Correntes de extrema esquerda protestam contra o etanol e outras formas de biocombustível, alegando que haverá uma superprodução agrícola para fabricação de combustível, em detrimento da produção de alimentos. O argumento precisa ser melhor analisado. Em tese, é importante mudar a matriz energética mundial, hoje baseada no petróleo, que não é renovável e cujos derivados são extremamente poluentes. A esquerda certamente não deseja que o mundo retorne ao tempo das charretes e o que está em jogo então é a distribuição das áreas agriculturáveis. Não se trata de um problema de fácil resolução, porque de fato será necessário plantar muita cana para suprir a demanda do primeiro mundo – especialmente dos EUA – e alguém vai ter que fazer o serviço. Resta saber se é boa bandeira para as esquerdas lutarem contra uma alternativa de combustível que parece ser mais limpa, com a vantagem de ser renovável e gerar empregos no Brasil.
Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...
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