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Uma boa jogada de FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pode ser muita coisa, mas burro, definitivamente, não é. O anúncio de que permitiria a abertura do sigilo de seus gastos com cartões corporativos é uma evidente jogada para a torcida, uma vez que ele sabe que isto não vai acontecer, mas não deixa de ser uma jogada inteligente, pois deixa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em situação de constrangimento, uma vez que Cardoso "recomendou" ao seu sucessor que também ele abrisse mão dos sigilos.

A questão dos gastos dos presidentes é pura picuinha e em nada acrescenta para o debate público no Brasil, sobre as questões que de fato interessam ao povo. O problema é que qualquer que seja o montante gasto, será sempre muito mais do que o cidadão comum poderia dispender, pelo simples fato que o cargo de presidente da República não é "comum". Que Lula e Fernando Henrique tenham usufruido das facilidades que o cargo possibilita é perfeitamente legal e compreensível, pouca diferença faz se o primeiro gosta de uísque 12 anos e o segundo, de vinhos Romane Conti (segundo a versão tucana, apreendidos pela Receita Federal). O que importaria investigar, se denúncia sobre isto houvesse, é se alguns dos dois presidentes ou seus familiares roubou dinheiro público ou se valeu de expedientes ilícitos durante o governo em benefício próprio ou dos seus. Como a hipocrisia é grande e o udenismo-lacerdista cresce à vista grossa no país, o melhor que pode acontecer é os atores políticos terem o bom senso de deixarem a questão dos gastos presidenciais para lá e tratarem do que de fato importa, como a reforma tributária, medidas de prevenção contra a crise externa, enfim, assuntos que ralmente tragam alguma compensação para o povo brasileiro.

Do ponto de vista político, porém, não há como não ressaltar que FHC "mandou bem", como dizem os jovens. O governo trucou, ele gritou 6 e deixou Lula sem voz. No nível a que esta discussão desceu, Lula ficou engessado, não pode gritar 9 e mandar investigar Paulo Henrique Cardoso, por exemplo, porque soaria estranho, alguém poderia dizer que seria "perseguição política". A sorte do presidente é que o assunto, de tão pequeno e irrelevante, deverá ser em breve esquecido e retirado da pauta para que um novo escândalo sacie a fome dos neolacerdistas.

Comentários

  1. nesse fhc nao confio nem com vela na mao nao duvido que ele e sua trupe plantaram a tal noticia de que o atual governo estaria com um dossie sobre dspesas do fh c.corporativo, uma vez que a tal cpi ja faz agua.

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  2. Vc disse que: "A questão dos gastos dos presidentes é pura picuinha e em nada acrescenta para o debate público no Brasil, sobre as questões que de fato interessam ao povo."

    Discordo!!

    Ainda que os valores monetários absolutos envolvidos sejam menos que uma gota d'água no oceano os exemplos (bons e maus, de austeridade ou não) vem de cima.

    Seria bom que Lula e Marisa pudessem mostrar que tb neste quesito foram melhor que FHC.

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