quarta-feira, 30 de junho de 2010

Índio no país da piada pronta

O comando da campanha de Dilma Rousseff deve estar realmente boquiaberto com o festival de barbaridades cometidas pelo adversário mais forte da ex-ministra na disputa eleitoral deste ano. Para quem sonhava com uma chapa fortíssima, juntando Serra e Aécio, a indicação do deputado de primeiro mandato Índio da Costa para a vice-presidência é realmente um balde de água fria. O democrata de 39 anos já foi três vezes vereador no Rio de Janeiro e subprefeito na gestão de Cesar Maia. Uma bagagem e tanto...

Pode ser que o vice de Serra seja um menino prodígio e este blog esteja totalmente errado. Mas pode ser também que Índio da Costa acabe representando na chapa da aliança demista-tucana um mero badulaque decorativo, imposto por exclusão de outros nomes melhores cotados. Aliás, na verdadeira trgédia que se tornou a escolha do vice, conta menos o perfil pessoal e político de Índio e muito mais o processo que levou à escolha, equivocado desde o primeiro momento. Deixar para escolher o vice aos 45 do segundo tempo é de um amadorismo que espanta qualquer observador.

Os animadores da campanha de Serra na internet cumprem agora o patético papel de dizer que o jovem vice vai agregar votos e trazer sangue novo à campanha, mas eles próprios sabem que o jogo ficou mais difícil a partir de agora. Imaginar que Aécio Neves, o DEM como um todo, Geraldo Alckmin e outras tantas lideranças vão suar a camisa para eleger Serra é tão verdadeiro quanto uma nota de 3 reais. O candidato tucano vai ter que se virar sozinho. Se vencer, poderá massacrar seus pseudo-aliados e governar como quiser. Perdendo, entra na história como mero apêndice de um tempo cujos protagonistas serão bem outros.

Nunca antes neste país...

... alguém fez tanta besteira quanto José Serra na escolha de seu companheiro de chapa.

Difícil imaginar uma lambança maior do que a que ocorreu, ou melhor, ainda está ocorrendo, pois o desfecho não é conhecido. Osmar Dias, irmão de Álvaro, o tucano indicado para vice de Serra, decidiu se aliar ao PT e PMDB e disputar o governo do Paraná. Serra teria escolhido Álvaro para evitar esta hipótese. Comprou uma briga homérica com o DEM, aliado de primeira hora do PSDB. Agora, não faz mais sentido algum manter Álvaro Dias como candidato, uma vez que o efeito desejado não vai acontecer. Se recuar, no entanto, terá passado o recibo de uma humilhação política de enormes proporções. Este blog avalia que Serra perdeu já eleição, como disse Rodrigo Maia, presidente do DEM, e corre o risco de perder também a dignidade. Em 2002, Serra perdeu para Lula no dia em que a PF entrou na Lunus e enterrou a candidatura de Roseana Sarney. O mesmo filme está se repetindo, oito anos depois: Serra peitou o DEM, trucou seis e, ao que parece, vai morrer na praia, sozinho, muito sozinho. Não foi por falta de aviso...

PS: Serra pode ganhar a eleição? Sim, pode, o jogo está apenas começando. Mas Dilma vai ter que fazer muita besteira, muita mesmo para perder.

domingo, 27 de junho de 2010

Ainda sobre o vice

Tucanos parecem gostar de muita emoção. A cada passo, a cada nova frase, a aliança PSDB-DEM-PTB-PPS está realmente fazendo água. Só não vê, quem não quer. Roberto Jefferson diz no Twitter que o DEM é "uma merda", depois apaga a mensagem, sob a alegação de que estava respondendo privadamente a um interlocutor. Não desmentiu o teor, apenas disse que não pretendia tornar pública a sua avaliação. Muito bom...

A verdade é que a candidatura de José Serra à presidência tem um problema de origem que é muito difícil de ser sanado. Serra não gosta do DEM, convive com o partido por conveniência. Sim, é verdade que trabalhou pelo democrata Kassab contra seu correligionário Alckmin, mas Kassab não é propriamente um demista de quatro costados, ao contrário, é mais um tucano no partido errado. E Alckmin, por sua vez, também não é da turma de Serra, tanto que já esboça em seu plano de governo ações bem contrárias às diretrizes de Serra no governo paulista. Alckmin tem a sorte de efrentar Mercadante, um verdadeiro mico em loja de louças, portanto está com um pé no Bandeirantes. Pelo que este blog apurou, porém, vai se limitar a "ajudar" Serra nas agendas que se provarem realmente inadiáveis ou impossíveis de recusa. Assitir jogo da seleção, por exemplo...

A oposição tem pela frente um desafio descomunal. Derrotar uma candidata de um governo aprovado por 85% da população. Para isto, é preciso um mínimo de unidade. Pois unidade, neste momento, não há nenhuma. E as chances desta unidade ser construída durante a campanha estão minguando a cada dia, a cada frase dos líderes do PSDB, a cada movimento de Serra. A escolha de Álvaro Dias, que apoiou Lula contra Serra em 2002, é apenas mais um sinal de uma situação realmente muito complicada para o PSDB. Hoje Serra está como Alckmin em 2006: "o jogo só começa quando a Copa termina". Eleição não é bem assim. Reza a tradição que desde 1945 nenhum presidente se elegeu com chapa pura. Reza a tradição que quem chega em junho na frente, ganha a eleição.

Serra pode ganhar? Sim, pode. Mas pode também acabar em terceiro lugar, a desconhecida do momento é Marina Silva e por menos tempo que ela tenha na TV, será suficiente para que o eleitorado saiba que ela é candidata. Este blog, olhando o cenário e a estratégia possível da oposição, acha que teria sido muito, mas muito mais produtivo o PSDB lançar Aécio com Ciro Gomes de vice do que concorrer com Serra na cabeça da chapa. Aécio também poderia perder, claro, mas seria um belo lançamento de uma alternativa de poder forte e com reais perspectivas de vencer a eleição. Com Serra, isto parece cada vez mais distante.

sábado, 26 de junho de 2010

Degringolou

Quando Lula escolheu Dilma Rousseff para ser a sua candidata à presidência, sabia que era uma aposta de risco. Já o PSDB decidiu apostar no candidato com maior recall, no favorito. Todos os cientistas políticos e analistas especializados diziam que José Serra era o favorito. Este blog sempre achou que Aécio Neves era um nome muito mais forte do que Serra porque conseguiria agregar mais, é um político hábil, afável e com trânsito até mesmo no PT - está lá na prefeitura de Belo Horizonte a prova viva disto, uma vez que Márcio Lacerda foi eleito com apoio do PSDB e PT. Pois a confusão que se instalou após a "decisão" tucana de fechar a chapa com um vice do partido, o senador paranaense Álvaro Dias, revela que este blog estava certo. Serra está cometendo um dos maiores erros políticos de qualquer campanha, desde 1989, e ainda que uma solução alternativa seja arranjada, o mal já está feito.

Sim, porque a aliança com o DEM está contaminada, as desconfianças de parte a parte são insanáveis. Causa espanto que um homem público com a experiência de Serra tenha cometido tamanha estupidez? A este blog, não causa espanto algum. Serra sempre foi assim. Já era estranha a longa espera pela definição do vice, pior ainda saiu a escolha e o modo de divulgação. Tancredo Neves dizia que só se faz reunião política depois que todos os detalhes estão combinados e acertados. José Serra parece ter decidido inverter o sábio conselho: não decide nada, anuncia as decisões e... colhe o que plantou. Se insistir na besteira, perde o DEM e perde a eleição, porque não há cristo que possa eleger alguém que passará a campanha tendo de responder perguntas sobre a falta de capacidade para selar uma mera aliança política. Se não é capaz de unir sua tropa, como poderá governar um país complexo como o Brasil?

Definitivamente, a coisa degringolou. O que se espera daqui em diante é uma sucessão de crises internas na campanha tucana, para dizer o mínimo. Se o DEM cantar "você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão", desta vez o tucanato terá que fazer coro...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pesquisas e a tendência eleitoral para presidente

Euforia contida de um lado, desalento completo de outro. A pesquisa CNI/Ibope que revelou a virada no cenário eleitoral, com Dilma Rousseff cinco pontos à frente de José Serra está provocando uma verdadeira guerra nos bastidores da pré-campanha.

No QG tucano, este blog apurou que o clima anda pesado e o marqueteiro Luiz Gonzalez já sofre alguns questionamentos internos. De fato, alguma coisa não está funcionando muito bem, ou Serra ainda estaria na frente da ex-ministra. O problema todo é identificar o que vai mal, e é aí que o bicho pega, porque nem sempre a culpa é do pobre marqueteiro. As reclamações contra "o espanhol" são mais um sintoma do que propriamente a solução dos problemas da candidatura presidencial tucana, errada em sua essência ao apostar tão fortemente no recall do ex-governador de São Paulo. Recall, como se sabe, não é tudo e este blog acredita que fosse Aécio Neves o candidato, o cenário seria bem outro.

Do lado petista, porém, vale a pena lembrar que caldo de galinha e um pouco de prudência não fazem mal a ninguém. Imbatível, neste momento, só o presidente Lula e seus 80% de aprovação popular. Um terceiro mandato seria a coisa mais fácil de se obter, mas o presidente preferiu preservar a sua biografia e vai jogando dentro das regras que já haviam sido estabelecidas, ao contrário de seu antecessor, que virou a mesa durante a partida. Mas também nunca é demais lembrar que a eleição de Lula estava garantida para o primeiro turno em 2006 e só não aconteceu por causa da montanha de dinheiro que apareceu no colo dos aloprados do partido.

Tudo somado, resta evidente que existe, sim, uma tendência em curso, qual seja a do crescimento de Dilma e estagnação ou até certa queda de Serra nas pesquisas. Além do paulistanês marcado do candidato do PSDB, o carisma, ou a falta dele, também não ajuda muito. Marina Silva ainda não disse a que veio, mas conta com a expressiva preferência de 9% do eleitorado. Não é pouca coisa para alguém com baixa exposição na imprensa e mídia em geral.

Este blog continua apostando que em um cenário como o atual, a eleição será decidida no primeiro turno. Dilma já é a favorita, e salvo uma hecatombe que afete profundamente a economia nacional - cenário altamente improvável -, a tendência é mesmo a de mais um mandato petista no comando do país. Serra pode vencer, mas vai precisar acertar todos os seus movimentos e ainda esperar que a adversária erre bastante. Realmente, está ficando complicado para o PSDB e cada vez que as coisas se tornam dificeis no ninho tucano, é grande a chance de desavenças internas que só pioram as coisas para o candidato. Quem viver, verá...

Dunga e a imprensa: much ado about nothing

Muita gente está escrevendo análises profundas sobre o comportamento de Dunga nas recentes entrevistas coletivas e também sobre a "coragem" ou "arrogância" do treinador do escrete nacional. Bem, este blog acha que há um clima artificial de Fla-Flu em torno da questão, que é na verdade muito mais simples do que aparenta. Dizer que Dunga é um herói das esquerdas porque desafiou a poderosa Rede Globo é de um reducionismo ridículo, da mesma maneira que vincular o estilo grosseirão do técnico a um "espírito do tempo", como andam fazendo certos colunistas alinhados ao tucanato é simplesmente uma bazófia.
De fato, a questão parece ser muito mais simples: Dunga é apenas um gaúcho esquentado, com pavio bem curto e que não gosta de convescotes e acordos escusos que distraiam seus comandados da difícil tarefa que têm pela frente: vencer a Copa do Mundo. É preciso ter paciência de Jó para aguentar certas coisas que aparecem na imprensa esportiva, porque qualquer mané travestido de jornalista se acha mais competente do que o técnico da seleção brasileira, seja o técnico quem for. Alguns aguentam firme e relevam as críticas - Carlos Alberto Parreira é um desses homens com coração gelado que preferiam evitar o confronto.
Pois Dunga tem outro perfil e costuma devolver os absurdos que escuta. Daí para dizer que o ex-capitão da seleção é um revolucionário a serviço da democratização dos meios de comunicação é, como diriam os jovens, meio muito. O oposto é ainda mais risível: associar o estilão grotesco do treinador ao modo de operar do presidente Lula, como já saiu por aí, simplesmente não tem pé nem cabeça.
Dunga é ele mesmo, autêntico. De tão grosseiro, chega a ser simpático, caricatura do comandante que "fechou o grupo" e está levando o time da maneira como imaginou desde que assumiu a seleção. Se vencer, palmas para ele, burros são os outros - coleguinhas da imprensa esportiva, inclusive e principalmente. Se perder, sabe que sua cabeça vai rolar e que será o bode expiatório da vez. É do jogo, e Dunga conhece as regras.
Tudo somado, este blog acha que o Brasil tem um time bastante forte e ainda não viu outra seleção capaz de enfrentar os 11 canarinhos de igual para igual. A Argentina, é bem verdade, está fazendo bonito, mas não foi realmente testada (nem o Brasil, diga-se logo). Semana que vem começa a Copa de verdade, ninguém em sã consciência diria que Brasil, Argentina, Alemanha, Itália e Inglaterra ficariam de fora das oitavas...
Ademais, analisando friamente, a aposta do blog para zebra desta Copa é o time do Uruguai, que conta com Diego Lugano, talvez o melhor zagueiro da atualidade, e Forlan, filho de um grande jogador e cujo talento parece ser genético. Desnecessário lembrar que Lugano se projetou no São Paulo Futebol Clube, mesmo time em que jogou o pai de Forlan... O blog, é claro, torce pelo Brasil. Mas já adotou os irmãos do sul como segundo time nesta Copa. Com o Brasil de Kaká, Fabiano, Júlio Batista e Josué ou com o Uruguai de Forlan e Lugano, o tricolor do Morumbi vai acabar bem na fita neste ano de 2010. Evidentemente, ninguém espera uma nova final com os hermanos do sul, porque vai lembrar 1950, uma memória que merece ser apagada da brilhante história do futebol brasileiro. Portanto, força, Dunga, estamos com você!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O clima não anda bom

Notinhas em colunas publicadas nesta quarta-feira dizem mais sobre a pré-campanha eleitoral do que mil análises de especialistas. Os ventos parecem estar mudando e já anunciaram problemas graves para a candidatura presidencial tucana. Que o candidato esteja curioso para saber o nome de seu próprio vice é bem mais do que uma situação exdrúxula, é um verdadeiro emblema de algo que não tem muito como dar certo. A chapa pode até vencer em outubro, o que nesta altura do campeonato está se apresentando como hipótese remota, mas governar seriam outros quinhentos. Sem vice, sem apoios, sem carisma, o que sobra? É a pergunta que muita gente anda se fazendo Brasil afora. Abaixo, as notas.

Do Relatório Reservado:
Nas hostes tucanas, já há quem esteja devolvendo convite para participar do eventual ministério de José Serra.

Da coluna de Mônica Bergamo:
POÇO DE DÚVIDAS - Fernando Henrique Cardoso confidenciou a interlocutor de sua mais absoluta confiança recentemente que tem sérias dúvidas sobre a possibilidade de José Serra (PSDB-SP) vencer a eleição presidencial. "E olha que estou tentando ajudar", disse o ex-presidente, atualmente em tour pelo exterior -com retorno previsto para o dia 2.


Aos simpáticos leitores que cobram as notas e a frequência do blogueiro neste espaço, fica registrado o sincero agradecimento. Os tempos andam mais corridos, mas a vontade de voltar por aqui para escrever é grande. Antes que perguntem, haverá, sim, post sobre a polêmica da hora: Dunga vs. Globo. Por enquanto, o blog está se divertindo com a briga entre Davi e Golias...