Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...
O sistema policial e penal brasileiro reflete, com perfeição, a desigualdade social do país. É concebido, e principalmente operado, para proteger as castas superiores, e intimidar os pobres. Temos regras prescricionais que garantem a impunidade de quem tem dinheiro suficiente para garantir manobras judiciais protelatórias, sempre esgrimadas por advogados bem pagos. Quando isso não é suficiente, entra em campo a inexplicável lentidão no julgamento dos processos, que às vezes ficam anos engavetados em algum gabinete, esperando fluir o prazo prescricional que irá livrar o réu. Existem três tipos de delitos que potencialmente atingem as castas superiores: os de colarinho branco, os contra a honra, e os de trânsito. Morrem, por ano, no Brasil, 35.000 pessoas em acidentes de trânsito. Os culpados por essas mortes pertencem, quase sempre, à classe média, a mesma classe que opera o sistema penal. Qualquer um que dirija um automóvel está exposto à prática de um eventual homicídio culposo, e às vezes doloso. Mas o sistema de auto-proteção funciona bem: ninguém vaii para a cadeia. Diariamente os programas de notícias sensacionalistas que infestam a televisão mostram a prisão de pobres, desde logo classificados como "bandidos", com presunção de culpa já devidamente estabelecida sem que sequer tenha sido iniciado o processo judicial. São algemados, maltratados e expostos à execração pública e linchamento moral. E nunca ouvi, em lugar algum, uma voz sequer condenando tais atos.
ResponderExcluirNa raiz de tudo isso está a característica mais indigna das elites brasileiras: o profundo preconceito de classe.