ S/A
Contratada: BANCO DE DADOS DE SÃO PAULO LTDA - DATAFOLHA
Valor: R$ 59.000,00 (cinquenta e nove mil reais)
Cargo: Prefeito de São Paulo - Capital
Período de realização: 9 e 10 de setembro de 2008

Hoje é dia de debate

A TV Bandeirantes promove hoje o segundo debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo. A grande expectativa de todos os analistas políticos é sobre a performance do ex-governador Geraldo Alckmin, candidato do PSDB, que desde o início da campanha só tem feito cair nas pesquisas. Apesar da baixa audiência, é uma boa chance para o tucano reagir e mostrar que está no jogo, ao contrário do que muitos acreditam. Se o programa ficar polarizado entre Marta Suplicy (PT) e Gilberto Kassab (DEM), aí de fato a vida de Geraldo vai ficar muito difícil. O grande problema do ex-governador é que ele terá, de uma forma ou de outra, que bater em Kassab para conter a subida do prefeito nas pesquisas e isto vai descontentar o governador José Serra (PSDB), já que a gestão de Gilberto Kassab é a continuidade da iniciada por Serra... Ou seja, para Alckmin a situação está parecida com a do velho ditado: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Kassab e Marta agradecem...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Belluzzo: desaceleração sim, crise não

O site Terra Magazine está se firmando como um dos bons locais para se informar com profundidade sobre os rumos da economia nacional e mundial nesses tempos de crise. Vale a pena espiar o que sai por lá, como a entrevista abaixo, com o professor Luiz Gonzaga Belluzzo. Este blog não concorda com tudo que diz o economista, mas ressalta que é uma leitura instigante e uma opinião de peso, a ser levada em consideração.

Belluzzo: Economia nacional sofrerá desaceleração

Daniel Milazzo

Dado divulgado esta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica que o PIB (produto interno bruto) nacional no segundo semestre de 2008 cresceu 1,6% em relação aos primeiros três meses do ano. Em relação ao primeiro semestre de 2007, o PIB brasileiro aumentou em 6% de janeiro a junho deste ano.

Segundo dados do IBGE, este aumento do PIB - que alcançou R$ 716,9 bilhões - foi impulsionado principalmente pelo aquecimento da atividade agropecuária, que cresceu 3,8% no segundo semestre deste ano se comparado aos três meses anteriores.

O anúncio veio em meio a uma crise financeira internacional que influencia também o mercado brasileiro. Após seguidas quedas acentuadas, a Bovespa acumula perdas de quase 13% apenas em setembro, e de 24,2% no ano.

O economista e professor titular aposentado da Unicamp, Luiz Gonzaga Belluzzo, explica este aparente descolamento do desempenho da economia nacional em relação à crise que afeta mercados do mundo inteiro:

- Os links financeiros da economia brasileira são mais tênues com a economia internacional. O Brasil não sofreu esse impacto. Nenhum banco, nenhuma instituição financeira brasileira entrou neste jogo da aquisição desses papéis de baixa qualidade.

Sem acreditar na escalada de uma crise aqui no Brasil, Belluzzo expõe alguns reflexos do contexto na economia nacional.

- O que temos aqui é um ciclo de crédito clássico com o aumento da intermediação financeira. Os mercados de capitais já sofreram um pouco, mas os bancos cumpriram o papel de prosseguir no ciclo de crédito. No entanto, como este ciclo já estar um pouco prolongado, há um aperto de liquidez dos bancos, que estão tendo que se financiar a taxas um pouco mais elevadas. Mas nada que vá provocar uma crise como a que vemos no mercado internacional. Teremos provavelmente uma desaceleração - explica.

Ainda nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define a taxa básica de juros anuais ¿ taxa Selic, hoje fixada em 13%. A expectativa do mercado é que novamente a Selic seja elevada, política posta em prática pelo BC a fim de conter a inflação; o teto da meta inflacionária para 2008 é de 6,5%.

- A decisão do Banco Central de aumentar a taxa de juros não está produzindo efeitos agora, mas vai produzir lá na frente. Por outro lado, os IPO (empresas que passam a negociar ações próprias na bolsa de valores) e a colocação de papéis diretamente no mercado diminuíram bastante, a tomada de recursos fora pelo risco cambial começou a diminuir, de modo que a economia vai sofrer certamente os efeitos desses problemas e do aperto monetário. Ela vai desacelerar.

Contudo, Belluzzo afirma que apesar da crise internacional, o Brasil "ainda tem um comportamento muito favorável do investimento". Segundo o IBGE, a taxa de investimentos no país atingiu 18,7% do PIB, o melhor resultado para o segundo trimestre desde 2000.

Sim, é a economia, estúpido...

Saiu o resultado do PIB brasileiro no primeiro semestre, conforme se pode ler em detalhes abaixo, na versão da Folha Online. A economia cresceu mais do que o esperado pelo mercado, o que deve levar as agências a uma série de revisões sobre os números para este ano. Talvez a economia cresça até mais de 5%, como espera o governo.

A partir desses números, vai ser difícil para a oposição aplicar aquele velho discurso de que os outros países emergentes estão crescendo mais que o Brasil ou que Lula surfa na onda do crescimento mundial. O mundo rico está à beira de uma recessão e o Brasil se aproxima das taxas de crescimento da Índia e até da China, cujo PIB deve aumentar 8% em 2009. Depois os analistas não entendem por que a base lulista está na frente em 20 das 26 capitais de Estado nas prévias dos institutos de pesquisa... No Nordeste, que cresce a taxas chinesas, o fenômeno é ainda mais impressionante. A verdade é que se Lula quisesse (ou quiser), seria reeleito com o pé nas costas, sem grande esforço. A menos que uma catástrofe de dimensões "nunca antes vista", como diria o próprio Lula, abalasse e economia brasileira em 2009. Sim, a crise está aí, ou melhor, lá no hemisfério Norte, mas até agora não há sinal de que vá chegar no Sul com a intensidade que abalou as economias da UE e EUA. A ver.


PIB cresce 6,1% no segundo trimestre; no semestre, expansão é de 6%

CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio

A economia brasileira teve expansão de 6,1% no segundo trimestre de 2008, na comparação com igual período no ano passado. No acumulado do semestre, o incremento do PIB (Produto Interno Bruto) foi de 6% em relação ao período de janeiro a junho de 2007, informou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira. Em relação ao primeiro trimestre de 2008, o PIB trimestral cresceu 1,6%.

Ao todo, a economia movimentou R$ 716,9 bilhões de abril a junho e R$ 1,3 trilhão no primeiro semestre. Trata-se do melhor semestre desde os primeiros seis meses de 2004, quando o PIB cresceu 6,6%. A taxa acumulada dos últimos 12 meses (encerrados em junho) indica alta de 6% do PIB em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Entenda o que é o PIB e como é feito seu cálculo

Também hoje, o IBGE revisou para cima o PIB do primeiro trimestre, que foi de 5,8% para 5,9%, por conta do crescimento do setor agropecuário, cujo dado foi revisado de 2,4% para 3,0%.

O resultado ficou acima do que previam economistas e analistas de mercado ouvidos pela Folha Online, que estimaram a variação do PIB no segundo trimestre entre 5% e 5,3%.

O PIB, que mostra o comportamento de uma economia, é a soma das riquezas produzidas por um país --é formado pela indústria, agropecuária e serviços. O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

O investimento, medido pela chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), cresceu 16,2% no segundo trimestre, se comparado a igual período no ano anterior, atingindo R$ 134,295 bilhões --é o maior incremento verificado para um trimestre, desde o início da série histórica. Na comparação com o primeiro trimestre, houve incremento de 5,4%. De janeiro a junho, o investimento aumentou 15,7% em relação ao período de janeiro a junho de 2007, ficando em R$ 255,976 bilhões.

A taxa de investimento (FBCF/PIB), por sua vez, ficou em 18,7% no segundo trimestre, a maior para o período desde o início da série da pesquisa. No primeiro semestre, a taxa de investimento também bateu recorde, ficando em 18,5%, e em 12 meses, ficou em 15,5%.

O consumo das famílias, por sua vez, aumentou 6,7% no segundo trimestre, ficando em R$ 429,627 bilhões, e acumulou alta de 6,7% de janeiro a junho (R$ 841,985 bilhões), sempre na comparação com iguais períodos em 2007. Em relação ao primeiro trimestre, constatou-se crescimento de 1%.

Já o consumo do governo registrou alta de 5,3% no segundo trimestre deste ano (para R$ 134,113 bilhões), se comparado a igual período em 2007. No primeiro semestre, essa elevação ficou em 5,6%, atingindo R$ 258,971 bilhões. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, o consumo do governo aumentou 0,3%.

Pelo lado da demanda externa, as exportações de bens e serviços cresceram 5,1% no segundo trimestre, após uma queda no trimestre anterior. Em relação ao primeiro trimestre, a alta foi de 8,5%. No acumulado do semestre, as exportações aumentaram 1,6% e, em 12 meses, 2,8%.

Setores

O destaque principal da economia brasileira no início de 2008 foi o setor agropecuário, que cresceu 7,1% em relação ao segundo trimestre de 2007 e 5,2% no semestre. Na comparação com o primeiro trimestre, a agropecuária teve expansão de 3,8%.

O setor de serviços registrou incremento de 5,5% frente ao segundo trimestre de 2007 e de 5,3% de janeiro a junho. Em relação ao primeiro trimestre, o segmento aumentou 1,3%.

O setor industrial cresceu 5,7%, na comparação com o período de abril a junho do ano passado. No semestre, essa expansão chegou a 6,3%. Em relação ao primeiro trimestre de 2008, a indústria teve alta de 0,9%.

Dois textos sobre o golpe na Bolívia

O leitor pode tirar suas próprias conclusões: o primeiro texto é de Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo, que não é propriamente um diário esquerdista. O segundo, de Reinaldo Azevedo, da ultra-direitista Veja. Reinaldo tenta botar culpar Evo Morales pela truculência da direita boliviana, repetindo um velho expediente de tentar culpar a vítima. E Rossi coloca os pingos nos is, ressaltando a hedionda frase do líder oposicionista, ressaltada em negrito. Vale a pena ler até o fim...


É GOLPE, POR CLÓVIS ROSSI

SÃO PAULO - O que está em andamento na Bolívia é uma tentativa de golpe contra o presidente Evo Morales. Segue uma linha ideológica e táticas parecidas às que levaram ao golpe no Chile, em 1973, contra o governo de Salvador Allende, tão constitucional e legítimo quanto o de Evo Morales.
Os bloqueios agora adotados nos Departamentos são a cópia de locautes de caminhoneiros que ajudaram a sitiar o governo Allende.
Outra semelhança: Allende elegeu-se presidente, em 1970, com pouco mais de um terço dos votos (36%). Mas, três anos depois, sua Unidade Popular saltou para 44%, em pleito legislativo, o que destruiu qualquer expectativa da direita de vencê-lo política ou eleitoralmente.
Foi na marra mesmo, o que deu origem a um dos mais brutais regimes políticos de uma América Latina habituada à brutalidade.
Evo Morales também se elegeu com menos votos do que obteve agora no chamado referendo revogatório, o que demonstra um grau de aprovação popular até surpreendente para as dificuldades que o governo enfrentou desde o primeiro dia, em parte por seus erros e em parte pelo cerco dos adversários.
A luta dos Departamentos pela autonomia, eixo da crise, é também legítima e precede Evo Morales.
Mas passou a ser apenas um biombo para encobrir as verdadeiras intenções, cristalinamente reveladas a Flávia Marreiro, desta Folha, por Jorge Chávez, líder "cívico" de Tarija, um dos Departamentos rebelados contra o governo central: "Se precisar, vai ter sangue. É preciso conter o comunismo e derrubar o governo deste índio infeliz".
Cena mais explícita de hidrofobia e racismo, impossível. Nem o governo nem a oposição no Brasil têm direito ao silêncio, escondendo-se um na não-ingerência em assuntos internos e outra em preconceitos similares.


EVO, O GOLPISTA,
POR REINALDO AZEVEDO

A situação da Bolívia (ver posts abaixo) pode degenerar em guerra civil. É fácil, convencional e estúpido olhar para o país e acusar a, como é mesmo?, direita golpista. Coisa de energúmenos — que não leram os livros de referência sobre o assunto — ou de quem tem mesmo má-fé ideológica, pura e simplesmente: na dúvida, acuse a direita. A oposição boliviana age da melhor maneira? Acho que não. Mas ela criou a crise sozinha? Ora, tenham paciência!


Desde o primeiro no dia no poder, Evo Morales não tem feito outra coisa que não assaltar a institucionalidade que o elegeu. Governos que desrespeitam as regras do jogo democrático ou degeneram em ditaduras ou acabam depostos — e, às vezes, por outras ditaduras. Um maluco como Hugo Chávez pode até ter uma longa permanência no poder. Mas, acreditem, aquilo não dará em boa coisa. Quantos foram os nossos analistas, com as respectivas cabeças ornadas por um belíssimo par de orelhas, que não viviam a indagar: “Oh, o que Chávez fez de antidemocrático? Ele sempre faz referendos e consultas populares”. Como se isso fosse garantia de democracia.

Não creio que alguém ignore que se pode recorrer a instrumentos da democracia para solapar a própria democracia. Isso é tão corriqueiro no continente, hoje ou antes. Vejam o Brasil de 1964 se querem um exemplo da casa. A democracia foi para o brejo só porque havia uma elite golpista? Essa é a versão dos que imaginavam outros golpes: o populista — do próprio Jango — e o comunista, das esquerdas. Aquele governo foi deposto porque a desordem foi levada para dentro do poder pelo próprio presidente — e, claro, porque havia golpistas em excesso no Brasil: na direita, na esquerda e na Presidência da República. A democracia morreu por falta de quem a defendesse.

Volto à Bolívia. Morales, que costumo chamar aqui de “índio de araque”, tentou mimetizar os métodos Chávez na Bolívia. Só que não com o mesmo sucesso — até porque os bolivianos viram o que aconteceu na Venezuela. Essa história de fazer referendo revogatório de mandato para reivindicar mais poder é também golpe, só que dado por intermédio de um arremedo legal. Um dos caminhos para a degeneração da institucionalidade é justamente essa “plebiscitização” da política. No Brasil, sabemos, há quem sonhe com isso.

Desde o primeiro minuto de seu mandato — e, antes, já na campanha —, Evo Morales decidiu ser o presidente da Bolívia Ocidental, justamente onde se concentra a massa de miseráveis que ele pode manipular com seu discurso beligerante contra “os brancos” e contra “os ricos”. Mas a Bolívia Oriental, onde estão "os brancos e ricos", responde por boa parte da riqueza do país e rejeita os métodos escolhidos pelo presidente.

A idéia de que a democracia é apenas o regime da maioria é estúpida — o fascismo, por exemplo, era um regime de maioria. A democracia compreende também o respeito à minoria. E isso nada tem a ver com “privilégios”. Gente como Evo Morales, Rafael Correa (Equador) e Chávez não entende o princípio. No Brasil, é bom que se diga, há facções do petismo que ainda não se conformaram com o fato de Lula, popular como é, estar limitado por uma Constituição e por leis.

Eis aí. Tentativa de golpe da direita? E por que não se falar, então, em contragolpe? Espero que os opositores de Evo Morales renunciem à violência sem mudar o propósito de conter o aprendiz de ditador. Ele vai ter de negociar. Ou vem por aí um banho de sangue.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

O neoliberalismo não acabou

Este blog se atreve a discordar da professora Maria da Conceição Tavares, que viu na intervenção do governo norte-americano nas agências imobiliárias Freddie Mac e Fannie Mae o triste fim do neoliberalismo. Para a economista, que é uma das referências importantes do pensamento de esquerda no país, o que ocorreu neste fim de semana nos Estados Unidos foi a estatização das duas agências, fato que demonstraria a fraqueza dos dogmas liberais de não-intervenção na economia.

Humildemente, este blog achou mais inteligente a análise da ministra Dilma Rousseff, que não é do ramo, mas já tem uma boa vivência na administração do Estado: segundo ela, a intervenção do governo dos EUA não representa o fim do neoliberalismo porque nunca houve neoliberalismo propriamente dito nos países desenvolvidos. Na verdade, Dilma exagerou um pouco – houve, sim, uma radicalização liberal, digamos assim, durante as gestões Reagan e Tatcher, na Inglaterra –, mas ela tem razão na essência do argumento: quando a brincadeira começa a ficar perigosa, a mão forte do Estado entra em cena e os governos dos países desenvolvidos mostram que essa história de mão invisível do mercado está mais para mão boba do que qualquer outra coisa. Sim, na hora da crise, o que mais se vê por lá é keynesianismo na veia...

Conceição Tavares talvez não tenha percebido que a intenção do governo americano não é salvar a pele do pobre coitado que não consegue mais pagar a sua hipoteca (embora até este eventualmente seja beneficiado por uma queda nas taxas cobradas ou com algum perdão de dívidas). O grande beneficiado pelo Plano Bush é o atravessador que tornou a farra de vender casas a quem não pode por ela pagar em um game de alavancagem financeira "no limite da irresponsabilidade", como poderia dizer a versão ianque do Ricardo Sérgio, provavelmente um yuppie de Wall Street que não vai perder um único cent com a crise.

Assim, é claro que era preciso salvar Freddie and Fannie, mas a grande questão é que a estatização não está sendo feita para ajudar a massa de americanos que perderam ou estão em vias de perder as suas casas, mas para manter o sistema financeiro de pé, evitando perdas ainda mais espetaculares do que as já divulgadas até aqui.

Ou seja, o objetivo da intervenção se coaduna com o que a professora qualifica de neoliberalismo, logo não é possível dizer que o planeta tenha assistido ao enterro daquele sistema. O que está em curso é uma operação de guerra justamente para preservar o funcionamento de um capitalismo cada vez mais calcado nas finanças e em complexas operações que só os muito iniciados entendem. E para a roda continuar girando, será necessário que os EUA usem a maquininha de imprimir moeda e joguem o problema lá para frente.

Sim, havia alguma relutância dos liberais mais ortodoxos sobre a necessidade desta intervenção na economia americana, mas o tamanho do buraco convenceu a todos que se não for assim, o ralo vai ficar grande demais para ser "administrado" pelos mercados. É o velho ditado: vão-se os anéis, ficam os dedos...

Selecinha joga bola após bronca de Lula

Será que se o presidente Lula não tivesse dito o que disse a respeito da seleção brasileira de futebol os milionários atletas que representam o Brasil teriam jogado com a determinação que se viu ontem, no Chile? Lula afirmou que preferia que o escrete canarinho tivesse apenas jogadores que atuam no Brasil. Os "estrangeiros" do time, ou seja, a totalidade dos titulares, não devem ter gostado desta conversa. Pararam com a frescura de sempre e entraram decididos a "provar prá todo mundo que não precisavam provar nada prá ninguém", como diria Renato Russo. Deu no que deu: 3 a 0 Brasil, fácil, fácil... E depois desta ainda tem gente que diz que o presidente Lula é pé-frio...

domingo, 7 de setembro de 2008

Eleições 2008: sobre o cenário
paulistano e o lulismo em alta

Uma nova rodada de pesquisas, desta vez do instituto Datafolha, reforça as análises já feitas neste blog, sobre o quadro político nacional. Faltando 28 dias para as eleições municipais, os candidatos da base aliada lideram em 20 das 26 capitais. Se isto fosse pouco – em 2004 eram apenas 11 os candidatos da base que lideravam –, é preciso olhar com atenção para os oposicionistas que estão na frente. Como revela a ótima reportagem da Folha de S. Paulo sobre o assunto, há vários candidatos do DEM e PSDB garantindo na campanha que têm apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até Gilberto Kassab (DEM), que não pode propriamente brigar pelo apoio de Lula, faz questão de dizer que tem sido um "ótimo parceiro" do presidente e que esta parceria vai continuar, caso seja reeleito na capital paulista.

Pode parecer incrível, mas não há no país hoje, salvo no âmbito dos nanicos da ultra-esquerda, uma oposição contundente ao governo Lula. Nem mesmo ACM Neto em Salvador bate mais forte no presidente, como seria até natural – na Câmara o deputado democrata é o líder da oposição.

Com aprovação superior aos 60%, o presidente está se tornando uma espécie de unanimidade na campanha: só aparece fazendo o bem e com o objetivo angariar mais votos aos candidatos que o colocam na tela da TV. E olhando as capitais mais importantes do país, os candidatos da base de Lula podem vencer em Porto Alegre (com Fogaça, Manuela ou Maria do Rosário - PSDB e DEM estão fazendo um papel ridículo, com percentual de votos de nanicos na capital gaúcha), Rio (com Paes ou Crivella), Belo Horizonte (Márcio Lacerda deve levar já no primeiro turno), Recife (idem para João da Costa) e até em Salvador, onde o tucano Imbassahy está em queda e os candidatos do PMDB e PT, em ascensão.

Tudo isto posto, a eleição na capital paulista merece um comentário à parte. Apesar de Alckmin e Kassab evitarem, até aqui, "nacionalizar" a disputa, é óbvio que uma vitória de Marta Suplicy vitamina o PT para a eleição de 2010, inclusive trazendo a própria prefeita, se eleita, para o páreo presidencial. Uma vitória de Kassab, por outro lado, seria fundamental para as pretensões eleitorais do governador José Serra (PSDB), ao passo que se Geraldo Alckmin for o vitorioso Serra sofrerá uma derrota talvez maior até do que se Marta for eleita, a julgar pelo clima belicoso existente hoje no PSDB.

Assim, vale a pena analisar com mais profundidade o cenário revelado pelas pesquisas. Desde que chegou ao patamar de 40%, Marta não caiu mais, apesar de ter virado alvo preferencial de Kassab e Alckmin no programa eleitoral. De fato, a candidata parece ter esses 40% bem consolidados e se mostra muito resistente às críticas dos adversários. No bloco intermediário, Kassab vem roubando cerca de 2 a 3 pontos percentuais do eleitorado de Alckmin a cada semana. Já está empatado tecnicamente com o tucano e se a tendência permanecer, vai ultrapassá-lo já na próxima semana. Isto, porém, pode não acontecer se o ex-governador tiver um "piso" eleitoral de, digamos, 20%. Neste caso, para crescer e ultrapassar Alckmin o prefeito vai precisar roubar votos de Marta (o que é bastante improvável) ou de Paulo Maluf (pode acontecer, embora a fidelidade dos malufistas também seja grande). Não dá, neste momento, para fazer previsões acuradas sobre o que vai acontecer, mas as tendências são mais favoráveis a Kassab do que a Alckmin, que está em viés de baixa, para usar uma analogia do mercado financeiro.

As simulações de segundo turno mostram que Marta não terá vida fácil pela frente. Com Alckmin, há empate técnico e com Kassab, a diferença, a favor da petista, é hoje de 7 pontos – já foi mais do que o dobro disto menos de dois meses atrás. Em tese, seria mais fácil para a ex-prefeita enfrentar Kassab do que Alckmin, mas talvez isto seja apenas ilusão. Se Alckmin conseguir passar para o segundo turno, chegará com a candidatura em frangalhos, pouco dinheiro e um apoio apenas "pro-forma" de Serra – nos bastidores há quem diga que o governador realmente prefere Marta ao seu correligionário. Já Gilberto Kassab enfrentaria Marta com o apoio entusiasmado de Serra, em ascensão e sem problemas financeiros de qualquer ordem. Nos dois casos, é possível e até mais provável, hoje, que a petista saia vitoriosa, especialmente se Lula, com 50% de avaliação "ótimo e bom" na capital (contra 39% de Serra), voltar a pedir votos para a candidata petista. Não será, porém, uma vitória fácil. No fundo, para Marta o melhor mesmo seria obter mais 4 ou 5 pontos, talvez entre os indecisos ou eleitores de Soninha e Ivan Valente, que somam 4%, e matar a disputa no primeiro turno. Porque no segundo, a oposição vai ter que mostrar os dentes se quiser manter o controle da maior cidade do país.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O pior já passou ou vem por aí?

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para o Correio da Cidadania. Como sempre, em primeira mão para os leitores do blog.

A semana que passou foi das mais agitadas nos mercados de capitais do mundo inteiro. Mais uma leva de más notícias, desta vez com origem na União Européia, derrubou as bolsas de valores. A de São Paulo caiu quase 7%, aos 51 mil pontos, índice que levou o Ibovespa para o patamar do final do ano passado.

Não é fácil acompanhar a tal crise financeira internacional, iniciada em agosto de 2007 a partir dos problemas no mercado habitacional dos Estados Unidos. Vários bancos americanos e europeus já quebraram e outros apresentaram prejuízos bilionários. A leitura dos analistas econômicos não ajuda muito, pois eles se dividem basicamente em duas correntes: a dos que acha que o pior ainda está por vir e a dos que acredita que a situação já começou a melhorar e que os "espirros" no mercado financeiro são os últimos lances da crise.

A verdade é que os economistas de ambas as correntes não têm muito como fazer previsões acuradas sobre o futuro. As principais informações necessárias para tal análise – o volume de perdas que os bancos e financeiras em geral ainda devem apresentar – não estão disponíveis para ninguém, são segredos dos dirigentes de cada instituição afetada pela crise.

Até agora, como se sabe, o Brasil escapou praticamente incólume do terremoto que abalou as estruturas do sistema financeiro mundial. Se prevalecer o cenário de "fim de crise", os brasileiros terão muito o que comemorar, pois dificilmente haverá tempo para que o país seja atingido de forma mais contundente. Neste caso, as consequências políticas são óbvias: cresce muito a chance do presidente Lula fazer o seu sucessor em 2010. Se, no entanto, os problemas se agravarem na Europa e Estados Unidos, inevitavelmente a crise vai chegar aqui. Com que alcance e magnitude, só Deus sabe. Quem diz que sabe, na verdade está chutando. Não há como saber.

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), seria um óbvio beneficiado pelo agravamento da crise externa, pois se apresenta ao público como um líder experiente, que saberia como lidar com um período de turbulência na economia.

Na semana passada, Serra fez várias críticas à política econômica e esboçou algumas idéias sobre o que faria se estivesse lá, governando o Brasil. A principal dessas idéias é a tese de que é preciso diminuir o gasto público e criar uma "Lei de Responsabilidade Fiscal" para a União. Serra conta com a ingorância do povaréu quando fala coisas assim. Infelizmente para ele, a população é menos idiota do que ele julga ser. Cortar gasto público significa, na cabeça de um tucano, cortar o Bolsa Família, suspender obras públicas, limitar o aumento do salário mínimo nos próximos anos, enxugar a máquina estatal (ou seja, demitir servidores). Este é o coração da proposta do pré-candidato do PSDB à sucessão de Lula. Se o PT for minimamente competente, conseguirá mostrar na campanha o significado do economês rebuscado de José Serra. Neste caso, as chances do governador paulista conseguir fazer a sua obsessão – ser presidente do Brasil – virar realidade serão severamente reduzidas.

De toda maneira, a verdade é que se hoje o cenário se mostra muito favorável ao PT e a Lula, só no final de 2009 e que será possível perceber o alcance da crise financeira internacional e as consequências políticas aqui no Brasil. Até lá, o presidente continua surfando na sua popularidade monstruosa, especialmente no Nordeste. Na semana passada, em um evento no Rio, um homem pediu a Lula "que salvasse o Vasco da Gama". Alguém achou que era brincadeira, mas o rapaz falava sério. O povão já está começando a achar que se algo vai muito mal, o melhor a fazer é chamar o Lula. Enquanto isto, Serra fala em corte de gastos públicos. Como se vê, o Brasil é um país engraçado.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Palpite do blog

Repetindo a semana passada, quando o Entrelinhas teve um razoável percentual de acertos, seguem os palpites para o Datafolha de amanhã:

Marta - permanece estável, na margem de erro. Na semana passada, ela tinha 39% e o blog crava 38% no novo levantamento.
Alckmin - cai mais um pouco. Estava com 24%, cai para 21%.
Kassab - sobe bastante. Uma semana atrás, o prefeito tinha 16%. Vai aparecer com 19%.
Maluf - Como Marta, fica estável, na margem de erro. Tinha 7%, o blog acha que sobe mais um ponto, chegando a 8%.
Soninha pode ganhar mais um pontinho, já beirando o seu teto. Fica com 4%.
Os demais ficam com 1% (Ciro e Ivan) ou não pontuam (todos os outros).

Mande você também o seu palpite. Quem acertar a quina (Marta, Alckmin, Kassab, Maluf e Soninha) vai ganhar uma camisa autografada pelo filho do Enéas, candidato a vereador em São Paulo. Camisa Hering, que fique claro.

Tem Datafolha amanhã

A Rede Globo deve divulgar na noite de amanhã a mais nova pesquisa sobre o cenário eleitoral paulistano. Ainda não se sabe se sai no Jornal Nacional ou mais tarde, no Jornal da Globo. Mas os números estarão na Folha de S. Paulo no sábado, conforme se pode perceber abaixo, com o registro do levantento no TRE (se a data de registro é 1/9, a pesquisa pode ser divulgada a partir do dia 5).

Número da Pesquisa: 02200108-SPPE
Data do registro: 01/09/2008
Contratante: Empresa Folha da Manhã S/A e Globo Comunicação e Participações S.A.
Contratada: Banco de Dados São Paulo Ltda. (Instituto de Pesquisas Datafolha)
Valor: R$ 59.000,00 (cinqüenta e nove mil reais)
Cargo: Prefeito de São Paulo
Período de realização: 04 e 05 de setembro de 2008

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

De "crise" em "crise": qual será a próxima?

Apesar dos enormes esforços de parte da imprensa, o caso do "grampo" do presidente do STF, Gilmar Mendes, já começou a esfriar com o afastamento de Paulo Lacerda da Abin. A oposição ficou sem discurso e agora a expectativa é com o resultado das investigações. É claro que a divulgação de novas gravações obtidas por meio de grampos pode dar mais gás à "crise", mas este blog aposta que, ainda antes da eleição de outubro, outro "escândalo" vai surgir. E não vai dar em nada, as always... A razão de tantas "crises" é uma só: os candidatos do governo estão bem nas pesquisas e a oposição patina. Quando isto acontece, a grande imprensa sempre entra em campo para equilibrar o jogo...

Abril elege candidatos para 2010

A editora Abril realizou ontem, terça-feira, um convescote para celebrar os 40 anos da revista Veja, aquela cujo editor-executivo em 2006 abria as reuniões de pauta com a singela frase "o que temos nesta semana para fo... aquele operário filho da p...?". Dispensável dizer que a referência era ao presidente da República, mas dá uma boa noção do "jornalismo" praticado pela "revista".

Na festinha promovida Abril para convidados VIP (políticos e empresários, em sua maioria), a editora convidou quatro políticos para falar do "Brasil que queremos ser", a saber: José Serra e Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e Ciro Gomes (PSB). Subtende-se que seriam estes os prováveis candidatos à presidência do Brasil daqui dois anos, em 2010. Bem, o anfitrião convida quem bem entende, mas já de cara chama atenção o fato de dois dos escolhidos pela editora serem do mesmo partido, deixando de lado a única candidata realmente confirmada para o pleito: a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL). Por que Veja e a Abril não querem saber o que pensa a esquerda sobre o futuro do Brasil? O máximo de pensamento de esquerda tolerável na Abril, pelo visto, é o do ex-ministro (tucano) Ciro Gomes. Debate aberto ao contraditório é isto aí...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Presidente cortou o mal pela raiz?

Pelo noticiário desta terça-feira, o "escândalo dos grampos" terá vida curta. Lula agiu rápido e foi certeiro no gatilho ao afastar a cúpula da Abin: até a oposição está elogiando a medida. Agora virá uma longa investigação e lá por dezembro, quando o ano estiver acabando, sairá o relatório final do inquérito. Até lá, nem a anti-lulista Veja conseguirá manter o assunto na ordem do dia...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Lula adota a "solução Hargreaves"

O presidente Lula decidiu afastar toda a cúpula da Abin enquanto durem as investigações sobre o grampo realizado no telefone do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes (ou do senador Demóstenes Torres). Lula adotou a "solução Hargreaves", a mesma utilizada pelo ex-presidente Itamar Franco quando surgiram denúncias contra o seu secretário Henrique Hargreaves, que foi afastado enquanto duraram as investigações. Inocentado, Hargreaves voltou ao governo. Se Paulo Lacerda será ou não inocentado neste caso, o tempo vai dizer. Este blog, porém, tem a impressão de que Lacerda é muito mais vítima do que culpado.

Grampolândia: alguém não sabia?

A revista Veja, cujo anti-lulismo dispensa apresentações, revelou ao país que até o presidente do Supremo Tribunal Federal foi grampeado pelos arapongas da Abin. Como diriam os americanos e os tucanos, "so what?" (talvez a melhor tradução seja "e daí?", mas "so what" é muito mais chique, e tucano é tudo gente chique...). A verdade é que qualquer otário em Brasília sabe que difícil mesmo é achar um telefone que não esteja grampeado na cidade. Há quem diga que até o do presidente Lula tem escutas... A grande questão é saber se os grampos (do presidente do STF e de todos os demais cidadãos) são legais ou ilegais e se foram mesmo realizado pela Abin, como diz a Veja. É fácil dizer que o presidente "perdeu o comando" da Abin, mas muito mais difícil é provar a tese. E se os grampos tiverem sido feitos por arapongas a serviço do banqueiro Daniel Dantas ou de outro pilantra qualquer? Mais uma vez, Veja e os colunistas da ultra-direita se unem para gritar "assim não dá!", "crime de responsabilidade!" e outras bobagens. Que essa gente tenha saudade dos generais de cara amarrada e triste memória, é até natural e faz parte da democracia. A sabedoria popular, porém, sabe distinguir bem o que é armação e o que é realidade. Afinal, se Lula é vítima do grampo, como pode ter culpa na ação dos arapongas, supondo que realmente sejam da Abin. É evidente que, sendo esta a hipótese verdadeira, o presidente deve mandar apurar os fatos. E se os fatos apontarem para algum envolvimento da Abin, deverá tomar medidas para que fatos como este não se repitam. Agora, exigir que ele demita o ministro, o chefe da agência ou quem quer que seja antes da apuração, não passa de bravata de quem quer apenas jogar pó de mico no salão...

Pesquisas: governismo em alta

Com mais uma rodada de pesquisas sobre o cenário eleitoral em diversas capitais do país, é possível continuar a análise esboçada aqui já faz uma semana, na rodada anterior. E ao que parece, os brasileiros estão mesmo dispostos a eleger gente que está no governo ou recebe apoio dos que estão. Senão vejamos:

Em São Paulo, a disputa parece estar caminhando para uma polarização entre a petista Marta Suplicy (apoiada por Lula, portanto pelo governo federal) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM), que defende a sua própria gestão. O tucano Geraldo Alckmin está cada vez mais sem pai nem mãe com o abandono de José Serra, seu correligionário e apoiador de Kassab nas horas vagas (e nas não vagas também).

No Rio de Janeiro, o candidato do governador Sérgio Cabral (PMDB) só faz crescer. Até pouco tempo, Eduardo Paes tinha menos de 5% e agora já disputa o primeiro lugar com o bispo Crivella. No Rio, Lula tem vários candidatos, e como diz o presidente, "cão com vários donos morre de fome"... Na verdade, neste caso a lógica é a inversa: Molon (PT), Jandira (PCdoB) e o próprio Crivella (PR) são os cães que disputam o dono (Lula). Não parece estar funcionando e se tudo continuar como indicam as pesquisas, a tendência é Paes chegar em primeiro e levar a eleição no segundo turno. A candidata do prefeito Cesar Maia (DEM) vai mal, mas aí é porque Cesar vai péssimo. O apoio do prefeito acaba prejudicando Solange Amaral, que parece conformada e decidida a fazer desta campanha uma garantia de eleição tranquila para a Câmara Federal em 2010...

No Recife, o candidato petista João da Costa, apoiado por Lula, pelo governador Eduardo Campos e pelo prefeito João Paulo, simplesmente disparou e chegou a 47%, percentual que transformado em votos válidos já lhe garante a eleição em primeiro turno. Seu opositor mais forte, Mendonça Filho, do DEM, caiu 8 pontos em uma semana. Cadoca, do PSC, perdeu 10 pontos no mesmo período. E o postulante que tem o apoio do cacique Jarbas Vasconcellos não consegue superar 5%.

Em Belo Horizonte, a situação é semelhante a do Recife. Márcio Lacerda (PSB), candidato de Lula, Aécio Neves e Fernando Pimentel, também disparou e poderia matar a disputa já no primeiro turno, se a eleição fosse hoje. Os demais candidatos dificilmente conseguirão fazer frente ao poderio do representante dos três governos...

Sim, há algumas exceções, como Salvador, onde ACM Neto (DEM), herdeiro do carlismo, faz uma campanha típica de oposiconista e está na frente, com chances de vitória. Porto Alegre, como sempre, se divide entre o sim (a Fogaça, atual prefeito) e o não (no momento dividido entre a bela comunista Manuela Dávila e Maria do Rosário, do PT). De modo geral, porém, a oposição está se saindo mal nas pesquisas. Este blog tem uma explicação e não se cansa de repetir: é a economia, estúpido...