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Presidente argentino, Alberto Fernández, irrita toda a América Latina com uma única frase

O papa Francisco, natural de Buenos Aires, gosta de fazer piadas sobre a fama que os argentinos costumam ter de serem presunçosos. Em 2015 ele disse ao então presidente do Equador, Rafael Correa, que seus compatriotas ficaram surpresos por ele não ter escolhido Jesus II como seu nome pontifício. Ele falou a um jornalista mexicano sobre a forma de suicídio preferida pelos argentinos: “Sobem ao topo de seu ego e se lançam dali”. É uma forma de rir de si mesmo. Já no caso do presidente Alberto Fernández, é outra coisa: ele parece empenhado em se tornar o protagonista de uma piada sobre argentinos. Com um efeito irritante para o restante da América Latina. Fernández conseguiu obscurecer a breve visita a Buenos Aires do presidente do Governo (primeiro-ministro) espanhol, Pedro Sánchez, a primeira de um líder europeu desde o início da pandemia, com uma frase tirada de uma canção de Litto Nebbia que ele erroneamente atribuiu a Octavio Paz: “Os mexicanos vieram dos índios, os brasileiros saíra
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De olho na eleição, Freixo troca de partido: “Civilização contra barbárie”

A trajetória política do deputado federal Marcelo Freixo, 54 anos, se funde com a do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), no qual ingressou, vindo do PT, um ano após sua criação, em 2005. Agora os dois vão se separar: nesta entrevista, Freixo afirmou a VEJA, em primeira mão, que decidiu ingressar no Partido Socialista Brasileiro (PSB). E mais: é por essa legenda que se declara pré-candidato ao governo fluminense nas eleições de 2022. “No PSB terei a chance de fazer uma aliança mais ampla, com partidos progressistas e de centro, para enfrentar o grupo político que faliu o Rio e entranhou a corrupção no estado”, justifica. Na tentativa de se descolar da imagem de radical que acompanha o PSOL, Freixo não descarta ter até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, a seu lado no palanque. Segundo ele, a esquerda não pode repetir os erros da eleição passada. “Não é mais uma questão de direita versus esquerda, mas de proteger a democracia”, diz. Íntegra da entrevista a Sofia Cerque

A hora de João Doria

Pergunte a qualquer brasileiro a que cargo o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), pretende concorrer em 2022, e a resposta será: “presidente”. Mas caso você faça essa pergunta diretamente a ele, como fez PODER em entrevista exclusiva no palácio dos Bandeirantes, numa sexta-feira de maio, a resposta é: “Por enquanto, nenhum. Continuarei sendo gestor aqui do governo do estado de São Paulo”. “Dois mil e vinte e dois é para ser pensado em 2022. Ano ímpar é ano de gestão”, justificou, para em seguida expor uma contradição ao defender a definição do concorrente do PSDB ao Planalto por meio de eleição interna em 2021. “Não há a menor hipótese de você ter um candidato competitivo com prévias em 2022, o vencedor não terá tempo suficiente de articulação com os demais partidos de centro.” Embora não afirme sua candidatura, João Doria já deu mostras de que tem pressa para se tornar o ungido de seu partido. A tentativa do governador de se tornar presidente da sigla, em fevereiro, e, uma vez

Em Amonita, a notável Kate Winslet como uma pioneira da paleontologia

Em 1811, aos 12 anos, a inglesa Mary Anning desencavou nas escarpas da cidade de Lyme Regis, na hoje chamada “Costa Jurássica”, no condado de Dorset, um esqueleto de 5,2 metros que mais tarde se descobriu datar de cerca de 200 milhões de anos e pertencer a um ictiossauro — o primeiro do gênero a ser estudado e hoje um dos destaques do Museu de História Natural de Londres. Aos 24, Mary, a personagem verídica que Kate Winslet interpreta em Amonita (Ammonite, Inglaterra/Estados Unidos/Austrália, 2020), fez outro achado de imensa importância: o primeiro fóssil completo de um plesiossauro, tão exótico que por algum tempo pensou-se ser uma fraude. Com técnica irretocável, Mary retirou ainda das encostas um dos primeiros pterossauros achados no mundo, entre centenas de outros fósseis que ainda pequena aprendera a coletar e que aos 11, com a morte do pai, passou a vender para turistas para ganhar algum dinheiro, escreve Isabela Boscov na Veja desta semana. Continua a seguir. Na loteria do azar

Jovem grávida morta em tiroteio no Lins sonhava ser a 'Gisele Bündchen carioca'

Foi às 18h53m, do dia dia 3 de outubro de 1996, uma quinta-feira, que nasceu, no Hospital do Andaraí, no bairro de mesmo nome na Zona Norte do Rio, a pequena Kathlen de Oliveira Romeu, filha única da administradora Jackeline de Oliveira Lopes, que, à época, tinha 15 anos, e de Luciano Gonçalves. Horas após o nascimento da bebezinha, os pais e avós a levaram para uma casa na comunidade do Lins de Vasconcelos, também na Zona Norte. Os anos foram passando e, quando Kethlen completou 6, foi colocada pelos pais na Escola municipal Bento Ribeiro, no Méier, bairro vizinho. Lá ela cursou até o 8º ano do ensino fundamental. Em seguida, a menina foi transferida para o Colégio estadual Visconde de Cairu, também no Méier, onde fez o ensino médio. Muito dedicada aos estudos, Kathlen decidiu que iria entrar para a faculdade. Em 2017, logo após completar 19 anos, ela se matriculou no curdo de Design de Interiores na Universidade Estácio de Sá, na unidade da Praça XI, no Centro do Rio, escreve Rafael

Leonora Carrington e surrealistas ganham uma nova casa no Brasil

Existe uma relação entre vida e poesia, um nexo mágico entre a “realidade” e um mundo outro, preconizavam os surrealistas e André Breton com sua noção de “acaso objetivo”. Assim, não é de estranhar que Leonora Carrington, artista mítica que desperta há décadas a imaginação de sonhadores mundo afora, tenha sua produção literária apenas agora lançada em livro no Brasil — em dose dupla —, após décadas de uma intensa produção admirada como um segredo sussurado entre poucos iniciados. O primeiro é “Lá embaixo” (trad. Alexandre Barbosa de Souza, 96 págs., R$ 45), relato em primeira pessoa de Leonora durante sua estada no território desintegrador da paranoia em um hospício, que marca a estreia da 100/cabeças, editora voltada a produções surrealistas inéditas no país ou fora de catálogo. Quase ao mesmo tempo, “Um conto de fadas mexicano e outras histórias” (Iluminuras, trad. Dirce Waltrick do Amarante, 144 págs., R$ 49) reúne pela primeira vez em edição brasileira histórias que mostram por que
Bolsonaro traçou dois planos para seu futuro político, ambos vinculados à permanência no poder. O primeiro é a aposta na reeleição, com toda uma estratégia para manter sua base mais fiel - próxima de 15% do eleitorado - e ampliar no mínimo mais dez pontos percentuais para garantir uma vaga no segundo turno. Mas o medo em relação à eleição - sobretudo depois da anulação do julgamento do ex-presidente Lula - e a visão autoritária que tem da política levaram o presidente a construir um plano B: é preciso criar um clima populista-golpista no país, seja para mobilizar permanentemente o bolsonarismo-raiz, seja para acuar os adversários, ou então, ainda, como última saída, para inviabilizar a vitória de outro candidato, mantendo-se no Palácio do Planalto a qualquer custo. Pode parecer uma contradição apostar numa via democrática e, ao mesmo tempo, deixar a porta aberta para um possível golpe. Na verdade, o bolsonarismo se sustenta nesta ambiguidade, porque a pressão constante contra o sistema

Bolsonaro e a fábula da cigarra e a formiga

Somos um povo imprevidente que tem consciência de sua imprevidência e até gosta dela. Não surpreende, portanto, que tenhamos governos igualmente imprevidentes, que expressam aquilo que culturalmente somos. Monteiro Lobato definiu o perfil do brasileiro imprevidente na figura do Jeca Tatu. Dá muito trabalho cuidar do amanhã que ainda não chegou. Não vale a pena, dizia o Jeca. Cansa antes de trabalhar. Compreende-se. Esta sociedade tem suas raízes nas escravidões, a indígena e a africana. O escravo era coisa, e coisas não têm esperança. Quem não tem esperança não pode ser previdente. O amanhã não é dele, mas de quem nele manda. Ser previdente depende de ser pessoa e pessoa livre. Nosso conformismo com o dia de hoje, nossa cumplicidade com quem manda ou quem pensa por nós, quem de nós usurpa o direito de pensar nosso destino, é herança da escravidão. Inscrita em nossa consciência social e política com o chicote do feitor que sobrevive na mentalidade de muita gente neste país, escreve José

Como é a vida nos países onde a pandemia está quase domada

Sessenta e oito milhões de vacinas depois, a inusitada história do menor cinema do Reino Unido ganha novo capítulo a partir do mês que vem, quando o espaço quase portátil reabre as portas para o público. O Sol Cinema comemorou fechado sua primeira década de existência no ano passado. Não havia meios de receber espectadores com qualquer tipo de distanciamento social. O pequeno trailer, que serviu de galinheiro até 1972, é hoje uma saleta de apenas oito lugares movida a energia solar. O retorno promete ser grandioso. Pouco antes da reabertura oficial, foi o cenário do lançamento internacional do novo documentário da banda inglesa Madness - feito que pode parar nas páginas do Guinness Book como a menor avant-première do mundo. “Para julho, temos reservas de eventos privados e um grande festival, o Camp Bestival. Difícil saber como será daqui por diante, mas nos adaptamos a muitas situações. Funcionamos em fazendas e fábricas, nas ruas ou no zoológico. Somos versáteis”, disse ao Valor Paul

No palco com a cloroquina

O início da CPI da Covid-19 no Senado deu esperanças a boa parte da população, angustiada com a falta de vacinas, o recorde de mortes e o avanço de uma possível terceira onda, de que as dúvidas sobre a atuação do governo federal na pandemia fossem elucidadas. O governo comprou vacinas? Ajudou no desenvolvimento das mesmas? Forjou a quebra de regras de isolamento? Fez campanha por medicação sem comprovação científica? As primeiras sessões pareciam promissoras, com os convocados alinhados ao presidente Jair Bolsonaro tentando reforçar a versão governista – tudo o que podia ser feito foi executado, em especial no Ministério da Saúde. As agências de checagem, tão importantes na eleição de 2018, ganharam o auxílio de usuários comuns das redes, que municiam os senadores com informações em tempo real – apontando contradições nos depoimentos dos convocados. Parecia que chegaríamos a algum lugar, escrevem Pedro Bruzzi e Leonardo Barchini no site da revista Piauí, em texto publicado dia 3/6. Con

Dom, do Amazon Prime, narra história de playboy que virou bandido

Bem-vestido, olhos azuis, carro de luxo e com uma loira estonteante a tiracolo, Pedro Dom é um rapaz acima de qualquer suspeita aos olhos dos seguranças e porteiros da abastada Zona Sul carioca. Munido de informações privilegiadas sobre moradores ausentes, ele entra pela porta da frente em mansões e apartamentos luxuosos, onde seu “bonde”, escondido no veículo, faz a limpa levando joias, dólares e até uma coleirinha de cachorro cravejada de brilhantes. A parte de Dom nos assaltos tem um destino específico: alimentar o vício em cocaína que o acompanha desde os 13 anos. Sedutor e inconsequente, Pedro Dom, o “lorinho” ou “playboy”, alcunhas de Pedro Machado Lomba Neto no morro, ganhou as manchetes policiais no começo dos anos 2000 pelo modo como orquestrava os roubos espetaculares — e por atestar que a criminalidade não se resume aos estereótipos raciais e sociais que a seguem. Outro dado irônico: seu pai, Victor, era um policial que nos anos 70 combateu a chegada da cocaína ao Brasil. A

Cresce o hábito de espalhar notícias falsas como se fossem fatos concretos

Em pesquisa realizada em maio, confrontados com a afirmação de que “o governo, a imprensa e o setor financeiro dos Estados Unidos são controlados por pedófilos adoradores de Satã que operam uma rede global de tráfico sexual de crianças”, 15% dos americanos entrevistados disseram acreditar, sim, na insanidade pregada por mentores de teorias conspiratórias. Na mesma linha, o estado da Geórgia elegeu em novembro uma deputada, Marjorie Taylor Greene, para quem o massacre de vinte crianças na escola Sandy Hook, em 2012 — fartamente documentado com fotos e testemunhos —, teria sido uma armação do movimento antiarmas. No Brasil, panaceias como a cloroquina, por mais que a ciência comprove a ineficácia, continuam a ser usadas como miraculosos remédios contra o novo coronavírus. Desafiados a provar o que dizem, esses propagadores de absurdos, militantes ferozes na seara política, sacarão de argumentos estapafúrdios pescados em fake news com aquela certeza absoluta que só a ignorância produz. Ei