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Folha: Arida defende o fim do FGTS

Muito bom o artigo de Pérsio Arida na Folha de hoje, vale a leitura e o blog concorda com a tese defendida pelo economista.  Inicio minha colaboração com a Folha tratando de um tema que está em voga: o FGTS. Foi editada recentemente a medida provisória número 889, que está sendo apreciada pelo Congresso, e o monopólio da Caixa Econômica Federal voltou a ser questionado. É um tema antigo. No meu discurso de posse no BNDES, em 1993, argumentei que a estabilização econômica do Plano Real faria com que fundos compulsórios de poupança perdessem sua razão de existir. Tratei do assunto em artigos posteriores defendendo o fim do monopólio da Caixa e a remuneração do fundo pela taxa de captação de longo prazo do Tesouro Nacional. Volto aqui ao tema com uma proposta mais radical. O FGTS, tal qual o conhecemos —um fundo de empréstimos gerido por um Conselho Curador composto por seis representantes dos sindicatos e seis representantes do governo, administrado pela Caixa e remunerado de ...

A MP dos editais e o futuro do jornalismo

O ministro Gilmar Mendes suspendeu a MP que dispensava publicar editais em jornais, argumentando que a medida provisória, editada pelo presidente Jair Bolsonaro, pode provocar "grave e irreparável dano" aos jornais, "especialmente na esfera municipal". De fato, Mendes tem alguma razão, é preciso um tempo de transição para que os veículos se adaptem, mas a verdade é que não faz mais nenhum sentido a publicação obrigatória deste tipo de conteúdo nos jornais impressos e também é certo que muitos irão desaparecer no futuro, porque dependem demais deste tipo de receita. A questão que importa é outra: como criar um modelo alternativo para o financiamento do jornalismo na internet, que possa inclusive permitir a existência de veículos impressos? Atualmente, a receita dos impressos paga as operações online, mas isto precisa mudar ou não teremos jornalismo algum, o que seria, isto sim, trágico... Matéria do Valor sobre o tema: O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilma...

Como a guerra no PSL afeta o governo?

Definitivamente, esta não foi uma boa semana para o governo: o partido de Jair Bolsonaro continuou conflagrado, o líder do governo chamou o presidente da República de vagabundo e o misterioso óleo que tomou conta da costa de parte do nordeste chegou à Baia de Todos os Santos, em Salvador, provocando comoção nacional. Pior, a confusão na política e o desastre ambiental ofuscaram boas notícias na economia, que poderiam ter sido capitalizadas pelo presidente: juros reais nos menores patamares da história do país, emprego se recuperando – lentamente, é verdade, mas já um alento – e uma discreta melhora nas vendas do varejo. A questão do PSL está longe de uma solução, até porque ninguém poderia esperar coesão de um partido que a rigor serviu de canoa para a candidatura presidencial de Bolsonaro – ele ingressou no PSL depois de negociar com diversas legendas, sua vida partidária foi quase toda ela no PP do ex-governador paulista Paulo Maluf. É compreensível, portanto, que a disputa de pode...

Valor: Para diretora-geral do Twitter, cabe à sociedade julgar tuítes de políticos

Muito boa a matéria do Valor com o perfil da manda-chuva do Twitter no Brasil, Fiamma Zarife. Vale a leitura, íntegra reproduzida abaixo. Diretora-geral do Twitter, rede social favorita de Trump e Bolsonaro, investe na diversidade para lidar com o aspecto plural de milhões de usuários Por João Luiz Rosa — De São Paulo Foi com interesse redobrado que Fiamma Zarife acompanhou ao vivo, pelo Twitter, o episódio que paralisou a ponte Rio-Niterói e mobilizou a atenção de milhões de brasileiros na terça-feira, dia 20 de agosto. Durante três horas e meia, um homem ameaçou a vida dos passageiros de um ônibus que sequestrara no início da manhã, até ser alvejado e morto por um atirador de elite da polícia. “Tinha gente tuitando de cima da ponte”, diz a executiva, que segue atentamente a rede social até por dever de ofício: Fiamma, que nasceu e cresceu em Niterói, comanda o Twitter no Brasil há dois anos e meio. O episódio vem à tona logo no início da conversa no restaurante Pobre Juan, esp...

Portal Comunique-se: Veja “apaga” José Roberto Guzzo de sua história

Portal Comunique-se informa que o site da Veja já excluiu a coluna do ex-diretor de redação da revista e até dia 15, seu colunista. A saída de Guzzo se deveu a um artigo crítico aos ministros do STF.  Íntegra da matéria abaixo: José Roberto Guzzo nunca escreveu para a Veja. Ao menos é essa a percepção de quem desde a tarde desta quinta-feira, 17, acessa o site da publicação mantida pela Editora Abril. A página online batizada de ‘Fatos’, e que apresentava ao público as colunas produzidas pelo jornalista, foi excluída. Na prática, o veículo de comunicação “apagou” a relação que manteve nos últimos anos com o comunicador. Manteve. No passado mesmo. Ao responder a mensagem de um internauta, José Roberto Guzzo afirmou que a revista não queria mais contar com a sua colaboração. Em texto publicado por meio de sua conta verificada no Twitter, ele afirmou que o comando do impresso havia se recusado a publicar o artigo que produziu para a edição desta semana. A coluna (íntegra ao fim da...

Dica da semana: Lucidez, autoironia e decadência marcam Serotonina

Serotonina é um livro instigante, faz pensar e deixa a sensação de que vivemos e vamos viver tempos muito estranhos pela frente. O autor, Michel Houellebecq (foto abaixo), se tornou uma sensação nos meios literários da França após a publicação de Submissão, uma espécie de 1984 francês, retratando a situação política e social do país europeu em 2022, com a ascensão da Fraternidade Mulçumana, novo partido que chega ao poder batendo socialistas e a Frente Nacional da família Le Pen em meio a conflitos sociais com identitários, que descambam inclusive para a violência aberta em uma Paris decadente. À diferença de Orwell em 1984, Houellebecq escreve com um humor corrosivo, presente em Submissão e também em Serotonina, em que o protagonista abre o seu relato expondo o ridículo de seu próprio nome – Florent-Claude Labrouste. O primeiro capítulo, em que ele se apresenta, aliás, é um primor. Ao longo do romance, o leitor vai acompanhar a trajetória de Labrouste sabendo que ele, consultor do Mi...
No portal Comunique-se, matéria sobre parceria entre o Estadão e Google para impulsionar assinaturas digitais traz um gráfico que mostra a tendência inevitável do enfraquecimento das assinaturas impressas e o crescimento exponencial das digitais. O titular do blog reparou que um ano atrás, quando se mudou de apartamento, um maço de jornais chegava todas as manhãs na portaria do prédio, hoje são apenas dois assinantes e um que recebe o Estadão apenas nos finais de semana... O grande problema do jornalismo é que a receita de publicidade segue concentrada nas versões impressas, que estão minguando. A lógica do mercado é que o preço da publicidade no impresso despenque, mas o inverso não é verdadeiro, isto é, o preço da propaganda nos meios digitais não se elevará na mesma proporção. As assinaturas digitais também são muito mais baratas que as de impressos. O volume de publicidade no meio digital, claro, cresce bastante, como atesta a nota do C-Se, mas no agregado não compensa a perda d...

Vinicius Torres Freire: Juro chega à mínima histórica, mas falta coragem ou capacidade para investir

Muito bom o artigo do colunista Vinicius Torres Freire na Folha de hoje, esclarecedor da encalacrada que vivemos no Brasil. Íntegra abaixo. Desde a semana passada, taxa real de juro básico é a menor da história conhecida Desde a semana passada, a taxa básica de juros no mercado é a mais baixa da história de que se tem registro. Está perto de 1% ao ano e deve ir abaixo disso nas próximas semanas. Trata-se aqui da taxa básica dos negócios com prazo de um ano, descontada a inflação esperada. É uma espécie de piso dos juros de mercado, a taxa no atacadão de dinheiro grosso, digamos. É uma novidade exótica o Brasil ter juro real perto de zero, mesmo com economia deprimida –por falar nisso, convém verificar suas aplicações de renda fixa mais comuns, que vão render nada ou menos do que isso, pelo próximo ano, ao menos. Trata-se de novidade desperdiçada, em parte. O país parece um morto de sede que vê água fresca cair e sumir na terra esturricada. Por exemplo, jamais houve condições tã...

Nexo: 3 passos de Luciano Huck rumo a uma possível candidatura

Na reportagem reproduzida abaixo, Géssica Brandino detalha os caminhos do apresentador que ao lado da esposa Angélica forma o casal 20 da televisão brasileira, para viabilizar seu nome e concorrer à Presidência em 2022. Se vai vingar, só o tempo dirá, mas que está articulando, parece óbvio. Resta saber se aguenta o que os políticos da antiga chamam de "pancadão eleitoral" - a superexposição da vida privada, de seu passado e dos seus negócios, que não são poucos. Íntegra abaixo. Promessa não concretizada nas eleições presidenciais de 2018, o apresentador da TV Globo Luciano Huck tem se movimentado no cenário político e empresarial brasileiro. Apesar de não declarar oficialmente sua intenção de se candidatar em 2022, suas atitudes públicas e posicionamentos sobre temas relevantes já moldam um discurso que une combate à pobreza e livre mercado. “A desigualdade é gritante. Se a gente não fizer nada, este país vai implodir. Quero ser um cidadão cada vez mais ativo para que o pa...

João Pereira Coutinho: 'Coringa' é um clichê de esquerda e de direita e pelos mesmos motivos

Na Folha, o colunista João Pereira Coutinho escreve um interessante artigo sobre o filme Coringa, bola da vez dos debates entre cinéfilos. Na íntegra, abaixo. Maus fígados Assisto a “Coringa” e passo metade do filme a pensar em “O Silêncio dos Inocentes”. Corrijo. Os meus pensamentos estavam com Hannibal Lecter, o psicopata desse filme, encarnado por Anthony Hopkins. É uma das grandes criações do cinema moderno e, em termos pessoais, o primeiro grande vilão da minha maturidade. Como explicar a força da criatura, que hoje já virou paródia, mas que em 1991 tinha a frescura aterradora das grandes maldades? Sim, o canibalismo ajudava, sobretudo para comer um fígado humano com favas e um copo de Chianti. Mas o fascínio não estava no fígado humano. Estava nas favas e no copo de Chianti. Hannibal Lecter era aterrador porque detonava um dos grandes mitos da nossa civilização: a ideia platônica de que existe uma relação positiva entre sabedoria e virtude. No caso de Hannibal Lec...

O julgamento no STF e o futuro de Lula

Ainda que o Supremo Tribunal Federal restabeleça no julgamento que começa nesta quinta-feira (17/10), e que deve se arrastar por quatro a cinco sessões, o que diz o Inciso LVII do Artigo 5º da Constituição Federal ("ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória"), a situação do ex-presidente Lula não estará resolvida. Caso o Supremo julgue favoravelmente ao cumprimento das penas após a sentença transitar em julgado, isto é, até se exaurirem todas as possibilidades de recursos e embargos, o que parecer ser a atual tendência, Lula deixará a cela da Polícia Federal em Curitiba, claro, e poderá então voltar a circular, dar entrevistas e fazer política. Mas não terá recuperado seus direitos políticos, em tese não poderá ser candidato ou participar da campanha de 2020 ou 2022. Para que isto ocorra, e hoje o ex-presidente ainda é o único nome realmente viável para disputar a presidência da República contra Bolsonaro ou qualquer outro can...

Mario Vargas Llosa: “Em nome da autodefesa se destrói a democracia”

No El País, entrevista com o Nobel peruano, que volta ao grande romance com 'Tempos Difíceis',  narrando a conspiração dos EUA contra o Governo legítimo da Guatemala em 1954. SAMUEL SÁNCHEZ e JESÚS CEBERIO 12 OCT 2019 - 13:46 BRT A violência é a matéria-prima com a qual Mario Vargas Llosa trabalha habitualmente, sobretudo em seus romances de caráter histórico. Na América Latina não lhe faltam referências, mas ele mesmo acredita que a Guatemala talvez seja o país que arrasta a história mais violenta. Com 70% de população indígena perpetuamente marginalizada, uma tradição militarista enraizada na Capitania Geral da época colonial e uma minoria rapaz que monopoliza terras e minas, é o cenário no qual se desenvolve o novo romance de Vargas Llosa: Tiempos Recios (“Tempos Difíceis”, em tradução livre), lançado na Espanha pela editora Manancial e ainda inédito no Brasil. A história transcorre justamente em um dos breves períodos de sua história, em meados do século passado, em qu...

Ainda sobre El Camino

Resenha do The Economist também aprova o filme. “El Camino” is a passable but pointless postscript to “Breaking Bad” Fans of the series will lap up two more hours of action, but this follow-up film lacks much of what made the series great Oct 14th 2019by T.W. Warning: this article contains details of “Breaking Bad” THE 62ND and final episode of “Breaking Bad”, which aired six years ago, was a satisfying end to one of the most acclaimed television series of all time. Walter White (Bryan Cranston), a New Mexico high-school chemistry teacher turned crystal-meth kingpin, used a remote-controlled machine-gun hidden in his car boot to dispatch a gang of rival dealers who had kidnapped and tortured his one-time associate, Jesse Pinkman. But in the process White caught a bullet himself, and in the closing shot was seen lying dead on the floor of a high-tech meth lab of the sort that had made him rich. One of television’s greatest anti-heroes got the better of the baddies and at the sam...

FSP: 'El Camino' é um epílogo visceral e satisfatório para 'Breaking Bad'

Muito boa a resenha publicada hoje na Folha de S. Paulo, vale a leitura. Breaking Bad é sem dúvida uma das melhores séries produzidas pelo Netflix, apesar de longa. Jesse Pinkman deixa de ser alívio cômico no sombrio longa que mostra o que ocorreu ao personagem Teté Ribeiro EL CAMINO: A BREAKING BAD MOVIE Onde Disponível na Netflix Classificação 16 anos Elenco Aaron Paul, Jonathan Banks, Matt Jones, Charles Baker Produção EUA, 2019 Direção Vince Gilligan Atenção: Esta resenha tem alguns —poucos e não definitivos— spoilers do filme "El Camino" e outros muito importantes da série "Breaking Bad". Leia por sua conta e risco. É raro uma série boa e de sucesso ter um final que não decepciona. Foi assim com "Seinfeld" (1989-1998), com "Família Soprano" (1999-2007) e, mais recentemente, com "Game of Thrones" (2011-2019). "Breaking Bad" (2008-2013) talvez seja a exceção que comprove a regra, com um final ótimo, surpreend...