segunda-feira, 24 de maio de 2010

Perguntar não ofende

O sujeito que tocou a reforma gráfica do jornal Folha de S. Paulo e do site Folha Online (agora Folha.Com) por acaso é o mesmo que criou as palavras cruzadas "Vista Alegre, Olho Grande, Letrão Médio e Letrão Colorido" para o grupo Coquetel?

Dornelles sumiu

Depois que o candidato do PP para assumir a vice na chapa de José Serra (PSDB) sujou o ficha limpa, parece que os tucanos perderam o interesse no minuto e meio a mais que a aliança proporcionaria ao partido na campanha eleitoral no rádio e televisão. Terá sido realmente assim ou tem alguma coisa mal contada nesta história? Afinal, Dornelles era a cereja no bolo para carregar Rio e Minas ao mesmo tempo, agora tucano algum fala mais nele. Fica a dica: a pauta é ótima, ainda há bons repórteres investigativos do país.

Boa análise sobre as pesquisas eleitorais

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia é um bom analista de pesquisas. É do DEM, mas não costuma brigar com números, ao contrário, prefere estudá-los. Vale a pena ler o que el escreveu em seu ex-blog. Pelo que se pode perceber do cenário, está faltando sementes fortes e adubo na campanha tucana. É isto que Maia, muito delicadamente, insinua ao longo de seu texto. Se Dilma crescer mais, pode começar a baixar o despespero no campo oposicionista.

DATAFOLHA TAMBÉM MOSTRA EMPATE ENTRE SERRA E DILMA! E DAQUI PARA FRENTE?

1. Usando a lista completa de candidatos, Serra e Dilma empatam em 36% e Marina fica em 10%. Em parte se explica pela maior exposição de Dilma/Lula/PT na TV, nos programas e comerciais partidários. Mas há que se ir além disso. O fato de Dilma ser governo e isso implicar riscos para aqueles que ocupam cargos ou contam com recursos do governo em suas OraNGes, a mobilização desses, pedindo apoio a sua candidata, é muito mais intenso na fase inicial que a mobilização dos que apóiam Serra.

2. Este Ex-Blog já explicou o processo que transforma intenção de voto em decisão de voto, através do 'jogo de coordenação', ou conversa entre conhecidos sobre eleição até amadurecerem seu voto. Lula antecipou esse processo entre os seus, com a campanha que fez apresentando a sua candidata pelo Brasil afora e pela cobertura natural da imprensa.

3. Serra optou por deixar seu lançamento para o momento da desincompatibilização. Com isso, eliminou riscos de desgaste. Com as patinadas iniciais de Dilma, reforçou-se a ideia de seu acerto. Mas, com isso, também atrasou o 'jogo de coordenação'. Para compensar, ao se apresentar como candidato, priorizou a presença nos meios de comunicação. Por essa razão, deixou para um segundo momento a impulsão dos multiplicadores de opinião, ou militância com capacidade de liderança e mobilização.

4. Dilma chegou num ponto previsível de 1/3 do eleitorado ou pouco mais. A curva de seu crescimento tem taxa decrescente, mas essas pesquisas mostram que ainda não se anulou, tornando-se uma reta. Ou seja, pode crescer mais alguma coisa na margem. A Copa do Mundo é uma grande oportunidade para Serra. Os fluxos tardianos de opinamento (Gabriel Tarde, comentado aqui semana passada) tendem a sofrer um desvio em sua atenção. O mais provável é que a pesquisa do final da primeira semana de junho seja semelhante à pesquisa da segunda semana de julho.

5. Os candidatos se inibem durante a Copa para não serem considerados oportunistas pelos eleitores. Assim é um bom momento para as reuniões internas com militância, estimulando o 'jogo de coordenação', que foi retardado pela tática de não pré-lançamento. Para tanto, há necessidade de programação pelo tamanho do país. Claro, exclua-se SP, onde, pelas mesmas razões de Dilma no nível do governo federal, o 'jogo de coordenação' já começou.

6. É tempo, e vale para os dois, de se mergulhar em pesquisas e reflexões, de forma a se testar a Agenda que tem potencial de vitória para um e para outro. Agenda no sentido de tema-ambiente que chega ao imaginário do eleitor. Se a oposição não acertar na Agenda, prevalecerá a Agenda residual da continuidade.

7. Registre-se que, em 2006, o atual patamar em que se encontra Serra foi a votação de Alckmin no primeiro turno (incluindo brancos e nulos), ou 37%. Os carros ainda estão dando as voltas no circuito em busca do melhor posicionamento no grid de largada. Mas lembre-se que, na F1, definido o grid de largada, tudo para e se recomeça com os carros parados no dia seguinte. Nas eleições, os carros nunca param de correr, para frente ou para trás ou no mesmo lugar ou em diagonal.

8. Propaganda é irrigação. Sem sementes fortes e adubo, nunca será suficiente.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Tarde para uns, cedo para outros

Aconteceu de novo, como bem reparou um amigo do blog. O presidenciável José Serra voltou a se irritar com a imprensa e até seus aliados atribuiram o fato ao horário da coletiva - 9h da madrugada. Este blog está curioso para ver a performance do tucano no Bom Dia Brasil, mas já desconfia que neste dia ele só irá dormir após a entrevista...
A seguir, o relato da Folha Online sobre o novo piti de Serra. Relaxa, candidato!

Serra afirma que vai criar Programa de Aceleração da Saúde e da Segurança

GABRIELA GUERREIRO
da Sucursal de Brasília
da Reportagem Local

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou em entrevista coletiva em Brasília que, caso seja eleito, vai criar o PAS (Programa de Aceleração da Saúde e da Segurança).

Sem dar detalhes sobre como seria o programa, Serra disse querer retomar melhorias na área da Saúde, como a realização de mutirões.

O tucano já disse em outras oportunidades que vai criar o ministério da Segurança caso chegue ao poder.

Serra afaga prefeitos, critica PT e promete criar força nacional contra calamidades
Prefeitos sabatinam presidenciáveis em Brasília
Marina defende comprometimento ético e critica governos na questão ambiental

Serra demonstrou irritação durante a entrevista, concedida logo após sabatina com prefeitos. O ápice do mau humor foi ao responder a um repórter sobre a possibilidade de extinguir o Bolsa Família. "Por que a pergunta? Eu gostaria de saber a fonte. Isso é uma mentira. Vou fortalecer o Bolsa Família."

O ex-governador de São Paulo também disparou contra o governo federal. "Toda a máquina pública está leiloada entre os partidos." Para ele, as agências reguladoras viraram lugares de "apadrinhamento político" com "gente despreparada" para enfrentar questões de governo.

Aliados de Serra dizem que o ex-governador estava mau humorado esta manhã porque teve que acordar cedo. O debate com os prefeitos estava marcado para às 9 horas. Serra estava no Twitter ontem até de madrugada.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Deixa o homem descansar!!

Tá explicada a falta de educação de Serra com a jornalista e tucana Míriam Leitão: a entrevista foi as 8h da madrugada. Ele mesmo reconheceu, como segue abaixo:

Da Agência Estado.
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, o ex-governador José Serra (PSDB), defendeu hoje que o presidente da República acompanhe de perto a atuação do Banco Central (BC). “O BC deve ter autonomia para o seu trabalho dentro de certos parâmetros, que são os interesses da estabilidade de preços e do desenvolvimento da economia nacional”, disse o tucano após participar, na capital paulista, da abertura da APAS, feira do setor de supermercados.
Em entrevista à rádio CBN, na manhã de hoje, Serra disse que se eleito, daria opiniões sobre a atuação do BC. De acordo com o tucano, o BC “não é a Santa Sé” e não está “acima do bem e do mal”. “Agora quem acha que o Banco Central erra é contra dar autonomia de trabalho dele?”, disse o presidenciável. Questionado agora à tarde sobre o assunto, Serra esclareceu que não pretende, se eleito, mudar a relação entre o governo federal e o BC.
“O presidente nomeia a Presidência e a diretoria do Banco Central. Naturalmente, acompanha (o trabalho da instituição). Como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz e como qualquer presidente da República faz também”, disse. “Você escolhe presidentes (do BC), então você sempre tem condições de dialogar”, acrescentou. Para o tucano, a gestão atual do BC “trabalha direito”, e Lula acompanha a atuação da autoridade monetária.
De acordo com Serra, o fato de o presidente da República indicar a diretoria do BC já mostra a proximidade que haverá entre eles. “Você vai escolher alguém com quem tenha uma razoável proximidade. Não vejo nenhuma relação conflitiva nisso”, esclareceu.
Depois de responder de forma ríspida sobre a questão monetária à jornalista Miriam Leitão em entrevista na CBN, Serra tentou, agora à tarde, contemporizar. Disse ser “um grande admirador” da jornalista e atribuiu o tom de suas respostas ao horário. “Não fiquei incomodado (com as perguntas). Eram oito horas da manhã. Você espera que eu chegue sorrindo, como eu chego aqui?”, questionou.


Realmente, a CBN está a serviço de Dilma Rousseff: marcar entrevista com Serra às 8h é inconcebível. O Bom Dia Brasil, então, é um verdadeiro QG petista. Se ele aparecer por lá às 7h, é capaz de malhar até os colegas Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Míriam vs. Serra, na íntegra

Direto do blog de Míriam Leitão, que NÃO comentou o embate, a íntegra da refrega. O que espanta é o mau jeito com uma jornalista tão simpática ao tucanato. Dá para imaginar como o ex-governador Serra trataria alguém que realmente discordasse de suas opiniões? Melhor nem pensar no assunto...

NA CBN
Serra: "Tripé da política econômica veio para ficar"

Vejam abaixo, na íntegra, a entrevista na CBN com o pré-candidadato do PSDB, José Serra.

Míriam Leitão - A grande dúvida na economia é se o senhor vai respeitar a autonomia do BC. O senador Sérgio Guerra já disse que o senhor mudaria a política cambial e monetária, depois tentou se explicar, mas ficou essa dúvida no ar. A dúvida também é por declarações suas feitas no passado e por declarações feitas agora também. A sensação que se tem é que, se por acaso o senhor for eleito, vai ser também o presidente do BC. Queria saber isso.

José Serra - "É brincadeira de que eu eleito presidente da República vou ser presidente do BC. É preciso não me conhecer. Quem faz um rumor assim é falta de assunto, desejo de criar outros problemas.

ML - O senhor respeitará a autonomia do BC?

JS - A questão dos juros, a questão do câmbio... Ninguém, em sã consciência, pode defender a posição de que, quando há condições para baixar a taxa de juros, o BC não baixa, está certo. Isso não significa infalibilidade. A questão do tripé famoso que veio do governo passado que, se não me engano, fui eu até que apelidei de tripé (câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e meta de inflação) veio para ficar. Não baixar os juros num contexto que não tinha inflação simplesmente foi um erro. As pessoas que conhecem melhor, mesmo dentro do mercado financeiro, sabem disso. Agora, se alguém se assusta porque eu acho que a taxa de juros deve cair quando a inflação está caindo, quando tem quase deflação, é porque tem uma posição muito surpreendente do ponto de vista dos interesses do Brasil. Por outro lado, a mesa da economia brasileira, que estava no chão, eu ajudei a erguer. Todo mundo que me conhece sabe que eu não vou virar a mesa coisa nenhuma.

ML - Mas a dúvida é exatamente esta. Quando o senhor fala que foi um erro do BC, se por acaso o senhor for presidente ...

JS- Espera um pouquinho.

ML - Deixa eu completar a minha pergunta.

JS - Espera um pouquinho. O Banco Central não é a Santa Sé. Você acha isso, sinceramente, que o Banco Central nunca erra? Tenha paciência.

ML - Governador, deixa eu fazer a minha pergunta.

JS - Agora, quem acha que o Banco Central erra é contra dar condições de autonomia e trabalho ao Banco Central? Claro que não. Agora, de repente, monta-se um grupo que é acima do bem e do mal, que é o dono da verdade e que qualquer criticazinha já vem algum jornalista, já vem o outro e ficam nervosinhos por causa disso. Não é assim. Eu conheço economia, sou responsável, fundamento todas as coisas que penso a esse respeito. E, a esse propósito, você e o pessoal do sistema financeiro podem ficar absolutamente tranquilos que não vai ter nenhuma virada de mesa.

ML - Governador, deixa eu fazer a minha pergunta que eu não consegui completar. A questão não é se o BC é infalível, ninguém é. Mas se o senhor, quando se deparar com um erro do BC, caso seja presidente, ficará apenas com sua opinião ou vai interferir. A questão não é a taxa de juros.

JS - Imagina, Míriam, o que é isso? Mas que bobagem. O que você está dizendo, você vai me perdoar, é uma grande bobagem. Você vê o BC errando e fala: "Não, eu não posso falar porque são sacerdotes. Eles têm algum talento, alguma coisa divina, mesmo sem terem sido eleitos, alguma coisa divina, alguma coisa secreta tal que você não pode nem falar: Ó, pessoal, vocês estão errados". Tenha paciência".


Serra: arrogância ou firmeza?

A reportagem abaixo descreve a entrevista de José Serra à rádio CBN. O leitor pode tirar as conclusões, mas chama a atenção o fato de, pela segunda vez, o ex-governador José Serra ter perdido a paciência com um jornalista. Na semana passada, acusou de "partidária" uma repórter que procurava saber a opinião do presidenciável tucano sobre o mensalão do DEM, no Distrito Federal. Amigo de Arruda, Serra respondeu rispidamente. O que chama atenção agora é que Serra perdeu a paciência com Míriam Leitão. Não chegou a acusá-la de partidária porque soaria ridículo - Míriam é uma das colunistas mais críticas do governo Lula em atividade na imprensa brasileira.

Bem, os candidatos sabem o que fazem e são bem grandinhos para lidar com a repercussão de seus atos. Ou bem Serra quer vencer os jornalistas no grito - não vai conseguir - ou está mal assessorado, pois na tentativa de passar uma imagem firme, acaba parecendo arrogante, o que fica bem mais claro no áudio da entrevista.


Serra diz que BC não é a Santa Sé e se rotula candidato de esquerda

da Reportagem Local
Atualizado às 10h28.

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira que a taxa de juros no país deveria ter sido reduzida no passado e destacou que o Banco Central não é a Santa Sé, ao comentar sobre a autonomia do BC.
Serra demonstrou irritação ao ser questionado sobre também agir como presidente do BC, se eleito. O tucano defendeu a autonomia do BC, mas afirmou que se houver "erros calamitosos", o presidente deve interferir e opinar. "O presidente tem que fazer sentir sua posição."
"O Banco Central não é a Santa Sé. Não sou contra incentivos tributários, mas é preciso um mecanismo que não puna os municípios", disse ele em entrevista à rádio CBN.
Segundo ele, o Brasil continua com a maior taxa de juros do mundo. Como alternativa, defendeu uma política de médio e longo prazo para evitar a alta da taxa como mecanismo de conter a inflação.
Serra foi questionado sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter dito, em entrevista ao jornal espanhol "El País", sobre a certeza da vitória do PT nas eleições. O tucano afirmou que isso é normal, estranho seria Lula ter dito o contrário, e destacou que mais importante foi a declaração de que qualquer candidato que vencer as eleições não trará "nada de absurdo" para o Brasil.
Para o tucano, essa foi uma afirmação importante porque é quase um "jogo de terrorismo" dizer que se o candidato do PT não vencer, haverá uma calamidade no país. "O Lula não deve estar preocupado, tanto como imaginam, se a candidata dele [Dilma Rousseff] não ganhar."
Serra também defendeu um estado forte, "musculoso, mas não obeso", e afirmou que do ponto de vista da análise convencional, é de esquerda. "Defendo um projeto de desenvolvimento nacional para o Brasil, defendo o ativismo governamental."
O tucano afirmou que, se eleito, irá criar o Ministério da Segurança. "É uma coisa indispensável no Brasil, o consumo de drogas e o tráfico de armas é alimentando no exterior. O governado federal tem que jogar, não pode se esquivar mais."
Serra destacou como suas prioridades a segurança, a saúde e a educação. Segundo ele, o Bolsa Família deve ser mantido. "Ele ajuda os necessitados, mas precisa ser fortalecido."
Vice
O tucano evitou comentar sobre o nome que irá compor sua chapa como vice. "Não estou me metendo muito nesse assunto. Vai ser alguém da base aliada, mas qualquer coisa que eu disser aqui vai dar margem à fofoca."
Serra afirmou que não vai lotear cargos e nem aparelhar o Estado com o PSDB.