O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mandou cancelar os chamados atos secretos da Casa. A medida lembra um pouco a história do marido que manda queimar o colchão da cama em que flagrou a mulher com outro. O problema de fundo na crise não é propriamente este ou aquele ato secreto, mas um modus operandi que une todos os parlamentares do Congresso - da Câmara e do Senado, diga-se de passagem. O que precisa acontecer é uma regulamentação das práticas correntes no uso dos recursos públicos no poder legislativo. Não é concebível que o Senado disponha de 10 mil servidores, nem dá para aceitar que a Câmara comercialize passagens aéreas (atividade bem lucrativa, por sinal). Foi bom Sarney ter cancelado os atos secretos, é óbvio, mas tal medida não é suficiente para por um fim na crise que vive o legislativo federal.
Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...
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