segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Tempos difíceis para a oposição

Notícia nos portais dão conta da preocupação do governador José Serra (PSDB) com a situação de seu aliado Gilberto Kassab (DEM), prefeito de São Paulo. Serra não estaria exatamente preocupado com a possibilidade de cassação de Kassab, mas com os efeitos para a sua própria imagem em no cenário pré-eleitoral, uma vez que o grande avalista de Kassab foi ele mesmo, José Serra.
Está correta a preocupação do governador. Olhando friamente o cenário, o DEM vai entrar na campanha eleitoral com um passivo de imagem enorme, tanto pelo episódio envolvendo José Roberto Arruda, único governador do partido, e os mensaleiros democratas, como também pela rápida e violenta queda na popularidade de Gilberto Kassab em São Paulo, antes mesmo do episódio da cassação.
A situação periclitante do DEM, principal aliado do PSDB, pode levar à formação de uma chapa em que os democratas apenas apóiem o tucanato, sem no entanto indicar o vice, mesmo que Aécio Neves decline a vaga de vice na chapa. Serra teria como companheiro alguém do PPS ou até do próprio PSDB, mas não um democrata, para não “sujar” a chapa.
O problema todo é que a imagem de alinhamento do PSDB com o DEM é muito forte e provavelmente será explorada na propaganda eleitoral de Dilma Rousssef ou de Ciro Gomes, se ele de fato concorrer à presidência da República, e não ao governo de São Paulo. Assim, a chance de Serra (ou qualquer outro candidato do PSDB) ser afetado pelos problemas do DEM é bastante alta.
Corretamente, Serra tem tentado se preservar no noticiário, deixando de falar sobre temas políticos para não expor as fragilidades. Em um mês, porém, se ele de fato se decidir pela Presidência, terá largado o governo do Estado e estará na rua, sem fazer campanha, oficialmente, porque ainda será proibido, mas trabalhando no convencimento dos eleitores. Este blog está muito curioso para saber qual vai ser a estratégia do PSDB desta vez. A questão “moral” não pegou em 2006 e em 2002 ninguém defendeu o governo do partido e o legado de Fernando Henrique Cardoso. Alguns colunistas têm escrito sobre Serra adotar a postura de “pós-Lula”, tal e qual Aécio vinha propondo, mas é difícil imaginar um “Serrinha paz e amor” desfilando na avenida sem responder à “desconstrução” de sua imagem, que certamente será feita pelo PT ou PSB. A falta de discurso é muito mais grave para a oposição, na humilde opinião deste blogueiro, do que propriamente a ausência de Serra no cenário neste momento, como acreditam alguns tucanos mais ansiosos. Em uma campanha, é preciso ter bem claro o que se vai dizer, qual é a mensagem. E isto parece estar fora de discussão no PSDB...

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