terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sensus: Dilma abre 18 pontos sobre Serra

No blog do jornalista Ricardo Noblat:

CNT/Sensus: Dilma 46%, Serra 28,1% e Marina 8,1%

Pesquisa CNT/Sensus divulgada há pouco em Brasília mostra a candidata Dilma (PT) com 46%, José Serra (PSDB) com 28,1% e Marina Silva (PV) com 8,1% das intenções de votos.

Não sabem ou não responderam, brancos e nulos representam 16,8%.

Neste levantamento foram apresentados aos entrevistados todos os candidatos que disputam a sucessão de Lula.

Se as eleições fossem hoje, Dilma venceria no primeiro turno.

Em comparação com a última pesquisa estimulada CNT/Sensus do início de agosto, Dilma subiu 4,4%, Serra caiu 3,5% e Marina teve queda de 0,4%.

Na pesquisa espontânea (em que não é apresentado o nome do candidato), Dilma tem 37,2 %, Serra 21,2 %, Marina 6 %. Os demais candidatos não atingiram 1%. Lula também foi citado por 2,1% dos entrevistados.

No último levantamento realizado no início de agosto, a pesquisa espontânea apontava Dilma com 30,4%; José Serra 20,2%; Marina Silva 5,0% e Zé Maria 3,0%.

Em um cenário de segundo turno entre Dilma e Serra, a pesquisa CNT/Sensus de hoje aponta Dilma com 52,9 % contra 34% de Serra. Ainda não têm candidato 13,2% dos entrevistados

Segundo a pesquisa de hoje, Marina apresenta o maior índice de rejeição com 47,9 %, Serra 40,7 % e Dilma 28,9 %.

Dos entrevistados, 42,9% afirmam ter assistido aos programas eleitorais de rádio e Tv dos candidatos. Dentre eles, 56% disseram que Dilma apresentou a melhor propaganda eleitoral, 34,3% afirmaram que foi de Serra e 7,5% o de Marina

A margem de erro é de 2,2 % para mais ou para menos.

A pesquisa foi encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e realizada entre os dias 20 e 22 de agosto em 136 municípios de 24 estados. Foram feitas 2 mil entrevistas.

domingo, 22 de agosto de 2010

Eleição não depende mais de Serra

O resultado da pesquisa Datafolha apontando a disparada de Dilma Rousseff, que agora se posiciona 17 pontos percentuais acima de José Serra e poderia levar a eleição já no primeiro turno é um marco na campanha. A partir de agora, Dilma só não será a próxima presidente do Brasil se errar muito. Já não depende mais dos acertos de Serra, mas dos erros da candidata petista. Sim, porque Serra pode fazer tudo certo e ainda assim perder a eleição - inclusive no primeiro turno. Com tamanha dianteira, Dilma só perde se fizer muita bobagem. Muita mesmo. Um amigo do blog escaldado em campanhas revelou neste final de semana: olha, ela precisa fazer muita besteira para perder esta eleição.
E o problema todo, para o PSDB, é que não bastassem os acertos da brilhante propaganda eleitoral de Dilma, o marketing de Serra é todo errado e errático. Afinal, Serra é amigo de Lula ou seu opositor? Este nó está na cabeça de todos os eleitores que assistem o horário eleitoral. Não dá para ser as duas coisas. Ou bem se diz que Serra será continuador da obra do presidente ou se parte para uma ação agressiva contra o atual mandatário. O que não dá é para fazer as duas coisas ao mesmo tempo, como Luiz Gonzáles parece ter plenejado. É isto que está ocorrendo - Serra bate e assopra, beija e morde. Ninguém gosta de gente assim, dúbia, traiçoeira.
Faltam 40 dias para a eleição. Não é muita coisa. Se este blogueiro fosse José Serra, a partir de agora a luta seria para manter, ao menos, a votação obtida contra Lula em 2002. Menos votos será um vexame grande. Menos do que obteve Geraldo Alckmin em 2006 será um vexame enorme.
Tudo somado, Serra está sem rumo, abandonado pelos seus próprios aliados. O ex-governador de São Paulo já se via recebendo a faixa de Lula e não deu a atenção necessária à montagem dos palanques regionais, que é, sim, importantíssima no Brasil. Lula, ao contrário, abriu mão de diversas candidaturas petistas - Minas Gerais é o caso mais emblemático - em nome da aliança com o PMDB. O futuro vai mostrar quem teve melhor juízo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Portelinha tucana

A favela cenográfica apresentada no programa eleitoral de José Serra (PSDB) já se tornou o primeiro "fato político" da reta final da campanha deste ano. Se continuar assim, o povão vai começar a chamar o candidato tucano de Juvenal...
Durante o debate desta quarta-feira, Serra evitou o assunto, ao ser questionado por Marina Silva. Mas coçou a cabeça e demonstrou irritação. O que o marqueteiro Luiz Gonzalez deve ter ouvido do chefe não está escrito. É, foi mal...

sábado, 14 de agosto de 2010

Datafolha, cartomantes e realejos

Está cheio de gente por aí vaticinando que a eleição presidencial acabou, vai dar Dilma Rousseff mesmo, não tem mais jeito. E está cheio de gente por aí dizendo também que o Datafolha não vale nada porque em 2006 Lula estava bem à frente de Geraldo Alckmin neste mesmo momento da campanha, e dali para frente Alckmin subiu muito e Lula não ganhou um único voto. Ou então, o que é pior, que o Datafolha só deu o que deu porque não "captou" a performance de Serra no Jornal Nacional.

Bem, há argumentos para todos os gostos e este blog lamenta dizer que estão quase todos furados.

Em primeiro lugar, a eleição não está decidida ainda. O horário eleitoral na televisão e no rádio é fundamental e decisivo. Se a propaganda de Dilma for um desastre, se a candidata chamar eleitor de burro, como fez Ciro Gomes, se for flagrada com R$ 2 milhões em cash, como ocorreu com Roseana Sarney, é óbvio que perde a eleição, talvez até no primeiro turno. Se nada disto ocorrer, porém, a tendência é mesmo de Dilma vencer o pleito, pois tem sido assim em eleições presidenciais desde 1989 - quem largou na frente no início do horário eleitoral, ganha a eleição. Foi assim com Collor, Fernando Henrique, duas vezes, e Lula, duas vezes.

Os argumentos oposicionistas chamam atenção pelo ridículo. Alckmin nada tem a ver com Serra e só subiu nas pesquisas graças à lambança dos "aloprados", às vésperas do primeiro turno. E também, em parte, à ausência de Lula nos debates finais, da rede Globo. O que aconteceu em 2006 foi um acidente: Lula teve de enfrentar o segundo turno graças aos erros do PT, muito mais do que aos acertos da oposição, que já nem esperava a passagem para o segundo escrutínio e ficou meio mês pensando no que fazer...

Agora, o cenário é bem diferente e a lógica desta eleição é simples: o povão quer continuar na mesma toada, gostou do que viveu nos últimos anos. E a cada dia que passa, Dilma Rousseff é associada, por Lula, pela mídia, pelos demais atores do processo, como a candidata do presidente. Serra tentou uma estratégia, inteligente, até, de não bater em Lula e se apresentar como mais preparado para tocar o barco. Ocorre que a associação de seu nome com o de Fernando Henrique Cardoso derruba esta idéia de "continuismo pela oposição", e, ademais, o que o povão queria mesmo era a permanência de Lula, de maneira que ele se tornou o Grande Eleitor deste processo.

Ao contrário do que imaginam os mais exaltados, não há nada de errado nisto. É do processo democrático o presidente lutar para fazer o seu sucessor. É o que Lula tem feito. Quem não o fez, porque não queria a vitória de Serra, foi Fernando Henrique Cardoso. Fosse Pedro Malan o candidato, FHC estaria em cada birosca pedindo votos para Malan...

Tudo somado, a coisa está mais para Dilma, mas Serra ainda tem chances, cada vez mais remotas. O maior risco para o tucano é Marina começar a levantar uma onda de simpatia no campo da oposição. Se nas próximas pesquisas Marina cresce e Serra cai, pode haver um fenômeno semelhante ao que elegeu Luiza Erundina, mas desta vez apenas provocando a desidratação da candidatura do PSDB. Na melhor das hipóteses, Serra consegue "desconstruir" Dilma logo nos primeiros dias, correndo o risco de uma estratégia que utiliza o ataque como arma e deixa a adversária como vítima. E por fim cumpre lembrar que o tempo agora corre a favor de Dilma, contra José Serra.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Homenagem

Abaixo, o texto escrito e lido pelo autor destas Entrelinhas na missa de sétimo dia do professor Luiz Eduardo Magalhães, realizada no domingo, no Colégio Santa Cruz. É um texto bem pessoal e particular, reproduzido aqui a pedidos de alguns amigos que o ouviram durante a missa.

Na sexta-feira passada, o meu pai, depois de retomar uma conversa que havíamos tido dias antes, sobre literatura, imprimiu algumas poesias e um aforismo que estavam arquivados em seu computador e me deu as cópias. Uma das poesias, de autoria de Manuel Bandeira, leva o título de Consoada e diz o seguinte:

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

***

Meu pai deixou o campo lavrado, a casa limpa, cada coisa em seu lugar. Mas muito mais importante do que isto foi ter nos ensinado a lavrar o campo, limpar a casa e deixar a mesa posta, com as coisas todas em seus lugares.
Para cada um de nós, que estivemos ao lado dele ao longo de toda uma vida, este é o legado mais forte, mais presente. Para ensinar, é preciso aprender, e meu pai tinha uma capacidade admirável de aprender ouvindo o outro, entendendo o que era preciso explicar. Ele também aprendeu lendo, pesquisando, foi um curioso por natureza, mas este dom de escutar e perceber as questões dos seus interlocutores era algo muito próprio dele. Para cada filho, amigo, colega havia uma conversa, um interesse particular, uma palavra generosa.
Eu gostaria de dar um testemunho pessoal. Na minha relação com meu pai, sempre conversávamos muito, discutíamos sobre quase tudo que havia para ser discutido. E muitas vezes eu gostava de testar os meus argumentos, quando ia escrever um texto, um artigo. Ele era um debatedor sempre atento e ágil, usava a lógica para reafirmar suas posições, de maneira que se eu conseguisse convencê-lo, tinha certeza que os meus argumentos eram fortes e consistentes. Bem, devo confessar que só consegui realmente convencer o meu pai umas duas ou três vezes...
Voltando ao poema, pode parecer paradoxal, mas na verdade meu pai se foi com a casa em ordem, porém em construção. Aqui neste Colégio, no extremo oposto deste Teatro que era um de seus grandes orgulhos, correm as obras de um novo pavilhão. E muito mais importante do que a iniciativa de melhorar as instalações físicas desta escola, o que esteve em permanente construção, nesses anos todos que ele dedicou ao Santa Cruz, foram os esforços para aprofundar os ideais dos padres Corbeil e Charbonneau de oferecer aqui uma educação de fundo humanista, voltada para a formação de cidadãos éticos e atuantes, com consciência crítica do mundo em que vivemos.
A contribuição que meu pai deu para esta comunidade do Colégio Santa Cruz certamente não termina com o seu desaparecimento. Ele deixou seu legado, mas deixou também muitas tarefas. Afinal, as obras continuam e a vida segue seu curso, o futuro é hoje.

***

Já estou com muita saudade do meu pai. E carrego também comigo um sentimento forte de orgulho dele. Nos últimos quatro anos e meio, ele nos revelou uma outra característica, bonita de se ver. A obstinação com que lutou pela vida e a aproveitou, mesmo nas adversidades; a firmeza com que enfrentou as privações que a doença foi lhe impondo eram comoventes para todos os que acompanharam as batalhas que travou. Só que ele não lutou sozinho. Ao lado do meu pai havia uma verdadeira tropa de elite, corajosa e competente, comandada pelo doutor Antonio Carlos Buzaid.
Em nome da minha mãe e dos meus irmãos, eu quero aqui fazer um agradecimento muito especial aos doutores Buzaid, Rodrigo Guedes e demais assistentes. A Antonio Carlos Buzaid, em particular, gostaria de dizer que foram dois os guerreiros, dois os gigantes. Obrigado, doutor, pela parceria.
Gratidão, aliás, é um sentimento que nós, da família, temos por muita gente. Nesses últimos anos, e na verdade ao longo dos 11 anos da luta contra a doença, meu pai sempre esteve acompanhado e cercado de muita energia positiva. Aqui no Santa, eu gostaria de personificar a nossa gratidão em relação a todos vocês, diretores, professores, funcionários e alunos, na figura do Valdir Aparecido dos Santos, que esteve tão próximo em todos os momentos, bons e ruins, na dor e na alegria, diariamente. Como diria o Paulo Mendes Campos, “o que a gentileza gentilmente oferece, agradecimento nenhum pode pagar”.
Eu gostaria de finalizar com um breve texto, do livro Encontro Marcado, que meu pai leu bem jovem, de uma sentada, viajando de ônibus de São Paulo para o Rio de Janeiro. Texto, aliás, de outro mineiro – e meu pai era filho de mineiro –, o Fernando Sabino, autor que ele me recomendou cedo, para aprender a gostar de ler.

De tudo na vida ficam 3 coisas:
A certeza de que estamos sempre começando
A certeza de que precisamos continuar
E a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.

Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo
da queda, um passo de dança
do medo, uma escada
do sonho, uma ponte
E da procura, um encontro

Luiz Eduardo, muito obrigado por tudo. Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.