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Postagens

Uma história de Natal atrasada e os
votos de feliz 2007 a todos os leitores

A história que vai abaixo é verídica, com os nomes das personagens devidamente trocados. Joana é uma menina feliz: estuda em um dos colégios da elite paulistana, tem um quarto repleto de brinquedos, é sócia de um belo clube e passa as férias entre a fazenda da família da mãe e a casa de praia da família do pai. Neste fim de ano, com o início das férias escolares, Joana recebeu a visita de Luiza, a filha empregada que trabalha em sua casa. Como provavelmente não tinha com quem deixar a filhota, Dalva, a empregada, passou a trazê-la, dia sim, dia não, para a casa da patroa. Na antevéspera do Natal, já bem tarde, o pai de Joana atende o telefone. É Dalva, um pouco aflita, que lhe pede um favor. Nada demais, apenas que guardasse o brinquedo que Luiza havia esquecido, para que na manhã seguinte Joana e seu irmão Teodoro não o quebrassem. Dalva temia que os dois não soubessem muito bem como ligar o laptop da Xuxa de sua filha Luiza. O pai, meio perplexo, assentiu e foi guardar o brinquedo. ...

Sonhando acordado

Charge do Agê que estará na edição de quinta-feira do DCI

Ouça um bom conselho...

O sempre bem informado jornalista Elio Gaspari resolveu oferecer os seus serviços de consultor político para o PSDB. E, o que é melhor para os tucanos, de graça, talvez movido por compaixão, já que o partido vai virar o ano devendo R$ 16 milhões em função da campanha de 2006. Brincadeiras à parte, este blog recomenda vivamente a leitura do artigo de Gaspari publicado nesta quarta-feira nos jornais que reproduzem a sua coluna (entre os quais a Folha e O Globo ) e no qual estão as recomendações aos tucanos. É uma reflexão que complementa as notas publicadas aqui sobre o salário mínimo e revela, mais uma vez , como a elite brasileira não consegue perceber nada do que se passa no "andar de baixo". Com a palavra, mestre Gaspari: As liquidações dos "formiguinhas" Se os tucanos tivessem juízo, mandariam seus sábios visitar os grandes entrepostos de materiais de construção COMEÇA HOJE a temporada de liquidações em quase todas as grandes revendedoras de materiais de constr...

Os leitores já estão reparando...

A Folha de S. Paulo publicou a carta abaixo, cujo conteúdo é muito semelhante aos comentários deste blog sobre o salário mínimo. Pode perfeitamente ser uma coincidência, pois o movimento da Folha está cada dia mais evidente. A novidade é que os leitores não só estão reparando que o jornal não é mais o mesmo como também resolveram escrever para reclamar. Mínimo irracional "A inflexão à direita da Folha tem sido amplamente notada e comentada nos últimos tempos. Mas o editorial da última sexta-feira, dia 22/12 ("Mínimo irracional'), é de assustar até os moderados. Num país que ostenta a vergonhosa posição de vice-campeão de desigualdade social do planeta e campeão absoluto na transferência de renda aos mais abastados via taxa de juros, classificar de "irracional" um vergonhoso salário mínimo de R$ 380 só seria compreensível se se tratasse de uma crítica ao seu valor insuficiente. Mas bradar, como fez a Folha, contra o incremento de R$ 5 em seu valor, tachando-o de ...

Está chegando a hora da posse parlamentar...

Charge do Agê que estará na edição de quarta-feira do DCI

Lula e o futuro: mais do mesmo ou reviravolta?

Faltando cinco dias para o final do ano, a pergunta que não quer calar é até óbvia: como será o ano de 2007 e o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva? Já há muita especulação na praça e tem gente achando que daqui para frente Lula vai adotar uma postura mais esquerdista e arrojada, até para que a história registre o seu governo como o de alguém ligado às causas populares e à esquerda de modo geral. Este blog não consulta videntes, mas aposta que o 2° mandato de Lula será muito semelhante ao 1° e, a menos que ocorra uma crise econômica internacional, terminará com uma década de crescimento morno mas constante da economia. Pode ser desapontador para o leitor, mas é o que indicam os fatos que importam para uma análise prospectiva. Lula não vestirá o figurino chavista, até porque já deu diversas declarações explicando os motivos de seu afastamento da extrema-esquerda – na última vez, foi até incompreendido ao brincar que se tratava de um fenômeno relacionado à idade: qua...

Mercadante: há males que vem para o bem

O caso do dossiê Vedoin pode acabar realmente mal para o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Aliás, a verdade é que antes mesmo de ser condenado pela Justiça, o senador já está pagando caro pelas besteiras dos "aloprados": antes do episódio, quando ainda era candidato ao governo paulista e tinha poucas chances de vitória, Mercadante dizia a quem quisesse ouvir que, se derrotado fosse, teria um cargo forte no governo federal. De fato, especulava-se até na nomeação do senador para o ministério da Fazenda Hoje, ninguém em sã consciência imagina o presidente Lula nomeando o rapaz para cargo algum. O velho ditado diz que Deus escreve certo por linhas tortas. Os "aloprados" acabaram prestando dois bons serviços ao País: levaram a eleição para o segundo turno, fazendo com que a vitória de Lula fosse inquestionável pela oposição; e afastaram de vez a hipótese de Mercadante comandar a economia nacional. O Brasil agradece...

De volta ao batente...

Poucas novidades nesses últimos dias, como seria de se esperar. Na política, a única notícia relevante é o movimento de tucanos de bico longo para colocar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na presidência do PSDB. Este blog duvida que ele aceite, mas de fato talvez seja esta a melhor maneira para debelar a crise do partido. Se FHC não aceitar a missão, o PSDB corre sério risco de implodir ou se transformar em um mini-PMDB, rachado e dividido entre caciques regionais, cada qual preocupado com o seu próprio futuro político.

Feliz Natal!

O Entrelinhas deseja a todos um feliz Natal, repleto de felicidade e esperança em um futuro melhor para todos nós. Neste sábado e domingo, não haverá atualização. Na segunda, dia de Natal, voltamos ao batente.

O Natal do presidente

Charge do Agê que estará no DCI da próxima terça-feira

Pancadaria contra o mínimo já começou

Nem demorou tanto. Conforme este blog antecipou, já foi aberta a temporada de críticas ao aumento do salário mínimo. Na Folha de S. Paulo de hoje, além das matérias a respeito do assunto, editadas de forma a levar os leitores a acreditar na "irresponsabilidade fiscal" do presidente Lula, há um editorial e um artigo do economista tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros, ambos reproduzidos abaixo. A leitura dos dois textos ajuda a entender a cabeça da elite que felizmente não governa mais o país: para eles, os R$ 5 a mais na conta dos pobres representam um verdadeiro acinte. A chave para entender a argumentação da Folha e dos tucanos está no trecho a seguir, do editorial do jornal: "com gastos estéreis, 12% das escassas verbas que deveriam estimular a economia com obras de infra-estrutura, recuperação da capacidade gerencial do Estado e fomento à geração de tecnologia". Não importa que o governo vá procurar cortar em outras áreas para buscar a devida compensação para ...

O mínimo de R$ 380: críticas já começaram

A definição de um reajuste para o salário mínimo superior ao que estava sendo aventado na imprensa ajuda a compreender como funcionam as coisas em Pindorama. Foi só o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, anunciar oficialmente que o salário vai subir para R$ 380 e que haverá correção de 4,5% na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física para as críticas, ainda tímidas, começarem. Nos próximos dias, os leitores podem apostar, essas críticas aumentarão de frequência e intensidade. Não é preciso ser nenhum gênio para prever o que dirão os Carlos Sarndenbergs e as Míriam Leitoas na imprensa: o governo está sendo irresponsável por dar um aumento de espetaculares 8% para o mínimo enquanto a economia cresce apenas 2,8% ao ano. Os ouvintes e leitores receberão um verdadeiro bombardeio midiático sobre a inconveniência desses R$ 30 adicionais que passarão a valer a partir de abril do próximo ano: a Previdência vai quebrar, as prefeituras não terão como pagar o montante, as pequenas empresas terão...

Renan, o revisor

Nada como uma boa confusão para as pessoas se revelarem "por inteiro", como diria o deputado eleito Clodovil Hernandez. Hoje, na hora que o bicho pegou e os parlamentares teriam que decidir, depois de toda a polêmica, o valor do reajuste para os seus salários, eis que o presidente do Senado, o brioso Renan Calheiros (PMDB-AL), achou por bem deixar a bucha para a Câmara Federal. O Senado, explicou Renan, terá o papel de "Casa revisora" e apreciará a posteriori a decisão tomada pelos deputados. A atitude de Renan, popularmente conhecida por "tirar da reta", faz lembrar uma cancioneta portuguesa sobre a postura dos corajosos lusitanos na 2ª Guerra Mundial, que dizia, se não falha a memória, algo assim: "Portugal não foi à guerra /mas também não acovardou-se / botou pano preto em cima / escreveu em letras brancas: Portugal mudou-se".

O aumento caiu. E agora, o que vem pela frente?

O Supremo Tribunal Federal mostrou que a Justiça pode ser rápida e derrubou o aumento de 91% auto-concedido pelos parlamentares. Na verdade, pela decisão do STF o aumento terá que ser votado no plenário do Congresso para que os deputados e senadores confirmem (ou não) o percentual. Está aberta a bolsa de apostas: de quanto você acha que será o reajuste que os parlamentares votarão nos próximos dias? O bode saiu da sala, mas qualquer coisa acima da inflação também é um acinte, ainda mais no momento em que o Congresso discute o aumento do salário mínimo nesses termos.

Ainda sobre o diploma de jornalismo (2)

Quem acompanha essas Entrelinhas sabe o que pensa o autor do blog sobre o diploma de jornalismo. Ainda mais brilhante do que um inteligente comentário de Carlinhos Brickman, reproduzido aqui , sobre o fim da exigência do canudo para o exercício da profissão é o texto do experiente jornalista Paulo Sotero, publicado sábado no Estadão e reproduzido abaixo, na íntegra. Aliás, o pessoal da Fenaj devia olhar em volta e tentar achar algum grande jornalista que defenda o deproma ubrigatório . Do jeito que as coisas andam, vai ser difícil... Pelo bom senso e a democracia Paulo Sotero Equivocam-se os sindicatos e associações de jornalistas em sua campanha para reverter a decisão preliminar do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional a exigência do diploma de curso superior de jornalismo para o exercício da profissão. As transformações que as inovações tecnológicas produzem nos meios de comunicação e o interesse inerente dessas organizações no aprimoramento da imprensa e na preser...

Wagner Iglecias: Lula e a voz rouca das ruas

Em mais uma colaboração para este blog, o professor Wagner Iglecias analisa as recentes pesquisas de opinião que mostram a alta popularidade do presidente Lula e faz também alguns prognósticos sobre o segundo mandato. Vale a pena ler o texto na íntegra, abaixo: O ano de 2006 está acabando e com ele vai se encerrando o primeiro mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva. Parece coisa à toa falar disso agora que a eleição já passou e o presidente-operário foi reconduzido para mais quatro anos a frente do Palácio do Planalto. Citar seu segundo mandato parece o fato mais normal do mundo. Mas quem de nós, em sã consciência, se arriscaria em apostar nisso em meados de 2005, durante o auge da crise política? Quem seria capaz de acreditar numa recuperação tão impressionante da imagem e da força política de Lula, após a enxurrada de problemas que abateu-se sobre seu governo, especialmente nos dois últimos anos? O fato é que alguma coisa um tanto insondável ocorreu entre o dia em que vier...

Aumento dos parlamentares pode cair

A julgar pela reação dos últimos dias, o aumento que os deputados e senadores se auto-concederam na semana passada está, sim, correndo sério risco de não se concretizar. Já há deputados se mobilizando para derrubar o aumento de quase 100% no benefício. Desde a decisão pelo reajuste este blog apostou que a mobilização da imprensa e da população poderia ser capaz de fazer o Congresso rever o aumento, coisa que muitos especialistas afirmavam ser impossível. Ainda nesta semana deve haver uma decisão final sobre o assunto e o blog aceita apostas: o Congresso vai rever o aumento ou manterá o super salário de R$ 24,5 mil mensais?

A manchete da Folha e a pesquisa sobre Lula

Não teve jeito: o levantamento do Datafolha, instituto de pesquisa da Folha de S. Paulo , revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mais bem avaliado da história do Brasil. Sim, "nunca antes neste país", como diria o próprio Lula, o povo gostou tanto de seu presidente como gosta do atual. Evidentemente, um fato deste quilate merece manchete e foi onde a Folha , corretamente, editou a notícia. Só que para não dar o braço a torcer, o jornal deu o título com má vontade e uma ressalva de criança birrenta, que não quer admitir que os pais estejam com a razão: "Lula é o presidente mais bem avaliado, mas esperança cai". Sem olhar os números, a impressão que se tem é de que os brasileiros estão descrentes no segundo mandato de Lula, pessimistas e desiludidos com o presidente. Pois não é que o subtítulo informa que hoje "apenas" 59% dos brasileiros esperam que o presidente faça um bom mandato? Sim, é menos dos que os 76% de 2002, quando Lula e o PT c...

Serra quer dobrar salário dos secretários

O governador eleito de São Paulo é um homem de sorte. Há alguns dias, antes que o Congresso decidisse dobrar os salários dos parlamentares, José Serra manifestou a intenção de dobrar o salário dos secretários de Estado que assumirão o cargo em janeiro. Segundo ele, o salário de R$ 6 mil é "pouco" para a qualificação dos secretários. A proposta de Serra já ia causar polêmica quando o Congresso atravessou o samba e todas as atenções se voltaram para os R$ 24,5 mil dos deputados e senadores. Ninguém mais fala da "merreca" de R$ 12 mil que Serra quer pagar ao seu secretariado e é bem possível que a Assembléia aprove o aumento e o assunto acabe noticiado como "box" da polêmica do reajuste dos parlamentares.

Reação popular pode brecar super salário

Como era de se esperar, não pegou nada bem para os congressistas o aumento de quase 100% acertado para os seus próprios salários. A indignação é grande e vários deputados e senadores já contestam o acordo ou dizem que não aceitarão o aumento, se ele realmente vier a ser concedido. Ainda é cedo para garantir que os R$ 24,5 mil mensais dos deputados e senadores já estão se tornando sonho de uma noite de verão, mas a julguar pela péssima repercussão da medida na mídia, os parlamentares talvez sejam obrigados a recuar e contar com um aumento mais modesto, que levaria o salário dos deputados e senadores para a faixa de R$ 16 mil. Talvez o mais correto seja adotar no Brasil a regra que vigora nos Estados Unidos, onde os salários dos congressistas são reajustados anualmente pelo índice da inflação menos 0,5%. Assim, o parlamentar recebe um aumento sempre inferior ao que a maior parte dos trabalhadores conquista em suas negociações com a iniciativa privada ou setor público.