segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Um balanço de 2009

O que vai abaixo é um artigo do autor do blog para o Correio da Cidadania. Com este texto, vamos terminando as atividades de mais um ano - o quarto destas Entrelinhas. A publicação deste comentário final faz com que 2009 feche em 860 posts - um belo aumento em relação aos 498 comentários escritos em 2008.

Aos leitores que brindaram o blog com recorde de audiência neste ano, ficam os votos sinceros de um excelente 2010, com muita paz, saúde e prosperidade - é realmente difícil ser criativo em momentos como esses. Como diria o poeta, navegar é preciso, viver não é preciso. Olhar para frente e construir o futuro também não é fácil, mas no fundo é o que nos move e mantém vivos - a esperança de dias melhores, para cada um e para o país como um todo. Que 2010, portanto, seja mais um ano de muitas realizações e avanços para todos nós.


Um ano improvável
Por Luiz Antonio Magalhães


2009 já se vai e a sensação que fica no Brasil é de alívio. Ninguém em sã consciência poderia prever, em dezembro de 2008, uma situação como a que se verifica neste fechamento de ano. Sim, porque se a crise bateu forte no começo primeiro trimestre, a profecia do presidente Lula de que as turbulências internacionais provocariam apenas uma "marolinha" no Brasil se concretizou, especialmente ao se comparar a performance do país com a das economias desenvolvidas.
De fato, até os críticos da atual política econômica reconhecem que, de maneira um tanto surpreendente, os problemas financeiros da maior potência capitalista não afetaram o Brasil da maneira que se esperava. O PIB encolheu um pouco ou ficou praticamente estável em relação ao ano anterior – só será possível saber com precisão a variação do produto interno bruto no início de 2010 –, mas as primeiras previsões eram de um colapso completo, recessivo, com uma depressão econômica de magnitude jamais vista. Isto simplesmente não aconteceu.
É bem verdade que a economia mundial também não sucumbiu como se esperava em dezembro de 2008, graças sobretudo à ação determinada dos tesouros dos países ricos, que irrigaram o sistema financeiro de dólares e euros, impedindo uma quebradeira ainda maior ou uma falência sistêmica. Nos Estados Unidos e Europa, porém, a crise bateu mais forte e a maior parte dos países desenvolvidos está assistindo a um significativo encolhimento de suas economias.
No caso brasileiro, a performance econômica teve conseqüências óbvias na política e o presidente Lula termina o ano com aprovação recorde, superando inacreditáveis 80% de popularidade. Quem lê com sabedoria o recado do povo percebe que não há a menor possibilidade de tamanha sustentação acontecer se a situação da vida real das pessoas tivesse piorado neste período. Lula cresceu porque conseguiu explicar para a população que por aqui os problemas foram menores do que lá fora, sinalizando também um ano de 2010 de crescimento robusto. Evidente que o carisma também conta, mas, se o desemprego tivesse aumentado e a renda, diminuído, não haveria carisma que segurasse a popularidade presidencial. E a verdade é que o presidente saiu maior da crise do que entrou, coisa rara, muito rara.
Lula à parte – e seu governo neste ano não apresentou grandes novidades –, 2009 foi o ano da improvável vitória de Barack Hussein Obama na eleição presidencial nos Estados Unidos. O primeiro negro a se tornar presidente dos EUA vai enfrentando lá os seus problemas, todos gravíssimos, mas o que vale aqui é lembrar o fator simbólico da eleição de Obama. Um paradigma importante foi quebrado em um país que assassinou Martin Luther King, na pátria da Klu Kux Kan. Não é pouca coisa e, ainda que Obama não consiga levar à frente os seus projetos, a eleição por si só fez história. Se Collin Powell fosse o presidente, ou seja, um negro de direita, este colunista estaria escrevendo as mesmas linhas – o que vale para Chico vale para Francisco -, pois o que merece destaque é a carga simbólica, não o conteúdo ideológico.
Feito o parênteses norte-americano, vale a pena aprofundar um pouco mais na conjuntura brasileira. E 2009 foi um ano improvável não apenas na economia e não só pela incrível resiliência do presidente Lula. Em dezembro de 2008, muitos analistas apostavam em uma guinada à direita – crises são ambientes ideais para o florescimento de soluções de força. É bom lembrar que o resultado do crash de 1929 foram os anos do fascismo, nazismo, das ditaduras na Espanha e Portugal, regimes de exceção em quase toda América Latina.
Pois 2009 chega ao fim com a direita brasileira esfacelada pelos reais nas meias e cuecas dos Democratas. E este parece ter sido o golpe de misericórdia, pois o eixo político no Brasil virou para a esquerda, deixando um espaço residual para as propostas ultra-liberais ou de caráter autoritário. Sim, porque Dilma Rousseff e mesmo José Serra são políticos com perfil muito mais estatizante, desenvolvimentista, para usar uma palavra já fora de moda, do que o próprio presidente Lula. É possível que pela primeira vez uma eleição presidencial seja disputada sem representantes legítimos da direita brasileira, que por ora tenta se abrigar na candidatura de Serra. Ciro Gomes e Marina Silva também não representam, nem de longe, a direita tradicional, de maneira que, se os quatro forem para a disputa, apenas um ou outro nanico pode ocasionalmente ocupar este espaço.
Por outro lado, no campo da ultra-esquerda o ano parece ter sido bastante complicado: mesmo com toda a conjuntura de crise séria do sistema capitalista, não houve quem conseguisse vocalizar uma crítica diferenciada e se aproveitar do momento delicado para apresentar uma plataforma alternativa. Heloísa Helena poderia ter feito este papel, mas simplesmente sumiu, talvez mais preocupada com cálculos eleitorais em Alagoas. Outras personalidades do PSOL, PSTU e PCB parecem ter preferido a tática do avestruz e colocaram a cabeça debaixo da terra, perdendo uma chance ímpar de expor a crítica mais profunda do sistema, chance esta que só aparece uma vez por décadas.
Com tal cenário, dá para entender melhor por que Lula nada de braçada. Claro, o presidente tem méritos e talento, mas a verdade é que os que lhe fazem oposição têm sido de uma tacanhez e falta de criatividade impressionantes. O principal candidato da oposição, governador José Serra (PSDB), acaba de conseguir um consenso, meio torto, é verdade, em torno de seu nome para a disputa de 2010, com a desistência do colega Aécio Neves (MG), mas ainda assim reluta em aparecer como candidato e procura evitar críticas ao governo federal, apostando na tal "comparação de biografias" para vencer a eleição. É pouco, muito pouco, e a política brasileira infelizmente caminha para um marasmo em termos do debate de idéias. Os projetos são semelhantes, com discordâncias pontuais. As mudanças, qualquer que seja o eleito em 2010, serão pequenas.
2009, este ano improvável, parece ter aprofundado no Brasil esta tendência para a "conciliação por cima", que em diversos momentos marcou a história do país e abafou o contraditório. Neste momento particular, no entanto, é justo reconhecer que esta conciliação está promovendo alguns avanços importantes, tanto no campo social quanto no desenvolvimento estratégico do país.
Obras de infra-estrutura, mercado interno reforçado e mais robusto com a política salarial implantada para o mínimo e o funcionalismo público, uma política externa mais arejada são os pontos fortes da gestão Lula. O futuro que está sendo engendrado pela atual administração inclui o marco regulatório do pré-sal, investimentos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas e, é claro, um projeto de permanência no poder. Mas tudo isto é assunto para o próximo artigo, sobre as perspectivas para 2010.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Na Carta Capital: mídia em mutação

Abaixo, matéria do autor do blog para a revista Carta Capital desta semana. Na íntegra, para os leitores do Entrelinhas. Com este post, voltamos ao batente. Análises sobre Datafolha e a desistência de Aécio Neves de disputar a presidência da República serão temas dos próximos posts.

Luta na Idade Média

Luiz Antonio Magalhães

Igrejas, operadoras de telefonia e novos empresários em busca de influência política. Esses três exércitos, cada um por um flanco, estão destruindo as muralhas da cidadela onde ainda se refugia a mídia tradicional brasileira. Nos últimos dez anos, os velhos barões, fortalecidos à sombra da ditadura, perderam espaço. Alguns, como as famílias Mesquita (O Estado de S. Paulo), Nascimento Brito (Jornal do Brasil) e Levy (Gazeta Mercantil) foram obrigados a vender totalmente ou a repassar o comando dos negócios a credores. Outros, como os Civita (Editora Abril), não detêm mais o controle acionário das empresas.

Ainda a se refazer do baque da crise após a desvalorização do real em 1999, o pior momento do setor na história recente, os meios de comunicação entraram na guerra da convergência e da revolução tecnológica e de hábitos do consumidor com um arsenal bem inferior do que as dos novos concorrentes. No caso da telefonia, é uma questão de escala: só o lucro da espanhola Telefônica ou da brasileira Oi chega a superar todo o faturamento da Globo. No das igrejas, é uma questão de acesso a recursos: é quase impossível competir com quem obtém o financiamento mais barato de todos, o dízimo dos fiéis. E há ainda empresários de pouca tradição no ramo, como J. Hawilla, que montou uma rede de pequenos jornais no interior de São Paulo e recentemente adquiriu da família Marinho o Diário de S. Paulo,- -um dos principais da capital paulista.

A primeira consequência dessa transformação parece ser a perda de influência da mídia tradicional. Uma década atrás, um pequeno grupo de meios de comunicação exercia controle quase absoluto sobre a opinião pública. A última eleição de Lula e seu segundo mandato mostram, porém, a decadência desse poder: apesar da maciça oposição desses grupos, o metalúrgico não só foi reeleito como mantém os maiores índices de aprovação alcançados por um presidente, na casa dos 80%.

Reza a lei da física que dois corpos não ocupam um mesmo lugar no espaço. Se os antigos barões da imprensa brasileira estão em baixa, alguém andou puxando a turma do lugar em que se encontrava. Edir Macedo, Nelson Tanure, J. Hawilla, Destak, MetroNews, Telefónica de España, Oi e a Claro-Embratel são alguns dos principais novos players do mercado de mídia brasileiro. A presença das operadoras- de telefonia chama a atenção e é de fato a maior novidade, com poder de fogo para mudar substancialmente toda a organização do setor de mídia no País.

No momento, as forças se enfrentam no tabuleiro do Congresso Nacional. Mais precisamente na Câmara dos Deputados, na qual tramita o PL 29, marco regulatório para os setores de telecomunicação, produção audiovisual e tevê paga. O projeto foi aprovado no início de dezembro na Comissão de Ciência e Tecnologia e seguiu para análise na Comissão de Constituição e Justiça. Se aprovado, ainda terá de tramitar no Senado.

O deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), relator do PL 29, afirma que a entrada das teles no setor de mídia é “inexorável”. Segundo Lustosa, o relatório final do PL 29 é fruto de um longo processo de debates e resultou de um “acordo possível” entre as partes interessadas – emissoras de rádio e televisão, de um lado, e as operadoras de telefonia, do outro. A questão em jogo, diz o parlamentar, é estabelecer um modelo de negócios para a tevê paga, radiodifusão e telecomunicações que leve em consideração o desenvolvimento das novas tecnologias. “No mundo todo, as teles estão entrando na distribuição de audiovisual. Uma telecom cobra pelo tráfego e no futuro o grosso desse tráfego será em audiovisual, que é muito mais pesado e rentável, e não voz ou dados.”

O relator do PL 29 explica que o projeto preservou a produção nacional ao estabelecer cotas para a distribuição, o que inicialmente contava com a oposição das empresas de telecomunicações. Também foram estabelecidos princípios para o fomento dessa produção nacional, outra medida polêmica, ao lado das regras para evitar a concentração excessiva no mercado de tevê paga – hoje as principais operadoras (Net, Sky Brasil, TVA/Telefônica) dominam cerca de 65% de um mercado de 6,5 milhões de assinantes que, em 2008, faturou 9,4 bilhões de reais.

Para o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), autor do projeto original, apresentado em 2007, o PL 29 foi desvirtuado com as mudanças aprovadas no relatório de Lustosa. “O projeto original tinha como objetivo estabelecer um marco regulatório básico para a convergência tecnológica. É importante notar que a convergência está prevista nas discussões que precederam a privatização das telecomunicações. Todos sabíamos que ela viria. Apresentei o projeto em fevereiro de 2007, quando haviam sinais claros de que a convergência estava próxima. Perdemos três anos de discussões, e o que eu previa acontece agora. A convergência é um fato e ela se insinua pelas frestas da ausência de uma legislação básica. E o que era um projeto que tratava de tecnologia se transformou em um confuso tratado ideológico”, diz o parlamentar.

Bornhausen chama a atenção para o problema da propriedade cruzada, outro tema delicado para as redes de televisão. “A questão da propriedade cruzada é tratada na legislação da radiodifusão. No meu projeto, não tratei de radiodifusão. A Lei do Cabo, por exemplo, não é radiodifusão, por isso eu simplesmente a revoguei, já que a atual situação do mercado não justifica instrumento de reserva. E no substitutivo aprovado, a Lei do Cabo é revogada parcialmente, o que vai gerar discussões que extrapolam o Legislativo e poderão chegar ao Judiciário”, afirma.

Um executivo da Oi ouvido disse a CartaCapital que a operadora está pronta para aproveitar a capilaridade de sua rede e investir recursos na universalização da banda larga, mas aguarda a definição do novo marco regulatório em discussão no Congresso. A operadora iniciou atividades em tevê paga com a OiTV e realiza investimentos vultosos para reposicionar o iG, portal de internet absorvido pela companhia após a fusão com a Brasil Telecom. De acordo com o executivo da Oi, todos esses movimentos – na internet, tevê paga e banda larga – são uma pequena amostra do apetite para o setor de mídia da operadora, única no mercado de capital predominantemente nacional (a Telefônica é espanhola, a Vivo possui capitais portugueses e espanhóis –, a Claro e a Embratel são controladas pela Telmex mexicana de Carlos Slim, a TIM é italiana e, concretizada a compra da GVT, a Vivendi francesa chega ao mercado brasileiro em 2010).

A desigualdade na capacidade de investir vai pesar no futuro do setor de mídia. É bem verdade que a Rede Globo, em especial, tem conseguido, com seu prestígio político, manobrar a favor de seus interesses, seja no Exe-cutivo ou no Legislativo, bem além do seu poder de fogo relativo, comparado aos novos competidores. Projetando para um prazo mais longo, no entanto, é difícil acreditar que uma companhia que fatura pouco mais de 7 bilhões de reais ao ano possa competir em pé de igualdade com empresas com faturamento superior a 50 bilhões de euros, como é o caso da espanhola Telefônica.

Se muita coisa ainda vai acontecer com a entrada das teles no mercado de mídia, também é verdade que a dinâmica interna da disputa mudou após a crise iniciada em 1999. A ascensão da Rede Record, sob o comando da Igreja Universal do Reino de Deus, é talvez o melhor exemplo desses novos tempos. Além da rede de televisão, a Record hoje possui um portal de notícias na internet, o R7, um canal exclusivo de notícias (Record News), vasta rede de emissoras de rádio e três jornais – o Correio do Povo, Hoje em Dia e a Folha Universal, este último com tiragem de 2,7 milhões de exemplares.

Outro fenômeno recente é o dos jornais gratuitos – Destak e MetroNews –, que aportaram no Brasil com um modelo de negócios em expansão na Europa e nos Estados Unidos. Também em 2009, o mercado de jornais foi surpreendido pela chegada do grupo português Ongoing, que espertamente driblou a cláusula dos 30% de capital nacional ao beneficiar a mulher brasileira do lusitano dono do grupo com a propriedade do Brasil Econômico, jornal de economia que, desde outubro, tenta abocanhar a fatia de mercado da falecida Gazeta Mercantil.

Não deixa de ser irônico que as entidades de classe tenham se mobilizado na Primeira Conferência Nacional de Comunicações, a Confecom, para discutir as questões da mídia com os olhos no presente – e até no passado, como ocorreu na questão do diploma obrigatório para o exercício da profissão. Do ponto de vista dos profissionais de mídia, seria bem mais urgente um amplo debate para entender melhor o que vem pela frente e quais são as possibilidades de obter contrapartidas que garantam a real democratização dos meios de comunicação em um cenário claramente inclinado a manter a oligopolização.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Explicação relevante

Um leitor pergunta se o autor do blog foi contratado pelo governo estadual de São Paulo, ou se desistiu do Entrelinhas. Nem um, nem outro. Apenas excesso de trabalho, coisa de final de ano. Garantir o Papai Noel gordinho não é moleza, então o blogueiro está na batalha. Até o final desta semana, voltamos ao pique de sempre, porque assunto naturalmente não falta. Ademais, um pouco de silêncio não faz mal a ninguém. O recesso será breve e já antecipamos que janeiro será um mês de trabalho normal no Entrelinhas. Mais uma vez, o blog aproveita para agradecer a preferência e audiência.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Zapatero: El hombre que asombra al mundo

Em espanhol, não é uma leitura complicada. E vale a pena ler. O príncipe da sociologia não teve nada parecido durante seu mandato. A frase final é lapidar: "A mí no me extraña nada que este hombre asombre al mundo."

PERFIL

El presidente de Brasil se ha convertido en el líder indiscutible de América Latina y una referencia para todos los políticos. Brasil ha pagado este año toda su deuda, crece a buen ritmo y se ha llevado los Juegos de 2016

JOSÉ LUIS RODRÍGUEZ ZAPATERO

Este es un hombre cabal y tenaz, por el que siento una profunda admiración. Lo conocí en septiembre de 2004, tras la incorporación de España a la Alianza contra el Hambre que él lideraba, en una cumbre organizada por Naciones Unidas en Nueva York. No podía haber sido mejor la ocasión.
Luiz Inácio Lula da Silva es el séptimo de los ocho hijos de una pareja de labradores analfabetos, que vivieron el hambre y la miseria en la zona más pobre del Estado brasileño nororiental de Pernambuco.
Tuvo que simultanear sus estudios con el desempeño de los más variopintos trabajos y se vio obligado a dejar la escuela, con tan sólo 14 años, para trabajar en la planta de una empresa siderometalúrgica dedicada a la producción de tornillos. En 1968, en plena dictadura militar, dio un paso que marcó su vida: afiliarse al Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo y Diadema.
De la mano de este hombre, siguiendo el sendero abierto por su predecesor en la Presidencia, Fernando Henrique Cardoso, Brasil, en apenas 16 años, ha dejado de ser el país de un futuro que nunca llegaba para convertirse en una formidable realidad, con un brillante porvenir y una proyección global y regional cada vez más relevante. Por fin, el mundo se ha dado cuenta de que Brasil es muchísimo más que carnaval, fútbol y playas. Es uno de los países emergentes que cuenta con una democracia consolidada, y está llamado a desempeñar en las décadas siguientes un creciente liderazgo político y económico en el mundo, tal y como ya viene haciendo en América Latina con notable acierto.
Lula tiene el inmenso mérito de haber unido a la sociedad brasileña en torno a una reforma tan ambiciosa como tranquila. Está sabiendo, sobre todo, afrontar, con determinación y eficacia, los retos de la desigualdad, la pobreza y la violencia, que tanto han lastrado la historia reciente del país. Como consecuencia de ello, su liderazgo goza hoy en Brasil del respaldo y del aprecio mayoritarios, pero mucho más importante aún es la irreversible aceptación social de que todos los brasileños tienen derecho a la dignidad y la autoestima, por medio del trabajo, la educación y la salud.
Superando adversidades de todo orden, Lula ha recorrido con éxito ese largo y difícil camino que va desde el interés particular, en defensa de los derechos sindicales de los trabajadores, al interés general del país más poblado y extenso del continente suramericano. Sin dejar de ser Lula, en esa larga marcha ha conseguido, además, ilusionar a muchos millones de sus conciudadanos, en especial aquellos más humillados y ofendidos por el azote secular de la miseria, proporcionándoles los medios materiales para empezar a escapar de las secuelas de ese círculo vicioso.
Al mismo tiempo, en los siete años de su presidencia, Brasil se ha ganado la confianza de los mercados financieros internacionales, que valoran la solvencia de su gestión, la capacidad creciente de atraer inversiones directas, como las efectuadas por varias compañías españolas, y el rigor con que ha gestionado las cuentas públicas. El resultado es una economía que crece a un ritmo del 5% anual, que ha resistido los embates de la recesión mundial y está saliendo más fortalecida de la crisis.
Tras convertirse en el presidente que accedía al cargo con un mayor respaldo electoral, en su cuarto intento por lograrlo, Lula manifestó que es inaceptable un orden económico en el que pocos pueden comer cinco veces al día y muchos quedan sin saber si lograrán comer al menos una. Y apostilló: "Si al final de mi mandato los brasileños pueden desayunar, almorzar y cenar cada día, entonces habré realizado la misión de mi vida".
En ese empeño sigue este hombre honesto, íntegro, voluntarioso y admirable, convertido en una referencia inexcusable para la izquierda del continente americano al sur de Río Grande. Tiene una visión del socialismo democrático que pone el acento en la inclusión social y en la justicia medioambiental para hacer posible una sociedad más justa, decente, fraterna y solidaria.
Brasil ocupará pronto un lugar en el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas, está a punto de convertirse en toda una potencia energética y en 2014 albergará el Campeonato Mundial de Fútbol. Cuando nos vimos en octubre en Copenhague, Lula lloraba de felicidad, como un niño grande, porque Río de Janeiro acababa de ser elegida ciudad organizadora de los Juegos Olímpicos de 2016. La euforia que le inundaba no le impidió tener el temple necesario para venir a consolarme porque Madrid no había sido elegida y fundirnos en un abrazo.
A mí no me extraña nada que este hombre asombre al mundo.

José Luis Rodríguez Zapatero es presidente del Gobierno español.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Chuvas e chuvas

O tempo está mesmo ruim para o DEM: a cidade do prefeito Kassab está submersa, já no Distrito Federal o problema é que chove dinheiro...

Recordar é viver

Geraldo Alckmin era governador de São Paulo e candidato a presidente da República. Inundou a cidade com faixas com os dizeres "Três anos sem enchentes no Tietê". A sua aposta era na obra de aprofundamento da calha do rio, mas muitos especialistas diziam que não iria funcionar. Alckmin chegou a dizer que o Tietê transbordaria apenas em casos muito excepcionais "Só temos 30% da obra pronta e o Tietê nunca mais saiu da calha. Já trabalhamos hoje com um prazo de recorrência de 10 anos", afirmou o então governador, em 2004.

Como se pode ver pela foto abaixo, da manhã desta terça-feira, é um profeta, este Geraldo... A próxima vez, só daqui a dez anos?

Tudo na vida é relativo

São Paulo está debaixo d'água, literalmente. Se Marta Suplicy fosse prefeita, o nome dela estaria estampado em todos os portais e nos jornalões, sempre com viés negativo: "Marta diz não ter culpa por alagamentos", "Limpeza de bueiros está em dia, diz Marta". Só que o prefeito se chama Gilberto Kassab (DEM) e seu nome simplesmente não aparece no noticiário. Quando é o caso, as chamadas dos portais e jornalões se referem sempre à esta etérea entidade chamada "prefeitura". Então fica assim: "Prefeitura diz não ter culpa por alagamentos", "Limpeza de bueiros está em dia, diz prefeitura", e por aí vai. Imprensa isenta e equilibrada é isto aí, nas empresas de comunicação corporativa a coisa se chama "estratégia de redução de danos à imagem". Kassab está dispensado de contratar este tipo de serviço, já dispõe da coisa de graça.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Conforme o esperado: a cariocada vingou

O Flamengo sagrou-se campeão brasileiro, como já esperavam 10 entre 10 analistas esportivos. Só um lunático acreditaria que o Grêmio entregaria o título de mão beijada para o Inter. Era óbvio demais. O tricolor finalmente jogou com o time titular, enfiou 4 no Sport. Se tivesse jogado com Dagoberto nos últimos jogos, a taça estaria no Morumbi. O Inter também fez a sua parte, é um time aguerrido e forte, mereceu terminar na segunda colocação. Mas o bonito e justo mesmo foi ver a porcada fora do G4 e da Libertadores. Realmente não tem preço ver o Palmeiras apanhar do Fogão e acabar na quinta colocação após 19 rodadas liderando o campeonato... Mas tudo na vida tem explicação: quem botou a liderança e a Libertadors a perder foi a diretoria, que trouxe o tal Love por um salário exorbitante e concedeu aumentos nos vencimentos de apenas parte do elenco. Claro que não podia dar certo...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mais uma da FSP

Abaixo, chamada para matéria da Folha Online:

ECONOMIA BRASILEIRA
Produção de veículos cai 8% de outubro
para novembro, mas cresce 48% ante 2008

De acordo com dados da Anfavea, exportação de veículos
voltou a crescer e número de empregados também.


Interessante a formulação: primeiro vem a queda de 8%, depois o crescimento relativo ao mesmo mês do ano anterior, de 48%. Que número é mais relevante? Evidentemente, o segundo, que mostra a brutal recuperação da economia brasileira em relação ao pior momento da crise global. Mas a Falha prefere destacar o primeiro número, que revela apenas uma acomodação com o fim do IPI reduzido. Lembra um pouco a famosa Lei Ricúpero, invertida, é claro: "o que é bom (para Lula) a gente esconde, o que é ruim a gente mostra"...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Nem Arruda nem Temer, a vez é de Leila

Não tem para ninguém. Abaixo, a lista das matérias mais lidas do site G1. A da Folha Online é rigorosamente igual. Erra quem aposta no alto Ibope das roubalheiras de Brasília. Política não é tudo na vida...

1 Atriz Leila Lopes é achada morta em apartamento
2 Polícia investiga causa da morte de Leila Lopes
3 Silvio Santos se despede de Lombardi em velório
4 Corpo de Lombardi será enterrado nesta quinta
5 Casal faz filme pornô para pagar casamento

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Azenha, Benjamin e a esquerda sem povo

Este blogueiro subscreve o brilhante artigo de Luiz Carlos Azenha, que vai reporoduzido na íntegra, para os leitores do Entrelinhas. Saiu primeiro no blog do autor, é claro, mas merece ser copiado e lido do começo ao fim. De povo, caro Azenha, Benjamin não apenas não entende como guarda uma providencial distância. O negócio dele é mesmo a retaguarda da vanguarda, ou vice-versa, a depender do momento. Já o Otavinho joga em qualquer posição, conforme ele mesmo já admitiu em livro que escreveu sobre os seus grandes dramas existenciais. Gente estranha, com gostos esquisitos. Mas, enfim, não será este blog a emitir qualquer juízo sobre as escolhas de cada um... O que vale mesmo é ler o texto de Azenha.

A patética esquerda sem povo

O episódio envolvendo César Benjamin, a Folha de S. Paulo e o "estupro" do frágil militante do MEP (Movimento de Emancipação do Proletariado) tem um caráter didático.
Antes de avançar, no entanto, recorro à memória de meu pai, o seo Azenha, que um dia foi militante comunista no interior de São Paulo. Era, o seo Azenha, a contradição ambulante: empresário durante o dia, militante clandestino durante a noite. Fez muita besteira na vida. Mas, curiosamente, como imigrante português tinha uma surpreendente capacidade de rir de suas próprias besteiras. E das dos outros.
Durante a ditadura militar o seo Azenha costumava frequentar reuniões clandestinas em um sítio nas proximidades de Bauru. Tinha a disciplina dos stalinistas (só tocou nesse assunto em casa muitos anos depois, quando a ditadura tinha acabado). Mas talvez por ter sido empresário tinha uma visão não dicotômica do mundo. Gostava de rir do fato de que os militantes que vinham de São Paulo traziam cartilhas com as quais pretendiam doutrinar os locais para aplicar o comunismo chinês ou soviético ao Brasil.
Esse preâmbulo tem o objetivo de dizer que seo Azenha, como militante, jamais tirou proveito pessoal do fato de ter sido preso pela ditadura militar. Jamais usou isso para se fazer de herói. Ou para obter vantagens, materiais ou de status.
O que me leva de volta ao artigo de César Benjamin, uma construção "literária" em que o autor tenta estabelecer uma conexão sentimental com os perseguidos pela ditadura militar, com o objetivo de "desclassificar" Lula, o recém-chegado que, no mínimo, grosseiramente despreza os militantes históricos como o jovem do MEP e, no extremo, estupra o idealismo do jovem militante com o seu pragmatismo.
Pois é disso que se trata: do antigo embate entre a vanguarda -- à qual César Benjamin alega pertencer -- e o povo, essa massa disforme que não sabe bem o que quer e que depende das luzes da vanguarda para perseguir o seu caminho.
O que Lula fez, na prática, foi "roubar" o povo de César Benjamin.
Eu deveria escrever O POVO, essa construção mítica da cabeça da esquerda, cujas vontades devem ser moldadas e apropriadas para a construção de um FUTURO igualmente mítico e glorioso.
O problema de Benjamin é que Lula é esse POVO. Ao dirigir os metalúrgicos do ABC, Lula fez mais para destruir a ditadura militar que todas as reuniões e assembléias da esquerda brasileiras multiplicadas por dez. Pelo simples fato de que o POVO, na cabeça da esquerda brasileira, nunca foi mais que massa de manobra. A esquerda brasileira é, na essência, tão elitista quanto a direita.
Lula, gostem ou não dele, representa a política do possível. Do incrementalismo -- etapismo, diriam os outros. Do tomaládácá. Faz parte da tradição do "pai dos pobres", do "pai da Pátria", perfeitamente integrada à história brasileira.
É por isso que Lula, o estuprador, satisfaz a fantasia sexual da esquerda e da direita brasileiras. Ele é o predador, que precisa ser contido a qualquer custo. O predador que ameaça a ideia de que O POVO não sabe o que quer e precisa ser conduzido ao nirvana pela vanguarda. De esquerda ou de direita, tanto faz. Este é o nexo entre Otávio Frias Filho e César Benjamin. Ambos querem conduzir O POVO. Só falta combinar com ele.
Nota do Viomundo: O fato concreto é que a esquerda de hoje é uma esquerda eleitoral. Que depende de 50% + 1 para se manter no poder, no Brasil, na Venezuela ou no Uruguai. Ao aceitar esse jogo parte da esquerda abdicou de seu caráter revolucionário "a qualquer custo".

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Números e versões

Por que será que a Folha Online não publicou a matéria abaixo com o título "Venda de veículos sobe 41% e bate recorde histórico"? Em quase todas as chamadas, a Folha comparava dados do mês contra o mesmo mês do ano anterior. Mudança editorial?

Venda de veículos recua 14,5% no mês,
mas registra melhor novembro da história

Contra mesmo mês do ano passado, acréscimo foi de 41,6% devido aos efeitos da crise internacional na ocasião.

DEM nas cordas

O governador José Roberto Arruda colocou o seu partido nas cordas. Ameaçou "radicalizar" se o DEM decidir pela sua expulsão. É óbvio que ele tem bala na agulha para disparar contra cabeças democratas coroadas. O DEM, portanto, está naquela situação muito confortável do ditado popular: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come...

Frias pai não teria publicado artigo, diz Santos

Como diz a propaganda do cartão, tem coisa que não tem preço. Ler o trecho abaixo, de reportagem de Folha de S. Paulo, é dessas coisas. O herdeiro do jornal não deve ter gostado nem um pouco da referência ao seu velho e saudoso pai. Não nesses termos.

Para Santos, o jornal deveria tê-lo procurado antes da publicação do artigo.
Santos pediu que fosse publicado que ele conheceu o publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, morto em 2007, quando prestou serviços em uma granja mantida pela família em São José dos Campos, na década de 1990. Segundo ele, nas conversas entre os dois, o publisher elogiava Lula e se mostrava simpático a um governo do petista.
Ele também pediu que fosse publicada sua declaração de que os herdeiros de Octavio Frias de Oliveira na Folha "não seguem o exemplo do pai." Segundo Santos, se o publisher ainda estivesse no controle do jornal "este artigo não teria sido publicado".


E eis a reportagem, na íntegra:

Ex-preso do MEP afirma que artigo de Benjamin é "um horror"

FÁBIO AMATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CARAGUATATUBA

O eletricista João Batista dos Santos, ex-militante do MEP (Movimento pela Emancipação do Proletariado) e um dos homens que estiveram presos com o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva em 1980, durante a ditadura militar (1964-1985), chamou de "um horror" o artigo do colunista César Benjamin, publicado pela Folha na semana passada.
Ao ser questionado se, conforme Benjamin relata ter ouvido de Lula, o então sindicalista tentou "subjugá-lo", num contexto sexual, quando foram companheiros de cela, Santos declarou: "Não tenho nada para comentar sobre o assunto".
No artigo "Os filhos do Brasil", Benjamin relatou um comentário que diz ter ouvido do próprio Lula, então candidato nas eleições presidenciais de 1994. Segundo Benjamin, naquela época filiado ao PT, Lula afirmou, numa reunião da campanha, que, no período em que esteve preso no Dops, em 1980, tentou "subjugar" um companheiro chamado por ele de "menino do MEP", cujo nome não foi citado.
Santos recebeu a reportagem da Folha no final da noite de domingo em sua casa, em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, onde vive há cerca de um ano e dez meses com a mulher e dois de seus oito filhos. Ele não permitiu que a entrevista fosse gravada nem aceitou ser fotografado.
A reportagem chegou à cidade no sábado e tentava ouvi-lo desde então. No início da madrugada de domingo, Santos fez o primeiro contato, por e-mail. Na mensagem, disse que havia outros "companheiros do MEP" naquela cela do Dops e, portanto, não entendia o motivo de o jornal procurá-lo.
Santos escreveu ainda no e-mail que não tinha nada a dizer sobre o episódio narrado por Benjamin e que estava "convertido em uma religião que não me permite mentir". Finalizou o texto dizendo que ficou "muito emocionado" com os relatos de Benjamin sobre o tempo em que ficou preso na ditadura, "sendo que aqueles mais ferozes da prisão foram amigáveis para com ele".
No texto de sexta-feira, Benjamin relatou sua experiência na prisão durante a ditadura e contou que não foi molestado pelos presos comuns.
Na entrevista à Folha, que durou cerca de 40 minutos, Santos, 60 anos, mudou a versão e afirmou que era o único integrante do MEP entre os homens presos na cela do Dops em que também estava Lula. Disse que continua filiado ao PT, mas abandonou a militância após se mudar para o litoral.
Santos disse que soube do artigo de Benjamin no dia seguinte à sua publicação, quando passou a receber telefonemas de jornalistas e antigos companheiros. Segundo ele, a situação foi "constrangedora".
Em seguida, contou que nasceu na cidade de Cristina (411 km ao sul Belo Horizonte), onde trabalhou como agricultor nas terras da família antes de se mudar para a casa de parentes em São José dos Campos (SP), por volta dos 17 anos.
Santos disse que ficou pouco tempo em São José e se mudou para São Bernardo (ABC paulista), onde se tornou metalúrgico. Na década de 1970, teve contato com o MEP, organização de esquerda que lutou contra a ditadura e, mais tarde, disse que ajudou a fundar o PT.
Segundo ele, sua função no MEP era "fazer a conscientização política" de trabalhadores em algumas fábricas da cidade.
Além dos 30 dias de prisão em 1980, disse que já havia passado um período de dois dias preso no Dops, em 1978. Quando deixou a prisão pela segunda vez, mudou-se novamente para São José dos Campos e foi "cuidar da vida." Militou ativamente pelo PT e, em 1983, ajudou a eleger um dos 14 irmãos, Braz Cândido Santos, hoje com 62 anos, vereador na cidade.
Em 2003, obteve a anistia e, há cerca de um ano e dez meses, mudou-se para o litoral.
Segundo o site do Ministério da Justiça, ele teve deferido pedido em 30 de abril de 2003 para receber remuneração mensal de R$ 2.030,70.
O anistiado disse que não conhece Benjamin. E afirmou acreditar que Lula "deve estar chateado" com o relato feito pelo colunista no artigo. Santos se negou a fazer qualquer comentário sobre o presidente ou o seu governo. O anistiado falou que voltou a encontrar o ex-companheiro de cela apenas uma outra vez, antes da vitória nas eleições de 2002, mas não soube precisar a data.
Para Santos, o jornal deveria tê-lo procurado antes da publicação do artigo.
Santos pediu que fosse publicado que ele conheceu o publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, morto em 2007, quando prestou serviços em uma granja mantida pela família em São José dos Campos, na década de 1990. Segundo ele, nas conversas entre os dois, o publisher elogiava Lula e se mostrava simpático a um governo do petista.
Ele também pediu que fosse publicada sua declaração de que os herdeiros de Octavio Frias de Oliveira na Folha "não seguem o exemplo do pai." Segundo Santos, se o publisher ainda estivesse no controle do jornal "este artigo não teria sido publicado".
A mulher de Santos, Márcia Cristina Muniz, disse que, quando o marido falou de Lula, "foi sempre de maneira positiva", e que nunca tinha ouvido relatos sobre uma possível tentativa de abuso na prisão. Criticou ainda o artigo, que chamou de "baixaria", e disse temer que os filhos, em idade escolar, possam ser vítimas de chacotas por parte dos colegas.