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Venda de carros bate recorde

A crise está tão brava no Brasil que o pessoal resolveu estocar automóvel para não passar necessidade durante as turbulências. É o que se pode constatar dos dados do mês de junho, quando foram vendidas mais de 300 mil unidades no país. Os jornalões, porém, vão dizer que se trata de "antecipação de compra em função do IPI reduzido" - na reportagem abaixo, da Folha Online, já vai uma dica de como a notícia será apresentada ao distinto público amanhã, quando os dados forem confirmados. Bem, para a grande imprensa, a questão é bem simples: se o governo diminui o IPI, age irresponsavelmente porque a arrecadação cai; se mantém o imposto como estava, age irresponsavelmente porque prejudica um dos setores mais importantes da economia. Não há escapatória, Lula está sempre errado. Sempre, e principalmente quando acerta.

Com imposto menor, venda de veículos bate recorde em junho

GUILHERME BARROS
Colunista da Folha de S.Paulo

A venda de veículos novos bateu recorde em junho, alcançando 300.204 unidades, segundo dados obtidos pela Folha. O último dia do mês, ontem, também registrou a marca recorde de unidades comercializadas para um único dia: 24.151.
Os licenciamentos, indicador de vendas, cresceram 16,8% em junho frente maio (256.978 veículos) e 14,7% ante o mesmo período do ano passado (256.005). No primeiro semestre outro recorde: 1,45 milhão de veículos vendidos, alta de 2,8% sobre as vendas dos seis primeiros meses do ano passado (1,41 milhão).
O mercado automotivo voltou a tomar fôlego com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) no último trimestre do ano passado, por três meses. A medida já foi renovada por duas vezes, sendo a última na segunda-feira.
O governo decidiu manter o benefício até setembro e anunciou a elevação gradual do imposto a partir de outubro, até o restabelecimento das alíquotas, em janeiro de 2010 (veja os valores abaixo).
A prorrogação do IPI também já levou a indústria automotiva a prever um novo recorde de vendas neste ano. Antes, previa queda de 3,9% em relação a 2008, ano que teve o melhor resultado da história, com venda de 2,820 milhões de unidades.
"Se continuarmos nesse ritmo, devemos ter o melhor ano da história", afirmou na segunda-feira Jackson Schneider, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), por ocasião do anúncio da prorrogação.
A desoneração tributária ocorre para estimular a economia e evitar demissões na indústria a automotiva. Em troca, o governo abre mão de uma parte da sua arrecadação. Entre janeiro e maio, a isenção teve um impacto de R$ 1,75 bilhão. Para o segundo semestre, a previsão é de mais R$ 1,4 bilhão em perda de receita.

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